Bem, duas pessoas estão chegando. Vocês poderiam abrir no livro do profeta Ezequiel? Ezequiel 1:1 em diante.
E aconteceu, no trigésimo ano, no quarto mês, no quinto dia do mês,
estando eu no meio dos cativos, junto ao rio Quebar,
que se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.
No quinto dia do mês, no quinto ano do cativeiro do rei Joaquim,
veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, o sacerdote, filho de Buzi,
na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar;
e ali esteve sobre ele a mão do Senhor.E olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte,
uma grande nuvem, com um fogo que se revolvia,
e um resplendor ao redor dela;
e do meio dela saía algo como metal resplandecente, do meio do fogo.
Ezequiel 1:26 em diante:
E acima do firmamento que estava sobre as suas cabeças havia a semelhança de um trono,
como a aparência de uma pedra de safira;
e sobre a semelhança do trono havia uma semelhança como a aparência de um homem, no alto, sobre ele.E vi algo como metal resplandecente, como a aparência de fogo ao redor, dentro dele,
desde a aparência de Seus lombos para cima;
e desde a aparência de Seus lombos para baixo vi algo como a aparência de fogo,
e havia um resplendor ao redor Dele.Como a aparência do arco que está na nuvem no dia da chuva,
assim era a aparência do resplendor ao redor.
Esta era a aparência da semelhança da glória do Senhor.
E, quando a vi, caí sobre o meu rosto,
e ouvi a voz Daquele que falava.
Agora, abram no último capítulo, o capítulo 48 — no último versículo, na última frase, Ezequiel 48:35:
E o nome da cidade, desde aquele dia, será: O Senhor está ali.
Vamos orar?
Amado Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque podemos estar em Tua presença. Olhamos para Ti e desejamos ver a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos que, pelo Teu Espírito Santo, Tu Te reveles a nós, para o louvor da Tua glória. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém.
Ezequiel significa “Deus fortalece” ou “a força de Deus”.
Agora, se o trigésimo ano mencionado no primeiro versículo se refere à sua idade — e muito provavelmente é isso mesmo —, então Ezequiel deve ter nascido nos dias do rei Josias, quando estava acontecendo uma grande reforma. Durante o reinado de Josias, Ezequiel deve ter sido um bebê nos braços de sua mãe.
O nome de seu pai era Buzi. Não sabemos muito a respeito dele. A única coisa que sabemos é que Ezequiel vinha de uma família sacerdotal. A Bíblia o chama de Ezequiel, o sacerdote.
Não sabemos a qual turno do serviço sacerdotal ele pertencia. Mas, ao ler o livro de Ezequiel, percebemos que os anciãos dos judeus no exílio pareciam ter grande respeito por ele. Vocês se lembram: eles se sentavam diante dele.
Também nos lembramos de que, em 2 Reis 24, quando Nabucodonosor levou o rei Joaquim para o cativeiro, levou com ele a mãe do rei, os oficiais da corte e os poderosos da terra. Portanto, muito provavelmente, Ezequiel pertencia a uma família sacerdotal bastante importante e proeminente entre os sacerdotes.
Quando foi levado para o cativeiro, ele tinha vinte e cinco anos. Não temos nas Escrituras um registro de quando o sacerdote começava a servir no templo. A única indicação que temos está em Números 4, onde encontramos que os levitas começavam a servir aos trinta anos.
E, aos vinte e cinco anos, eles entravam no templo para servir como aprendizes. Agora, se isso também se aplica ao sacerdócio, então, muito provavelmente, alguém que viesse de uma família sacerdotal seria treinado desde a infância. Vocês se lembram de que, quando os sacerdotes ou levitas eram contados, eram contados a partir de um mês de idade.
Em outras palavras, por causa de seu serviço, eles precisavam ser treinados desde muito cedo. E, quando chegavam aos vinte e cinco anos, provavelmente entravam no templo para servir como auxiliares, para aprender a servir.
Portanto, quando Ezequiel foi levado para o cativeiro, tinha vinte e cinco anos. Era justamente o momento em que ele entraria no templo para servir de maneira prática, como aprendiz. Isso deve ter sido algo que ele havia aguardado durante toda a vida, tendo sido treinado desde a infância.
Mas, infelizmente, ele não pôde servir no templo em Jerusalém. Em vez disso, foi levado cativo para a Babilônia. Isso deve ter sido uma grande decepção para ele.
