Por favor, abram a carta aos Colossenses. Colossenses, capítulo 1.
Vamos ler do versículo 12 ao versículo 19: Colossenses 1:12-19.
Dando graças ao Pai, Que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;
Que nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor;
Em Quem temos a redenção, o perdão dos nossos pecados;
O Qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;
Porque Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam domínios, sejam principados, sejam potestades;
Todas as coisas foram criadas por meio Dele e para Ele;
E Ele é antes de todas as coisas, e Nele todas as coisas subsistem.
E Ele é a cabeça do corpo, a igreja; Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em todas as coisas tenha a preeminência.
Porque foi do agrado do Pai que Nele habitasse toda a plenitude.
Voltemo-nos ao Senhor em oração.
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque podemos nos reunir aqui em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Confessamos que, em nós mesmos, é impossível exaltarmos o Teu Filho amado como deveríamos.
Por isso, recorremos ao Teu Espírito Santo para que nos capacite a assimilar o Teu Filho nesta noite, a fim de que Ele seja grandemente exaltado e glorificado no meio do Teu povo. Entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos que nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento de Deus. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Mencionamos ontem à noite que o assunto que estamos considerando juntos diante do Senhor é a filiação. É o propósito eterno de Deus conceder-nos a filiação em Seu Filho amado.
Sempre que consideramos essa questão da filiação, não podemos fazê-lo sem primeiro considerar o Filho, o Filho do amor de Deus. Por quê? Porque a nossa filiação está, na verdade, incluída no fato de Ele ser o Filho de Deus.
Ou, em outras palavras, o Filho compartilha a glória da Sua filiação. Portanto, a nossa filiação está em Cristo Jesus. Se queremos compreender bem o que realmente é a filiação, creio que a primeira coisa a fazer é considerar o Filho.
Graças a Deus, essa é a vontade de Deus. Em Romanos 8:29, somos informados de que, segundo a Sua presciência, Ele nos predestinou para sermos conformados à imagem de Seu Filho, a fim de que o Filho seja o primogênito entre muitos irmãos.
Assim, por esse versículo, vocês podem ver muito claramente que é por causa do Filho que recebemos a filiação. É a vontade de Deus que sejamos conformados à imagem do Filho de Deus, para que o Filho de Deus seja o primogênito entre Seus irmãos. E é assim que entramos na filiação.
Portanto, nesta noite, buscamos o Senhor para que Ele nos capacite a considerar o Filho do amor de Deus.
Em primeiro lugar, vemos que esse Filho é o Filho eterno. Consideremos a filiação eterna do nosso Senhor Jesus.
Antes de entrarmos nas Escrituras, gostaria de ler para vocês algo escrito por um homem chamado Willox. Ele escreveu um artigo sobre a filiação eterna, publicado na revista The Dawn, editada por D. M. Panton. D. M. Panton era considerado um dos melhores estudiosos da profecia.
Penso que, logo de início, vou ler algo desse artigo para lhes dar uma pequena ideia do que realmente é a filiação do nosso Senhor Jesus.
A filiação de Cristo é um relacionamento dentro da Divindade. Isto é, Ele é Filho em Sua natureza divina.
Ao afirmar que Deus era Seu próprio Pai, o Filho estava Se fazendo igual a Deus, como os judeus perceberam. Ora, quando o Filho, ao declarar que Deus era Seu próprio Pai, afirmava Sua igualdade com Deus, não poderia estar apenas afirmando ser filho por adoção. Pois isso não seria afirmar igualdade com Deus.
Os crentes são filhos de Deus por adoção, mas estão infinitamente longe de ser iguais a Deus. Ele não poderia estar apenas afirmando ser filho em virtude de um ofício, pois isso não seria afirmar igualdade com Deus. Os antigos juízes eram filhos de Deus em virtude de seu ofício; se vocês forem ao Antigo Testamento, encontrarão isso. Mas eles estavam infinitamente longe de ser iguais a Deus.
Ele não poderia estar apenas afirmando ser Filho em virtude de Sua concepção milagrosa. Pois o Espírito Santo, sendo o Deus Todo-Poderoso, poderia, se assim Lhe aprouvesse, realizar a concepção milagrosa de um ser humano que não tivesse absolutamente nenhuma natureza sobre-humana.
Ele não poderia estar apenas afirmando ser Filho por possuir uma alma humana produzida de maneira extraordinária pelo Pai. Pois o Pai, sendo o Deus Todo-Poderoso, poderia, se Lhe aprouvesse, criar um ser sobre-humano — um ser que de modo algum seria Deus.
Ele só poderia estar afirmando ser o Filho em virtude de algo dentro da Divindade. Ele estava afirmando ser o Filho em Sua natureza divina.
Sua afirmação implica claramente que, assim como um filho terreno é humano exatamente no mesmo sentido em que um pai terreno é humano, também o Filho celestial é divino exatamente no mesmo sentido em que Seu Pai celestial é divino.
O Filho, portanto, é Filho em virtude de algo dentro da Divindade: a paternidade do Pai e a filiação do Filho. A paternidade e a filiação estão dentro da Divindade. A filiação não implica qualquer inferioridade no Filho, pois é por essa filiação que o Filho é igual a Deus.
O Filho do Pai, portanto, é Filho em Sua natureza divina. Ele sempre foi e sempre será o Filho gerado de Deus. Ele é o Filho gerado de Deus por geração eterna. Essa geração é algo que não tem começo nem fim. Isto é, a geração é eterna.
Agora, vamos ao Evangelho segundo João, capítulo 1.
