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    The Blessing of Unity © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Blessing of Unity
    The Blessing of Unity
    Kaung, Stephen

    A unidade cristã e a bênção da vida

    Leitura bíblica: Salmo 133

    Cântico dos degraus, de Davi.
    Oh! Quão bom e quão suave é
    Que os irmãos vivam em união!
    É como o óleo precioso sobre a cabeça,
    Que desce sobre a barba,
    A barba de Arão;
    Que desce à orla das suas vestes;
    Como o orvalho do Hermom,
    Que desce sobre os montes de Sião:
    Porque ali o Senhor ordena a bênção,
    A vida para sempre.

    Voltemo-nos ao Senhor em oração.

    Nosso Pai celestial, ao nos reunirmos em nome do Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, inclinamos o coração diante de Ti com gratidão. Oh, como Te louvamos e agradecemos por tudo o que fizeste por nós em Cristo Jesus. Tu nos deste o Teu Filho e, com Ele, todas as coisas.

    Nós Te louvamos e agradecemos por toda a Tua misericórdia, graça e amor que experimentamos nestes últimos dias. Nós Te louvamos e agradecemos pela Tua fidelidade em nos trazer até aqui. Oh, nosso Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque não há limite para a Tua misericórdia, não há limite para a Tua graça e não há limite para as riquezas que estão em Cristo.

    Assim, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, nós nos abrimos a Ti mais uma vez. Queremos contemplar a glória do Senhor com o rosto descoberto e ser transformados de glória em glória à Sua imagem, pelo Senhor, o Espírito.

    Oh, como Te louvamos e agradecemos porque o Espírito Santo está aqui, e Ele está realizando a obra para a qual foi enviado. Portanto, nosso Pai, nós nos entregamos às Tuas mãos e confiamos no Teu agir em nós nesta manhã, bem como durante todo o dia. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    A unidade do Espírito

    Durante estas sessões da manhã, nosso assunto é esta questão da unidade cristã.

    Nosso Senhor Jesus esteve na terra por mais de três anos. Então, perto do fim de Sua vida terrena, Ele voltou o coração para Seu Pai e orou pelos Seus. A oração que nosso Senhor Jesus fez por nós concentra-se em uma coisa: que todos os que creem Nele sejam um, assim como Ele e o Pai são um.

    Essa unidade do povo de Deus tem como modelo a unidade na Divindade. Ela não deve ser, em sentido algum, inferior àquela unidade. Assim como o Pai está no Filho, e o Filho está no Pai; assim como o Pai e o Filho têm comunhão um com o Outro no Espírito, em tão perfeita harmonia, a oração do nosso Senhor Jesus pelo Seu povo não visa nada menos do que isso.

    Deus colocou todos nós em Cristo, e Cristo está em todos nós. Portanto, Ele espera que sejamos um. Ele espera que tenhamos comunhão uns com os outros, e essa comunhão deve ser sem sombra alguma. Essa é a oração, o desejo, o anseio do coração do nosso Senhor.

    Então, para que essa unidade seja uma realidade, Deus nos deu um dom extraordinário, um dom muito precioso: a unidade do Espírito. Repetidas vezes, dizemos que não podemos produzir essa unidade. Não podemos criá-la nem fabricá-la. Mas louvamos e agradecemos a Deus porque Ele nos deu a unidade do Espírito.

    Um só corpo: todos nós pertencemos a um só corpo. Em um só Espírito, fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gentios, e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

    Uma só esperança da nossa vocação: quando o corpo estiver plenamente amadurecido, a Cabeça voltará para tomar esse corpo como Sua noiva. Essa é a única esperança da nossa vocação, e essa é a obra do Espírito Santo em cada um de nós e no corpo. Ele nos conduzirá a essa maturidade para Cristo, para essa união eterna com Cristo.

    Um só Senhor: temos apenas um Senhor. Jesus é o Senhor. Uma só fé: cremos que Ele é o Cristo, o Ungido de Deus, o Filho do Deus vivo. Um só batismo: todos fomos batizados em Seu nome; pertencemos a Ele.

    Um só Deus, que é Pai de todos nós. Ele não é apenas nosso Deus, nosso Criador; Ele também é nosso Pai. O Espírito Santo testifica com o nosso espírito, e clamamos: “Aba, Pai”. Ele está sobre todos, age por meio de todos e está em todos.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, Deus nos deu a unidade do Espírito. Ela é nossa. A única coisa que Ele exige de nós é que a guardemos — que a guardemos diligentemente. Não se afastem da base da unidade.

    Ao encontrar seus irmãos e irmãs, ao encontrar qualquer crente, qualquer filho de Deus, encontrem-no sobre a base da unidade do Espírito. Se nos encontrarmos com nossos irmãos e irmãs nessa unidade do Espírito, poderemos ter comunhão uns com os outros. Poderemos receber uns dos outros a graça e o dom que Deus deu a cada um.

    Por meio do ministério e da comunhão, chegaremos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus. É assim que crescemos da infância à maturidade.

    Sem guardar a unidade do Espírito, jamais poderemos alcançar a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus. Jamais poderemos crescer adequadamente. Permaneceremos crianças em Cristo. Seremos lançados de um lado para outro e levados por todo vento de ensino dos homens.

