Por favor, abram na carta aos Filipenses, capítulo 2. Vamos ler os primeiros onze versículos.
Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, alguma terna misericórdia e compaixão,
Completai a minha alegria, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, sendo de um só acordo, de uma só mente;
Nada fazendo por espírito de facção ou por vanglória, mas, em humildade de mente, considerando cada um os outros superiores a si mesmo;
Não olhando cada um somente para as suas próprias coisas, mas também para as coisas dos outros.
Haja em vós esta mente, que também houve em Cristo Jesus:
O Qual, existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo a que Se devesse apegar,
Mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-Se semelhante aos homens;
E, sendo encontrado em figura humana, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, sim, à morte da cruz.
Por isso também Deus O exaltou sobremaneira e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
Para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho, dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra,
E toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.
Voltemo-nos ao Senhor em oração.
Ó Pai santo, como Te louvamos e agradecemos por teres aberto o caminho para entrarmos no Santo dos Santos, para que possamos estar na Tua própria presença. Tudo isso é por causa do sangue do nosso Senhor Jesus. Tudo isso é por causa do Seu corpo, que foi rasgado por nós, para nos abrir um novo e vivo caminho pelo qual pudéssemos entrar.
E como Te louvamos e agradecemos porque, mesmo agora, Tu, nosso Senhor Jesus, és o nosso Sumo Sacerdote, intercedendo por nós. Assim, Senhor, nesta manhã nos achegamos a Ti com ousadia, porque foi isso que Tu nos concedeste. Queremos tocar o Teu trono da graça e olhar para Ti, pedindo que nos abençoes enquanto estudamos a Tua Palavra.
Oramos para que nos seja concedido um espírito de sabedoria e de revelação. Pedimos que sejamos iluminados no íntimo da nossa mente, para que possamos verdadeiramente compreender e entrar nessa realidade pelo poder do Teu Espírito Santo. Assim, nesta manhã, simplesmente nos abrimos a Ti para receber a Tua Palavra. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Nestas reuniões da manhã, temos considerado juntos, diante do Senhor, esta questão tão importante da unidade cristã.
Repetidas vezes, dizemos que é a vontade de Deus que nós, que pertencemos ao Senhor, sejamos um. Esse é o encargo; essa é a oração do nosso Senhor Jesus. Enquanto Ele esteve na terra, e agora que está no céu, Sua oração está centrada nesta questão: nós, que cremos Nele, devemos ser um.
E essa é a obra do Espírito Santo entre o povo de Deus hoje. Ele está tocando o nosso coração e despertando em nós uma preocupação com esta questão da unidade do Corpo de Cristo. Onde não há essa unidade, onde não há essa condição de sermos um, sentimos, no fundo do coração, que algo está errado.
Por mais que tentemos encontrar argumentos, por mais que tentemos defender as nossas divisões, no fundo do coração temos consciência de que fomos feitos para ser um. Deus nos chamou para ser um.
Mas, para que essa unidade entre o povo de Deus se torne uma realidade, ela precisa começar com a unidade do Espírito, que Deus já nos concedeu. O Espírito Santo nos deu uma unidade: uma unidade na Divindade, uma unidade em Deus, uma unidade em Cristo e uma unidade no Espírito.
Nessa unidade, todos somos um, e somos exortados a guardar diligentemente a unidade do Espírito no vínculo da paz.
O problema hoje não é a inexistência de unidade, como se fosse algo que tivéssemos de criar. De fato, agradecemos ao Senhor porque a unidade já nos foi dada. É a unidade do Espírito:
Um só corpo e um só Espírito, assim como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
Um só Senhor, uma só fé, um só batismo,
Um só Deus e Pai de todos, O Qual é sobre todos, por todos e em todos.
Em Deus, essa unidade já nos foi concedida. Somos um. O que precisamos é guardar essa unidade, e precisamos ser diligentes para guardá-la. Por quê? Porque ela pode ser facilmente perdida.
Como o inimigo procura, de todas as maneiras, nos afastar do fundamento da unidade do Espírito! Ele tentará de todas as maneiras nos tirar dessa unidade, quebrá-la e introduzir divisões. Quando isso acontece, o testemunho do povo do Senhor se perde.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, essa é a responsabilidade de cada filho de Deus. Não é apenas a responsabilidade dos líderes da igreja.
Na verdade, provavelmente os líderes da igreja são os maiores responsáveis pela desunião entre o povo de Deus. Mas é responsabilidade de cada filho de Deus guardar diligentemente a unidade do Espírito.
Não olhe apenas para os outros, mas olhe para si mesmo: você tem guardado a unidade do Espírito? Mesmo que todos os demais não estejam guardando essa unidade, isso não é desculpa para você deixar de guardar a unidade do Espírito.
É uma responsabilidade. É uma responsabilidade sagrada de cada filho de Deus guardar a unidade do Espírito.
É sobre esse fundamento que recebemos os ministérios que Deus deu à igreja por meio de homens: uns apóstolos, outros profetas, outros evangelistas, outros pastores e mestres. Esses homens são dados pela Cabeça ao Corpo para o aperfeiçoamento, para o amadurecimento dos santos.
