Atos 2:37-42:
E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Irmãos, que faremos?
E Pedro lhes disse: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.
Porque a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que estão longe, tantos quantos o Senhor, nosso Deus, chamar a Si.
E com muitas outras palavras dava testemunho e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
Então, os que receberam a sua palavra foram batizados; e naquele dia foram acrescentadas cerca de três mil almas.
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
E agora, por favor, abram em Romanos 6.
Romanos 6:1-11:
Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum.
Nós, que morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?
Ou ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na Sua morte?
Fomos, pois, sepultados com Ele pelo batismo na morte: para que, assim como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.
Porque, se fomos unidos a Ele na semelhança da Sua morte, também o seremos na semelhança da Sua ressurreição;
sabendo isto: que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de que não sejamos mais escravos do pecado;
porque aquele que morreu está justificado do pecado.
Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com Ele viveremos;
sabendo que Cristo, tendo sido ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre Ele.
Pois, quanto à morte que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas, quanto à vida que vive, vive para Deus.
Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus.
Agora, ao dizer brevemente algumas palavras sobre o significado e a importância do batismo, não farei nenhuma introdução, para economizar tempo. Há apenas três coisas sobre o batismo que gostaria de compartilhar com vocês, especialmente com aqueles que vão ser batizados.
Em primeiro lugar, o batismo é um testemunho glorioso e público de uma experiência interior e pessoal com o Senhor Jesus. Vou dizer isso novamente: o batismo é um testemunho glorioso e público de uma experiência interior e pessoal.
É claro que vivemos numa sociedade em que, certamente do nosso lado do Atlântico, há muitas pessoas que foram batizadas quando bebês e, por isso, acreditam que já foram batizadas.
Tudo o que quero dizer é isto: examinando a Palavra de Deus, não encontramos um único exemplo inequívoco de um bebê sendo batizado. Na verdade, não encontramos um único exemplo inequívoco de que o batismo praticado pelos apóstolos e pela igreja primitiva tenha sido administrado a alguém que não fosse salvo.
Pelo que vejo na Palavra de Deus, não existe batismo por procuração. Em outras palavras, batizar uma criança na fé de que ela virá a se tornar uma pessoa que crê.
Há muitas variedades de ensino sobre o batismo infantil, e levaríamos tempo demais para entrar nesse assunto. Há o ensino de que, ao serem batizadas, as crianças são salvas. Elas de fato nascem de novo por meio do batismo.
E há um segundo ensino, que tem muito mais argumentos a seu favor e é um pouco mais difícil de responder: o de que os filhos de pais cristãos, pelo batismo, são introduzidos no círculo da aliança do povo de Deus.
Tudo o que posso dizer, nos poucos momentos que temos, é isto: não temos nenhum exemplo inequívoco — nem um único exemplo inequívoco — de alguém que tenha sido batizado antes de chegar a um conhecimento pessoal do Senhor Jesus.
Também não temos um único mandamento, nem sequer uma declaração da Palavra de Deus, que se refira explicitamente às crianças e diga que elas devem ser batizadas. Em outras palavras, essa prática precisa se basear em inferências.
Temos de dizer que, quando o carcereiro de Filipos foi batizado, juntamente com toda a sua casa, devia haver bebês ali. Quando Lídia foi batizada, juntamente com sua casa, devia haver bebês ali. Precisamos, de alguma maneira, a meu ver, fazer injustiça à Escritura: tomar essa afirmação de que a promessa é para vocês e para seus filhos e, de algum modo, inferir daí que a promessa aos filhos significa que, se os adultos são batizados, as crianças também devem ser batizadas, porque são filhos desses adultos. Vocês entendem?
Por outro lado, sejamos bem claros quanto a isto: temos muitos exemplos do batismo daqueles que tiveram uma experiência de salvação com o Senhor Jesus.
De fato, aqui podemos nos apoiar numa base muito sólida e clara. Em todo lugar do Novo Testamento em que encontramos pessoas sendo batizadas, elas chegaram a conhecer o Senhor Jesus. E quase imediatamente são batizadas mediante a profissão de sua fé.
Aqui temos três mil pessoas. Temos Lídia, cujo coração o Senhor abriu. Temos o carcereiro de Filipos e sua família, que foram salvos de maneira tão gloriosa. Temos muitos outros exemplos daqueles que, assim que chegaram à fé salvadora no Senhor Jesus Cristo, foram batizados.
