Abram em Zacarias, o profeta Zacarias, capítulo 1. Vamos ler os primeiros seis versículos: Zacarias 1:1-6.
No oitavo mês, no segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor a Zacarias, o profeta, filho de Berequias, filho de Ido, dizendo:
O Senhor Se indignou grandemente contra vossos pais.
Portanto, dize-lhes: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Tornai para Mim, diz o Senhor dos Exércitos, e Eu tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos.
Não sejais como vossos pais, aos quais clamaram os primeiros profetas, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Convertei-vos agora dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; mas não ouviram, nem Me deram ouvidos, diz o Senhor.
Vossos pais, onde estão eles? E os profetas, viverão eles para sempre?
Mas as Minhas palavras e os Meus estatutos, que ordenei aos Meus servos, os profetas, não alcançaram a vossos pais? E eles se converteram e disseram: Como o Senhor dos Exércitos intentou fazer conosco, segundo os nossos caminhos e segundo as nossas obras, assim Ele fez conosco.
Vamos orar.
Querido Pai celestial, ao continuarmos em Tua presença, pedimos que abençoes a Tua Palavra. Que o Teu Espírito Santo torne a Tua Palavra viva e operante na vida de cada um de nós. Nós nos submetemos a Ti e permitimos que a Tua Palavra entre em nosso coração e nos transforme, para que possamos ser agradáveis a Ti. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Mencionamos, na última vez, que há três profetas que profetizaram durante o período pós-exílico, isto é, depois que os filhos de Israel voltaram do cativeiro babilônico. Esses três profetas também são chamados de profetas da restauração.
Já mencionamos Ageu e como Deus levantou Ageu, um homem idoso, para despertar o coração do remanescente que havia retornado, a fim de que começasse a reconstruir o templo em Jerusalém. Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre o segundo profeta, Zacarias. Ele era um jovem, e Deus levantou esse jovem para reforçar a profecia que Ageu havia proferido.
É muito interessante saber que Ageu, por ser um homem idoso, havia visto o templo construído por Salomão. Em outras palavras, ele conhecia a glória do templo. Não é de admirar que seu coração estivesse voltado para a reconstrução.
Mas Zacarias era um jovem. Na verdade, ele nasceu na Babilônia, e veremos que foi levado de volta a Jerusalém quando ainda era um bebê. Ele nunca havia visto o antigo templo, mas o Espírito de Deus lhe deu tamanho encargo pelo templo que ele foi usado por Deus para profetizar e ajudar em sua construção.
Portanto, irmãos e irmãs, Deus pode usar homens idosos, e Deus pode usar jovens. Deus pode colocar Seu encargo sobre aqueles que viram algo que Ele fez no passado, e Deus pode colocar Seu encargo sobre aqueles que nunca viram algo que Ele fez antes, mas que veem o que Deus vai fazer. Com a mesma visão, juntos eles dão testemunho ao povo de Deus.
Que o Senhor levante para Si jovens e idosos que tenham o mesmo encargo, que tenham a mesma visão dada por Deus, para que a casa de Deus seja edificada.
Zacarias significa “o Senhor Se lembra”. Ah, como o Senhor Se lembra! Somos informados de que ele era filho de Berequias, filho de Ido.
Se vocês lerem Esdras e Neemias, esses dois livros apresentam a história da restauração. Vocês verão que Zacarias é chamado de filho de Ido em ambos os livros. Mas aqui Zacarias é chamado de filho de Berequias, filho de Ido. Por que isso acontece?
Sabemos que Ido foi um dos sacerdotes que voltaram do cativeiro babilônico para Jerusalém com Zorobabel e Josué. Ele também era um dos principais sacerdotes, um chefe de família.
Evidentemente, Berequias voltou com seu pai, levando também um filho ainda bebê, neto de Ido. Muito provavelmente, Berequias morreu jovem. Por isso, segundo o costume judaico, não era incomum que um neto fosse identificado como filho de seu avô. É por essa razão que, em Zacarias, ele é filho de Berequias, filho de Ido; mas, em Esdras e Neemias, é chamado de filho de Ido.
