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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Vocational Fellowship #2 of 6 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Vocational Fellowship #2 of 6
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    Austin-Sparks, T.

    Comunhão com Cristo na recuperação de Sua herança

    Vou repetir as três passagens das Escrituras em torno das quais reunimos nossos pensamentos nesta tarde; duas delas estão nas profecias de Jeremias.

    Jeremias 17:12:

    Um trono de glória, posto nas alturas desde o princípio,
    é o lugar do nosso santuário.

    Depois, em Jeremias 1:5, no final do versículo:

    Às nações te dei por profeta.

    E em Atos 1:8:

    Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo;
    e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria,
    e até aos confins da terra.

    Profeta às nações; testemunhas até aos confins da terra; um trono de glória, posto nas alturas desde o princípio, é o lugar do nosso santuário.

    O chamado à comunhão e à vocação

    Já avançamos bastante no estabelecimento dos fundamentos destas meditações. A essência de tudo é que o chamado de Deus é um chamado à comunhão com Ele mesmo em um grande propósito que está em Seu coração desde a fundação do mundo.

    É isso que significa pertencer ao Senhor. É um chamado à comunhão; é um chamado à vocação. Portanto, é algo muito maior do que um chamado para ser salvo. Isso é apenas a porta de entrada para a comunhão e para a vocação.

    Agora, nesta noite, vamos prosseguir com esse assunto. Quero mencionar seis aspectos de toda essa questão da comunhão com Deus na vocação. E, naturalmente, o que estou dizendo, embora sem citar as Escrituras, está inteiramente fundamentado e apoiado no que a Palavra de Deus ensina.

    O mundo dado ao Filho

    Em primeiro lugar, este mundo foi feito para o Filho de Deus e dado a Ele por Deus como Sua propriedade e herança. Isso está por trás de tudo na história e na Bíblia. Está por trás da vida humana. Está por trás de tudo o que a Bíblia contém.

    Deus concebeu este mundo e o criou para Seu Filho, e o deu a Ele como Sua herança.

    O mundo roubado de Deus

    Em segundo lugar, o mundo foi roubado do Filho de Deus. Algo que percorre toda a Bíblia e irrompe repetidamente nas palavras dos profetas é que Deus foi roubado. Deus sofreu uma injustiça. Seus direitos Lhe foram tirados.

    Os direitos de Deus estão investidos em Seu Filho, e aquilo que foi tirado de Deus diz respeito ao lugar de Deus e de Seu Filho neste mundo. Não é difícil perceber que, por um lado, a grande questão, ao longo de tudo, é justamente esta: Deus não ocupa o Seu lugar, e Seus direitos Lhe foram tirados.

    Se pudéssemos compreender todo o significado dessa grande palavra bíblica, justiça, veríamos que tudo se resume a isto: a justiça diz respeito ao que é justo no que concerne ao próprio Deus.

    A justiça e a injustiça convergem para esta única questão: Deus ocupar o Seu lugar e ter Seus direitos reconhecidos — Seus direitos no céu, Seus direitos na criação e Seus direitos no homem.

    Bem, essas afirmações abrangem muita coisa. Mas o ponto é que este mundo foi roubado do Filho de Deus — é verdade, com o consentimento do homem. Contudo, por enquanto, essa não é a questão. O simples fato é que ele está em mãos que não têm direito sobre ele. Está em mãos às quais não pertence.

    Israel como ilustração da posse ilegítima

    Sabem, Deus registrou isso na história de maneira profunda e marcante. Não sei se vocês já se perguntaram sobre uma questão. Vocês se lembram de que, em Gênesis, Deus veio a Abraão, fez uma aliança com ele e disse:

    Peregrina será a tua descendência em terra que não é sua,
    e servirá aos seus habitantes;
    e estes a afligirão por quatrocentos anos.

    Antes mesmo de existirem, estavam destinados ao cativeiro e à escravidão no Egito. Ou, pelo menos, era certo que passariam por isso. Muitas vezes me perguntei, ao ler a história de José indo para o Egito, depois levando para lá seus irmãos e seu pai idoso, e daqueles tempos aparentemente felizes que desfrutavam naquele momento, por que era necessário que aquilo se tornasse uma prisão para eles durante aqueles quatrocentos anos.

    E, como sabemos, uma prisão terrível. Sabemos como clamavam e gemiam por causa da escravidão sob seus feitores. Por quê?

