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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Vocational Fellowship #4 of 6 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Vocational Fellowship #4 of 6
    Vocational Fellowship #4 of 6
    Austin-Sparks, T.

    A Vocação Celestial da Igreja

    Em vez de lermos uma única passagem das Escrituras, vamos reunir várias passagens breves. Isso vai testar a agilidade de vocês com a Palavra; elas estão espalhadas por toda parte.

    Primeiro, tomamos a passagem que tem sido como uma bandeira sobre este período, sob a qual temos reunido tudo o mais: Jeremias 17:12.

    Um trono de glória, posto nas alturas desde o princípio,
    É o lugar do nosso santuário.

    Um trono de glória, posto nas alturas desde o princípio, é o lugar do nosso santuário.

    Agora, bem mais adiante, vamos à Carta aos Hebreus, Hebreus 1:8-9:

    Mas, acerca do Filho, diz:
    O Teu trono, ó Deus, é para todo o sempre;
    E o cetro de retidão é o cetro do Teu reino.
    Amaste a justiça e odiaste a iniquidade;
    Por isso Deus, o Teu Deus, Te ungiu
    Com o óleo de alegria acima dos Teus companheiros.

    Um trono de glória, posto nas alturas desde o princípio.

    Acerca do Filho, diz:

    O Teu trono, ó Deus, é para todo o sempre.

    Depois, voltamos aos Salmos — a Salmos 2:8:

    Pede-Me, e Eu Te darei as nações por herança,
    E os confins da terra por Tua possessão.

    Vocês percebem que o contexto relaciona isso ao Filho.

    Agora, mais um salto para o Novo Testamento, para o Livro de Atos, Atos 1:8:

    Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo;
    E sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria,
    E até aos confins da terra.

    Pede-Me, e Eu Te darei as nações por herança,
    E os confins da terra por Tua possessão.

    Sereis Minhas testemunhas até aos confins da terra.

    A Carta aos Efésios. Que conferência estaria completa sem Efésios? Efésios 1:4:

    Assim como Ele nos escolheu Nele antes da fundação do mundo.

    Ele nos escolheu Nele antes da fundação do mundo. Depois, Efésios 1:9-10:

    Fazendo-nos conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propôs Nele,
    Para uma dispensação da plenitude dos tempos,
    Para reunir todas as coisas em Cristo,
    As coisas nos céus e as coisas na terra; Nele, digo.

    Ele nos escolheu Nele antes da fundação do mundo. Fez-nos conhecer o segredo da Sua vontade: reunir todas as coisas em Cristo.

    E voltamos ao nosso profeta Jeremias, para reler as palavras de Jeremias 1:4-5:

    Ora, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
    Antes que Eu te formasse no ventre, te conheci,
    E antes que saísses da madre, te santifiquei;
    Eu te constituí profeta às nações.

    Pede-Me, e Eu Te darei as nações por herança.

    Eu te constituí profeta às nações.

    Sereis Minhas testemunhas até aos confins da terra.

    As Montanhas e a Perspectiva Espiritual

    Será que vocês já perceberam algo muito evidente na Bíblia? A maioria dos grandes acontecimentos estava ligada a montanhas.

    Basta dizer isso, e a memória de vocês percorrerá muitas montanhas nas quais algo grandioso aconteceu — de fato, um ponto onde o céu e a terra se encontraram.

    O valor de uma montanha é que ela nos ajuda a ter perspectiva. Ela nos dá uma visão abrangente de toda a situação. Coloca todos os detalhes e aspectos particulares em sua devida relação, de modo que tudo possa ser visto não apenas como algo em si mesmo, mas como parte de um todo.

    Ali vocês adquirem um senso de proporção e equilíbrio. Esses são alguns dos benefícios de uma montanha.

    E, abrindo um parêntese, vocês não acham que isso é justamente parte do benefício que encontros como estes, que chamamos de períodos de conferência, deveriam proporcionar? Todos sentimos a necessidade de que nosso senso de proporção seja mantido e preservado.

