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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Holy Spirit #3 of 5 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Holy Spirit #3 of 5
    The Holy Spirit #3 of 5
    Austin-Sparks, T.

    O Espírito Eterno e o Reino de Deus

    Ao iniciarmos este dia inteiro de ministério, de falar e de ouvir a Palavra de Deus, permitam-me começar destacando que todo ministério da Palavra de Deus deve conter, essencialmente, três temas.

    O primeiro é a grandeza e a natureza do nosso chamado, do nosso chamado em Cristo. Que compreendamos essas duas palavras: a grandeza do nosso chamado em Cristo e a natureza do nosso chamado.

    O segundo é o significado da experiência, do conflito e da disciplina que acompanham esse chamado. Em nosso chamado em Cristo, muito cedo nos vemos envolvidos em um grande conflito e descobrimos que estamos sendo submetidos a uma disciplina muito rigorosa e contínua.

    Portanto, é muito necessário que conheçamos o significado desse conflito — do que se trata — e o significado dessa disciplina: a que ela visa.

    E o terceiro são as provisões e os recursos disponíveis ao povo do Senhor para que o chamado alcance um desfecho triunfante. Creio que isso abrange o ministério.

    Essas três coisas, embora não nos detenhamos nelas, estarão por trás de tudo o que temos a dizer hoje.

    Atos 2 como um capítulo da história

    Voltaremos, de tempos em tempos, ao segundo capítulo do livro de Atos. Vocês o têm diante de si.

    Não vou iniciar uma exposição do capítulo, de seus versículos, de suas cláusulas, de seus assuntos particulares e específicos. Vamos considerar o capítulo como um capítulo — não da Bíblia, nem do Novo Testamento —, mas como um capítulo da história.

    Há uma importância muito grande em compreendermos este único capítulo. Creio que, à medida que avançarmos, ficará cada vez mais claro para vocês como ele é importante.

    Espero que vocês vejam sua importância de maneira mais plena e clara do que jamais viram. Mas repito: ele é fundamental para toda a vida cristã.

    Para as três coisas que mencionei como constitutivas do ministério ao povo do Senhor, é fundamental que compreendamos o segundo capítulo do livro de Atos. Talvez vocês pensem que já o compreendem. Vocês o leram, ouviram sua leitura e ouviram pregações sobre ele inúmeras vezes.

    Ao dizer o que estou dizendo agora a respeito dele, tenho plena consciência de que há mais de cinquenta anos de ministério por trás dessas palavras. Eu não ousaria vir a vocês com um assunto inteiramente esgotado e começar a lhes oferecer algo sobre ele.

    O que quero dizer, porém, é que eu mesmo, com o passar do tempo, percebo cada vez mais a plenitude inesgotável deste único capítulo. Bem, vamos nos aproximar dele.

    As três verdades fundamentais do cristianismo

    Há, como nós, cristãos, bem sabemos, três grandes verdades que estão na base do cristianismo. A primeira é a encarnação do Filho de Deus, a segunda Pessoa da Trindade, vindo a este mundo em forma humana.

    A segunda é a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, significando Sua morte e Sua ressurreição — dois lados de uma única realidade: a cruz do Senhor Jesus Cristo.

    E a terceira é aquilo que a palavra Pentecostes traz à nossa mente: o advento do Espírito Santo. Essas são as três grandes verdades do cristianismo.

    Em certo sentido, poderíamos dizer que cada uma delas é a maior. Poderíamos dizer que Deus vir a este mundo em um corpo, em Cristo, em forma humana, é a maior coisa que já aconteceu no mundo. Seria fácil colocá-la acima de tudo.

    Mas então, ao contemplarmos a morte e a ressurreição do Senhor, poderíamos dizer o mesmo: é a maior coisa que aconteceu na história da humanidade.

    E, por sua vez, como seria fácil dizer que o dia de Pentecostes foi o maior acontecimento da história humana.