Zacarias começou a profetizar dois meses depois que Ageu começou. Ageu profetizou apenas por um período muito curto — ao todo, somente quatro meses. Mas Zacarias continuou a profetizar.
Se vocês lerem Neemias 12, verão que, mesmo durante o sumo sacerdócio de Joiaquim, sucessor do sumo sacerdote Josué, havia um sacerdote chamado Zacarias. Se esse for o Zacarias de quem estamos falando, então ele realmente profetizou por um longo período.
Outra coisa interessante a observar é que Ageu, por ser um homem idoso, falava poucas palavras, mas elas eram poderosas. Ele era um homem cauteloso, mas havia profundidade nele.
Zacarias, por ser jovem, era cheio de vitalidade e imaginação, e suas palavras eram muitas. Agora, irmãos e irmãs, sejam vocês cautelosos ou cheios de vigor, Deus pode usá-los, desde que tudo seja entregue a Ele e tratado por Ele por meio da cruz.
Deus pode usar um jovem, Deus pode usar um idoso, e Deus pode usar os dons ou até mesmo os talentos que deu a cada um, desde que haja uma vida entregue a Ele e o tratamento da cruz.
Uma tradição judaica afirma que Zacarias foi um dos membros da Grande Sinagoga que prepararam o serviço litúrgico do segundo templo. Há até tradições na Septuaginta — o Livro dos Setenta — que atribuem o Salmo 137 e o Salmo 138 a Zacarias.
Alguns de nós conhecem o Salmo 137:
Junto aos rios da Babilônia,
Ali nos assentamos e choramos,
Quando nos lembramos de Sião.
Nos salgueiros que há no meio dela,
Penduramos as nossas harpas.
Pois ali os que nos levaram cativos nos pediam canções,
E os que nos devastaram nos pediam alegria, dizendo:
Cantai-nos uma das canções de Sião.
Como cantaremos a canção do Senhor
Em terra estrangeira?
Depois, no Salmo 138, vocês encontram louvor e adoração no templo de Deus. Provavelmente é por isso que esses dois salmos são atribuídos a Zacarias. Alguns também pensam que certos salmos de aleluia foram escritos por Zacarias e Ageu. Não sabemos ao certo.
Mas vocês veem que esse jovem, embora tivesse nascido na Babilônia e sido levado de volta a Jerusalém por seu pai, recebeu uma visão tão grandiosa da gloriosa casa de Deus e de Seu majestoso plano que pôde ser usado por Deus naquele momento.
Na verdade, foi o profetizar de Ageu e Zacarias que tornou possível a reconstrução do templo.
Ao examinarem o livro de Zacarias, vocês verão que os primeiros seis versículos servem como uma síntese de todo o livro. Em outras palavras, o tema ou a chave de todo o livro se encontra nesses seis versículos.
Se vocês quiserem resumi-los em uma única palavra, essa palavra é retornar.
No livro de Ageu, encontramos a palavra considerar. Deus chamou Seu povo a considerar suas ações passadas, considerar sua condição presente e considerar o que iria acontecer. Mas, neste livro de Zacarias, a palavra-chave é retornar.
O Senhor disse:
Se retornardes a Mim, Eu retornarei a vós.
O Senhor disse que estava muito irado com os pais deles. Por quê? Porque eles não ouviram os profetas, que os chamavam a abandonar seus maus caminhos e suas más obras e a voltar para Deus.
Por causa disso, Deus Se irou contra eles e permitiu que fossem levados para o cativeiro babilônico. Onde estavam os pais deles? Onde estavam até mesmo os profetas que profetizaram naquela época? Todos haviam partido, mas a Palavra de Deus se mostrou verdadeira.
Deus usou isso para encorajar o remanescente em Jerusalém. Eles haviam acabado de começar a reconstruir a casa de Deus. Vocês se lembram de que eles voltaram da Babilônia, primeiro ergueram o altar e depois lançaram o fundamento. Estavam tentando edificar a casa de Deus.
Mas, por causa da perseguição e da pressão ao redor deles, a obra ficou paralisada por cerca de quinze ou dezesseis anos. Durante aqueles anos, em vez de edificarem a casa de Deus, cada um edificava a própria casa. Dedicaram tanta energia, dinheiro e tempo às suas próprias casas que construíram casas revestidas de madeira, bonitas e elegantes, enquanto a casa de Deus permanecia em ruínas.