    Mas somente quando guardamos a unidade do Espírito é que podemos ter comunhão. Ficamos abertos aos ministérios que Deus deu à igreja e, por meio deles, podemos crescer até a maturidade, até a medida da estatura da plenitude de Cristo. Seremos edificados juntos em amor.

    As causas da desunião entre o povo de Deus

    Também consideramos um pouco esta questão das causas da desunião entre o povo de Deus. Parece-me bastante surpreendente encontrar desunião não apenas na igreja em Corinto, mas até mesmo na igreja em Filipos.

    A igreja em Corinto era composta de pessoas que pertenciam ao Senhor, mas que eram carnais. Viviam segundo a carne, e as obras da carne eram evidentes, manifestas, no meio delas. Havia conflitos, contendas, espírito partidário e todas aquelas divisões entre elas. Era simplesmente a manifestação da carne.

    Como precisavam da cruz do Senhor Jesus! Precisavam conhecer a cruz como o lugar onde o eu é crucificado, para que fossem libertos das obras da carne e pudessem ser um.

    Mas vemos isso acontecer não apenas na igreja em Corinto; vemos que a desunião também pode ser encontrada na igreja em Filipos. Era uma igreja bem estabelecida. Era uma igreja modelo, se é que existe uma igreja modelo.

    Era uma igreja em que os irmãos e irmãs estavam unidos na pregação do evangelho. Havia exortação em Cristo, consolação de amor, comunhão no Espírito, ternura e compaixão entre eles. Pensaríamos que, com todas essas coisas entre eles, certamente eram um. Certamente não haveria desunião.

    Mas, por estranho que pareça, encontramos rivalidade entre eles. Havia vanglória; havia competição. Competiam uns com os outros para ver quem era o maior, e tudo isso em busca de grandeza espiritual.

    De alguma maneira, o inimigo enganou a mente deles. Pensavam que estavam agindo pelo Senhor. Pensavam que era para a glória de Deus. Não sabiam que buscavam vanglória. Simplesmente não conseguiam esquecer-se de si mesmos. Insistiam em seus próprios direitos, suas próprias opiniões, sua própria maneira de pensar, e, por causa disso, havia desunião.

    Por isso, a exortação do apóstolo Paulo à igreja em Filipos foi:

    Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.

    O que é a mente de Cristo? Ele, que era igual a Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse apegar-Se; pelo contrário, esvaziou-Se. Tomou a forma de servo. Sendo semelhante aos homens, humilhou-Se ainda mais e tornou-Se obediente ao Pai até a morte — sim, a morte de cruz.

    Em outras palavras, a mente de Cristo é o desprendimento de Si mesmo. O que é humildade? Humildade não é pensar menos de si mesmo; é não pensar em si mesmo.

    Queridos irmãos e irmãs, enquanto esse eu estiver em nós — seja o eu feio, que se encontra em todas as obras da carne, seja um eu bonito, que parece muito espiritual e desejoso de Deus —, de repente descobrimos que ainda é o eu.

    Como precisamos ser libertos de nós mesmos! Nós mesmos somos o maior inimigo da nossa vida espiritual. Pelo lado negativo, precisamos da cruz para tratar a nossa carne. Pelo lado positivo, precisamos ter a mente renovada, para que tenhamos a mente de Cristo.

    A renovação da mente

    Não temos tempo para entrar nesta questão de como a nossa mente é renovada, mas acho que preciso falar um pouco sobre isso antes de prosseguirmos.

    Vocês sabem, depois que somos salvos, mesmo que haja alguma mudança em nossa maneira de pensar por dependermos do Senhor, basicamente essa mente ainda é a velha mente. Em outras palavras, embora sejamos salvos — e especialmente durante aquele breve período logo após a salvação —, parece que nossa mente está voltada para as coisas celestiais.

    No entanto, logo vocês perceberão que a velha maneira de pensar começa a reaparecer. Logo se revela a maneira como olhamos para as coisas, como as valorizamos, como as avaliamos — nossa perspectiva mental, nossas decisões. Vocês perceberão que ela não é diferente do que era antes.

    Temos um novo coração, mas ainda carregamos uma velha mente. Esse tem sido o problema da maioria dos crentes. Precisamos ter a mente renovada.

    Agora, como a nossa mente é renovada? Muito brevemente, para que nossa mente seja renovada, precisamos apresentar o nosso corpo como sacrifício vivo.

    A consagração e a renovação da mente

    Em Romanos 12:1-2, Paulo diz:

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
    Que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo,
    Santo e agradável a Deus,
    Que é o vosso culto espiritual.
    E não vos conformeis com este mundo;
    Mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
    Para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

    Agora, irmãos e irmãs, no versículo 2 temos a renovação da mente. Por meio da renovação da mente, vocês são transformados. Mas como isso acontece? Acontece por meio do versículo 1: apresentem o seu corpo como sacrifício vivo. A consagração tem muito a ver com a renovação da mente.

    Depois que somos salvos, precisamos ser constrangidos pelas misericórdias de Deus. Não podemos simplesmente receber as misericórdias de Deus e não dar nenhuma resposta. Já que recebemos as misericórdias de Deus, a nossa resposta mais natural é apresentar o nosso corpo como sacrifício vivo.

    Em outras palavras, percebemos que não temos o direito de viver para nós mesmos. Percebemos que não temos direitos sobre nós mesmos. Percebemos que pertencemos a Ele. Ele nos comprou por um preço. Percebemos que, mesmo que Ele nos deixasse ir, não iríamos. Percebemos que precisamos nos entregar a Ele, não apenas para sermos Dele, mas para permitir que Ele faça conosco tudo o que julgar apropriado e nos use da maneira que desejar.