Em outras palavras, são aqueles que nasceram de novo que podem, nas águas do batismo, dar um testemunho glorioso e público — não apenas ao mundo, mas também ao mundo invisível — de que chegaram à fé salvadora no Senhor Jesus.
Não importa quão pouco você saiba, quão pobre seja, quão fraco seja, quão indigno seja. Se você teve uma experiência de salvação — e há um se aqui —, se você teve uma experiência de salvação com o Senhor Jesus Cristo, está apto para o batismo.
Na igreja primitiva, eles os batizavam quase imediatamente. Mal haviam recebido o Senhor Jesus e já estavam, por assim dizer, dentro da água, sendo batizados.
Um pouco mais tarde, na igreja, passaram a esperar um pouco mais, provavelmente porque perceberam que era melhor dar alguma instrução. De fato, pela tradição — a tradição da igreja —, vemos que, no final do primeiro século, coisas extraordinárias eram exigidas daqueles que iam ser batizados. Antes de serem batizados, precisavam estar prontos para declarar publicamente que estavam dispostos a sofrer o martírio. Estavam dispostos a entregar a vida pelo Senhor Jesus Cristo, e era mediante essa profissão que eram batizados.
Mas a questão é que o batismo é um testemunho glorioso e público de uma experiência interior e pessoal com o Senhor Jesus. Se você teve essa experiência — se apenas começou a prová-Lo, se apenas começou a confiar Nele, se seus olhos apenas começaram a se abrir para Ele —, você não vê tudo; vê apenas um pouco. Pois bem, você também está apto para o batismo. Não espere, ou ficará esperando para sempre.
Ah, como eu gostaria de ser batizado novamente! Eu me junto a todos aqueles que adorariam voltar às águas do batismo. Agora sinto que entendo, mas isso é uma grande bobagem. Quando fui batizado, a única razão para fazê-lo foi que eu entendia que era um mandamento do Senhor Jesus e queria obedecer a Ele. Era tudo o que eu sabia sobre o batismo.
Na verdade, aquilo significava infinitamente mais do que eu poderia compreender naquele momento. Desde que fui batizado, pela graça de Deus, passo a passo, etapa por etapa, tenho chegado a uma compreensão do que o batismo significa.
Por isso, entendo quando o apóstolo Paulo diz:
Não sabeis que todos vós que fostes batizados fostes batizados?
Eu penso: “Ah, eu não sabia, mas agora sei”. Vocês entendem?
Em outras palavras, quando você é batizado, está, na verdade, dando testemunho daquilo que será uma experiência para toda a vida. Está dando testemunho de algo que remonta a dois mil anos e prossegue por toda a eternidade. Está realmente dando testemunho de algo cósmico, universal em seu significado, e, pela graça de Deus, você foi introduzido nisso. Não é maravilhoso?
Se você disser: “Bem, preciso esperar até conhecê-Lo melhor”, posso lhe dizer uma coisa: quanto mais perto você chegar do Senhor, mais sentirá que não O conhece. Portanto, se disser: “Vou esperar até conhecer melhor o Senhor”, poderá esperar por muito, muito tempo.
O apóstolo Paulo escreveu uma carta alguns anos antes de sofrer o martírio e chamou a si mesmo de o menor de todos os santos. Mas, pouco antes de morrer, escreveu outra carta e chamou a si mesmo de o principal dos pecadores.
Não é interessante? Ele avançou tanto com o Senhor e disse: “Sou o menor de todos os santos”. Avançou muito mais, chegando bem perto de ver o Senhor, e disse: “Sou o principal dos pecadores”. Embora eu ache que haja uma pequena diferença entre ser o menor de todos os santos e o principal dos pecadores.
Mas não é interessante que, quanto mais perto ele chegava do Senhor, quanto mais via do Senhor e quanto mais prosseguia com o Senhor, mais reconhecia que era indigno e que, na verdade, compreendia tão pouco do Senhor?
Portanto, não espere compreender o Senhor de maneira muito plena e profunda antes de ser batizado. Você é batizado porque provou a salvação de Deus. Essa é a primeira coisa.
Agora, mais um pequeno ponto sobre isso, bem rapidamente. Às vezes, as pessoas dizem que o batismo da aliança — isto é, o batismo daqueles cujos pais cristãos os fizeram batizar ou aspergir quando eram bebês — corresponde a Colossenses 2:11-12:
No Qual também fostes circuncidados com uma circuncisão não feita por mãos, no despojamento do corpo da carne, na circuncisão de Cristo;
tendo sido sepultados com Ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados com Ele pela fé na operação de Deus, Que O ressuscitou dentre os mortos.
