Vamos ao Senhor em oração.
Ó Pai celestial, ao nos reunirmos nesta tarde em nome de Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nós Te adoramos. Nós nos prostramos diante de Ti e Te agradecemos por toda a misericórdia, graça e amor que nos tens concedido.
Ó nosso Pai, nós, que antes éramos Teus inimigos, sem esperança, ainda assim fomos amados por Ti. Tu nos concedeste graça. Não apenas perdoaste os nossos pecados, mas nos chamaste de Teus próprios filhos; e somos, de fato, Teus filhos.
Não só isso, mas também nos chamaste para Te servir. Quem somos nós para que possamos servir a Ti, o grande Deus vivo? Ó nosso Pai, o simples pensamento de que nós, tais como somos, fomos chamados para Te servir nos humilha.
Ó nosso Pai, viemos a Ti para dizer que somos gratos por Tua misericórdia e graça. Reconhecemos que, mesmo em nosso melhor estado, somos apenas servos inúteis. Como olhamos para Ti, para que nos capacites a Te servir de uma maneira que agrade e satisfaça o Teu coração.
Nosso Pai, nós simplesmente nos colocamos diante de Ti nesta tarde. Oramos para que nos reveles a Tua Palavra. Que o Teu Espírito Santo nos coloque em qualquer área da obra que Deus deseja que realizemos e nos conceda fidelidade para Te servir.
Ó Senhor, reconhecemos que isso só é possível por Tua graça. Oramos para que, enquanto aprendemos a Te servir, sejamos conduzidos a saber como Te servir. Entregamos este tempo em Tuas mãos, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Gostaria de ler apenas um versículo de Atos 13:2.
E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-Me agora Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Esta sessão deve tratar da liderança na obra. Nas duas sessões anteriores, consideramos a questão da liderança na igreja. Mas hoje e amanhã à tarde, se Deus quiser, vamos considerar a liderança na obra.
Essa maneira de distinguir a igreja da obra tem, na verdade, o propósito de trazer clareza. Elas podem ser distinguidas, mas não podem ser separadas; e não devem ser totalmente separadas. Contudo, suas distinções precisam ser mantidas.
Quando falamos de liderança na igreja, provavelmente pensamos mais na liderança da igreja local. Não estamos falando da liderança na igreja universal, porque, quando se fala de liderança na igreja universal, entra-se no âmbito da obra.
Portanto, na verdade, quando falamos de liderança na igreja, pensamos mais em termos de liderança na assembleia local. Essa liderança, como nosso irmão já mencionou, é representada pelos presbíteros.
É claro que o que Deus realmente enfatiza não é o cargo; é a função. O cargo é secundário. A função é o principal.
A liderança na igreja é representada pelos presbíteros, mas não se limita aos presbíteros. A liderança na igreja inclui diáconos e diaconisas. Além deles, pode haver outros irmãos e irmãs que não ocupam nenhum cargo na igreja, mas são considerados líderes na igreja.
Por exemplo, em Atos 15, depois do concílio em Jerusalém, o Espírito Santo, os apóstolos e os presbíteros escreveram uma carta às igrejas entre os gentios. Quando enviaram essa carta por meio de Paulo e Barnabé, também enviaram com ela dois irmãos: Judas e Silas.
Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais também vos dirão de viva voz as mesmas coisas.
— Atos 15:27
Quem eram Judas e Silas? Em Atos 15:22, eles são descritos assim:
Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens de destaque entre os irmãos.
Eles eram líderes na igreja em Jerusalém, mas não eram presbíteros nem diáconos, até onde sabemos.
Portanto, além dos dois cargos na igreja local, encontramos outros irmãos que podem exercer liderança entre os irmãos. Silas e Judas estavam entre eles.
Em 1 Tessalonicenses 5:12, Paulo diz:
E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam;
E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra.
— 1 Tessalonicenses 5:12-13
Haverá aqueles que, de alguma maneira, assumem a liderança entre os irmãos. Esses irmãos devem ser honrados por causa de sua obra.
Não encontramos apenas irmãos que exercem liderança; encontramos também irmãs que são líderes na igreja, irmãs que exercem liderança entre as irmãs. Elas podem não ser diaconisas e, ainda assim, são líderes.
Por exemplo, em Romanos 16:1, Paulo recomenda Febe:
Nossa irmã, a qual serve à igreja que está em Cencreia.
Isso não significa necessariamente que ela fosse diaconisa. Provavelmente, Febe era mais como uma benfeitora na igreja em Cencreia, uma irmã que exercia liderança ali.