    Portanto, irmãos e irmãs, a consagração — apresentar o nosso corpo — é algo muito prático. Em outras palavras, não é uma teoria; não é uma ideia. A razão pela qual Paulo diz: “Apresentem o seu corpo” é que esse corpo é algo muito concreto.

    Deus deve usar esse corpo. Deus vive nesse corpo e deve manifestar a Sua vida por meio dele. Ele deve expressar-Se por meio desse corpo. Mas como? Vocês precisam render-se. Precisam ceder. Precisam entregar-se. Precisam dar-se a Ele voluntariamente, de boa vontade, para que o Espírito Santo tome vocês em Suas mãos e os transforme.

    Portanto, irmãos e irmãs, a consagração é a primeira experiência cristã depois da salvação. A consagração não é algo que vocês fazem uma única vez e pronto. É preciso haver um começo, e depois ela precisa continuar dia após dia.

    É como o holocausto que os filhos de Israel ofereciam a Deus: um cordeiro pela manhã e um cordeiro à tarde. Sobre o altar, o holocausto estava sempre presente, dia e noite. Pela manhã, colocava-se um cordeiro sobre o altar, e ele era gradualmente consumido pelo fogo. Ao chegar a tarde, o cordeiro havia sido reduzido a cinzas; colocava-se então o cordeiro da tarde, para que o fogo do holocausto nunca se apagasse.

    Aqui, irmãos e irmãs, temos uma figura de apresentar o nosso corpo como sacrifício vivo. Isso precisa ser renovado pela manhã e à tarde. Precisa continuar dia após dia. O fogo da consagração nunca deve se apagar.

    Ao apresentarmos o nosso corpo como sacrifício vivo, o Espírito Santo faz algo em nossa vida: Ele renova a nossa mente. Queridos irmãos e irmãs, vocês não podem renovar a própria mente. É o Espírito Santo Quem renova a mente de vocês.

    Em outras palavras, Ele muda tanto a mente de vocês que passam a pensar de modo diferente e a enxergar de modo diferente. Antes, vocês olhavam para o mundo e o achavam tão atraente, tão belo. Não é de admirar que se conformassem com o mundo.

    Mas agora vocês olham para o mundo e para as coisas do mundo, como diz Paulo, e veem todas essas coisas como refugo, como escória, sem valor algum. Preferem jogá-las fora.

    Por outro lado, antes de a mente ser renovada, quando pensavam na vontade de Deus, vocês tremiam. Como dizem alguns jovens: “O que é a vontade de Deus? Tudo o que é contra mim é a vontade de Deus”. Há alguma verdade nisso.

    Por causa disso, não é de admirar que tenham medo da vontade de Deus. Mas, com a renovação da mente, vocês começam a amar a vontade de Deus. Ela é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Não há nada mais doce do que a vontade de Deus, queridos irmãos e irmãs. Isso acontece porque a mente é transformada.

    Não é verdade que às vezes vocês têm uma questão pendente com o Senhor? O Senhor pode querer alguma coisa de vocês, ou pode exigir alguma obediência, e, no entanto, vocês descobrem que não conseguem abrir mão daquela coisa. Não conseguem abrir mão de si mesmos.

    Vocês lutam com o Senhor e descobrem que Ele Se tornou um Mestre severo para vocês. Tentam negociar e chegar a um acordo, mas percebem que Ele não vai discutir com vocês. Ele parece permanecer muito firme em Sua exigência. Às vezes, vocês se perguntam por que o Senhor é tão severo. Lutam e lutam, até que um dia se veem sem conseguir superar aquele problema.

    Como vocês superam esse problema? Um dia, o amor de Cristo toca vocês, e vocês se rendem diante do Senhor e dizem: “Oh, Senhor, sou Teu. Entrego-me a Ti mais uma vez. Seja qual for a Tua vontade, que ela seja feita”.

    Quando consagram novamente a vida ao Senhor, é curioso: de repente, vocês olham para as coisas de modo diferente. Aquilo que se erguia diante de vocês como uma montanha torna-se um montículo. Não é difícil abrir mão. Vocês descobrem que obedecer é o que devem fazer e se perguntam por que não obedeceram antes. Por que toda aquela agitação?

    Sabem por quê? Porque a mente de vocês foi renovada. Queridos irmãos e irmãs, precisamos ter a mente renovada, apresentando continuamente o nosso corpo como sacrifício vivo.

    O despojamento do velho homem e o revestimento do novo homem

    Depois, é claro, temos Efésios 4.

    Em Efésios 4:20-24, lemos:

    Mas vós não aprendestes assim a Cristo;
    Se é que O ouvistes e Nele fostes ensinados,
    Como está a verdade em Jesus:
    Que, quanto ao vosso trato passado, vos despojeis
    Do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano;
    E vos renoveis no espírito da vossa mente,
    E vos revistais do novo homem,
    Que, segundo Deus, foi criado em justiça e santidade da verdade.

    Aqui encontramos o despojamento do velho homem, o revestimento do novo homem e a renovação no espírito da nossa mente.

