Podemos ler nesta noite, mais uma vez, nas profecias de Isaías — desta vez, Isaías 60? Estou lendo na American Standard Version de 1901.
Levanta-te, resplandece; porque é chegada a tua luz,
e a glória do Senhor nasceu sobre ti.
Pois eis que as trevas cobrirão a terra,
e a escuridão profunda, os povos;
mas sobre ti o Senhor Se levantará,
e a Sua glória será vista sobre ti.
E as nações virão à tua luz,
e os reis, ao resplendor do teu nascer.Levanta os teus olhos ao redor e vê:
todos se ajuntam, vêm a ti;
os teus filhos virão de longe,
e as tuas filhas serão trazidas nos braços.
Então verás e ficarás radiante,
e o teu coração estremecerá e se dilatará;
porque a abundância do mar se voltará para ti,
as riquezas das nações virão a ti.
Uma multidão de camelos te cobrirá,
os dromedários de Midiã e de Efá;
todos os de Sabá virão;
trarão ouro e incenso,
e proclamarão os louvores do Senhor.Todos os rebanhos de Quedar se ajuntarão a ti,
os carneiros de Nebaiote te servirão;
subirão com aceitação ao Meu altar,
e Eu glorificarei a casa da Minha glória.Quem são estes que voam como uma nuvem,
e como pombas para as suas janelas?
Certamente as ilhas esperarão por Mim,
e primeiro os navios de Társis,
para trazer de longe os teus filhos,
com a sua prata e o seu ouro,
para o nome do Senhor, teu Deus,
e para o Santo de Israel,
porque Ele te glorificou.E estrangeiros edificarão os teus muros,
e os seus reis te servirão:
porque na Minha ira te feri,
mas no Meu favor tive misericórdia de ti.
As tuas portas também estarão abertas continuamente;
não se fecharão nem de dia nem de noite;
para que te tragam as riquezas das nações,
e os seus reis, conduzidos cativos.
Porque a nação e o reino que não te servirem perecerão;
sim, essas nações serão inteiramente devastadas.A glória do Líbano virá a ti,
o abeto, o pinheiro e o buxo juntamente,
para embelezar o lugar do Meu santuário;
e farei glorioso o lugar dos Meus pés.
E os filhos daqueles que te afligiram
virão curvando-se diante de ti;
e todos os que te desprezaram
se prostrarão às plantas dos teus pés;
e te chamarão Cidade do Senhor,
Sião do Santo de Israel.Em vez de seres abandonada e odiada,
de modo que ninguém passava por ti,
Eu farei de ti uma excelência eterna,
uma alegria de muitas gerações.
Também mamarás o leite das nações,
e mamarás os seios dos reis;
e saberás que Eu, o Senhor, sou o teu Salvador,
e o teu Redentor, o Poderoso de Jacó.Em vez de bronze, trarei ouro,
e em vez de ferro, trarei prata,
e em vez de madeira, bronze,
e em vez de pedras, ferro.
Também farei da paz os teus oficiais,
e da justiça, os teus exatores.
Nunca mais se ouvirá de violência na tua terra,
nem de desolação ou destruição dentro dos teus limites;
mas chamarás aos teus muros Salvação,
e às tuas portas Louvor.O sol não mais será a tua luz de dia;
nem, por seu resplendor, a lua te iluminará:
mas o Senhor será a tua luz eterna,
e o teu Deus, a tua glória.
O teu sol não mais se porá,
nem a tua lua se recolherá;
porque o Senhor será a tua luz eterna,
e os dias do teu luto terminarão.Também todo o teu povo será justo;
herdarão a terra para sempre,
o renovo que Eu plantei,
a obra das Minhas mãos,
para que Eu seja glorificado.
O menor se tornará mil,
e o pequeno, uma nação forte:
Eu, o Senhor, apressarei isso a seu tempo.
Então, vamos nos unir em oração?
Senhor, queremos simplesmente Te agradecer porque Te encontramos aqui, em Tua presença, nesta noite. Nós Te agradecemos, Senhor, pelos cânticos que nos foram cantados. Nós Te agradecemos, Senhor, pela adoração e pelo louvor que estão em nossos corações.
E, Senhor, queremos nos posicionar juntos para que toda obra do inimigo neste ambiente seja quebrada — qualquer coisa que Te roube aquilo que seria Teu nesta última noite.
Nós Te agradecemos, ao nos voltarmos para a Tua Palavra, amado Pai, porque nos concedeste o ministério do Espírito Santo, para nos conduzir a toda a verdade, tomar das coisas do Senhor Jesus e torná-las reais para nós.
Queremos, Pai, confessar e reconhecer diante de Ti que, sem Ti, nada podemos fazer. Senhor, sê o nosso poder e a nossa capacitação, tanto ao falar quanto ao ouvir nesta noite. Ajuda-nos, ó Senhor, a ouvir a Tua voz. Acima de tudo, que os olhos do nosso coração vejam algo de Ti mesmo.
Ó Senhor, faz deste momento um encontro Contigo. Por isso, nós Te damos graças, Te louvamos e Te adoramos, porque a Tua graça é suficiente e o Espírito Santo é plenamente capaz de tornar este momento e a Tua Palavra vivos para nós, de tal maneira, Senhor, que a nossa vida seja transformada. Assim, nós Te agradecemos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, temos considerado bastante coisa sobre Sião nesta última semana, nos períodos que estiveram sob minha responsabilidade. Consideramos a batalha por Sião, um pouco sobre a edificação de Sião, um pouco sobre as dores de parto por Sião, e dedicamos duas ocasiões à obra, ou ao ministério, de Sião.
Como esse ministério e essa obra de Sião são realmente maravilhosos! Creio que, para resumir em uma palavra, trata-se de libertação. Sião tem tudo a ver com a libertação da terra e com a restauração e a restituição de todas as coisas ao Senhor. Estamos em um movimento do Espírito Santo para a libertação universal. Louvado seja Deus.
Por causa disso, temos um tremendo ministério confiado a nós já agora: soltar as ligaduras da impiedade, desfazer as ataduras do jugo, deixar livres os oprimidos e quebrar todo jugo. Essa é a nossa tarefa — a nossa obra. É libertar em nome do nosso Senhor e Messias ressurreto, Jesus, o Rei, Que está em Sião.