Na igreja em Roma, havia várias irmãs que exerciam liderança. Paulo fala de Maria:
Que trabalhou muito pelos crentes.
E de Pérside:
A amada, que muito trabalhou no Senhor.
Priscila, sem dúvida, também era uma irmã que exercia liderança.
Em Filipenses 4, encontramos Evódia e Síntique. Paulo as exorta a terem o mesmo modo de pensar no Senhor e pede que sejam ajudadas:
Porque trabalharam comigo no evangelho.
Essas duas irmãs exerciam liderança na igreja em Filipos.
Em Colossos, Paulo escreveu a Filemom e mencionou, em Filemom 1:2:
A irmã Áfia.
Muito provavelmente, ela era uma irmã que exercia liderança ali. Portanto, na liderança da igreja, encontramos presbíteros, diáconos e diaconisas, aqueles que ocupam cargos, e também outros irmãos e irmãs que talvez não ocupem nenhum cargo, mas são considerados líderes na igreja.
A liderança na igreja, na verdade, inclui muito mais do que os presbíteros. Os presbíteros representam a liderança, mas a liderança inclui muito mais do que apenas os presbíteros.
Agora chegamos à questão da liderança na obra. Antes de tudo, precisamos definir o que queremos dizer com a obra.
Em Atos 13, encontramos o Espírito Santo dizendo:
Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Aqui vocês veem a palavra obra.
A obra ali, é claro, é a obra apostólica, pois Barnabé e Saulo foram separados. Eles eram profetas e mestres na igreja em Antioquia, e Deus os separou e os enviou à obra de estabelecer igrejas em muitos lugares. Ao realizarem esse tipo de obra, foram chamados apóstolos.
Portanto, obra significa a obra de estabelecer igrejas, a obra dos apóstolos. A obra é representada pelos apóstolos.
Mas, embora a obra seja representada pelos apóstolos, eles não são os únicos envolvidos nela. Em Efésios 4:11, lemos:
E Ele deu uns para apóstolos; e outros, para profetas; e outros, para evangelistas; e outros, para pastores e mestres;
— Efésios 4:11
É verdade que a obra apostólica consiste em estabelecer igrejas por todo o mundo. Mas Cristo, nosso Cabeça, deu à igreja não apenas alguns apóstolos, mas também alguns profetas, evangelistas, pastores e mestres.
Nem todos são apóstolos. Contudo, esses profetas, evangelistas, pastores e mestres estão envolvidos na mesma obra que os apóstolos representam. Eles não estão fazendo outra obra. Estão envolvidos na mesma obra, embora não sejam apóstolos.
Há muitos anos, a maioria das pessoas no cristianismo pensava que os apóstolos se limitavam ao primeiro século, que já não temos apóstolos. Mas, nas últimas décadas, parece que o pêndulo foi para o outro extremo.
A palavra apóstolo, no original, significa “enviado”. A palavra moderna correspondente é missionário. Assim, de alguma maneira, parece que todo aquele que é enviado é um apóstolo, e as pessoas começaram a chamar a si mesmas de apóstolos porque sentem que foram enviadas.
Mas nem todos os que são enviados são apóstolos. Alguns podem ser profetas; alguns podem ser evangelistas; alguns podem ser pastores e mestres. Nem todos são apóstolos, embora todos possam estar envolvidos na obra.
A obra é representada pelos apóstolos, assim como a liderança na igreja é representada pelos presbíteros. Mas há outros líderes na igreja. Da mesma maneira, a liderança na obra é representada pelos apóstolos, mas há outros envolvidos na obra.
O que é, então, a obra?
Nosso Senhor Jesus, em João 5, curou um homem que estava enfermo havia trinta e oito anos. Ele fez isso no sábado. Os judeus disseram que Ele havia violado o sábado, mas nosso Senhor Jesus respondeu:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
— João 5:17
O Pai tem trabalhado, e o Filho faz a mesma obra que o Pai tem feito. O Filho e o Pai realizam uma só obra.
Deus realizou a obra da criação. Ele criou o mundo e, no sexto dia, descansou, porque a obra estava concluída. Mas, depois que o homem caiu, Deus veio ao jardim e perguntou a Adão:
Onde estás?
Daquele momento em diante, Deus tem trabalhado. Seu descanso sabático foi interrompido.
Deus tem trabalhado desde então. Ele nunca deixou de trabalhar. Quando Cristo veio a este mundo, Cristo trabalhou; e, em tudo o que Cristo fazia, Ele realizava a mesma obra que o Pai vinha realizando.
