Por favor, abram no segundo livro de Samuel.
No segundo livro de Samuel, primeiro no capítulo 5.
Então todas as tribos de Israel vieram a Davi, em Hebrom, e falaram, dizendo:
Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne.
Outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu quem fazia sair e entrar Israel;
E o Senhor te disse: Tu apascentarás o Meu povo de Israel e serás príncipe sobre Israel.
Assim, todos os anciãos de Israel vieram ao rei, em Hebrom;
E o rei Davi fez com eles uma aliança em Hebrom, perante o Senhor;
E ungiram Davi rei sobre Israel.— 2 Samuel 5:1-3
Agora, o capítulo 19, até o versículo 10, começando na segunda parte do versículo 8.
Ora, Israel havia fugido, cada um para a sua tenda.
E todo o povo, em todas as tribos de Israel, discutia, dizendo: O rei nos livrou das mãos de nossos inimigos e nos livrou das mãos dos filisteus; e agora fugiu da terra por causa de Absalão.
E Absalão, a quem ungimos sobre nós, morreu na batalha; por que, pois, não dizeis uma palavra sobre fazer voltar o rei?Então o rei Davi enviou aos sacerdotes Zadoque e Abiatar, dizendo: Falai aos anciãos de Judá, dizendo: Por que sois vós os últimos a fazer voltar o rei à sua casa, visto que a palavra de todo o Israel chegou ao rei, para fazê-lo voltar à sua casa?
Vós sois meus irmãos, meus ossos e minha carne; por que, pois, sois os últimos a fazer voltar o rei?E dizei a Amasa: Porventura não és tu meus ossos e minha carne? Assim me faça Deus, e outro tanto, se não fores continuamente comandante do exército diante de mim, em lugar de Joabe.
Assim, inclinou o coração de todos os homens de Judá, como se fora o coração de um só homem; e enviaram ao rei, dizendo: Volta tu e todos os teus servos.
Então o rei voltou e chegou ao Jordão.— 2 Samuel 19:8-15
Tendo passado este dia no segundo capítulo do livro de Atos, penso que podemos dizer que aquilo que ocupou o primeiro lugar em nossa consideração, como a obra preeminente do Espírito Santo ao vir, foi a proclamação — a demonstração do fato — de que o Rei estava em Seu lugar e de que o reino havia chegado.
Podemos dizer, penso eu, com toda a verdade, que o livro de Atos é o relato de como as coisas são quando o Rei está em Seu lugar.
Tantas vezes voltamos o pensamento àqueles tempos, àqueles dias. Tantas vezes ansiamos que tudo volte a ser assim; e certamente lamentamos que a igreja hoje não seja como era naquela época.
A mudança terrível e marcante, a diferença entre o que temos agora e o que havia naquele tempo, nos leva, como vou lhes sugerir, a esta conclusão: essa mudança dolorosa e lamentável se deve a uma única coisa. Chegou um momento em que, no que dizia respeito à igreja na terra, o Rei perdeu Seu lugar — o lugar que Ele havia ocupado.
E todos os problemas destes séculos, a fraqueza que hoje lamentamos e tantas outras condições que nos entristecem podem decorrer — muito provavelmente decorrem — dessa única coisa. Se refletirmos suficientemente sobre isso, iremos além e diremos: “Sim, tudo isso se deve a esta única coisa: o Senhor Jesus não ocupa o lugar que ocupava no princípio”.
Isso significa que o Espírito Santo foi, de certa maneira, interrompido em Sua grande obra de tornar conhecido o que significa, e como são as coisas, quando o Senhor Jesus realmente ocupa Seu lugar.
É disso que se trata. Essa é a questão com a qual qualquer período de encontros ou reunião como esta deveria realmente terminar. Não consigo imaginar nada mais importante, mais vital, mais apropriado do que encerrar com esta nota: o senhorio de Jesus Cristo. Tudo deve convergir para isso e resultar nisso.