Devemos proclamar liberdade aos cativos e a abertura da prisão aos que estão presos e acorrentados pelo inimigo. Depois, devemos cuidar daqueles que foram libertos. Devemos repartir o nosso pão com os famintos, acolher os pobres em nossas casas, cobrir os que estão nus e não nos esconder daqueles que são da nossa própria carne.
Depois, devemos lidar com os problemas em nosso próprio meio: tirar o jugo de entre nós, deixar de apontar o dedo e de falar maldosamente, abrir a nossa alma ao faminto e satisfazer a alma aflita. E, é claro, a chave de tudo isso é dar ao Senhor os Seus direitos. Não pode haver verdadeiro poder para livramento e libertação se o Senhor não tiver o Seu lugar e os Seus direitos entre nós.
Agora, nesta noite, nesta última noite, quero considerar o caráter e o destino de Sião. O caráter e o destino de Sião — um tremendo assunto.
Há uma pequena frase em Salmos 87:3, muito conhecida de todos vocês:
Coisas gloriosas são ditas de ti,
ó cidade de Deus.
Isso poderia igualmente ser traduzido do hebraico como: “Coisas de glória são ditas de ti, ó cidade de Deus”.
Depois, temos Isaías 43:7, falando daqueles que Ele traz dos confins da terra:
Todo aquele que é chamado pelo Meu nome,
e que criei para a Minha glória,
que formei;
sim, que fiz.
Você nasceu de Deus? Você realmente nasceu do Espírito de Deus? Então, se você está nessa nova criação que está no Senhor Jesus, foi criado para a glória Dele. Que frase maravilhosa.
Encontramos isso novamente em Isaías 43:21:
O povo que formei para Mim mesmo,
para que proclamasse o Meu louvor.
No capítulo que lemos juntos, Isaías 60, essa questão da glória aparece repetidas vezes:
A glória do Senhor nasceu sobre ti.
A Sua glória será vista sobre ti.
Eu glorificarei a casa da Minha glória.
Ele te glorificou.
Farei glorioso o lugar dos Meus pés.
O teu Deus, a tua glória.
Para que Eu seja glorificado.
Bem, esta é uma palavra antiga, essa palavra glória. O que realmente significa glória? Creio que, quando consideramos essa palavra em nossa Bíblia, estamos lidando com uma das realidades mais difíceis de expressar em linguagem humana.
Fico muito triste porque algumas das novas versões traduziram essa palavra pela palavra inglesa splendour, “esplendor”. Talvez queiram se afastar da ideia de glória porque, certamente na Grã-Bretanha, quando pensamos em glória, pensamos em antigos hinos vitorianos, como “Land of Hope and Glory”. Pensamos na rainha Vitória prendendo medalhas no peito de homens que se destacaram na guerra — todas aquelas fanfarras, as enormes bandas, os tambores e os hinos nacionais.
Agora, o que é glória? Creio que o mais perto que podemos chegar de compreender o que é glória — e ouçam-me com muita atenção; vocês precisam pedir ao Senhor que lhes revele isso no próprio coração — é isto: glória é a presença manifesta do Senhor; a Pessoa manifesta do Senhor.
Talvez haja outros que tenham expressões que poderiam ser usadas aqui, e eu gostaria muito de ouvi-las. Não podemos ouvir todos nesta noite, mas eu gostaria muito de ouvir algumas. Contudo, para chegar ao cerne dessa questão, eu diria: o que é glória? O que significa:
Eu serei glorificado em ti?
O que significa:
Eu glorificarei a casa da Minha glória?
O que significa:
Farei glorioso o lugar dos Meus pés?
O que significa:
O teu Deus, a tua glória?
Certamente significa que, de alguma maneira, a presença do Senhor se manifesta. Ele manifesta a Sua glória. Ele expressa a Sua presença. Ele revela a Sua presença de uma maneira que pode ser vista — ela se torna visível.
Qual é o destino de Sião? O destino de Sião é a presença manifesta do Senhor. Agora, se isso não significa muito para você, sinto muito — sinto muito mesmo —, porque não consigo pensar em nada mais maravilhoso em todo este mundo do que a presença manifesta do Senhor.
Quando, finalmente, o Senhor remover todas as barreiras, todas as sombras desaparecerem e tudo o que diminui a Sua Pessoa ou oculta a Sua presença for removido, então Ele Se expressará em toda a majestade e beleza do Seu ser. Você consegue imaginar algo mais maravilhoso?
Você consegue imaginar algo mais maravilhoso? Quero dizer, as pessoas vão às comemorações do Dia da Independência, em 4 de julho, em Washington, e ficam horas olhando os fogos de artifício explodindo no céu, de boca aberta. Ou veem um daqueles desfiles magníficos, como o que tivemos na coroação da nossa rainha. Acho que isso é brincadeira de criança.
Se você foi salvo, se nasceu do Espírito de Deus, tem diante de si uma das experiências mais maravilhosas e magníficas — a experiência mais maravilhosa, mais magnífica, mais tremenda. Você não faz ideia do que está reservado para aqueles que confiaram no Senhor.
O destino de Sião não é ser uma peça de exposição. Não é ser uma exposição de antiguidades. Não é ser algum pequeno troféu da graça, como uma daquelas velhas cabeças de hipopótamo em uma de nossas grandes mansões senhoriais: abatido muitos anos atrás e agora enfeitando a parede, enquanto alguém fica ali e diz: “Eu o abati na Rodésia há trinta e cinco anos”.
De alguma maneira, adquirimos a ideia de que esta cidade de Deus, esta Sião, é algo que Deus vai exibir — como se Ele a colocasse ali e dissesse: “Agora, esta é uma peça de exposição. Este é um troféu da graça. Quero que todos os anjos e o mundo inteiro se maravilhem com isto”.
Ah, não, não, não. Sião tem um destino único. Seu destino único é tornar-se o veículo da manifestação da presença do Senhor. É ser o instrumento pelo qual a glória do Senhor resplandece em todo o universo.
Agora, eu digo que isso é algo pelo qual vale a pena viver. É algo para o qual vale a pena ser formado. É algo que faz valer a pena toda a disciplina. Não é de admirar que Paulo tenha dito, em 2 Coríntios 4:17:
A nossa leve aflição, que é momentânea,
opera para nós, cada vez mais abundantemente,
um eterno peso de glória.
Ele viu algo.