    Estamos perto demais das coisas. Os detalhes nos pressionam; a situação imediata toma conta de nós. As coisas que estão diante dos nossos olhos e fazem parte da nossa experiência tendem a se tornar tudo e a excluir tantas outras. Elas nos dominam justamente porque estamos tão perto delas. A perspectiva fica comprometida, e há muita confusão exatamente por esse motivo.

    Estas passagens que lemos são, em si mesmas, picos de montanhas e, juntas, constituem uma grande e gloriosa montanha que poderia nos libertar dessa obsessão pelas coisas opressivas que estão perto demais — justamente aquilo pelo qual nós mesmos estamos passando.

    Por isso, temos de deixar nosso isolamento e nosso enclausuramento espiritual e subir a um ponto elevado de observação nos céus.

    Isso ganhou um lugar importante em nosso Novo Testamento quando a visão de perto poderia ter levado ao completo desespero. Os acontecimentos imediatos no cristianismo, entre os crentes e nas igrejas, poderiam ter produzido no apóstolo uma desesperança que o teria lançado nas profundezas do vale do desespero.

    Ele subiu às alturas. E vocês e eu, queridos amigos — e a igreja desde então, até o fim desta era —, teremos uma enorme dívida para com aquele homem por ter subido a montanha em espírito, de dentro da sua cela de prisão.

    Ele usou repetidamente aquela expressão própria das alturas: as regiões celestiais em Cristo Jesus.

    Então, precisamos subir até lá novamente. Que o Senhor nos dê hoje vigor para subir a montanha, para nos elevarmos como sobre asas, para vermos de novo para que fomos chamados e em que fomos chamados a participar.

    Essa é a visão que salva. Essa é a perspectiva que redime: aquilo em que realmente fomos chamados a participar e para o qual fomos chamados; aquilo de que fazemos parte, se estamos realmente em plena comunhão com Deus.

    Qual é o sentido de tudo isso? A que se deve todo esse conflito? A que se deve toda essa pressão? A que se deve toda essa disciplina? A que se deve todo esse sofrimento?

    Existe uma única coisa capaz de responder, e que de fato responda, a todas essas indagações e clamores? Bem, tenho certeza de que às vezes vocês fazem essa pergunta: “O que significa tudo isso? Qual é o sentido de tudo isso? Por que isto e aquilo?”

    O Senhor responderá a esse clamor. Terá valido a pena termos vindo aqui. Então, vamos subir a montanha.

    A Ascensão pelo Arco-Íris em Meio à Chuva

    Todos conhecemos um verso de um hino muito conhecido e, creio eu, muito amado, de George Matheson: “Ó Amor que Não Me Deixarás”.

    Depois da sua morte, quando o poema foi encontrado e surgiu a ideia de publicá-lo, aqueles que o encontraram depararam com um verso que os deixou perplexos. Não conseguiam compreendê-lo bem, nem entendê-lo. Parecia misterioso, abstrato; por isso, decidiram mudá-lo.

    Na nossa versão, temos o verso:

    Eu contemplo o arco-íris em meio à chuva.

    Mas George Matheson havia escrito:

    Eu subo pelo arco-íris em meio à chuva.

    Uma diferença e tanto.

    “Eu contemplo o arco-íris em meio à chuva” — está bem; isso é uma contemplação artística, uma maneira poética de falar. Mas, quando George Matheson escreveu aquele poema, estava sob o domínio de um tremendo conflito espiritual. Para ele, tudo na vida estava abalado. Um verdadeiro dilúvio se abatia sobre a sua alma.

    Ele não ficou recostado numa contemplação poética, dizendo: “Eu contemplo o arco-íris em meio à chuva”. Ele próprio chegou lá. Disse: “Eu subo pelo arco-íris em meio à chuva”.

    Temos de nos apropriar das coisas, descobrir o que está por trás delas e nos apegar a isso. Perguntar a nós mesmos: “O que significa tudo isso? Qual é o sentido de tudo isso? Qual é a explicação?”

    Há uma explicação, e ela está bem no cerne do que acabei de dizer: aquilo em que fomos chamados a participar e para o qual fomos chamados. Isso explica tudo.

    Essas dificuldades, provações, adversidades, sofrimentos e conflitos são muito reais — muito reais — para os santos. Às vezes são terríveis. Se isso é verdade, a explicação deve ser pelo menos proporcional a tudo isso. A resposta deve ser, no mínimo, suficiente para tudo isso.

