Abram em Malaquias. Vamos ler Malaquias 1:1-6, Malaquias 3:16-18 e Malaquias 4:4-6.
Malaquias 1:1-6:
Peso da palavra do Senhor contra Israel, por intermédio de Malaquias.
Eu vos tenho amado, diz o Senhor.
Mas vós dizeis: Em que nos tens amado?
Não foi Esaú irmão de Jacó? diz o Senhor; todavia, amei a Jacó;
porém aborreci a Esaú, e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto.
Ainda que Edom diga: Fomos destruídos, mas tornaremos a edificar os lugares assolados; assim diz o Senhor dos Exércitos: Eles edificarão, mas Eu derribarei; e os homens lhes chamarão território da impiedade e povo contra quem o Senhor está indignado para sempre.
E os vossos olhos o verão, e direis: Seja o Senhor engrandecido além dos limites de Israel.
O filho honra o pai, e o servo, o seu senhor. Se Eu sou Pai, onde está a Minha honra? E, se Eu sou Senhor, onde está o Meu temor? diz o Senhor dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o Meu nome. E vós dizeis: Em que temos desprezado o Teu nome?
Malaquias 3:16-18:
Então, os que temiam ao Senhor falaram uns com os outros; e o Senhor atentou e ouviu, e um livro de memória foi escrito diante Dele, para os que temiam ao Senhor e para os que meditavam no Seu nome.
E eles serão Meus, diz o Senhor dos Exércitos, Minha própria possessão, naquele dia que farei; e Eu os pouparei, como um homem poupa o seu próprio filho que o serve.
Então, tornareis a discernir entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não O serve.
Malaquias 4:4-6:
Lembrai-vos da lei de Moisés, Meu servo, a qual lhe ordenei em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e ordenanças.
Eis que Eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.
E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que Eu não venha e fira a terra com maldição.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, enquanto esperamos em Tua presença, olhamos para o Espírito Santo, para que sopre sobre a Tua Palavra escrita e a torne viva e operante na vida de cada um de nós. Entregamo-nos a Ti para receber a Tua Palavra. Pedimos, Senhor, que, pela Tua Palavra, sejamos santificados, transformados e nos tornemos aqueles que verdadeiramente satisfazem o Teu coração. Entregamos este tempo em Tuas mãos, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Malaquias é o último livro do Antigo Testamento. Desde o princípio, quando Deus criou o homem, Deus tem falado ao homem. Hebreus 1:1 diz que, antigamente, Deus falou aos nossos pais muitas vezes e de muitas maneiras, por meio dos profetas. Nosso Deus é um Deus que fala. Ele ama revelar-Se ao Seu povo, para que sejamos abençoados.
Mas, infelizmente, vemos como somos lentos para ouvi-Lo e obedecer-Lhe. O Antigo Testamento começa com Gênesis, o livro dos começos. Começa com a criação: a criação do homem e a maneira como Deus colocou o homem no jardim do Éden, o jardim do prazer, diante da árvore da vida.
Contudo, quando vocês chegam ao fim de Gênesis, veem um caixão no Egito. Então, olhem para este último livro do Antigo Testamento, Malaquias. Ele começa com uma declaração maravilhosa, extraordinária, gloriosa. Deus diz:
Eu vos tenho amado.
Creio que não há anúncio mais glorioso do que esse. Contudo, quando vocês chegam ao fim de Malaquias, encontram uma palavra terrível, assustadora: maldição.
Ao longo de toda a história da humanidade, Deus é sempre fiel, mas o homem sempre falha. Na verdade, vemos que realmente não há esperança no primeiro homem nem em todos os que são de Adão. Nossa única esperança está no segundo Homem, nosso Senhor Jesus Cristo. Naturalmente, isso nos conduz ao Novo Testamento.
Para compreender o livro de Malaquias, precisamos conhecer um pouco de seu contexto. Malaquias significa “Meu mensageiro”. Não sabemos se esse era o nome do profeta — provavelmente era — ou se o profeta adotou esse título para ocultar a si mesmo e deixar que a mensagem que transmitia fosse conhecida pelo povo.
Mas uma coisa sabemos: o peso da Palavra do Senhor a Israel veio a Malaquias. Deus falou ao Seu povo Israel por meio de Seu profeta Malaquias.
Quanto à época, Malaquias profetizou cerca de um século depois que o remanescente voltou do cativeiro babilônico. Em Sua misericórdia, Deus permitiu que Seu povo, que estava no cativeiro, voltasse da Babilônia para Jerusalém a fim de reconstruir Seu templo.