João 1:1-2:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Aqui vemos que se diz: “No princípio”. Ora, esse princípio, naturalmente, é o princípio de todos os princípios. Em outras palavras, não é o princípio da criação dos céus e da terra, como encontramos em Gênesis 1:1.
Em Gênesis 1:1, lemos:
No princípio, criou Deus…
Esse é o princípio da criação. Mas o que encontramos aqui no Evangelho segundo João — “No princípio era o Verbo” — é o verdadeiro princípio. É o primeiro princípio, o princípio de todos os princípios.
Por quê? Porque o Verbo é o princípio. Deus é o princípio. Lembramos que o nosso Senhor Jesus disse, em Apocalipse 22:13:
Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim.
No princípio era o Verbo. A palavra Logos significa a fala, a enunciação, a expressão. É isso que o Verbo é.
E esse Verbo, essa fala, essa enunciação, essa expressão, está no princípio. Ele é autoexistente. Ele é preexistente. E, naturalmente, sabemos que isso se refere à segunda Pessoa da Divindade.
João 1:1 diz:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus.
Isso nos diz que Ele tem uma personalidade divina distinta.
E o Verbo era Deus.
Isso nos diz que há união e unidade com Deus.
“E Ele estava no princípio.” Isso nos fala de Sua coexistência com Deus. Portanto, irmãos e irmãs, vemos imediatamente que o nosso Senhor Jesus, como a segunda Pessoa da Divindade, é o Filho eterno.
Ele é o princípio. Ele está com Deus. E Ele é o próprio Deus.
Esse Verbo é o Filho de Deus, porque é o Filho Quem revela o Pai. João 1:18:
Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, Que está no seio do Pai, Ele O revelou.
Deus é invisível e desconhecido. Mas esse Deus desconhecido agora é conhecido por meio do Filho, por meio do Seu Verbo. Naturalmente, uma maneira de conhecer uma pessoa é quando ela começa a falar. Por suas palavras, podemos conhecer o que está em sua mente e o que está em seu coração. Começamos a conhecer e a compreender essa pessoa.
Da mesma forma, vemos que Deus não é apenas invisível; Ele também é desconhecido. Mas, graças a Deus, Cristo, o Verbo, expressa o Pai. Ele revela o Pai. Ele nos dá a conhecer o Pai.
E Ele existe desde o próprio princípio, na eternidade. Portanto, o nosso Senhor Jesus é o Filho eterno.
Então, naturalmente, encontramos em Hebreus 1:2:
Nestes últimos dias, nos falou em Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por meio de Quem também fez os mundos.
Nos dias antigos, Deus falou aos nossos pais por meio dos profetas, de muitas maneiras e de muitas formas. Mas, nestes últimos dias, Ele não falou por meio dos profetas; Ele falou no Filho.
Ou, em outras palavras, Ele falou Naquele Que tem o caráter de Filho de Deus. E, por causa disso, vemos que, no Filho, podemos ouvir Deus de maneira plena e completa.
Ele é o Verbo, a fala de Deus, a revelação de Deus. Ninguém conhece o Pai senão o Filho. Ninguém conhece o Filho senão o Pai. E ninguém conhece o Pai senão aqueles a quem Cristo, o Filho, O revela.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, logo de início precisamos ver que o Filho do amor de Deus é o Filho eterno. Ele é igual a Deus. Ele tem todos os atributos de Deus. Ele é um com Deus e é a própria expressão de Deus.
Por isso, encontramos em Hebreus 1:3, no mesmo capítulo, que Ele é:
O resplendor da Sua glória e a expressa imagem da Sua substância.
Ele é a própria expressão da glória de Deus e a expressão de Sua substância — isto é, de Sua essência.
Tudo o que Deus é, a própria essência de Deus, encontra sua expressão plena no Filho. E tudo o que constitui a glória de Deus encontra sua expressão e manifestação no Filho. Por quê? Porque o Filho compartilha a glória com o Pai.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, Aquele a Quem adoramos é o Filho eterno. Ele é Deus. Ele tem toda a majestade, toda a glória, toda a honra. Como precisamos nos prostrar e adorá-Lo, porque Ele é o Filho, o Filho eterno.
Lembramos da oração do nosso Senhor Jesus em João 17:24:
Pai, quero que aqueles que Me deste também estejam Comigo onde Eu estou, para que contemplem a Minha glória, que Me deste; porque Tu Me amaste antes da fundação do mundo.
Antes da fundação do mundo, Ele é o Filho.
Agora, qual é o relacionamento entre o Pai e o Filho? Encontramos em João 3:35:
O Pai ama o Filho e entregou todas as coisas em Sua mão.
E também em João 5:20:
Porque o Pai ama o Filho e Lhe mostra todas as coisas que Ele mesmo faz; e Lhe mostrará obras maiores do que estas, para que vos maravilheis.
Sendo o Filho eterno de Deus, vemos que Ele é o Filho do amor do Pai. Ele disse: “O Pai Me ama”. Observem que, quando o Senhor Jesus disse: “O Pai Me ama”, embora naquele momento estivesse nesta terra, Ele não disse: “O Pai Me amou”. Ele usou as palavras: “O Pai Me ama”.
Em outras palavras, esse amor está sempre ali. Está sempre presente. Esse amor que o Pai tem por Ele como Filho existe não apenas nos dias em que Ele esteve nesta terra, mas já existia antes de Ele vir a este mundo. O amor que o Pai tem por Seu Filho permanece para sempre.
“O Pai Me ama.” Sempre há esse amor entre o Pai e o Filho.