Queridos irmãos e irmãs, se realmente guardarmos a unidade do Espírito, estaremos abertos a todos os ministérios que Deus deu à igreja. Não escolheremos um ministério em oposição a outro. Se todos esses ministérios vêm de Deus, devemos estar abertos a eles.
Por estarmos abertos a esses ministérios e a todos esses ministros que ministram a nós — ao Corpo, para o aperfeiçoamento dos santos —, o resultado será que, à medida que crescermos em vida, em graça e em verdade, poderemos ministrar uns aos outros.
Por meio da comunhão, por meio do compartilhar, podemos compartilhar uns com os outros o Cristo que conhecemos e o Cristo que experimentamos. Como isso enriquecerá o Corpo e edificará o Corpo! Por fim, todos chegaremos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, já temos a unidade do Espírito e estamos avançando para alcançar, para chegar à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Se queremos chegar à condição de homem plenamente amadurecido, à medida da estatura da plenitude de Cristo, é isto que precisamos fazer: precisamos estar abertos aos ministérios que Deus deu à igreja e à comunhão de todos os santos.
Não devemos apenas receber o que o Senhor nos dá por meio desses ministros da Palavra, mas também precisamos exercer a nossa função de acordo com o dom e a graça que Deus concedeu a cada um, compartilhando uns com os outros, para que possamos chegar à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Ao olharmos para a situação entre o povo de Deus hoje, vocês sabem que aquilo que vemos, na verdade, não é algo novo. Não há nada novo debaixo do sol. Mesmo nos dias dos apóstolos, vemos que eles tinham o mesmo problema que nós temos.
Ontem pela manhã, tivemos comunhão sobre esta questão: Está Cristo dividido? Todos sabemos que Cristo não está dividido e, no entanto, por estranho que pareça, constatamos que os cristãos estão divididos.
Mesmo no tempo de Paulo, na igreja em Corinto, eles ainda não haviam se separado em divisões explícitas, mas havia entre eles um espírito partidário. Se esse espírito partidário não fosse tratado, acabariam surgindo divisões explícitas.
Alguns diziam: “Eu sou de Paulo”; outros diziam: “Eu sou de Apolo”; outros: “Eu sou de Cefas”; e alguns diziam, de maneira muito exclusivista: “Eu sou de Cristo”.
Se esse tipo de espírito partidário não for tratado, com o tempo vocês verão que a igreja em Corinto se dividirá, no mínimo, em quatro. Haverá uma igreja paulina, uma igreja petrina, uma igreja de Apolo e uma igreja de Cristo.
Está Cristo dividido?
Foi Paulo crucificado por vós?
Fostes batizados em nome de Paulo?
Queridos irmãos e irmãs, nós pertencemos ao Senhor. Somos batizados em nome do nosso Senhor Jesus. Pertencemos a Ele. Ele é nosso. Não limitem Cristo. Não diminuam Cristo, como se Ele fosse apenas o Cristo de Paulo, apenas o Cristo de Pedro ou apenas o Cristo de Apolo.
Nosso Cristo é tão grande! Precisamos receber Cristo em Sua totalidade.
Seja qual for a fonte ou o canal pelo qual recebemos Cristo, e seja qual for o aspecto de Cristo que possamos receber por meio dos servos de Deus, lembrem-se: isso é apenas uma parte do que Cristo é. Precisamos receber Cristo em Sua totalidade. Se fizermos isso, não estaremos divididos.
Ontem pela manhã, mencionamos várias razões pelas quais o povo de Deus está dividido. Se estivermos centrados em nomes, em vez de centrados em Cristo; centrados em doutrinas, em vez de centrados em Cristo; centrados em formas, em vez de centrados em Cristo; centrados em experiências, em vez de centrados em Cristo; ou centrados em tradições, em vez de centrados em Cristo, estaremos divididos.
Mas, quando examinamos de fato todas essas causas de divisão, chegamos a um fundamento comum: o eu.
A razão pela qual o povo de Deus está dividido é a presença do eu. Enquanto a vida do eu não for tratada pela cruz, a divisão permanece. Por quê? Porque a cruz é o lugar onde o eu é crucificado.
Como nosso irmão mencionou, algumas pessoas pensam que, se têm uma dor de cabeça ou uma aflição, estão carregando a cruz. Não é assim. Embora a cruz seja dolorosa e haja sofrimento nela, queridos irmãos e irmãs, se o eu não for crucificado, não é a cruz.
Às vezes, podemos sacrificar alguma coisa. Às vezes, podemos abrir mão de alguma coisa. Pensamos que, ao fazer isso, estamos tomando a cruz. Mas, ao sacrificar alguma coisa ou fazer alguma coisa, em vez de o eu ser crucificado, ele pode ser exaltado.
Isso não é a cruz. A cruz é o lugar onde a vida do eu é crucificada.
Cristo nos une, mas o eu nos divide.
Se a vida do eu não for tratada pela cruz, então as obras da carne se manifestam. Entre as obras da carne, como vocês encontram em Gálatas 5, várias estão relacionadas a essa questão da desunião.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, como é necessário — como é essencial — que a nossa carne seja crucificada com suas paixões e seus desejos! Tirem o eu do caminho por meio da cruz, e vocês verão que estão unidos aos seus irmãos e irmãs.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de prosseguir para a carta aos Filipenses. É muito curioso, porque há dois livros no Novo Testamento que tratam dessa questão de unidade e desunião. Esses dois livros são 1 Coríntios e Filipenses.