Infelizmente, a maioria dos filhos de Israel permaneceu no cativeiro. Apenas um remanescente, cujo espírito foi despertado por Deus, dispôs-se a deixar o lugar onde vivia e voltar a Jerusalém, que naquela época era uma cidade em ruínas, para edificar uma casa para Deus.
Isso aconteceu por volta de 536 a.C. O remanescente voltou sob a liderança conjunta de Zorobabel e Josué. Com a ajuda dos dois profetas, Ageu e Zacarias, o templo finalmente foi reconstruído.
Então, cerca de setenta anos depois, Esdras voltou com algumas pessoas do cativeiro. Esdras voltou para embelezar o templo — isto é, para fortalecer o serviço do templo — e também para ensinar ao povo a lei de Deus.
Cerca de treze anos depois do retorno de Esdras, Neemias voltou com o propósito de reconstruir os muros de Jerusalém. Isso ocorreu por volta de 455 a.C. Neemias foi governador de Judá durante cerca de doze anos, e, durante esses doze anos, o muro de Jerusalém foi reconstruído.
Não só isso, mas o sacerdócio também foi fortalecido. O povo fez uma nova aliança com Deus. Houve um grande avivamento no tempo de Neemias. Se vocês lerem Neemias 10, verão que foi um grande avivamento, porque eles não apenas deram o que Deus lhes ordenara dar, mas deram até o que Deus não havia ordenado. Assumiram a responsabilidade pela oferta de lenha, entre outras coisas.
Mas, depois de doze anos como governador, Neemias voltou ao palácio. Durante sua ausência — provavelmente de cerca de dez anos —, a condição espiritual de todo o remanescente em Jerusalém e na terra prometida declinou muito.
O sacerdócio foi contaminado. O casamento foi desonrado. O dízimo foi esquecido. Na esfera religiosa, eram culpados de sacrilégio e profanação. Na esfera moral, eram culpados de feitiçaria, adultério, perjúrio, fraude e opressão. Na esfera social, eram infiéis às suas responsabilidades familiares. Na esfera material, eram infiéis em levar seus dízimos e ofertas ao templo de Deus.
Em muito pouco tempo, grande corrupção e degeneração se instalaram entre os filhos de Israel que estavam na terra prometida. Em Seu grande amor, Deus levantou Malaquias, por volta de 433 a.C., para despertar o coração do remanescente que estava ali.
Ao mesmo tempo, Neemias voltou. Em Neemias 13:4-31, vemos que, depois de uma ausência de alguns anos, ele voltou a Jerusalém, viu a situação e tratou daquela condição com medidas drásticas. Com Malaquias, Deus tratou da causa; com Neemias, Ele tratou do efeito. Por meio da combinação do trabalho dos dois, parece ter havido alguma restauração.
Não sabemos quão eficaz foi essa restauração. Sabemos apenas que, depois disso, Deus permaneceu em silêncio por cerca de quatrocentos anos. Deus não falou uma palavra ao Seu povo até que, quatrocentos anos depois, uma voz surgiu de repente no deserto: João Batista, chamando o povo de Deus ao arrependimento, porque o reino dos céus estava próximo.
Esse é o contexto do livro de Malaquias. É um livro muito singular. Por quê? Porque é apresentado de uma forma muito incomum: o livro inteiro é um debate.
Há duas partes nesse debate: Deus e Israel, representado pelo remanescente que havia retornado. O profeta falava por Deus e, em certo sentido, pelo povo. A Palavra de Deus vinha ao profeta, e ele transmitia a Palavra de Deus a Israel. Contudo, pelo Espírito, o profeta também expunha o coração do remanescente daquela época. Ele colocava os pensamentos deles em palavras — palavras que provavelmente nunca haviam pronunciado, mas que expressavam os pensamentos que estavam em seu coração.
A linguagem é abrupta, sem disfarces, direta e chocante. Ela nos lembra Isaías 1:18:
Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor.
Arrazoar é um último recurso que Deus usa com Seu povo. Se há amor, se há fé, se há reverência a Deus, não há motivo para discussão. A atitude adequada do homem, especialmente do próprio povo de Deus diante Dele, é prostrar-se diante Dele, humilhar-se, ouvir e obedecer à Sua Palavra.
É absurdo que a criatura discuta com seu Criador. Mas, por causa de Seu profundo amor por Seu povo, Deus Se rebaixa ao nosso nível e procura arrazoar conosco. Talvez, por meio de Seus argumentos, alguma luz possa penetrar, para que nos arrependamos e sejamos restaurados.
Assim, vemos que este é um livro muito triste: Deus precisa arrazoar com Seu povo, e encontra um povo tão insensato que nem sequer quer ouvir Sua voz.