É nesse contexto que encontramos a expressão “o Filho unigênito de Deus”.
Sabem, a expressão “Filho unigênito”, quando se refere ao nosso Senhor Jesus Cristo, é usada apenas pelo apóstolo João. Ela é usada cinco vezes no Novo Testamento para falar do Filho unigênito de Deus.
A primeira vez encontramos em João 1:14:
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
“Unigênito do Pai.” Agora, o que isso significa? “Unigênito”, aqui, não se refere a um momento no tempo, porque está fora do tempo. “Unigênito”, aqui, não significa que houve um momento em que Ele Se tornou o Filho unigênito de Deus.
A expressão se refere a um relacionamento. Há um relacionamento divino, um relacionamento entre Ele e o Pai, e esse relacionamento só pode ser expresso pela expressão “Filho unigênito”.
Não podemos tentar compreender essa expressão de maneira humana. Em termos humanos, dizemos: “Bem, se você é gerado pelo pai, então um dia você nasce”. Você se torna filho por ser gerado pelo pai. Mas não podemos pensar em termos dessa expressão humana.
“Unigênito”, nas Escrituras, nos fala de um relacionamento que sempre existiu. Não há começo nem fim. Ele é o unigênito do Pai. Ele é o amor do Pai. Ele é o próprio coração do Pai. Ele está no próprio seio do Pai.
Portanto, irmãos e irmãs, lembrem-se disto: quando pensamos no unigênito, é muito fácil imaginarmos que talvez tenha havido um momento em que Ele Se tornou o unigênito. Mas isso não é verdade, porque, quando pensamos na Divindade, Que sempre existe, não há qualquer fator temporal envolvido.
É simplesmente uma maneira de expressar um relacionamento entre o Pai e o Filho.
A segunda menção está em João 1:18:
Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, Que está no seio do Pai, Ele O revelou.
Nesse caso, vemos que a expressão “Filho unigênito” é usada para nos mostrar essa união com o Pai. Ele é o Filho unigênito no seio do Pai. Isso fala dessa união.
Tudo o que o Pai é, o Filho unigênito também é. Tudo o que o Pai tem, o Filho unigênito também tem, porque Eles estão em unidade, em união.
Então, a terceira passagem em que o Filho unigênito é mencionado é João 3:16. Esse é um versículo que conhecemos muito bem:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Isso nos diz que aquilo que o Pai nos dá tem um valor imenso, porque Ele nos dá ninguém menos que Seu Filho unigênito. Quando Ele nos dá Seu Filho unigênito, Ele nos dá tudo — tudo o que Ele tem, tudo o que Ele é.
Portanto, esse versículo está, na verdade, nos mostrando o grande valor da dádiva extraordinária que Deus nos concedeu. Ele nos dá Seu Filho unigênito.
A quarta vez está no mesmo capítulo, em João 3:18:
Quem Nele crê não é julgado; quem não crê já foi julgado, porque não creu no nome do Filho unigênito de Deus.
Nesse contexto, o que João procura nos dizer é que tudo o que Deus é está no Filho unigênito: Seu amor, Sua misericórdia, Sua graça, Sua salvação. Tudo o que Deus tem para nós está nesse nome — no nome do Filho unigênito.
Portanto, se vocês creem nesse nome, terão a vida eterna. Se não creem, serão julgados. Ou, em outras palavras, o Filho unigênito é o objeto da nossa fé.
Em que cremos? Em Quem cremos? Cremos no Filho unigênito do Pai. Quando cremos no Filho unigênito do Pai, cremos no Pai; cremos em Deus. Ele é o objeto da nossa fé.
Por fim, a quinta vez em que essa expressão é usada a respeito do nosso Senhor Jesus está em 1 João 4:9:
Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o Seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio Dele vivamos.
Aqui, o que o Espírito Santo procura nos mostrar é o amor de Deus. Como é grande o amor de Deus por nós! Ele nos dá Seu Filho unigênito. Ele enviou Seu Filho unigênito ao mundo.
Ao fazer isso, não há absolutamente nenhuma dúvida — não pode haver dúvida — de que Deus amou o mundo de tal maneira. Portanto, vemos que, nessas cinco passagens, quando o Filho unigênito é mencionado, a expressão sempre nos fala de Seu relacionamento com o Pai e de como, por meio Dele, o Pai é manifestado e revelado a nós.
Ele é o Filho unigênito do Pai. Mesmo antes da fundação do mundo, vemos que Ele estava ali com Seu Pai, porque a glória pertence a Ele. Tudo o que constitui a glória do Pai é a glória do Filho.
Então encontramos em Hebreus 1:2, no mesmo versículo:
A Quem constituiu herdeiro de todas as coisas.
Esse “Quem” é o Filho.
Esse Filho eterno, o Filho do amor do Pai, o Filho unigênito de Deus — Deus O estabeleceu como herdeiro de todas as coisas.
Se vocês abrirem em Colossenses 1:15:
O Qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.
Agora, irmãos e irmãs, em Seu relacionamento com Deus, Ele é a imagem do Deus invisível. Em Seu relacionamento com a criação, Ele é o primogênito de toda a criação.
O que é uma imagem? A palavra “imagem”, nas Escrituras, significa duas coisas. Em primeiro lugar, significa representação. Uma imagem é uma representação.
Ora, Deus é invisível, mas aqui vemos que o Filho é a imagem exata do Deus invisível. Ele representa Deus. Ele é a representação perfeita de Deus. Ele disse: “Se vocês Me veem, veem Meu Pai”.