Agora, pensem: se você é treinado para determinado trabalho durante muito tempo e, quando chega a hora de começar a servir, essa oportunidade lhe é tirada, isso deve ser uma grande decepção. Para Ezequiel, deve ter sido uma grande decepção. Ele foi levado para a Babilônia.
Nos primeiros anos em que os exilados estavam na Babilônia, ainda tinham esperança de que, talvez, em pouco tempo, lhes fosse permitido voltar a Jerusalém. Por causa dessa falsa esperança entre eles, havia falsos profetas, não apenas em Jerusalém, mas também no exílio, profetizando que dentro de dois anos poderiam voltar a Jerusalém.
Isso deu a Ezequiel alguma esperança de que ainda pudesse voltar e servir no templo. Mas, no quarto ano de seu cativeiro, se vocês lerem Jeremias 29, verão que o profeta Jeremias escreveu uma carta aos exilados na Babilônia, dizendo-lhes que o cativeiro seria longo.
Deus queria que eles construíssem suas casas, plantassem seus jardins e se casassem, porque ficariam ali durante setenta anos antes que Deus os restaurasse e os trouxesse de volta a Jerusalém.
Ao mesmo tempo, vocês se lembram dos falsos profetas no exílio, Acabe e Zedequias. Eles profetizavam que haveria um retorno em breve, e o resultado foi que Nabucodonosor os matou. Assim, tudo isso destruiu a esperança daquele jovem de um dia servir no templo em Jerusalém.
Quando ele chegou aos trinta anos, era o momento de se tornar um sacerdote plenamente habilitado, servindo no templo em Jerusalém. Que glória isso teria sido! Mas era impossível. E, nas profundezas de seu desespero, a glória do Senhor lhe apareceu e o chamou para ser profeta.
Sabe, costuma-se dizer que Jeremias é um profeta que também era sacerdote, mas Ezequiel é um sacerdote que também se tornou profeta. E há muita verdade nisso.
Agora, antes de entrarmos no livro de Ezequiel, provavelmente seria bom conhecermos um pouco a respeito dos profetas. Como se sabe, há quatro profetas maiores e doze profetas menores no Antigo Testamento.
Na verdade, as designações “menores” e “maiores” dependem da extensão dos livros. Isso não significa que os profetas maiores sejam profetas superiores, nem que os profetas menores sejam inferiores. Eles são classificados pela extensão de seus escritos.
De qualquer maneira, por conveniência, encontramos quatro profetas maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Eles são considerados profetas maiores.
Isaías é um grande poeta. Jeremias é um grande pregador. Ezequiel é um grande artista. E Daniel, naturalmente, é um grande estadista.
Dois deles vieram de famílias sacerdotais: Jeremias e Ezequiel. Dois vieram da nobreza: Isaías e Daniel.
Ezequiel não tem aquele voo elevado e contínuo de Isaías. Também não tem a ternura de Jeremias, nem o horizonte de Daniel. Mas encontramos nele uma característica: a franqueza. Há uma maneira direta de se expressar em seus escritos.
Isaías nasceu cerca de cem anos antes de Jeremias, e Jeremias era cerca de vinte anos mais velho que Ezequiel. Daniel provavelmente tinha aproximadamente a mesma idade de Ezequiel.
Dos quatro profetas maiores, sabemos que três estão ligados aos exilados. Jeremias permaneceu com os pobres do povo judeu depois do cativeiro e, mais tarde, desceu com eles ao Egito. Ele era um profeta entre eles.
Ezequiel era um profeta entre os exilados na Babilônia. E, naturalmente, Daniel também era um profeta no cativeiro babilônico.
Mas, ao observar, vocês verão que Ezequiel e Daniel estavam ambos no cativeiro babilônico. Jeremias não estava na Babilônia; estava no Egito.
Daniel provavelmente foi levado para o cativeiro oito anos antes de Ezequiel, porque foi levado no terceiro ano do rei Jeoaquim. Isso aconteceu oito anos antes de Joaquim ser levado para o cativeiro.
Mas, em certo sentido, Ezequiel era considerado o único homem levantado por Deus para ser profeta entre os exilados na Babilônia. Por quê? Porque, embora Daniel estivesse ali e também tivesse recebido o dom de profecia, em sentido estrito ele não foi chamado para o ofício profético.
Ele não exercia o ofício de profeta. Em vez disso, vemos que vivia no palácio, e suas profecias tratavam da relação exterior do reino de Deus com os reinos deste mundo. Ele estava ali como um testemunho da soberania de Deus, como um padrão de justiça e como conselheiro de reis e príncipes.