Então, no segundo ano de Dario — dezoito anos depois de seu retorno —, Deus levantou Ageu, no sexto mês, para despertar o coração do remanescente, a fim de que começassem a pôr as mãos na edificação da casa de Deus.
Essas pessoas não apenas haviam voltado da Babilônia; já haviam retomado a edificação da casa de Deus. Mesmo assim, a Palavra de Deus para elas foi:
Tornai para Mim, e Eu tornarei para vós.
Poderíamos pensar que essa palavra era desnecessária. Se tivesse sido dirigida ao povo judeu que permanecia no cativeiro babilônico, seria adequada. Se tivesse sido dirigida ao remanescente que estava edificando suas próprias casas e havia deixado a casa de Deus sem edificar, seria apropriada.
Mas a palavra foi dirigida ao remanescente que havia retornado e retomado a edificação da casa de Deus. Vocês acham que essa palavra era desnecessária?
Essa palavra lhes foi dada no oitavo mês do segundo ano do rei Dario. Ageu havia profetizado no sexto mês, e, no sétimo mês, eles já estavam edificando havia um mês. Agora, no oitavo mês, essa palavra veio ao remanescente. Vocês acham que era desnecessária? Acham estranho que Deus dissesse essas coisas àquelas pessoas que já estavam edificando a casa de Deus?
Não, porque Deus conhecia o coração dos homens. Embora tivessem retomado a edificação da casa de Deus, já no sétimo mês havia dúvidas e pensamentos de desistência.
Ao olharem para o trabalho de suas mãos, achavam que era tão insignificante. Mesmo que conseguissem concluí-lo, jamais poderia se comparar ao glorioso templo construído por Salomão. Então, por que se dar ao trabalho? Já havia esse pensamento negativo entre eles.
Ageu foi usado pelo Senhor para encorajá-los e dizer: “O Senhor está com vocês. Não tenham medo. Continuem trabalhando”. Embora a obra talvez não parecesse grande, ela fazia parte do grandioso plano de Deus.
Mas, no oitavo mês, enquanto ainda edificavam, seu coração estava fraco. Certamente havia dúvidas em seu coração. Seu coração estava dividido.
Se vocês lerem a profecia de Ageu dada no nono mês, saberão o que aconteceu. Eles haviam posto as mãos na edificação da casa de Deus e, enquanto edificavam, esperavam que os céus se abrissem, que a chuva caísse e que as colheitas fossem abundantes. Esperavam bênçãos. “Agora fazemos a vontade de Deus, então Deus vai nos abençoar.”
Mas a bênção não veio. Portanto, no oitavo mês, aquelas pessoas, embora estivessem edificando a casa de Deus, certamente se perguntavam em seu coração: “Onde estão as bênçãos?”
Elas estão interessadas na edificação da casa de Deus ou estão interessadas na bênção? E se você edificar a casa de Deus e não for abençoado? Vai continuar? Onde está o seu coração: na casa de Deus ou na bênção de Deus?
Não é de admirar que Deus, que conhece nosso coração, tenha enviado Zacarias, o jovem, para desafiar o povo: “Examinem seu coração. Voltem para Mim”.
Vocês estão fazendo um bom trabalho, mas seu coração não está correto. Seu coração não é puro. Vocês não estão ocupados com os interesses do Pai. Ainda estão interessados na bênção de Deus, não no próprio Deus.
Se retornardes a Mim, então Eu retornarei a vós.
Essa foi a mensagem dada ao remanescente naquele momento. Deixaremos a aplicação para o final. Vamos examinar este livro de Zacarias.
Zacarias às vezes é chamado de apocalipse do Antigo Testamento. Apocalipse é o apocalipse do Novo Testamento, e Zacarias é chamado de apocalipse do Antigo Testamento. Ele é um profeta da esperança.
Este livro contém quatorze capítulos. Eles se dividem em duas partes. A primeira vai de Zacarias 1:7 até o final do capítulo 8. A segunda vai do capítulo 9 ao capítulo 14.