Agora, lemos no Antigo Testamento, neste mesmo livro — o segundo livro de Samuel — sobre duas ocasiões em que o rei não estava em seu lugar.
O rei, naturalmente, neste caso, era Davi. Nesse livro de representações, figuras e tipos das realidades celestiais apresentadas no Novo Testamento, temos estes dois relatos das duas ocasiões em que Davi, o ungido do Senhor, não estava em seu lugar.
Se vocês lerem um capítulo que provavelmente não costumam ler — o primeiro capítulo do Evangelho de Mateus —, e o lerem inteiro, encontrarão aquela longa, longa lista de pessoas que formam os elos da cadeia das eras, desde o princípio até Cristo. São quarenta e duas gerações.
E, se examinarem essa lista, não encontrarão nela nenhuma menção a Saul ou a Absalão. Saul e Absalão não faziam parte da linhagem divina de escolha e designação para a posição que vieram a ocupar.
Nem Saul nem Absalão é mencionado nessa longa cadeia. Eles entraram: um pela escolha do homem; o outro, por sua própria ambição pessoal.
E representam dois fatores, dois princípios, se preferirem, dois elementos que não apenas não têm lugar no curso divino das coisas, mas também se interpõem ao que é divino. E, como fizeram naquela época, produzem muita confusão, caos, sofrimento e perda.
No caso de Saul, foi o princípio do mundanismo introduzido na esfera do reino de Deus.
O povo disse:
Constitui-nos um rei, como o têm todas as nações.
— 1 Samuel 8:5
“Dá-nos aquilo que corresponde ao que o mundo faz e à maneira como o mundo faz. Dá-nos aquilo que o mundo escolhe e favorece para realizar seu trabalho. Constitui-nos um rei como o têm todas as nações.”
A ideia e a concepção mundanas de governo: nomes de destaque, ideias dos homens, coisas feitas pelos homens, mecanismos construídos pelos homens para administrar as coisas de Deus. Esse é um assunto amplo, que abrange muita coisa e uma extensa história dolorosa.
Mas esse é um princípio, uma força, uma mentalidade que tira do Seu lugar o verdadeiro Ungido, o verdadeiro Rei escolhido por Deus. E nós, que conhecemos alguma coisa da história da igreja, podemos apontar com bastante precisão o momento em que isso voltou a entrar na história da igreja.
Quando se deixou a ordem e o governo do Espírito Santo — o senhorio absoluto de Jesus Cristo — e se introduziram instituições e muitas outras coisas para governar os assuntos da igreja e do reino, essa foi uma mudança muito, muito grande.
E digo novamente: é muito impressionante. O Senhor Jesus havia passado todo aquele tempo instruindo Seus discípulos a respeito da nova era que viria com o Espírito Santo: um longo discurso, desde a mesa até o lugar de oração, do capítulo 13 ao capítulo 17 de João, inclusive, falando daquele dia que viria, de Sua partida e da vinda do Espírito Santo.
É impressionante que, depois de dizer tudo isso, Ele Se voltou à oração. Ele reconheceu que o principal inimigo de tudo aquilo era o mundo:
Não são do mundo, como Eu do mundo não sou.
— João 17:16
Quantas vezes essa palavra aparece naquela oração!
Sim, o mundanismo — em seu espírito e em sua mentalidade, em seus métodos e em seus princípios — é um grande inimigo do trono do Senhor Jesus, de Sua realeza.
Essa é uma questão, queridos amigos, sobre a qual nós, o povo de Deus, precisamos estar sempre muito vigilantes. O apóstolo exorta:
E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento.
— Romanos 12:2
Não assumam a forma deste mundo.
Há uma mentalidade do reino que deve habitar em nós. Saul é a personificação de um princípio mundano no reino de Deus. E vejam o resultado: não apenas o Rei verdadeiramente ungido é forçado a sair, expulso e perseguido, mas, como veremos daqui a pouco, as consequências foram muito lamentáveis.
No caso de Absalão, temos a ambição pessoal e o orgulho impondo-se à esfera da unção.