    Mas não podemos dizer isso de cada uma dessas coisas, ou de qualquer uma delas, separadamente. Só podemos dizê-lo considerando sua relação. As três constituem uma maravilhosa combinação da atividade divina.

    Elas não estão separadas umas das outras. A primeira se liga à segunda, e a segunda, à terceira; são interdependentes e inter-relacionadas. Nenhuma delas, exclusivamente, abrange todo o mover de Deus no que diz respeito a este mundo.

    Sem a encarnação, não haveria Redentor. Sem a cruz, não haveria redenção. Sem o advento do Espírito, não haveria igreja com sua missão mundial.

    Todas elas se combinam para tornar o cristianismo completo.

    O advento do Espírito Santo

    Ao chegarmos ao assunto que temos diante de nós, reunido nesse termo, Pentecostes, sabemos que Jesus atribuiu enorme importância ao advento do Espírito Santo. Na verdade, atribuiu a ele uma importância maior do que à Sua permanência neste mundo em carne.

    Convém-vos que Eu vá.

    “Convém-vos que Eu vá.” Isso causou profunda consternação naqueles que O ouviram. Diante da possibilidade de que isso acontecesse, reagiram com um sentimento de desespero, sem esperança e sem amparo.

    Tudo para eles — sua formação, sua educação religiosa, todos os seus compromissos — estava ligado à presença do Messias aqui neste mundo. E, em contraposição a tudo isso, Ele disse:

    Convém que Eu vá.

    “É melhor para vocês. Na verdade, é o melhor para vocês.”

    Se Eu não for, o Consolador, o Advogado, o Espírito Santo, não virá.

    Assim, Ele atribuiu enorme importância ao advento, à vinda do Espírito Santo — uma importância muito maior do que à Sua própria presença física neste mundo.

    Esse advento significaria, para Ele, Sua própria liberação para exercer universalmente Seu ministério, Seu poder e Sua presença. Ele sabia disso. Ele disse:

    Estou angustiado até que este batismo se cumpra.

    “Estou angustiado.”

    Mas aqui, neste momento, o Senhor nos leva a contemplar, ainda que não compreendamos plenamente, o imenso significado daquilo que aconteceu naquele dia específico em Jerusalém, no dia de Pentecostes — o imenso significado disso no desígnio divino.

    O Espírito Eterno

    Talvez a melhor maneira de nos aproximarmos disso seja examinar alguns títulos, algumas designações dadas ao Espírito Santo. Não todas; talvez uma ou duas hoje. Tenho certeza de que uma delas será suficiente para este dia.

    Assim como somos instruídos acerca da Pessoa e da obra do Senhor Jesus pelos nomes e títulos que Lhe são dados — e lembrem-se sempre, queridos amigos, de que os nomes e títulos do Senhor Jesus indicam Sua Pessoa e Sua obra —, assim também acontece com o Espírito Santo.

    Passamos a conhecer e compreender o Espírito Santo em Sua Pessoa e em Seu propósito ao examinarmos os títulos que Lhe são dados na Palavra de Deus.

    Deixaremos de lado, por enquanto, esse título geral e comum: “o Espírito Santo”. Talvez tenhamos algo a dizer sobre ele mais adiante, se pudermos.

    Mas, deixando esse título familiar, aquele que nos introduz à abrangência de Sua Pessoa e de Sua função é o mencionado em Hebreus 9:14: “o Espírito eterno”.

    Pelo Espírito eterno.

    O Espírito eterno. Agora, isso significa duas coisas, e não nos deteremos suficientemente em uma delas. Significa que Ele é um com o Deus eterno. Isso fala de Sua divindade, de Sua deidade, como membro da Trindade divina.

    Eterno — verdadeiramente sem limites de tempo, no mesmo sentido que sempre temos em mente ao falar do Deus eterno. Esse é o primeiro significado, o mais evidente; deixaremos esse ponto.

    Mas esse título também se relaciona ao Seu ofício e à Sua função: Seu ofício e Sua função como o Espírito eterno. Essa é a porta pela qual entramos nesta vasta, nesta grande revelação de Deus ao homem.

