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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Watch Word Of Christ © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Watch Word Of Christ
    The Watch Word Of Christ
    Kaung, Stephen

    A Palavra de Ordem do Filho do Homem

    Leitura Bíblica: João 2:1-11

    E, ao terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus:
    e também foram convidados Jesus e os Seus discípulos para o casamento.
    E, faltando o vinho, a mãe de Jesus Lhe disse: Não têm vinho.
    Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a Minha hora.
    Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto Ele vos disser.
    E estavam ali seis talhas de pedra, postas segundo o costume de purificação dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.
    Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até à borda.
    E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram.
    E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho, não sabendo de onde viera, embora o soubessem os serventes que tinham tirado a água, chamou o noivo,
    e disse-lhe: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já beberam fartamente, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.
    Jesus realizou este princípio dos Seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a Sua glória; e os Seus discípulos creram Nele.

    Leitura Bíblica: João 12:20-28

    Ora, havia alguns gregos entre os que tinham subido a adorar na festa:
    estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queremos ver Jesus.
    Filipe foi dizê-lo a André; e André e Filipe foram dizê-lo a Jesus.
    E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado.
    Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.
    Quem ama a sua vida perde-a; e quem odeia a sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna.
    Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estou, ali estará também o Meu servo: se alguém Me servir, o Pai o honrará.
    Agora a Minha alma está perturbada; e que direi Eu? Pai, salva-Me desta hora. Mas para isto vim a esta hora.
    Pai, glorifica o Teu nome. Então veio uma voz do céu, dizendo: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.

    Oração

    Querido Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos por este privilégio de nos achegarmos a Ti com santa ousadia, sabendo que podemos entrar no Santo dos Santos sem qualquer temor ou tremor. Tudo isso é por causa do Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

    E, Pai, estando em Tua presença, esperamos que nos reveles o Teu pensamento e nos conduzas ao próprio centro do Teu propósito, para que o Teu Filho, nosso Senhor Jesus, seja glorificado. Entregamos este tempo em Tuas mãos e confiamos que o Teu Espírito Santo realizará a Sua obra. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém.

    A Plenitude do Tempo

    Ontem pela manhã, percorremos o Antigo Testamento para demonstrar o que diz o rei Salomão: há uma ocasião para tudo, um tempo para cada propósito. E o coração do sábio conhece o tempo e o modo. Isto é, o sábio sabe quando agir e o que fazer.

    Agora, nesta manhã, gostaríamos de prosseguir pelo Novo Testamento. E, naturalmente, quando chegamos ao Novo Testamento, o primeiro em Quem concentraremos a nossa atenção não é outro senão o nosso Senhor Jesus.

    Está escrito em Gálatas 4:4:

    Mas, vindo a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
    para remir os que estavam sob a lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.

    Quatro mil anos antes, no jardim do Éden, após a queda do homem, Deus lhe deu uma promessa maravilhosa, dizendo que a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Quatro mil anos haviam passado, mas esses anos não passaram em vão. Por quê? Porque Deus estava trabalhando em direção àquele tempo — à plenitude do tempo — em que enviaria o Seu Filho amado a este mundo para nos libertar da maldição da lei e nos conduzir à condição de filhos.

    Do ponto de vista humano, parecia que o tempo não era adequado para a vinda do Filho. Por quê? Porque era o tempo do Império Romano. César ocupava o trono daquele império mundial; um governador romano estava em Jerusalém; e Herodes, o edomita, era rei dos judeus.

    Não apenas isso, mas nem mesmo o povo judeu estava realmente preparado para a vinda do Messias. Embora, ao longo dos anos, orassem pela vinda do Messias, o coração deles não estava preparado para Ele.

    Todas as manhãs, depois que o templo era aberto, havia a oração matinal. O sacerdote entrava no lugar santo, queimava incenso no altar e ali oferecia oração por toda a nação. Sem dúvida, a oração de toda a nação era pela vinda do Messias. Contudo, na realidade, embora o povo judeu orasse dia após dia pela vinda do Messias, o coração deles não estava preparado para Ele.

    Embora, aos olhos dos homens, o tempo não fosse adequado, Deus disse que era a plenitude do tempo. Por isso, Deus enviou o Seu Filho a este mundo.

    Havia algumas pessoas preparadas para o Messias — um remanescente, não muitas. Temos Maria e José; temos Zacarias e Isabel; temos Ana e Simeão; temos aqueles pastores ligados ao templo; e temos aqueles que se tornaram discípulos de João. Esses eram o remanescente entre o povo judeu cujo coração estava preparado para receber o Messias.

    Deus olhou para esses corações e disse: “É o tempo certo para enviar o Meu Filho amado a este mundo”.

    O Senhor Jesus e a Sua Hora Determinada

    Ao examinarmos a vida do nosso Senhor Jesus, descobrimos que ela é caracterizada por uma coisa. Descobrimos que Ele tem uma palavra de ordem. A palavra de ordem de Cristo, como vemos especialmente no Evangelho segundo João, é repetida muitas vezes: “Minha hora”, “o tempo”, “Meu tempo”. Essas expressões revelam o que estava em Seu coração.