Em Malaquias, há sete rodadas de debate. A primeira começa em Malaquias 1:2:
Eu vos tenho amado, diz o Senhor.
Mas vós dizeis: Em que nos tens amado?
O amor é a questão. O relacionamento entre Deus e o homem — entre Deus e Seu povo — é um relacionamento de amor. O amor é, de fato, o centro de todo o debate. Todo o restante depende desse único ponto.
Deus é amor. Deus sempre ama. Ele disse:
Eu vos tenho amado.
Isso significa que Ele os amou no passado, amava-os naquele momento e continuaria a amá-los até o fim. O amor de Deus é imutável e eterno. Ele não ama porque somos dignos de amor; Ele ama porque Ele é amor. Seu amor nunca é afetado pelas circunstâncias, porque procede daquilo que Ele próprio é.
O Senhor disse:
Eu vos tenho amado.
Que declaração! Vocês conseguem sentir o coração de Deus quando Ele diz isso? Contudo, o povo disse:
Em que nos tens amado?
Na verdade, estavam dizendo: “Tu não nos tens amado. Não sabemos se alguma vez nos amaste”.
Agora, lembrem-se de quem eram essas pessoas. Não eram pessoas do mundo que não conheciam a Deus. Nem sequer eram aqueles do povo escolhido que decidiram permanecer no cativeiro porque estavam interessados em seus próprios assuntos, e não nos assuntos de Deus. Eram o remanescente que havia voltado do cativeiro.
Quando voltaram, haviam sido despertados pelo Espírito de Deus. Voltaram porque amavam a Deus acima de todas as coisas. Voltaram porque queriam ver a casa de Deus edificada. Não se importavam em ter ou não uma casa; importavam-se com a casa de Deus. Estavam dispostos a abandonar tudo por Deus.
Em outras palavras, eram pessoas que amavam a Deus intensa e praticamente. Haviam abandonado tudo por amor, porque seu coração fora despertado pelo amor de Deus.
Eles se lembravam de como Deus amara Jacó. Jacó era um suplantador, um enganador, alguém que agarrava o calcanhar; e, ainda assim, Deus o amava tanto. Deus estava disposto a dedicar tempo a ele, a ser paciente com ele e a discipliná-lo até transformar Jacó em Israel, um príncipe de Deus.
De Jacó vieram os doze filhos e as doze tribos; das tribos veio a nação de Israel. Como Deus amava aquela nação! Ele os tirou do Egito e os levou a Canaã. O amor de Deus está escrito em toda a história de Jacó e em toda a história de Israel. Deus os tirou do cativeiro não porque fossem bons, mas porque Deus era misericordioso e fiel.
E, irmãos e irmãs, esse povo dizer a Deus: “Em que nos tens amado?” — não é absurdo?
Deus precisou explicar-lhes. Ele disse: “Vejam, Jacó era irmão de Esaú. Eram irmãos gêmeos. Mas amei a Jacó e aborreci a Esaú”. Por quê? Não porque Jacó fosse melhor do que Esaú. Na verdade, em Adão, todos são iguais.
Mas, de alguma forma, Jacó tinha interesse pelas coisas espirituais. Ele desejava o direito de primogenitura, que é algo espiritual. Desejava a bênção do primogênito. Mas Esaú amava o mundo. Amava o que era imediato e estava disposto a vender seu direito de primogenitura.
Porque Jacó, por assim dizer, respondeu ao amor de Deus, Deus o amou até o fim. De fato, Deus o disciplinou. Ele passou por tempos muito difíceis. Mesmo quando esteve diante de Faraó, disse que sua vida havia sido difícil. Mas Deus o disciplinou para amadurecê-lo e conduzi-lo à condição de filho, àquele direito de primogenitura.
Esaú era diferente. Exteriormente, Esaú talvez fosse melhor do que Jacó. Era despreocupado, aberto, franco e rude. Mas não tinha nenhum desejo por Deus. Amava o mundo. Por causa disso, foi aborrecido por Deus. Deus o castigou, mas Edom, que descendia de Esaú, rebelou-se contra o juízo de Deus. Deus disse que, não importava o que Edom fizesse, seria destruído.
Deus mostra quanto amava Jacó e quanto amava Israel. Queridos irmãos e irmãs, uma vez que vocês respondem ao amor de Deus, Deus nunca os abandonará. Uma vez que vocês respondem ao amor de Deus, Deus os amará até o fim.
Mesmo que vocês se afastem Dele, se desviem ou se tornem endurecidos como o remanescente daquela época, o amor continuará a persegui-los até que Ele os traga de volta a Si. Esse é o amor de Deus.