Na verdade, Deus tem apenas uma obra. Deus não está fazendo muitas obras; Deus está fazendo apenas uma obra. É a obra da redenção. É a obra da restauração. Deus está trabalhando para trazer todas as coisas de volta ao Seu propósito original na criação.
Essa é a única obra que Deus tem realizado desde a queda do homem. É a obra na qual nosso Senhor Jesus esteve envolvido enquanto estava na terra. É a obra que o Espírito Santo foi enviado para realizar nesta terra. É a mesma obra que os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres foram chamados a realizar.
Deus tem apenas uma obra. Ela é muito abrangente e inclui muitos aspectos, mas a obra é uma só: a obra de Deus.
Essa única obra de Deus consiste em encontrar uma noiva para o Filho, unir o Corpo ao Cabeça e criar um novo homem: Cristo como o Cabeça e a igreja como o Corpo. Essa obra consiste em edificar um templo, não com pedras, mas com pedras vivas: uma habitação para Deus no Espírito.
Os apóstolos são chamados a realizar a obra de estabelecer igrejas porque, pela edificação das igrejas locais, temos a igreja universal. É assim que Cristo edifica a Sua igreja.
Edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
— Mateus 16:18
Como Ele a edifica? Ele a edificou primeiro em Jerusalém, depois na Judeia, depois em Samaria, depois em Antioquia, depois na Ásia, depois na Europa, depois em Roma e em todas as partes do mundo. Ao edificar essas igrejas locais, Cristo edifica a Sua igreja sobre a Rocha.
Irmãos e irmãs, o problema hoje é que muitas pessoas estão trabalhando para Deus, mas talvez não estejam realizando a obra de Deus.
Muitas pessoas são muito ativas e muito zelosas. Muitas pessoas provavelmente se desgastam pela obra que consideram ser de Deus. Mas um dia, se nossos olhos forem abertos, talvez fiquemos surpresos ao ver que muitos estão trabalhando para Deus, mas não estão trabalhando na obra de Deus.
Um dia, muitos virão ao Senhor e dirão:
Senhor, Senhor, não expulsamos demônios em Teu nome?
Não pregamos o evangelho em Teu nome?
Mas o Senhor dirá:
Nunca vos conheci.
Eles faziam isso segundo sua própria vontade, não segundo a vontade Dele.
Paulo diz em 1 Coríntios 3:9:
Porque nós somos cooperadores de Deus: vós sois lavoura de Deus, edifício de Deus.
— 1 Coríntios 3:9
Aqueles que realizam a obra de Deus são cooperadores de Deus. A obra que realizam é a lavoura de Deus e o edifício de Deus.
Não são apenas os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres que estão envolvidos nessa obra de Deus. Há também outras pessoas envolvidas nessa obra. Elas podem não ser apóstolos, profetas, evangelistas, pastores ou mestres, mas estão envolvidas na obra de Deus.
Por exemplo, Lucas, o médico, estava muito envolvido na obra de Deus. Contudo, ele era médico.
Costuma-se dizer que, quando uma pessoa tem uma profissão antes de ser chamada à obra e passa a se dedicar inteiramente à obra, talvez já não seja chamada por sua profissão. Ela poderia ser chamada de Lucas, o evangelista. Mas a Escritura continua a chamá-lo:
Lucas, o médico amado.
Em outras palavras, ele continuou exercendo sua profissão. Nunca deixou de exercer a medicina. Contudo, Lucas, o médico, era companheiro de Paulo e estava muito envolvido na obra. Ele foi até chamado a escrever um dos Evangelhos e a nos dar a história da igreja primitiva em Atos.
Depois, é claro, temos Áquila e Priscila. Eles eram fabricantes de tendas, mas vemos na história da igreja como Deus usou esse casal. Embora fossem fabricantes de tendas, estavam intimamente ligados ao apóstolo Paulo e profundamente envolvidos na obra de Deus.
A igreja em Éfeso começou na casa deles. A igreja em Roma também se reunia na casa deles. Eles foram usados por Deus de maneira muito poderosa.
Se vocês observarem com atenção, talvez percebam que Priscila estava ainda mais envolvida na obra de Deus do que seu marido, Áquila. Talvez seja por isso que, quando se trata da obra, o Espírito Santo às vezes coloca Priscila antes de Áquila. Mas, quando a Escritura fala da ordem, é Áquila e Priscila. Seu maior envolvimento na obra não anulava a ordem de Deus.
Já mencionamos Evódia e Síntique, que trabalharam com Paulo no evangelho. Temos também Tércio, o secretário de Paulo. Paulo geralmente não escrevia suas próprias cartas, apenas as assinava no final. Ele ditava, e alguém escrevia para ele.