    O Espírito e o propósito eterno de Deus

    Nesse segundo sentido do título Espírito eterno, encontramos na Bíblia quatro aspectos principais de Sua função. Vou mencioná-los. Tenho pouquíssima esperança de conseguir falar sobre todos eles — sobre noventa por cento do que tenho no coração para dizer. Precisamos simplesmente avançar até onde pudermos.

    Vou mencioná-los, e vocês poderão meditar sobre eles de maneira muito mais ampla do que me é possível expor.

    Primeiramente, a Bíblia revela, acerca do Espírito Santo como o Espírito eterno, Seu compromisso de realizar o propósito eterno de Deus.

    O Espírito Santo, em Sua função divina, está comprometido — comprometido com a realização do propósito eterno de Deus. Aí está uma afirmação. A Bíblia aberta diante de vocês apresenta essa afirmação.

    A criação: Ele está ali como o Agente ativo no princípio. Daquele momento em diante, o Espírito de Deus está Se movendo, movendo-Se o tempo todo, agindo de maneira executiva e ativa, como o guardião do propósito divino, responsável por algo com que Se comprometeu.

    Voltarei, dentro de alguns instantes, ao significado preciso disso.

    Esse propósito de Deus é fixo e imutável. Que isso seja reconhecido. Há, na Divindade, um propósito acerca deste mundo e de seu lugar no universo de Deus, e esse propósito é fixo e imutável.

    O Espírito Santo é Aquele que Se comprometeu a assegurar que esse propósito não seja alterado, mas que permaneça e não possa ser derrotado. Ele assumiu essa responsabilidade. É um propósito fixo, que não muda e não pode ser mudado.

    Mas o Espírito Santo busca realizar esse propósito por diversos meios, de várias maneiras, ao longo da história. Assim, a Bíblia é o nosso registro da diversidade e da variedade dos métodos e meios divinos em relação a um único propósito e alvo final.

    Em um momento, o Espírito age desta maneira, emprega este meio; em outro, age de outra maneira, por outro meio. Quantos, quão diversos e variados são os caminhos de Deus registrados nas Escrituras — os meios empregados, os movimentos do Espírito.

    Sim, isso é verdade. E, nesse aspecto, vemos aquilo que é mutável e aquilo que é transitório, enquanto o propósito é imutável e eterno. Os métodos para alcançá-lo variam e mudam de tempos em tempos.

    Algo é empregado apenas temporariamente em função desse propósito; depois, cumpre sua função e é deixado de lado. É isso que encontramos na Bíblia acerca do Espírito Santo. Vocês veem a enorme variedade de instrumentos e meios, e a extraordinária amplitude das diferentes formas da atividade do Espírito Santo.

    Sim, muitos caminhos, mas um só fim — um fim imutável.

    A soberania de Deus

    O aspecto seguinte acerca do Espírito eterno é que Ele está comprometido com a manutenção da soberania absoluta de Deus.

    A soberania absoluta de Deus: Deus, verdadeiramente Deus, e somente Deus — supremo e eterno, o único Deus. O Espírito Santo está comprometido com a manutenção dessa realidade: a soberania absoluta e indivisa de Deus. A Bíblia inteira trata disso.

    Dividam qualquer coisa entre Deus e outro, ou outros, e vocês se depararão com o Espírito Santo. Aí está. Isso é inexorável. Isso é incontestável.

    Interfiram nisso, e vocês verão aquilo que a Bíblia mostra em todo o seu lado sombrio: todas as tragédias, todo o caos, a confusão, a frustração, a perda de tempo, as perdas de toda espécie.

    O Espírito Santo está comprometido com uma coisa aqui: Deus é Deus, e somente Ele possui todos os direitos neste universo. Questionem isso, contestem isso, neguem-Lhe esses direitos em qualquer detalhe ou aspecto, e o Espírito Santo estará contra vocês — e vocês estarão contra o Espírito Santo.