É por isso que o povo judeu não classifica o livro de Daniel entre os escritos proféticos. Em vez disso, o coloca entre os chamados Escritos Sagrados, ou Hagiógrafos, porque, estritamente falando, ele não desempenhava o ofício profético. Ele era mais um vidente do que um profeta.
Mas Ezequiel é diferente, porque atuava como profeta entre os exilados na Babilônia e falava à consciência do povo. Sua profecia está relacionada às questões interiores do reino divino. Essa é a diferença.
Quando Ezequiel tinha trinta anos, sem qualquer esperança de voltar a Jerusalém para servir no templo como sacerdote, as Escrituras dizem que a glória de Deus lhe apareceu junto ao rio Quebar.
O Quebar é comumente conhecido como Chaboras. É um rio na Alta Mesopotâmia que deságua no rio Eufrates. Fica cerca de trezentos e vinte quilômetros ao norte da Babilônia. Nabucodonosor tirou esses cativos judeus de Judá e os colocou em um lugar junto ao rio Quebar, em Tel-Abibe, cerca de trezentos e vinte quilômetros ao norte da Babilônia. Ainda assim, aquele lugar era considerado parte da Babilônia, porque estava sob o domínio babilônico.
Ali, a glória do Senhor lhe apareceu.
O livro de Ezequiel é, em certo sentido, o livro mais difícil de compreender. A razão é que Ezequiel é um artista. É um homem cheio de ação, cheio de energia, e sua individualidade é muito marcante. Ele é uma pessoa muito peculiar.
Vocês também percebem que sua sensibilidade sacerdotal é muito profunda e que ele gosta de usar simbolismo. Ao longo do livro, encontramos visões, sinais, alegorias, parábolas, comparações, provérbios e profecias. O livro está repleto dessas coisas.
Muitas vezes, encontramos ali suas ações simbólicas. Ele representava as coisas por meio de ações e chegava a entrar em grandes detalhes. Procurava pintar quadros e queria causar uma impressão.
Creio que, se vocês lerem o livro de Ezequiel, não poderão deixar de ficar impressionados com as imagens que ele nos apresenta. Elas são tão inspiradoras, tão misteriosas, tão fascinantes e, ao mesmo tempo, tão aterrorizantes.
Mas, por meio dessas ações simbólicas e desses símbolos, ele procurava nos mostrar uma realidade interior.
Agora, o que estou tentando fazer é lhes dar uma impressão do livro, e quero que vocês mesmos leiam o livro. Não substituam sua própria leitura de Ezequiel por aquilo que estão ouvindo nesta manhã.
Quando vocês leem o livro de Ezequiel e suas profecias, percebem que, cronologicamente, elas se dividem em três períodos:
O primeiro grupo de profecias trata da destruição, ou da condenação, de Judá e Jerusalém. O segundo grupo trata da visitação das nações. O terceiro grupo trata da restauração da nação de Israel.
Agora, se vocês quiserem considerar o conteúdo do livro, provavelmente ele pode ser dividido em duas partes:
Muito simples.
Gostaria de me concentrar em dois pontos neste livro de Ezequiel: um é o seu chamado, e o outro é a glória.
Quando ele tinha trinta anos, como cativo junto ao rio Quebar, a glória do Senhor lhe apareceu, e ele foi chamado para ser profeta. Não pôde servir efetivamente como sacerdote, que era aquilo para o qual havia sido treinado. Mas Deus o chamou para outro ofício: ser profeta, um porta-voz de Deus.
Há algumas coisas que observamos em seu chamado.
Em primeiro lugar, vemos que os céus lhe foram abertos. Isso é muito importante no chamado. Qualquer pessoa chamada para ser profeta precisa ter os céus abertos.
Um profeta é uma pessoa que representa plenamente o pensamento de Deus em um tempo em que esse pensamento foi perdido. Vou repetir: um profeta é uma pessoa que representa plenamente o pensamento de Deus quando esse pensamento foi perdido. É por isso que um profeta é o porta-voz de Deus.
Para alguém ser chamado como profeta, a primeira coisa importante é que tenha os céus abertos, porque ele é um mensageiro do céu. Deve trazer a mensagem do céu ao povo.
Quando o povo de Deus abandona a Deus, o céu se fecha para ele. Não há revelação, não há visão e não há palavra de Deus. O céu é como bronze, fechado. Não há ligação nem comunicação vinda do alto.
Quando o céu se abre para determinada pessoa, há comunicação, e a mensagem vem. Portanto, para ser profeta, é preciso ter os céus abertos.