    Irmãos e irmãs, para experimentar de fato a renovação da mente em nossa vida diária, precisamos firmar-nos na obra consumada de Cristo na cruz. Por quê? Porque ali, na cruz, nosso Senhor Jesus já levou consigo o velho homem, e este foi crucificado Nele e com Ele.

    Em Romanos 6:6, está escrito que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo. Agora, aqui vemos que esse velho homem é como uma roupa. Vocês vestiram o velho homem; ele é como uma roupa. É a conduta, o comportamento, a maneira de viver do velho homem.

    O velho homem é como uma roupa que vocês vestem. Agora, precisam fazer uma coisa: precisam despojar-se do velho homem, assim como tiram uma roupa velha.

    Com base no fato de que o velho homem foi crucificado com Cristo, vocês podem despojar-se dele. Se o velho homem não tivesse sido crucificado com Cristo, aquela roupa velha ficaria grudada ao corpo, e não haveria maneira de tirá-la. Mas, como o velho homem já foi crucificado, é possível nos despojarmos dele e de sua antiga maneira de viver.

    Isso é algo que vocês precisam fazer. Sabem, irmãos e irmãs, quando falamos desta questão da crucificação com Cristo, em certo sentido é verdade que não há nada que possamos fazer. Como nosso irmão disse, vocês não podem crucificar a si mesmos. Quem crucificou vocês? Foi Deus.

    Quando Cristo foi crucificado, vocês foram crucificados em Cristo por Deus. Isso é algo que Ele fez por vocês. Porque Ele fez isso por vocês, está feito. Portanto, vocês não precisam fazer nada para realizar a crucificação do velho homem.

    Mas será que vocês simplesmente ficam sentados, passivamente, e dizem: “Já que Deus fez isso, meu velho homem foi crucificado; portanto, não existe mais velho homem”? Vocês descobrirão que o velho homem é como uma roupa que fica grudada em vocês. Ela adere tão de perto ao corpo que parece impossível simplesmente arrancá-la. Se a arrancarem, arrancarão a si mesmos.

    Irmãos e irmãs, a verdade de Deus é muito equilibrada. Por um lado, não podemos crucificar o velho homem. O velho homem foi crucificado em Cristo, na cruz, por Deus. Mas, por outro lado, precisamos crer nisso. Precisamos crer que o nosso velho homem foi crucificado.

    Agora, se cremos que o nosso velho homem foi crucificado, por que ainda deixamos esse velho homem sobre o nosso corpo? Aqui está algo que precisamos fazer ativamente. Com base no fato de que o nosso velho homem foi crucificado, nós nos despojamos ativamente dele, com sua antiga maneira de viver, corrompida pelas concupiscências enganosas.

    Não temos nenhuma obrigação para com a carne. Não estamos sob nenhuma obrigação para com a carne. Pelo contrário, podemos nos despojar dela.

    No espírito da nossa mente, em nossa atitude mental, tomamos uma posição, dizendo que não queremos o velho homem com sua antiga maneira de viver. Não queremos mais viver da maneira como ele vivia antes. Eu digo: nós nos despojamos dele ativamente.

    E, pela fé, ativamente, nós nos revestimos do novo homem. Já estamos no novo homem, mas, com base no fato de que já estamos nele, nós nos revestimos do novo homem, criado em justiça e santidade da verdade.

    Então, em outras palavras, depois de apresentarmos o nosso corpo como sacrifício vivo, no espírito da nossa mente estamos decididos a nos despojar do velho homem, com sua antiga maneira de viver, e a nos revestir de Cristo e de tudo o que é de Cristo.

    A demolição das fortalezas mentais

    Depois, em 2 Coríntios 10:4-5:

    Porque as armas da nossa milícia não são carnais,
    Mas poderosas em Deus para a destruição das fortalezas;
    Destruindo os raciocínios e toda altivez
    Que se levanta contra o conhecimento de Deus,
    E levando cativo todo pensamento
    À obediência de Cristo.

    Depois de assumir essa atitude, essa posição em Cristo, vocês perceberão, até mesmo na vida diária, que começam a descobrir muitas fortalezas na mente. O inimigo construiu fortalezas ao longo de toda a vida de vocês até aquele momento.

    Há tantos preconceitos. Há tantos bloqueios. Sabem, quando determinada verdade é mencionada, há um bloqueio mental. Algumas pessoas simplesmente não conseguem superá-lo, por mais que vocês expliquem. É um bloqueio mental.

    É como quando nosso Senhor estava na terra. Ele procurou dizer aos Seus discípulos, três vezes, que precisava ir a Jerusalém e ser crucificado, mas havia um bloqueio mental na mente dos discípulos. Eles nunca compreenderam. Palavras tão claras, mas eles nunca compreenderam. Por quê? Porque havia fortalezas na mente deles.

    Portanto, irmãos e irmãs, quando vocês apresentam o seu corpo e tomam a posição de se despojar do velho homem, com sua antiga maneira de viver, e de se revestir somente de Cristo e de tudo o que é de Cristo, então descobrirão que o Espírito Santo lhes revelará onde estão as fortalezas.

    Vocês começam a enxergar essas fortalezas. Antes disso, nem sequer as enxergavam. Nem sequer percebiam que havia essas fortificações do inimigo na mente de vocês.

    Mas, depois de se oferecerem como sacrifício vivo e tomarem uma posição por Cristo, começam a perceber as fortalezas na mente. Quando o Espírito Santo revela essas fortalezas, vocês descobrem que, com base na vitória de Cristo na cruz, pelo poder do Espírito Santo, podem derrubá-las, destruí-las e levar todo pensamento à obediência de Cristo.

