Por favor, abram em 1 Coríntios 1:9-18. A primeira carta aos Coríntios, capítulo 1. Vamos ler os versículos 9 a 18.
Fiel é Deus, pelo Qual fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa e que não haja divisões entre vós; antes, sejais unidos no mesmo entendimento e no mesmo parecer. Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da casa de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo; e eu, de Apolo; e eu, de Cefas; e eu, de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes batizados em nome de Paulo? Dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio; para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro. Porque Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo não seja esvaziada. Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
Voltemo-nos ao Senhor.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e Te agradecemos. Pela graça de nosso Senhor Jesus, temos este livre acesso à Tua própria presença: para ouvir a Tua voz, contemplar a Tua beleza e ser transformados à imagem de Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Espírito Santo.
Oh, como Te louvamos e Te agradecemos por teres tornado tudo isso possível. É porque Tu és nosso Deus e nosso Pai. Nesta manhã, diante da Tua Palavra, pedimos que o Teu Espírito Santo sopre sobre ela e a torne viva e operante na vida de cada um de nós.
Pedimos-Te, ó Senhor, que a Tua Palavra não seja apenas palavra escrita, mas que seja vida e espírito. Oh, fala conosco, Espírito Santo. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
O assunto que temos diante de nós nestas reuniões da manhã é a questão da unidade cristã.
É a vontade de Deus que todos os que creem no Senhor Jesus sejam um. É a oração de nosso Senhor Jesus que sejamos um, assim como Ele e o Pai são um. É a obra do Espírito Santo, ao longo dos séculos, conduzir o povo de Deus a essa unidade que está de acordo com a vontade de Deus e com o desejo de nosso Senhor Jesus.
Essa unidade não é algo exterior, embora tenha um testemunho exterior. Essa unidade, porém, está fundamentada no estar em. O Pai está no Filho, e o Filho está no Pai. Assim, nós estamos em Cristo, e Cristo está em nós; e, por causa disso, há unidade no povo de Deus.
Somos exortados a andar de modo digno de nossa vocação. Somos encorajados a guardar diligentemente a unidade do Espírito no vínculo da paz. Essa unidade entre o povo de Deus não é algo que possamos criar ou fabricar. É algo que nos foi dado.
Já temos a unidade do Espírito: um corpo, um Espírito, uma esperança da nossa vocação, um Senhor, uma fé, um batismo, um Deus e Pai de todos nós, o Qual está sobre todos, por meio de todos e em todos.
Essa unidade do Espírito já foi dada a todos os que creem no Senhor Jesus. Não é algo que você tenha de se esforçar para alcançar. É algo que já é seu. Foi dado a você.
É uma dádiva tão preciosa que somos exortados a guardá-la diligentemente, para que não a percamos. Como é trágico olhar para a história da igreja e descobrir como o povo de Deus deixou de guardar diligentemente a unidade do Espírito.
Como é fácil o povo de Deus ser seduzido, enganado e afastado dessa unidade do Espírito. O resultado são divisões, cismas, rupturas e todas essas coisas. Como isso deve ferir o nosso Senhor. Nós somos feridos, mas nosso Senhor Jesus é ferido muito mais.
Essa unidade do Espírito nos é dada como fundamento. Sobre esse fundamento da unidade do Espírito, devemos ser edificados até chegar à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Não existem duas unidades, mas essa unidade precisa culminar na unidade da fé. Irmãos e irmãs, precisamos começar com a unidade do Espírito. Se não começarmos com a unidade do Espírito, nunca poderemos chegar à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Nunca devemos começar com a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, porque, se fizermos isso, descobriremos que já estamos divididos. Não haverá possibilidade de sermos verdadeiramente um.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se de que precisamos começar com a unidade do Espírito. Essa é a base sobre a qual devemos permanecer. Essa é a base sobre a qual temos comunhão com nossos irmãos e irmãs.
Não temos comunhão com nossos irmãos e irmãs com base na unidade da fé. Em outras palavras: você precisa crer exatamente na mesma verdade em que eu creio, da mesma maneira, segundo a mesma interpretação; e, se não for assim, então não temos nada a ver um com o outro.
Irmãos e irmãs, essa é a base errada. A base sobre a qual permanecemos e temos comunhão é a base de Deus, de Cristo, do Espírito Santo — a unidade do Espírito.
Apesar das muitas diferenças de compreensão e interpretação da Palavra e da verdade, e apesar dos diferentes graus de experiência com nosso Senhor Jesus, sim, podemos ter comunhão. Podemos ministrar uns aos outros. Podemos amar uns aos outros. Por quê? Porque permanecemos sobre a base da unidade do Espírito.
É aqui que começamos. Sobre esse fundamento, prosseguimos até alcançar a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Ontem de manhã, não tivemos tempo de mencionar como avançamos da unidade do Espírito para a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus. Não poderemos tratar disso plenamente nesta manhã, mas vou mencioná-lo brevemente.