Ele não viu apenas a si mesmo desfilando diante de algum grande exército celestial, com fanfarras e trombetas, e o Senhor prendendo uma medalha em seu peito. Haverá recompensas. Haverá títulos. Haverá funções e cargos concedidos naquele dia. Mas, louvado seja o Senhor, há algo muito, muito mais maravilhoso diante de nós: a glória do Senhor.
O destino de Sião é nada menos que a glória de Deus.
Ouçam estas palavras maravilhosas de Apocalipse 21:10-11:
E levou-me em espírito
a um monte grande e alto,
e mostrou-me a santa cidade, Jerusalém,
que descia do céu, da parte de Deus,
tendo a glória de Deus.
E, novamente, Apocalipse 21:22-24:
E nela não vi templo:
porque o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, e o Cordeiro
são o seu templo.
E a cidade não necessita do sol,
nem da lua, para que nela resplandeçam:
porque a glória de Deus a iluminou,
e a sua lâmpada é o Cordeiro.
E as nações andarão em meio à sua luz:
e os reis da terra trazem para ela a sua glória.
Ah, que perspectiva maravilhosa. O destino de Sião é a glória do Senhor — não apenas a glória resplandecendo sobre ela, mas Sião tornando-se o candelabro que sustenta a Lâmpada, na Qual a glória de Deus habita para sempre. Em outras palavras, a glória de Deus substituirá o sol e a lua.
Pensem no sol. Se alguma coisa acontecesse com o sol, estaríamos acabados. Toda a vida terminaria. Literalmente, tudo desapareceria. Toda a vida natural depende da luz do sol. O sol e a lua têm um efeito tremendo sobre a terra, não é mesmo?
Contudo, Ele diz que não haverá mais sol nem lua, porque Apocalipse 22:5 diz:
E não haverá mais noite;
e não necessitam de luz de lâmpada,
nem de luz do sol;
porque o Senhor Deus os iluminará:
e reinarão pelos séculos dos séculos.
Que maravilha.
Isso é apresentado de outra maneira em Efésios 5:27:
Para que Ele apresentasse a Si mesmo a igreja
como igreja gloriosa,
sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante;
mas para que fosse santa e sem defeito.
Sião deve ser a morada eterna e a expressão da glória de Deus.
Queridos amigos, isso me dá um horizonte sem limites. Dá sentido a todo o tratamento de Deus conosco. De alguma maneira, isso me faz erguer a cabeça nos dias de escuridão, provação e tribulação: simplesmente saber o que está reservado para os remidos do Senhor — para a Sião de Deus.
Vejam 2 Tessalonicenses 1:10:
Quando Ele vier para ser glorificado nos Seus santos,
e para ser admirado em todos os que creram.
Não é maravilhoso? Sião será uma causa eterna de admiração, uma causa eterna de maravilhamento e uma causa eterna de louvor.
Essas nações que andam na sua luz, e toda aquela grande hoste angelical, contemplarão essa Sião de Deus. Elas se maravilharão com o Senhor em cada uma daquelas pedras vivas. Se você e eu, pela graça de Deus, fomos edificados em Sua Sião e nos tornamos parte de Sua Sião — se o material do qual Sião é formada se encontra em nós —, então, louvado seja o Senhor, Jesus, nosso Senhor, será admirado em nós por toda a eternidade.
Maravilhoso. Maravilhoso.
Nosso Senhor Jesus expressou isso de maneira belíssima em Sua grande oração sacerdotal, em João 17:5, 10, 22, 24. Ouçam estas palavras:
Pai, glorifica-Me Tu junto de Ti mesmo,
com a glória que Eu tinha Contigo antes que o mundo existisse.E todas as coisas que são Minhas são Tuas,
e as Tuas são Minhas:
e Eu sou glorificado neles.E a glória que Tu Me deste
Eu lhes dei;
para que sejam um, assim como Nós somos um.Pai, desejo que também aqueles que Me deste
estejam Comigo onde Eu estou,
para que contemplem a Minha glória,
que Me deste:
porque Tu Me amaste antes da fundação do mundo.
E a glória que Tu Me deste Eu lhes dei;
para que sejam um, assim como Nós somos um.
Não são palavras maravilhosas? Mal consigo acreditar. Se você é um filho de Deus, já percebeu qual é o seu destino? Já percebeu a perspectiva que tem diante de si, se estiver realmente disposto a caminhar até o fim com o Senhor, se estiver disposto a permitir que Deus faça uma obra em você e se estiver disposto a atravessar as portas?
A glória que o Pai deu ao Filho, o Filho deu a nós. Ele não quer estar sozinho em Sua glória. Quer reunir todos nós em Sua própria glória, para que compartilhemos a Sua glória e nos tornemos, com Ele, o veículo — o instrumento — da presença manifesta de Deus por toda a eternidade.
Não é de admirar que o autor de Hebreus diga, em Hebreus 2:10:
Porque convinha Àquele, para Quem são todas as coisas,
e por meio de Quem são todas as coisas,
ao conduzir muitos filhos à glória,
aperfeiçoar por meio de sofrimentos o Autor da salvação deles.
É isso que o Senhor Jesus está fazendo. Essa é a estrada para Sião em nossos corações. É por isso que nascemos e que o nosso nascimento foi registrado em Sião: porque Ele está conduzindo muitos filhos à glória.
Devo dizer que não sei exatamente o que a presença manifesta do Senhor significará. Talvez o nosso irmão fale um dia e trate disso. Gostaria que ele o fizesse. Eu gostaria muito de saber o que a presença manifesta do Senhor realmente significará em suas consequências e na experiência.
Mas vou lhes dizer uma coisa: tenho caminhado com o Senhor há alguns anos, tive um pouco de experiência com o Senhor, e tem sido maravilhoso. Se tenho algum arrependimento, é por ter desobedecido ao Senhor, discutido com o Senhor ou impedido o Senhor de avançar.
Toda vez que obedeci ao Senhor, caminhei com o Senhor e fiz a vontade do Senhor, algo entrou no meu coração e me trouxe alegria, paz, vida e o poder da Sua ressurreição. Ah, tem sido maravilhoso. Agora, se conheço algo desse tipo de êxtase aqui embaixo, como será lá em cima?
Se, de vez em quando, experimentamos algo aqui embaixo que nos faz dizer: “Não, Senhor, não me dês mais”, como será quando a Sua presença for finalmente manifestada de maneira plena e para sempre? Isso é glória.