    Nosso Senhor Jesus conhecia o Seu tempo. Ele não apenas conhecia o tempo, mas estava sempre consciente dele. Toda a Sua vida avançava de acordo com a hora, com o tempo que Deus havia determinado para aquele período específico.

    O Sinal do Propósito Final

    A primeira vez que encontramos o nosso Senhor Jesus mencionando essa palavra de ordem é em João 2. Havia um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava ali, e Jesus e os Seus discípulos também haviam sido convidados.

    O casamento era uma ocasião feliz. Evidentemente, esse jovem casal era muito querido, porque havia mais pessoas no casamento do que eles esperavam, e provavelmente mais pessoas permaneceram ali por mais tempo do que eles haviam previsto. Assim, depois de talvez um ou dois dias de festa e alegria, o vinho começou a acabar.

    Seria uma situação muito constrangedora para o jovem casal. No auge da sua felicidade, chegariam a tristeza e a vergonha. Evidentemente, a mãe de Jesus era amiga próxima do noivo ou da noiva. Por isso, participava daquele círculo mais íntimo e sabia da situação. Então, foi ao Senhor e disse:

    Não têm vinho.

    Agora, por que Maria falou a Jesus sobre aquela necessidade? Humanamente falando, pensaríamos naturalmente que ela esperava que Jesus fizesse alguma coisa a respeito. Mas, para sua surpresa, o Senhor Jesus disse:

    Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a Minha hora.

    Na língua inglesa, isso parece um pouco áspero. Mas, na verdade, no original é muito diferente. Quando o Senhor Jesus disse “Mulher”, não usou uma palavra áspera. Era uma palavra de afeto.

    Por que o Senhor não disse “Mãe”, mas “Mulher”? Provavelmente porque o nosso Senhor Jesus já havia começado o Seu ministério. Enquanto estava em casa, Ele se encontrava sob a autoridade dos Seus pais. Mas, aos trinta anos, quando foi a João para ser batizado, entrou na vida pública. Aquele foi o início do Seu ministério público.

    Ao entrar em Seu ministério público, para ocupar-Se dos negócios de Seu Pai, Ele estava em outra esfera. Não estava em casa; estava na obra de Deus. E, na obra de Deus, deveria ser dirigido por ninguém menos que o Seu Pai celestial.

    Os relacionamentos humanos e naturais não podem entrar na obra de Deus nem interferir nela. Provavelmente foi por isso que Ele não Se dirigiu à Sua mãe chamando-a de “Mãe”. Ele disse “Mulher”. Havia afeto nessa palavra; Ele amava muito a Sua mãe. Mas disse:

    Que tenho Eu contigo?

    O irmão T. Austin-Sparks disse que, no original, isso tem o sentido de: “O que há em comum entre você e Mim?”. Você está pensando em uma coisa: eles não têm vinho. Mas Eu estou pensando em outra. Estamos em duas sintonias diferentes.

    Você está pensando que eles não têm vinho e que precisam de vinho para que este casamento seja bem-sucedido. Mas não é isso que tenho em mente. Estou pensando em algo muito diferente do que você pensa. Estou pensando em outro casamento — o casamento que Deus tem em Seu propósito desde o princípio.

    Estou pensando naquela união tipificada por Adão e Eva. Deus disse que não era bom que o homem estivesse só. Deus fez Adão adormecer e tirou algo do seu lado. A Bíblia diz que foi uma costela, mas, no original, simplesmente diz que Deus tirou algo de Adão. Deus usou aquilo que saiu de Adão para edificar uma mulher.

    A palavra “edificar” é um termo arquitetônico. Deus edificou uma mulher com aquilo que saiu do lado de Adão. Então, conduziu Eva a Adão. Quando Adão viu Eva, disse:

    Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne:
    ela será chamada Mulher.

    A partir daquele momento, eles se uniram em uma só carne. O Senhor estava, em essência, dizendo: “Minha querida, você está pensando neste casamento em Caná da Galileia. É importante que este casamento seja bem-sucedido, mas Eu estou pensando em algo maior do que isso”.

    “Estou pensando no casamento tipificado por Adão e Eva no início da história humana. Estou pensando no casamento entre o Cordeiro e a Sua Igreja. Estou pensando na união de Deus com o homem. Estou pensando naquele casamento eterno. Certamente, quero ver esse casamento ser bem-sucedido.”

    Nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, tinha um propósito muito claro e definido. Ele não caminhava por esta terra à deriva, procurando o Seu caminho, simplesmente Se ajustando às circunstâncias. Não. Toda a Sua vida na terra era governada por um propósito final, e esse propósito é o casamento.

    Toda a Bíblia está centrada nisso. No livro de Gênesis, ela começa com um casamento; e, quando chegamos ao fim da Palavra de Deus, encontramos em Apocalipse 21 e 22 outro casamento — o casamento do Cordeiro com a cidade santa, a Nova Jerusalém.

    Era isso que o Senhor tinha em mente. “O que há em comum entre você e Mim? É isso que está em Meu coração.”