Vocês podem perceber essas divisões com muita facilidade. Na primeira parte, todas as profecias são datadas. Mas, na segunda, não há datas associadas a elas.
Na primeira parte, o nome do profeta é mencionado. Na segunda, seu nome não é mencionado. Na primeira parte, as profecias conservam seu contexto local e contemporâneo — o remanescente que havia retornado e a reconstrução da casa —, embora ultrapassem esse cenário.
Mas, na segunda parte, parece que elas são retiradas do ambiente local e entram no futuro, dando-nos uma visão panorâmica da história do reino de Deus em contraste com o reino do mundo.
Embora haja duas partes, elas estão intimamente relacionadas. Relacionam-se não apenas pelo assunto das profecias, mas especialmente porque estão unidas pela profecia a respeito de um Homem, uma Pessoa: o Messias.
Seja na primeira parte, seja na segunda, a Pessoa do Messias está sempre presente.
O que é a história? A história é a história Dele. É a história do Messias, a história de Cristo. Isso é a história. Você não pode tratar da história e tentar ignorar Aquele a respeito de Quem ela foi escrita.
O que é profecia? O espírito da profecia é o testemunho de Jesus. Embora a profecia anuncie muitas coisas e muitos acontecimentos e abranja um vasto campo, o espírito da profecia é um só: é o testemunho de Jesus.
Zacarias profetizou muito. Sua profecia é muito mais rica, ampla e abrangente do que a profecia de Ageu. Contudo, o centro de sua profecia — aquilo que une todas as profecias — é a história de uma Pessoa: o Messias, Cristo, nosso Senhor.
Há muitas referências ao Messias no livro de Zacarias. Em Zacarias 3:8, encontramos o Renovo — o Renovo — e a pedra com sete olhos. O Renovo aponta para o Messias, o Cristo.
Em Zacarias 6, encontramos novamente o Renovo. O Renovo é o Rei e o Sacerdote que Se assenta no trono — o Rei-Sacerdote, o Sacerdote-Rei, que Se assenta no trono.
Em Zacarias 9, encontramos Aquele que veio em humildade, montado no filho de uma jumenta. Ele trará paz ao mundo.
Em Zacarias 11:11-12, vemos que Ele é o bom Pastor que foi rejeitado e recebeu como salário trinta moedas de prata. Trinta moedas de prata eram o preço de um escravo. Sabemos como isso se cumpriu literalmente na vida de nosso Senhor Jesus, porque Judas vendeu nosso Senhor por trinta moedas de prata, como um escravo.
Em Zacarias 12, encontramos Aquele a Quem traspassaram, mas que trouxe salvação ao Seu povo. Em Zacarias 13:7, a espada é despertada contra o Companheiro de Deus. Em outras palavras, Deus O esmagou na cruz.
Em Zacarias 14:4, vemos como Ele voltará, Seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras, e o monte será dividido em dois. Portanto, irmãos e irmãs, todo este livro de Zacarias nos mostra a vinda do Messias, e Ele é a esperança do mundo.
Na primeira parte de Zacarias, vocês encontram, por sua vez, duas seções. A primeira seção vai de Zacarias 1:7 até o capítulo 6. Essas são profecias dadas no vigésimo quarto dia do décimo primeiro mês, no segundo ano de Dario.
O profeta Zacarias teve uma noite muito movimentada. Naquela noite, recebeu uma série de visões. A Palavra de Deus veio a ele por meio de visões. Ao todo, alguns dizem que foram sete, e outros dizem que foram oito. Fico imaginando quanto ele conseguiu dormir.
O Senhor lhe deu uma série inteira de visões. A primeira visão foi a de um homem montado em um cavalo vermelho, entre as murteiras, no vale profundo.
Não podemos entrar em todos os detalhes, porque cada visão provavelmente ocuparia uma sessão inteira. Por isso, vou apenas lhes dar uma ideia geral do que elas são.
O Homem no cavalo vermelho não é outro senão Cristo, a segunda Pessoa da Divindade, o Anjo do Senhor, como O encontramos no Antigo Testamento. Aqui vemos que nosso Senhor estava entre as murteiras, no vale profundo.