Deus nos deu a unidade do Espírito; no entanto, logo depois disso, em Efésios 4:7, vemos que a cada um de nós foi dada a graça segundo a medida de Cristo.
Por isso diz: Quando Ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro E deu dons aos homens.
E em Efésios 4:11-12:
E Ele deu uns como apóstolos; e outros, como profetas; e outros, como evangelistas; e outros, como pastores e mestres; para o aperfeiçoamento dos santos.
E em Efésios 4:16:
Do Qual todo o corpo, bem ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, segundo a operação de cada parte na devida medida, efetua o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.
Em outras palavras, imediatamente depois de vermos a unidade do Espírito, vemos diversidade. Unidade não é uniformidade. Unidade é diversidade. É por meio da diversidade que a unidade do Espírito se desenvolve até a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Isso é maravilhoso aos nossos olhos. Queridos irmãos e irmãs, no mundo, a única chamada unidade que as pessoas conseguem enxergar é aquela que vem pela uniformidade. Não há outro caminho. Mas a unidade que Deus está produzindo entre o Seu povo é realizada por meio da diversidade.
Muitos do povo de Deus não admitem diferenças, como se as diferenças fossem romper a unidade. Mas, na realidade, vemos que Deus usa as diferenças para conduzir a unidade à sua plenitude.
Para avançarmos da unidade do Espírito até alcançar a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, vemos que Deus trabalha por meio de dois canais.
Um desses canais é que Ele deu à igreja alguns apóstolos, alguns profetas, alguns evangelistas e alguns pastores e mestres. Em outras palavras, Ele dá à igreja, como dádiva, certos homens que são apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.
São homens que ministram a Palavra de Deus ao Corpo para o aperfeiçoamento dos santos. Graças a Deus porque Ele dá à igreja, ao longo dos séculos, esses homens: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.
Deus levanta essas pessoas e as dá à igreja. Elas ministram a Palavra de Deus ao Corpo para aperfeiçoar os santos. Aperfeiçoar significa levar os santos à maturidade, fazê-los crescer espiritualmente em estatura espiritual.
À medida que os santos são ajudados, edificados e fortalecidos pela Palavra ministrada a eles por meio desses homens de Deus, os santos — o Corpo — começam a funcionar e a realizar o que chamamos de ministério do Corpo.
O ministério do Corpo não se resume a essas pessoas. Essas pessoas trabalham junto ao Corpo para levar à maturidade os santos, os membros do Corpo. À medida que os membros do Corpo crescem na vida espiritual e na graça, todos os membros começam a funcionar segundo a graça e o dom que Deus deu a cada um.
Por meio da comunhão, do suprimento mútuo e do serviço uns aos outros, todos os membros do Corpo edificam a si mesmos em amor.
Portanto, irmãos e irmãs, o caminho que Deus estabeleceu para alcançarmos essa unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus passa por esses dois canais. Um canal é aquilo que chamaremos de o ministério. Paulo disse:
Tendo este ministério.
O outro é o ministério do Corpo, que, na realidade, é comunhão e compartilhar.
Com base na unidade do Espírito, estamos abertos aos ministérios que Deus dá à igreja. Com base na unidade do Espírito, estamos abertos à comunhão de todos os santos.
Vocês perceberão que, no início, há muitas diferenças. Não apenas a comunhão dos santos terá tanta variedade, mas até os ministérios terão tanta variedade. No entanto, por meio do ministério e da comunhão, mantemo-nos abertos; e, se ninguém insistir em impor sua posição, o resultado será chegarmos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
Por enquanto, é isso. Voltamos ao que vamos considerar diante do Senhor nesta manhã: Está Cristo dividido?
Sabemos que a primeira carta aos Coríntios é uma carta de correção. Isto é, Paulo escreveu essa carta para corrigir certas coisas que haviam se desviado na igreja em Corinto.
Mas, antes de começar a corrigir o que estava errado entre eles, ele fez uma declaração maravilhosa em 1 Coríntios 1:9:
Fiel é Deus, pelo Qual fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Primeiro, ele coloca diante de nós o fato de que fomos chamados. Fomos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Há uma comunhão, uma parceria, uma participação, que é chamada de comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor. Agora, o que é essa comunhão?
Essa comunhão é a mais exclusiva de todo o universo. É a comunhão do Filho e do Pai no Espírito. É a comunhão entre as Pessoas da Divindade. Há apenas três membros nesse clube: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Essa é a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor. Ela começa na eternidade e prossegue através do tempo até a eternidade futura. Nunca cessa.
É uma comunhão sem nenhuma nuvem, sem nenhuma sombra, sem nenhuma noite. É uma comunhão na luz, na plena luz. É uma comunhão de amor.