    Mas, para resolver a situação, a mãe disse aos serventes:

    Fazei tudo quanto Ele vos disser.

    Em outras palavras, deixem o Senhor ser o Senhor. Não tentem dirigir o Senhor, nem mesmo sugerir-Lhe o que deve fazer.

    Quando ela colocou o Senhor em Seu devido lugar, o Senhor Jesus agiu. Ele mandou os serventes encherem de água as talhas que estavam à entrada para a purificação, enchendo essas seis talhas até à borda. Então disse:

    Tirai agora, e levai ao mestre-sala.

    Quando o mestre-sala provou, descobriu que era o melhor vinho.

    Irmãos e irmãs, quando o Senhor realizou esse milagre, relacionou-o à Sua hora:

    Ainda não é chegada a Minha hora.

    Qual é a Sua hora? Ele estava muito consciente do Seu tempo. Que hora era essa pela qual Ele aguardava?

    Ele aguardava aquela hora em que derramaria a Sua vida, como a água tirada da talha, para saciar a sede dos sedentos e tornar aquele casamento bem-sucedido. Essa era a hora para a qual o nosso Senhor Jesus olhava.

    A Bíblia diz que esse foi o primeiro sinal que Ele realizou para manifestar a Sua glória. No Evangelho segundo João, todos os milagres e maravilhas realizados pelo nosso Senhor Jesus são chamados de sinais.

    Esses milagres são obras maravilhosas, sem dúvida alguma. Mas, no Evangelho de João, essas obras maravilhosas são chamadas de sinais porque não são apenas prodígios. Elas apontam para algo. Há algo mais profundo do que simplesmente realizar um milagre. Esse milagre deve nos conduzir a algo mais — a enxergar o propósito final de Deus.

    Por meio da realização dessas maravilhas, deve nos ser mostrado o propósito eterno de Deus, que é manifestar a Sua glória. Como o Senhor Jesus manifesta a Sua glória? Ele não manifesta a Sua glória simplesmente transformando água em vinho.

    Para nós, isso já é suficientemente glorioso. Mas, para o Senhor, isso não pode ser considerado a plenitude da glória. Para manifestar a Sua glória, Ele precisava realizar algo muito maior. Por meio daquele sinal, Ele nos dizia que derramaria a Sua vida e, ao derramá-la, obteria para Si uma noiva.

    Haveria um casamento; esse casamento seria bem-sucedido; e esse casamento seria eterno. Queridos irmãos e irmãs, essa é a Sua glória. Essa é a hora para a qual Ele olhava.

    A Nova Hora da Adoração

    A segunda menção ao tempo ou à hora no Evangelho de João encontra-se em João 4. Nosso Senhor Jesus estava deixando a Judeia porque havia certa murmuração de que Ele fazia e batizava mais discípulos do que João.

    Havia certa desconfiança e algum mal-estar. Nosso Senhor Jesus era tão cortês que não permitiria que essas coisas acontecessem. Não havia competição entre Ele e João Batista. Assim, quando soube disso, decidiu deixar a Judeia e voltar para a Galileia.

    A Bíblia diz:

    E era-Lhe necessário passar por Samaria.

    Geograficamente, a Judeia fica na parte sul da Palestina, a Galileia na parte norte, e Samaria entre as duas. Mas, segundo o costume dos judeus naquele tempo, por causa da sua hostilidade para com os samaritanos, os judeus não entravam na terra dos samaritanos.

    Quando queriam ir da Judeia para a Galileia, preferiam atravessar o rio Jordão para o lado oriental, viajar pela Pereia, contornar Samaria e depois atravessar novamente o Jordão para entrar na Galileia. Era assim que o povo judeu viajava nos dias de Cristo.

    Mas aqui a Bíblia diz que Lhe era necessário passar por Samaria. Essa necessidade não era determinada pela tradição; era uma necessidade espiritual. Nosso Senhor Jesus sabia que havia ali uma mulher que precisava Dele. Por essa razão, rompeu com a tradição dos judeus.

    Por romper com tantas tradições dos antepassados, nosso Senhor Jesus despertou a ira deles, e, por fim, eles O crucificaram. Não O queriam porque Ele não seguia a tradição deles. Mas o Senhor Jesus disse que eles se apegavam às tradições dos antepassados e até violavam o mandamento de Deus.

    Isso não é algo novo; encontramos a mesma coisa ainda hoje. Mas o nosso Senhor Jesus rompeu com as tradições para encontrar aquela mulher samaritana.

    Ele foi a Samaria e estava cansado da viagem, porque havia caminhado. Quando chegaram ao poço de Jacó, Ele descansou ali. Seus discípulos foram à cidade comprar comida, pois estavam com fome e sede.

    Naquele momento, uma mulher samaritana saiu da cidade para tirar água. Isso era muito incomum. Segundo o costume da época, as mulheres normalmente saíam pela manhã ou ao entardecer, porque então não fazia tanto calor. Geralmente saíam em grupos, acompanhadas, porque gostavam de conversar.