As murteiras crescem em lugares baixos; por isso, representam a condição rebaixada do povo de Deus. Em vez de serem os cedros do Líbano, haviam se tornado murteiras no vale profundo. Embora estivessem em uma condição muito baixa, física ou espiritualmente, o Senhor estava ali. Ele estava ali.
Essa visão mostra que Deus está no controle das situações do mundo. Deus sabe o que está acontecendo e fará algo que servirá ao Seu próprio propósito.
Havia outros três cavaleiros que percorreram toda a terra para saber o que estava acontecendo neste mundo. Irmãos e irmãs, não pensem que Deus não sabe o que está acontecendo neste mundo. Ele sabe o que está acontecendo. Ele Se importa.
Quando o povo de Deus estava em dificuldades e o mundo inteiro estava em descanso, o Anjo do Senhor clamou ao Senhor. Ele tinha zelo por Jerusalém e por Sião — por Seu povo —, e o Senhor faria algo a respeito.
Essa visão estabelece o fundamento para as visões seguintes: Deus está no controle. Quando Ele diz:
Tornai para Mim, e Eu tornarei para vós.
Deus já havia retornado ao Seu povo.
Se Deus não tivesse retornado ao Seu povo, como Seu povo poderia ter voltado do cativeiro babilônico? Foi Deus quem despertou o coração do rei Ciro. Não foi porque o povo no cativeiro havia se voltado para Deus. Não, foi porque Deus amava Seu povo e era fiel à Sua aliança.
Por isso, Ele despertou o coração do rei Ciro para permitir que Seu povo voltasse a Jerusalém a fim de reconstruir a casa de Deus. Deus disse:
Eu retornarei.
Retornarei a Sião.
Retornarei a Jerusalém.
Essa visão é seguida pela visão de quatro chifres. Nas Escrituras, os chifres representam poder. Esses quatro chifres representam as potências mundiais, os quatro impérios mundiais, como a imagem que Nabucodonosor viu. O império mundial está em inimizade com o reino de Deus.
Contudo, Deus levantou quatro artífices. Esses quatro artífices deveriam quebrar os quatro chifres. Em outras palavras, Deus tem Sua provisão para quebrar os reinos deste mundo, a fim de que o reino de Deus seja estabelecido nesta terra.
A terceira visão é a de um homem com uma vara de medir, medindo Jerusalém. Jerusalém será uma cidade sem muros. Quando há muros, em certo sentido há limitação; mas, quando não há muro, não há limitação.
Deus disse:
Eu serei o muro ao redor deles,
E serei a glória no meio deles.
Deus prometeu que restauraria Jerusalém à glória. Ele retornaria ao Seu povo.
Em seguida, em Zacarias 3, encontramos a restauração do sacerdócio. Não apenas a casa de Deus precisa ser restaurada, mas o sacerdócio também precisa ser restaurado.
Em Zacarias 4, encontramos a restauração da realeza. Na restauração da realeza, o testemunho de Deus é restaurado, conforme representado pelo candelabro de ouro.
Depois disso vem a visão do rolo voador: a maldição, ou o juízo. Deus é justo; portanto, o juízo precisa vir. Primeiro, ele vem à casa de Deus e, depois, ao mundo inteiro.
Então há outra visão, a de um efa. O efa é uma medida. Uma mulher está sentada dentro do efa, e ela é chamada de maldade. Uma tampa de chumbo é colocada sobre ele, e ele é levado para Sinar, que é a Babilônia. A maldade estará nesta terra, mas Deus a mantém sob restrição.
Por último, há a visão de quatro carros saindo de entre dois montes de bronze. Nas Escrituras, o bronze sempre fala de juízo. Esses quatro carros foram enviados para julgar o mundo. O juízo está vindo sobre este mundo, e o reino de Deus será estabelecido nesta terra.
Essa é a primeira seção da primeira parte: as visões. Depois encontramos a segunda seção da primeira parte, os capítulos 7 e 8.
Isso acontece no quarto ano do rei Dario. Alguns do remanescente viviam em Jerusalém e em diferentes povoados ao redor. Pessoas de outros povoados, como Betel, vieram fazer uma pergunta.