    Bem, sabemos que os irmãos de José não eram pessoas muito boas. Não o trataram muito bem. Mas por quatrocentos anos? Seria por causa do que eram, e do que não deveriam ter sido — um castigo severo? Por que determinar e conhecer de antemão, muito antes de serem os homens maus que foram, antes mesmo de serem homens, que esse período tão longo e terrível teria de ser registrado na história?

    Bem, talvez não compreendamos, e talvez eu não compreenda, tudo isso. Mas sugiro o seguinte: Deus registrou de maneira profunda e marcante nas páginas da história que este mundo está nas mãos de um poder ao qual não pertence.

    Enquanto esteve ali, durante aquele período, Israel não pertencia ao Egito. A palavra de Deus era:

    Deixa ir o Meu povo.

    Eles não pertencem a você. Você não tem direito sobre eles. Eles pertencem a Mim.

    Agora, talvez pudéssemos encontrar razões muito melhores e mais completas para Israel ter ido, mais tarde, para o cativeiro de setenta anos na Babilônia. Poderíamos dizer que mereceram aquilo, bastando ler estas profecias de Jeremias.

    Ainda assim, há outro lado. Aquele povo continuava sendo o povo de Deus na Babilônia. Não pertencia a Nabucodonosor. Não pertencia à Babilônia. Era o povo de Deus sob um governo e um domínio falsos e ilegítimos.

    Deus registrou isto na história: aquilo que pertence a Deus está sob um governo, um domínio e um senhor falsos e ilegítimos. Não está onde deveria estar — não está em Sua mão.

    Foi roubado de Deus, tão verdadeiramente quanto Faraó roubou Israel e os direitos, as propriedades e a liberdade de Israel; tão verdadeiramente quanto Nabucodonosor levou embora as riquezas do templo, da cidade e do povo.

    Assim, de maneira mais ampla, mais profunda e, naturalmente, espiritual — o que é muito, muito pior do que aquilo que é temporal —, este mundo, que pertence a Deus, foi roubado de Deus. Não está em Sua posse. Deus sofreu uma injustiça. O Filho de Deus foi despojado de Sua herança.

    O mundo como herança perdida

    Em terceiro lugar, este mundo é, no sentido mais profundo, um mundo perdido — um mundo perdido, naturalmente, antes de tudo, para seu Dono, seu legítimo Dono; perdido para o propósito para o qual foi criado; perdido para sua própria condição legítima: paz, alegria, satisfação.

    Perdeu sua unidade essencial, sua integração. Está perdido quanto a isso. Naturalmente, isso não precisa de argumentação nem de muita insistência. Perdeu sua glória. É um mundo perdido. Todos os que nele estão, por natureza, estão perdidos. As nações estão perdidas.

    Agora, naturalmente, o Senhor Jesus Se empenhou em dar grande ênfase a esse fato, creio eu, por meio de parábolas, declarações, Sua obra e Sua Pessoa, de modo a tornar isso muito claro para todos nós.

    Mas a herança está perdida. Sim, e foi roubada. Lembrem-se da parábola da vinha e dos lavradores maus. Eles disseram:

    Este é o Herdeiro;
    vinde, matemo-Lo,
    e a herança será nossa.

    Ah, que significado profundo o Senhor Jesus tinha em mente ao contar aquela parábola!

    Conhecemos todas as Suas outras parábolas sobre coisas perdidas. Temos nos detido principalmente em um lado delas, mas há outro lado, sabem. A mais conhecida é a do chamado filho pródigo. Bem, temos examinado esse pródigo por todos os ângulos, de modo que talvez vocês pensem que não há mais nada a dizer.

    Mas vocês já pensaram que ele não pertencia ao homem para quem se pôs a trabalhar? Ele não pertencia àquele mundo para o qual havia ido, e não pertencia às circunstâncias e às condições em que se encontrava.

    Havia algo dentro dele que se levantava o tempo todo em protesto, dizendo: “Eu não pertenço a este lugar. Não foi para isso que fui feito. Todo o meu ser clama: ‘Estou em uma posição falsa. Estou em uma posição errada, onde não deveria estar. Eu não deveria estar nesta situação’”.

    Se a moeda ou a ovelha pudessem falar — aquelas coisas perdidas —, teriam dito a mesma coisa: “Não estou onde deveria estar. Deveria estar em outro lugar — não foi para isso que fui destinada”.