Muito se diz sobre a personalidade desse jovem: a sutileza de seu encanto, sua maneira de agir e como se assentava à porta da cidade, conquistando o favor de todos os que entravam e saíam e roubando-lhes o coração com belas palavras.
Uma bela presença acompanhada de belas palavras, enganando e roubando o coração. O orgulho, as exigências, as ambições do homem.
Não vou me deter muito nisso esta noite, embora haja muita história aí: o homem, em sua própria presunção, colocando-se no caminho do Ungido.
Agora, o estranho, o misterioso — aquilo que é para nós um problema tão grande — é que o Senhor permitiu isso. O Senhor permitiu. Ele é o Senhor, acima de tudo. Tudo está sob Seu poder e em Seu conhecimento, e Ele permitiu.
Poderíamos até dizer que, no que diz respeito a Saul, Ele parecia ter participado daquilo. Ele permitiu as coisas trágicas e desastrosas que aconteceram em ambos os casos.
E nisso há uma lição que fazemos bem em aprender. É algo muito doloroso, essa permissão de Deus. Por que o Senhor permite que coisas assim aconteçam? Não temos apenas esses casos; vez após vez, Ele permite que esse tipo de coisa aconteça.
Muitas vezes O temos colocado à prova com esta pergunta: “Por que Tu permitiste isso? Por que não o impediste?”. Vejam, essa pergunta poderia se aplicar a toda a condição deste mundo. Mas aí está: Deus permite; Ele dá Sua permissão.
E é precisamente por isto: é necessário, tanto para Deus como para as pessoas envolvidas, provar, demonstrar o desastre que resulta quando Seu Rei não recebe Seu lugar ou é retirado dele.
É inútil teorizar sobre esse assunto. Na verdade, é vão até mesmo ensiná-lo. Poderíamos ficar aqui atrás desta mesa, ano após ano, conferência após conferência, semana após semana, e dizer essas coisas com muito, muito pouco efeito.
O Senhor Se vê diante da dolorosa necessidade de deixar que as pessoas comprovem que, quando se viola aquilo que Ele estabeleceu em Seu Filho Jesus Cristo, seguem-se as mais dolorosas consequências. E é assim que aprendemos a maioria das coisas, não é? Pela experiência dolorosa, porque, na verdade, não as aprendemos de nenhuma outra maneira.
Vemos o Senhor permitir que Saul se interpusesse no caminho de Davi durante um período considerável. Mas, vejam só, a reação final assegurou algo e estabeleceu algo mais forte do que havia antes.
O Senhor permitiu que aquele canalha agisse — pois um homem que se dispõe a matar o próprio pai não é nada menos que isso. O Senhor, porém, permitiu que ele o fizesse. E lemos o que o povo acabou dizendo.
Vocês sabem, no caso de Saul, o Senhor disse a Samuel:
A Mim Me têm rejeitado, para Eu não reinar sobre eles.
— 1 Samuel 8:7
Eles Me rejeitaram.
Quanto a Absalão, lemos que o povo disse:
Absalão, a quem ungimos sobre nós, morreu na batalha.
— 2 Samuel 19:10
Não o homem a quem Deus ungiu. Isso vocês jamais poderiam dizer.
Portanto, nesses casos, a responsabilidade recaía sobre o povo, e eles tiveram de aprender por meio de uma experiência dolorosa. E, no fim: “O homem que nós ungimos morreu, e o homem que realmente realizou a obra da nossa salvação foi expulso”.
É terrível, mas aí está. Quais foram os resultados? O homem ungido por Deus era uma figura do Senhor Jesus — estamos mantendo os olhos no Senhor Jesus. Quais foram os resultados de o Ungido de Deus estar fora de Seu lugar?
Bem, por algum tempo tudo parece correr bem. Vocês sabem, o diabo é tão esperto quanto os homens, e ele pode ser sutil. Assim, em ambos os casos, durante algum tempo, durante certo período, ele proporcionou um aparente sucesso e prosperidade.