É harmonia e concordância sem necessidade de concessões ou negociações. É a comunhão da unidade — uma unidade perfeita, completa; um compartilhar sem nenhuma reserva e sem nenhuma dúvida; um ter em comum, uma participação, uma participação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
É a comunhão mais exclusiva de todo o universo. É uma comunhão tão doce. É uma comunhão tão gloriosa. Mas está restrita à Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
E, no entanto, agradou ao Pai ampliar essa comunhão, incluir muitos na comunhão Deles. É por meio da morte e da ressurreição de nosso Senhor Jesus que essa comunhão está aberta a todos os que creem Nele. É a própria obra do Espírito Santo nos introduzir nessa comunhão.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, fomos chamados. É um chamado. Todos fomos chamados; não nos oferecemos como voluntários. Você não pode se oferecer para entrar nessa comunhão. Você não tem as qualificações necessárias.
Mas, graças a Deus, Ele nos chamou à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor. Agora estamos nessa comunhão. Há apenas uma comunhão.
Às vezes, falamos desta comunhão e daquela comunhão, como se houvesse muitas comunhões. Não. Há apenas uma comunhão: a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, para a qual fomos chamados.
Todos somos membros dela. Você não precisa se associar; você nasce nela. Você é adotado por Deus para essa comunhão.
Essa é a comunhão dos apóstolos. Vocês se lembram de Atos 2:42: aquelas três mil pessoas que creram no Senhor no dia de Pentecostes, juntamente com as cento e vinte, perseveravam no ensino e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações.
O que é o ensino dos apóstolos? O ensino dos apóstolos não é outro senão o ensino de nosso Senhor Jesus, porque Deus revelou esse mistério aos apóstolos e aos profetas pelo Espírito Santo. Os apóstolos não têm um ensino próprio. Os apóstolos ensinam Cristo.
Portanto, o ensino dos apóstolos é o ensino de Cristo. E o que é a comunhão dos apóstolos? Os apóstolos não formam outra comunhão chamada comunhão apostólica. A comunhão dos apóstolos é a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo.
Em 1 João 1:3, João diz:
O que temos visto e ouvido, isso vos anunciamos também, para que também vós tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.
A comunhão dos apóstolos é com Jesus Cristo, o Filho, e com Deus, o Pai. Portanto, a comunhão dos apóstolos é a comunhão do Filho.
Quando os apóstolos nos anunciam e comunicam aquilo que viram, ouviram e conheceram, e quando recebemos esse testemunho e cremos no que nos comunicaram por meio de sua palavra, cremos no Senhor Jesus. Somos unidos à mesma comunhão que os apóstolos têm.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se de que nós, que cremos no Senhor Jesus, fomos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor. Oh, que privilégio!
Pensem nisso. Agora estamos nesse clube. Agora somos membros desse clube, o mais exclusivo de todo o universo. Temos o privilégio de ter comunhão com os apóstolos. Temos o privilégio de ter comunhão com o Pai e com o Filho no Espírito Santo. Que privilégio é esse. Esse é o nosso chamado.
Fomos chamados a essa comunhão. Oh, se é assim — e é assim —, quanto precisamos ter cuidado com a maneira como nos comportamos.
Deus é fiel. Na igreja em Corinto, havia contendas e conflitos; havia divisões entre eles, rompendo aquela comunhão e violando a santidade daquela comunhão, daquela unidade.
No entanto, apesar dessas coisas, uma coisa nunca muda: Deus é fiel. Talvez não sejamos fiéis à comunhão à qual pertencemos.
Podemos fazer coisas, dizer coisas, agir ou assumir uma atitude que contradiga a própria natureza dessa comunhão. Podemos causar dano a essa comunhão. Podemos até tentar rompê-la. Mas Deus é fiel.
Aquele Que nos chama é fiel, e Ele o fará. Essa é a nossa confiança. Nossa confiança não está no homem.
Se conhecemos o homem, se conhecemos a nós mesmos, sabemos que, embora tenhamos sido chamados a essa comunhão e devêssemos manter uma doce comunhão com o Pai e com o Filho, e uma doce comunhão com nossos irmãos e irmãs, não somos confiáveis. Sabemos com que facilidade podemos ser seduzidos a entrar em cismas e divisões. Podemos até lutar uns contra os outros e, literalmente, devorar uns aos outros.
Mas, graças a Deus, Ele é fiel. Ele o fará.
Então, em 1 Coríntios 1:10:
Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa e que não haja divisões entre vós; antes, sejais unidos no mesmo entendimento e no mesmo parecer.
Antes mesmo de tocar no problema deles, Paulo reforçou seu apelo com algo positivo. Ele disse:
Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
Oh, somos chamados por esse nome. Não importa quem você seja, o que você seja ou onde esteja, todos somos chamados por esse nome — o nome que está acima de todo nome. Diante desse nome, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é Senhor.