    Assim, quando o Senhor Jesus resumiu tudo e disse:

    O Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

    Ele estava tocando na questão última, na questão última — não apenas na salvação do homem naquele sentido elementar, mas na salvação do homem em seu sentido mais profundo e pleno: a recuperação daquilo que o Filho de Deus havia perdido, Sua herança.

    A recuperação da herança por Cristo

    Bem, talvez não haja nada de novo para vocês nisso, mas estamos avançando. Este mundo foi feito para o Filho de Deus e dado a Ele por Deus. Foi roubado dEle por um poder que não tem nenhum direito real sobre ele. É o mundo perdido.

    Mas então, em quarto lugar, o Filho de Deus veio a este mundo com o objetivo supremo de recuperar a herança para Si — novamente, resgatar o que estava perdido e assegurar para Si a herança perdida, como seu legítimo Dono.

    E penso que talvez seja bom voltarmos ao que está por trás de tudo e vermos o que está na raiz de Sua vinda: deixar tudo, despojar-Se de tudo no céu e vir para cá; e chegar ao dia em que estamos pensando hoje — a morte na cruz.

    Aquilo que está bem no centro de tudo isso é a recuperação de Sua herança.

    A cruz e o lugar dos perdidos

    Agora, permitam-me tocar, com solenidade e reverência, em um ponto que vai mais fundo do que qualquer outro nesta questão. Quando o Senhor Jesus, na cruz, clamou:

    Eli, Eli, lamá sabactâni?

    Ele entrou no lugar da perdição — o lugar dos perdidos; o lugar onde o bode emissário era solto no deserto, longe do homem e de Deus. Ele tomou o lugar de um mundo perdido e de uma humanidade perdida. Havia perdido tudo.

    Que desolação a de Sua alma! Naquele momento, Ele havia perdido Deus — não apenas o céu; sim, o amor. É uma expressão terrível, e hesito em usá-la: nesse sentido, Ele era como uma alma perdida.

    Isaías diz a respeito dEle que derramou Sua alma na morte — na morte. O que é isso, senão a perda absoluta de tudo?

    Ele foi até ali para trazer de volta, em Sua própria Pessoa, a herança perdida — entrando em contato, até a maior profundidade, até o fundo, com a nossa perda, a perda de Deus e Sua própria perda. Ah, a maravilha da ressurreição! Ela é essencial a toda essa questão.

    O conflito de Cristo com o príncipe deste mundo

    Mas, vejam, este mundo estava perdido. Contudo, mesmo isso, queridos amigos, não é tudo. Tudo isso é verdade, mas há um fator adicional em toda essa questão — um fator adicional, um elemento a mais.

    Ali, naquela escuridão e desolação, naquele deserto de abandono, as coisas de modo algum eram passivas. Ali, Ele foi ao encontro daquele que havia roubado tudo dEle e de Deus, aquele a quem Ele próprio chamou de príncipe deste mundo.

    Ali, de maneira tão real, e ainda mais real e plena do que no combate de quarenta dias com o príncipe deste mundo depois de Seu batismo, Ele enfrentou o usurpador. Enfrentou o ladrão, aquele que rouba. Em um conflito terrível, naquela escuridão, Ele lutou contra os poderes das trevas.

    Foi tão terrível que o salmista bem o descreveu:

    Cercaram-Me como abelhas;
    cercaram-Me como abelhas.

    Essas hostes de espíritos malignos — ali Ele enfrentou todo aquele reino e sua hierarquia com força total.

    Em Sua força soberana, Ele mergulhou nas profundezas das trevas; trouxe de lá o troféu e pôs fim à pretensão do orgulhoso usurpador. Arrancou a herança das mãos do falso usurpador. Travou toda essa batalha naquele momento sombrio na cruz.

    Ah, quanta coisa pode estar concentrada em poucos momentos! Uma eternidade pode estar ali. Assim foi na cruz. A cruz foi uma crucificação muito, muito maior do que a crucificação de um só Homem. Ela é cósmica. Abrange toda a extensão do céu e da terra. Tudo isso está concentrado naquele lugar, naquele momento.

    Ele travou a luta até o fim — esse combate espiritual contra o príncipe deste mundo e seu reino. Por Sua cruz, diz Paulo, Ele despojou os principados e as potestades, expôs-os publicamente e triunfou sobre eles nela.

    A vocação dos coerdeiros com Cristo

    Esse é o quinto ponto. O sexto: como o Príncipe vitorioso, Ele retorna do túmulo pelo poder de Deus. E, ao voltar, chama Seus coerdeiros à vocação de possuir a herança com Ele — tomar posse da herança que Ele assegurou em Si mesmo.