Sabem, às vezes, quando estamos cercados de amor, tornamo-nos insensíveis a esse amor. Talvez seja necessário passar por um tempo em que esse amor nos falte para começarmos a valorizá-lo.
Vim de uma família amorosa. Meus pais amavam todos os sete filhos. Nunca saí de casa até que o Senhor me chamou para sair. Eu estava cercado de amor, mas, naquela época, não percebia quanto meus pais me amavam.
Às vezes, eu pensava que meus pais amavam este ou aquele mais do que a mim, porque eu era um dos filhos do meio. Geralmente, vocês sabem, uma mãe pode amar mais o filho mais velho, e um pai pode amar mais a filha mais nova. Mas eu era um dos filhos do meio.
Só percebi isso depois de terminar a faculdade e sair de casa, quando o Senhor me chamou. Eu estava longe de casa, morando sozinho no quarto do andar de cima de uma livraria evangélica, quando, de repente, um dia, fui tocado pelo amor de meus pais. De repente, percebi quanto eles me amavam.
Pude lembrar que, quando eu ficava doente, meus pais não levavam os filhos ao hospital; sempre cuidavam de nós até nos recuperarmos. Quando eu estava na faculdade, às vezes estudava até tarde na cama, adormecia, e minha mãe vinha à meia-noite e me cobria. De repente, fui tocado pelo amor deles. Fiquei tão comovido que lhes escrevi uma carta para dizer quanto apreciava seu amor.
Ah, irmãos e irmãs, quando vocês estão cercados de amor, esquecem que são amados. Deus amava tanto Israel. Toda a história deles era a história do amor de Deus por eles. Contudo, conseguiam dizer a Deus: “Em que nos tens amado?”. Esqueceram toda a bondade de Deus. Provavelmente, tudo de que se lembravam era da disciplina de Deus.
Culpavam a Deus por todas as suas aflições. Talvez se perguntassem por que as promessas de Deus ainda não haviam se cumprido, por que ainda estavam sob o domínio persa, por que a vida ainda era difícil e onde estavam as bênçãos que Deus lhes havia prometido. Não sabiam que estavam sob disciplina — e que aquela disciplina era a disciplina do amor.
Irmãos e irmãs, o primeiro amor é o que Deus realmente busca. Será que Deus tem uma controvérsia conosco hoje? Não somos um povo amado por Ele? Não respondemos ao Seu amor?
Vocês ainda são constrangidos diariamente pelo amor de Cristo? Ou, quando se menciona o amor de Deus, isso parece uma história antiga — uma história esquecida? Onde está nosso primeiro amor?
Nós O amamos acima de todas as coisas? Estamos dispostos a abrir mão de qualquer coisa, de tudo, por Ele? Ainda vivemos para Ele, e não para nós mesmos? Onde está nosso primeiro amor?
Nosso coração se tornou tão endurecido que começamos a nos perguntar se Deus nos ama ou não? Começamos a dizer: “Em que Ele nos tem amado? Ele nunca nos amou”?
O relacionamento entre Deus e Israel é um relacionamento de amor, como o de um marido e uma esposa. Deus era como um marido para eles. Ele os amava muito, mas Israel não correspondia ao Seu amor.
Cristo amou tanto a igreja que Se entregou por ela. Mas a igreja corresponde a esse amor de Cristo? Essa é a primeira rodada de debate.
Isso parece não ter produzido efeito. Na segunda rodada, Deus diz, em essência: “Mesmo que vocês se esqueçam de que Eu sou seu Marido, e de que Israel é Minha esposa, pelo menos deveriam se lembrar de que Eu sou seu Pai”.
“Vocês são o que são hoje por causa de Mim. Eu sou seu Pai. Ora, como Pai, não devo ser honrado? O filho honra o pai, e o servo, o seu senhor. Se Eu sou seu Pai, onde está a Minha honra?”
Não falemos de amor. Falemos de honra. Vocês Me respeitam? Vocês Me honram como seu Pai, como Aquele que os alimenta, cuida de vocês com carinho, cria vocês e lhes supre tudo?
Se vocês não Me honram como Pai, vamos descer mais um nível. Não sou Eu seu Senhor? Não os remi do Egito e os tirei do cativeiro na Babilônia? Pelo menos sou seu Senhor, e vocês são Meus servos. Onde está seu temor? Se vocês não Me honram, pelo menos deveriam Me temer.