Podemos ter um toque de glória, mas isso nos mataria se tivéssemos demais aqui embaixo. Porém, então, quando tivermos novos corpos, sem pecado, será como um milhão — como um trilhão — de volts de eletricidade irrompendo através de nós, e todo o universo será iluminado pela glória de Deus.
Não será como um pequeno holofote apontado para você. Às vezes pensamos assim: o Senhor lá em cima, com um holofote de glória vindo para baixo, e nós nos mantendo dentro do alcance da luz. Não, isso não é transfiguração.
Quando Jesus foi transfigurado em glória, algo foi aceso dentro Dele, e toda a Sua carne foi transfigurada em glória. Suas próprias roupas cintilaram com luz, de um brilho ofuscante.
Ó amigos, o destino de Sião faz valer a pena todas as dificuldades e todos os choques, todos os santos difíceis, todos os problemas e tudo o mais. Há apenas uma pontinha de tempo aqui embaixo na qual suportamos essas coisas; depois, eras e mais eras da presença manifesta do Senhor.
Mal consigo acreditar em como será. Minha pequena mente finita simplesmente não consegue compreender. Só sei que, para usar a antiga palavra, será glória.
Pensem no Senhor voltando para casa. Pensem no fato de que, no presente, estamos apenas noivos do Senhor. Somos Sua noiva, mas estamos apenas noivos; o casamento ainda não aconteceu.
Se a salvação aqui pode ser tão doce, se a santificação aqui pode ser tão poderosa e se a unção pode ser tão tremenda, como será quando o casamento acontecer? Se o noivado pode ser tão tremendo em suas consequências e resultados, como será quando Sião, a noiva, a esposa do Cordeiro, e o Cordeiro se unirem para sempre?
Ouçam o apóstolo Pedro em 1 Pedro 5:10:
E o Deus de toda a graça,
Que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo,
depois de haverdes sofrido por um pouco,
Ele mesmo vos aperfeiçoará, estabelecerá e fortalecerá.
Ouviram isso? Sua eterna glória em Cristo — não fora de Cristo, mas em Cristo: participar da glória de Deus em Cristo. Vocês foram chamados à Sua eterna glória em Cristo. Palavras maravilhosas, maravilhosas.
Não sei qual será o destino final de Sião. Tenho pensado nisso muitas vezes, porque as pessoas vêm até nós e dizem: “O céu vai ser muito entediante, não é? Quando a gente pensa nisso — aquelas eras intermináveis, intermináveis, intermináveis. E tudo o que vamos fazer é cantar”.
Mas quem lhes deu a ideia de que vamos apenas cantar? Quero lhes dizer uma coisa: vamos trabalhar. Ah, você diz: “Pensei que fôssemos descansar”. Não haverá pesadelo algum! Se você pensava que teria longos períodos de sono, não precisará deles.
Não haverá noite, o sol não se recolherá, e haverá toda a energia do sol, porque, no lugar do sol, a glória do Senhor nos dará energia, de modo que nunca nos cansaremos. Não me diga que vamos apenas cantar o dia inteiro e a noite inteira, usando a nossa linguagem daqui de baixo. Não, não, não. Deus tem coisas tremendas para fazer.
Não sei quais são, mas sei isto: a eternidade começa com um casamento e um lar. A eternidade começa com uma cidade. Sião é chamada, por um lado, de esposa — a esposa do Cordeiro — e, por outro lado, de cidade.
Uma fala de casamento, de santa intimidade, de segredos compartilhados e de vida compartilhada. A outra fala de governo, administração e vocação. Não sei como será, mas sei que o Senhor não passou por todo esse trabalho simplesmente para nos deixar sentados em uma cadeira pelo restante das eras vindouras.
Não consigo acreditar que o Senhor vá dizer: “Agora, todos, aquele cântico de novo. Nós o cantamos por dez mil anos; agora teremos mais dez mil anos dele”. Ó meu amigo, não permita que o pequeno deus que você tem desvalorize Deus e reduza Deus a algo pequeno.
Deus é um gênio criativo, se posso falar Dele com reverência — um gênio criativo. Vejam o que Ele criou. Vejam o universo. Vejam as maravilhas das estrelas. Compreendam a glória do sol e da lua. Vejam o lago, vejam o mar, vejam um universo em uma molécula de água. Deus é um gênio.
Em tudo isso, Ele plantou tanta coisa. Devo acreditar que, de alguma maneira, o gênio criativo de Deus se esgotou? Não. Foi submetido ao ciclo da vaidade por algum tempo. Mas, quando Deus obtiver a Sua Sião, esse ciclo vicioso de vaidade será quebrado para sempre, e tudo o que Deus originalmente planejou e desejou, o próprio universo cumprirá.
Acho isso empolgante. As pessoas ficam empolgadas com o envio de homens à lua em foguetes, com desembarcar na lua e andar por lá em um veículo lunar. Acho maravilhoso que os americanos e os russos tenham feito esse tipo de coisa, mas considero isso brincadeira de criança.
Um dia, o Senhor nos levará adiante — nos conduzirá por tudo isso. O horizonte é infinito. Toda a dor, se posso falar assim de Deus, pela qual Deus passou será justificada: suportar uma criação caída e uma humanidade caída, dar o Seu Filho unigênito para que Ele redimisse a humanidade e trouxesse a noiva do Seu Filho ao lugar que lhe cabe.
Toda a Sua longanimidade será vindicada e justificada no fim, quando virmos o que está adiante. Só sei que a perspectiva é de alegria. O Senhor não nos diz o que vamos fazer, aonde vamos, o que Ele vai criar ou quais grandes novas áreas exploraremos. Ele nos diz apenas uma coisa, e isso basta: vocês estarão casados com o Filho.
Vocês serão a Sião de Deus. Serão chamados:
Cidade do Senhor,
Sião do Santo de Israel.
Queridos amigos, acho isso tão maravilhoso. Que chamado. Que destino.
Tudo contido em uma pequena frase:
O Deus de toda a graça,
Que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo.
Ó, o amor de Deus. Ele poderia tão facilmente ter dispensado a nossa presença. Nós damos muito trabalho, não é mesmo?
Você não tem poder algum se não reconhece que realmente dá muito trabalho ao Senhor. Acha que é uma bênção para Ele? Ele pode chamá-lo de bênção, mas você deveria reconhecer que dá trabalho. Só conheço o meu próprio coração, e não acho que eu seja tão diferente de vocês.
