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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Horizon Of Christ #1 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Horizon Of Christ #1
    The Horizon Of Christ #1
    Austin-Sparks, T.

    Cristo como o Horizonte do Propósito de Deus

    Ninguém que esteve aqui nesta manhã esperaria, nem ficaria satisfeito, que eu procurasse percorrer novamente todo o terreno que cobrimos então. Era necessário que a exposição fosse ampla e abrangente, para lançar um fundamento.

    Daqui em diante, vamos dividi-la em partes menores. Mas, para lhes trazer à memória o que dissemos e situar os que chegaram agora, permitam-me repetir o que temos diante de nós.

    Embora essas palavras não apareçam de fato no Novo Testamento, Jesus é declarado e definido, por muitas afirmações abrangentes, como o horizonte de Deus em todos os Seus propósitos, interesses e atividades.

    O horizonte significa o alcance mais distante da visão de Deus e a esfera que abrange todos os Seus interesses e atividades. Eu disse que, embora essa expressão não apareça de fato no Novo Testamento, Deus estabeleceu Seu Filho como o horizonte de todas as coisas.

    O que isso realmente significa? Bem, simplesmente isto: o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus, foi estabelecido por Deus Pai como o padrão, o representante daquilo que, por fim, será universal.

    O universo inteiro será uma expressão do Filho de Deus. Tudo o que estiver dentro desse horizonte universal receberá dEle o seu caráter. Ele comunicará a tudo aquilo que é verdadeiro a respeito de Si mesmo.

    Portanto, Ele deve ser muito grande, se Cristo há de ser universal, e nada há além dEle, porque Ele é o horizonte.

    Vocês sabem muito bem que, embora possam estar em determinado ponto e ver todo o horizonte, à medida que avançam em sua direção, não importa quão longe vão nem por quanto tempo — ainda que sejam milhares de quilômetros —, o horizonte continua à sua frente, e tão distante quanto antes. Não é possível ultrapassar o horizonte.

    Assim, quando Deus finalmente tiver todas as coisas como pretende tê-las, toda essa esfera será uma expressão de Seu Filho, uma manifestação de Seu Filho. Ele há de ter a preeminência em todas as coisas; Ele há de preencher todas as coisas; e todas as coisas hão de ser reunidas nEle.

    Ele é o Filho que expressa a intenção de Deus. Quão grande é Aquele a Quem chamamos nosso Senhor Jesus!

    O objetivo deste período é duplo: primeiro, que recebamos impressões novas, renovadas, da grandeza do nosso Cristo; e, segundo, que aprendamos como Ele é — a semelhança à qual Deus nos destinou a ser conformados.

    A Humanidade Universal de Jesus

    Eu disse: aqui está o padrão, o representante daquilo que, por fim, será universal. Portanto, este Homem, Jesus — e uso essa palavra como o Novo Testamento a usa.

    Quando Ele é chamado de Jesus no Novo Testamento, a referência é sempre à Sua vida terrena e à Sua humanidade.

    Jesus deve ter em Si, em Sua própria Pessoa e em Sua própria obra, todas as características e todos os elementos daquilo que será humano. Onde quer que vocês tenham contato com Ele, não estarão tocando algo limitado, algo restrito. Estarão tocando aquilo que se expandirá até as dimensões plenas das eras eternas e das condições eternas.

    Vocês já tentaram? É uma ocupação inútil — desde já, eu a declaro um fracasso. Vocês já tentaram colocar Jesus em alguma das categorias humanas que conhecemos?

    Conhecemos as diversas categorias humanas. A raça humana está dividida nelas. Podemos dizer: “Ele pertence a determinada categoria” — talvez uma categoria de disposição, de temperamento, de sexo, de nacionalidade e raça, de língua, e assim por diante. As categorias da humanidade são muitas.

    Vocês já tentaram enquadrar Jesus em alguma delas? Façam a tentativa.

    Diríamos de uma pessoa que viveu em determinada época da história deste mundo que ela certamente não se adaptaria à vida e às condições dos nossos dias. Ela se ajustava bem à sua época, mas simplesmente não se encaixaria na nossa.

    As pessoas da nossa época também não se encaixariam confortavelmente numa situação de tantos séculos atrás. Existe a categoria do tempo. Vocês conseguem colocar Jesus em alguma dessas categorias?

    Eu digo que o esforço de vocês será um fracasso completo. O mais notável a respeito dEle é que Ele atrai igualmente homens e mulheres. Ele tem força, por um lado, e ternura, por outro; coragem, por um lado, e sensibilidade, por outro.