Deus fala especialmente aos sacerdotes. Os sacerdotes foram separados com o propósito de honrar a Deus e reconhecê-Lo como santo. Representavam a santidade de Deus. Ensinavam ao povo a lei de Deus: que Deus é santo, que deve ser honrado e que deve ser temido.
Mas esses sacerdotes haviam se degenerado tanto. Não honravam a Deus. Não temiam a Deus. Tomavam a dianteira em desprezar o nome de Deus. Pensem nisso.
O nome de Deus é santo. Nos Dez Mandamentos, o terceiro mandamento é:
Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão.
Em outras palavras, não desprezem o nome de Deus. Honrem o nome de Deus. Não o pronunciem de maneira leviana, como as pessoas hoje podem usar casualmente o nome de Deus, como se não fosse nada. Elas desprezam o nome de Deus, como se Deus não fosse ninguém, como se Deus não fosse nada.
Contudo, até os sacerdotes desprezavam o nome de Deus, e ainda diziam: “Em que Te temos desprezado?”. Por quê? Porque Deus havia se tornado um ninguém para eles. Não se despreza alguém que se considera um ninguém.
Eles menosprezavam a Deus a tal ponto que Ele simplesmente não era nada para eles. Por isso, não O honravam. Não O temiam.
Irmãos e irmãs, e quanto a nós hoje? Se não amamos a Deus, pelo menos devemos honrá-Lo e respeitá-Lo. Se não O respeitamos, pelo menos devemos temê-Lo, porque Ele é Deus.
Santificado seja o Teu nome.
Essa é uma oração que nosso Senhor Jesus ensinou Sua igreja a fazer. Santificado seja o Teu nome. Somos um povo chamado pelo Seu nome. Em outras palavras, o nome de Deus está sobre nós. Parece depender de nós se esse nome será honrado ou desonrado.
Trazemos honra a Deus com nossa vida, ou trazemos desonra a Deus com nossa vida? Olhem para os filhos de Israel. O nome de Deus foi desonrado por causa do que eles eram. Pensem na igreja inteira: damos glória ao Seu nome ou trazemos vergonha ao Seu nome? Onde estamos?
Quando o coração se endurece, a mente se obscurece. Efésios diz que as pessoas estão separadas da vida de Deus, com o entendimento obscurecido, por causa da dureza de seu coração.
Na primeira rodada de debate, a questão é o coração. O amor é uma questão do coração. Na segunda rodada, a questão é a mente. Vocês compreendem? Vocês sabem? Mas o remanescente estava tão cego que desprezava o nome de Deus e não reconhecia isso.
Costumamos dizer que o amor é cego. Em certo sentido, o amor cobre uma multidão de coisas. Mas há outro lado: o amor traz luz. Onde há amor, há luz. Deus é amor, e Deus é luz. Mas, onde falta o amor, a luz desaparece. É por isso que a mente se obscurece. É uma situação muito triste.
A terceira rodada está em Malaquias 1:7:
Ofereceis pão imundo sobre o Meu altar.
E dizeis: Em que Te havemos profanado?
Nisto, que dizeis: A mesa do Senhor é desprezível.
Deus diz: “Vocês ofereceram pão imundo sobre o Meu altar”. Eles respondem: “Em que Te havemos profanado?”. Por quê? Porque consideravam a mesa do Senhor desprezível.
Os sacerdotes deveriam oferecer sacrifícios a Deus sobre o altar. Segundo a lei de Deus, todos esses sacrifícios tinham de ser sem defeito. Todas as ofertas tinham de ser puras. Por quê? Porque todos esses sacrifícios eram tipos de Cristo, o Cordeiro de Deus, santo e sem defeito.
Mas, naquela época, o que eles faziam? Ofereciam a Deus os animais cegos, coxos e doentes. Mesmo quando faziam um voto, ao cumpri-lo, trocavam o sacrifício. Guardavam o melhor para si e davam o pior a Deus.
Deus disse: “Se vocês derem uma oferta dessas ao seu governador, será que ele os receberá favoravelmente? Quem sou Eu, para vocês Me tratarem assim? Eu sou Rei”.
“Ah, se alguém fechasse as portas do templo! Não quero que ofereçam, porque não os receberei favoravelmente. Estou cansado disso.”
Queridos irmãos e irmãs, o que havia acontecido? Os filhos de Israel, o remanescente que havia retornado e os sacerdotes ainda ofereciam sacrifícios. Mas, para eles, aquilo havia se tornado um ato religioso, uma formalidade, um costume. Seus pais haviam feito daquela maneira, então achavam que tinham de fazer daquela maneira. Não havia coração naquilo.