Já consideramos 1 Coríntios. Vimos que entre os crentes de Corinto havia divisões, contendas, discussões e espírito partidário.
É claro que isso não nos surpreende. Por quê? Porque a condição espiritual e moral da igreja em Corinto era muito, muito baixa.
Embora essas pessoas fossem salvas e ricas em dons, sabemos que suas vidas eram muito imaturas. Eram crianças em Cristo. Sua condição espiritual era muito, muito baixa.
Com uma condição espiritual e moral tão baixa, não nos surpreende que fossem carnais, que se entregassem a um espírito partidário. Poderíamos esperar até coisas piores do que essas. Qualquer coisa poderia acontecer no meio deles.
Mas, com a igreja em Filipos, a história é diferente. Todos sabem que a igreja em Filipos pode ser considerada uma igreja modelo.
Ela teve um começo glorioso. Se vocês voltarem a Atos 16, verão que, quando Paulo e seus companheiros foram chamados a passar da Ásia para a Europa, a igreja em Filipos foi a primeira igreja estabelecida na Europa.
Ela foi estabelecida pela poderosa mão de Deus e pela poderosa Palavra de Deus. Vemos um começo glorioso na igreja em Filipos; e não apenas isso, mas ela continuou de maneira gloriosa. Era uma igreja consolidada.
Muito provavelmente, Lucas, o médico amado, permaneceu em Filipos para ajudar a edificar a igreja ali.
Quando Paulo escreveu a carta aos Filipenses, escreveu aos santos, aos bispos e aos diáconos. Em outras palavras, era uma igreja bem estabelecida.
Não apenas era bem estabelecida, mas vemos que eles trabalharam com Paulo no evangelho de Jesus Cristo desde o primeiro dia até aquele momento. Estavam até dispostos a sofrer por causa do evangelho.
Vemos que a igreja em Filipos era uma boa igreja, uma igreja modelo. Eu me pergunto se podemos encontrar uma igreja assim em algum lugar do mundo.
No entanto, por estranho que pareça, foi a essa igreja que se dirigiu essa questão da unidade. Por quê? Porque eles tinham esse problema.
Mesmo nas melhores igrejas, vocês encontrarão esse problema da desunião.
Havia duas irmãs naquela igreja: Evódia e Síntique. Essas duas irmãs não eram irmãs comuns. Eram irmãs que exerciam liderança.
Essas duas irmãs trabalharam com Paulo no evangelho. Ajudaram na obra do evangelho de Jesus Cristo. Eram consideradas irmãs espirituais.
No entanto, vemos que entre essas duas irmãs havia uma rivalidade, uma competição.
Não era por uma questão de doutrina. Não vemos que o problema fosse uma controvérsia doutrinária. Não.
Nem sequer era uma questão de diferenças práticas. Não havia ali nenhuma questão prática desse tipo. Era simplesmente um choque de personalidades.
Nessas duas irmãs, havia duas personalidades fortes. Ambas amavam muito o Senhor. Ambas eram muito ativas no evangelho, e ambas eram usadas pelo Senhor. Eram uma ajuda real para Paulo, e as outras irmãs eram ajudadas por essas duas irmãs.
Em todos os aspectos, vemos que eram boas irmãs, irmãs que exerciam liderança, irmãs espirituais. Na verdade, não tinham nenhuma discussão sobre doutrina, nem algum problema relacionado a questões práticas. Era apenas um choque de personalidades.
Duas personalidades fortes entravam em choque. De alguma forma, competiam entre si. De alguma forma, cada uma procurava ser a maior das duas, tudo isso na esfera da espiritualidade e do serviço.
Agora, irmãos e irmãs, provavelmente vocês dirão: “Como isso pode acontecer?” Pessoas que amam o Senhor, que provavelmente O amam a ponto de se gastarem na obra do Senhor — como poderiam estar competindo entre si?
Como poderia haver uma rivalidade tão grande que começasse a influenciar toda a igreja? Ela começou a influenciar os irmãos e irmãs, levando-os a tomar partido.
Mas vocês sabem que isso não é algo novo. Mesmo quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele escolheu doze para segui-Lo. Na verdade, nenhum dos doze era alguém de grande prestígio do ponto de vista do mundo.
Mas o Senhor escolheu esses homens para serem Seus apóstolos. Se vocês olharem para esses homens — com exceção de Judas —, verão que todos eles realmente amavam o Senhor.
Repetidas vezes, vemos que eles expressaram seu desejo e sua disposição de morrer com o Senhor. Não apenas Pedro expressou esse desejo; até Tomé fez o mesmo.
Todos eles amavam muito o Senhor. Todos deixaram tudo para seguir o Senhor. Mesmo quando o Senhor disse: “Os outros estão Me deixando. Vocês também podem ir embora, se quiserem”, eles não quiseram deixar o Senhor.
Não podemos duvidar do amor deles pelo Senhor, nem do seu zelo pelo Senhor. Os dois irmãos, os filhos de Zebedeu, Tiago e João, eram tão dedicados ao Senhor que, quando os samaritanos não quiseram recebê-Lo, eles vieram a Ele e disseram:
Queres que mandemos descer fogo do céu para consumi-los?