Elas perguntaram aos sacerdotes: “Devemos continuar jejuando no quinto mês de cada ano?” Zacarias era sacerdote; ele não era apenas profeta, mas também sacerdote, como Jeremias e Ezequiel.
Durante o tempo do cativeiro, o povo tinha o hábito de jejuar em quatro meses diferentes do ano. Jejuavam no quarto mês porque foi nesse mês que a cidade de Jerusalém foi invadida.
Jejuavam no quinto mês porque foi quando o templo foi queimado. Jejuavam no sétimo mês porque foi então que Gedalias, o governador nomeado pela Babilônia, foi assassinado, e o povo fugiu para o Egito.
Também jejuavam no décimo mês, o mês em que Jerusalém foi sitiada. Assim, nesses quatro meses, mantinham o hábito de jejuar.
Depois que voltaram, perguntaram: “Devemos continuar com o jejum?” A Palavra do Senhor para eles foi:
Quando jejuais, é realmente para Mim que jejuais?
Quando comeis, é para Mim que comeis?
Ou não é tudo para vós mesmos?
Deus disse que, se eles não praticassem a justiça nem tratassem o próximo com bondade, de que serviria o jejum? Deus não estava interessado nas coisas exteriores. Estava interessado na condição interior. Estava interessado em sua verdadeira condição moral, e não nessas formalidades exteriores.
Deus disse: “Durante todos esses anos em que vocês jejuaram, foi para vocês mesmos, não para Mim. Mas agora, já que Eu os trouxe de volta, essas ocasiões devem ser ocasiões de festa. Devem ser ocasiões de alegria — alegria pelo que o Senhor fez por vocês”.
Irmãos e irmãs, lembremo-nos sempre de que Deus não está interessado nas aparências exteriores. Ele está interessado na realidade interior.
A segunda parte não é datada. Nós nos perguntamos se essas profecias foram dadas a Zacarias em seus últimos anos. Quando vocês leem o livro de Daniel, veem que as maiores profecias que Daniel proferiu lhe foram dadas em seus últimos anos.
Seu conhecimento de Deus e sua vida com Deus eram tão profundos que Deus pôde lhe dar uma visão maior de Seu plano. Talvez a mesma coisa tenha acontecido com Zacarias. A primeira parte pode ter sido dada no início de seu ministério profético, mas a segunda não é datada e provavelmente foi profetizada em seus últimos anos.
Aqui, seu horizonte foi grandemente ampliado. Deus deu ao profeta uma visão panorâmica da história dos filhos de Israel, exteriormente, em relação ao reino deste mundo. Mas, interiormente, é a história do reino de Deus vindo sobre este mundo.
A segunda parte é chamada de “o encargo da Palavra do Senhor”. A primeira parte é a Palavra; a segunda é o encargo da Palavra.
O encargo se divide em duas seções. Zacarias 9–11 apresenta o encargo referente a Hadraque, Damasco e assim por diante. Hadraque é um lugar próximo de Damasco. Em outras palavras, trata-se de uma profecia referente ao mundo gentio em sua relação com o povo de Deus.
A segunda seção é uma profecia referente a Israel em sua relação com o reino de Deus. Para compreender especialmente a primeira seção da segunda parte, vocês precisam conhecer um pouco da história mundial.
Em Zacarias 9, descreve-se a destruição de lugares como Tiro, Sidom, Damasco e outros, enquanto Jerusalém é poupada. Essa profecia se refere a Alexandre, o Grande. Quando ele avançou por aquela terra, destruiu Tiro e Sidom, e a história registra que isso aconteceu exatamente como foi descrito. Jerusalém foi poupada.
É uma história interessante. O sumo sacerdote e o povo de Jerusalém saíram vestidos de branco para encontrar Alexandre, e ele ficou tão impressionado que não destruiu Jerusalém; passou por ela sem atacá-la. Vocês podem encontrar esse relato nos livros de história, especialmente em Josefo, o historiador judeu, que o descreveu detalhadamente.
Depois vocês encontram a história dos macabeus durante o Império Grego. É interessante, mas não posso entrar em detalhes. Ao longo dessas profecias, vocês encontram o Messias: como Ele viria como um Rei manso, mas seria rejeitado por Seu próprio povo.