A carta aos gálatas parece ter sido escrita pela própria mão de Paulo, e ele disse:
Vede com que grandes letras vos escrevo de minha própria mão.
Provavelmente, ele tinha dificuldade para enxergar. Mas Tércio era um dos escribas que estavam com Paulo, ajudando-o a escrever as cartas. Ele também estava envolvido na obra de Deus.
Encontramos também Gaio. Ele não era apenas o hospedeiro de Paulo, mas também o hospedeiro de toda a igreja. Ele abria sua casa para exercer hospitalidade. Recebia Paulo, hospedava Paulo e recebia a igreja. Ele estava muito envolvido na obra de Deus.
Portanto, na Escritura, encontramos não apenas apóstolos e aqueles que são chamados por Deus ao ministério da Palavra, mas também outros irmãos e irmãs. Eles podem não ser apóstolos nem ministros da Palavra. Alguns até continuam em sua profissão, mas estão muito envolvidos na obra de Deus.
Na verdade, sem essas pessoas, a obra de Deus sofreria e talvez não fosse realizada.
Mesmo quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele chamou doze discípulos para serem apóstolos. Esses doze viajavam com Ele para ajudá-Lo em Sua obra. Mas, em Lucas 8, encontramos algumas irmãs que viajavam com Ele e sustentavam Cristo, servindo a Ele e aos apóstolos.
Essas irmãs estavam muito envolvidas na obra de Cristo. Sem o serviço delas, a obra sofreria.
Assim como acontece na igreja, a liderança na obra é representada pelos apóstolos. Mas há muitos outros irmãos e irmãs que estão envolvidos na obra e em sua liderança. Espero que isso fique muito claro para nós.
A obra e a igreja precisam ser distinguidas, mas não podem ser completamente separadas.
A obra é representada pelos apóstolos, e a igreja é representada pelos presbíteros. Mais uma vez, o que Deus realmente enfatiza não é o título; é a função.
Eu, pessoalmente, creio que há apóstolos hoje. Mas fico muito apreensivo com essa questão dos apóstolos, porque muitos que não são apóstolos se proclamam apóstolos. Por isso, prefiro não enfatizar o título.
Usamos a palavra apóstolo, mas lembrem-se de que ela representa uma função. Fundamentalmente, ela não enfatiza o título. Ter ou não o título de apóstolo realmente não importa.
Se uma pessoa anda por aí dizendo: “Eu sou apóstolo”, duvido que seja. Mas, se uma pessoa está exercendo a função de apóstolo, pessoas estão vindo a Cristo e igrejas estão sendo edificadas, então, mesmo que ela não tenha o título, creio que o céu a reconhece como tal.
Usamos a palavra apóstolo por conveniência, assim como usamos a palavra presbítero. Se alguém foi nomeado para um cargo ou não, isso, em última análise, não é o que importa. Se ele é presbítero em sua função, então é presbítero, porque foi designado por Deus.
Os apóstolos estão envolvidos em uma obra que vai além de uma localidade. A obra de um apóstolo não se limita a uma cidade; ela inclui várias cidades, uma área ou uma região.
Os doze apóstolos em Jerusalém não trabalhavam apenas em Jerusalém, mas em toda a Judeia e até em Samaria. Pedro foi a Cesareia. Paulo e aqueles que trabalhavam com ele não estavam limitados a Antioquia; sua obra se espalhou por toda a Ásia e atravessou para a Europa.
A obra dos apóstolos vai além de uma localidade, mas a igreja está limitada a uma localidade. A igreja em Jerusalém inclui todos os crentes que residem em Jerusalém. Os presbíteros da igreja em Jerusalém supervisionam o rebanho em Jerusalém. Sua autoridade e jurisdição estão limitadas a Jerusalém.
Os presbíteros em Jerusalém não podem controlar a igreja em Samaria. Eles são presbíteros apenas na igreja em Jerusalém. A igreja em Samaria tem seus próprios presbíteros.
Os apóstolos, porém, têm uma obra, uma jurisdição e uma autoridade espiritual que se estendem para além de uma localidade. Sua obra se estende pela região na qual Deus os colocou.
Algumas pessoas pensam que, se Deus as chamou para serem apóstolos, podem ir por todo o mundo e exercer autoridade apostólica. Mas será que Paulo poderia chegar a Jerusalém e dizer: “Sou apóstolo; portanto, vou mudar isto e mudar aquilo”? Não.
Paulo disse aos crentes de Corinto:
Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós.
Eles estavam em Cristo porque Deus havia usado Paulo para trazê-los à igreja.