    Pensem em todo o sofrimento dos santos. Nós temos algum sofrimento, mas ele se compara ao que algumas pessoas do povo do Senhor estão passando enquanto estamos sentados aqui? Não se compara.

    O que justifica tudo isso? Qual é uma resposta adequada? Somos impelidos; somos forçados a buscar uma resposta.

    Repito: a única resposta suficiente está naquilo em que fomos chamados a participar e para o qual fomos chamados.

    O Movimento Tríplice do Propósito Divino

    Agora, para compreendermos isso, vamos considerar três ciclos. As Escrituras que lemos — e elas são apenas uma seleção dentre muitas outras do mesmo tipo — trazem essas coisas à luz.

    O Filho como Centro de Todas as Coisas

    Primeiro, tudo aquilo que está compreendido na expressão repetida: todas as coisas. Todas as coisas — vocês não podem sair disso. Isso abrange tudo.

    Todas as coisas foram criadas por Deus para o Seu Filho, a Quem agora conhecemos como Jesus Cristo. Esse é o princípio de tudo. Foram criadas para Ele, por meio Dele, com vistas a Ele. Somos expressamente informados de que Ele foi constituído herdeiro de todas as coisas.

    É aí que começamos. Todas as coisas, como mostram estas Escrituras, estavam integradas Nele, subsistiam Nele, eram mantidas juntas como um todo pela Sua Pessoa — não apenas pelo Seu poder, mas pela Sua Pessoa.

    Havia uma unidade maravilhosa e harmoniosa na criação, toda centrada no Filho de Deus e ligada a Ele. Enquanto Ele estava ali, tudo era harmonioso e estava em concordância. Enquanto Ele ocupava o Seu lugar, havia uma bela unidade permeando todas as coisas.

    A grande harmonia da criação — Ele era a nota fundamental. Tudo voltava a Ele e se movia a partir Dele. Todas as coisas estavam integradas e subsistiam Nele.

    Todas as coisas foram desagregadas quando Ele foi retirado do Seu lugar, ou quando se recusou reconhecê-Lo nesse lugar. Essa é, naturalmente, uma longa história: a ruptura no céu — aquilo a que um apóstolo se refere quando diz:

    Os anjos que não guardaram o seu estado original…
    Estão reservados em prisões eternas, sob trevas, para o juízo do grande dia.

    A discórdia começou no céu, e teve de ser expulsa. Depois, entrou neste mundo, contestando os direitos do Filho de Deus sobre a criação e o Seu lugar nela. Com isso, tudo aqui foi desagregado e perdeu sua ligação.

    O primeiro retrato da criação é um belo retrato, mas isso mudou.

    Agora vemos todas as coisas com algo atuando como um fermento maligno — um poder que está o tempo todo desagregando, que nunca cessa sua obra de desagregação, que não deixa nada inteiro. Conflito: uma história terrível, ao longo de todas as eras, dessa coisa maligna trabalhando para que o último vestígio de unidade seja destruído, o último vestígio de harmonia seja rompido.

    O espírito desta era não permitirá que nada permaneça integrado em Cristo. Queridos amigos, isso não explica muita coisa, talvez — que, quanto mais se dá a Cristo o Seu lugar, mais o inimigo se preocupa em desagregar e dividir?

    Uma história triste, não é? Vocês a veem. Alguma coisa sobreviverá a isso? Alguma coisa escapará? A coisa mais bela se tornará alvo da tentativa do inimigo de desagregá-la.

    Desagregação e desconexão. Em parte, temos todas as coisas em caos e confusão porque Ele — o centro unificador e integrador de todas as coisas — não está no Seu lugar. Essa é a resposta, a explicação: porque Ele não está no Seu lugar.

    Isso pode ser uma acusação terrível contra certas situações, mas temos de encará-la com toda a honestidade e franqueza.

    A Obra de Recuperação do Filho

    Esse é o primeiro ciclo. O segundo ciclo que as Escrituras apresentam é este: o próprio Filho, o Herdeiro e Centro de todas as coisas, assume a obra de recuperação, contemplando o caos do céu.