Eles simplesmente cumpriam o ritual, e os sacerdotes se tornaram profissionais. Mantinham a forma da piedade, mas não o seu poder. Tudo era formalidade — formalidade religiosa —, talvez apenas para subornar a própria consciência.
Na verdade, não davam importância àquilo, porque a mesa do Senhor era desprezível para eles. “Que canseira ter de fazer essas coisas!” Na realidade, Deus disse: “Eu não pedi que vocês fizessem essas coisas. Gostaria que fechassem tudo”. Contudo, continuavam a fazê-las.
Mas Deus disse: “Eu sei como vindicar o Meu nome”.
Desde o nascente do sol até o poente, o Meu nome será grande entre os gentios; e em todo lugar se oferecerá ao Meu nome incenso e uma oferta pura: porque o Meu nome será grande entre os gentios, diz o Senhor dos Exércitos.
Vocês não honram o Meu nome e contaminam a Minha mesa. Mas Deus diz que, desde o nascer do sol até o seu pôr, Seu nome será grande entre as nações. Irmãos e irmãs, isso se cumpriu na igreja.
Embora Israel não honrasse, respeitasse ou amasse a Deus, e até O desprezasse, Deus vindicou Seu nome. De toda tribo, língua, povo e nação, Deus levantou um povo para Si. Eles devem trazer-Lhe incenso puro e sacrifícios espirituais.
Não somos pedras vivas, sendo edificadas juntas como casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo? Isso é a igreja.
O que é um sacrifício puro? Na realidade, o sacrifício espiritual consiste em oferecer a Deus o Cristo que Ele nos deu e de Quem nos apropriamos. Isso é sacrifício espiritual, porque somente Cristo pode satisfazer a Deus. Somente Ele é o alimento de Deus.
Quando tentamos apresentar a nós mesmos — o produto de nossas próprias mãos, de nossa própria energia, da carne —, até o melhor, aos olhos de Deus, é o doente, o cego e o coxo. Contaminamos a mesa do Senhor.
Irmãos e irmãs, na adoração, nós O adoramos em espírito e em verdade, não em nossa carne. Na oração, oramos no Espírito, não em nossa carne. No serviço, servimos no poder do Espírito, não na energia de nossa carne. Esses são incenso puro e sacrifícios puros.
Será que contaminamos a mesa do Senhor?
Deus disse: “Fiz uma aliança com Levi, uma aliança de vida e paz, para que de sua boca saísse a lei de Deus”. Deus os disciplinaria até obter para Si um sacerdócio espiritual e santo. Essa é a terceira rodada de debate.
A quarta rodada se encontra em Malaquias 2:17:
Enfadais ao Senhor com vossas palavras.
E ainda dizeis: Em que O enfadamos?
Nisto, que dizeis: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor, e Ele Se agrada deles; ou: Onde está o Deus do juízo?
A impiedade produz injustiça. Quando as pessoas não estão em uma relação correta com Deus, não podem estar em uma relação correta com o próximo. O relacionamento do remanescente que havia retornado com Deus estava errado. Eles não amavam a Deus, não O honravam nem O temiam. Desprezavam Seu nome. Ofereciam pão imundo a Deus e não davam importância a isso.
Se faziam isso com Deus, o que se poderia esperar que fizessem com o próximo? Começaram a oprimir o próximo. Cometiam falsificação e fraude. Tornaram-se infiéis no casamento.
Se vocês lerem Neemias 13, verão que, quando Neemias voltou depois de sua ausência, os filhos de Israel haviam começado novamente a se casar com as filhas das nações. Divorciavam-se de suas próprias esposas e se casavam com mulheres estrangeiras.
Contudo, ainda vinham ao altar. Choravam e gemiam como se fossem as pessoas mais piedosas do mundo. Usavam suas orações para encobrir seu pecado. Hipocrisia. Eram pessoas hipócritas. Viviam uma vida dupla.
Não só isso, mas ainda diziam:
Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor, e Ele Se agrada deles.
Onde está o Deus do juízo?
Em outras palavras, Deus não contava para eles. Deus não Se importava. Você podia fazer o que quisesse. Deus não julgaria.
“Afinal, somos o povo escolhido de Deus. Nada nos acontecerá.” Mas João Batista disse:
Não digais que sois filhos de Abraão. Deus pode destas pedras suscitar filhos a Abraão.
Se vocês não se arrependerem, ser filhos de Abraão não os salvará.
Irmãos e irmãs, vocês veem que o espírito do farisaísmo e do saduceísmo já estava presente ali. O espírito do farisaísmo consiste em manter uma aparência exterior como se a pessoa fosse a mais piedosa do mundo, enquanto, em segredo e em particular, devora a casa da viúva.