    Ele está comprometido com a manutenção da soberania de Deus em seu caráter absoluto.

    A coerência do Espírito com o princípio divino

    E o quarto aspecto do compromisso do Espírito Santo é Seu zelo e Sua coerência com o princípio eterno de Deus e de Seu propósito.

    Talvez vocês estejam muito cansados dessa palavra, “princípio”, ou “princípios”. Talvez, de algum modo, se revoltem contra ela, contra esse falar constante de princípios. Bem, tudo bem; se quiserem adotar essa atitude, podem fazê-lo.

    Para alguns de nós, essa é a palavra que abriu a porta para um vasto campo de significado e explicação divinos.

    Reconheçam isso, ainda que tenham de se esforçar para reconhecê-lo. Voltem à Bíblia; examinem-na com esse pensamento na mente e diante dos olhos, e vejam que Deus tem Sua própria maneira de fazer as coisas.

    Vocês não podem chegar ao fim que Deus tem em vista por outro caminho que não seja o caminho de Deus. Não podem realizar o propósito de Deus por outros meios que não sejam os meios de Deus.

    Vocês precisam entrar nos pensamentos de Deus, nos juízos de Deus, nos padrões de Deus, nas avaliações de Deus, nos valores de Deus — na maneira como Deus olha para as coisas, vê as coisas, levanta as coisas. Precisam entrar nisso para serem um com Ele em Seu propósito eterno.

    É a obra de Deus feita à maneira de Deus. E quanta história trágica resulta da falta de reconhecimento disso, como se pudéssemos fazer a obra de Deus por qualquer meio, de qualquer maneira, de qualquer jeito. Bem, não funciona assim. Não dá certo dessa forma.

    Aqueles que mais se aproximam do Senhor e caminham mais perto Dele sabem muito bem que precisam consultar o Senhor sobre tudo. Mesmo a respeito das coisas que parecem mais racionais e sensatas, precisam perguntar ao Senhor: “Isso está certo? Posso confiar no meu bom senso natural neste assunto?”

    Quantas vezes descobrimos que aquilo que nos parecia ser, de maneira convincente, a coisa certa não recebeu a aprovação do Espírito Santo.

    O que estou dizendo, então, queridos amigos, é que o Espírito Santo é muito zeloso pelo princípio divino. Uma das coisas mais fascinantes — se podemos usar essa palavra a respeito da Bíblia — é observar a coerência do Espírito Santo com o princípio.

    Identifiquem um único princípio e vejam como o Espírito Santo é coerente com ele. Não me atrevo a abrir aqui um parêntese para citar exemplos bíblicos, mas aí está. O Espírito Santo simplesmente não aceita determinada coisa porque ela não é coerente com o desígnio; mas aceita outra porque nela não há incoerência, não há contradição.

    Ela está inteiramente de acordo com o pensamento divino, com o sentimento divino acerca das coisas.

    Se vocês querem que o Espírito Santo esteja com vocês, ao lado de vocês, precisam se alinhar inteiramente com isso. Às vezes, é necessário peneirar muito, peneirar, peneirar.

    Onde está o problema? Onde falhamos? Onde está o nosso erro? Onde nos equivocamos? O que é que o Senhor não está aprovando e não está permitindo que deixemos passar? O que é?

    Então, depois de muito exame do coração, quebrantamento e esvaziamento, encontramos o ponto. “É isso. É isso.” E, quando o identificamos, tudo se desbloqueia.

    O Espírito Santo é muito zeloso quanto ao princípio divino e inteiramente coerente com ele. Não seria tudo isso uma introdução a este assunto: o compromisso do Espírito Santo com o propósito eterno de Deus?

    A definição do propósito eterno

    Mas, depois de dizermos isso, e muito mais que poderia ser dito, ainda estamos diante desta questão: comprometido com o propósito eterno. Qual é esse propósito?