    E, prosseguindo nessa linha, vemos que Ele transcendeu todas as épocas e gerações. Ele é maior do que qualquer período da história deste mundo. Ele não apenas é diferente de todo tipo de ser humano, mas está acima de todos eles. Ele é igualmente adequado ao Oriente e ao Ocidente, ao Norte e ao Sul. Ele Se ajusta tanto ao Oriente quanto ao Ocidente.

    Há algo a respeito dEle que não é verdadeiro a respeito de nenhuma outra pessoa na criação. Eu disse nesta manhã: Ele é único. Ele está acima de todas as categorias e, ainda assim, Se ajusta e corresponde a cada uma delas.

    Ele é tão amigo dos analfabetos, dos que não têm instrução nem cultura, quanto dos instruídos.

    É essa abrangência de Cristo em Seu caráter — não apenas em Sua Pessoa como Deus, mas em Seu caráter — que faz dEle o horizonte de Deus para toda a criação, por fim: o representante universal.

    Israel como Nação Serva

    Nesta manhã, voltamos ao povo hebreu, separado dentre as nações deste mundo, cujo início se deu em Abraão, o hebreu — o homem vindo de além. Vimos que o tratamento de Deus com essa nação era um tratamento de disciplina.

    Primeiro com Abraão, depois com Isaque, Jacó, José, Moisés, Davi e todos os outros representantes dessa nação, o tratamento de Deus foi de uma disciplina profunda e rigorosa.

    Havia um único objetivo em vista: fazer deles, e daquela nação, o Seu povo servo em toda esta ordem da criação; fazer deles Seu instrumento de serviço, para mostrar como Ele é, trazê-Lo a este mundo, tornar conhecido o Seu caráter e estabelecer esse caráter como o princípio governante entre os homens.

    Abraão, o homem vindo de além, foi estrangeiro, peregrino, todos os dias de sua vida — alguém que não apenas veio de fora, mas permaneceu de fora durante todos os seus dias. Embora estivesse dentro, sempre estava de fora.

    Esse povo era Israel: um povo estrangeiro, peregrino, que vivia como forasteiro; não contado — para usar as palavras de Balaão — entre as nações.

    E essa era a maneira de Deus destruir toda presunção e autossuficiência, toda arrogância e todo orgulho, tudo dessa natureza: um povo desprezado e rejeitado.

    Era de Israel, em primeiro lugar, que se falava, embora houvesse um conteúdo profético referente ao Senhor Jesus:

    Não vos comove isto, a todos vós que passais pelo caminho?
    Atendei e vede se há dor como a minha dor.

    Por meio disso, algo era desfeito: para que somente Deus tivesse lugar, o homem era desfeito; toda aquela plenitude de si mesmo era desfeita. Era um esvaziamento completo.

    Os períodos mais perigosos e desastrosos da história daquele povo foram aqueles em que passaram a ser alguma coisa em si mesmos — autossuficiência, superioridade, orgulho. Esse foi o dia de sua ruína, quer se tratasse dos reis e líderes que os representavam, quer, por fim, da própria nação.

    Cristo como a Consumação da Disciplina Divina

    Bem, isso é uma repetição. Vocês já ouviram isso, porque é o que nos conduz a Cristo.

    Cristo é o Filho, a síntese de toda a disciplina e de todo o propósito dessa disciplina. Ele era da descendência de Abraão. Por nascimento e genealogia, pertencia àquele povo. Isso não contradiz o que dissemos: que Ele está acima de qualquer raça. Ele veio para dentro dela.

    E, ao vir para dentro dela, Ele assumiu em Si mesmo toda a abrangência do tratamento de Deus ao longo de setecentos anos de disciplina.

    Será que vocês já viram a vida do Senhor Jesus, do princípio ao fim, como uma vida de disciplina — uma disciplina profunda e terrível?

    Ele tocou a nota mais profunda nesse aspecto da fraqueza humana e disse:

    O Filho nada pode fazer de Si mesmo.

    Que contradição e que contraste com a natureza humana tal como a conhecemos! A natureza humana diz: “Eu posso. Eu posso fazer isso. Eu vou fazer isso. Eu tenho capacidade para isso”. Esse é o orgulho do homem; essa é a ambição do homem: ser capaz de fazer, de realizar.

    Então Deus intervém, e surge essa tremenda negação de tudo isso: até mesmo o Filho, até mesmo o Filho, nada pode fazer de Si mesmo.

    Repito, para que vocês realmente compreendam: Jesus é a síntese de todo aquele propósito de Deus por meio da disciplina que vemos na história, do princípio ao fim.