Lavavam o exterior dos recipientes, enquanto o interior estava cheio de hipocrisia. Essa é uma das coisas que nosso Senhor mais odiava. Durante toda a Sua vida, Ele pronunciou ais contra os hipócritas e amaldiçoou a figueira porque havia folhas, mas nenhum fruto — falsidade, nenhuma realidade.
Depois havia o espírito do saduceísmo: a incredulidade. Eles não acreditavam em anjos, em espírito nem em ressurreição. Aqui, o mesmo espírito já estava presente. “Onde está o Deus do juízo? Ele não está em lugar nenhum. Se há um Deus, Ele não Se importa. Ele nunca julgará. Somos o povo escolhido. Temos Abraão como pai.”
Não é assim. Nem todo Israel é Israel, mas somente os que são da fé. Irmãos e irmãs, onde estamos? Deus disse: “Vocês Me têm enfadado”. Ah, como podemos, por assim dizer, esgotar a paciência de Deus. Temos posto à prova a paciência de Deus.
Como é nosso relacionamento com o próximo? Como é nosso relacionamento com nossos irmãos e irmãs? Somos fiéis ao nosso cônjuge? Vivemos uma vida dupla ou uma vida pura diante de Deus e dos homens?
Paulo disse que vivia diante de Deus e dos homens com uma consciência sem ofensa. Onde estamos? Nossas ações correspondem às nossas palavras?
A quinta rodada se encontra em Malaquias 3:7:
Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos Meus estatutos e não os guardastes. Tornai-vos para Mim, e Eu Me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos.
Mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?
Eles diziam: “Onde está o Deus do juízo?”. Deus simplesmente não Se importa. Não sabiam que aquilo era a longanimidade e a paciência de Deus. Um dia, o juízo viria.
Eis que Eu envio o Meu mensageiro, e ele preparará o caminho diante de Mim: e, de repente, virá ao Seu templo o Senhor, a Quem vós buscais; e o Mensageiro da aliança, a Quem vós desejais, eis que Ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.
Mas quem poderá suportar o dia da Sua vinda? E quem subsistirá quando Ele aparecer?
Porque Ele é como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros;
e assentar-Se-á como fundidor e purificador de prata.
Queridos irmãos e irmãs, o Deus do juízo julgará. O juízo não vem hoje por causa de Sua longanimidade. Mas, quando Ele julgar, será como o fogo do ourives. Ele Se assentará como um fundidor para purificar a prata, removendo a escória, para que o ouro e a prata puros possam surgir.
Ah, irmãos e irmãs, no juízo há misericórdia. Considerando o que somos, todos deveríamos ser consumidos. Não há nada além de escória, diríamos. Mas, graças a Deus, no juízo há misericórdia. Deus colocou Sua vida, Cristo, em nós. Ele a refinará e a fará aparecer.
Mas Deus disse: “Voltem para Mim. Se apenas voltarem para Mim, Eu voltarei para vocês”. Contudo, eles disseram: “Em que havemos de voltar? Nunca nos desviamos. Estamos certos”.
Há mais esperança para o filho pródigo do que para o irmão mais velho. O filho pródigo se arrependeu e voltou. Mas o filho mais velho achava que nunca precisava se arrepender, e o resultado foi que permaneceu fora da casa do pai.
Queridos irmãos e irmãs, onde estamos? Abandonamos nosso primeiro amor? Honramos a Deus como nosso Pai? Nós O tememos como nosso Senhor? Desprezamos Seu nome, contaminamos Sua mesa, vivemos como hipócritas e cometemos o pecado da incredulidade? Se é assim, deixemo-nos conduzir de volta, e Deus voltará para nós.
A sexta rodada está em Malaquias 3:8:
Roubará o homem a Deus? Todavia, vós Me roubais.
Mas dizeis: Em que Te roubamos?
Nos dízimos e nas ofertas.
Deus disse: “Vocês Me roubam”. Eles disseram: “Em que Te roubamos?”. Deus respondeu: “Nos dízimos e nas ofertas”.
O dízimo era uma lei que Deus deu aos filhos de Israel: deveriam dar a décima parte de toda a sua renda. O propósito era lembrá-los de que aquilo que tinham não lhes pertencia; havia sido dado por Deus. Eram administradores, não donos.
O dízimo serve para lembrar às pessoas que elas são administradoras, não donas. Mas o remanescente que havia retornado retinha seus dízimos. Não levavam o dízimo à casa do tesouro de Deus. Por causa disso, os levitas e os sacerdotes, que viviam do dízimo, tiveram de voltar a cultivar seus campos, e o serviço do templo foi negligenciado.