    Lembro-me de que, quando estive em Israel, ainda vi a mesma coisa acontecendo. As mulheres saíam em grupos para tirar água. Naqueles dias, talvez levassem um cântaro sobre a cabeça; agora, vemos uma lata de gasolina sobre a cabeça delas. Essa era a diferença.

    Mas essa mulher não veio pela manhã, nem ao entardecer, nem com as outras mulheres. Veio sozinha e ao meio-dia. Por quê? Evidentemente, queria evitar as pessoas. Não queria ter nada a ver com ninguém, porque era conhecida na cidade como uma mulher de má reputação.

    Ninguém lhe fazia companhia. Quando a viam, provavelmente a insultavam. Por isso, ela se tornou muito hostil ao mundo inteiro. Contudo, estava com sede e, por isso, veio ao meio-dia tirar água. Pensou que não haveria ninguém ali.

    Para sua surpresa, encontrou um homem sentado junto ao poço. Mais do que isso, o homem começou a conversar com ela. Ora, aquele homem era judeu. Pelas Suas vestes, era possível reconhecer que Ele era judeu. Os judeus não se relacionavam com os samaritanos; contudo, um homem judeu falou com ela e disse:

    Dá-Me de beber.

    Aquilo era muito estranho. Um homem judeu pedir água a uma mulher samaritana era algo que não se fazia. Mas o nosso Senhor Jesus, para estabelecer contato com aquela mulher, estava disposto a humilhar-Se e pedir àquela samaritana que Lhe desse água para beber. Essa é a humildade do nosso Senhor Jesus.

    Mas a mulher não atendeu ao pedido. Ela disse:

    Como, sendo Tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?

    O Senhor disse:

    Se tu conhecesses Quem é que fala contigo, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva.

    Uma água que se tornaria uma fonte dentro dela, e ela nunca mais teria sede.

    Naturalmente, quando aquela mulher samaritana ouviu isso, quis aquela água. Ela não compreendia, por isso disse:

    Senhor, Tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo.

    Como podes tirar água sem um recipiente?

    És Tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço?

    Então o Senhor disse:

    Vai, chama o teu marido.

    Em outras palavras, o Senhor lhe mostrou os seus pecados. Quando o Senhor disse isso, ela percebeu que havia encontrado um profeta, e a sua consciência foi despertada.

    Quando a consciência de uma pessoa é despertada, a primeira questão é a adoração. A adoração é algo inerente ao ser humano. Quando estávamos mortos em pecados e transgressões, esquecemo-nos de adorar a Deus. Mas, uma vez despertada a nossa consciência, a primeira pergunta é: “Como posso adorar a Deus? Onde posso adorá-Lo? De que maneira devo adorá-Lo?”.

    Essa mulher vivia no pecado. Não pensava em adorar a Deus de modo algum. Mas, de repente, a sua consciência foi despertada, e imediatamente a questão da adoração se tornou a questão suprema.

    Ela perguntou ao Senhor: “Onde devo adorar? Vocês, judeus, dizem que, se alguém quiser adorar a Deus, deve adorá-Lo em Jerusalém, no templo. Mas nós, samaritanos, dizemos que adoramos a Deus neste monte, o monte Gerizim, porque ali construíram um templo. Qual é o lugar certo para adorar?”.

    O Senhor Jesus disse àquela mulher:

    Mulher, crê-Me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.
    Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade:
    porque o Pai procura a tais que assim O adorem.

    Nosso Senhor Jesus estava sempre consciente da Sua hora. Ele não era apenas o Homem daquela hora, fazendo tudo de acordo com o tempo que Deus Lhe havia determinado; com a Sua vinda, Ele inaugurou uma hora, uma nova era, um novo tempo.

    Ele é Aquele que, em certo sentido, encerrou o tempo antigo e inaugurou um novo tempo. Com a vinda do Senhor Jesus, a hora mudou. Passou do tempo da lei para o tempo da graça.

    No tempo da lei, adorar a Deus era algo exterior. A adoração era limitada pelo tempo e pelo espaço. Havia um lugar ao qual se ia para adorar a Deus. Para os judeus, era Jerusalém; para os samaritanos, era o monte Gerizim.

    Sob a lei, também havia um tempo para adorar. Os judeus precisavam ir a Jerusalém três vezes por ano para adorar a Deus. Sob a lei, nada era perfeito. Tudo era exterior e externo. Deus estava muito acima e além do alcance do homem. O homem só podia adorá-Lo de longe, com temor e tremor.

    Mas, com a vinda do Senhor Jesus, o Senhor disse:

    A hora vem, e agora é.

    Com a Sua vinda, tudo mudou. Somos libertos do tempo sob a lei e introduzidos no tempo da graça.

    A própria natureza da adoração mudou. Já não adoramos a Deus exteriormente; adoramos a Deus em espírito e em verdade. Por quê? Porque, com a vinda do Senhor Jesus, isso se tornou possível.