    Como dissemos ontem, a mente é um campo de batalha. A batalha continuará, mas, graças a Deus, antes de a batalha ser travada, a vitória já foi conquistada. Isso é por meio da vitória de Cristo na cruz.

    Portanto, sempre que encontrarem uma dessas fortalezas, simplesmente, pelo poder do Espírito Santo, submetam-na à vitória de Cristo, e descobrirão que as fortalezas serão derrubadas. Vocês poderão ver seus pensamentos tornando-se obedientes a Cristo.

    Haverá batalha, mas não precisamos ter medo dessas batalhas, porque sabemos onde está a vitória.

    Assim, queridos irmãos e irmãs, se todos tivermos a mente renovada, descobriremos que seremos libertos de nós mesmos. Haverá esquecimento de nós mesmos, e esse esquecimento de nós mesmos estabelecerá o fundamento da unidade entre o povo de Deus.

    O Salmo 133 e a visão da unidade

    Agora, voltemos ao Salmo 133. Esta será a última sessão desta conferência sobre esse assunto. Portanto, não quero encerrar este assunto sem uma nota de triunfo, uma nota de alegria. O Salmo 133 é esse cântico.

    É um cântico dos degraus, de Davi. Este é um cântico escrito por Davi. Muito provavelmente, Davi escreveu este cântico quando viu algo acontecer entre os filhos de Israel.

    Vocês se lembram: segundo a lei de Moisés, todos os homens dentre os filhos de Israel deviam ir a Jerusalém três vezes por ano, para adorar a Deus e comparecer diante Dele no santo templo.

    Assim, embora os filhos de Israel — as doze tribos de Israel — estivessem espalhados pela terra prometida, todos os anos havia ocasiões em que essas pessoas, dispersas por toda a terra, voltavam a reunir-se em Jerusalém.

    Por exemplo, durante a Festa dos Tabernáculos, vocês veriam os filhos de Israel chegando a Jerusalém. Não apenas todas as casas podiam estar cheias, mas todos os terrenos vazios ficavam ocupados por tendas, por toda parte. Vocês veriam os filhos de Israel reunindo-se para adorar o Senhor e servi-Lo.

    Era uma visão gloriosa. Vocês viam pessoas do norte descendo e pessoas do sul subindo. Viam pescadores chegando, agricultores chegando, pastores chegando. Viam pessoas de todos os tipos, com todo tipo de origem e de costumes locais.

    No entanto, quando essas pessoas se reuniam em tão grande número, habitavam juntas em unidade — pelo menos durante a festa.

    Vocês viam que o coração delas estava inteiramente voltado para Deus. Ouviam como eram exortadas. Viam como a Palavra de Deus lhes era lida e explicada. Viam como expressavam seu amor a Deus, oferecendo-Lhe ofertas de amor. Viam como compartilhavam uns com os outros as ofertas pacíficas.

    Havia tanto amor, tanta unidade entre o povo de Deus. Todas as brigas, todas as diferenças, todas as competições eram deixadas de lado. Esqueciam-se de si mesmos e concentravam-se no Senhor. Que cena bela!

    Assim, Davi, como profeta de Deus, ao contemplar essa bela cena, foi inspirado pelo Espírito de Deus a escrever este belo salmo.

    Sendo profeta, ele o escreveu em nome Daquele que é descendente de Davi e, contudo, maior do que Davi. Um dia, Aquele que é maior do que Davi virá, e, quando Ele for Rei, vocês verão todos os Seus súditos, todo o Seu povo, reunidos em Seu nome. Ali habitarão em unidade, não por uma semana, mas por toda a eternidade.

    Vejam. O Espírito Santo está chamando a nossa atenção: vejam. Olhem atentamente. Observem. Contemplem até que essa bela cena penetre no coração de vocês e vocês sejam literalmente absorvidos por ela.

    Oh, como precisamos enxergar isso! Irmãos e irmãs, precisamos ter visão, e esta é uma visão — uma visão em nosso espírito. Ao contemplarmos essa bela cena, a visão começa a crescer dentro de nós, aumenta o nosso desejo por ela, torna-nos dispostos a sacrificar tudo por ela, e nos encontraremos nela.

    Oh! Quão bom e quão suave é
    Que os irmãos vivam em união!

    A bondade da unidade

    Quão bom? Na Escritura, o que é bom está sempre relacionado ao propósito de Deus.

    Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam o Senhor,
    Daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.

    Se vocês não conhecem o propósito de Deus, não podem compreender o que é bom e o que é ruim para vocês.

    Às vezes, vocês pensam que algo é ruim, mas é bom. Outras vezes, pensam que algo é bom, mas é ruim. O que é bom está de acordo com a vontade, com o propósito de Deus. Tudo o que cumpre a vontade de Deus, tudo o que realiza o propósito de Deus, é bom. Até o sofrimento é bom.

    A suavidade da unidade

    Suave. Quão suave! A suavidade está sempre relacionada à experiência — algo que vocês experimentam e que lhes proporciona um deleite que eleva a alma, um prazer.

    Quão bom e quão suave: como isso cumpre o propósito de Deus e como proporciona deleite à alma de vocês. Não há nada melhor; não há nada mais doce do que ver os irmãos habitando juntos em unidade.