Nas Escrituras, vemos que isso é muito importante. Vocês se lembram do nosso Senhor Jesus. Quando Ele foi batizado, saiu da água, e o céu se abriu. Houve uma voz, e o Espírito desceu sobre Ele como uma pomba e permaneceu sobre Ele.
Nosso Senhor Jesus foi chamado para ser profeta. Ele deveria cumprir Sua função como profeta durante Seus três anos e meio na terra. O céu se abriu para Ele. Portanto, quem é chamado para ser profeta precisa ter os céus abertos.
Irmãos e irmãs, graças a Deus, não há razão para que o céu não esteja aberto para vocês hoje. Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, o véu se rasgou. Em outras palavras, por meio da obra consumada do nosso Senhor Jesus, o céu que estava fechado para a humanidade agora está aberto para nós.
Podemos viver sob os céus abertos. Podemos ter comunhão ininterrupta com Deus. Podemos ter comunhão com o céu. Podemos receber mensagens do céu. Essa é agora a nossa porção, a nossa herança.
Portanto, irmãos e irmãs, lembrem-se de que hoje os céus abertos são a nossa herança. Não há razão para que não exista comunicação entre o céu e nós.
Mas, naturalmente, embora os céus abertos sejam a nossa herança, tomar posse daquilo que nos pertence é outra questão. Para desfrutar dos céus abertos, embora isso seja nosso privilégio, precisamos voltar o coração para o céu, a fim de ter essa comunicação.
Vocês se lembram de que, em 2 Coríntios 3:16, quando o coração se volta para o Senhor, o véu é retirado. Pode haver um véu sobre o seu coração, e esse véu precisa ser retirado quando você volta o coração para o Senhor. Assim que vocês voltam o coração para o Senhor, irmãos e irmãs, os céus se abrem para vocês.
Isso é muito, muito básico e muito importante. Todo crente precisa viver diariamente sob os céus abertos, porque somos um povo celestial e devemos receber mensagens celestiais do Senhor.
Mas, naturalmente, isso por si só não torna uma pessoa profeta, porque todo crente deve viver sob os céus abertos. Então, encontramos uma segunda coisa: o céu se abriu para ele, e ele disse, em Ezequiel 1:1:
Eu tive visões de Deus.
Ele não apenas vivia sob os céus abertos, mas também viu o que havia no céu. Teve visões de Deus. No caso de Ezequiel, vemos que as visões de Deus consistiam basicamente na manifestação da glória do Senhor. Ele viu o Senhor.
Precisamos ter visão. Por visão, quero dizer que precisamos ver Deus. Precisamos ver Sua Pessoa, Seu propósito, Seu plano e Sua glória.
O apóstolo Paulo testemunhou, em Atos 26:19:
Não fui desobediente à visão celestial.
Em outras palavras, Paulo teve uma visão. Ela é chamada de visão celestial. Ele teve essa visão no caminho de Damasco.
Ele viu um Homem imenso, um Homem universal que enche o universo. A Cabeça está no céu — Cristo. O Corpo é a igreja por toda a terra. Ele teve essa visão, e essa visão governou toda a sua vida e seu ministério.
Precisamos desse tipo de visão. Paulo não mencionou apenas a visão celestial; em 2 Coríntios 12, falou a respeito das visões e revelações que recebeu. Em outras palavras, houve muitas revelações e muitas visões.
Essa visão celestial continuou em sua vida. No caminho de Damasco, ele viu o contorno daquela visão e, ao longo de toda a sua vida, enquanto tinha comunhão com o Senhor, aquela visão ia sendo preenchida e se cumprindo.
Portanto, irmãos e irmãs, aqui encontramos Ezequiel falando de visões de Deus. Para ser profeta de Deus, é preciso ter visões de Deus. É preciso ver Deus. É preciso compreendê-Lo, conhecer Sua Pessoa, Seu caráter, Sua mente, Seus pensamentos, Seu coração, Seu propósito, Sua vontade, Seu conselho, Seu plano e Seu agir. Isso é importante para ser um porta-voz de Deus.
Em terceiro lugar, vemos que ele não apenas teve visões de Deus, mas Deus lhe falou expressamente. Em outras palavras, ele ouviu a voz de Deus de maneira expressa — isto é, de maneira pessoal, especial, vivencial, direta, por revelação.
Temos a Palavra de Deus em nossas mãos. Estudamos a Palavra de Deus. Podemos analisá-la e talvez consigamos compreender, se não toda ela, pelo menos parte dela. Mas esse tipo de conhecimento, por mais importante que seja, não faz de alguém um profeta.