Ah, o Senhor tem tido problemas comigo. Ele tem tido problemas com você? Como nós O impedimos de avançar, como discutimos com Ele, como seguimos o nosso próprio caminho. Ah, temos tantas questões, não é mesmo? E são todas tão tolas.
E, ainda assim, o amor de Deus nos trouxe a esse maravilhoso chamado. Filhos, temos o chamado, mas estamos entrando na sua realidade?
Deixem-me ir um pouco além. Entendo que, em alguns círculos, Abraão seja frequentemente visto como algum pastor nômade pré-histórico, antiquado, vagando pelos desertos, que mal sabia ler ou escrever. Acho que, se tivéssemos Abraão aqui para conduzir uma ou duas conferências para nós, poderíamos ficar surpresos.
Abraão veio de uma família aristocrática, se acreditarmos na tradição judaica — uma das grandes famílias governantes de Ur dos caldeus. E algo aconteceu com Abraão certo dia: ele viu algo e nunca mais foi o mesmo.
Ur, com todas as suas ruas pavimentadas, belas lojas, repartições públicas, sistema postal, sofisticação, cultura e educação, não significava coisa alguma para ele. Saiu para o deserto sem saber aonde ia, porque tinha visto algo e ouvido a voz de Deus dizendo: “Sai para um lugar que Eu te mostrarei”.
O autor de Hebreus diz que Abraão obedeceu, saindo sem saber aonde ia, para um lugar que receberia por herança. Depois diz, em Hebreus 11:10:
Porque aguardava a cidade que tem os fundamentos,
da qual Deus é o Arquiteto e Construtor.
Abraão nunca viveu em uma cidade. Nem sequer foi a Jerusalém, embora Melquisedeque tenha saído de Jerusalém, essa Sião terrena, para encontrá-lo e receber dele dádivas. Mas Abraão nunca chegou a essa cidade. Por quê?
Porque, se Abraão estivesse aqui, ele lhes diria imediatamente: “Eu não estava procurando uma cidade terrena, embora soubesse que a minha descendência possuiria uma cidade terrena nesta terra. Vi a cidade de Deus, que tem os fundamentos, da qual Deus é o Arquiteto e Construtor. E, daquele dia em diante, nada inferior a isso poderia me satisfazer”.
Ele viu o Senhor. Essa é a diferença entre nós e Abraão. Muitas vezes vemos coisas; ele viu o Senhor. Muitas vezes vemos a igreja; ele viu o Senhor. Muitas vezes vemos dons; ele viu o Senhor.
Não estou dizendo que ele não viu a igreja, mas viu a igreja no Senhor. Não estou dizendo que ele não viu dons, mas os viu no Senhor. Vocês entendem?
Estêvão disse em sua grande mensagem, inspirada pelo Espírito Santo, em Atos 7:2:
O Deus da glória apareceu ao nosso pai Abraão.
Quando o Deus da glória apareceu ao nosso pai Abraão, ele viu a cidade da glória. Viu a glória de Deus no Deus da glória.
Ele não viu uma coisa. Não viu um sistema. Viu, na Pessoa de Deus, todo o sentido da existência humana, o significado da humanidade e o sentido do universo. De repente, disse: “Eu sei. Eu sei. Sei para que fui criado e redimido”.
Sião estará no centro de um novo céu e de uma nova terra. Em 2 Pedro 3:13, lemos:
Mas, segundo a Sua promessa,
aguardamos novos céus e uma nova terra,
nos quais habita a justiça.
Em Atos 3:20-21, lemos sobre a restauração de todas as coisas:
Para que Ele envie o Cristo Que vos foi designado, a saber, Jesus:
ao Qual o céu deve receber
até os tempos da restauração de todas as coisas,
das quais Deus falou pela boca dos Seus santos profetas
que houve desde a antiguidade.
Acho isso muito maravilhoso: um novo céu e uma nova terra. Queridos irmãos, não se tornem tão espirituais a ponto de esquecerem que haverá uma nova terra. Haverá um novo céu e uma nova terra. Haverá a restauração de todas as coisas.
No centro desse novo céu e dessa nova terra, no centro dessa nova criação, estará esta Sião. A glória de Deus a iluminará, e o Cordeiro será a lâmpada. Esta Sião será como um candelabro que sustenta, por assim dizer, o Cordeiro. Vocês entendem?
Sião estará no centro disso. Lembram-se da primeira vez que falamos sobre Sião nesta semana? Falei de três coisas em Salmos 2: o Rei, Sião e os confins da terra como Sua possessão.
Por que se enfurecem as nações,
e os povos meditam uma coisa vã?
Os reis da terra se levantam,
e os governantes juntos conspiram,
contra o Senhor e contra o Seu Ungido, dizendo:
Rompamos as Suas ataduras,
e lancemos de nós as Suas cordas.Aquele Que está sentado nos céus rirá:
o Senhor zombará deles.Contudo, Eu estabeleci o Meu Rei
sobre o Meu santo monte de Sião.
Proclamarei o decreto:
o Senhor Me disse: Tu és Meu Filho;
hoje Te gerei.
Pede-Me, e Eu Te darei as nações por Tua herança,
e os confins da terra por Tua possessão.
Aqui está: Sião no centro de todo um universo que foi trazido de volta a Deus. Louvado seja o Senhor. Acho que isso é algo pelo qual vale a pena estar aqui. Acho mesmo. Como disse no início, Sião é o movimento do Espírito Santo para a libertação universal. Louvado seja o Senhor por isso. Quero fazer parte disso, vocês não querem?
É por isso que Apocalipse 22:17 diz:
E o Espírito e a noiva dizem: Vem.
Vocês já notaram isso? O Espírito e a noiva — como se o Espírito Santo, Que ao longo de todas as eras velou por essa questão da Sião de Deus, finalmente, no fim daquela grande visão, dissesse por meio de João:
O Espírito e a noiva dizem: Vem.
Está concluído. A Sião de Deus chegou ao seu lar.
Toda a criação natural espera por isso. Creio que vocês conhecem muito bem aquela passagem de Romanos 8. Estou lhes dando referências demais nesta noite? Não sei.
Ouçam Paulo em Romanos 8:18-21:
Porque considero que os sofrimentos deste tempo presente
não são dignos de ser comparados com a glória
que há de ser revelada a nós.