Esses assuntos estão entrelaçados. Depois vocês encontram os romanos e o reino romano, e como os romanos foram destruídos. Tudo isso está na primeira seção da segunda parte. Vocês precisam ler essas profecias e estudar a história para compreendê-las.
O trecho mais maravilhoso é a segunda seção da segunda parte. Aqui vocês veem que tudo se concentra naquele dia. Um dia está chegando. Que dia é esse? Esse dia é a vinda do Messias.
O Messias veio há dois mil anos, mas o povo escolhido de Deus não O reconheceu. Eles O rejeitaram e, por causa disso, foram espalhados pelo mundo inteiro.
Mas o Messias voltará. Quando Ele voltar, eles verão Aquele a Quem traspassaram. Eles se arrependerão. Toda a casa de Israel se arrependerá.
Todas as nações do mundo serão reunidas naquela região para a última batalha, a batalha do Armagedom. Cristo voltará. Seus pés tocarão o monte das Oliveiras, e o monte das Oliveiras será dividido em dois.
Os cientistas nos dizem que há uma linha ali, uma antiga fissura. O monte das Oliveiras pode se partir em dois. Cristo virá, e essa será a última batalha. Satanás será preso e lançado no abismo.
Deus julgará Seu povo, Deus julgará as nações e estabelecerá Seu reino nesta terra. A profecia é que haverá um só Senhor, um só Deus.
Irmãos e irmãs, esse é o livro de Zacarias.
Finalmente, qual é a mensagem para nós hoje? Israel é o povo terreno que Deus escolheu. Israel é um tipo de nós, a igreja de Deus, como povo celestial de Deus. Tudo o que aconteceu aos filhos de Israel é algo de que devemos aprender.
Qual é a lição que Deus quer nos transmitir por meio de Zacarias? Mais uma vez, vamos enfatizar que a mensagem de Zacarias não é dirigida ao povo de Deus que permanece na Babilônia. Esperamos que eles também possam ouvi-la, mas ela não é dirigida a eles.
Ao olharmos para a igreja hoje, percebemos que, até este momento, espiritualmente falando, a igreja como um todo ainda está no cativeiro babilônico. Ela está presa a um sistema religioso. Não é livre. Está em confusão, porque Babilônia é confusão.
A casa de Deus não está edificada; está destruída. O testemunho de Deus não está presente. Durante o período do cativeiro, Deus deixa de ser chamado de Deus dos céus e da terra, porque não há testemunho na terra naquele tempo.
Irmãos e irmãs, espiritualmente falando, e com tristeza, vemos que a igreja em geral ainda está em ruínas. Ainda está em confusão. Ainda está no cativeiro. Não há casa. O povo de Deus é como judeus errantes — sem lar.
Em minhas viagens, ouço muitos clamores de irmãos na fé: “Estamos sem lar. Onde está o nosso lar? Não temos um lar espiritual”. Irmãos e irmãs, não há testemunho. Ó Jesus!
Mas, graças a Deus, ao longo dos séculos, Ele tem chamado Seu povo para fora da Babilônia: “Saiam. Voltem para Jerusalém. Voltem à inteireza de coração, à simplicidade, à sinceridade, à pureza. Voltem”.
Voltem para lá a fim de viver e edificar o testemunho de Jesus. Irmãos e irmãs, muitos hoje ainda vivem para seu próprio benefício, para seus próprios interesses. Mas quem viverá para os interesses de Deus? Muitos estão ocupados com seus próprios negócios, mas quem se ocupará com os interesses de Deus?
Graças a Deus por um remanescente — um remanescente, apenas uns poucos em comparação com o todo — despertado pelo Espírito de Deus. Eles retornam. Na história da igreja, a mesma coisa tem acontecido. Em cada época, em cada século, em cada geração, há alguns que retornam à simplicidade de Cristo e procuram se posicionar pelo testemunho de Jesus e edificar a casa de Deus.
Eles são sempre um povo desprezado, mas, graças a Deus, há pessoas assim.