    Voluntariamente, despojando-Se da glória celestial, Ele Se dispõe a descer a esse caos e recuperar aquilo que foi perdido. Ele assume a grande obra de recuperação.

    Ora, essa palavra, recuperação, é uma das nossas palavras favoritas, não é? A recuperação disto e daquilo que correspondia à mente e ao pensamento de Deus. O primeiro a Se empenhar nessa obra e nesse ministério foi o próprio Filho de Deus, e Ele Se comprometeu com essa obra de recuperação.

    Tendo assumido essa obra, Ele desce e entra nesse reino de desagregação. Entra diretamente em todo esse caos, desordem, discórdia e ruína — Ele próprio entra em tudo isso.

    Por Sua própria presença, conforme O vemos nas páginas dos relatos, Ele mostra como esse cenário é desagregado e cheio de discórdia.

    Há apenas uma Pessoa em todo esse quadro que, em Si mesma, é integrada, harmoniosa, equilibrada e inteira.

    Uma das coisas impressionantes a respeito do Senhor Jesus é que Ele próprio Se moveu nesse cenário com tamanha harmonia em Sua própria Pessoa. Não é fácil fazer isso neste mundo, como vocês sabem, mas Ele o fez.

    Por outro lado, como aquela presença incomodou — e essa é uma palavra muito, muito fraca —, como ela despertou completamente esses poderes caóticos, de modo que eles cresceram, cresceram e cresceram durante aquele breve período da Sua permanência na terra: uma atmosfera de conflito, ódio e discórdia, até que, por fim, irrompeu numa tempestade terrível, dilacerando a própria criação, dilacerando a própria atmosfera.

    Ninguém, ninguém, tem qualquer espécie de controle ou domínio. Os próprios elementos estão em desordem. Toda essa coisa maligna está concentrada contra Ele.

    Ele entrou nisso, antes de tudo, para testemunhar contra isso — em Sua própria Pessoa e presença —, para fazer frente a isso e para proferir palavras que contrastam da maneira mais forte com o estado e a condição do homem.

    Quais são as Suas palavras?

    Eu vos dou descanso.
    Achareis descanso para as vossas almas.
    Deixo-vos a paz; a Minha paz vos dou.

    Como essas palavras contrastam com aquela condição!

    Ali, bem no meio de tudo isso, Ele estava testemunhando contra essa condição, manifestando como as coisas deveriam ser e tornando ainda mais evidente a condição que de fato existia, para mostrar como ela era maligna. Vocês nunca sabem como algo é errado ou maligno até que aquilo que é absolutamente certo e bom esteja bem no meio dele.

    Por Sua presença, Ele Se tornou o exemplo e a testemunha — o testemunho pessoal daquilo que havia sido planejado, e contra aquilo que existe.

    Provavelmente, a mente de vocês está se adiantando ao que estou dizendo. A minha está. Vocês conseguem perceber qual será o próximo ciclo.

    A Cruz como Meio de Recuperação

    Tendo entrado e permanecido aqui por tempo suficiente — e provou ser suficiente, embora fossem apenas cerca de três anos e meio — para mostrar o contraste, evidenciá-lo e testemunhar contra aquela condição; tendo trazido tudo à luz e mostrado isso em palavras, atos e todas as Suas obras; testemunhando contra esse estado errado e condenando-o—

    —tendo permanecido aqui por tempo suficiente para ser uma testemunha em meio a tudo isso, Ele então — e este é o nosso terceiro ponto no segundo ciclo — tomou tudo sobre Si.

    Tomou tudo sobre Si. Tomou sobre Si o mal e as consequências do mal que havia entrado. Atraiu tudo para Si — sim, verdadeiramente, atraiu tudo para Si.

    Ele não procurou afastá-lo. Não procurou livrar-Se dele por meio de argumentos. Sabia o que aquilo significava.

    Que maravilha o Seu silêncio! Ele poderia ter apresentado uma defesa em Seu favor. Ele, que repetidas vezes havia mandado embora os escribas e fariseus, com toda a sua astúcia, sutileza e tentativas de armar ciladas para apanhá-Lo, como cães com o rabo entre as pernas — agora, nem uma palavra.

    Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra.

    E eles saíram um por um, começando pelos mais velhos.

    Mestre, é lícito pagar tributo a César?

    Vocês conseguem ver a armadilha que haviam preparado para Ele.

    Mostrai-Me uma moeda. De quem é esta imagem e inscrição?

    Eles disseram: “De César”.

    Dai, pois, a César o que é de César;
    E a Deus o que é de Deus.

    Vocês percebem o efeito disso? Foram completamente derrotados. Tiveram de confessar:

    Nunca homem algum falou assim.

    Quem conseguiria fazer algo assim com os governantes?

    No entanto, no dia da Sua provação e do Seu julgamento, Ele poderia ter invalidado toda a acusação deles. Mas eis a maravilha: Ele não abriu a Sua boca. Não abriu a Sua boca — nem uma palavra.

    Como a ovelha muda perante os seus tosquiadores,
    Assim Ele não abriu a Sua boca.

    Ele não estava afastando aquilo. Não estava mantendo aquilo à distância. Estava deixando que viesse, até mesmo atraindo-o. Assim, Ele Se fez pecado, diz a Palavra, para que destruísse aquele — atraindo-o para a sua própria destruição.

    Ele foi partido:

    Este é o Meu corpo, partido.

    Foi partido para que pudesse unir. O grande testemunho da Mesa do Senhor: um só pão, um só corpo. Por meio do quebrantamento, Ele foi partido para que pudesse unir.

    Ele foi derrotado para que pudesse triunfar. Morreu para que pudesse destruir a morte para sempre. Esvaziou-Se e empobreceu para que pudesse ser cheio de todas as coisas — todas as coisas.

    Esse é o segundo ciclo.

    A Igreja como Instrumento de Restauração

    Mas agora chegamos ao terceiro. Tendo feito isso, tendo realizado tudo isso em Sua Cruz e recebido a grande aprovação e o selo do céu — do Seu Pai:

    Tu és Meu Filho;
    Hoje Te gerei.

    Isso se refere à Sua ressurreição.

    Toda essa dispersão — e que dispersão havia acontecido!

    Todos vós vos escandalizareis por Minha causa esta noite;
    Porque está escrito: Ferirei o Pastor,
    E as ovelhas do rebanho serão dispersas.

    Ah, que dispersão! Então, Ele começa a reunir esses fragmentos, esses fragmentos quebrados e dispersos.

    O Filho traz os Seus filhos e coerdeiros. Vocês podem ler novamente aquele primeiro capítulo da Carta aos Hebreus:

    Acerca do Filho, diz.

    Depois, a carta prossegue falando dos Seus irmãos:

    Eu e os filhos que Deus Me deu.

    E, mais adiante:

    Conduzindo muitos filhos à glória.

    No terceiro ciclo, Ele, o Filho, traz os Seus filhos e os Seus coerdeiros. Aparece esta expressão:

    Herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo.

    Esses filhos constituem uma família. Chamamos essa família de igreja; o Novo Testamento a chama de igreja.

    Mas, neste terceiro ciclo, é isto que fica tão claro nas passagens lidas: essa família, essa igreja, esse corpo, era eternamente conhecido por Deus e escolhido por Deus Nele, o Filho, antes da fundação do mundo.

    Isso é muito maravilhoso. Escolhidos Naquele a Quem Ele constituiu herdeiro de todas as coisas, Ele também escolheu e constituiu os herdeiros, juntamente com Ele, de todas as coisas:

    Assim como Ele nos escolheu Nele antes da fundação do mundo,
    E nos fez conhecer o mistério da Sua vontade…
    Para reunir todas as coisas em Cristo.

    Esta igreja — conhecida de antemão, eternamente escolhida, eleita — foi destinada a este único e grande propósito, que tudo abrange e tudo inclui.

    Agora, este é o ponto sobre o qual vocês e eu precisamos ter muita clareza e muita firmeza. Essa questão da eleição, da predestinação e assim por diante não se relaciona com a salvação, exceto na medida em que a salvação é o caminho.