De modo que o povo começou a se felicitar. Estavam muito satisfeitos com o que haviam feito, com o que estavam fazendo. Saul parecia ser o homem certo; as coisas estavam correndo bem. Absalão? Bem, sim, estava tudo certo.
Um sucesso aparente e ilusório — por um pouco de tempo, um pouco de tempo. Os responsáveis felicitando a si mesmos. Isso vai se avolumando, e sua queda tornará a vergonha ainda maior.
O Senhor não fará isso. Então, deixe seguir. Deixe parecer que prospera. Deixe parecer que tem sucesso, para que sua ruína final, a desilusão, seja mais terrível do que seria se Deus tivesse intervindo imediatamente e interrompido tudo desde o início.
Assim, há prosperidade; e então, em determinado momento — não conseguimos apontá-lo com exatidão, mas ele está aqui no relato —, começa a despertar a percepção de que, em essência, as coisas eram duvidosas.
Uma sensação vai se insinuando e crescendo: em algum lugar, de alguma maneira, as coisas haviam dado errado. Uma apreensão, uma consciência de que as coisas não estavam tão certas quanto se pensava, nem tão boas quanto se imaginava.
E vocês encontram Davi lá fora, na caverna de Adulão. Há um afastamento saudável. Dia após dia, diz o relato, dia após dia eles saíam para ir até ele — aqueles que estavam descontentes e endividados.
Decepcionados e desiludidos, porque aquilo não lhes dava condições de cumprir suas obrigações. Aquilo era vazio.
Então eles saíam; o número aumentava. E eu gostaria de ter ouvido o que disseram quando chegaram lá. Não creio que estaríamos longe da verdade se, em suas queixas, os ouvíssemos dizer: “Olhem, apostamos no cavalo errado”. Posso usar essa expressão? “Cometemos um grande erro.”
“Descobrimos que aquilo que pensávamos ser o caminho, a coisa certa, aquilo que produziria o que desejávamos, era o caminho errado. Há algo nisso que está completamente errado.”
Vocês sabem, no fim, quando chegou a verdadeira crise, o veredito veio por inteiro:
Outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu quem fazia sair e entrar Israel;
E o Senhor te disse: Tu apascentarás o Meu povo de Israel e serás príncipe sobre Israel.— 2 Samuel 5:2
“Eras tu.” Que confissão! Que tomada de consciência!
Vejam, em ambos os casos, tudo se resumia a isto: o caminho do homem, o caminho mundano do homem, o caminho carnal do homem. Todo o princípio da autoridade espiritual se perdeu.
E, quando isso se perde, certamente logo começam a surgir desintegração, confusão, frustração, dúvidas e temores, e um reconhecimento crescente: “Algo está errado. Algo está errado”.
Ah, digo que isso é verdade em grande parte daquilo que os cristãos percebem e confessam em nossos dias. As coisas não estão certas. Há algo errado. Perdemos alguma coisa. Estamos todos sem rumo.
Isso realmente explica, em grande medida, o cristianismo de hoje, e pode ser verdade na vida individual. Pode ser verdade em qualquer grupo do povo do Senhor, exatamente como este.
Mas qual é a solução? Como tudo isso será corrigido? Por meio de uma única questão.
Gosto de pensar que sempre há uma chave para muitas portas. Há uma resposta para muitas perguntas. Há uma questão central numa situação ampla e multifacetada. Geralmente é assim. Quando o Espírito Santo põe o dedo num único ponto, muitas vezes uma porção de coisas desmorona.
E a única solução para toda perda de coesão, de poder e de testemunho — para a perda daquelas condições sobre as quais lemos no livro de Atos — é: tragam de volta o Rei.
Tragam de volta o Rei. Essa é a resposta aqui. E, quando o rei voltou ao seu lugar, a situação mudou muito depressa. Mudou muito depressa.
É quase emocionante ver a mudança — todas as mudanças: a unidade nacional renovada, a supremacia nacional renovada. Leiam a história, o contexto.