    Vocês conhecem aquela passagem das Escrituras:

    Herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo.

    Ele os chama para essa vocação e para esse conflito pela herança. É esse o significado da vida cristã, de ser cristão: ser chamado à comunhão com Seu Filho; ser chamado como coerdeiro com Ele para compartilhar a herança com Ele; e ser chamado à vocação de tomar posse da herança e travar a batalha por ela.

    E isso se estende a todas as nações, até aos confins da terra. A vocação de cada cristão — ouçam, a vocação de cada cristão; isso inclui vocês individual e coletivamente — é manter os pés firmes em alguma porção desta terra em Nome do Senhor Jesus.

    E aquele outro, com todos os seus poderes, tentará deslocá-los, movê-los, forçá-los a sair, expulsá-los, tornar impossível que permaneçam. Mas esse Nome é suficiente. Esse Nome basta. Ele venceu — não se trata de nossa vitória, mas da vitória nEle.

    O conflito da vocação

    Os métodos dessas forças malignas são numerosos demais para enumerar — invenções incontáveis. Mas quero apontar um de seus métodos prediletos, que, sem dúvida, é uma questão muito presente para vocês e para mim: a atuação do acusador dos irmãos.

    Se ele não conseguir nos abalar quanto à obra redentora de Cristo para nossa salvação final, procurará nos incapacitar e paralisar com base em nossa indignidade de sermos servos do Senhor.

    Sabem, são os servos do Senhor que mais conhecem a atuação do acusador, porque é a vocação que ele tem em vista.

    Essa é uma questão que permanece viva até o fim. Queridos amigos, vocês talvez pensem que já passaram da Carta aos Romanos e que já chegaram à Carta aos Efésios. Que Deus os ajude. Que Deus os ajude.

    Vocês têm o testemunho de alguém que, de modo algum, é novato ou principiante nisso: preciso da Carta aos Romanos hoje mais do que em qualquer outra época de minha vida. Minha grande justificação — ou, deixem-me dizer de outra maneira —, a justiça de Deus que está em Cristo Jesus.

    Vejam, essa não é apenas uma verdade para a salvação; é uma verdade para a batalha. É uma verdade para o guerreiro.

    O profeta diz:

    Toda arma forjada contra ti não prosperará;
    e toda língua que se levantar contra ti em juízo, tu a condenarás.
    Esta é a herança dos servos do Senhor,
    e a sua justiça procede de Mim, diz o Senhor.

    Isso é verdade; tudo isso é verdade. Mas o que significa quando os homens apontam suas armas contra o povo de Deus e têm êxito? Quando os homens levantam suas línguas de acusação contra o povo de Deus e têm êxito?

    Apliquem isso às forças do mal que estão por trás de tudo, e é verdade:

    A sua justiça procede de Mim.

    Isso retira a base de toda acusação do adversário e anula toda arma do acusador.

    A oposição do inimigo segue estas linhas: fazer vocês sentirem o horror de não serem aceitos, de serem rejeitados por Deus, de serem postos de lado pelo Senhor porque Deus olha para vocês — para o que vocês são. É uma batalha terrível.

    A sua justiça procede de Mim.

    Essa é a Carta aos Romanos. Vocês precisam dela na batalha. Nós precisamos dela na batalha. Precisamos dela. Se quisermos chegar até o fim, precisaremos dela no fim.

    A manutenção de posições para Cristo

    Estamos nesta batalha. Somos chamados a ela por causa da herança. Herança não é salvação. Não fazemos nada para merecer a salvação. A herança é muito, muito mais do que isso. Ele nos chama a essa vocação de tomar posse dela — tomar posse por direito.

    Repito: onde vocês estão — em seu lar, em seu trabalho, em seu lugar de serviço espiritual —, em qualquer parte deste mundo, estando em comunhão com Jesus Cristo, sua comunhão com Ele nessa vocação mantém aquele lugar para Ele, em Seu Nome.

    E não saiam até que o Senhor diga que devem sair. Às vezes, o Senhor nos muda de lugar, mas precisamos ter a palavra do Senhor para isso. O inimigo fará de tudo para tentar nos desalojar.

    O conflito inerente à comunhão com Cristo

    Agora, há, naturalmente, três aspectos nesses seis pontos. O legítimo e vitorioso Príncipe deste mundo nos chama, como coerdeiros, à vocação e ao conflito de recuperar a herança.