    Essa eleição, se a Carta aos Efésios significa alguma coisa, juntamente com tudo o que está em harmonia com ela, relaciona-se com o propósito de Deus a respeito do Seu Filho. Chegamos a isso por meio da Cruz. Chegamos a isso por meio do nascimento do alto. Mas esse não é o objetivo, e esse não é o fim.

    Aquilo para o qual vocês e eu nascemos do alto, fomos escolhidos em Cristo e, no tempo, chamados à comunhão do Filho de Deus — isso, queridos amigos, é este propósito de Deus a respeito do Seu Filho: reunir Nele todas as coisas; ou — e esta é a palavra real no original — reunificar todas as coisas em Cristo.

    A igreja — vocês veem aonde chegamos? A igreja é vista por Deus ao longo das eras, em meio a toda a desagregação, a todo o custo, a todas as consequências, a toda a Cruz e sua agonia. A igreja foi vista antes de tudo isso e através de tudo isso como o veículo, o vaso, o instrumento do Filho para trazer de volta aquela harmonia e unidade originais, puras, centradas no Filho de Deus.

    A igreja é chamada para isso. Essa é a vocação celestial.

    A Vocação Celestial da Igreja

    Talvez isso seja grande demais para pessoas pequenas como vocês e eu compreenderem, para acreditarem. Mas fazemos parte de algo grandioso. Há um princípio nisso, graças a Deus. Não temos de assumir individualmente todo o peso e toda a responsabilidade disso, mas estamos ligados a algo que foi eleito por Deus, chamado por Deus, para nada menos do que isso.

    E isso — quanta coisa explica, se for verdade! Que resposta, não é, a todo o nosso sofrimento e à nossa disciplina?

    Se ao menos pudéssemos ouvir o que o apóstolo ouviu — aquilo que estava presente com ele em suas horas de angústia. Conhecendo talvez mais sofrimento e tristeza do que qualquer outro cristão do seu tempo, porque subiu a montanha, porque estava vendo das regiões celestiais, ele pôde dizer:

    A nossa leve aflição, que é momentânea,
    Produz para nós, cada vez mais abundantemente,
    Um eterno peso de glória;
    Enquanto não atentamos nas coisas que se veem,
    Mas nas que se não veem;
    Porque as coisas que se veem são temporais,
    Mas as que se não veem são eternas.

    Essas coisas que se veem estão pesando diretamente sobre nós, essas experiências presentes tão próximas. Mas, do alto da montanha, não atentamos nas coisas que se veem, mas nas que se não veem.

    Vocês precisam subir a uma montanha elevada para enxergar dessa maneira, para alcançar esse equilíbrio na vida.

    Bem, amigos, eu disse que isso responde a muitas indagações e perguntas — se fosse verdade, se é verdade, se isso realmente nos alcançasse e nós o conhecêssemos.

    Ah, que sejamos libertos da nossa familiaridade com a Bíblia e com esse ensino! Que isso irrompa sobre nós com todo o seu verdadeiro impacto.

    Meu irmão, minha irmã, vocês foram chamados por Deus em relação a uma vocação que Ele determinou de antemão, na qual deveriam ter uma parte. Não é nada menos do que isto: que, em união com o Seu Filho, vocês respondam a toda essa contestação ao lugar do Seu Filho, reparem toda essa injustiça que o Seu Filho sofreu e estejam com Ele, por fim, na reparação, no ajuste, na recuperação — filhos na glória.

    Eu digo: se isso é verdade, é um grande evangelho. É um grande evangelho.

    Não é de admirar que o apóstolo tenha sentido a necessidade, em meio à exposição dessas coisas, de cair de joelhos e dizer:

    Oro para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória,
    Vos dê espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele;
    Sendo iluminados os olhos do vosso coração.

    Essa é uma oração que devemos fazer continuamente, porque somente assim seremos salvos na hora, no dia da provação e do sofrimento.

    Esta igreja é o ato soberano de Deus — o ato soberano de Deus. É um ato de Deus; é algo que pertence a Deus. Antes de ela existir no tempo, Deus já havia agido a seu respeito. É um ato de Deus.