Elas dizem que o batismo corresponde à circuncisão. E a circuncisão era assim: sob a antiga aliança, um menino era circuncidado oito dias depois de nascer. Portanto, dizem que os bebês dos cristãos devem ser batizados; e, nos bons tempos de antigamente, costumavam fazer isso oito dias depois do nascimento, tão logo fosse possível.
Mas, vejam, isso é um equívoco. A circuncisão vem depois do nascimento na família de Deus, e o batismo vem depois do nascimento na família de Deus. Entenderam?
Assim como um era um nascimento físico num povo físico da aliança, o outro é um nascimento espiritual na família espiritual e eterna de Deus. Portanto, o batismo realmente vem depois do nascimento, mas não depois do seu nascimento natural. Vem depois do seu nascimento espiritual. Se você nasceu de novo, então está apto para ser batizado. Essa é a primeira coisa.
A segunda coisa sobre o batismo é esta: certamente, ele é obediência a um mandamento. Mas acho muito triste pensarmos no batismo simplesmente como um rito.
Ele é um rito. Quero dizer, não adianta dizer que não é propriamente um rito. Há um pouco de ritual nele. Todos são batizados da mesma maneira, ou deveriam ser. Quero dizer, são mergulhados na água e saem de dentro dela. Vocês entendem? Isso é um pouco de ritual. Não colocamos alguém de cabeça na água e depois o tiramos, nem o colocamos deitado na horizontal. Há certa cerimônia, certo ritual; portanto, é um rito. Mas, se for apenas um rito, é muito triste.
Ele é uma ordenança. O que é uma ordenança? Uma ordenança é algo que foi ordenado, algo que foi mandado. Mas, se for apenas algo ordenado, é muito triste. Ele é um testemunho. E você só pode dar o testemunho que está dentro de você, não é?
Mas testemunho de quê? Aqui está a segunda coisa: ele é um testemunho do Calvário. Ouvimos isso em Romanos 6: morte, sepultamento, ressurreição.
E aquelas águas do batismo são um símbolo da morte. Quando uma pessoa desce às águas e é batizada dentro da água — isto é, entra na água —, isso é uma representação de sua identificação com Cristo na morte. Quando está debaixo da água, há uma representação de que foi sepultada com Cristo. E, quando é levantada da água, isso é uma representação de que foi ressuscitada com Cristo.
Vejam, portanto, que vocês têm o mais maravilhoso testemunho. Não é de admirar que o diabo odeie o batismo. Não é de admirar.
Lembro-me de que, no Egito, quando muçulmanos encontravam o Senhor, a única coisa que o diabo odiava era o batismo. Eles podiam encontrar o Senhor Jesus, ser salvos e até falar Dele, e eram aceitos. Mas, no momento em que eram batizados, ficavam marcados para morrer.
De todos aqueles que encontraram o Senhor durante os dois anos em que estive no Egito, acho que pouco menos de dois terços — pouco mais da metade — foram assassinados.
Há um rapaz que, até hoje, está numa instituição psiquiátrica. Era um jovem brilhante, estudante universitário no Cairo, cujos pais colocaram veneno em sua comida para destruir sua mente quando ele foi batizado. Preferiam que ele ficasse mentalmente incapacitado, para poderem dizer: “Bem, ele já estava perdendo a razão quando os cristãos o pegaram”.
Vocês não podem imaginar o ódio de Satanás pelo batismo. Por quê? Por que ele odeia um pouco de água? O que há de mágico na água?
Charles H. Spurgeon, aquele grande pregador batista, disse: “Você pode ser batizado por todo o caminho de Land’s End à Nova Inglaterra, atravessando o Atlântico inteiro, e tudo o que acontecerá, se você não tiver fé salvadora, é que ficará molhado”.
Não há nada de mágico na água. Então, o que Satanás odeia? Ele odeia o fato de algo ser dito em nome de Jesus? Mas, às vezes, o nome de Jesus pode ser associado a várias coisas que não significam nada, e isso não incomoda Satanás.
O que Satanás odeia? Ele odeia o verdadeiro batismo, porque o verdadeiro batismo é um testemunho do Calvário, e o Calvário é o fim de Satanás e de seu poder.