    Isso significa que, no próprio cerne da comunhão com o Filho de Deus, há um conflito inerente. Vocês só percebem esse conflito quando tomam partido de Jesus Cristo. É algo imediato: quase no mesmo instante, vocês se encontram em uma atmosfera carregada de antagonismo.

    Sem dizer ou fazer nada, vocês já se deparam com essa oposição. Ela está ali. Está ali. Vocês a percebem. Se prosseguirem com o Senhor — e quanto mais prosseguirem com o Senhor —, mais essa atmosfera de antagonismo se fará sentir.

    Sei que esse não é um evangelho muito reconfortante para vocês. Mas vocês sabem que é verdade. E quanto mais vocês representarem para a herança, quanto mais qualquer coisa representar para a herança, mais violento será o conflito.

    A pressão sobre os que servem ao Senhor

    Posso mencionar aqui algo para suas orações: durante esta semana, recebi uma longa carta de uma querida irmã idosa, cujo nome muitos de vocês conhecem, e cujos escritos talvez sejam ainda mais conhecidos — a autora de O plano de redenção de Deus.

    Alguém que, ao longo de uma vida extensa, representou muito para o Senhor e para a herança está agora em uma casa de cuidados, depois de um acidente muito grave, do qual não se sabe se irá se recuperar. Está muito sozinha.

    E, em sua carta, ela disse: “Estou sendo duramente pressionada pelos poderes malignos de uma maneira que nunca conheci em toda a minha vida. Ore por mim. Peça a seus amigos que orem”.

    A respeito de alguém que representou tanto para o Senhor na questão da herança, vocês diriam: “Bem, agora é hora de descansar a cabeça; a guerra acabou. Senhor, dá a ela um entardecer tranquilo”. Mas, queridos amigos, esse não é um caso isolado. Em toda parte, aqueles que realmente representam algo para o Senhor estão sob esse tipo de pressão. É intensa.

    Pensem naquele querido servo na China, agora em seu sétimo ano de tortura na prisão. Mas, vejam, vocês conhecem o terrível conflito. Infelizmente, ele não sabe do imenso valor de seu ministério, de como tem nos sustentado aqui durante meses — seu ministério registrado naquele livro e em outros livros.

    Nós vemos isso e sabemos. Sabemos. Vocês leem a correspondência a esse respeito; ouvem os relatos; recebem notícias impressionantes de muitas partes do mundo. Compreenderiam e perceberiam que há algo nisso — há algo que decorre desse conflito.

    É assim: se vocês não representarem muito para o Senhor, não conhecerão muito disso. Há muitos, muitos cristãos que estão servindo ao cristianismo e achando tudo um passeio — uma vida agradável. Essa é a ideia que têm do cristianismo, e muitos estão satisfeitos assim.

    Mas vocês querem saber qual será o valor intrínseco, o valor final — o que o chamado príncipe deste mundo pensa a respeito disso. Podem ter como certo que o chamado à comunhão com o Filho de Deus nessa grande vocação traz em si, por mais terrível que seja, o elemento do conflito.

    A reunião de um povo dentre as nações

    O segundo aspecto é que nossa tarefa, em primeiro lugar, é obter dentre as nações uma representação atual da herança — uma amostra delas. Sabem, talvez pensemos que a Palavra de Deus nos diz que o mundo será ganho em primeiro lugar, mas o que nos é dito é que essa representação vem primeiro.

    Observem como isso é expresso: Deus primeiro visitou as nações para tirar dentre elas um povo para o Seu Nome. Um povo para o Seu Nome — uma representação delas. Essa é nossa tarefa: a tarefa de vocês onde estão, em seu trabalho, no lugar onde seus pés estão firmados.

    E ali, mesmo que o inimigo esteja presente, será tomada uma porção representativa da herança, tendo em vista a grande consumação. Sim, hoje, na linguagem comum, falamos de ganhar almas e assim por diante, mas é disso que se trata.

    Vejam algo ainda maior do que levar pessoas a serem salvas e trazidas a Cristo. Isso é importante, mas há algo por trás. Há um propósito estabelecido e firme, um propósito que teve início no coração de Deus e se estende através das eras até os séculos dos séculos.

    Do ponto de vista humano, uma coisa entra nisso: no primeiro momento prático, obtém-se uma representação. É uma representação, mas é uma representação do todo.