    Somos introduzidos em algo que nunca concebemos, planejamos, pretendemos ou compreendemos. Somos introduzidos em algo que é o pensamento de Deus e o próprio ato de Deus.

    Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi.

    A Natureza Espiritual da Igreja

    Esta igreja — é importante, como parte do todo, compreender realmente a natureza desta igreja. Mais uma vez, precisamos ser libertos de quase dois mil anos de distorções sobre esse assunto.

    Essa palavra, igreja — quanta coisa foi colocada sobre ela; quanta coisa ela carrega; quanta coisa precisa ser retirada dela para chegarmos ao seu verdadeiro significado.

    Isso é algo espiritual. Não é algo temporal; esta igreja é algo espiritual.

    Ela é constituída, desde o início, por aqueles que nasceram do Espírito e em quem o Espírito habita. A medida da sua vida como igreja — se posso usar essa expressão — é apenas a medida da sua espiritualidade, a medida da sua vida espiritual em seu efeito, em sua expressão prática e em seu valor.

    Isso é algo espiritual. Não pertence de modo algum a esta terra. Pertence ao céu. Suas raízes estão no céu; sua vida está no céu; seu Senhor está no céu; tudo o que ela tem está no céu. Todo o seu governo vem do céu.

    Mas, depois de termos dito tudo isso, precisamos voltar a este ponto e enfatizá-lo novamente, ao encerrarmos por enquanto: esta igreja é algo essencialmente vocacional.

    Quero muito que vocês se apropriem disso nestes dias: algo essencialmente vocacional.

    É claro que a vocação nunca poderá ser cumprida se a conduta não for correta. Por isso, o apóstolo, exatamente nesse contexto, diz:

    Rogo-vos que andeis de modo digno da vocação com que fostes chamados,
    Com toda a humildade e mansidão.

    O caráter precisa estar presente, ou não poderá haver vocação, porque o chamado com vocação celestial se apoia no caráter: que sejamos santos e sem mácula diante Dele. Esse é o Seu pensamento.

    O Espírito Santo, por causa da grandeza da vocação, queridos amigos, é muito minucioso e exigente quanto aos detalhes da conduta. Vejam, vocês não podem separar essa grande vocação celestial dos assuntos da vida diária aqui.

    Vocês não podem colocar sua posição na igreja, sua doutrina sobre a igreja e sua mentalidade acerca da igreja fora das suas contas, dos seus assuntos financeiros, da sua vida familiar — e poderíamos continuar. Não podem fazer isso. Tudo isso faz parte do todo.

    Andem de modo digno da vocação, porque essa vida básica afeta a vocação de vocês. O Espírito Santo é exigente, muito exigente, e, mais cedo ou mais tarde, Ele nos confrontará firmemente a respeito disso.

    “Olhe aqui, você tem uma grande ideia do ensino sobre a igreja e da verdade a respeito da igreja, mas não está vivendo de maneira coerente com isso. Há algo que é incoerente com isso.”

    Ah, que desafio isso representa para vocês e para mim nesta manhã! Quase estremeço ao encará-lo, tremo ao olhar para ele.

    Permitam-me apontar imediatamente este único ponto.

    A Unidade como Responsabilidade Vocacional

    O que venho dizendo a partir da Palavra de Deus é verdadeiro: Nele, o Filho, quando todas as coisas foram criadas, e para Quem todas as coisas foram criadas, havia — e não sabemos por quanto tempo — uma bela harmonia, completa integração e coordenação, tudo se movendo conjuntamente como um só todo.

    Então, tudo foi despedaçado, como um belo vaso quebrado em pedaços, e essa terrível discórdia permeou toda a criação, atingindo tudo. Sabemos bem disso.

    Se é verdade que Deus já havia determinado que, por Seu Filho e com Seu Filho, a igreja seria o vaso e o instrumento de recuperação, tornando efetiva a reunificação de todas as coisas em Cristo—

    —como estamos nessa questão da unidade, de sermos um, da harmonia? Ou estamos trabalhando na direção contrária? O que estamos fazendo a respeito disso? A vocação é essa.

    Ah, que o Senhor nos ajude a não favorecer nem colaborar com esse grande adversário da harmonia de Deus.