Porque a ardente expectativa da criação
aguarda a manifestação dos filhos de Deus.
Porque a criação foi sujeita à vaidade,
não por sua própria vontade,
mas por causa Daquele Que a sujeitou, em esperança:
de que também a própria criação
será libertada da escravidão da corrupção
para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Agora, ouçam como o querido J. B. Phillips expressa isso. Sempre gostei muito de sua versão do Novo Testamento. De modo geral, ela é um pouco mais precisa do que algumas das outras versões modernas. Por favor, todos, ouçam com atenção.
Na minha opinião, tudo o que talvez tenhamos de enfrentar agora é menos que nada em comparação com o futuro magnífico que Deus planejou para nós. Toda a criação está na ponta dos pés para ver o maravilhoso espetáculo dos filhos de Deus entrando na plenitude do que lhes pertence.
O mundo criado ainda não consegue ver a realidade, não porque escolha ser cego, mas porque, no propósito de Deus, foi assim limitado. Contudo, recebeu esperança. E a esperança é que, no fim, toda a vida criada seja resgatada da tirania da mudança e da deterioração e tenha sua parte na magnífica liberdade que só pode pertencer aos filhos de Deus.
É evidente, para qualquer pessoa que tenha olhos para ver, que, no presente, toda a vida criada geme numa espécie de dores de parto universais. E também é evidente que nós, que temos um antegosto do Espírito, estamos em um estado de dolorosa tensão enquanto aguardamos a redenção do nosso corpo, que significará que, finalmente, alcançamos a plenitude da nossa filiação Nele.
Nem todos ficarão satisfeitos com essa tradução, mas, puxa, quando a ouvimos em linguagem moderna, de repente ela nos toca profundamente. Toda esta criação natural está esperando por você e por mim. Você sabia disso?
Aquelas aves lá fora, coitadas; aqueles arbustos, aquela grama, aquele céu — toda a criação natural tem esperado, e esperado, e esperado. Ela geme. Sofre dores de parto. A própria criação natural tem suas dores de parto. Ela sofre, e espera, e espera.
Pelo que ela está esperando? Não por algum tipo de relógio mecânico no céu. Não, não, não. Está esperando pela manifestação — pela liberdade da glória dos filhos de Deus. Está esperando que Sião seja completada.
Ó amigos, ouçam isto: toda a criação está esperando pela edificação de Sião e pela conclusão de Sião. Não é de admirar que haja tanto na Palavra sobre isso.
Em Números 14:21, nos primeiros livros da Bíblia, lemos:
Mas, tão certo como Eu vivo,
toda a terra será cheia
da glória do Senhor.
Em Isaías 11:9:
Não farão mal nem destruirão
em todo o Meu santo monte:
porque a terra será cheia do conhecimento do Senhor,
como as águas cobrem o mar.
E Habacuque 2:14 acrescenta aquela bela palavra:
Porque a terra se encherá do conhecimento
da glória do Senhor,
como as águas cobrem o mar.
Ó queridos, acho isso tão tremendo. Não sei se isso cativa vocês; cativa a mim. Penso em Isaías 40:4-5:
Todo vale será elevado,
e todo monte e outeiro serão abatidos;
e o terreno irregular será nivelado,
e os lugares escabrosos, uma planície:
e a glória do Senhor será revelada,
e toda a carne juntamente a verá;
porque a boca do Senhor o disse.
Não é de admirar que os profetas falem de árvores batendo palmas, de montes e colinas cantando de alegria e de campos louvando ao Senhor. Toda a criação natural finalmente entrará na sua plenitude, como se, com um grande suspiro, dissesse: “Finalmente, eles chegaram lá”.
Todo esse parêntese do pecado e do tempo terá terminado. Então se cumprirão aquelas maravilhosas palavras do Senhor Jesus:
Eu sou o Alfa e o Ômega.
Eis que faço novas todas as coisas.
Bem, amigos, esse é o seu destino — a menos que vocês o joguem fora. Vocês não podem perder a salvação, mas podem perder a herança. Podem jogar fora o seu chamado.
Deixem-me dizer um pouco sobre o caráter de Sião e, depois, finalmente, sobre o chamado presente de Sião. Na verdade, não preciso dizer muito sobre o caráter de Sião, porque já abordamos bastante ao falar sobre o destino de Sião. Mas quero sublinhar algo: o caráter de Sião é o Cordeiro.
O caráter de Sião é o Cordeiro. O Senhor Deus, o Todo-Poderoso, e o Cordeiro — Eles são o templo e a glória da cidade. A lâmpada é toda de ouro, e o candelabro é todo de ouro. Vocês entendem? Tudo de uma só peça. Uma única peça de ouro batido.
É isso que Êxodo diz sobre o grande candelabro de sete braços. Quando chegamos ao fim da Bíblia, encontramos esse candelabro: a glória de Deus o iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada. O que é a cidade? A cidade é o suporte, unido ao Senhor para sempre.
Se isso é verdade — que o caráter de Sião é o Cordeiro —, então o que estou dizendo é isto: se você não for semelhante ao Cordeiro, haverá muito pouca glória, se é que haverá alguma. Entenderam isso?
Deixem-me expressar isso com palavras do Novo Testamento. Vejam Colossenses 1:27:
Aos quais Deus quis dar a conhecer
quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios,
que é Cristo em vós, a esperança da glória.
Ouviram isso?
Cristo em vós, a esperança da glória.
O “vós” aí está no plural. Uma versão moderna diz “Cristo entre vocês”, para destacar esse ponto. Não é apenas Cristo em mim, ponto-final — ou period, como vocês dizem aqui. É Cristo em você, e em você, e em você, e em você, e em mim, se somos remidos. É Cristo em nós Quem é a esperança da glória.
Há apenas três materiais dos quais a cidade de Deus é formada, se leio Apocalipse 21 corretamente: ouro, pedras preciosas e pérola. Esses três materiais falam do Senhor Jesus Cristo — da Sua vida, da Sua natureza e dos Seus sofrimentos.
Agora, se estou certo, isso significa o seguinte. Ouçam-me com atenção. A madeira, por mais polida que seja, ou por mais durável que pareça, não é material para a glória. Nem o feno, nem a palha.
Não temos todos de dizer que grande parte da nossa vida é composta de madeira, feno e palha? Se não houver em nós o ouro, a pedra preciosa e a pérola de Cristo, haverá pouca glória.