    Antes da Sua vinda, o espírito do homem estava morto em pecados e transgressões. Deus é Espírito e, se quisermos adorá-Lo, precisamos adorá-Lo em espírito. Mas o nosso espírito estava morto; por isso, o homem tentava adorá-Lo apenas com o corpo ou até mesmo com a alma. Contudo, com o corpo e a alma, ninguém consegue realmente tocar Nele.

    Isso é exterior; é imperfeito; nunca é completo. Mas, graças a Deus, com a vinda do nosso Senhor Jesus, o tempo mudou. Ele veio vivificar o nosso espírito morto e torná-lo um espírito novo.

    Com um espírito novo e com o Espírito Santo habitando em nosso espírito, somos conduzidos à verdadeira adoração. Podemos entrar em contato com Deus, adorar a Deus, agradar a Deus e ter comunhão com Deus. Hoje, não se trata de uma adoração exterior; a adoração é interior. Adoramos em espírito e em verdade.

    A verdade, aqui, não é apenas uma questão de ensino ou de doutrina verdadeira. Os judeus, em certo sentido, tinham a verdade, porque Deus havia ordenado que houvesse um lugar onde Ele colocaria o Seu nome. Mas, para eles, a verdade era apenas uma verdade objetiva, uma verdade exterior, a verdade na letra.

    Graças a Deus, com a vinda do Senhor Jesus, a verdade tornou-se viva. Tornou-se realidade. O Senhor disse:

    Eu sou a verdade.

    Uma realidade foi introduzida, e hoje podemos adorá-Lo em espírito e em verdade.

    A hora mudou. Ele mudou a hora. Queridos irmãos e irmãs, se hoje as pessoas ainda adoram a Deus exteriormente, estão fora do tempo de Deus. Se vocês agem fora do tempo de Deus, estão fora do propósito de Deus.

    Se vocês estão fora do propósito de Deus, não realizam nada, e Deus não ganha nada. É vaidade. Mas, com a vinda do Senhor Jesus, a hora mudou. Agora podemos adorar a Deus em espírito e em verdade. Somente essa adoração está no tempo de Deus, cumpre o propósito de Deus e está em sintonia com Deus.

    A Hora da Vida Espiritual e da Ressurreição

    A terceira menção à hora encontra-se em João 5:25. Depois que o nosso Senhor Jesus curou o homem que estava enfermo havia trinta e oito anos, Ele disse:

    Em verdade, em verdade vos digo: A hora vem, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão.

    Antes que aquela hora chegasse, nada dessa natureza poderia acontecer. Como os mortos poderiam ouvir a voz do Filho de Deus? Naturalmente, os mortos aqui não são os fisicamente mortos. Os mortos aqui são os espiritualmente mortos.

    Os espiritualmente mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e, quando a ouvirem, viverão. Antes da vinda do nosso Senhor Jesus, aqueles que estavam mortos em pecados e transgressões estavam simplesmente mortos. Não podiam ouvir a voz do Filho de Deus.

    Mas o Filho de Deus agora veio e, quando Ele fala, até os mortos ouvem. Quando os mortos O ouvem, vivem. É isso que tem acontecido desde a vinda do Senhor até o presente.

    Então, se vocês lerem João 5:28-29:

    Não vos maravilheis disto: porque a hora vem, em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz,
    e sairão; os que fizeram o bem, para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição do juízo.

    Aqui, nosso Senhor menciona outra hora. São duas horas diferentes. No versículo 25, Ele Se refere à hora em que o Filho de Deus está na terra, falando aos espiritualmente mortos, e aqueles que ouvirem viverão.

    Mas, nos versículos 28 e 29, Ele menciona outra hora, uma hora futura, em que aqueles que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. O Senhor não diz simplesmente “os mortos”, porque as pessoas poderiam pensar que Ele Se refere aos espiritualmente mortos. Ele diz: “Todos os que estão nos sepulcros”. Esses são os fisicamente mortos.

    Um dia, quando essa hora chegar, eles ouvirão a voz do Filho de Deus. Quando ouvirem a Sua voz, todos serão ressuscitados dentre os mortos.

    Aqueles que praticaram o bem serão ressuscitados para a ressurreição da vida. Agora, “praticaram o bem” não significa que alguém simplesmente viveu fazendo coisas boas. O bem na Bíblia não é o bem que normalmente imaginamos.

    Vocês se lembram daquele jovem rico que foi ao Senhor e disse:

    Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

    O Senhor disse:

    Por que Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus.

    Em outras palavras, o bem nas Escrituras significa simplesmente que Deus é bom. Fazer a vontade de Deus é bom. Se não é a vontade de Deus, por melhor que pareça ao mundo, não é bom.

    Assim, aqueles que praticam o bem são simplesmente aqueles que praticam a vontade de Deus. E qual é a vontade de Deus? A vontade de Deus é que creiamos Naquele que Deus enviou. Aqueles que praticam o bem terão a ressurreição para a vida.

    Mesmo aqueles que fizeram o mal sairão para a ressurreição do juízo. O mal não é apenas aquilo que o mundo chama de mal. Há muitas coisas que o mundo chama de boas e que Deus chama de más. O mal significa simplesmente não conhecer a vontade de Deus, não fazer a vontade de Deus e fazer coisas contrárias a Deus.