Mas, queridos irmãos e irmãs, olhem para a condição do remanescente que retornou. Eles haviam voltado, mas sua condição era lamentável. Não apenas a cidade estava em ruínas, mas eles eram oprimidos por seus inimigos. Havia fraqueza até mesmo em seu coração.
A obra ficou paralisada durante vários anos, e eles voltaram novamente ao seu antigo modo de vida, edificando suas próprias casas — não na Babilônia, mas em Jerusalém. Estamos fazendo a mesma coisa?
Fomos chamados para fora da Babilônia a fim de retornar a Jerusalém? Somos um povo em Jerusalém? Somos um povo que permanece na simplicidade e na sinceridade de Cristo? Somos um povo que deveria ter voltado para viver para Deus, viver para Seu testemunho e edificar a casa de Deus? Irmãos e irmãs, o que estamos fazendo hoje?
Somos como aquele remanescente que voltou, mas edificou suas próprias casas naquela terra, enquanto a casa de Deus permanecia em ruínas? Não há uma mensagem para nós?
Irmãos e irmãs, esquecemos por que voltamos? Esquecemos para que estamos aqui? Qual é a nossa ocupação? Estamos aqui para edificar a casa de Deus ou para edificar nossas próprias casas?
Mesmo que, pela graça de Deus, comecemos, por assim dizer, a pôr as mãos na edificação da casa de Deus, ainda pode haver muita dúvida, muito medo e muito tremor em nosso coração. Nosso coração ainda pode estar dividido.
Talvez estejamos nos perguntando por que a bênção de Deus não vem. “Se estamos a favor Dele, por que Ele não está a nosso favor? Por que a bênção continua sendo retida? Vale a pena continuar? E se não houver bênção? Será um desperdício?”
Irmãos e irmãs, estamos alimentando todos esses pensamentos? Deus conhece nosso coração. Nós não conhecemos nosso coração. Nosso coração é enganoso acima de todas as coisas; quem o conhece? Ninguém conhece. Nós mesmos não o conhecemos, mas Deus conhece.
Por essa razão, há uma palavra para nós hoje:
Retornai. Tornai para Mim, diz o Senhor.
Irmãos e irmãs, precisamos retornar. Provavelmente abandonamos nosso primeiro amor. Quando voltamos, tínhamos um primeiro amor. Agora nossas mãos ainda estão em movimento, mas onde está nosso coração?
A Palavra de Deus diz:
Lembra-te, pois, de onde caíste,
E arrepende-te, e pratica as primeiras obras.
Irmãos e irmãs, provavelmente nos afastamos da simplicidade. Tornamo-nos mais complexos. Começamos a olhar para o que está ao nosso redor. Começamos a olhar para nossos irmãos e irmãs. Começamos a reclamar disto e daquilo, em vez de fixar nossos olhos no Senhor e simplesmente sermos edificados juntos.
Onde estamos? Realmente precisamos retornar — retornar ao Senhor de todo o coração. Se retornarmos, Ele retornará a nós.
Na verdade, estamos onde estamos porque Ele retornou a nós em Sua misericórdia. Mas não deveríamos retornar a Ele de todo o coração? Que não vejamos ninguém, senão somente Jesus. Que vejamos o Senhor Jesus em nossos irmãos e irmãs.
Que nosso coração esteja ocupado somente com Ele. Que O amemos com um coração puro, sem segundas intenções. Nós O amamos não por causa de Sua bênção; nós O amamos por Quem Ele é.
Se retornarmos a Ele, Ele retornará a nós. Ele retornará com bênçãos abundantes, e todas essas bênçãos contribuirão para a vinda do reino de Deus a esta terra.
Qual é a maior bênção? A maior bênção é termos visto a Ele face a face e sermos conhecidos por Ele.
Portanto, irmãos e irmãs, há uma mensagem para nós hoje. A palavra é retornar. Vamos orar?
Tu, que sondas o coração dos homens, sonda-nos. Fala a cada um de nós. Há um afastamento.
Senhor, faze-nos voltar, para que retornemos a Ti, para que retornes a nós de maneira mais plena, a fim de que todo o Teu glorioso plano para Teu Filho seja cumprido. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus, nosso Rei. Amém.