Paulo disse: “Rogo-vos por esse nome”. Queridos irmãos e irmãs, se vocês ouvirem esse nome, se conhecerem esse nome, será que esse nome não derreterá o coração de vocês?
Como podemos ser tão duros e obstinados? Como podemos ser tão inflexíveis em nossos caminhos? Como podemos ser tão ásperos com nossos irmãos e irmãs, exigindo nossos direitos, como se fôssemos os únicos que estão certos e todos os outros estivessem errados? Como podemos manter essa atitude quando ouvimos esse nome, o nome de Jesus? Ele deveria derreter o nosso coração.
Que digais todos a mesma coisa.
Agora, o que isso significa?
Significa que todos diremos a mesma coisa no sentido de termos sofrido tamanha lavagem cerebral que todos seguirão a linha do partido? Que todos diremos exatamente as mesmas palavras, usaremos a mesma maneira de falar e teremos até o mesmo tom e sotaque?
É isso que significa dizerem todos a mesma coisa? Isso é uniformidade. Isso não é unidade; é uniformidade. Vemos isso acontecendo no mundo inteiro.
Eles pensam que “todos dizerem a mesma coisa” significa que vocês precisam falar as mesmas palavras, usar a expressão exata e pronunciá-la com o mesmo tom e sotaque, sejam ingleses, americanos ou chineses. Por quê? Porque somos exortados a dizer a mesma coisa.
De modo nenhum. De modo nenhum. Se vocês lerem o contexto, poderão ver o que significa dizer a mesma coisa. Isso está em contraste com o que vem a seguir.
Ele disse:
Eu sou de Paulo; e eu, de Apolo; e eu, de Cefas; e eu, de Cristo.
Ora, isso é dizer coisas diferentes.
Portanto, dizer a mesma coisa significa simplesmente que, em vez de dizer “Eu sou de Paulo”, ou “Eu sou de Apolo”, ou “Eu sou de Cefas”, ou “Eu sou de Cristo” de maneira especial, diremos a mesma coisa. Em outras palavras, todos somos de Cristo. Isso é dizer a mesma coisa.
Você pode dizer isso com sotaque inglês; ou, quando eu falo inglês americano, sempre o faço com uma língua chinesa, mas tudo bem. Estamos dizendo a mesma coisa.
Talvez não usemos a mesma expressão, mas a essência é a mesma. É Cristo.
Como podemos dizer a mesma coisa, a menos que tenhamos o mesmo entendimento e o mesmo parecer? Oh, irmãos e irmãs, se nossas mentes forem diferentes, será impossível dizer a mesma coisa.
Agora, isso não significa que devamos fazer uma lavagem cerebral nas pessoas para colocar todas as mentes em um único molde. Não. Você simplesmente precisa ter a mente de Cristo.
Você tem a mente de Cristo, eu tenho a mente de Cristo e, se todos tivermos a mente de Cristo, diremos a mesma coisa. Ninguém terá uma mente altiva, uma mente voltada para o que é baixo ou uma mente dividida, mas teremos a mente de Cristo.
Todos pensaremos a mesma coisa: Cristo. Todos diremos a mesma coisa: Cristo. Se for assim, como pode haver divisões?
A respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da casa de Cloé que há contendas entre vós.
Paulo estava em Éfeso. Então lhe chegou a notícia de que havia conflitos, brigas, contendas, discussões e disputas amargas entre os crentes da igreja em Corinto.
Paulo nunca agia com base em rumores. Ele tinha informações de primeira mão. As informações vieram da casa de Cloé.
Muito provavelmente, Cloé era uma irmã. Algumas pessoas dizem que ela morava em Corinto, mas o mais provável é que morasse em Éfeso. Alguns de sua casa — talvez escravos ou pessoas que pertenciam à sua casa — foram a Corinto. Evidentemente, sua casa era bem conhecida em Corinto.
Eles foram a Corinto e voltaram a Éfeso. Quando voltaram, trouxeram a notícia a Paulo de que os crentes em Corinto não eram um; estavam uns contra os outros.
Paulo mencionou a fonte dessas informações para que não houvesse conjecturas. Vocês sabem, às vezes as suposições causam mais problemas do que o próprio problema.
Assim, Paulo disse, em essência: “Recebi informações concretas”, e revelou a fonte dessas informações: havia contendas entre os crentes em Corinto.
Eles contendiam uns com os outros. Alguns diziam: “Eu sou de Paulo”. Por quê? Porque foi Paulo quem veio nos pregar o evangelho, nos conduzir a Cristo. O próprio fato de estarmos em Cristo se deve a Paulo. Portanto, eu sou de Paulo. Pertenço a Paulo. Estou do lado de Paulo. É Paulo que eu sigo.