Ora, mal Davi é ungido em Hebrom, como lemos, e os filisteus já ficam sabendo de tudo. Os filisteus ficam sabendo de tudo. Aquela ameaça ao reino, aquela ameaça tão prolongada ao reino, fica sabendo de tudo.
Davi está em seu lugar, no lugar para o qual foi ungido. As forças do mal saberão muito bem quando Jesus estiver em Seu lugar. Saberão.
Mas nós estamos lutando e nos debatendo, e muitas vezes somos derrotados por essas forças malignas, avançando pouco ou nada contra elas; e elas simplesmente brincam conosco. Precisamos de Alguém bem no centro, no controle, com autoridade absoluta. O único designado para isso é o Senhor Jesus.
Ele não está em Seu lugar, queridos amigos — não está em Seu lugar. Talvez Ele não esteja em Seu lugar na vida de vocês. Por isso, sua vida é uma vida de desintegração, de dispersão, de divisões; uma vida de derrota e fraqueza; uma vida na qual o grande inimigo está conseguindo fazer sua vontade muito, muito mais do que deveria.
Isso pode ser verdade em algum grupo do povo do Senhor. E é verdade em uma medida tão ampla — sem nos entregarmos a críticas lamentáveis; é tão fácil, tão fácil criticar e julgar o cristianismo. Ainda assim, todos temos de reconhecer que a igreja de Deus não é, neste mundo, aquela força que precisava ser levada em conta, como era no princípio.
Essas condições realmente existem. A resposta é: tragam de volta o Rei.
Agora vocês podem ver que isso tem duas aplicações. Tem uma aplicação espiritual para o presente.
É necessário que o Senhor Jesus seja verdadeiramente restabelecido em Sua autoridade absoluta na vida do cristão, na vida do grupo local de cristãos e na igreja de Deus como um todo.
Não creio que haja qualquer dúvida de que, quando isso acontecer, veremos coisas poderosas acontecerem. Veremos novamente algo que corresponda a este livro, quando isso acontecer.
Bem, então poderíamos dizer que a grande necessidade de nosso tempo é, se usarmos uma palavra para designar algo, a autoridade entronizada. Mas o que queremos dizer com autoridade é Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo, Senhor sobre tudo, acima de tudo: trazer de volta o Rei agora, de maneira espiritual.
Mas, naturalmente, isso também tem sua aplicação dispensacional.
Nada estará inteiramente certo até que venha Aquele a Quem pertence o direito. Nada será exatamente como deve ser no propósito de Deus até que o Rei volte.
Nisso, sabemos que é verdade: a resposta, plena e definitiva, é a vinda do Senhor outra vez. Toda a criação geme; o mundo inteiro está inquieto, esperando Sua vinda.
Deus O trará de volta. Bem, vejam, se examinarem novamente esses relatos, encontrarão três coisas que resultam no retorno do Rei.
Primeiro: eles realmente aprenderam a lição. O Senhor nunca, nunca age enquanto isso não acontece.
Isso pode levar muito tempo. Pode ser uma história longa, arrastada e miserável. Por mais longa que tenha de ser, o Senhor não agirá até que a lição seja aprendida.
A única coisa que este mundo precisa aprender, a única coisa que a igreja precisa aprender e a única coisa que nós precisamos aprender é que constitui um enorme desastre o Rei ungido de Deus não estar em Seu lugar.
E precisamos chegar ao ponto em que dizemos e sabemos que a única coisa — a única coisa — não é isto ou aquilo como solução. A única coisa é o próprio Senhor estar onde deve estar e ser o que deve ser.
Aprendemos isso por meio de uma experiência dolorosa. Eles aprenderam a lição. É bastante evidente, não é? Em ambos os casos, compreenderam muito bem por que as coisas estavam assim, qual era a razão de sua condição.
A segunda coisa foi sua confissão, que incluía arrependimento. A confissão talvez seja um fator muito importante em um novo agir do Senhor.
Estar inteiramente disposto a se humilhar e reconhecer o fracasso: o fato do fracasso, a causa do fracasso, a própria questão.