    A Formação do Espírito de Servo

    Com isso em mente, vamos dividir o assunto. Ele tem muitas partes. Talvez toquemos em apenas uma ou duas nesta tarde.

    Vejam o objetivo: o que Deus está fazendo por meio dessa disciplina em Israel e, depois, em sua forma consumada, em Seu Filho, em Jesus. O que é? Formar o servo, produzir o servo, constituir a condição de servo.

    Maria e o Princípio da Renúncia

    Olhem, então, para os Seus começos — para o Seu início neste mundo — e vejam esse princípio assumido e incorporado em Seu próprio nascimento: Sua mãe.

    Estamos em terreno muito delicado — muito delicado mesmo — quando falamos da mãe de Jesus, e por mais de uma razão.

    Diz a Escritura:

    Uma virgem conceberá e dará à luz um Filho.

    O anjo do Senhor apareceu a Maria.

    Em nossa época, quando os padrões de moralidade são baixos, quando o pecado e a degradação da sensibilidade são tão grandes, talvez não seja fácil compreendermos realmente o que aquilo significou para Maria.

    Vocês percebem que ela foi imediatamente confrontada com um estigma social? Um estigma social. José procurou evitar isso; ele pretendia deixá-la secretamente. Um estigma social.

    Vocês veem o dilema pessoal dela. Se ela era pura e imaculada em sua vida, se cultivava no coração todo ideal verdadeiro e nobre — aquela pureza de mente e coração —, que dilema ser encontrada naquela condição!

    E, então, que situação difícil do ponto de vista religioso! Segundo a lei de Moisés e os líderes judeus, isso era punido com apedrejamento e morte. Dar à luz fora do casamento era passível de condenação; era um crime em Israel.

    Vocês se lembram de que, certa vez, os líderes judeus trouxeram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério e disseram: “Segundo Moisés, ela deve ser apedrejada”. Ali estava uma situação religiosa muito difícil.

    E ela teve de enfrentar tudo isso sozinha, no íntimo de seu coração, e tomar uma decisão. Que custo pesava sobre ela!

    Eu não sou católico romano. Não há lugar para a adoração da Virgem Maria. Talvez, por medo disso, tenhamos perdido alguma coisa. Permitam-me sugerir isto: havia algo em Maria, por meio do qual Jesus viria a este mundo, que constituía uma renúncia profunda, tremenda e quase terrível — um esvaziamento de si mesma.

    À luz de tudo isso, nada mais grandioso saiu de lábios humanos do que estas palavras:

    Eis aqui a serva do Senhor;
    cumpra-se em mim segundo a Tua palavra.

    É esse o espírito de servo? É esse o espírito de esvaziamento de si mesmo, de humilhação de si mesmo, de entrega e submissão completas? Com toda a certeza, é.

    Esse foi o vaso e o veículo, com esse caráter, por meio do qual Jesus veio a este mundo. O que era verdadeiro ali foi um princípio governante durante todo o restante de Sua vida.

    Na linguagem eclesiástica, isso é chamado de Anunciação. Talvez esteja certo, mas, no que diz respeito a ela, prefiro chamar de renúncia: abrir mão, deixar tudo o que poderia ser estimado do ponto de vista deste mundo, para aceitar algo divino, algo celestial.

    Que percepção, que visão, que capacidade de enxergar além de toda essa esfera humana e terrena e alcançar o divino! Jesus incorpora isso em Seu próprio nascimento.

    O Esvaziamento de Cristo

    Olhem novamente para as circunstâncias de Seu nascimento. Ele é o Senhor da glória — esse é um título bíblico, o Senhor da glória. Além disso, Ele é o Senhor da luz, o Príncipe da luz. Ele é o Filho eterno de Deus, que podia dizer:

    Pai, glorifica-Me Tu junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha Contigo antes que o mundo existisse.

    Além disso, pode-se escrever a respeito dEle que subsistia na imagem de Deus, em igualdade com Deus.

    Oh, tudo isso — e nenhum lugar na hospedaria; nenhum palácio, nenhuma casa, nenhum lar, nenhuma cama, nenhuma enfermeira, nenhum assistente. Como são verdadeiras estas palavras:

    Esvaziou-Se a Si mesmo.

    É isso: esvaziamento. Deus, nessa disciplina, está esvaziando.

    Ele jamais poderia dizer: “Nasci de pais ilustres. Nasci e fui criado em um palácio, em um lar nobre”. Nada disso.

    Esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo.