Vocês se lembram de que, mesmo no final, Seus discípulos estavam tão cegos que Filipe pediu: “Mostra-nos o Pai, e isso nos basta”. O Senhor Jesus disse: “Filipe, estás Comigo há tanto tempo e ainda fazes uma pergunta dessas? Não sabes que, se Me viste, viste o Pai?”
Por quê? Porque Ele é a imagem do Deus invisível. Deus é invisível, mas nessa imagem Deus Se torna visível. Ele é a plena representação de Deus.
Em segundo lugar, a palavra “imagem”, nas Escrituras, também significa manifestação. Ele não é apenas a plena representação de Deus, mas também a plena manifestação de Deus. Ele é capaz de manifestar Deus em plenitude — não apenas em parte, não em fragmentos, mas de representar Deus plenamente e manifestar Deus plenamente.
Esse é o Seu relacionamento com o Pai. Agora, qual é o Seu relacionamento com a criação? Ele é o primogênito de toda a criação.
Em primeiro lugar, o termo “primogênito” geralmente traz a ideia de ser o primeiro entre os demais. Ele traz a ideia de uma posição elevada e privilegiada na família.
Como mencionamos ontem à noite, o primogênito tem um direito de primogenitura, e esse direito lhe garante uma porção dobrada da herança. Portanto, “primogênito” geralmente significa alguém que está em uma posição privilegiada, que é o primeiro entre os demais.
Normalmente, em termos humanos, aquele que nasce primeiro ocupa a posição de primogênito. Mas nem sempre é assim. Mesmo nas Escrituras, vemos que nem sempre acontece dessa maneira.
Entre o povo judeu, mencionamos ontem à noite o caso de Jacó. Jacó não nasceu primeiro; Esaú era o primogênito. Mas Jacó obteve o direito de primogenitura.
Vocês também veem isso entre os filhos de Davi. Davi teve muitos filhos, e certamente Salomão não era o primogênito. Contudo, entre todos os filhos de Davi, Salomão foi colocado em primeiro lugar entre seus irmãos. Ele herdou o direito de primogenitura.
Portanto, a palavra “primogênito” geralmente traz consigo a ideia de uma posição privilegiada. Mas, naturalmente, quando ela é aplicada ao nosso Senhor Jesus, encontramos essa mesma ideia, porém com uma diferença.
Por quê? Porque, quando dizemos que Ele é o primogênito de toda a criação, isso não significa que Ele seja o primeiro entre os seres criados.
A palavra “primogênito” é usada nas Escrituras de duas maneiras diferentes. Uma delas é a maneira comum: primogênito significa aquele que nasce primeiro entre outros que nascem depois dele.
Mas, nas Escrituras, a palavra “primogênito” tem um uso especial. Esse uso especial não se aplica apenas ao nosso Senhor Jesus; vocês o encontram até mesmo com relação a Israel. Mencionamos ontem à noite Êxodo 4:22-23:
Israel é Meu filho, Meu primogênito.
Como nação, Israel não foi a primeira a nascer. Mesmo quando Deus disse a Moisés: “Fala a Faraó. Dize: ‘Deixa ir o Meu povo. Israel é Meu filho, Meu primogênito’”, a nação de Israel ainda não havia sido estabelecida.
Eles ainda eram um povo, escravos no Egito. Mas Deus disse: “Israel é Meu filho, Meu primogênito”. Em outras palavras, entre todas as nações, Deus havia escolhido soberanamente Israel para ser a primeira entre as nações, embora ela não fosse a primeira nação a ser formada.
O Egito, naquela época, já era uma grande nação, e Israel ainda não havia sido formado como nação. Contudo, Deus disse: “Israel é Meu primogênito”, o primogênito entre as nações.
Encontramos esse uso também em Salmos 89:27, a respeito de Davi:
Também o farei Meu primogênito, o mais elevado dos reis da terra.
Antes de a nação de Israel ter reis, as nações ao seu redor já tinham reis. Como as nações ao redor tinham reis, eles foram a Samuel e disseram: “Dá-nos um rei como o das outras nações”.
Eles não compreendiam que Deus era o seu Rei. Portanto, já existiam reis nesta terra muito antes de Israel ter um rei. Davi era rei da nação de Israel, e Deus disse: “Eu o farei primogênito, o mais elevado dos reis da terra”.
Esses dois casos nos mostram que “primogênito” tem uma aplicação especial nas Escrituras. Às vezes, a palavra é usada no sentido comum; outras vezes, é usada em um sentido especial.
Não podemos usar “primogênito” no sentido comum quando o aplicamos a Cristo. Se fizermos isso, trataremos o primogênito de toda a criação como se Ele fosse o primeiro ser criado. Portanto, a palavra precisa ser aplicada ao nosso Senhor Jesus de maneira especial e em um sentido especial.
Nesse sentido especial, “primogênito” significa duas coisas. Em primeiro lugar, prioridade. Ele é anterior — anterior a toda a criação. Antes de a criação ser criada, Ele já estava ali.
E, em segundo lugar, Sua soberania. Ele não é apenas anterior à criação, mas tem soberania sobre toda a criação. É isso que “primogênito” realmente significa.
Ao ler Colossenses 1, vocês podem perceber que essa palavra é, de fato, usada nesse sentido especial. Por quê? Porque o texto diz: “primogênito de toda a criação”.
Por que Ele é chamado de primogênito de toda a criação? Deus vai Lhe dar todas as coisas. Deus O estabeleceu como herdeiro de todas as coisas. Para isso, todas as coisas precisavam ser criadas, e Ele Se tornou o primogênito de toda a criação.