Até mesmo a autoridade apostólica é de natureza espiritual. Ela se estende além da localidade, mas está limitada à região e à medida que Deus atribuiu a uma pessoa na obra. Quando Paulo chegou a Jerusalém, ele era um irmão na igreja ali e ouviu o que os presbíteros lhe disseram que fizesse.
Os apóstolos são responsáveis pela obra além dos limites de uma cidade, mas não devem ser diretamente responsáveis pela administração de uma igreja local.
Quando os apóstolos vão a um campo ainda não alcançado, como Paulo e Barnabé fizeram, vão de cidade em cidade pregando o evangelho. O Espírito de Deus opera, pessoas vêm ao Senhor e igrejas são levantadas.
Quando retornam, reconhecem e confirmam presbíteros nas igrejas que Deus os usou para edificar. Na verdade, é o Espírito Santo Quem designa os presbíteros; os apóstolos apenas reconhecem e confirmam o que o Espírito Santo fez.
Antes de uma igreja ser estabelecida, ela ainda está no âmbito da obra e nas mãos dos apóstolos. Nesse momento, os apóstolos supervisionam as coisas ali. Mas, assim que uma igreja é estabelecida e o Espírito Santo manifesta os irmãos que devem assumir a responsabilidade pela igreja local, os apóstolos devem se afastar dessa responsabilidade.
Eles não devem interferir na administração ou no governo da assembleia local. Se os apóstolos continuarem a interferir no governo da assembleia local, essa assembleia perderá sua independência. Os apóstolos controlariam todas as igrejas que edificaram, e isso se tornaria um sistema.
Os apóstolos, como líderes na obra, são responsáveis pela obra, mas não são diretamente responsáveis pela igreja que Deus levantou. Da mesma maneira, os presbíteros são responsáveis pela igreja na qual Deus os levantou, mas não são diretamente responsáveis pela obra para a qual Deus chamou os apóstolos.
Se os presbíteros tentarem controlar os apóstolos, então a igreja controlará a obra. A Escritura é muito clara: há uma esfera chamada obra e uma esfera chamada igreja. Na esfera da obra, os apóstolos são responsáveis. Na esfera da igreja, os presbíteros são responsáveis. Eles trabalham juntos.
Nenhum dos dois pode ser diretamente responsável pelo outro. Há sempre um relacionamento espiritual. Os apóstolos têm autoridade espiritual, mas não autoridade administrativa ou governamental sobre uma igreja.
Mesmo em Corinto, que foi levantada por meio do ministério de Paulo, quando havia pecado entre eles, Paulo não podia simplesmente dizer: “Eu expulso esse homem da assembleia”. Ele não podia fazer isso. Podia apenas exortá-los a fazê-lo.
Paulo usou autoridade e influência espirituais para ajudá-los, exortá-los e encorajá-los, a fim de que os presbíteros se levantassem para lidar com a situação. Graças a Deus, eles fizeram isso, e o homem se arrependeu e foi restaurado. Então Paulo os encorajou a demonstrar amor por ele, porque havia se arrependido.
Isso é autoridade espiritual. Não há nada de físico ou governamental nisso. Isso mantém a independência da assembleia local.
Ao mesmo tempo, a assembleia não pode controlar a obra. Se uma igreja está em uma condição espiritual adequada, deve se importar com a obra de Deus, não apenas em sua própria localidade, mas em todo o mundo.
A igreja deve apoiar a obra dos apóstolos, não por causa de uma obrigação de ordem material, mas por causa de um relacionamento espiritual.
Da mesma forma, os apóstolos não simplesmente deixam as igrejas depois que elas são estabelecidas, sem ter mais nada a ver com elas. Eles continuam a ter um coração de pai ou de mãe para com as igrejas.
Quando Paulo soube do que havia acontecido nas igrejas da Galácia, isso o feriu profundamente. Ele lhes escreveu, repreendeu-os, argumentou com eles e suplicou-lhes. Disse que estava novamente em dores de parto por eles. Esse é o relacionamento.
A obra e a igreja são distintas e devem ser distinguidas, mas vocês não podem separá-las. Elas trabalham juntas.
O que precisamos esclarecer novamente é isto: quem são nossos cooperadores? Quem são os obreiros?
Receio que haja um conceito comum. Tenho de dizer que, quando fui chamado pela primeira vez para me envolver na obra, eu tinha esse entendimento equivocado. Pensamos que aqueles que estão na obra, aqueles que são cooperadores, precisam atender a certas condições exteriores.