    Qual é o propósito eterno com o qual o Espírito Santo está assim comprometido, ao qual Se manterá fiel, do qual não Se desviará e por cujos detalhes será tão zeloso? Qual é?

    Posso encaminhá-los a algumas passagens das Escrituras que são como janelas pelas quais podemos olhar? São apenas fragmentos.

    A primeira está naquele Evangelho que, segundo uma opinião bastante difundida, foi o primeiro relato evangélico a ser escrito. Menciono isso porque, se for verdade, há um significado ainda maior neste pequeno fragmento: o Evangelho segundo Marcos, Marcos 1:14-15.

    Ora, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus,
    e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.

    Guardem isso por alguns minutos enquanto nos voltamos para Gálatas 4:4-5.

    Mas, vindo a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
    para que remisse os que estavam sob a lei,
    a fim de recebermos a adoção de filhos.

    Quando veio a plenitude do tempo — ou quando ela havia chegado. Voltemos agora ao Evangelho de Mateus, Mateus 16:28.

    Em verdade vos digo que alguns dos que aqui estão de modo nenhum provarão a morte até que vejam o Filho do Homem vindo em Seu reino.

    E, por fim, neste momento, Atos 1:3.

    Aos quais também Se apresentou vivo, depois da Sua paixão, por muitas provas, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.

    Agora, temos duas coisas nessas quatro passagens: duas passagens de um lado e duas do outro. Mas elas são, naturalmente, apenas passagens introdutórias a uma quantidade muito maior de conteúdo.

    A plenitude do tempo

    Primeiramente:

    O tempo está cumprido.

    Na plenitude do tempo.

    Plenitude é a palavra que expressa completude. Completude. Toda uma era de tempo está agora completa, e todo o seu significado e conteúdo convergiram para este momento. Esta é a plenitude de tudo aquilo, e este é o clímax de tudo aquilo.

    A primeira coisa que Jesus anunciou em Sua pregação foi:

    O tempo está cumprido.

    “O tempo está completo. Tudo aquilo está agora chegando ao seu desfecho.”

    Desde o início do tempo, ao longo de todo o seu curso, algo vinha avançando sob a ação do Espírito Santo, por aquelas diversas maneiras, por aquela variedade de meios. Tudo o que temos na longa história registrada no Antigo Testamento, desde o princípio — tudo isso, sob a ação do Espírito Santo, vinha avançando em direção a esta hora.

    Esta hora é a completude de tudo aquilo, a plenitude de tudo aquilo — de todo aquele tempo.

    Na plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho.

    O clímax das dispensações passadas. Acho interessante observar, apenas de passagem, que Paulo, em sua carta aos Efésios, em Efésios 1:10, olha adiante e usa a forma plural dessa expressão. Ele fala daquilo que será a plenitude dos tempos. Aqui, a expressão está no singular: a plenitude do tempo.

    Ele olha adiante e diz que, na plenitude dos tempos, Deus reunirá todas as coisas em Cristo. Haverá outro grande clímax, quando todas as divisões do tempo serão reunidas nessa única realidade. Mas isso é uma observação à parte; guardem-na, ou simplesmente deixem-na em suspenso por enquanto.

    Aqui está esta coisa maravilhosa: havia algo em vista desde o início do tempo. Deus tinha algo em Sua mente desde o início do tempo, algo que foi introduzido neste mundo quando o tempo foi introduzido.

    Quando Deus fez o dia e a noite, o verão e o inverno, o tempo da semeadura e da colheita; quando fez semanas, meses, anos, décadas, séculos e todas as demais divisões do tempo, Deus tinha um pensamento que deveria atravessar todo esse período de tempo e governá-lo.

    Dissemos que o Espírito Santo vem buscando realizar isso desde o princípio. E agora vem esta palavra surpreendente: aquilo chegou ao seu clímax; aquilo chegou ao seu desfecho. Todo o significado do tempo até este momento é agora revelado. Veio à luz.

    Isso vem à luz com a encarnação do Filho de Deus:

    Na plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho.