O que isso significa? A palavra “porque” nos dá uma pista. Ele é chamado de primogênito de toda a criação porque Nele foram criadas todas as coisas.
No manuscrito original, isso deve ser traduzido como “Nele”. Nele foram criadas todas as coisas: as coisas nos céus, as coisas sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam domínios, sejam principados ou autoridades. Isso inclui tudo.
Nele foram criadas todas as coisas. Ora, os tradutores, quando chegam à tradução desse trecho, encontram dificuldade. Por quê? Porque não conseguem compreender como todas as coisas poderiam ser criadas Nele. Então usam outra expressão: “por Ele”.
Mas, naturalmente, encontramos a expressão “por meio” mais adiante. No mesmo versículo, Colossenses 1:16, está escrito:
Todas as coisas foram criadas por meio Dele e para Ele.
Portanto, falando estritamente, o sentido aqui é: “Nele foram criadas todas as coisas”.
Agora, como todas as coisas podem ser criadas Nele? Para usar uma ilustração simples, temos aqui uma mesa. Essa mesa foi construída por alguém — digamos, um carpinteiro.
Na verdade, essa mesa é construída nele. Por quê? Porque é na mente do carpinteiro que ele concebe a ideia de fazer uma mesa. Ele imagina como a mesa será.
Muitas vezes, tudo o que vocês constroem, em certo sentido, revela o que vocês são. Se esse carpinteiro é uma pessoa muito artística, então, naturalmente, a mesa que ele projeta será muito bonita. Se ele é uma pessoa muito organizada, que preza a simetria, então aquilo que constrói revela esse senso de simetria.
Portanto, em certo sentido, vemos que isso é criado, ou construído, nele. Ele é o projetista. Ele projeta de acordo com seu gosto, de acordo com seu caráter. Assim, essa mesa assume o caráter do carpinteiro.
Penso que isso é verdade em tudo o que vocês constroem, em tudo o que fazem. A obra de suas mãos realmente revela quem vocês são e o que vocês são, porque tudo o que fazem assume algo do seu caráter.
O mesmo acontece com todas as coisas, irmãos e irmãs. Quer vocês olhem para as coisas no céu ou sobre a terra, quer sejam principados ou autoridades — isto é, seres angelicais —, vemos que isso inclui tudo. Os seres angelicais, os seres celestiais e todas as coisas criadas foram criados no Filho.
Ele é o projetista, o arquiteto. Ele concebe o pensamento. Ele dá a ideia de todas as coisas. Por isso, tudo falará de Sua glória, revelará Sua divindade e revelará Seu poder, porque tudo foi projetado por Ele. Ele é o projetista de todas as coisas.
Em segundo lugar, todas as coisas foram criadas por meio Dele. Ele não é apenas o arquiteto, o projetista; Ele também é o engenheiro, o construtor. Ele não apenas projetou tudo, mas Ele mesmo construiu tudo. Todas as coisas foram criadas por meio Dele — o céu, a terra e tudo o que neles há.
Em terceiro lugar, todas as coisas foram criadas para Ele. Ele não é apenas o projetista, o arquiteto; Ele não é apenas o engenheiro, o construtor; Ele também é o proprietário, o herdeiro de todas as coisas, porque tudo o que Ele criou é para Si mesmo.
É a vontade de Deus que Ele seja o herdeiro de todas as coisas. Irmãos e irmãs, é isso que “primogênito” realmente significa quando se aplica ao nosso Senhor Jesus. Ele tem prioridade sobre todas as coisas e soberania sobre todas as coisas.
Vocês se lembram de que Apocalipse 4:11 diz que todas as coisas foram criadas para o Teu prazer. Não existe nada criado que não seja para o prazer de Deus, para o prazer do Filho de Deus.
Toda a plenitude da Divindade habita Nele, para que Ele tenha a preeminência em todas as coisas. Esse é o Filho.
Então encontramos em João 1:14:
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
Aqui vemos que Ele não é apenas o Filho eterno, o Filho do amor do Pai, o unigênito, o primogênito de toda a criação e o herdeiro de todas as coisas. Um dia, o Verbo que estava no princípio Se fez carne — o Filho encarnado.
O Verbo Se fez carne. Mas lembrem-se de uma coisa: quando o Verbo Se fez carne, isso não significa que Ele deixou de ser o Verbo. Ele continua sendo o Verbo, mas o Verbo assumiu a carne humana.
Portanto, vemos que Ele não deixa de ser o Filho de Deus quando Se torna o Filho do Homem. Na encarnação, Ele assumiu a carne humana, mas dentro dessa carne humana está o Verbo — a expressão, a fala, a enunciação de Deus.
E o Verbo habitou entre os homens. A palavra “habitou”, naturalmente, no original significa “tabernaculou”, ou “armou uma tenda”. Imediatamente, somos levados de volta à história dos filhos de Israel no deserto.
Deus libertou os filhos de Israel do Egito e os trouxe a Si, no monte Sinai. Deus começou a revelar Sua mente e Seu coração aos filhos de Israel. Ele disse: “Quero habitar no meio de vocês. Quero viver com vocês”.
“Vocês são um povo redimido. Eu os trouxe a Mim e quero viver no meio de vocês. Construam para Mim uma tenda, um tabernáculo, para que Eu possa habitar entre vocês.”
Aqui vemos que a mesma palavra é usada a respeito do nosso Senhor Jesus. Quando o Verbo Se fez carne, Ele tabernaculou entre os homens. Ele é o tabernáculo, porque Nele está a glória de Deus.