E, no momento em que ele vê aquelas águas do batismo e um testemunho verdadeiro naquelas águas, daqueles que encontraram o Senhor Jesus sendo batizados — entrando na água, ficando debaixo da água, saindo da água —, sabe muito bem que isso é um testemunho de que morreram com Cristo, foram sepultados com Cristo e ressuscitaram com Cristo. Ele odeia isso.
Portanto, é algo maravilhoso. Não há outro caminho, fora de Cristo, para conhecer verdadeiramente a salvação de Deus. Não é verdade? Não havia outro caminho para você ser salvo, nenhum outro caminho para eu ser salvo. O único caminho pelo qual eu poderia ser salvo era pela morte, pelo sepultamento e pela ressurreição do Senhor Jesus.
E, se Ele é a sua salvação, então você dá testemunho. Mas dá testemunho de muito mais do que isso. Não se trata apenas de você ter o perdão dos pecados. Não havia outro caminho para você ter o perdão dos pecados senão pela morte, pelo sepultamento e pela ressurreição Dele. Não havia outro caminho para você conhecer a união com Ele senão pela morte, pelo sepultamento e pela ressurreição Dele. E não há outro caminho para você ser glorificado senão pela morte, pelo sepultamento e pela ressurreição Dele. Vocês entendem?
Uma irmã me contou uma história tão engraçada esta manhã — acho que nem deveria contá-la a vocês —, mas ela se encaixa exatamente nisso. Certa vez, ela ouviu falar de um pregador que, quando menino, tinha um gato de que gostava muito. Era um gato de estimação. Ele amava aquele gato, e o gato morreu. Então, disse que ele mesmo enterraria seu gato; não deixaria mais ninguém enterrá-lo.
E saiu para enterrar seu gato. Amava tanto o gato que, ao enterrá-lo, deixou o rabo para fora da terra. Depois, todos os dias, ia até lá e o puxava para cima.
É uma história horrível, não é? Porque, a cada dia, o gato afundava um pouco mais. E esse velho irmão disse: “É isso que nós fazemos”.
Sabe, não enxergamos de fato que fomos crucificados com Cristo, que isso realmente já foi feito. Então, tentamos ser crucificados. Mas, todos os dias, vamos puxar o velho homem para cima, para ver como ele está. Entendem o que quero dizer? Damos uma olhada nele, e ele parece mais morto do que nunca, mas continua ali, se vocês entendem o que quero dizer. Ele não desapareceu. Não foi sepultado.
Quando você enterra alguma coisa, a tira de vista. Portanto, o Senhor realmente fez esse trabalho direito. Não fomos apenas crucificados com Cristo; também fomos sepultados com Cristo. E o que você faz quando sepulta alguém? Você o tira de vista — com rabo e tudo. Tudo fica debaixo da terra. Está lá embaixo, está acabado, está fora de vista, está sepultado.
Mas aqui está a coisa maravilhosa: fomos ressuscitados para andar em novidade de vida.
Quando Deus revelar isso — e não sei se Ele já o revelou àqueles de vocês que vão ser batizados, mas certamente, se prosseguirem com Ele, Ele o fará —, vocês começarão a enxergar essa realidade gloriosa. Um dia destes, o Espírito Santo iluminará seu coração, e você verá: “Estou crucificado com Cristo. Quando Ele morreu, eu morri. Quando Ele foi sepultado, eu fui sepultado. E, quando Ele ressuscitou, eu ressuscitei com Ele para andar em novidade de vida”. Louvado seja Deus.
Essa é a segunda coisa sobre o batismo e, ah, é maravilhoso quando podemos enxergá-lo dessa maneira. Essa é a base de todo o agir de Deus em sua vida, de todas as operações do Seu Espírito, de toda a Sua plenitude e poder em sua vida, de cada dom que Ele lhe dará para exercer. A base de todo o agir de Deus conosco, individual e coletivamente, é a morte, o sepultamento e a ressurreição do Senhor Jesus Cristo. E temos o imenso privilégio de, nas águas do batismo, dar testemunho desse fato de maneira muito simples.
Agora, a terceira coisa é esta: ele é muito, muito mais do que isso.
Em 2 Coríntios 5:17, lemos:
Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criatura: as coisas velhas já passaram; eis que se fizeram novas.
É assim que esta versão, a American Standard Version de 1901, apresenta o texto. Gosto da variante que aparece à margem:
Portanto, se alguém está em Cristo, há uma nova criação.