    Essas duas ressurreições estão separadas por mil anos. A ressurreição dos justos ocorre antes do milênio, e a ressurreição dos maus, depois do milênio. Em Apocalipse 20, todos os mortos serão ressuscitados e comparecerão diante do julgamento do grande trono branco.

    Mais uma vez, aqui vemos que o Senhor Jesus estava sempre consciente da hora. Há uma hora. Vocês precisam conhecer a hora, discernir o propósito dessa hora e agir de acordo com ele. Há uma hora agora, e haverá uma hora no futuro.

    A Segurança do Propósito Final

    Outra menção ao tempo ou à hora encontra-se em João 7:6. Naquele momento, havia oposição ao Senhor Jesus, e Ele estava na Galileia porque os judeus procuravam matá-Lo na Judeia. Havia chegado a Festa dos Tabernáculos, e, durante essa festa, o povo judeu ia a Jerusalém, ao templo, para adorar a Deus.

    Os irmãos do Senhor Jesus — isto é, Seus irmãos segundo a carne — não criam Nele. Depois de dar à luz o Senhor Jesus, Maria deu à luz, por meios naturais, outros filhos e filhas. Esses eram os irmãos segundo a carne do nosso Senhor Jesus.

    Eles Lhe disseram:

    Sai daqui, e vai para a Judeia, para que também os Teus discípulos vejam as obras que fazes.
    Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, e procura ser conhecido publicamente.
    Se fazes estas coisas, manifesta-Te ao mundo.

    Aqui encontramos a mente natural. A mente natural diz que, se alguém deseja obter fama para si, se é ambicioso, precisa ir aonde as pessoas estão, apresentar-se a elas e atraí-las para si. É assim que o mundo pensa que alguém se torna bem-sucedido.

    Mas eles não sabiam que o nosso Senhor Jesus não era ambicioso à maneira humana. Ele não procurava obter fama para Si. Estava na terra para fazer a vontade do Pai e glorificar o Pai. Essa era a Sua ambição, e nada mais.

    Seus irmãos não conseguiam compreendê-Lo. Tentaram provocá-Lo e disseram: “Vai para a Judeia. Mostra-Te, e então serás bem-sucedido e alcançarás fama”. Mas Jesus disse:

    Ainda não é chegado o Meu tempo; mas o vosso tempo sempre está pronto.
    O mundo não vos pode odiar, mas a Mim Me odeia, porque Eu testifico dele que as suas obras são más.
    Subi vós à festa: Eu não subo a esta festa; porque ainda o Meu tempo não está cumprido.

    Depois que Seus irmãos subiram, Ele também subiu à festa, não publicamente, mas como que em segredo. Aqui vemos como a vida do nosso Senhor Jesus era governada pela hora.

    Ele conhecia o Seu tempo. Era o tempo do Pai. Antes que o Pai falasse, Ele jamais agiria. Jamais agiria antes do tempo, nem Se atrasaria em relação a ele. Nosso Senhor Jesus sempre agia exatamente no tempo certo.

    Quando Seus irmãos falavam com Ele, o Pai ainda não Lhe havia revelado o Seu pensamento. Por isso, Ele disse: “Ainda não é chegado o Meu tempo. Vocês podem ir. Podem fazer o que quiserem. É assim que vivem, mas essa não é a Minha vida. Minha vida é rigorosamente governada pelo tempo do Meu Pai”.

    Ah, que vida disciplinada! Queridos irmãos e irmãs, e quanto a nós? Nosso tempo está sempre em nossas próprias mãos? Podemos ir a qualquer lugar que quisermos e fazer qualquer coisa que desejarmos?

    Como disse Oswald Chambers, entre o nascimento e a morte, uma pessoa pode escolher fazer o que quiser, conforme a sua disposição. Pode tornar o seu tempo triste ou alegre. Pode fazer o que bem entender. Determina o seu próprio tempo e não se importa com o tempo de Deus.

    Mas o Senhor Jesus era diferente. Ele esperava no Pai pelo tempo certo. Quando o tempo certo chegava, Ele agia muito rapidamente.

    Isso pode dar a impressão de que o nosso Senhor estava sendo um pouco evasivo, mas não era esse o caso. Se vocês realmente compreenderem o que isso significa, verão que o nosso Senhor Jesus agia exatamente no tempo certo. Quando o tempo chegava, mesmo que houvesse perigo, Ele estava disposto a enfrentá-lo.

    Em relação a isso, João 7:30 diz:

    Procuravam, pois, prendê-Lo; mas ninguém lançou mão Dele, porque ainda não era chegada a Sua hora.

    Havia chegado o Seu tempo de ir à Judeia. Mas ainda não havia chegado a hora de realizar a obra para a qual Deus O enviara a esta terra. Essa hora se refere à Sua crucificação. Antes que essa hora chegasse, ninguém poderia lançar mão Dele.