Esses doze homens, que, naturalmente, não eram de nascimento nobre, nem tinham elevada instrução ou uma origem muito distinta, tinham uma coisa em comum: amavam o Senhor de todo o coração. Eram muito zelosos. Estavam dispostos a abandonar tudo para seguir o Senhor.
Mas havia um problema entre eles o tempo todo. Se vocês lerem os relatos dos Evangelhos, verão que esse problema entre eles continuou até o último dia do nosso Senhor na terra.
Vocês não imaginam como esse problema persistiu. Como os doze estavam sempre competindo entre si, sempre tentando se sobressair aos demais! Faziam manobras e tentavam superar as manobras uns dos outros, buscando ocupar uma posição mais elevada junto ao Senhor.
“Quem é o maior entre nós?” Pedro talvez dissesse: “É claro que sou eu, o porta-voz deles”. João talvez dissesse: “Não, sou eu. Eu posso até reclinar a cabeça sobre o peito do nosso Senhor. Sou o mais próximo Dele”.
Cada um deles tinha uma razão para dizer que era o maior. Mesmo quando nosso Senhor Jesus começou a lhes falar sobre como precisava ir a Jerusalém, ser rejeitado, ser crucificado e, ao terceiro dia, ressuscitar dentre os mortos, naquele exato momento eles estavam discutindo entre si sobre quem era o maior.
O Senhor procurou lhes ensinar uma lição de humildade. Trouxe uma criança para o meio deles e disse que o reino dos céus era como aquela criancinha. Ainda assim, eles não aprenderam.
Até o último dia, até a última noite, continuavam discutindo entre si sobre quem era o maior. Não é de admirar que ninguém tenha lavado os pés dos outros; cada um esperava que o outro lavasse os seus pés.
Havia rivalidade e competição entre os discípulos, tudo em nome da espiritualidade e do serviço.
Não é um problema novo. É um problema antigo, muito antigo.
Aqui, na carta aos Filipenses, vemos que eles tinham esse problema. Na igreja em Corinto, a desunião pode ser atribuída à carne. Por serem carnais, não andavam segundo o Espírito; andavam segundo a carne.
Por isso, agiam como os homens deste mundo. Viviam na carne e, por causa dos desejos e das paixões carnais, começaram a formar grupos, partidos e facções.
A solução para o problema deles é a cruz. A cruz precisa tratar com a carne. A vida do eu precisa ser crucificada, e a carne precisa ser crucificada com seus desejos e suas paixões. Por meio da cruz, eles serão libertos de si mesmos e entrarão na unidade em Cristo.
Agora, entre os crentes de Filipos, vemos que também havia essa desunião, mas era de outro tipo. Não era a carne em sua forma desagradável. Parecia ser uma carne espiritual, se é que a carne pode ser espiritual.
Eles pareciam desejar tanto o Senhor. Pareciam desejar tanto agradar ao Senhor. Pareciam ter tanta ambição pelo Senhor, tanto desejo de serem usados por Ele, que, de alguma forma, uma forte vanglória entrou em suas mentes.
Assim, o problema deles estava na mente. É por isso que, na carta aos Filipenses, vemos o Espírito Santo tratar tanto dessa questão da mente. Havia algo errado com a mente.
Não era uma questão de atos carnais, desejos e paixões, mas havia algo errado com a mente. Enquanto aquela mente não fosse completamente renovada, a situação continuaria. A competição e a rivalidade continuariam, e o resultado dessa competição seriam divisões entre o povo de Deus.
É por isso que encontramos a exortação a Evódia e Síntique: que tivessem o mesmo modo de pensar. Suas mentes não estavam unidas.
Mas essa exortação não é apenas para essas duas irmãs. Elas foram especialmente mencionadas, é verdade, porque parecia que tudo havia começado com elas. Mas, se vocês lerem a carta aos Filipenses, verão que a exortação é dirigida a toda a igreja.
Ter a mesma mente, ter o mesmo amor, ser de uma só alma, pensar a mesma coisa — mente, mente, mente. Isso é algo que todos os crentes precisam aprender: a renovação da mente.
Queridos irmãos e irmãs, nosso coração pode estar inteiramente voltado ao Senhor; no entanto, se nossa mente não for renovada, veremos que, até no próprio centro do nosso amor e zelo pelo Senhor, pode haver rivalidade e contenda, desunião em vez de unidade.
O que é a mente? A mente é nous. É a sede da reflexão consciente, da compreensão, da percepção, do sentimento, do julgamento e da decisão.
É uma faculdade extraordinária que Deus concedeu ao homem. Deus é a maior Mente de todo o universo e, quando criou o homem, criou-o com uma mente sã.
Queridos irmãos e irmãs, precisamos compreender que a mente, enquanto faculdade, foi criada por Deus. É uma das grandes dádivas que Deus concedeu à humanidade. Agradecemos a Deus por nos ter dado uma boa mente.
Se vocês lerem Romanos 1, como sabemos que Deus existe? Deus é invisível. Como podemos conhecer o Deus invisível? Por meio das coisas visíveis.
Mesmo que olhemos para as coisas físicas, se não tivermos uma mente, não poderemos passar do físico e visível para o espiritual e invisível. Não teremos essa faculdade.