Caráter e destino estão ligados. Pensem nisso. Caráter e destino estão ligados. Deixem-me dizer de outra maneira: a origem determina o destino.
Se a sua vida espiritual não tem sua origem em Deus, não terminará em glória. Se você tem um cristianismo fabricado por si mesmo, isso é madeira, feno e palha. Nunca entrará na cidade.
Mas, se a sua vida cristã é aquela que nasce do Espírito, é sustentada pelo Espírito, criada e desenvolvida pelo Espírito, esse é material que entrará na cidade.
Jesus falou à igreja em Laodiceia — aquela igreja que se achava tão boa e tão grande, com seus grandes estudos bíblicos, suas grandes reuniões de oração e todo o seu evangelismo. Não tenho dúvida disso. Não acho que fosse um desses lugares de cristianismo apenas nominal. Acho que era um lugar realmente cristão. Ali conheciam o Senhor.
Mas todos haviam chegado à meia-idade. Tinham adquirido aquela acomodação da meia-idade. Estavam satisfeitos. Diziam: “Já chegamos. Temos uma história por trás de nós. Fomos fundados por um dos apóstolos. Reconhecemos mistérios. Temos entendimento das Escrituras. Segredos de Deus nos foram revelados”.
“Ah, sim, uma escola dominical maravilhosa. Um grande trabalho com os jovens. As reuniões evangelísticas estão cheias. Ah, sim, estamos muito felizes. Muito abençoados. Muito abençoados.” Não sabiam que o Senhor, o Cabeça da igreja, estava do lado de fora, batendo à porta e dizendo, em Apocalipse 3:20:
Eis que estou à porta e bato:
se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta,
entrarei em sua casa e cearei com ele.
Pensavam que estavam vestidos e possuíam todo o conhecimento, quando eram pobres. Ele disse, em Apocalipse 3:17:
Não sabes que és desventurado, miserável, pobre, cego e nu.
Depois disse, em Apocalipse 3:18:
Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo,
para que te tornes rico.
O Senhor disse isso a crentes:
Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo,
para que te tornes rico.
Ouviram as palavras do Senhor ressurreto no meio das igrejas?
Ele pode estar dizendo a alguém nesta noite: “Madeira, feno, palha. Você acha que tem uma vida cristã. Acha que viu algo, mas nunca obedeceu à Minha vontade. Nunca atravessou as portas. Nunca se comprometeu. Permaneceu na periferia, na circunferência, como espectador. Madeira, feno, palha”.
Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo.
Isso lhe custará experiência — experiência profunda, sacrificial, custosa. Mas aconselho você a comprá-lo.
De onde vem uma pedra preciosa? Vem dos lugares profundos e escuros da terra, produzida por tremenda pressão e grande fogo — calor intenso. Não é um lugar agradável para se estar, lá nos lugares escuros da terra, sob intensa pressão e grande calor. Mas é ali que uma pedra preciosa é produzida.
Como uma pérola é produzida? Por um pequeno grão de areia que cai na parte mais macia da ostra. Então, toda a energia da ostra é, por assim dizer, posta em ação para tentar expulsar o grão e se livrar dele.
O apóstolo Paulo tinha uma ilustração disso em sua própria vida. Tinha um mensageiro de Satanás, um espinho na carne. Ele disse: “Senhor, tira-o. Tira-o. Isso vai me atrapalhar”. O Senhor disse: “Não”.
A Minha graça é suficiente.
Ao redor do grão veio uma camada de graça.
Então, um pouco depois, Paulo disse: “Senhor, tira-o. Isso destruirá o meu ministério e a minha eficácia”. O Senhor disse: “Não”.
A Minha graça é suficiente.
E outra camada de graça envolveu o grão. No fim, quase sem que Paulo percebesse, uma pérola foi produzida.
Há alguém aqui que realmente tenha visto algo da Sião de Deus e se entregado à edificação de Sião, a ser um atalaia sobre os muros, e então algo inexplicável tenha entrado em sua vida? Algo tão terrível que você poderia chamá-lo de mensageiro de Satanás — um espinho na carne, a agonia de ser empalado, como Coleridge expressa de maneira um tanto imaginativa?
Você vai ao Senhor e diz: “Senhor, isso será o meu fim. Será o fim da minha eficácia”. Deus simplesmente parece não ouvir você, e tudo o que você recebe é:
A Minha graça é suficiente.
Não desista. Não abandone a sua confiança. Toda vez que você experimenta essa graça de Deus, é mais uma camada envolvendo o espinho na carne. Você está produzindo — ou melhor, o Espírito de Deus está produzindo em sua vida — uma das portas de pérola.
Você ficará tão feliz por isso. Eu lhes digo: daqui a dez mil anos, você virá até mim, lançará os braços ao redor do meu pescoço e me beijará. Já não será tão fleumático. Vai me beijar nas duas faces, à boa maneira russa, e dirá: “Irmão, foi extraordinário o que você disse lá na Universidade de Richmond, na conferência de famílias. Mal posso acreditar. Sou parte de uma das portas. Mal posso acreditar”.
Deus não zomba de você. Se Deus lhe dá algo inexplicável, algo além do normal, Deus sabe exatamente o que está fazendo quando lhe diz:
A Minha graça é suficiente.
Pois a Sua glória repousa sobre essa fraqueza.
Querido amigo, há pedra preciosa em sua vida? Ou você está brincando de ser cristão?
Esse Cristo em nós, a esperança da glória, não é apenas uma questão pessoal. De alguma maneira, estamos relacionados uns com os outros. Precisamos aprender algo sobre encontrar uns aos outros no Senhor.
Irmão, você está brincando de igreja? Irmã, você está brincando de igreja? Gloriando-se em novas verdades — novas verdades sobre a igreja, verdades sobre o corpo —, mas nunca deixando Deus fazer coisa alguma em sua vida? Nunca se sujeitando aos seus irmãos e irmãs? Nunca permitindo que Ele o relacione com os outros irmãos e irmãs do grupo familiar?
Você não está sendo edificado, mas tem toda a verdade sobre a igreja na cabeça. Ah, você não vai querer ser um daqueles que derramarão muitas lágrimas naquele dia porque jogaram fora o seu lugar em Sião.