    Aqui estamos, de volta ao mesmo ponto: a disciplina para produzir o espírito de servo.

    Algo de valor tão inestimável para Deus, algo que, por fim, há de encher todo o universo: que os Seus servos O sirvam. Que O sirvam.

    A Disciplina da Vida Oculta

    E, por enquanto, consideremos aqueles trinta anos — trinta anos. É uma decepção indisfarçável para a cristandade que saibamos tão pouco sobre esses trinta anos. Quantas pessoas tentaram construir alguma coisa para preencher esse período e explicá-lo!

    Por que aqueles anos de silêncio? Com apenas uma interrupção muito breve aos doze anos, Ele desaparece novamente, dos doze aos trinta, numa vida oculta e silenciosa.

    Trinta anos: o período em que todo menino e todo jovem adquire suas habilidades, suas qualificações para a vida, para as ambições da vida; um período de formação que, ao ser concluído, lhe dará um lugar neste mundo.

    Um tempo de preparação e qualificação para ocupar uma posição neste mundo entre pessoas de prestígio. É para isso que servem esses trinta anos. Se vocês não tiverem conseguido algo assim aos trinta, terão de se empenhar muito para tentar consegui-lo. Mas, afinal, esse é o período.

    Esse é o período do qual vocês sairão com seus títulos, seus diplomas, sua formação. Para Ele, silêncio. Para Ele, nada disso, pelo que sabemos de Sua vida posterior: silêncio e uma vida oculta.

    O que está acontecendo? O que está acontecendo? Podemos discernir isso pelo contexto mais amplo? Tudo está de acordo com o princípio permanente de Deus: a disciplina, a disciplina daquilo que é negativo.

    Há alguma disciplina maior em sua vida, querido amigo, do que não acontecer nada? Frustração e espera; Deus parecendo não fazer nada. Você conhece alguma coisa dessa agonia?

    E, acompanhando tudo isso, há uma consciência: “Certamente Deus tinha em vista algo melhor do que isto. Deus tinha um propósito maior para a minha vida”.

    Eu digo que essa é precisamente a disciplina. Sim, a disciplina de tudo o que é verdadeiro na humanidade normal. Não considero um ser humano normal alguém que não se preocupa com a própria vida, que não se preocupa em ter valor e fazer algo que tenha valor. Isso não é ser homem; isso não é ser um verdadeiro ser humano.

    Deus deixar tudo suspenso por um período prolongado, enquanto esperamos dia após dia — que terrível monotonia! Tudo suspenso, esperando dia após dia: que terrível monotonia!

    O homem se rebelou contra isso muitas e muitas vezes. O Antigo Testamento fala daqueles que estavam tranquilos porque não experimentavam mudanças. Como precisamos de alguma mudança! A monotonia é uma aflição terrível, não é?

    Pois bem, passem um ano esperando assim. O que Deus está fazendo? Se isso não é um esvaziamento de si mesmo, não sei o que é. Se isso não é inculcar uma sujeição absoluta, uma submissão a Deus, compreendendo ou não compreendendo, em meio à mais profunda perplexidade e desorientação, o que é?

    Ativos em espírito — nunca passivos, descuidados —, ativos em espírito, e, ainda assim, Deus não trazendo Seus propósitos claramente à luz. Isso é sofrimento para a alma.

    Submissão. O espírito de servo tornando-se a própria natureza, a própria constituição interior.

    Bem, isso foi verdadeiro a respeito dEle. E, se quisermos uma confirmação de que foi verdadeiro em Seu caso, olhemos para a nossa própria história espiritual: a agonia imensa, a suspensão prolongada, a inatividade, a espera e a paciência.

    Que lugar importante é dado à paciência! Até mesmo no final da Bíblia, a paciência de Jesus Cristo é a marca da alma perseverante.

    Sabemos que isso é verdadeiro. Mas eu tenho a explicação — a explicação. De um lado, existe aquilo que vocês podem chamar, se quiserem, de negativo; mas Deus sabe que é uma espécie de negativo muito positivo. É um negativo agonizante: o esvaziamento, o enfraquecimento, a incapacidade de agir por si mesmo.

    Do outro lado está a vontade de Deus, preeminente, plenamente acolhida, à qual nos rendemos. É disso que o céu será constituído. É isso que as eras vindouras manifestarão, quando Deus for tudo em todos.

    Isso não é apenas algo que está na Bíblia. É o profundo abalo da alma humana para chegar até lá.