    Quando Davi escreveu este salmo, por um lado, ele foi inspirado pela bela cena durante o período da festa. Mas, por outro lado, creio que ele não conseguia esquecer que isso não era verdade em sua própria casa.

    Vocês se lembram dos filhos de Davi. Eles não habitavam juntos em unidade. Havia conflitos e contendas, competições e divisões, até mesmo assassinatos entre os irmãos.

    Onde os irmãos não habitam juntos em unidade, a vida é tão cruel quanto o inferno. Mas, se os irmãos habitam em unidade, é o céu.

    Oh! Quão bom e quão suave é
    Que os irmãos vivam em união.

    A identidade dos irmãos

    Somos irmãos? Não com letra maiúscula.

    Em João 20:17, o Senhor disse às mulheres:

    Vai para Meus irmãos e dize-lhes:
    Subo para Meu Pai e vosso Pai,
    Meu Deus e vosso Deus.

    Aos que de antemão conheceu, também os predestinou
    Para serem conformes à Sua imagem,
    A fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

    Porque tanto Aquele que santifica como os que são santificados são todos de um;
    Por isso, Ele não Se envergonha de lhes chamar irmãos.

    Ele cantará louvores a Deus na assembleia. Oh, irmãos e irmãs, que privilégio sermos chamados irmãos pelo próprio Senhor! Ele, que é o Filho unigênito, agora é o primogênito entre muitos irmãos.

    Somos irmãos. É claro que “irmãos” inclui as irmãs. Não consigo esquecer aquela história em que um irmão foi falar com o irmão Watchman Nee, e o irmão Watchman Nee disse: “Vá e fale com alguns irmãos sobre isto ou aquilo”.

    O irmão perguntou: “Irmão Nee, a quem o senhor quer que eu fale — aos irmãos homens ou aos irmãos mulheres?”

    Bem, é verdade. Seja homem, seja mulher, você é um irmão — um irmão do Senhor e um irmão dos demais. Nós somos os irmãos.

    Não consigo deixar esse assunto. Depois que Saulo encontrou o Senhor no caminho de Damasco e ficou cego, permaneceu ali em Damasco por três dias e três noites, jejuando, sem comer nem beber. Ele estava orando.

    Então, um homem veio até ele e pôs a mão sobre ele. Saulo não podia ver, mas podia sentir o toque, e ouviu: “Saulo, irmão”.

    Irmão! Ah, eu me pergunto se lágrimas começaram a cair dos olhos de Saulo. “Eu, o inimigo — eu, não apenas inimigo de Deus, mas seu inimigo —, e você diz: ‘Saulo, irmão’. Eu sou seu irmão. Você é meu irmão.”

    Acho que não há som mais doce do que este: irmão. É claro que há um — o nome de Jesus. Mas, além do nome de Jesus, acho que não há outro som mais doce do que a palavra “irmão”.

    Por que vocês querem ser chamados de reverendos? Pelo que entendo, “reverendo”, no original, significa terrível. Por que querem que as pessoas os chamem de “reverendíssimo”, o muito terrível? Não é melhor ser chamado de irmão? Por que não se contentam em ser chamados de irmãos? Isso é o melhor que vocês podem ter.

    Somos irmãos, e como somos exortados a amar uns aos outros!

    Permaneça o amor fraternal.

    Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.

    A convivência dos irmãos em unidade

    Como irmãos, habitamos juntos. Talvez nem todos vocês morem sob o mesmo teto. Eu sei o que isso significa, porque vim de uma família muito grande. Quatro gerações viviam sob o mesmo teto — todos os tios e tias com suas famílias, e os avós. Todos vivíamos sob o mesmo teto. Por um lado, era bom; por outro, nossa!

    Bem, talvez nem todos moremos sob o mesmo teto, mas ainda assim habitamos juntos. Em outras palavras, não podemos manter nosso irmão à distância. Precisamos acolher nossos irmãos e irmãs. Estamos juntos.

    Não se trata apenas de nos reunirmos uma vez por ano. Não se trata apenas de todos nos reunirmos uma vez por semana. Não se trata apenas de nos reunirmos uma vez por semana, durante uma hora, para sermos entretidos. Não é assim que os irmãos devem viver.

    Como os irmãos devem viver? Os irmãos vivem juntos. Perseveram na convivência uns com os outros. Perseveram na doutrina e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações.

    No partir do pão, partimos um só pão para mostrar que pertencemos uns aos outros e ao Senhor. Oramos juntos. Por quê? Porque levamos as cargas uns dos outros. Somos um.

    Os irmãos habitam juntos. Estamos juntos, mesmo que moremos na casa ao lado ou na rua seguinte. Mesmo que moremos bastante distantes uns dos outros na mesma cidade, ainda assim habitamos juntos. Temos muitas oportunidades de estar juntos. Fazemos muitas visitas uns aos outros. Compartilhamos as cargas uns dos outros. Cuidamos dos interesses uns dos outros.

    Queridos irmãos e irmãs, partimos o pão juntos. Oramos juntos. Há muitas oportunidades de termos atritos, de pisarmos no calo uns dos outros, e isso é inevitável, porque habitamos juntos.

    Se habitamos juntos em unidade, oh, quão bom e quão suave! Mas, se habitamos juntos em desunião, queridos irmãos e irmãs, vocês descobrirão que não há lugar mais difícil para viver do que aquele onde os irmãos não habitam juntos em unidade.