    A posse final das nações

    E, em terceiro lugar, a consumação final segue essa direção: a posse das nações.

    Pede-Me, e Eu Te darei as nações por Tua herança,
    e os confins da terra por Tua possessão.

    Isso será cumprido e concedido a Seu Filho. Os reinos deste mundo se tornarão o reino do nosso Deus. Esse é o desfecho da história.

    O trono de glória como fundamento da perseverança

    O custo de tudo isso é muito grande. O conflito está aqui. As exigências que recaem sobre nós às vezes parecem imensas. E os interesses envolvidos são tão grandes que algo é absolutamente necessário se quisermos atravessar tudo isso.

    Precisamos ter um fundamento adequado para chegar até o fim. Não exagerei. Por favor, se vocês não sabem do que estou falando, acreditem em mim: as implicações dessa grande tarefa são muito, muito grandes, e há um processo muito custoso.

    Precisamos de alguma base, algum fundamento, que seja suficiente para enfrentar tudo e prosseguir até o fim. E qual é? Ah, leiam Jeremias novamente, se tiverem paciência para percorrer com ele todo esse longo livro. Ouçam os gemidos, os clamores, os suspiros e as aflições desse homem.

    Ouçam-no dizer:

    Ai de mim, minha mãe, porque me deste à luz,
    homem de contenda e homem de discórdia para toda a terra!

    Ele é chamado de profeta chorão — penso que indevidamente —, mas era o homem que enfrentava essa situação terrível. Terrível! Por fim, colocaram-no em uma cisterna profunda e escura, inteiramente dispostos a deixá-lo ali para morrer de fome.

    Então, um bondoso etíope, ao saber de sua situação, apelou ao rei, que ordenou que levassem cordas e tirassem Jeremias do poço. E houve um gesto adicional de bondade e compreensão por parte do etíope: ele pegou vários trapos velhos e os colocou em torno das cordas, sob os braços de Jeremias, para que não houvesse dor desnecessária.

    Assim, ele passa por tudo isso. Queridos amigos, nós passamos por tudo isso. E, se às vezes vocês sentem que o caminho é difícil, impossível de percorrer até o fim, precisam de algo — e precisam daquilo que Jeremias tinha. O que ele tinha?

    Um trono de glória, posto nas alturas desde o princípio,
    é o lugar do nosso santuário.

    O trono acima de todas as circunstâncias

    Considerem cada parte: um trono de glória. Há aí a ideia de governo em glória; posto nas alturas, acima de tudo isso, acima de tudo; posto nas alturas.

    Não desde ontem ou hoje, mas desde a eternidade — desde o princípio. Ele está ali desde o princípio. Um trono eterno, posto nas alturas desde o princípio, é o lugar do nosso santuário.

    O santuário como segurança

    Que imagem isso traz diante dos seus olhos? Vocês veem o fugitivo. Veem aquele que está sendo perseguido pelo vingador do sangue, correndo apressadamente de seu lugar em Israel para a cidade de refúgio — o lugar do santuário.

    Um trono de glória, posto nas alturas desde o princípio, é o lugar do nosso santuário — nosso refúgio, nossa segurança, nossa proteção, nossa preservação.

    A visão do Senhor exaltado

    E, quando vocês param para pensar, não apenas Jeremias, mas também Isaías cumpriu seu ministério sustentado por isso:

    No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um trono,
    alto e sublime.

    E Ezequiel:

    Eu estava junto ao rio Quebar,
    e tive visões de Deus;
    os céus se abriram.

    Acima do firmamento havia a semelhança de um trono. Qual é a palavra que dá o tom ao livro de Daniel? Daniel, que sabia alguma coisa sobre esse conflito e seu custo? Os céus dominam. Os céus dominam. É essa palavra novamente.

    Saberás que os céus dominam.

    E foi esse mesmo segredo que sustentou Paulo em todos os seus sofrimentos. Ele havia visto o Senhor Jesus elevado e exaltado em glória.

    Deus O ressuscitou dentre os mortos e O colocou à Sua própria direita, muito acima de todo governo, autoridade, principado e poder, e de todo nome que se possa nomear. Ele O exaltou sobremaneira e Lhe deu o Nome que está acima de todo nome.

    Somente assim chegaremos até o fim. Mas assim chegaremos até o fim: nós O vemos ali, sabemos que Ele está ali e mantemos os olhos nEle ali — no trono de glória, posto nas alturas desde o princípio.