Então outros diziam: “Eu sou de Apolo”. Depois que Paulo foi a Corinto e, pela graça de Deus, a igreja em Corinto foi levantada, Paulo partiu, e então Apolo veio.
Apolo foi criado em Alexandria. Ele era muito versado no Antigo Testamento. Era um homem de grande eloquência. Ele conseguia usar o Antigo Testamento para demonstrar às pessoas que Jesus é o Cristo.
Muitos que foram salvos por intermédio de Paulo foram realmente edificados e fortalecidos pelo ensino de Apolo. Assim, essas pessoas que receberam ajuda de Apolo diziam: “Não, nós somos de Apolo. Defendemos Apolo. Seguimos Apolo”.
Então outros diziam: “Somos de Cefas”. Provavelmente, essas pessoas eram judeus que haviam se convertido ao Senhor. Naturalmente, procuravam encontrar suas raízes e remontar essas raízes até Jerusalém.
Entre os doze apóstolos, é claro, Pedro — Cefas — era o mais destacado. Por isso diziam: “Somos de Cefas”. Não sabemos se Cefas alguma vez esteve em Corinto. Talvez tenha estado, talvez não, mas isso não importava.
Há pessoas que dizem: “Ora, quem são Paulo e Apolo? Eles só apareceram no meio do caminho. Nós vamos voltar aos doze originais. Somos de Cefas. Pertencemos a ele. Seguimos a ele e a tudo o que ele nos ensina”.
Então surgiu um grupo muito pequeno, provavelmente de pessoas altamente espirituais ou superespirituais. Elas diziam: “Bem, vocês dizem que são de Paulo. Dizem que são de Apolo. Dizem que são de Cefas. Nós voltamos à própria fonte. Voltamos a Cristo. Somos superiores a todos vocês”.
Parece infantil. Mas eles contendiam, brigavam e discutiam uns com os outros, e ninguém cedia.
Havia tamanha amargura que, se algo não fosse feito, toda a igreja seria dividida em quatro: uma igreja paulina, uma igreja apolínea, uma igreja petrina e uma igreja de Cristo. A unidade do Corpo de Cristo estava em jogo.
Irmãos e irmãs, vamos ampliar essa questão. Quais são as causas de todas as divisões entre o povo de Deus ao longo dos séculos e em nossos dias?
Primeiro: a centralidade do homem em lugar da centralidade de Cristo. É isso que encontramos na igreja em Corinto.
Eles se concentravam em homens — grandes homens, nomes que admiravam, pessoas de quem haviam recebido ajuda espiritual. Seus olhos estavam nos homens, não em Cristo.
Na verdade, isso provavelmente se devia aos seus diferentes temperamentos. Vocês sabem, nossos temperamentos desempenham um papel muito importante em nossa vida.
O temperamento de algumas pessoas provavelmente era mais próximo do de Paulo, de modo que, naturalmente, elas se sentiam próximas de Paulo. O temperamento de outras talvez fosse mais próximo do de Apolo, e o de algumas talvez fosse mais próximo do de Cefas. Por causa dos diferentes temperamentos, havia uma espécie de afinidade natural com aquela pessoa.
Naturalmente, gostamos de nos ligar a pessoas que têm o mesmo temperamento, o mesmo gosto e o mesmo jeito, porque nos sentimos confortáveis, à vontade e em casa.
É algo natural. Precisamos ter algo tangível a que nos apegar. Parece-nos — isto é, ao homem natural — que qualquer coisa intangível é algo vago. Precisamos ter algo que possamos ver e ao qual possamos nos agarrar.
Provavelmente é por isso que, quando Paulo veio pregar Cristo, embora eles tenham recebido Cristo por meio de Paulo, ligaram-se a Paulo em vez de se ligarem a Cristo. Paulo era tangível. O mesmo aconteceu com Apolo e Cefas.
Ou talvez seja apenas uma projeção do seu próprio eu, da sua própria ambição. Você quer ser alguém, mas sabe que não consegue. Então aparece um homem que realizou o seu ideal, o sonho daquilo que você desejava se tornar, e esse homem é Paulo. Portanto, naturalmente, você se sente realizado nele — na verdade, está defendendo a si mesmo.
Essas são as razões pelas quais é tão fácil perdermos Cristo de vista e nos ligarmos a outra pessoa que não seja Cristo.
Felizmente, Paulo, Apolo e Cefas não tinham nada a ver com as contendas deles. Estavam sendo usados por esses irmãos e irmãs, mas não queriam ter nenhuma participação em suas disputas.
Paulo rejeitou isso completamente e disse: “Foi Paulo quem batizou vocês? Vocês foram batizados em nome de Paulo? Foi Paulo quem morreu por vocês?”. Paulo rejeitou tudo aquilo. “Não quero ter nada a ver com o que vocês afirmam que eu sou.”