    É uma comunhão vocacional com Deus e com o Seu Filho. Tudo está relacionado ao Filho e ao lugar que Lhe foi designado nos conselhos do Pai.

    Tudo está relacionado ao trono — ao trono. Porque é nesse trono, e por esse trono ao qual Ele foi exaltado, esse trono glorioso posto nas alturas desde o princípio, que isso se torna efetivo.

    Como ouvimos ontem à noite, o senhorio absoluto de Jesus Cristo em tudo, sobre tudo, é afetado pelo estado da igreja.

    Isso está relacionado ao trono. Estando relacionado ao Filho e ao trono, vejam, está relacionado às nações — aos confins da terra.

    A mensagem do evangelho às nações não é apenas a mensagem da salvação, do amor redentor e da graça redentora. Acima e além de tudo isso, é a mensagem dos direitos régios do Filho de Deus: a declaração de que Ele é Senhor.

    Não somos chamados a oferecê-Lo como Senhor, mas a declarar que Ele é Senhor.

    Mas o senhorio, o trono, tem sua sede e seu centro na igreja. Precisa estar aqui, em nós mesmos, em nosso próprio coração.

    Pergunto-me se falhei. Vocês realmente compreenderam, queridos amigos, que, independentemente de como se sintam a respeito disso — podem achar que são jovens demais, inexperientes demais para fazer alguma coisa, para participar de algo assim —, se Deus os chamou em Cristo, esse chamado contém, para vocês, tudo o que eu disse em relação ao todo?

    Talvez nesta tarde possamos nos aproximar mais desse assunto por esse caminho. Mas, por enquanto, o objetivo que o Senhor está colocando diante de nós é este: fomos chamados com um grande chamado. Essa palavra, chamado, pode ser corretamente substituída por vocação.

    Somos chamados segundo o Seu propósito. Vocês perguntam: “Qual é esse propósito?”

    É infinitamente mais do que ter um corpo de pessoas salvas e glorificadas no centro da Sua nova criação vindoura — aquilo que a Carta aos Hebreus chama de “o mundo habitado que há de vir”. Por meio desse corpo, Ele expressará essa harmonia perfeita, manterá o governo dessa gloriosa integração e será o centro coordenador: Cristo no meio.

    Esta igreja, esta cidade, é a metrópole da Sua criação. Por causa delas, tudo — tudo — está em paz; tudo está em descanso quando Ele alcança isso.

    Somos chamados para isso: para servi-Lo nessa questão.

    Mas lembremos que isso não vai começar quando chegarmos lá. O começo disso é agora.

    Nós mesmos temos de ser uma só pessoa, não duas ou três pessoas. Vocês entendem o que quero dizer com isso?

    Uma coisa faço.

    Devo ser verdadeiramente um, com minha esperança voltada para um único objetivo.

    Há uma coisa no universo de Deus que une todo o meu ser. Une todo o meu ser. Meu espírito, alma e corpo estão concentrados, focados e unidos nesse propósito de Deus a respeito do Seu Filho. Não sou uma pessoa dividida.

    Temos de ser harmonizados dessa maneira pelos interesses do Senhor Jesus.

    Juntos, deve ser assim. Nossos interesses pessoais divididos precisam desaparecer — precisam desaparecer. Nossas ambições precisam desaparecer. Todas as considerações secundárias precisam desaparecer. Precisamos ser um só povo por amor ao Senhor Jesus e aos Seus direitos.

    Precisamos sair para ser Suas testemunhas. E, como foi com Ele, assim será conosco.

    Se aquilo que é correto estiver presente como exemplo e testemunho, o inferno se agita lá embaixo. Isso é um bom sinal, se for assim.

    Não é elogio algum a qualquer cristão, a qualquer igreja ou a qualquer grupo de cristãos neste mundo que o mundo consiga seguir adiante sem sentir sua presença — a presença de Cristo. Não é elogio algum ter uma vida fácil assim.

    Bem, isso não é algo agradável de dizer. Provavelmente teremos de enfrentar isso de maneiras práticas. Mas foi assim com Ele.

    Contudo, temos isto:

    Tende bom ânimo; Eu venci o mundo.

    Temos a Sua vitória com a qual contar.