Pode capacitá-lo a ser um mestre, mas não um profeta. Para ser profeta, você precisa que a Palavra de Deus venha a você direta, pessoal e expressamente.
Agora, naturalmente, hoje não é como nos tempos antigos. Naqueles tempos, a Palavra de Deus ainda não havia sido completada. A fé entregue de uma vez por todas aos santos agora está completa. É por isso que a Palavra de Deus vinha diretamente àqueles profetas — algo que Ele nunca havia falado antes: novas revelações.
Mas hoje, irmãos e irmãs, as revelações de Deus estão completas. A fé foi entregue de uma vez por todas aos santos, e temos tudo neste Livro. Portanto, não podemos ter uma revelação nova que seja inteiramente inédita, adicional ou diferente daquilo que foi revelado neste Livro. Isso é impossível hoje. Se alguém afirma tê-la, é um falso profeta.
Mesmo assim, para ser profeta, você precisa não apenas compreender o que está escrito ali; precisa que o Espírito de Deus fale outra vez, de maneira renovada — talvez a mesma palavra, mas de maneira viva, pessoal e expressa a você. Somente esse tipo de falar faz um profeta.
Em outras palavras, um profeta precisa ter revelações — não no sentido de uma revelação extrabíblica, mas no sentido de o Espírito de Deus falar novamente ao seu espírito, de modo que um encargo seja gerado em seu coração. Isso, sim, faz de uma pessoa um profeta.
Em quarto lugar, vemos que a Palavra de Deus não apenas veio expressamente a ele — foi-lhe pedido até que comesse um rolo, isto é, a Palavra de Deus precisava entrar nele, ser assimilada por ele e tornar-se parte dele —, mas também vemos que a mão do Senhor estava sobre ele.
Irmãos e irmãs, para ser profeta, vocês precisam não apenas que a Palavra do Senhor venha expressamente a vocês, mas também precisam experimentar a mão do Senhor sobre vocês.
Agora, isso é difícil. Queremos que a Palavra de Deus venha a nós, mas não queremos Sua mão sobre nós. Em outras palavras, Sua mão precisa estar sobre nós para nos transformar na palavra que Ele nos falou. A mensagem precisa tornar-se o homem. A Palavra precisa tornar-se carne e sangue.
É necessário haver tratamento e disciplina para que ocorra esse tipo de transformação. Então, vocês experimentarão a capacitação de Deus ao transmitir Sua mensagem.
Assim, encontramos Ezequiel, um sacerdote treinado para ser sacerdote, que nunca esperava ser profeta. Um sacerdote não é treinado para falar; é treinado para servir com as mãos. Mas Deus o chamou para ser profeta.
É interessante observar que, no livro de Ezequiel, ele é o único a quem Deus chama de “filho do homem” oitenta e cinco vezes. No livro de Ezequiel, Deus o chama de “filho do homem”.
Por quê? Imediatamente, vocês se lembram de que há Outro que é chamado de o Filho do Homem. Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele gostava de chamar a Si mesmo de o Filho do Homem.
Agora, qual é o significado de “filho do homem”? Nas Escrituras, filho do homem significa um homem segundo o pensamento e o padrão originais de Deus.
Naturalmente, nosso Senhor Jesus é o Filho do Homem. Ele é o Homem que constitui o padrão original do homem. É o Homem que Deus tinha em mente quando criou o homem. É o Homem que Deus deseja. Ele é o Filho do Homem.
Ezequiel é chamado de “filho do homem”, sem o artigo. Ezequiel e nosso Senhor Jesus, como pessoas, são muito diferentes. Como pessoa, Ezequiel, embora seja chamado de filho do homem, não é o Filho do Homem. Ele não é um homem perfeito, aquele Homem ideal, aquele Homem que tem perfeitamente o coração de Deus. Não. Somente nosso Senhor Jesus é o Filho do Homem. Ele é um Homem segundo o padrão original de Deus. Ele é o padrão.
Mas Ezequiel é chamado de filho do homem não em sua pessoa, mas em sua função. Ele atua como um filho do homem. Quando o homem falhou, quando o povo escolhido de Deus falhou, Deus chamou Ezequiel para ser um homem representativo, para ser um padrão, para mostrar ao Seu povo escolhido como deve ser o homem de Deus.
Assim, vemos que Ezequiel é mais do que um profeta. Ele é um sinal. Deus o levantou como um sinal. Sua pessoa, cada uma de suas ações, representa aquilo que Deus deseja de Seu povo.