    Provavelmente, é por essa razão que existem todas essas divisões, todas essas seitas e denominações, tentando encontrar um ambiente melhor. Mas como isso deve ferir o coração do Pai!

    Sabem, meu avô tinha muitos filhos, netos e bisnetos. Mas, quando já estava idoso, sempre que queríamos sair de casa — e precisávamos sair, porque íamos para a faculdade e assim por diante —, não ousávamos deixá-lo saber que estávamos indo embora.

    Por quê? Porque isso o magoava. Ele não queria que ninguém fosse embora. Queria que todos estivessem ali. Então, simplesmente saíamos sem que ele soubesse, porque conhecíamos seu coração.

    Aqui, irmãos e irmãs, temos um pai terreno com um coração assim. Quanto mais o nosso Pai celestial! Como deve feri-Lo ver Seus filhos espalhados por toda parte. Por motivos muito pequenos, nós nos dividimos.

    Quão bom, quão suave é que os irmãos habitem juntos em unidade! Oh, queridos irmãos e irmãs, por amor ao Pai, eu lhes suplico: não permitam que nada rompa essa unidade. Aprendam a habitar juntos em unidade.

    É verdade, vocês sofrerão. O amor é longânimo. É verdade, às vezes pode ser muito difícil. Isso exige que vocês deem a própria vida. Mas não é justo que deem a própria vida, assim como Ele deu a Sua vida por nós? É verdade que precisam abrir mão de seus direitos, mas que direitos vocês têm?

    Oh, que possamos habitar juntos em unidade por amor ao Pai! Se habitarmos juntos em unidade, oh, quão bom e quão suave!

    A unidade e a unção do Espírito

    Essa bondade é tão grande que Davi não sabe como expressá-la em afirmações simples. Por isso, procura usar uma figura de linguagem. Sabem, às vezes, quando não temos a palavra certa para descrever certas coisas, precisamos usar algum tipo de ilustração.

    A ilustração que ele usa é esta:

    Como o óleo precioso sobre a cabeça,
    Que desce sobre a barba,
    A barba de Arão;
    Que desce à orla das suas vestes.

    Ele usou essa comparação, essa figura de linguagem, para descrever quão bom é que os irmãos habitem juntos em unidade. Disse que é como o óleo precioso sobre a cabeça — a cabeça de Arão.

    Agora, é claro, se vocês conhecem o Antigo Testamento, sabem que Deus escolheu Arão para ser o sumo sacerdote. Mas, antes que pudesse exercer a função de sumo sacerdote no tabernáculo, ele precisava primeiro ser lavado e depois vestir as vestes sacerdotais, que eram para beleza e glória.

    Depois que ele vestia aquelas vestes sacerdotais, o óleo santo era derramado sobre sua cabeça. Somos informados de que não era apenas uma aspersão de óleo. Na verdade, o óleo era derramado sobre a cabeça de Arão em tamanha abundância que o ungia profusamente.

    O óleo começava a escorrer por toda a cabeça, pela barba e até a orla das vestes. Sabemos que suas vestes chegavam aos pés. Na orla das vestes, havia uma campainha de ouro e uma romã, uma campainha de ouro e uma romã. O óleo literalmente cobria todo o seu corpo.

    Somente depois de ser ungido ele podia entrar no tabernáculo para ministrar a Deus e ao povo de Deus — para cumprir o propósito de Deus.

    Qual é a vontade de Deus para o Seu povo? A vontade de Deus para o Seu povo é que O adoremos e O sirvamos. Mas como podemos adorar? Como podemos servi-Lo, a menos que sejamos ungidos?

    O que é Pentecostes? Como Pentecostes aconteceu? Vocês se lembram de Pedro, quando procurou explicar o que havia acontecido. Ele disse que “isto que vedes e ouvis” era a evidência de que Aquele que havia sido crucificado não apenas ressuscitara dentre os mortos, mas também subira às alturas.

    Quando Ele subiu às alturas, Deus O ungiu. Deus O ungiu como Cristo e Senhor. Queridos irmãos e irmãs, Pentecostes, a descida do Espírito Santo, é a evidência de que Cristo Jesus é Senhor.

    Porque Ele foi ungido por Deus com tal unção, o óleo desceu, no dia de Pentecostes, sobre os cento e vinte. Às vezes, eu me pergunto se esses cento e vinte seriam a barba. Mas, de qualquer maneira, vemos que a unção, o óleo, simplesmente desceu sobre todo o corpo.

    Lembrem-se: não há uma parte do corpo que não seja ungida. O óleo santo cobre todo o corpo, até a orla das vestes. Talvez vocês não estejam na parte superior das vestes, mas, se estiverem na orla, estão ungidos.

    Qual é o significado da palavra “cristão”? Cristo significa “o Ungido”, e cristãos significa “os ungidos”. Em certo sentido, todos nós fomos ungidos, porque em um só Espírito fomos batizados em um só corpo.

    Mas, em outro sentido, embora sejamos cristãos, embora sejamos os ungidos, não vemos a unção. Não conseguimos exercer nossa função como sacerdotes. Onde está a nossa adoração? Como podemos adorar em espírito e em verdade? Onde está o nosso serviço? Onde está o nosso ministério uns aos outros?

    Queridos irmãos e irmãs, isso não é uma contradição? Somos os ungidos e, no entanto, de alguma maneira, parece que nunca fomos ungidos.