Primeiro, pensamos que eles não devem ter uma profissão ou um emprego. Se você ainda tem um emprego, não está na obra. Para estar na obra, precisa dedicar-se em tempo integral e não pode exercer nenhum outro trabalho.
Segundo, pensamos que você precisa viver pela fé. Não deve receber salário algum. Precisa viver pela fé, confiando em Deus para suprir todas as suas necessidades. Se você não tem um emprego secular e vive pela fé, então é considerado um cooperador envolvido na obra.
Se isso for verdade, então Paulo está desqualificado: um dos maiores obreiros está desqualificado para a obra. Por quê? Porque, embora Paulo estivesse tão envolvido na obra, de vez em quando ainda voltava a fabricar tendas.
Contudo, Paulo não era chamado de Paulo, o fabricante de tendas; ele era chamado de Paulo, o apóstolo. Qual é a diferença?
Outras pessoas fabricavam tendas e eram chamadas de fabricantes de tendas. Mas Paulo fabricava tendas e era chamado de Paulo, o apóstolo. Por quê? Porque fabricava tendas para ajudar a cumprir sua obra apostólica. Ele não fabricava tendas simplesmente para fabricar tendas; fabricava tendas a fim de cumprir sua função apostólica.
Quando estava em Corinto, ele fabricava tendas por causa da condição dos crentes ali. Queria ensinar-lhes uma lição. Trabalhava com suas próprias mãos e recusava o sustento deles, porque queria que recebessem o evangelho gratuitamente.
Mesmo em Éfeso, onde esteve por três anos, ele chamou os presbíteros e disse, em outras palavras: “Olhem para as minhas mãos”. Dizem que, naqueles dias, os fabricantes de tendas usavam um corante forte que manchava e até corroía as mãos. Contudo, Paulo podia levantar as mãos e dizer: “Com estas duas mãos, sustentei a mim mesmo e aos meus cooperadores”. Que mãos belas! Com aquelas duas mãos, ele cumpriu seu apostolado.
Irmãos e irmãs, lembremo-nos: não é uma questão de finanças. Quem não vive pela fé? Mesmo que você tenha um emprego, vive pela fé, porque amanhã pode não tê-lo.
Todos os crentes vivem pela fé, pela fidelidade de Deus. Todos nós vivemos pela fé, não apenas aqueles que servem a Deus. Todos devem servir a Deus. Não é uma questão de finanças ou de profissão. Essas coisas são secundárias.
O principal é isto: você se entregou totalmente a Deus e à Sua obra?
Todos os que se entregaram inteiramente a Deus e à Sua obra são cooperadores, sejam apóstolos, evangelistas, presbíteros, diáconos, líderes na igreja, médicos, fabricantes de tendas, escribas ou hospedeiros.
Qualquer pessoa que se entregou a Deus e à Sua obra é um cooperador. Todos nós estamos envolvidos na obra de Deus de muitas maneiras, mas estamos realizando a mesma obra.
Portanto, irmãos e irmãs, vocês podem se envolver. A única condição é: vocês se entregam inteiramente a Deus e à Sua obra? Às vezes, por causa da obra Dele, talvez precisem trabalhar com as próprias mãos. Mas, quando trabalham com as próprias mãos, é para a obra Dele, não para o próprio sustento.
Por fim, há algumas coisas necessárias para alguém que se envolve na obra de Deus. Como nosso irmão disse na segunda-feira à tarde, há muitos princípios em comum entre a liderança na igreja e a liderança na obra.
Antes de tudo, para se envolver na obra, você precisa do chamado.
Somos chamados a crer, somos chamados a seguir e somos chamados a servir. Esses três chamados são, na verdade, um só.
Somos chamados a crer. Em Mateus 11, o Senhor disse:
Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos darei descanso.
— Mateus 11:28
Esse é um chamado a crer, um chamado a vir. Todos nós somos chamados a vir e, graças a Deus, viemos. Mas, depois que viemos, o Senhor Jesus diz:
Segue-Me.
Todos nós somos chamados a segui-Lo. Ou seja, não somos chamados apenas a ser crentes, mas somos chamados a ser discípulos de Cristo. Ser discípulo de Cristo é um chamado, e todo aquele que crê foi chamado. Mas nem todos respondem a esse chamado.
Você pode estar satisfeito por ter respondido ao chamado para vir, mas Cristo nunca está satisfeito se você não responde ao chamado para seguir.
Suponha que você responda ao chamado para crer e também ao chamado para seguir. Então descobrirá que é chamado para servir; você é chamado à obra.