Outra coisa que encontramos quando Deus o chamou: Deus o designou como atalaia. Ele é um atalaia.
Agora, o que é um atalaia? Hoje não compreendemos bem o que eram os atalaias. Mas, antigamente, as pessoas não tinham relógios. Durante a noite, havia atalaias. O atalaia não ficava ali apenas vigiando a porta. A cada hora, ou talvez a cada três horas, percorria o lugar e anunciava a hora.
Ele é alguém que conhece a hora e a anuncia. Isso é um atalaia.
Deus designou Ezequiel como atalaia, como alguém que conhecia o tempo em que estavam vivendo. Irmãos e irmãs, muitas vezes não sabemos em que tempo estamos vivendo. E, por não sabermos em que tempo estamos vivendo, não vigiamos.
Estamos dormindo. Somos enganados porque não conhecemos o tempo. É muito importante, irmãos e irmãs, conhecer o tempo. Um profeta é um atalaia porque lhe é dado conhecer o tempo em que estamos vivendo.
Ele não apenas conhece o tempo, mas também o anuncia e o torna conhecido ao povo. Discernindo o tempo, ele diz o que está por vir, para advertir e lembrar as pessoas, a fim de que estejam vigilantes, alertas e preparadas. Vocês acham que precisamos de atalaias hoje?
Ezequiel foi chamado para ser profeta, filho do homem, sinal e atalaia. Que responsabilidade ele tinha!
Deus o enviou ao povo no exílio, e Deus disse:
Este é um povo rebelde.
Quer ouçam, quer deixem de ouvir, fala.
Que saibam que há um profeta entre eles.
Mas esse era um povo de dura cerviz.
O trabalho de Ezequiel era muito, muito difícil. Ele foi enviado por Deus a um povo em cativeiro, mas o coração deles ainda estava endurecido. No que dependia do povo, não havia esperança.
Mas, graças a Deus, Ele sabia que, mesmo entre aquele grupo de pessoas, ainda havia alguns que ouviriam, que se arrependeriam, que se submeteriam à poderosa mão de Deus. Por fim, seriam essas as pessoas trazidas de volta a Jerusalém para reconstruir o templo.
Irmãos e irmãs, exteriormente, a missão de Ezequiel parecia um fracasso desde o início. Deus lhe disse que era uma tarefa impossível:
Eles não te ouvirão.
Ainda assim, em outro sentido, sua missão foi bem-sucedida, porque, por meio de sua fiel proclamação profética ao povo, algumas pessoas ouviram.
Zorobabel, Josué, Neemias, Esdras e essas pessoas, por fim, voltaram a Jerusalém para reconstruir o templo e restabelecer o testemunho de Deus. É por isso que dizemos que Ezequiel é considerado o profeta da esperança.
Outra coisa para a qual gostaria de chamar a atenção de vocês é a palavra glória. Sabem, irmãos e irmãs, glória é a palavra que caracteriza todo o livro. A glória do Senhor é o tema deste livro.
A glória do Senhor governa todas as coisas.
Na visão que teve, ele viu a nuvem vindo do norte, com um resplendor em seu interior, como fogo ardente. Viu os quatro querubins. Esses querubins serviam como o carro sobre o qual era transportado o trono de Deus.
Acima do firmamento, ele viu um trono, e ali viu a aparência de um homem no alto, sentado no trono. Não podia vê-Lo claramente, mas viu o fogo, o resplendor, a glória ali. Viu o arco: a aparência da semelhança da glória do Senhor.
Ezequiel deve ter estado muito familiarizado com essa cena. Por quê? Vocês se lembram de que, no templo em Jerusalém, no Santo dos Santos, estava a arca. Acima da arca havia dois querubins, como os braços do propiciatório.
Quando Salomão construiu o templo, fez dois querubins gigantes, e a extensão de suas asas cobria a extensão do Santo dos Santos. Portanto, no Santo dos Santos do templo em Jerusalém, havia quatro querubins, com o propiciatório ali.
Vocês se lembram de que, antes disso, quando Moisés construiu o tabernáculo, depois de colocarem a arca no Santo dos Santos e cada peça da mobília em seu lugar, a glória do Senhor encheu aquele tabernáculo. Em outras palavras, a glória do Senhor repousou sobre o propiciatório no Santo dos Santos, mas a glória encheu todo o tabernáculo. Essa era a cena.