Se você vê uma montanha, vê apenas uma montanha; não vê Deus. Mas, porque Deus nos deu uma mente, ao vermos uma montanha, podemos raciocinar a partir dela e perceber o Deus invisível.
A mente é uma faculdade extraordinária que Deus concedeu ao homem. Agradecemos a Deus pela nossa mente. Portanto, se alguém pregar e disser a vocês que Deus não quer a mente, isso não é bíblico.
Deus criou a mente. Ela é Sua dádiva, e Deus deseja que essa dádiva não seja usada de maneira indevida. Ela deve ser usada corretamente, desenvolvida na direção certa e colocada sob o controle correto. Certamente, não é a vontade de Deus que deixemos de usar a nossa mente.
As pessoas dizem: “Não pense nisso. Não importa”. Mas, infelizmente, também é por meio da mente que a humanidade cai em pecado.
No jardim do Éden, vemos que é por meio da mente que o inimigo consegue capturar a vontade do homem. Nossa vontade é como uma cidadela, mas nossa mente é um campo de batalha. A batalha é travada na mente.
Se o inimigo conseguir penetrar na sua mente, poderá cercar a sua vontade. Se ele conquistar a sua vontade, conquistará você.
No jardim do Éden, vemos que o inimigo entrou no jardim e lançou uma pergunta para que a mente a recebesse e ficasse refletindo sobre ela.
Depois que a mente recebeu uma sugestão do inimigo e começou a ponderar sobre ela à parte da vida de Deus, da vontade de Deus e da Palavra de Deus, o resultado foi que aquilo pareceu bom. Por que não?
Irmãos e irmãs, a mente humana está em cativeiro. Desde o jardim do Éden, a mente humana está em cativeiro.
Ao longo de todos esses séculos, o inimigo tem construído fortalezas na mente humana. É ali que ele estabelece sua defesa para resistir a Deus.
Vemos que é exatamente isso que Paulo está nos dizendo:
Porque as armas da nossa guerra não são carnais, mas poderosas diante de Deus para a destruição de fortalezas;
Destruindo raciocínios e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus,
E levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.
Vemos fortalezas que o inimigo construiu na mente humana — fortificações, raciocínios.
Como os homens se orgulham de sermos seres racionais, pessoas capazes de raciocinar! Mas lembrem-se: o raciocínio humano está em cativeiro. É por isso que, quanto mais você raciocina, mais pode se encontrar afastado de Deus.
Toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus — sejam costumes, tradições, hábitos ou preconceitos —, essas coisas foram criadas e construídas pelo inimigo na sua mente como fortalezas para resistir ao conhecimento de Deus.
É verdade que, quando somos salvos, há uma mudança de mente, porque a própria palavra arrependimento significa uma mudança de mente.
Antes, sua mente estava voltada para as coisas daqui de baixo. Era isso que você queria. Você estava caminhando para o inferno. Mas houve uma mudança de mente. O Espírito Santo nos convence do nosso pecado e nos convence da obra de Cristo, do amor de Deus e da graça de Jesus Cristo.
Há uma mudança de mente. É a obra do Espírito Santo. Ninguém pode se arrepender por si mesmo. Podemos sentir remorso por alguma coisa, mas não podemos nos arrepender por nós mesmos. O arrependimento é uma dádiva de Deus.
Quando o Espírito Santo opera em sua vida, Ele o convence de tal maneira que consegue mudar a direção da sua mente em cento e oitenta graus, afastando-a do pecado e voltando-a para Deus. Isso é arrependimento.
Mas, embora haja alguma mudança de mente no momento em que somos salvos, se nossa compreensão das Escrituras estiver correta, veremos que nossa mente ainda precisa ser renovada.
Houve uma mudança, mas não foi uma mudança total. Você ainda precisa da renovação da sua mente. Em sua mente, ainda há muitas fortalezas do inimigo — muitos preconceitos, muitas ideias preconcebidas, muitos costumes e muitas tradições.
Vemos que todas essas coisas continuam ali, e elas são fortalezas. Sempre que o conhecimento de Deus lhe é apresentado, você percebe uma espécie de resistência dentro da sua mente.
Todas essas fortalezas precisam ser derrubadas. Este é o nosso poder diante de Deus: derrubar toda fortaleza e levar todo pensamento à obediência de Cristo.
Mas esse não é o meu assunto nesta manhã, por isso não vou me aprofundar muito nisso.
De qualquer modo, vemos que o problema de muitos cristãos hoje é a mente. Em Romanos 8:5-6, os que andam segundo a carne voltam a mente para as coisas da carne; os que andam segundo o Espírito voltam a mente para as coisas do Espírito.
No original, a ideia deve ser entendida como o ato de voltar a mente, não apenas como mente. A inclinação da mente para a carne é morte, mas a inclinação da mente para o Espírito é vida e paz.
Queridos irmãos e irmãs, vocês sabem que um dos maiores problemas entre o povo de Deus é essa questão da mente?
Se voltarmos nossa mente para as coisas da carne, como poderemos andar espiritualmente? Se você quer andar espiritualmente, precisa voltar sua mente para o Espírito, para as coisas do Espírito.