Lembrem-se da parábola em que o dono da vinha saiu de madrugada e encontrou pessoas paradas na praça. Ele fez um acordo com elas e as enviou à vinha. Mais tarde, encontrou outros que ainda estavam parados, sem trabalhar, e os enviou ao trabalho. Mesmo na última hora, havia pessoas paradas ali, e ele disse:
Por que estais aqui ociosos todo o dia?
Eles responderam:
Porque ninguém nos contratou.
Ele disse:
Ide vós também para a vinha.
Em um sentido geral, todos nós somos chamados à obra.
Se você não respondeu ao chamado para crer, então não pode verdadeiramente seguir. Um escriba veio ao Senhor e disse:
Mestre, seguir-Te-ei para onde quer que fores.
O Senhor lhe disse:
As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a Sua cabeça.
— Mateus 8:20
Por que o Senhor o desencorajou? Porque ele ainda não havia vindo como crente. Se não era crente, como poderia ser discípulo? O Senhor só faria discípulos daqueles que cressem Nele.
Então veio um discípulo e disse:
Senhor, permite-me primeiro ir sepultar meu pai.
O Senhor disse:
Segue-Me; e deixa aos mortos sepultar os seus próprios mortos.
Por quê? Porque ele já era crente.
Foi somente entre os discípulos que o Senhor chamou apóstolos para estarem com Ele e serem enviados por Ele. Portanto, o princípio é que precisa haver um chamado. Você precisa ouvir o chamado para vir, ouvir o chamado para seguir e seguir, e então ouvir o chamado para servir.
Embora o chamado venha a todos, quando vem, é muito específico. Alguns são chamados para serem apóstolos, alguns profetas, alguns evangelistas, alguns pastores e mestres, alguns médicos, alguns escribas e alguns hospedeiros. Mas há um chamado divino.
Com esse chamado divino, há um compromisso. Desse compromisso, a obra começa. Não há nada de vago nisso.
Você sente o chamado de Deus e, quando o chamado vem, sabe em que parte da obra Deus quer que se envolva. Você assume um compromisso com o Senhor e recebe capacitação do Espírito Santo para cumprir seu chamado.
Isso não é algo que vem dos homens. O apóstolo Paulo disse em Gálatas 1:1:
Paulo, apóstolo, não da parte dos homens, nem por meio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que O ressuscitou dentre os mortos.
— Gálatas 1:1
Cada um de nós que está realmente envolvido na obra precisa receber esse chamado de Deus. É uma designação divina e, portanto, exige compromisso total.
Segundo: visão. Todo aquele que é chamado à obra de Deus precisa enxergar o que é a obra.
O problema hoje é que muitos estão trabalhando, mas não sabem o que estão fazendo. Mesmo que saibam o que estão fazendo, talvez não saibam o que Deus está fazendo.
Precisamos de visão. Precisamos enxergar o que é a obra de Deus.
Moisés não pôde começar a realizar a obra de Deus até ver aquela visão no deserto. Ele tinha um senso de chamado. De alguma maneira, sua mãe deve ter incutido nele um senso de destino, um senso de chamado, enquanto ele ainda mamava em seu peito.
Moisés tinha consciência de seu chamado, mas não tinha visão. Tentou cumprir seu chamado por conta própria, e foi um fracasso total. Então viu a sarça ardente e o Anjo do Senhor no meio da sarça ardente.
Com aquela visão e aquele conhecimento, ele foi capaz de cumprir seu chamado, apesar de todas as dificuldades, fracassos e problemas. Aquela visão o impediu de se desviar para a direita ou para a esquerda.
Vejam Paulo. Até o fim, ele disse:
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
— Atos 26:19
Ele viu a visão celestial, e aquela visão governou a vida e o ministério de Paulo. Ela o capacitou a passar por todos os sofrimentos e tribulações. Mesmo que toda a Ásia o abandonasse, ele continuaria obediente àquela visão.
Irmãos e irmãs, é disso que precisamos. Precisamos da visão celestial. É claro que as pessoas podem ter esta ou aquela visão, mas, acima de todas essas visões, precisa haver a visão celestial que nos mostra o que Deus está fazendo.
Essa visão revela a natureza da obra de Deus. Ela mostra que é Deus Quem realiza a obra. Ninguém pode realizar a obra de Deus, a não ser o próprio Deus. Você é chamado a cooperar, mas, na verdade, Ele é Quem a realiza em você e por meio de você. Não é você quem a realiza.
Você precisa de uma visão que o guie, que o forme, que lhe dê direção, paciência e longanimidade.