Felizmente, esses servos de Deus não queriam ter nenhuma participação nas disputas e nos cismas deles. Eram apenas a ocasião de suas contendas. Mas, queridos irmãos e irmãs, hoje não é assim.
Hoje, encontramos entre os servos de Deus aqueles que são ambiciosos. Há aqueles que criam essas contendas. Há aqueles que tentam construir seus próprios reinos.
Eles ficam mais do que satisfeitos em ter pessoas ligadas a eles. Usam suas personalidades dinâmicas. Usam até todo tipo de artifício para atrair as pessoas a si mesmos, afastando-as de Cristo. Tornam-se a própria causa das divisões. Como isso é triste.
Como Paulo lida com essa situação? Primeiro, Paulo diz:
Está Cristo dividido?
Paulo procura trazer os olhos deles de volta a Cristo. Está Cristo dividido? Você que diz “Eu sou de Paulo” crê em Cristo. Você que diz “Eu sou de Apolo” crê em Cristo. Você que diz “Eu sou de Cefas” crê em Cristo. Você que diz “Eu sou de Cristo” também tem somente Cristo. O Cristo que temos é o mesmo Cristo.
É verdade que, quando Paulo pregava Cristo, ele dizia: “Este é o meu evangelho”. Em outras palavras, quando Paulo pregava Cristo, pregava o Cristo que ele conhecia.
Quando Apolo pregava Cristo, pregava o Cristo que ele conhecia. Quando Cefas pregava Cristo, pregava o Cristo que ele conhecia. Vemos que ninguém conhece Cristo em toda a Sua plenitude.
Há apenas um evangelho de Jesus Cristo, mas esse evangelho é tão pleno e rico que nenhum servo de Deus prega o evangelho em sua totalidade.
Cada servo do Senhor pode apresentar Cristo a você até certo ponto e sob determinado aspecto. É por isso que você precisa de todos os servos do Senhor.
O Cristo de Paulo não é suficientemente grande. O Cristo de Cefas não é suficientemente grande. O Cristo de Apolo não é suficientemente grande. Você precisa de Cristo como tudo e em todos.
Você precisa do Cristo que Paulo prega. Precisa do mesmo Cristo que Cefas prega. Precisa do mesmo Cristo que Apolo prega. Eles pregam o único Cristo, não dois, três ou mais Cristos. É o único Cristo, mas são as insondáveis riquezas de Cristo.
Por que você aceita apenas o que Paulo prega e rejeita o que Apolo prega? Por que recebe apenas o que Apolo prega e rejeita o que Cefas prega? Está Cristo dividido?
Foi Paulo quem morreu por vocês? Foi Apolo quem morreu por vocês? Foi Cefas quem morreu por vocês? Vocês foram batizados em nome de Paulo, de Cefas ou de Apolo? Não. Foram batizados em nome do Senhor Jesus. Isso significa que vocês pertencem a Cristo.
Todos vocês pertencem a Cristo. Se todos pertencem a Cristo, então precisam receber Cristo em Sua totalidade. Não recebam um Cristo limitado.
Quando você começa a receber um Cristo limitado por um ministério ou por um servo do Senhor, isso cria divisão. Acabará se tornando uma seita e poderá até se transformar em um grupo religioso de caráter sectário e abusivo.
Oh, irmãos e irmãs, sejamos centrados em Cristo, e não no homem.
Em segundo lugar, a maneira como Paulo lida com a situação está em 1 Coríntios 3:4-7:
Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu sou de Apolo; não sois homens? Que é, pois, Apolo? E que é Paulo? Servos por meio dos quais crestes; e isso conforme o Senhor concedeu a cada um. Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega; mas Deus, Que dá o crescimento.
Aqui vemos Paulo procurando colocar diante deles a perspectiva correta sobre os servos do Senhor.
Quem é Paulo? Você diz que pertence a Paulo. Diz que deve sua lealdade a Paulo. Diz que defende Paulo. Diz que é de Paulo. Agora, quem é Paulo?
Você diz que é de Apolo. Defende Apolo mais do que Cristo. Agora, quem é Apolo? Quem são os servos do Senhor? São servos que ministram. Não são senhores; são servos.
Deus os levanta e os dá à igreja para ministrar e servir, não para dominar o povo de Deus.
É verdade que cada servo ou serva do Senhor tem sua parte específica no trabalho.
Eu plantei, Apolo regou.
Paulo é alguém que planta. Ele vem e planta a semente; depois Apolo vem e a rega.
Seus ministérios são diferentes, mas não entram em conflito entre si. Seus ministérios se complementam. Por quê? O que aconteceria se Paulo plantasse e ninguém regasse? Que sentido faria regar se nada tivesse sido plantado?
Não há conflito entre o ministério de Paulo e o de Apolo. Na verdade, Deus é soberano. Ele levanta todos esses ministérios — alguns apóstolos, alguns evangelistas, alguns pastores e mestres — e, por meio de todos os ministérios que Deus levantou, uns plantam, outros regam, e o resultado é que Deus dá o crescimento.