A glória de Deus habitava no tabernáculo. Vocês se lembram de que, depois que o tabernáculo foi construído e erguido, a glória de Deus entrou no tabernáculo e tomou posse dele. Por meio do tabernáculo, Deus habitava entre Seu povo.
Portanto, aqui vemos que, na Pessoa do nosso Senhor Jesus, quando Ele veio a este mundo, Ele era esse tabernáculo de Deus. A glória de Deus habitava naquele Homem.
Naquela época, quando o Senhor estava na terra, havia um templo físico em Jerusalém — um templo construído pelo remanescente que voltou do cativeiro e embelezado pelo rei Herodes. Mas a glória do Senhor não estava ali.
A glória do Senhor estava em uma Pessoa, no Filho encarnado. Ele tabernaculou entre os homens.
Sempre que pensamos em um tabernáculo, uma tenda, sabemos que é algo temporário. Não é permanente. Portanto, quando o Senhor veio a esta terra, Ele esteve em Seu tabernáculo humano por apenas trinta e três anos. Não era uma habitação permanente; era temporária, para que Ele pudesse revelar Deus.
Ele revelou a glória de Deus em termos de graça e de verdade.
O irmão Sparks disse que existe a glória de Deus sem véu, que nenhum homem pode suportar.
Nos tempos do Antigo Testamento, a glória de Deus às vezes aparecia. Quando a glória de Deus aparecia, os homens tinham de se prostrar. Ela é insuportável, porque Ele é tão glorioso e tão poderoso. Ninguém pode ver a glória de Deus.
Quando Moisés pediu para ver a glória de Deus, Deus disse: “Você só pode Me ver pelas costas; não pode ver a Minha face”. Porque ninguém pode ver Deus. Se alguém visse Deus, seria fulminado.
Sempre que a glória de Deus aparece, vemos as pessoas como que fulminadas. Até aqueles mais próximos de Deus, quando a glória de Deus aparecia, ficavam como mortos. Essa é a glória de Deus sem véu.
A glória de Deus sem véu nos julgará. Até Daniel disse, em Daniel 10:8:
A minha formosura se tornou em corrupção.
Quem pode permanecer diante da glória de Deus? Tudo se torna vergonhoso e sem glória — corrupção. Essa é a glória de Deus sem véu.
Mas, graças a Deus, quando o Filho veio a esta terra como o Filho encarnado, vemos que se trata da mesma glória de Deus. A glória de Deus não mudou em nada. Mas essa glória de Deus já não está sem véu.
Em outras palavras, ela agora está em uma Pessoa. Quando essa glória é revelada e manifestada, ela é graça e verdade.
Essa glória, em termos de graça e de verdade, é algo que não apenas podemos suportar, mas que também nos atrai a Ele.
Pensem na vida do nosso Senhor Jesus nesta terra. Ele é cheio de graça e de verdade.
Em certo sentido, sinto que a maneira como o Evangelho segundo João foi escrito realmente segue esse pensamento, porque o Evangelho de João nos fala da glória do Filho. Essa glória se expressa em graça e verdade.
É por isso que vemos, em quase todos os capítulos das primeiras seções, um acontecimento, uma história, algo que ocorre — talvez um milagre. Mas, no Evangelho segundo João, isso não é chamado de milagre; é chamado de sinal.
A ênfase não está no acontecimento em si. A ênfase está no que existe por trás dele. É um sinal que nos aponta para a glória do Filho.
Vocês se lembram do primeiro milagre do nosso Senhor Jesus: Ele transformou água em vinho. Essa foi a primeira vez em que Ele manifestou Sua glória — a glória do Filho de Deus.
Em cada capítulo, ou sempre que há um acontecimento e o Senhor faz alguma coisa, isso é seguido por um ensinamento. Então Ele começa a dizer algo. Tudo o que Ele fazia era graça; tudo o que Ele dizia era verdade.
Ninguém merecia o que Ele fazia. Aquela família estava realizando o casamento. Eles deveriam ter preparado o vinho para os convidados. Se o vinho acabasse, não poderiam exigir que Deus lhes fornecesse vinho. Não tinham o direito de fazer tal exigência.
Foi a graça do nosso Senhor Jesus — como Ele, graciosamente, atendeu àquela situação e forneceu o melhor vinho. Ele o forneceu em tamanha abundância para manifestar a glória de Deus na face de Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, hoje podemos contemplar a glória de Deus sem ficar cegos, sem ser fulminados. Por quê? Porque vemos a glória de Deus na face de Jesus Cristo, cheio de graça.
Ah, como Ele é gracioso com a mulher samaritana! Como Ele é gracioso ao alimentar os cinco mil! Como Ele é gracioso ao curar aquele homem que estava enfermo havia trinta e oito anos!
É muito marcante o fato de serem trinta e oito anos. Isso nos faz pensar nos filhos de Israel peregrinando pelo deserto durante trinta e oito anos. Aqui vemos a graça — a glória de Deus em termos de graça — alcançando as pessoas: um homem cego de nascença, uma mulher apanhada em adultério, um homem morto havia quatro dias e sepultado, chamado de volta à vida. Isso é graça.
Mas a graça é a glória do Filho de Deus. Toda vez que o Senhor fazia alguma coisa, em seguida Ele começava a dizer algo.
Ele começou a dizer:
Eu sou o pão da vida.
Eu sou a luz do mundo.
Eu sou o bom pastor.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim.
Eu sou a ressurreição e a vida.