Os filhos de Israel entraram na terra prometida, e o tabernáculo foi inicialmente estabelecido em Siló. Mas os filhos de Israel se rebelaram contra Deus. Pecaram contra Deus.
Vocês se lembram de que, em 1 Samuel, houve uma batalha entre os israelitas e os filisteus, e os israelitas foram derrotados. Em sua mentalidade supersticiosa, pensaram: “Bem, a arca lutou por nós antes, e fomos vitoriosos. Vamos levar a arca ao campo de batalha, e Deus lutará por nós”.
Eles não sabiam que Deus já os havia deixado. Então, levaram a arca ao campo de batalha, e ela foi capturada pelos filisteus.
Quando a notícia chegou a Siló, Eli a ouviu. Caiu para trás e morreu. E a palavra foi Icabô: a glória havia se retirado.
A arca representava a presença de Deus, e agora havia sido capturada. Portanto, era Icabô: a glória havia se retirado. Depois que saiu de Siló, embora a arca tenha voltado por si mesma, nunca retornou a Siló.
Mais tarde, Davi levou a arca para sua tenda no monte Sião. Quando Salomão construiu o templo, levaram a arca e a colocaram no Santo dos Santos. O que aconteceu? A glória do Senhor encheu aquele templo. Até os sacerdotes tiveram de se retirar, porque a glória era tão grande. Graças a Deus por isso.
Mas, infelizmente, os filhos de Israel se rebelaram novamente contra Deus. Cometeram abominações.
Não sabemos quando a glória do Senhor deixou o templo em Jerusalém. Não sabemos. Quando Isaías foi ao templo, a glória ainda estava ali. Em Isaías 6, ele viu o Senhor sentado em um trono, a orla de Suas vestes enchendo o templo, e os serafins clamando:
Santo, santo, santo.
Mas, não muito tempo depois, não sabemos exatamente quando, a glória se retirou. O templo que os babilônios destruíram estava vazio. Os filhos de Israel ainda adoravam no templo, mas era uma adoração vã, porque Deus não estava ali.
Mas ali encontramos Ezequiel, um cativo junto ao rio Quebar, sem esperança e em desespero. De repente, a glória do Senhor veio a ele — a mesma glória, a mesma visão que encontramos no templo em Jerusalém. Deus estava ali, revelando-Se a Ezequiel.
O que é glória? Glória é a presença de Deus. Glória é a aprovação de Deus. Glória é a satisfação de Deus. Glória é a plenitude de Deus.
Onde Deus está presente, há glória. Quando Deus está satisfeito, há glória. Quando a plenitude de Deus é revelada, há glória.
A glória de Deus se retirou de Jerusalém, do templo, mas apareceu a um cativo junto ao rio Quebar.
Que privilégio! A uma pessoa devastada e em desespero, mas cujo coração estava voltado para o Senhor, a glória do Senhor apareceu. Deus estava presente com ele. Deus o aprovava. Deus estava satisfeito com ele.
E Deus o chamou para ser profeta.
Em Ezequiel 8 a 12, vemos que, quando Ezequiel estava sentado ali em Tel-Abibe, junto ao rio Quebar, a glória do Senhor lhe apareceu novamente. Em uma visão, Ele o tomou por uma mecha de cabelo e o levou de volta a Jerusalém.
Aqui encontramos a glória do Senhor visitando Jerusalém, voltando a visitar o templo.
Dizemos que a glória do Senhor governa tudo. O governo de Deus é segundo a Sua glória. A glória do Senhor governa o universo. A glória do Senhor governa todos os reinos da terra. A glória do Senhor governa Seu próprio povo.
Cada tratamento, todas as coisas, estão relacionados à glória de Deus.
Aqui encontramos a glória do Senhor aparecendo novamente em Jerusalém, no templo. O que a glória de Deus fez ali? A glória do Senhor julgou Seu povo.
Sabem, a glória julga, porque a glória é luz, e a luz expõe a realidade. Vemos que, embora os filhos de Israel ainda estivessem em Jerusalém, o templo ainda estivesse ali e eles ainda estivessem, por assim dizer, adorando no templo, tudo parecia estar indo bem.
Mas a glória de Deus revelou a realidade da condição deles. Mostrou ao profeta Ezequiel que, no templo em Jerusalém, havia apenas adoração a ídolos. Da porta até o altar, tudo estava cheio de abominações. O povo estava no templo, mas adorava seus ídolos.
Não é de admirar que, por causa de Sua glória, Deus tivesse de destruir aquele templo e punir Seu próprio povo, para vindicar Sua própria glória.