Nossa mente afeta nosso andar. Somos aquilo que pensamos. A maneira como você pensa, como vê as coisas, como avalia as coisas, sua perspectiva mental — tudo isso afeta nossa vida nesta terra.
Todos desejamos ser espirituais, mas, se nossa mente continuar voltada para as coisas da carne, nunca poderemos ser espirituais.
A inclinação da mente para a carne é morte. Sabemos disso. Se voltamos nossa mente para a carne, sentimos uma espécie de morte espiritual por dentro. Mas, se você volta sua mente para as coisas do Espírito, sente vida dentro de si; há paz dentro de você.
Isso nos mostra se estamos andando no Espírito ou na carne. É algo muito, muito prático.
A mente é o campo de batalha. A mente é o lugar onde o inimigo constrói suas fortalezas, e é na mente que essas fortalezas precisam ser derrubadas e todo pensamento precisa ser levado à obediência de Cristo.
Voltemos a Filipenses 2. Aqui encontramos, em Filipenses 2:1:
Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, alguma terna misericórdia e compaixão.
Agora, a palavra se ali não significa que essas coisas talvez não existam. Não expressa uma espécie de suposição ou possibilidade. Não.
Na verdade, as pessoas que conhecem grego nos dizem que a palavra se ali deve ser entendida como “em vista do fato”. Isso muda todo o sentido.
Em outras palavras, Paulo está dizendo aos crentes de Filipos: “Em vista do fato de que há exortação em Cristo, em vista do fato de que há consolação de amor, em vista do fato de que há comunhão do Espírito, em vista do fato de que há terna misericórdia e compaixão”.
Aos crentes de Filipos não faltava exortação em Cristo. Não lhes faltava consolação de amor. Não lhes faltava comunhão do Espírito. Não lhes faltavam ternura de coração e compaixão.
Se vocês conhecem a igreja em Filipos, precisam reconhecer que certamente havia exortação em Cristo entre eles. Não era uma igreja em que os irmãos e irmãs não soubessem exortar uns aos outros em Cristo.
Talvez na igreja em Corinto eles não conseguissem fazer isso, porque eram crianças em Cristo. Conheciam tão pouco de Cristo que não tinham com que exortar. Quando tentavam exortar, na verdade exibiam a si mesmos, colocavam a si mesmos em evidência, porque era tudo o que tinham.
Mas, com os crentes de Filipos, era diferente. Eles haviam crescido e eram maduros. Conheciam Cristo. Tinham experiência de Cristo. Por causa disso, tinham muito com que exortar uns aos outros.
Queridos irmãos e irmãs, a exortação é muito importante na edificação do Corpo de Cristo. Não tenho tempo para percorrer as Escrituras com vocês, mas, se lerem a Bíblia, verão que a exortação ocupa um lugar muito importante na edificação do Corpo de Cristo.
Precisamos de exortação. Precisamos de encorajamento. Precisamos encorajar uns aos outros e exortar uns aos outros em Cristo.
Precisamos compartilhar uns com os outros o Cristo que conhecemos, para encorajar uns aos outros no Senhor. Tudo isso ajudará a edificar a igreja. Havia exortação em Cristo na igreja em Filipos.
“Alguma consolação de amor.” Se você quer consolar alguém, precisa haver amor.
Se você tenta consolar alguém sem amor, está apenas acrescentando sofrimento àqueles que já sofreram.
O amor aqui não é simplesmente compaixão humana. O amor aqui é o amor divino, o amor de Deus. É somente a partir do amor divino que você pode consolar as pessoas.
Se você tenta consolar as pessoas apenas por uma compaixão natural, pode tentar consolá-las com a melhor das intenções, e o resultado é que só aumenta a aflição delas.
Você é exatamente como os três amigos de Jó. Eles vieram consolar Jó, mas, na verdade, vieram afligi-lo. Com a melhor das intenções, queriam aliviar a dor e o sofrimento de Jó, mas, quanto mais tentavam, mais Jó sofria. Teria sido muito melhor se não tivessem tentado consolá-lo.
Mas, entre os crentes de Filipos, havia consolação de amor. Maravilhoso.
Comunhão no Espírito: comunhão, compartilhar, participação. Isso só pode acontecer no Espírito. Se não for no Espírito, é apenas convivência social, nada mais.
Agora, irmãos e irmãs, quanto conhecemos de comunhão? Provavelmente, na maior parte do tempo, estamos apenas convivendo socialmente. Por quê? Porque compartilhamos uns com os outros aquilo que somos em nós mesmos; não estamos compartilhando Cristo no Espírito.
Mas os crentes de Filipos tinham comunhão no Espírito.
“Alguma terna misericórdia e compaixão.” Não se trata de afeições naturais. Não; são expressões da graça de Deus.
A graça de Deus estava sobre aquelas pessoas. Por isso, tinham ternura de coração e compaixão uns pelos outros. Maravilhoso.
Uma igreja que tivesse todas essas coisas — vocês diriam: “O que mais se poderia esperar?” Uma igreja que tivesse todas essas coisas certamente deveria ser uma. Certamente deveria haver unidade entre eles.
Mas Paulo disse:
Completai a minha alegria, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, sendo de um só acordo, de uma só mente.