Essas declarações estão em João 6:35, João 8:12, João 10:11, João 14:6 e João 11:25.
Aqui vemos que Ele começa a nos dizer algo. Ele começa a nos dizer a verdade. Agora, o que é a verdade? A verdade é a realidade última. Aqui está a verdade que revela a glória de Deus.
Ah, queridos irmãos e irmãs, o que o nosso Senhor Jesus realizou nesta terra! Enquanto esteve na terra, Ele manifestou plenamente Sua filiação de duas maneiras muito especiais.
Em primeiro lugar, vemos que Ele revelou Sua filiação por meio da obediência.
Quando pensamos em Deus como Deus, não podemos pensar em obediência ou submissão. Nós nos submetemos a Deus. Nós obedecemos a Deus. Mas Deus não tem ninguém a Quem obedecer ou a Quem Se submeter. A obediência é algo desconhecido para Deus.
Porque, na própria constituição de Deus, não existe algo como obediência ou submissão. Ele é Deus. É a Ele que se deve obedecer e se submeter.
Em certo sentido, vemos que o Filho eterno, quando veio a esta terra, assumiu um relacionamento com Deus, Seu Pai. Nesse relacionamento assumido, Ele teve de aprender a obediência pelas coisas que sofreu.
Penso que isso é algo extremamente glorioso. Pensem em Quem Ele é. Ele é o Filho eterno. Ele é Deus. Ele não sabe o que é obediência, porque está sempre no comando. Essa é Sua prerrogativa, Sua natureza.
Mas, por fim, Ele assumiu essa posição. Em Filipenses 2:6-7, somos informados de que, sendo igual a Deus, Ele não considerou a igualdade com Deus como algo a que Se apegar, mas esvaziou a Si mesmo.
Agora, lembrem-se: quando Ele esvaziou a Si mesmo, Ele Se esvaziou de toda a glória, honra, majestade e adoração que acompanhavam a Divindade. Mas lembrem-se: Ele jamais poderia Se esvaziar de Sua deidade.
Não pensem que Ele Se esvaziou da deidade. Não, Ele continua sendo Deus. Ele sempre é Deus. Ele não pode deixar de ser Deus.
Quando Ele veio a esta terra, esvaziou a Si mesmo de toda a honra, glória e adoração que acompanhavam a Divindade e assumiu a forma de escravo. Essa é uma posição assumida.
A forma de escravo. Ele Se colocou sob Seu Pai. Ele reconheceu Seu Pai como Deus acima Dele, para que a obra da redenção pudesse ser realizada.
Lembrem-se: Ele é igual a Deus em essência. Mas, para realizar a obra da redenção, houve um acordo entre o Pai e o Filho para concretizar essa redenção. Ao concretizá-la, o Filho deveria assumir uma posição inferior e aprender a obediência pelas coisas que sofreu.
Às vezes, sentimos que é muito difícil aprender a obediência. É muito difícil nos submeter, mesmo a Deus. Achamos difícil obedecer a Deus e nos submeter a Deus, sem falar em nos submetermos uns aos outros.
Mas pensem no nosso Senhor Jesus, o Filho de Deus. É isso que Ele é, e, contudo, Sua obediência ao Pai é perfeita: sendo obediente a Deus até a morte, sim, a morte de cruz.
Nisso, Ele nos demonstrou plenamente Sua filiação.
A segunda coisa é a cruz. Em obediência ao Pai, Ele foi até a morte, e morte de cruz. Ele estava disposto a ir tão longe por nós.
Quanto a Ele mesmo, mesmo como Filho do Homem, não havia necessidade de ir à cruz. Muitas vezes dizemos que, um dia, o Senhor Jesus levou três discípulos, e eles subiram ao monte, onde Ele foi transfigurado.
Em outras palavras, a glória que estava oculta dentro daquela forma humana começou a transparecer. Ali vemos a glória manifestada, e Moisés e Elias vieram e conversaram com Ele.
Sobre o que conversavam? Conversavam sobre o Seu êxodo. A palavra em grego é exodus. Isto é, sobre como Ele sairia deste mundo.
Ele veio a este mundo pela encarnação: o Verbo Se fez carne. Agora, eles conversavam sobre Sua saída do mundo — sobre como Ele deixaria este mundo.
Esse é um assunto muito importante. Como Ele sairia deste mundo? Ele havia vivido nesta terra por trinta e três anos. Havia revelado o Pai. Havia representado plenamente o Pai e O manifestado.
Ele havia vivido uma vida perfeita, sem pecado. Havia vivido a vida que Deus requer do homem — o Homem segundo o coração de Deus. Havia agradado plenamente ao Pai:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
Essa declaração está em Mateus 17:5.
Ele havia vivido uma vida assim. Agora, como voltaria ao Pai, como sairia deste mundo?
Ele bem poderia ter saído do monte da Transfiguração, porque merecia isso. Mas não saiu dessa maneira. Ele desceu do monte e foi até o Calvário. Ele realizou Seu êxodo no Calvário, na cruz.
Queridos irmãos e irmãs, essa é a plena demonstração de Sua filiação — ao vir como o Filho encarnado.
Por fim, Ele é o Filho exaltado.
Em Filipenses 2:9-11, está escrito que Deus O exaltou sobremaneira e Lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.
Depois de morrer na cruz, ao terceiro dia Ele ressuscitou dentre os mortos, apareceu aos Seus discípulos durante quarenta dias e então ascendeu ao céu. Deus O exaltou sobremaneira e Lhe deu um nome que está acima de todo nome.