Irmãos e irmãs, a glória do Senhor é aquilo que governa tudo. Governa a vida de vocês, governa a minha vida, governa a vida da igreja e governa a vida deste mundo.
Esse é o padrão pelo qual Deus medirá tudo. Ele medirá vocês e a mim por Sua glória. Sua glória nos julgará. Sua glória nos disciplinará. Mas, graças a Deus, Sua glória nos redimirá. Sua glória nos restaurará.
A glória é aquilo que se destaca no livro de Ezequiel.
O juízo foi severo. Jerusalém foi destruída. O templo foi destruído. O povo foi disperso e levado para o cativeiro. E a glória de Deus foi vindicada.
Mas esse não foi o fim. Em Sua misericórdia — pois vemos que há um arco ao redor do trono —, no juízo há misericórdia.
Depois do cativeiro, na última parte do livro de Ezequiel, dos capítulos 33 a 48, vemos que a glória do Senhor retorna. A glória do Senhor retorna não por causa do povo, mas por causa do próprio nome de Deus.
Não porque o povo tivesse mudado, mas porque Deus, por amor ao Seu próprio nome, mudou o povo, para que Sua glória pudesse aparecer novamente entre eles.
Portanto, irmãos e irmãs, ao lerem os últimos capítulos, vocês verão que, a partir de Ezequiel 33, os capítulos 33 a 39 falam da restauração do povo. Deus os restaurou em Sua misericórdia, lavou seus pecados com água e lhes deu um espírito novo.
Ele colocou Seu Espírito neles, para que Lhe obedecessem, para que fossem Seu povo e Ele fosse o Deus deles. Deus os restaurou como Seu povo.
Nos capítulos 40 a 43, vemos que o templo foi restaurado em sua plenitude. No capítulo 44, vemos que o sacerdócio foi restaurado. Nos capítulos 45 e 46, vemos que a realeza foi restaurada: o Príncipe, o Messias, veio.
No capítulo 47, vemos que a terra foi restaurada. No capítulo 48, vemos que a cidade foi restaurada, e a cidade é chamada de “O Senhor está ali”. No capítulo 43, vemos que a glória do Senhor voltou ao novo templo.
Agora, irmãos e irmãs, tudo isso são visões — simbólicas. Algumas pessoas pensam que, no milênio, será construído um templo físico, literal, de acordo com o que Ezequiel disse. Pode ser; eu não sei. Mas, pessoalmente, não penso assim.
Deus já tem um templo vivo. Para que serviria um templo feito de pedras? É simbólico. Para que oferecer sacrifícios novamente, se Cristo foi sacrificado de uma vez por todas? Está consumado.
Fisicamente, isso é impossível, se vocês lerem todas essas descrições. Em outras palavras, vemos que um dia — e, graças a Deus, esse dia está chegando —, por meio de Seu próprio agir, segundo Sua própria glória, Ele restaurará todas as coisas ao Seu propósito original.
As pessoas serão restauradas. Um templo vivo será restaurado à sua plenitude. Um sacerdócio será restaurado à glória. O Rei virá. Haverá príncipes governando com Ele. Haverá uma cidade chamada cidade de Deus, e o Senhor estará ali.
Leiam Ezequiel 40 a 48 e leiam Apocalipse 21 e 22. Vocês verão as semelhanças.
A imagem é esta: um dia, a glória do Senhor encherá o universo. Glória.
Portanto, irmãos e irmãs, estamos diante da glória do Senhor. Deixemos que essa glória nos examine.
Como Paulo diz, em 1 Coríntios 10:31:
Fazei tudo para a glória de Deus.
Tudo o que não corresponde à glória de Deus não é de Deus e precisa ser julgado. Não pode ser levado para a eternidade.
Mas aquilo que é da glória é de Cristo, e será levado para a eternidade, para a glória de Deus.
Vamos orar?
Amado Pai celestial, quando Moisés orou para que pudesse ver Tua glória, ele só pôde ver Tuas costas, e não Tua face. Oh, como Te louvamos e agradecemos porque podemos ver a glória do Senhor na face de Jesus Cristo.
Senhor, que nosso clamor constante seja: “Deixa-me ver Tua glória”. Que Tua glória governe nossa vida, tanto individualmente como juntos. Senhor, retira tudo o que não é da glória, tudo o que é vergonhoso, para que, quando virmos Tua face, não sejamos envergonhados.
Oh, nosso clamor é este: que a glória governe a terra como as águas enchem o mar. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.