Você, mais do que muitos outros, tinha conhecimento do propósito de Deus e entendimento da igreja, mas havia apenas madeira, feno e palha em sua vida. O seu conhecimento o ensoberbeceu.
Ó irmãos e irmãs, como é tremenda essa questão — essa questão do caráter. Precisamos disso, não é mesmo?
Mais uma vez, o meu tempo acabou, mas deixem-me apresentar outra passagem das Escrituras: 2 Coríntios 3:18.
Mas todos nós, com o rosto descoberto,
contemplando como em um espelho a glória do Senhor,
somos transformados na mesma imagem,
de glória em glória,
como pelo Senhor, o Espírito.
Vemos a glória de Deus como em um espelho. Ao contemplarmos o Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória.
O Senhor é muito doce e muito amoroso. Ele diz: “De glória em glória”. Mas, se eu tivesse escrito, teria colocado: “De sofrimento em sofrimento”.
Quando vemos o Senhor, somos cheios de uma visão de beleza; somos cheios de uma visão da Sua glória. Mas, então, começa a obra — de nos transformar. Isso não é fácil. É aí que vem a correção, que vem a disciplina e que vem o quebrantamento.
Essa cidade é transparente. Você pode enxergar através dela de uma ponta à outra, como uma lâmpada elétrica. Se a luz não estivesse acesa, tudo o que você veria seria vidro transparente. Entendam: ela não foi edificada tanto para ser contemplada; foi edificada para revelar e manifestar a luz.
É a glória do Senhor que será vista e admirada em nós.
Bem, precisamos encerrar. Qual é o chamado presente de Sião? Temos pensado sobre o caráter e o destino de Sião. Espero que isso tenha entrado um pouco no seu coração. Se você não entende o que tenho dito, pelo menos espero que volte e ore a respeito disso, porque estou em terreno firme. Há uma quantidade tremenda de conteúdo sobre essa questão na Palavra de Deus.
E quanto ao chamado presente de Sião? Simplesmente isto: algo dessa obra do Senhor em Sião, para conduzi-la à Sua glória, deveria ser visto na terra hoje.
Como isso tem sido maravilhoso na história da igreja. Toda vez que o Espírito de Deus fez algo em Seu povo remido, foi um dia de glória — como se a salvação de Sião tivesse saído como uma lâmpada que arde, como se a sua justiça tivesse saído como um resplendor, e, de alguma maneira, homens e mulheres tivessem visto.
Fiquei emocionado quando ouvi alguém dizer aqui, no batismo desta tarde: “Vi algo tão atraente naqueles crentes que encontrei o Senhor”.
Nem sempre achamos os crentes atraentes. O problema é que vemos os crentes, e não o Senhor deles. Quando vemos o Senhor nos crentes, não há nada antiquado, nada careta, nada estranho ou esquisito no Senhor — em Sua vida, salvação, alegria, paz e verdade.
Se uma pessoa tem qualquer inclinação do coração para Deus, é irresistivelmente atraída quando vê o Senhor no Seu povo. Ah, vocês não anseiam que algo aconteça com Sião?
Quando penso naquelas palavras de Isaías 60:1-2, desejo que, de alguma maneira, aqui nos Estados Unidos, desejo que na Dinamarca, e certamente desejo que na Grã-Bretanha — tanto quanto em Israel —, estas palavras sejam verdadeiras:
Levanta-te, resplandece; porque é chegada a tua luz,
e a glória do Senhor nasceu sobre ti.
Pois eis que as trevas cobrirão a terra,
e a escuridão profunda, os povos;
mas sobre ti o Senhor Se levantará,
e a Sua glória será vista sobre ti.
Ó irmãos e irmãs, isso não é algo pelo qual devemos sofrer dores de parto? Que Sião, de alguma maneira, mesmo agora em seu estado incompleto, revele algo da glória do Senhor. Que haja algum toque de glória sobre as nações em que nos encontramos, sobre as comunidades de pessoas não salvas nas quais nos reunimos.
Acho que isso é tudo o que precisamos dizer nesta noite. Creio que Deus quer fazer uma obra em todos nós e, se Ele não a fizer, acho que todo o nosso conhecimento da verdade sobre a igreja, no fim, não terá efeito algum.
De alguma maneira, o Espírito de Deus precisa tomar conta de nós. Queridos amigos, não sei se vocês captaram alguma coisa, ainda que um pequeno vislumbre do destino de Sião, ou algo do caráter que é necessário.
Talvez agora o seu coração esteja um pouquinho quebrantado. Graças a Deus por isso. Se o seu coração está um pouquinho quebrantado, talvez deva louvar a Deus, porque você está em uma posição na qual o Senhor pode começar a fazer uma obra.
Pois o que Ele disse é isto, em Judas 1:24:
Ora, Àquele Que é poderoso para vos guardar de tropeçar,
e para vos apresentar diante da presença da Sua glória,
sem defeito, com grande alegria.
Se você sente, de alguma maneira: “Deus pode fazer isso em mim? Deus pode fazer isso no meu grupo, onde nos reunimos com os santos? Deus pode fazer isso em nós?” Sim, Deus pode.
Se você estiver disposto a obedecer, se caminhar nessa estrada para Sião, se permitir que Deus faça essa obra, se atravessar as portas e se comprometer com o Rei em Sião, então Ele o impedirá de cair, o guardará de tropeçar e, finalmente, o apresentará diante da presença da Sua glória com grande alegria.
Vamos orar?
Senhor, precisamos dizer que há muito pouca glória em nós — em mim, em qualquer um de nós, Senhor. Ó Senhor, por causa do pecado, ficamos aquém da Tua glória. Mas, Senhor, Tu nos salvaste, e ficamos maravilhados, Senhor, quando pensamos no destino de Sião, na perspectiva diante de cada pessoa salva.
Amado Senhor, torna isso real para nós nesta noite pelo Teu Espírito. Que a revelação venha ao nosso coração, e que uma santa inquietação venha ao nosso coração, Senhor — uma insatisfação com tudo o que é apenas madeira, feno e palha.
Mas, Senhor, que não nos apoiemos naquelas coisas que serão queimadas, e sim naquilo que será glorificado. Ó Senhor, ouve-nos.
Oramos para que, de uma maneira muito real, o Senhor Jesus estabeleça Sua morada dentro de todos nós de forma muito mais plena e profunda do que nunca. Que o Teu Espírito, Senhor, venha sobre nós.
E pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.