Que os servos do Senhor se lembrem: vocês não são senhores; são servos.
Que os servos do Senhor se lembrem: não importa qual ministério Deus lhes tenha dado, ele é apenas uma pequena parte, não o todo.
Que os servos do Senhor se lembrem: Deus levanta todos os ministérios para a igreja, e todos esses ministérios se complementam.
O ministério independente não está de acordo com as Escrituras. Todos os ministérios estão relacionados uns com os outros.
Mesmo com seus ministérios, é Deus Quem dá o crescimento. Paulo pode plantar; essa é a sua missão, e ele precisa ser fiel ao plantar. Mas não pode dar o crescimento. Deus dá o crescimento.
Apolo rega. Ele precisa ser fiel ao regar. Mas, apesar de todo o seu trabalho de regar, é Deus Quem dá o crescimento. Eles são apenas servos — nada além de servos.
Receberão sua recompensa se forem fiéis. Se não forem fiéis, serão disciplinados. Mas é Deus Quem dá o crescimento.
Portanto, irmãos e irmãs, não procurem seguir um homem. Não importa quão espiritual ou quão grande ele seja, não importa quanto tenha ajudado vocês, lembrem-se: ele é apenas um servo que ministra.
Apesar de tudo o que ele fez, é Deus Quem dá o crescimento. Ele, na realidade, não realiza nada por si mesmo. É Deus Quem abençoa vocês, não o servo. O servo é apenas o canal. Só isso.
É por isso que, depois de concluído o trabalho, o servo do Senhor precisa voltar ao seu Senhor e dizer: “Sou apenas um servo inútil, porque não há nada que eu possa fazer por mim mesmo. Tu precisas dar o crescimento”.
Em terceiro lugar, Paulo diz no final do capítulo 3, em 1 Coríntios 3:21-23:
Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque todas as coisas são vossas; Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam as futuras; todas são vossas; E vós sois de Cristo; e Cristo é de Deus.
Vejam, o coração daqueles crentes de Corinto era tão estreito. Quando tinham Paulo, isso era tudo o que conseguiam conter. Não havia mais espaço para Apolo.
Quando tinham Apolo, não havia mais espaço para Cefas. Se tinham Cefas, não havia mais espaço para Paulo e Apolo. Ainda eram tão limitados em si mesmos.
Essa não é a vontade de Deus. A vontade de Deus é: Paulo é de vocês, Apolo é de vocês, Cefas é de vocês. Todos são de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo é de Deus.
Irmãos e irmãs, se há alguma divisão, é por causa de nossa pequenez, de nossa estreiteza. Deus tem muito mais para dar a vocês, mas vocês se contentam com tão pouco.
Lembrem-se: Paulo é de vocês, Apolo é de vocês, Cefas é de vocês. Oh, os servos do Senhor que ministram são de vocês. Por quê? Porque vocês são de Cristo, e Cristo é de Deus. Tudo volta à fonte.
Se enxergarmos isso, poderemos seguir homens? Poderemos exaltar homens? Precisamos ser centrados em Cristo. Se somos centrados em Cristo, não estamos divididos. Está Cristo dividido?
Segundo: podemos ser centrados na doutrina, ou no ensino, em vez de sermos centrados em Cristo. Não tenho tempo para entrar em detalhes, mas vou apenas mencionar isso.
É claro que as heresias e os falsos ensinos, quando entram no meio do povo de Deus, causam divisão. Não há dúvida disso, porque os falsos ensinos atraem as pessoas a falsos mestres e falsos profetas. O falso ensino resulta da tentativa de obter vantagem para si mesmo. Portanto, se há falsos ensinos, o resultado são divisões e seitas.
Mas, mesmo com o ensino verdadeiro, mesmo com a verdade da Bíblia, se somos centrados na doutrina em vez de sermos centrados em Cristo, isso nos divide.
Algumas pessoas se apegam a uma doutrina, e ela é uma doutrina da Palavra de Deus. Outras se apegam a outra doutrina, que também é verdade na Palavra de Deus. Mas, se nos concentrarmos em uma verdade em vez de nos concentrarmos em Cristo, Que é a Verdade, o resultado será divisão doutrinária.
Todas as seitas e denominações que existem no mundo resultam de estarmos centrados na doutrina em vez de estarmos centrados em Cristo. E sabem de uma coisa? Se você estiver centrado na doutrina, o resultado será uma organização morta.
Seja qual for a doutrina, ela pode ser muito preciosa. Por exemplo, a igreja. Se você transformar a igreja em uma doutrina e se concentrar nela, até acima de Cristo, dividirá o povo de Deus.
Terceiro: a centralidade da forma em lugar da centralidade de Cristo. Quando o povo de Deus se reúne, queremos adotar determinada forma, determinada maneira de adorar.