    O que significa ser ungido? Nosso irmão já explicou repetidas vezes: é uma separação divina e uma capacitação divina. Por meio da unção, somos separados — já não somos comuns, mas sagrados.

    Por meio da unção, recebemos uma capacitação divina. Antes não éramos capazes, mas recebemos uma capacitação divina para adorar e servir como devemos.

    Por que o povo de Deus não experimenta a unção que desce da Cabeça para o corpo? Uma razão é esta: os irmãos não habitam juntos em unidade.

    Irmãos e irmãs, quando estamos em conflito uns com os outros, uma coisa é certa: vocês não têm a unção sobre vocês. Podem tentar prosseguir na vida cristã. Podem tentar prosseguir no serviço cristão, mas tudo será apenas exterior. Vocês não têm a unção sobre vocês. A unção se foi.

    É como se um membro estivesse deslocado. Oh, se permanecerem no corpo, em seu lugar no corpo, estarão sob a Cabeça e estarão ajustados e unidos aos seus irmãos e irmãs. Se é aí que vocês estão, a unção é a sua porção. Vocês podem experimentar a unção do Senhor em sua vida.

    A unidade e a bênção da vida

    Como o orvalho do Hermom,
    Que desce sobre os montes de Sião:
    Porque ali o Senhor ordena a bênção,
    A vida para sempre.

    Quão suave! É tão agradável, tão deleitoso, tão frutífero, como diz nosso irmão. É como o orvalho do monte Hermom, que desce sobre os montes de Sião.

    O monte Hermom fica ao norte da terra prometida. O monte Hermom é a montanha mais alta da terra prometida. Ele se ergue sobre um planalto que já está acima do nível do mar e se eleva a cerca de três mil metros.

    Quando o sol tropical brilha sobre a planície e o sopé do monte Hermom, a umidade evapora e começa a subir, até a parte coberta de neve do monte Hermom. Ali se condensa em orvalho e desce.

    Onde quer que o orvalho caia sobre o solo, ele torna a terra tão fértil que vocês encontram jardins por toda parte.

    Agora, fisicamente, não sabemos se o orvalho do Hermom realmente desce sobre os montes de Sião, porque o monte Hermom e Sião ficam bastante distantes um do outro. Acho que meu irmão sabe disso; eu não sei. Mas este é o ponto, e esta é a realidade espiritual.

    Na realidade espiritual, não importa se a distância é de trinta centímetros ou de dezesseis mil quilômetros. Ela está além do tempo e do espaço. Assim, vemos o orvalho do Hermom descendo sobre os montes de Sião.

    Sião é onde o rei Davi vivia. Sião é onde seus filhos viviam com ele. Sião representa a realeza. Ali vemos o orvalho caindo sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordenou a bênção: a vida para sempre.

    Na Escritura, o orvalho fala de vida — vida do alto. É por isso que, quando os filhos de Israel caminhavam pelo deserto, o maná caía sobre o orvalho. Isso fala de vida, de vida abundante.

    Deus determinou que, se os irmãos habitarem juntos em unidade, experimentaremos a vida do alto. Deus ordenou isso. Sabem, a palavra significa que é algo inevitável. Ele lhes dará o orvalho da vida; haverá vida.

    Seremos revigorados. Seremos fortalecidos. Seremos edificados em amor. Oh, vida — vida abundante!

    Por que, queridos irmãos e irmãs, não vemos muita vida entre o povo de Deus? Quando o povo de Deus se reúne, não parece haver muita expressão de vida. É quase como se fosse preciso bombear, bombear e bombear, e então saísse um pouquinho.

    Não há rios de água viva, como diz nosso irmão. Por quê? Será porque, embora exteriormente estejamos juntos, interiormente estamos em conflito uns com os outros?

    Será porque não há unidade entre o povo de Deus? Será porque exigimos demais de nós mesmos e de menos de Cristo?

    Oh, que o povo de Deus habite junto em unidade! Irmãos, muitas vezes as pessoas vêm a mim e dizem: “Irmão, precisamos de ministério. Não temos nenhum irmão que tenha ministério da Palavra e, já que não temos esse ministério, como podemos crescer?”

    Ah, irmãos e irmãs, minha resposta a elas é sempre esta: se o Senhor lhes der ministério de fora, agradeçam a Deus por isso. Mas, se essa não for a provisão de Deus, isso não significa que vocês não possam crescer.

    Se habitarem juntos em unidade, terão o orvalho do alto. Haverá alimento. Haverá vida. Nada faltará. A questão é esta: habitem juntos em unidade.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, que possamos ver isso não apenas como uma visão, mas também como uma vocação. Que o Senhor torne isso real entre nós. Vamos orar?

    Oração final

    Oh, meu Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque isso não é apenas a Tua vontade, não é apenas a oração do nosso Senhor Jesus; nós Te louvamos e agradecemos porque é obra Tua conduzir o Teu povo a essa unidade que trará tanta glória a Ti.

    Oh, como Te louvamos e agradecemos. Isso não é apenas algo para o futuro, mas é algo que estás fazendo hoje entre o Teu povo. Portanto, Senhor, queremos simplesmente nos entregar a Ti para isso. Pedimos que, pela ação do Espírito Santo, sejamos conduzidos àquela unidade que Tu desejas, para que possas abençoar e ser glorificado.

    Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.