Paulo se alegrava pelo fato de que eles tinham exortação em Cristo, consolação de amor, comunhão no Espírito e terna misericórdia e compaixão. Ele se alegrava com essas coisas, mas sua alegria não era completa.
Ele disse: “Se vocês querem completar a minha alegria, então pensem a mesma coisa, tenham o mesmo amor, sejam de uma só alma, pensando uma só coisa”. Em outras palavras, tendo todas essas coisas, se vocês querem tornar completa a minha alegria, precisam ser um em unidade.
Não é estranho? Essas quatro coisas deveriam ser a base da unidade. Essas quatro coisas deveriam tornar a unidade efetiva: exortação em Cristo, consolação de amor, comunhão no Espírito e ternura de coração e compaixão.
Certamente, essas coisas deveriam contribuir para a unidade, para que o povo de Deus fosse um. Mas não foi assim. Em vez de unir o povo de Deus, elas dividiram o povo de Deus e tornaram a divisão ainda mais forte.
Isso não é estranho?
H. C. G. Moule, aquele amado bispo, ao comentar esta seção, deu a Filipenses 2:1-11 o título “Unidade no esquecimento de si mesmo”.
Ele disse que a religião deles não era morna. A igreja em Filipos abundava em benevolência prática, animada pelo amor a Cristo, e evidentemente estava pronta para testemunhar do Senhor com alegria diante da oposição, até mesmo da perseguição.
Mas havia uma tendência à dissensão e à separação interna na igreja, uma tendência cuja presença se revelava, ao longo de toda a epístola, pela ênfase que o apóstolo colocava, em toda parte, na santa unidade — a unidade do amor, a unidade cujo segredo está no esquecimento de si mesmo por parte de cada indivíduo.
Esses perigos estão sempre presentes na igreja cristã, pois, em toda parte e em todo tempo, os santos ainda são pecadores.
É um fato triste, mas inegável, da história cristã que um espírito de divergência e dissensão nas fileiras dos crentes pode muito bem atuar justamente onde há vida e vigor genuinamente disseminados na comunidade.
Em outras palavras, quando uma comunidade cristã demonstra muita vida e vigor, ainda pode haver esse sintoma. Um estado de frieza espiritual ou de mornidão pode até favorecer certa tranquilidade exterior.
Uma igreja fria e morna pode desfrutar de uma aparência de tranquilidade exterior, porque, quando faltam energia e convicções, haverá pouca energia para discussão e resistência. Até uma igreja morna não tem energia para a dissensão.
Mas, onde a vida e o pensamento cristãos, bem como sua expressão, se manifestam com poder — prestem atenção nisso —, a menos que a igreja seja especialmente vigilante, o inimigo tem oportunidade de semear o joio em meio ao trigo dourado.
O próprio evangelho elevou os afetos e o intelecto dos discípulos. Se o evangelho não for diligentemente usado como guia, além de estímulo, certamente haverá conflito.
Quase todo grande momento decisivo de vida e bênção na igreja apresentou exemplos disso. Foi assim no período da Reforma.
No momento em que a lei do amor foi esquecida por mentes poderosas, que haviam sido maravilhosamente fortalecidas e libertas pela redescoberta da verdade eterna há muito esquecida, houve conflito.
Vemos, nos dias da Reforma, como aqueles que amavam o Senhor e haviam sido revitalizados por uma verdade há muito esquecida lutaram uns contra os outros, chegando até a matar uns aos outros em nome da verdade.
Foi assim novamente no decorrer do avivamento evangélico do século passado, quando homens santos, cujo ser inteiro havia sido aquecido e marcado por uma nova percepção pessoal da plenitude de Cristo, foram levados a debates sobre os mistérios da graça, conduzidos mais no espírito do eu do que no espírito do amor.
Queridos irmãos e irmãs, vocês não ficarão surpresos se houver desunião entre pessoas cuja condição seja como a da igreja em Corinto. Mas, quando veem desunião entre pessoas cuja condição é como a dos crentes de Filipos, vocês choram por isso.
Todos amam o Senhor. Todos defendem com firmeza a verdade de Cristo. Todos desejam tanto o Senhor. Todos se mantêm tão firmes na verdade. Todos são marcados por energia e zelo pelo Senhor.
Ainda assim, podem lutar uns contra os outros e devorar uns aos outros. Ah, se vocês lerem a história da igreja!
O sistema católico romano perseguiu os protestantes. No entanto, vemos que até os protestantes — os luteranos e os reformados — perseguiram os dissidentes.
Leiam mais sobre a história dos anabatistas. Vocês encontrarão milhares de anabatistas que criam no batismo de crentes por imersão. O resultado foi que igrejas protestantes prenderam esses homens, mulheres e crianças, amarraram pedras ao redor de seus pescoços e os afogaram na água. Queriam que isso acontecesse.
É verdade que, dentro do seu pequeno círculo, havia exortação em Cristo. Dentro do seu pequeno grupo, havia consolação de amor. Dentro daquele clube exclusivo, havia comunhão no Espírito. Havia terna misericórdia e compaixão.
Mas eles limitaram Cristo — a graça de Cristo, o amor de Cristo e a comunhão do Espírito — aos seus pequenos círculos. Separaram-se e isolaram-se do restante do povo de Deus.