Porque ela está inteiramente de acordo com o original. É perfeitamente possível dizer “há uma nova criação”, tanto quanto “é uma nova criatura”.
Gosto de “há uma nova criação” porque isso impede que você fique, por assim dizer, centrado em si mesmo. O que acontece com tanta frequência é que nós, que encontramos o Senhor e O conhecemos, estamos sempre olhando e dizendo: “Onde está essa nova criatura?”.
Vejam, Bob Mumford disse certa vez algo muito engraçado. A respeito de morrer com Cristo, ele disse: “Sabe, eu achava que tinha morrido com Cristo, mas descobri que só tinha desmaiado”.
Quando olhamos para dentro de nós, muitas vezes é isso que acontece. Tentamos nos considerar mortos como se estivéssemos encenando algo, como se, de alguma maneira, tivéssemos de nos iludir, de nos enganar, de impor alguma coisa a nós mesmos. Não: você está morto. O problema é que olho para dentro e digo: “Onde está essa nova criatura? Não consigo vê-la”.
Mas, sabem, é maravilhoso:
Se alguém está em Cristo, há uma nova criação.
Em Cristo há uma nova criação.
Vejam, Deus divide este mundo em dois. Há uma velha criação e uma nova criação. Há um velho homem e um novo homem. Há uma velha natureza e uma nova natureza. Há uma velha vida e uma nova vida. Há Adão e Cristo.
Não temos tempo de examinar todas as passagens das Escrituras, mas o Novo Testamento inteiro está cheio disso, quando vocês começam a enxergar. E o maravilhoso é que, se você creu no Senhor Jesus Cristo e foi salvo, então sua posição é esta: você está fora da velha criação e dentro da nova criação. Está fora de Adão e em Cristo. Está fora do velho homem e no novo homem.
Mas, vejam, como isso aconteceu? Vou lhes dizer como aconteceu. O Senhor Jesus levou a velha criação, a velha natureza, o velho homem, Adão, para a cruz. E, quando Ele foi crucificado, tudo isso foi crucificado. Quando Ele foi sepultado, tudo isso foi sepultado. E, quando Ele ressuscitou, ressuscitou como o novo homem.
Portanto, quando você entra nas águas do batismo, está realmente dizendo àqueles principados e potestades: “Não pertenço aos poderes das trevas. Fui liberto dos poderes das trevas e transferido para o reino do Filho amado de Deus”.
Uma transferência gloriosa aconteceu. Fui transferido. Minha cidadania foi transferida. Já não sou alguém que pertence à velha criação; estou na nova criação. Já não sou um habitante deste mundo. Sou um estrangeiro e peregrino neste mundo. Minha cidadania está nos céus.
Quando você entra nas águas do batismo, embora talvez ainda não compreenda isso plenamente, é disso que está dando testemunho, e é isso que o diabo odeia.
E é por isso que o apóstolo Pedro se referiu ao batismo como sendo semelhante à arca de Noé. Ele disse que o batismo corresponde à arca de Noé, na qual oito pessoas foram salvas. O que era a arca de Noé? Era uma arca que transportava oito pessoas de uma velha criação para uma nova criação, de um velho mundo para um novo mundo, de um velho homem para um novo homem, de uma ordem que estava sob juízo para uma ordem que estava sob bênção.
Você está nessa arca? A arca é o Senhor Jesus. Bendito seja Deus, Ele é a arca de Deus. E Nele entramos na morte, Nele fomos sepultados e Nele fomos ressuscitados para andar em novidade de vida.
Agora vocês entendem o que quero dizer. O batismo é, na verdade, um testemunho de uma experiência para toda a vida: algo que Deus fez há cerca de dois mil anos em Seu Filho e que é eterno em sua influência e em seu significado.
E aqui está você, um pouquinho de barro, e aqui estou eu, um pouquinho de barro, vivendo no século vinte. Entramos naquelas águas — algo tão simples, de tantas maneiras aparentemente tão insignificante —, e o que realmente estamos fazendo é dar testemunho de algo que está no centro de todo o universo: a morte, o sepultamento e a ressurreição do Senhor Jesus. Louvado seja Deus.
Mas você não compreenderá tudo isso quando for batizado. Ainda assim, pelo menos sabe que pertence a Ele, que está Nele e que está com Ele. Bendito seja o Seu nome.