O que é uma oferta? Uma oferta é uma dádiva de amor. Quando vocês são tocados pelo amor de Deus e desejam dedicar algo a Deus, dão isso como um presente a Deus. Essa oferta deve ser o melhor, não uma sobra.
Deus disse: “Vocês Me roubam. Se trouxerem os dízimos e as ofertas à Minha casa do tesouro e Me provarem, abrirei as janelas dos céus e derramarei sobre vocês Minha bênção, até que não haja espaço para recebê-la”.
Queridos irmãos e irmãs, li em algum lugar — não me lembro de quem disse — que temos muito cuidado em dar a César o que é de César, porque, se não o fizermos, o IRS, o fisco dos Estados Unidos, virá atrás de nós. Mas não temos cuidado em dar a Deus o que é de Deus.
Não é necessariamente dinheiro que vocês roubam de Deus, embora possam fazê-lo. Vocês podem roubar de Deus seu tempo. Podem roubar de Deus sua vida. Podem roubar de Deus o dom que Ele lhes deu. Podem roubar de Deus a graça que Ele lhes deu. Podemos roubar a Deus de muitas maneiras.
Quem pode dizer que nunca roubou a Deus — que sempre deu a Deus o que é de Deus? Nossa vida pertence a Ele. Entregamos nossa vida a Ele como nossa oferta?
Quanto a todos os dons que Deus nos deu, somos administradores. Sejam dons espirituais ou dádivas materiais, somos administradores. Somos fiéis em servi-Lo? Chegamos a tal ponto que roubamos a Deus e não temos consciência disso?
Como é triste quando Deus precisa contender com Seu povo e dizer: “Vocês Me têm roubado”. A sétima rodada se encontra em Malaquias 3:13:
As vossas palavras foram duras contra Mim, diz o Senhor.
Mas dizeis: Que temos falado contra Ti?
Vós dizeis: Inútil é servir a Deus; e que proveito temos tido em guardar os Seus preceitos e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos?
Aqui vemos que o remanescente que havia retornado se degenerara a tal ponto que, depois de abandonar seu primeiro amor, havia caído em rebelião aberta. Suas palavras eram duras contra Deus — palavras severas. “De que adianta servir a Deus? Que proveito temos em servi-Lo?”
Estavam em rebelião aberta contra Deus, mas eram tão insensíveis que não sabiam disso.
Mas Deus disse: “Nessas circunstâncias, ainda tenho um povo — um remanescente dentre o remanescente que voltou —, aqueles que ainda temem o Meu nome, que ainda mencionam o Meu nome e que encorajam uns aos outros no temor do Senhor”.
“Estou ouvindo. Estou observando. Estou escrevendo em Meu livro. Eu Me lembro deles. Eu os considerarei Meu tesouro particular. Eu os pouparei como alguém poupa seu único filho, para o dia em que vier o juízo.”
Queridos irmãos e irmãs, Deus nunca falha. Os homens podem falhar, mas Deus nunca falha. Ele ainda terá Seu povo que O teme, O honra e O ama. Mesmo que seja um remanescente dentre o remanescente, eles serão um povo particular para Deus, um tesouro para Ele.
Deus será honrado. Ah, que possamos estar entre esse povo. Quando Cristo voltar, Ele será como o sol da justiça, com cura em Suas asas.
Depois das sete rodadas de debate, Deus encerra o debate com Sua palavra final em Malaquias 4:4-6: “Lembrem-se da lei de Moisés. Enviarei Elias”.
O que isso significa? Moisés representa a lei, e Elias representa os profetas. O que a lei e os profetas ensinam?
Em Mateus 22:37-40, um intérprete da lei veio pôr nosso Senhor à prova e perguntou: “Qual é o maior mandamento?”. O Senhor disse:
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.
Este é o grande e primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
Em outras palavras, é disso que trata todo o debate. Lembrem-se de Moisés. Pensem em Elias. Arrependam-se. Voltem ao amor. É isso que Deus quer.
A última mensagem do Antigo Testamento é uma mensagem de arrependimento. Quando vocês abrem o Novo Testamento, a primeira mensagem também é uma mensagem de arrependimento.
Quando chegam ao último livro do Novo Testamento, veem que a mensagem às sete igrejas é a mesma: arrependam-se, voltem ao primeiro amor, porque Deus é amor.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, fala conosco. Torna-nos sensíveis a Ti, para que nos arrependamos e voltemos, e sejamos restaurados ao primeiro amor que Tu buscas. Que o Teu coração seja satisfeito, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.