Muitas pessoas estão trabalhando fielmente. Muitas pessoas se sentem chamadas a trabalhar para Deus. Muitas pessoas têm dons e os exercem fielmente. Mas a pergunta é: isso é a obra de Deus, ou elas estão edificando suas próprias obras? Isso é falta de visão.
Quando Paulo viu a obra de Deus, ele não estava edificando seu próprio reino nem sua própria obra. O mesmo aconteceu com os outros apóstolos.
Uma visão sem uma tarefa faz um visionário.
Uma tarefa sem uma visão é trabalho penoso.
Uma visão com uma tarefa faz um missionário.
Terceiro: fidelidade.
Em 1 Coríntios 4:1-2, Paulo diz:
Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus.
Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um seja encontrado fiel.
— 1 Coríntios 4:1-2
A fidelidade é uma qualidade importante em um obreiro. Não a esperteza. A esperteza às vezes pode se tornar um verdadeiro problema, e frequentemente se torna. Mas a fidelidade é o que se exige de um despenseiro, de um obreiro.
É claro que você não pode ser fiel se não enxerga e não conhece. Você não sabe a quem ser fiel nem ao que ser fiel. Paulo menciona repetidas vezes que Deus o considerou fiel. Ele era fiel a Deus e, porque era fiel, Deus o usou.
Fidelidade significa fé e amor, diligência e obediência.
Não se pode confiar em algumas pessoas. Você lhes dá uma tarefa, e elas prometem realizá-la, mas nunca a realizam, ou a deixam pela metade. Isso é infidelidade.
Deus está procurando homens e mulheres fiéis a cujos ombros Ele possa confiar essa tremenda obra.
Por fim, como nosso irmão já mencionou, humildade.
Deus dá graça aos humildes, mas resiste aos soberbos.
— Tiago 4:6
Não podemos servir a Deus com nossa própria força. É com graça que servimos. Mas, se não formos humildes, não teremos essa graça.
O perigo da liderança é este: se Deus usa você, e parece que sua obra prospera, tem sucesso e conta com a bênção do Senhor, há o perigo de se tornar orgulhoso, autoritário, arrogante e autoconfiante.
Isso tem sido a destruição de muitos obreiros na igreja e na obra.
Que o Senhor nos mantenha humildes. Depois de concluirmos a obra, que possamos voltar e dizer:
Senhor, somos apenas servos inúteis.
Afinal, Ele realiza a obra. Somos apenas instrumentos, canais; isso é tudo. Não há nada de que se orgulhar. Somos ainda mais humilhados ao perceber que Ele pode usar, e usará, pessoas tais como nós somos. Isso nos torna mais humildes.
A humildade é necessária em um obreiro.
Portanto, irmãos e irmãs, nesta tarde apenas apresentamos a vocês uma espécie de esboço. Quero encorajar todos os irmãos e irmãs: todos nós podemos estar envolvidos na obra, assim como todos nós estamos envolvidos na igreja.
Mas como? Há certas condições. Se você cumprir essas condições, estará apto nas mãos de Deus, e Ele poderá usá-lo. Vamos orar?
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos por nos teres chamado para ser a Tua igreja, e até mesmo para ser filhos e filhas, a fim de que sejamos conformados à imagem de Cristo.
Como Te louvamos e agradecemos por também nos teres chamado para trabalhar juntamente Contigo naquela obra que tens diante de Ti. Ó nosso Pai, isso nos humilha tanto. Não somos dignos nem sequer de ser chamados de Teus filhos.
Muito menos somos dignos de ser chamados de Teus cooperadores, para trabalhar juntamente com Deus. Ó Senhor, não permitas que toquemos a Tua obra com a mão da carne.
Que a obra da cruz opere profundamente em nós, para que, ao nos envolvermos na Tua obra, seja porque Tu primeiro operaste em nós.
Ó Senhor, desejamos ver a Tua obra realizada e concluída rapidamente, para que Tu possas descansar e nós possamos descansar em Ti. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Agora, se Deus quiser, amanhã à tarde teremos um tempo de perguntas e respostas, dentro do âmbito da liderança na obra.
Se algum irmão ou irmã tiver perguntas reais ou problemas reais — esperamos que não sejam hipotéticos, mas problemas reais — e sentir que eles seriam úteis a outros irmãos e irmãs, esperamos que os escreva em um papel e os entregue a quem compartilhar na reunião desta noite.
Então poderemos reunir essas perguntas e, se Deus quiser, amanhã procuraremos compartilhar sobre elas. Se houver tempo, talvez tenhamos um período aberto depois que as perguntas forem respondidas, e qualquer pessoa que desejar fazer alguma pergunta naquele momento poderá fazê-lo.