    O que é?

    O Reino de Deus

    Bem, as outras passagens dão a resposta:

    O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo.

    Vocês chegaram precisamente àquilo que estava na mente de Deus desde o princípio.

    Qual é esse pensamento eterno? Um reino — um reino divino, o Reino de Deus, um reino celestial. O Reino está próximo.

    A última coisa sobre a qual o Senhor Jesus falou foi a mesma que anunciou primeiro em Sua pregação. Em Atos, Ele lhes falava do Reino. Isso abrangia Sua vida.

    Ele entra em cena em Seu ministério mundial e diz: “O Reino está aqui, está próximo” — significando, mais literalmente, que está ao alcance, bem perto, iminente, presente.

    Depois de Sua ressurreição, até Seu retorno ao céu, a última coisa sobre a qual falava era o Reino. É impressionante. É impressionante que essa tenha sido também a última coisa sobre a qual o apóstolo Paulo falou, de que temos registro.

    No último capítulo do livro de Atos, em sua própria casa alugada, recebendo todos os que vinham a ele, Paulo pregava acerca do Reino. Isso fica ecoando em nós. É algo significativo.

    Sim, o propósito, em sua abrangência, é o Reino de Deus: o governo de Deus e aquela ordem celestial.

    Venha o Teu reino.
    Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.

    Isso é o Reino. Isso é o Reino.

    Portanto, o propósito eterno é esse reino e governo divino e celestial sobre este mundo, pelo menos.

    O Rei, o poder e a igreja

    A partir dessa verdade e revelação geral e abrangente, somos conduzidos a estas três coisas que se manifestam no dia de Pentecostes. Pois, naquele dia, Mateus 16:28 teve ao menos um cumprimento parcial e imediato.

    Alguns dos que aqui estão de modo nenhum provarão a morte até que vejam o Filho do Homem vindo em Seu reino.

    Isso aconteceu no dia de Pentecostes. Quando estava prestes a deixá-los, Ele disse:

    Não muitos dias depois.

    Não muitos dias depois, aconteceu.

    Mas, quando aconteceu — o advento do Reino, o Reino por tanto tempo adiado, por tanto tempo esperado, por tanto tempo profetizado, por tanto tempo ilustrado —, quando aconteceu, quais foram as três coisas relacionadas à sua vinda?

    A exaltação do Rei

    Bem, olhem para Atos 2. Se Atos 2 é o advento do Reino na consumação do tempo, a primeira coisa que, a partir daí, se destaca com tanta força e preeminência é o próprio Rei.

    Deus O ressuscitou. Deus O elevou às alturas. Naturalmente, precisamos reunir nisso todo o maravilhoso ensino do Novo Testamento: Deus O ressuscitou e O colocou à Sua própria direita, muito acima de todo principado e autoridade e de todo nome que se nomeia; Ele Se assentou à direita da Majestade nos céus, e assim por diante.

    Mas isso está aqui, no dia de Pentecostes. Está tanto explícito quanto implícito:

    Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Cristo a este Jesus, a Quem vós crucificastes.

    O Rei está em Seu lugar. Ele está ali. É preciso haver um rei para haver um reino.

    Assim, com a chegada do Reino, a grande realidade do senhorio de Cristo torna-se a nota dominante da pregação apostólica. Já ouvimos isso: Ele é Senhor de todos.

    Podemos dizer que, de certo ponto de vista, todo este livro chamado Atos é o relato de Seu senhorio de muitas maneiras. Mas aí está: inexorável, imutável, incontestável, porque, nas mãos do Espírito Santo, esse Reino desse Rei é algo eterno, não apenas de um momento.

    O poder do Reino

    O Rei está entronizado. O Reino veio com poder — com poder.

    Com todo o desânimo que sentimos ao contemplar a situação atual, no que diz respeito a nós, à igreja e à condição espiritual, permanece a verdade de que este Reino é um reino de poder superior — o Reino de poder.