Não apenas isso: chegaram até a perseguir outros filhos de Deus em nome de Cristo, em nome da verdade. Vocês dizem: “Isso é possível?” É um fato.
Há algo errado com a mente. O inimigo consegue enganar a nossa mente. De alguma forma, não conseguimos pensar corretamente. De alguma forma, nossa mente está tão distorcida que pensamos estar prestando um serviço a Deus.
Pensamos estar defendendo a verdade. Pensamos ser o povo de Deus.
Ah, irmãos e irmãs, pessoalmente, sinto que Paulo ficou mais ferido com o que aconteceu em Filipos do que com o que aconteceu em Corinto. Eles deveriam ter compreendido melhor.
Como precisamos da renovação da nossa mente, para que não estejamos num espírito de rivalidade ou vanglória, mas, em humildade de mente, cada um considere o outro superior a si mesmo, olhando não apenas para as suas próprias coisas, mas também para as coisas dos outros.
Ainda é o eu — o eu espiritual, o eu religioso, a justiça própria. Simplesmente não conseguimos nos esquecer de nós mesmos.
Não conseguimos entregar a nós mesmos pelos irmãos. Como nosso irmão disse, insistimos nos nossos direitos.
Se estamos certos, pensamos que temos todo o direito de insistir nisso. Não estamos dispostos a ceder nem um centímetro. Ficamos esperando que nossos irmãos e irmãs se rendam a nós, tudo sob a bandeira da verdade.
É por isso que Paulo disse: “Tenham a mente de Cristo”. Pensem em Cristo.
Ele, que era igual a Deus, não considerou essa igualdade algo a que devesse Se apegar. Era Seu direito, Seu direito de nascimento. Ele era um com Deus. Ele era Deus. Ele era igual a Deus. Não era algo a ser roubado ou tomado à força.
Essas eram Suas prerrogativas, Seus direitos. Mas Ele não insistiu nos Seus direitos. Abriu mão dos Seus direitos voluntariamente. Ninguém exigiu que Ele abrisse mão dos Seus direitos. Ele voluntariamente esvaziou-Se a Si mesmo.
Queridos irmãos e irmãs, temos tão pouco de que nos esvaziar e, ainda assim, não estamos dispostos a fazê-lo. Nosso Senhor Jesus tinha tanto de que Se esvaziar, e esvaziou-Se de tudo.
É verdade que Ele não poderia Se esvaziar da Sua divindade; isso é impossível. Mesmo quando era um homem na terra, Ele era Deus. Mas esvaziou-Se de toda a glória, honra e majestade que acompanhavam a divindade.
Ele esvaziou-Se de todas essas coisas e tomou a forma de escravo.
Vocês sabem, a palavra forma ali é a mesma palavra usada quando se diz que Ele estava na forma de Deus. Forma não se refere à aparência exterior. A palavra forma se refere à qualidade interior, à essência.
Ele, em essência, era Deus. Não era algo que apenas aparentava ser. Ele era Deus. Mas esvaziou-Se de toda a glória que acompanhava a divindade e tomou sobre Si a forma de escravo — não na aparência exterior, mas na realidade interior. Ele era um escravo.
Um escravo não tem direitos próprios; Ele era um escravo sob a autoridade do Seu Pai. É por isso que disse:
O Filho nada pode fazer de Si mesmo.
O Filho não pode dizer nada por Si mesmo.
Ele era um escravo. Sendo encontrado em figura humana, sendo homem, tomou a posição do homem diante de Deus. Humilhou-Se a Si mesmo.
Queridos irmãos e irmãs, a posição do homem diante de Deus é a de nos humilharmos. Ele humilhou-Se a Si mesmo e tornou-Se obediente ao Pai até à morte, sim, à morte da cruz.
Essa é a mente de Cristo.
Ele não pensa menos de Si mesmo. Ele simplesmente não pensa em Si mesmo.
Queridos irmãos e irmãs, que a mente de Cristo seja a nossa mente. Se, pela graça de Deus, nos esquecermos de nós mesmos, não haverá obstáculo à unidade.
Tenhamos a mesma mente, a mente de Cristo. Vamos orar?
Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos por toda a misericórdia, graça e amor que tão abundantemente nos concedeste. Somos o que somos hoje por causa da Tua graça, a graça de Deus.
Mas, ó Senhor, confessamos que, embora tenhamos recebido tanta graça, ainda não somos graciosos. Continuamos pensando tanto em nós mesmos. Continuamos insistindo nos nossos próprios direitos.
Não conseguimos entregar a nós mesmos pelos nossos irmãos, como Tu Te entregaste por nós. Ó Senhor, isso é algo que não conseguimos fazer. Mas Te louvamos e agradecemos porque podemos ter a mente de Cristo.
Senhor, nós nos rendemos diante de Ti. Pedimos que derrubes toda fortaleza que ainda permanece e leves todo pensamento à obediência de Cristo.
Oh, que possamos pensar corretamente! Que possamos pensar como Tu pensas, para que nos esqueçamos completamente de nós mesmos, para que possamos considerar os outros superiores a nós, para que não haja rivalidade nem vanglória.
Que possamos estar unidos, alma com alma, e amar uns aos outros como Tu nos amaste. Ó Senhor, simplesmente olhamos para Ti, para que o Teu Espírito realize isso entre o Teu povo. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.