Não se trata apenas de sentir dolorosamente as consequências e querer escapar delas. Não, não: isso está errado diante de Deus — diante de Deus, diante Dele, está errado. Tudo está errado quando Jesus não ocupa plenamente Seu lugar, em qualquer parte e em toda parte. Tudo está errado.
Arrependimento, confissão.
E, por fim, a busca. É esse grande movimento, não é? Quando eles, por sua iniciativa, enviaram a Davi esta mensagem: “Você é osso dos nossos ossos, carne da nossa carne. Mas todos os nossos problemas existem porque você não está em seu lugar. Volte. Precisamos de você. Temos de tê-lo conosco. Não podemos seguir sem você”.
É a isso que tudo se resume. Nossa própria vida e nosso futuro dependem de você estar onde Deus o designou para estar. É do Senhor Jesus que estamos falando.
E precisa haver essa busca, essa busca de todo o coração.
Queridos amigos, se o que estou dizendo não lhes toca pessoalmente porque vocês sentem que isso não é verdade a seu respeito — que não se comportaram assim para com Ele e que, no caso de vocês, não houve nenhuma expulsão Dele —, vocês se unirão à busca em favor de Sua igreja? Vocês se unirão à busca em favor de outros, em favor de Seu povo?
Vocês serão representantes de um povo como Judá, que tomou a iniciativa nessa questão? Em favor de outros, em favor das igrejas, seja no âmbito local, seja no universal, vocês se deixarão mobilizar por essa questão de um novo restabelecimento do Senhor Jesus?
Se fizerem isso, aí está a única solução.
Mas, quanto à aplicação dispensacional, há algo a ser feito para trazer de volta o Rei.
Embora Deus possa ter Seu tempo determinado para a próxima intervenção na história deste mundo — os tempos e as épocas que estão sob Seu próprio cuidado —, há outro lado nessa questão.
E Deus não fará justiça aos Seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite?
— Lucas 18:7
Esse é um dos lados.
Há uma espera fervorosa pelo dia do Senhor Jesus, e um apressar desse dia. Há trabalho a ser feito. Há um testemunho a ser levado às nações. Há uma preparação:
E qualquer que Nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro.
— 1 João 3:3
Há tudo aquilo que o Senhor precisa encontrar em nós quando vier; e não encontrar isso pode retardar Sua vinda. Não sei se isso é uma verdade dispensacional ou não, mas creio que é uma verdade espiritual.
Por um lado, o Senhor espera que Seu povo esteja em ardente expectativa de Sua vinda; e que, estando nessa expectativa, esteja ativo, ocupado até que Ele venha e fazendo todo o possível para preparar o caminho de Sua vinda.
Esta é a obra do Espírito Santo: colocar o Rei em Seu lugar, restaurar o Rei se Ele não estiver em Seu reino e impulsionar todos nós nessa questão de trazer de volta o Rei.
Por que, pois, não dizeis uma palavra sobre fazer voltar o rei?
— 2 Samuel 19:10
A resposta é: porque vocês não percebem que esta é a causa de todos os problemas — Ele não está onde deveria estar. Ou vocês se acomodaram, esperando que alguma coisa aconteça.
Ah, não. É preciso esse empenho, essa busca, esse clamor do coração: Ele precisa ser trazido de volta. Esse é o ponto — trazido de volta.
Vocês dizem: “Ele vem”. Sim, Ele vem. Ele virá em Seu próprio tempo. Mas eu digo que Ele deve ser trazido de volta. E, ao dizer isso, creio que é o que a Palavra de Deus diz: algo deve ser feito para trazê-Lo.
Que sejamos encontrados nessa oração da igreja, o Espírito e a Noiva unidos, dizendo:
Vem.
— Apocalipse 22:17
E:
Ora, vem, Senhor Jesus.
— Apocalipse 22:20
“Vem depressa.”
Em ambos os sentidos: agora, espiritualmente; e depois, literalmente.