    Parece-me que o Espírito Santo fez questão, ao fazer com que este relato fosse escrito, de indicar essa característica do Reino: seu poder.

    Bem, se vocês já foram apanhados em algo semelhante a um furacão, sabem alguma coisa sobre o significado de poder. Entrem em uma tempestade no mar e vejam o que conseguem fazer diante dela.

    Alguns de nós viajamos nos navios mais poderosos que existem neste mundo — grandes embarcações com a imensa potência de seus motores —, e ficamos à capa durante muitas horas porque a tempestade era forte demais. Não podíamos enfrentá-la. A única coisa a fazer era ficar parados e esperar que ela se esgotasse. Era inútil planejar enfrentá-la.

    E, de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso.

    Um vento forte e impetuoso é o símbolo do advento do Espírito Santo, transmitindo a ideia de que este Reino é um reino de poder.

    Ah, sim, vocês estão dizendo comigo: “Ah, que isso fosse recuperado e experimentado! Ah, que conhecêssemos algo mais desse poder!” Mas o nosso fracasso, o fracasso da igreja, tem suas razões. Esse não é o meu assunto. Não é culpa do Senhor. Não houve uma mudança no Espírito Santo; é inteiramente culpa da igreja que esse poder não se manifeste como deveria.

    Mas, naturalmente, ele ainda está operando, em grande medida de maneira oculta, em grande medida. Essa história será lida no fim, quando pudermos ver o que o Espírito Santo fez até mesmo em dias como estes, em que tudo parece estar em suspenso ou em derrota.

    O Espírito de Deus não abandonou o cenário e não abriu mão de Seu compromisso — de maneira nenhuma. Mas o advento do Reino se dá em poder.

    Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo.

    Eu, queridos amigos, não quero apenas transmitir uma porção de palavras e ideias, ainda que isso seja a verdade. Para mim, há um desafio nisso o tempo todo, e quero que esse desafio chegue ao coração de vocês.

    Nossa falta de poder, nossa fraqueza, nossa ineficácia, nossa impotência e confusão não podem ser atribuídas ao Espírito Santo. Devemos investigar esse assunto de maneira séria e solene. Por que não há mais poder?

    Ah, que houvesse mais poder em nossa pregação — que o Espírito Santo Se fizesse sentir com impacto quando a Palavra é ministrada. É a isso que quero chegar.

    Mas, ah, que houvesse mais poder em nosso ouvir e em nosso receber, para que houvesse em nós algo como os golpes de martelo da Palavra de Deus.

    Sim, temos uma necessidade muito grande do poder do Reino. Portanto, o Reino ainda está entre nós.

    O nascimento da igreja

    E a terceira coisa que caracterizou a vinda do Reino, algo tão significativo, foi o nascimento da igreja — o nascimento da igreja.

    Naquele dia, a igreja nasceu.

    E qual é a relação da igreja com o Reino?

    É aqui, naturalmente, que encontramos a razão de tanta instrução cuidadosa e séria acerca da igreja. Talvez vocês tenham perdido algo da profunda impressão dessa palavra por estarem familiarizados com ela. Se ela se tornou para vocês apenas um sistema de verdades, uma ideia tratada de maneira mais ou menos objetiva, ouçam agora e peçam ao Senhor que restaure aquilo que se perdeu.

    Pois, vejam, aquilo que é chamado de “Minha igreja” — “Minha igreja” — ocupa um lugar muito, muito próximo do coração do Rei, do Senhor, em relação ao Seu Reino.

    O que é ela? Bem, se usarmos uma figura da Palavra de Deus, ela é aquilo que está no mais íntimo de toda a extensão do governo divino que, por fim, será plenamente estabelecido.

    O Reino é uma esperança e uma intenção de Deus de alcance muito amplo e abrangente, destinada a incluir todas as coisas. Mas, bem no coração desse grande território espiritual, há uma cidade. Há uma cidade.

    A cidade é uma ideia divina, ou é tomada por Deus e usada como uma ideia divina. É isso.