    A Preparação Oculta de Cristo e o Fracasso de Israel

    Jesus saiu de Seus trinta anos sem nada: nenhuma distinção acadêmica, nenhuma posição, nenhuma recomendação humana. Na verdade, Ele saiu com muitas desvantagens.

    Jesus de Nazaré:

    Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?

    Isso era um dito corrente, uma frase feita, uma desvantagem para qualquer jovem de trinta anos que estivesse entrando na obra de sua vida. Sim, uma desvantagem.

    Bem, isso ajudou vocês a perceber que Jesus realmente assumiu toda a disciplina histórica de Deus em Israel para fazer de Israel Seu servo? E que a maior tragédia da história foi que, por fim, Israel rompeu com isso, procurou tomar o poder em suas próprias mãos, repudiou o Filho de Deus e se colocou fora do horizonte de Deus?

    Nas trevas exteriores. Não vou tentar explicar nem discutir o que o Senhor Jesus quis dizer com aquelas trevas exteriores, onde haverá choro e lamentação e ranger de dentes — e isso para os filhos do reino. Mas posso ver claramente que, durante os últimos dois mil anos, essa tem sido a sorte de Israel: choro, lamentação, ranger de dentes, fora do horizonte de Deus, nas trevas — nas trevas exteriores.

    O Chamado à Submissão à Vontade de Deus

    Que desafio e que apelo para nós, queridos amigos! Que desafio! Tenho alguma compreensão do tratamento de Deus conosco. Tudo se resume a isto.

    Deus Se empenha assim — com infinito cuidado — em nosso favor: quebrantando, esvaziando, humilhando, enfraquecendo, retirando nossa própria capacidade de fazer, realizar e alcançar, a fim de nos levar ao lugar em que Sua vontade tenha a preeminência.

    E, no cumprimento de Sua vontade, Ele pode mostrar-Se ao mundo, aos homens. É por meio de pessoas assim que Ele faz isso.

    Vocês nunca veem o Senhor Jesus naquele tipo de pessoa arrogante, extravagante, que se impõe e é autossuficiente, que se julga capaz de realizar tudo, sempre forçando sua entrada em alguma posição e assumindo algo que Deus nunca lhe deu — uma posição. Isso não é o Senhor Jesus.

    Pois bem, Ele abriu mão de toda reputação.

    Esse é o caminho de Deus. É muito prático. É muito real. Naturalmente, muitos cristãos não o aceitarão.

    A Analogia do Mar

    Quando vocês vão à praia, veem três tipos de pessoa. Há aquelas que permanecem em terra firme, na praia, e passam momentos agradáveis e felizes construindo seus castelos de areia e coisas assim — muito felizes.

    Outro grupo tira os sapatos, entra na parte rasa e fica brincando na água. Se, por acaso, uma onda os atingir acima dos tornozelos ou até os joelhos, bem, isso já é o suficiente. Voltam para a terra firme e não querem nada daquilo.

    Divertem-se na parte rasa e não aceitam nada além disso.

    E o terceiro grupo tira a roupa e entra de vez, avançando mar adentro. Logo começam a perceber que precisam enfrentar forças que excedem a força humana. Quanto mais avançam, mais seus recursos de força e resistência se esgotam, até chegarem tão longe que se torna necessário recorrer a recursos que não estão neles mesmos.

    Muitos cristãos vão permanecer em terra firme e passar momentos felizes, e não aceitarão nada que interfira em sua vida cristã feliz, tal como ela é agora.

    Há outros que apenas entrarão na parte rasa, para ter um pouco mais; mas, assim que as coisas começarem a ficar difíceis, recuarão. Voltam para trás. Saem daquilo.

    Há cristãos que mergulharão nas profundezas com o Senhor e farão descobertas — recursos que estão além da terra, em Cristo.

    Talvez esses grupos estejam aqui nesta tarde, mas estou falando para o terceiro grupo. Vocês terão avançado com o Senhor, se comprometido com Ele e dito: “Tudo há de ser para o Senhor”.

    Vocês estão em águas profundas. Seus recursos estão sendo exigidos, talvez além de toda medida e resistência, mas é lá que farão suas descobertas — aquelas descobertas que serão os recursos para o serviço do céu, os recursos que estão em Cristo para servi-Lo aqui e na vida por vir.

    Isso é serviço. Esse é o caminho do esvaziamento de si mesmo. O próprio Cristo é o horizonte de tudo isso.

    Ele não é apenas a abrangência, a esfera; Ele é o conteúdo dela, a natureza daquilo que se encontra dentro de todo o horizonte de Deus. Que tenhamos graça para nos render a Ele, para sermos conformados a Ele.