    Em outras palavras, a Sua vida estava protegida. Queridos irmãos e irmãs, há segurança quando vocês agem de acordo com o tempo de Deus. Se vocês vivem no tempo de Deus, então, por mais perigosa que seja a situação, por mais que as pessoas tentem prendê-los ou fazer algo contra vocês, ninguém poderá lançar mão de vocês antes que a hora chegue.

    Nosso Senhor Jesus não tinha medo do perigo. Ele foi à Judeia, e as pessoas tentaram prendê-Lo, mas não conseguiram, porque a Sua hora ainda não havia chegado.

    Encontramos a mesma coisa em João 8:20. Nosso Senhor estava em Jerusalém, ensinando na área do tesouro do templo. Ninguém lançou mão Dele, porque a Sua hora ainda não havia chegado.

    A Lei do Propósito Final

    A próxima menção encontra-se em João 12. Nosso Senhor Jesus entrou em Jerusalém. Aquela era a Sua última semana em Jerusalém. Não apenas as multidões saíram da cidade para recebê-Lo e dizer:

    Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!

    Mas alguns gregos também queriam vê-Lo.

    Humanamente falando, esse era o Seu momento mais glorioso nesta terra. Até os gentios queriam ver Jesus. Que glorioso seria isso! Mas o sentido de glória para o Senhor é diferente do sentido de glória para o homem.

    Quando Filipe e André foram ao Senhor e disseram: “Os gregos querem ver-Te”, Jesus respondeu:

    É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado.
    Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.

    Não cometam o erro de pensar que o Senhor estava dizendo: “Agora até os gentios estão Me procurando; por isso, estou sendo glorificado”. De modo algum. A hora em que Ele seria glorificado não era a hora em que o mundo O procurava.

    Era a hora em que Ele, sendo o grão de trigo que havia caído na terra trinta e poucos anos antes, agora iria morrer. E, ao morrer, daria muito fruto. Essa é a hora à qual Ele Se referia.

    Ele disse:

    Quem ama a sua vida perde-a; e quem odeia a sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna.

    Mas era fácil para Ele fazer isso? Ouçam o versículo 27:

    Agora a Minha alma está perturbada; e que direi Eu? Pai, salva-Me desta hora.

    Nosso Senhor é um Homem perfeito. Ele é Aquele que não conheceu pecado. Não apenas não havia cometido pecado; Ele não conhecia pecado, porque toda a Sua vida agradava ao Pai, fazendo sempre a vontade do Pai. Tal era a Sua pureza.

    Contudo, Ele disse:

    E que direi Eu? Pai, salva-Me desta hora.

    Chegava a hora em que Ele, que não conheceu pecado, seria feito pecado pelo mundo — não apenas carregaria os pecados do mundo, mas seria feito pecado pelo mundo. Pensem nisso.

    Aquele que não conheceu pecado não seria apenas manchado por uma coisa ou outra, nem apenas carregaria os pecados do mundo; Ele seria feito o próprio pecado. Isso O perturbava. Naturalmente, a Sua alma pura recuava diante de tamanha contaminação e impureza.

    Mas imediatamente o Senhor disse:

    Mas para isto vim a esta hora.
    Pai, glorifica o Teu nome.

    Como o Pai glorificou o Seu nome? Ele esmagou o Seu único Filho amado na cruz do Calvário. Então veio uma voz do céu:

    Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.

    Essa é a hora.

    O Propósito da Glorificação de Cristo

    Em João 13:1, lemos:

    Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.

    O Senhor sabia que a Sua hora havia chegado. Depois da Sua morte, Ele seria ressuscitado dentre os mortos e subiria ao céu. Voltaria à glória que tinha com o Pai antes da fundação do mundo, na eternidade passada.

    Ele sabia que a hora estava chegando. E o que fez? Amou os Seus e os amou até ao extremo. Lavou os pés dos discípulos.

    Por quê? Porque aquela era a hora da Sua glorificação. Sua glorificação era a Sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão. Essa era a Sua glorificação.

    Qual era o propósito daquela hora? O propósito daquela hora era que, ao derramar a Sua vida, Ele adquirisse para Si um Corpo. Ele aperfeiçoaria o Corpo pela lavagem de água com a Palavra, para que esse Corpo crescesse e se tornasse uma Igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante — santa e irrepreensível.

    Esse é o propósito da hora. Por que o nosso Senhor Jesus morreu? Por que o nosso Senhor Jesus foi ressuscitado dentre os mortos? Por que o nosso Senhor Jesus subiu ao céu? Sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão tinham um único propósito: obter para Si uma noiva.

    O apóstolo João disse que, quando os soldados vieram quebrar as pernas dos que haviam sido crucificados, quebraram as pernas dos dois ladrões. Mas, quando chegaram a Jesus, descobriram que Ele já estava morto.

    Para ter certeza de que Ele realmente estava morto, um soldado tomou uma lança e perfurou o Seu lado. Dali saíram sangue e água. João disse:

    E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro.

    Por que João deu tanta importância a isso? Porque, em 1 João, lemos que há três testemunhas na terra: o Espírito, a água e o sangue.