O resultado é que alguns adotam uma forma congregacional, outros um sistema episcopal, e outros um sistema de presbíteros. Encontramos diferentes formas. Quando você passa a ser centrado na forma e diz: “É assim que adoramos”, então divide em vez de unir.
Você pode ser centrado na experiência em vez de ser centrado em Cristo. Pode reunir-se com outros sobre a base comum de uma experiência. Como todos temos essa experiência, naturalmente somos atraídos uns aos outros. Se somos centrados na experiência em vez de sermos centrados em Cristo, causamos divisão.
Ou podemos ser centrados na tradição em vez de sermos centrados em Cristo. Dizemos: “Essa é a nossa tradição. Nossos antepassados não faziam assim e não nos ensinaram assim”. Se somos centrados na tradição em vez de sermos centrados em Cristo, estamos divididos.
Vocês podem multiplicar essas causas por dezenas, centenas e talvez milhares. Há milhares de razões pelas quais o povo de Deus está dividido. Mas, quando resumimos todas essas razões, chegamos à raiz das divisões, e essa raiz é o eu.
Paulo usa quatro capítulos para tratar dessa questão da desunião. Quando essa desunião surgiu entre o povo de Deus, qual foi o remédio que ele prescreveu?
Ele vai à própria raiz da divisão deles. Disse: “A razão pela qual vocês estão divididos e agem como meros homens é que são carnais”. Embora sejam salvos e sejam servos de Deus, ainda vivem na carne. O eu ainda é a sua vida, e a carne é o seu modo de viver. Esse é o problema.
Para lidar com esse problema, há apenas um caminho: a cruz. Por isso Paulo disse:
Determinei nada saber entre vós, senão Jesus Cristo, e Este crucificado.
Queridos irmãos e irmãs, a causa fundamental de todas as divisões que acontecem entre o povo de Deus é que essa vida do eu não foi tratada.
Somos centrados em nós mesmos, obstinados em nossa própria vontade, movidos por nossa própria ambição e apegados às nossas próprias opiniões. Como essa vida do eu em nós não foi crucificada, as obras da carne se manifestam.
Se vocês abrirem em Gálatas 5:19-21, encontrarão algo muito esclarecedor, algo que abre os olhos. Paulo diz:
Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são estas: fornicação, impureza, lascívia; Idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, facções, divisões, partidos; Invejas, embriaguez, orgias e coisas semelhantes a estas.
Aqui encontramos uma lista — não uma lista exaustiva, mas ilustrativa. No entanto, nessa lista ilustrativa, vemos quantas coisas estão relacionadas à desunião: contendas, ciúmes, ira, disputas, discussões, partidos, heresias, invejas e até homicídios.
Todas essas coisas são obras da carne. As obras da carne podem ser encontradas na igreja, entre o povo de Deus, especialmente nessa área da unidade. Por quê? Porque o eu não está crucificado.
Queridos irmãos e irmãs, como precisamos ir diante do Senhor e pedir ao Espírito Santo que exponha o eu em nós.
Pode ser um eu justo. Pode ser um eu religioso. Mas é o eu. O eu divide.
Enquanto o eu não for tratado, não haverá fim para as divisões. Tudo começa com uma simples opinião. Depois vêm as contendas e as brigas. Então começa a haver um cisma, uma ruptura. Depois surgem partidos e seitas.
Pode-se chegar até ao ódio e ao homicídio. Quantos do povo de Deus foram mortos pelo próprio povo de Deus em nome de Cristo.
A cruz é o lugar onde o eu é crucificado. Oh, que entreguemos nossa carne, com suas paixões e desejos, à cruz. Essa é a única solução para a desunião.
Onde quer que haja desunião, e sempre que houver, que o povo de Deus não olhe para os outros. Vá você mesmo ao Senhor. Peça ao Senhor que lhe mostre como o seu eu é grande, forte, obstinado, duro e justo aos próprios olhos.
Oh, que o povo de Deus seja um povo quebrantado. É somente nesse quebrantamento que somos um. Podemos ser unidos em um só.
Nosso Pai celestial, Tu nos chamaste a essa comunhão maravilhosa, doce, livre de impedimentos, perfumada, amorosa e gloriosa com o Pai e com o Filho, com os apóstolos e com todos os santos.
Oh, como Te louvamos e Te agradecemos por esse privilégio. No entanto, muitas vezes abusamos dele, prejudicamos essa comunhão e a destruímos. Oh, perdoa-nos.
Mostra-nos, ó Senhor, onde estamos. Oh, que esse eu feio, esse eu justo aos próprios olhos, esteja na cruz, para que sejamos libertos das obras da carne.
Oh, que haja essa comunhão livre de impedimentos e doce, não apenas Contigo, ó Senhor, mas também uns com os outros. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.