Agora, às vezes as pessoas se perguntam qual é esse nome. Ficam muito curiosas a respeito. Qual é esse nome que está acima de todo nome? Eu não sei. Pessoalmente, penso que esse nome é Jesus.
Ao nome de Jesus, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é Senhor, para a glória do Pai.
Em Hebreus 2:6-8, referindo-se ao nosso Senhor Jesus, encontramos, naturalmente, uma citação de Salmos 8:4-6:
Que é o homem, para que Te lembres dele?
Ou o filho do homem, para que o visites?
Fizeste-O um pouco menor que os anjos;
De glória e de honra O coroaste,
E O constituíste sobre as obras de Tuas mãos;
Todas as coisas sujeitaste debaixo de Seus pés.
Hebreus 2:8-9 continua:
Pois, ao sujeitar-Lhe todas as coisas, nada deixou que não Lhe estivesse sujeito.
Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas sujeitas a Ele.
Mas vemos Jesus, Que foi feito um pouco menor que os anjos por causa do sofrimento da morte, coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.
Ele provou a morte por tudo e agora está coroado de glória e de honra. Ele está agora assentado à direita de Deus, esperando que Seus inimigos sejam postos por estrado de Seus pés.
Ele está esperando o dia em que voltará para receber os Seus junto de Si. Está esperando o dia em que conduzirá muitos filhos à glória. Esse será o dia em que Ele herdará todas as coisas, e nós seremos feitos coerdeiros com Cristo.
Irmãos e irmãs, esse é o Filho. É nesse momento que Sua filiação se realiza plenamente.
Agora, em um sentido, a filiação do nosso Senhor Jesus nunca está em questão. Ele é o Filho e possui a filiação. Isso nunca está em questão.
Mas, em outro sentido, vemos que, quando o Senhor Jesus voltou à glória, como encontramos em João 17, Ele voltou a uma glória dupla.
Por quê? Porque em João 17:5 e João 17:24 há menção à glória. Em João 17:5, Ele disse:
E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo, com a glória que Eu tinha Contigo antes que o mundo existisse.
Essa era a glória que pertencia ao Filho eterno. Sendo o Filho eterno de Deus, Ele tinha glória com o Pai antes que o mundo existisse. Ele deixou essa glória quando veio para ser o Filho do Homem, e agora estava voltando à glória que havia deixado trinta e três anos antes.
Então, em João 17:24, está escrito:
Para que contemplem a Minha glória, que Me deste; porque Tu Me amaste antes da fundação do mundo.
Em outras palavras, vemos que não existe apenas a glória que Ele tinha com o Pai na eternidade, de eternidade a eternidade. Porque Ele veio para ser homem e completou a obra da redenção, quando voltou à glória, voltou ao Pai não apenas como o Filho de Deus, mas também como o Filho do Homem.
Como Homem, Ele recebeu glória. Essa glória é algo que Lhe foi dado, não algo que Ele tinha com o Pai na eternidade. Ela Lhe foi dada porque Ele Se dispôs a vir a este mundo e concluir a obra que o Pai Lhe havia confiado.
Portanto, é uma glória dupla. Em um sentido, Sua filiação nunca está em questão. Mas, em outro sentido, Sua filiação se realiza plenamente quando Ele retorna a essa glória dupla no céu.
Esse é o Filho, e essa é Sua filiação.
Queridos irmãos e irmãs, por que precisamos considerá-Lo? Porque, quando O consideramos como o Filho — em Sua filiação eterna —, vemos que Ele é Deus, nada menos do que aquilo que Deus é.
Isso faz brotar adoração de dentro de nós. Ah, como precisamos nos prostrar e adorá-Lo, porque Ele é o Filho eterno! Toda a glória, majestade, honra e poder pertencem a Ele.
Quando pensamos que Ele é o Filho do amor de Deus, vemos que todo o propósito de Deus está Nele. Tudo o que Deus faz é feito Nele, por Ele, por meio Dele e para Ele.
Irmãos e irmãs, como precisamos agradecer a Deus pelo Filho amado! Porque, sem Ele, onde estaríamos? Como precisamos reconhecer nosso lugar e nosso relacionamento com Ele: pertencemos a Ele; existimos para o Seu prazer.
Quando O consideramos como o Filho encarnado, irmãos e irmãs, como nosso coração é profundamente tocado pelo fato de Aquele Que é igual a Deus ter Se disposto a assumir uma posição tão humilde, até mesmo a morrer na cruz somente por você e por mim.
Como isso pode ser? É por causa do Seu imenso amor por nós.
Graças a Deus, quando pensamos que Ele agora é o Filho de Deus exaltado, por um lado nossos joelhos se dobram diante Dele e nossos lábios O confessam como Senhor. Por outro lado, que esperança temos diante de nós!
Porque, um dia, quando Ele assumir a plenitude da filiação e herdar todas as coisas, seremos coerdeiros com Ele.
Isso é glória. Vamos orar?
Querido Pai celestial, reconhecemos que está além da nossa capacidade não apenas descrever, mas até mesmo conceber quão grande é o Teu Filho.
Nosso Pai, nós Te pedimos que, pelo Espírito Santo, o único capaz de exaltar o Filho, Ele revele o Filho em nós.
Ah, que possamos ver o Filho como Ele é, em toda a Sua glória, em toda a Sua humilhação, em toda a Sua beleza e exaltação; que tenhamos a atitude correta para com Ele; que tenhamos um relacionamento correto com Ele; que saibamos beijar o Filho, amá-Lo e adorá-Lo.