    Sabemos o que é o sangue. O sangue é para a remissão dos nossos pecados. Aqui, o sangue saiu do corpo do nosso Senhor Jesus. Era a última gota de sangue. Eles O açoitaram antes de Ele ser crucificado, e o sangue saiu. Colocaram uma coroa de espinhos em Sua cabeça, bateram em Sua cabeça com caniços, e o sangue saiu. Pregaram Suas mãos e Seus pés, e o sangue saiu.

    Nosso Senhor Jesus ficou ali pendurado; Seu sangue correu e correu até que Ele morreu, antes do tempo normal de morte por crucificação. Então um soldado romano introduziu uma lança em Seu lado, evidentemente atingindo o Seu coração. Saíram sangue e água.

    O sangue era para a expiação dos nossos pecados, e a água fala de vida. O Salmo 22 diz:

    Como água Me derramei.

    Ele derramou a Sua vida como água. Com essa vida, com o Seu sangue, edificou para Si a Sua Igreja.

    Edificarei a Minha Igreja.

    Com o que Ele edifica a Sua Igreja? Com o sangue e a água que saem Dele mesmo.

    Depois de nos obter, Efésios 5 diz que Ele nos purifica e nos santifica pela lavagem de água com a Palavra, para nos apresentar a Si mesmo como uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga.

    Ali encontramos o nosso Senhor Jesus lavando os pés dos discípulos com água. Isso simboliza como Ele usará a vida que foi derramada, juntamente com a Palavra viva, para nos purificar e santificar, removendo de nós toda mancha e ruga.

    Uma mancha é algo que está em excesso; uma ruga é algo que envelheceu, que já não tem frescor. Queridos irmãos e irmãs, a vida do Senhor Jesus está continuamente purificando a Sua Igreja e nos santificando pela lavagem de água com a Palavra viva.

    Um dia, todas as manchas e rugas serão removidas, e seremos apresentados a Ele como uma Igreja gloriosa. É isso que Ele está fazendo.

    A Hora da Cruz

    A próxima menção à hora encontra-se em João 17:1:

    Jesus falou estas coisas e, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a Teu Filho, para que o Filho Te glorifique:
    assim como Lhe deste autoridade sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos Lhe deste.

    A hora havia chegado. Depois de falar com os Seus discípulos, Ele voltou o Seu coração ao Pai e disse:

    Pai, é chegada a hora; glorifica a Teu Filho, para que o Filho Te glorifique.

    Dessa glorificação surgem aquelas pessoas que o Pai deu ao Filho como uma dádiva, e a essas pessoas Ele dá a vida eterna.

    Irmãos e irmãs, toda a vida do nosso Senhor Jesus era governada pela hora. Ele conhecia o tempo e estava sempre consciente do tempo que o Pai Lhe havia determinado. Veio fazer a vontade do Pai dentro daquele tempo e cumprir aquele propósito, até ser recebido na glória, aguardando voltar para receber a Sua noiva para Si.

    A Palavra de Ordem do Filho do Homem

    Por fim, gostaria de encerrar lendo algo de um pequeno livreto escrito por T. Austin-Sparks. Ele se chama A Palavra de Ordem do Filho do Homem.

    “Ele, isto é, o Senhor, avançou em direção àquele propósito final por etapas, governado por uma consciência que encontrava expressão numa frase familiar: ‘Minha hora’. Essa era a solene palavra de ordem da vida do nosso Senhor e do Seu avanço progressivo em direção ao Seu propósito final.”

    Não vou ler tudo, mas apresentarei os subtópicos.

    1. O Sinal do Propósito Final — João 2. O sinal é o casamento.

    1. A Segurança do Propósito Final — João 7:30. Se vocês vivem no tempo de Deus, sua vida está protegida.

    1. A Lei do Propósito Final — João 12:24. Morte e ressurreição: essa é a lei do propósito final.

    1. A Base do Propósito Final — Mateus 26:18. O Senhor disse que celebraria a última Páscoa com os Seus discípulos e mencionou a aliança do sangue. A base do propósito final é a aliança.

    1. O Pensamento e o Método do Propósito Final — João 13. Humildade e serviço.

    1. O Instrumento do Propósito Final — João 17:1. A cruz.

    1. O Custo do Propósito Final — Mateus 26:45. Solidão e sofrimento.

    Em todas essas coisas, vemos que o Senhor foi governado pela hora até alcançar o propósito final.

    Oração Final

    Querido Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos por nos mostrares como o Teu Filho amado, enquanto esteve nesta terra, foi governado durante toda a Sua vida por aquela hora que Tu Lhe havias determinado.

    Nós Te louvamos e agradecemos porque o propósito daquela hora era obter uma noiva para Ele. Nós Te louvamos e agradecemos porque Ele esteve disposto a entregar a Sua vida para cumprir o propósito que Tu Lhe havias estabelecido.

    Pai, nós Te agradecemos porque agora desfrutamos dos benefícios de tudo o que Ele fez por nós. Oramos para que, assim como Ele foi governado pela hora, nós também conheçamos o tempo, o propósito e o modo. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém.