Aguardem só mais um pouco.
Abram no livro de Jó, em Jó 1:1-12. Vamos ler essa passagem.
Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este homem era perfeito e reto, e temia a Deus, e se desviava do mal.
E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; e tinha muitíssimos servos; de maneira que este homem era o maior de todos os filhos do Oriente.
E seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez; e mandavam convidar suas três irmãs para comerem e beberem com eles.
E sucedia que, tendo decorrido os dias de seus banquetes, Jó os mandava chamar e os santificava; e se levantava de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque Jó dizia: Porventura pecaram meus filhos e renunciaram a Deus em seus corações. Assim fazia Jó continuamente.
E houve um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, e Satanás veio também entre eles.
Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela.
E o Senhor disse a Satanás: Observaste o Meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem perfeito e reto, que teme a Deus e se desvia do mal.
Então Satanás respondeu ao Senhor e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde?
Não o cercaste Tu de proteção, a ele, à sua casa e a tudo quanto tem? Tu abençoaste a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicaram na terra.
Mas estende agora a Tua mão e toca em tudo quanto tem, e ele renunciará a Ti na Tua face.
E o Senhor disse a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.
Agora abram no último capítulo, em Jó 42:1-6. Vamos ler essa passagem.
Então respondeu Jó ao Senhor e disse:
Bem sei que tudo podes,
E que nenhum dos Teus propósitos pode ser impedido.
Quem é este que encobre o conselho sem conhecimento?
Por isso falei do que não entendia;
Coisas maravilhosas demais para mim, que eu não conhecia.
Ouve, rogo-Te, e eu falarei;
Eu Te perguntarei, e Tu me ensinarás.
Com o ouvir dos ouvidos eu ouvira de Ti;
Mas agora Te veem os meus olhos:
Por isso abomino a mim mesmo,
E me arrependo no pó e na cinza.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, enquanto aguardamos em Tua presença, pedimos que a luz do Teu rosto brilhe sobre nós. Oramos para que a Tua palavra seja anunciada e alcance o nosso coração, para que verdadeiramente nos prostremos e Te adoremos, pois Tu és realmente o nosso Deus, o nosso Senhor. Oramos em Teu precioso nome. Amém.
É geralmente reconhecido que o livro de Jó é o mais antigo de toda a Bíblia. Foi escrito antes de Moisés escrever o seu Pentateuco. A história aconteceu na época dos patriarcas, provavelmente depois de Abraão e certamente antes de Moisés.
Não sabemos quem escreveu este livro. Pode ter sido o próprio Jó. Ou, segundo o Talmude judaico, foi Moisés quem o escreveu. Provavelmente Moisés não o compôs, mas o introduziu no cânon sagrado hebraico.
Provavelmente foi quando Moisés peregrinou na terra de Midiã — vocês se lembram de como ele fugiu do Egito e peregrinou na terra de Midiã — que ouviu essa história. Assim, ele a apresentou aos filhos de Israel e a transmitiu às gerações posteriores.
Ora, se foi assim, penso que isso é muito interessante e muito instrutivo. Por quê? Porque o primeiro livro da Bíblia não trata da nação de Israel. O primeiro livro da Bíblia trata de um homem que viveu antes de a nação de Israel ser formada e que certamente estava fora dos limites de Israel.
Isso nos mostra que o interesse de Deus está na humanidade, não apenas em uma nação. Embora Israel tenha sido abençoado pelo Senhor, vemos que o interesse de Deus está na humanidade como um todo.
Além disso, se foi Moisés quem apresentou este livro aos filhos de Israel, então ele certamente não era tão limitado em sua visão e tão parcial quanto as gerações posteriores fizeram o legislador parecer.
O livro de Jó é classificado entre os livros sapienciais da Bíblia. Há três livros de sabedoria: Jó, Provérbios e Eclesiastes. Esses três livros tratam da vida prática do ser humano. Abordam esse assunto por ângulos diferentes, mas chegam à mesma conclusão.
Em Provérbios, está escrito:
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria.
— Provérbios 9:10
Em Jó, ele diz:
Eis que o temor do Senhor é a sabedoria.
— Jó 28:28
E Eclesiastes diz:
Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque este é todo o dever do homem.
— Eclesiastes 12:13
Assim, embora abordem a vida prática por caminhos diferentes, chegam à mesma conclusão: o temor do Senhor.
Provérbios nos mostra a vida cotidiana. Eclesiastes nos mostra a prosperidade. E Jó nos mostra a adversidade. Mas, quer a vida esteja em prosperidade, quer em adversidade, é igualmente verdadeiro: o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.
O livro de Jó também está entre os livros poéticos da Bíblia. Há cinco livros poéticos no Antigo Testamento, e Jó é um deles. Por quê? Porque, com exceção dos capítulos 1 e 2, de Jó 42:7-17 e de alguns outros trechos, todo o restante — do capítulo 3 até Jó 42:6 — é poesia. Esses trechos foram escritos em forma poética, e é por isso que Jó também é classificado entre os livros poéticos.
Todos esses livros poéticos tratam dos problemas da vida, problemas que existem em todas as épocas. Jó trata do problema do sofrimento; Salmos, do problema da adoração; Provérbios, dos problemas da conduta e da vida cotidiana; Eclesiastes, do problema do objetivo principal da vida; e Cântico dos Cânticos, do problema do amor.
Mas, qualquer que seja o problema da vida, a solução só se encontra em Cristo.
Agora, quem é Jó? O próprio nome Jó, em hebraico, significa “o aflito, o perseguido”. Mas, em árabe, significa “aquele que se volta”, que se arrepende e retorna a Deus.
Ele é uma pessoa real, não imaginária. A história não é ficção; é um fato histórico, pois existiu um homem chamado Jó que viveu na terra de Uz.
Sabemos que ele é uma pessoa real porque seu nome é mencionado em outras passagens das Escrituras. Ezequiel 14:14 e Ezequiel 14:20 mencionam Jó entre os três homens justos da terra: Noé, Daniel e Jó. Sabemos que Noé é uma pessoa real e que Daniel é uma pessoa real; portanto, Jó é uma pessoa real.
Também no Novo Testamento encontramos, em Tiago 5:11, a perseverança — a paciência — de Jó. Portanto, Jó deve ser uma pessoa real.
Na verdade, Jó é citado duas vezes no Novo Testamento. Espero que vocês encontrem essas citações.
Esse homem vivia na terra de Uz. Uz significa um solo macio e arenoso. Antigamente, muitas vezes um lugar recebia o nome da pessoa que vivia ali. Se isso é verdade, procuramos saber se há algum homem chamado Uz no Antigo Testamento, e certamente há.
Encontramos em Gênesis 10:23 que Uz é neto de Sem. Vocês conhecem os três filhos de Noé, e um deles era Sem; ali vemos que Uz é neto de Sem.
Também encontramos em Gênesis 22:21 que Uz é o primogênito de Naor, irmão de Abraão. E em Gênesis 36:28 encontramos um descendente de Esaú com esse nome.
Quanto a qual dessas pessoas deu nome ao lugar, ou quem viveu em Uz, só posso dizer o que penso, e vocês podem tirar suas próprias conclusões. Pessoalmente, penso que Jó, que viveu na terra de Uz, provavelmente viveu na terra que recebeu o nome de Uz, o primogênito de Naor, irmão de Abraão.
Por que penso assim? Porque, mais adiante, aparece um jovem chamado Eliú. Ele era buzita, ou seja, de Buz. E encontramos em Gênesis 22:21 que Naor tinha outro filho chamado Buz. Portanto, provavelmente Eliú era parente de Jó. É assim que vejo a questão, mas isso é apenas uma suposição. Vocês podem aceitá-la ou não.
De qualquer modo, esse homem vivia na terra de Uz. Mas onde fica Uz? Provavelmente na parte norte do deserto da Arábia. Certamente a história fala de alguém que vivia fora da Palestina, naquela região que se estende da Palestina em direção ao Eufrates. Foi ali que Jó viveu.
Ele viveu nos dias dos patriarcas. Há muitas evidências disso, e não vou examiná-las porque levaria muito tempo. De qualquer modo, vemos que ele vivia na parte norte do deserto da Arábia.
Ele era um homem perfeito e reto. Perfeito — não no sentido de uma perfeição sem pecado, mas no sentido de que seu coração era perfeito para com Deus. E era reto; em outras palavras, era um homem justo, que temia a Deus e se desviava do mal.
O temor de Deus era o segredo de sua perfeição. Desviar-se do mal era o resultado de sua retidão. Ele era um homem bom.
Na verdade, não havia naquele tempo ninguém tão perfeito e reto quanto Jó. Ele era o melhor dos homens.
Era um homem rico. Tinha muitas ovelhas, camelos, jumentos e muitos servos. Muito provavelmente era um xeque, um príncipe ou até mesmo um rei.
Era um dos sábios do Oriente, mas era maior que os homens do Oriente. Sabem, “os homens do Oriente” é uma expressão que se refere aos homens que viviam na região entre o Egito e o Eufrates. Essa região era chamada de Oriente, e os homens do Oriente eram conhecidos por sua sabedoria.
Vocês se lembram de quando Cristo nasceu? Vieram sábios do Oriente. E provavelmente, muito provavelmente, Jó estava entre os sábios do Oriente, mas era maior que os homens do Oriente.
Além disso, vemos que ele era alguém que servia a Deus, pois Deus o chamou de “Meu servo Jó”. Na era patriarcal, o chefe da família era o sacerdote da família. Assim, vemos como ele exercia essa função: oferecia sacrifícios por seus filhos para fazer expiação por eles.
Ele tinha uma família muito feliz: sete filhos, três filhas, e todos eram bons. Esses irmãos e irmãs amavam uns aos outros. Sua família era realmente unida, uma família feliz.
Portanto, em tudo o que se poderia esperar de uma pessoa na terra, Jó era o melhor exemplo. Esse era Jó, e a história foi contada a respeito desse homem.
Agora, qual é o propósito ou o valor do livro de Jó? Este livro é extremamente valioso. Há tantas lições que podemos aprender com ele — lições práticas, lições importantes.
Mas, para mim, penso que o ensino central do livro de Jó provavelmente é a soberania, o governo de Deus.
Nosso Deus é o Criador. Ele é o Soberano do universo. O governo pertence a Ele.
Sabem, no livro de Ester vemos como Deus, de maneira oculta, exerceu Seu cuidado providencial por Seu povo rebelde. Embora o povo fosse rebelde, vemos o cuidado providencial de Deus como parte de Seu governo.
No livro de Jó, vemos o governo moral de Deus, ou o governo benevolente de Deus, sobre alguém a quem Ele ama.
O governo de Deus é algo tremendo neste universo. É algo que precisamos enxergar. Ele é Deus; portanto, o governo está em Sua mão. Ele governa e exerce Sua autoridade suprema sobre todas as coisas.
Seu governo é tanto legítimo quanto benevolente. Legítimo no sentido de que Ele tem o direito. Ele tem o direito de governar. Tem o direito de reinar. Tem o direito de fazer tudo o que Lhe agrada, e ninguém deve questioná-Lo. Essa é a legitimidade de Seu governo.
Mas, ao mesmo tempo, Seu governo é benevolente. Em outras palavras, Seu governo é para o nosso bem.
Em Jeremias 29:11, Deus diz:
Porque Eu bem sei os pensamentos que penso a vosso respeito, diz o Senhor;
Pensamentos de paz, e não de mal,
Para vos dar esperança no vosso porvir.
E Salmos 139:17 diz:
Quão preciosos me são, ó Deus, os Teus pensamentos!
Quão grande é a soma deles!
Assim, sabemos que os pensamentos de Deus a nosso respeito são benevolentes; são bons. Seu governo sobre nós é para a paz, não para o mal.
No entanto, porque Seus pensamentos são mais elevados que os nossos pensamentos e Seus caminhos são mais elevados que os nossos caminhos, muitas vezes não entendemos. Muitas vezes questionamos Seu governo. Questionamos Seu modo de lidar conosco. Gostamos de perguntar por quê. Queremos que Deus nos dê uma explicação.
Em certo sentido, aquilo que não conseguimos explicar, não aceitamos. E muitas vezes até nos rebelamos. Assim somos nós, seres humanos.
Mas precisamos entender que Deus não precisa nos explicar tudo. Ele tem uma razão para o que faz, mas não precisa explicá-la a nós. E, mesmo que nos explicasse, talvez isso não resolvesse o nosso problema.
A solução do nosso problema com respeito ao governo de Deus não está no por quê, mas em Quem. Em outras palavras, se O vemos, se O conhecemos — se conhecemos Quem Ele é —, então tudo se resolve. E, infelizmente, isso é muito difícil para nós.
No livro de Jó, o governo de Deus está especialmente relacionado à questão, ao problema, do sofrimento. O sofrimento é um problema de todas as épocas.
Por que existe sofrimento? Deus quer que soframos? Quem deve sofrer? Qual é a consequência do sofrimento?
Deus não quer que soframos. Seus pensamentos a nosso respeito são de paz, não de mal. Mas por que há sofrimentos nesta terra?
É claro que, se quisermos voltar à origem, precisamos ver que o sofrimento é resultado do pecado. Quando o pecado entrou neste mundo, o sofrimento começou. Imediatamente a terra foi amaldiçoada. O homem passou a ter de ganhar a vida com o suor do rosto, e a mulher passou a sofrer dores no parto.
Portanto, de modo geral, o sofrimento é resultado do pecado. Por causa do pecado, o sofrimento é a condição normal da vida nesta terra.
Mas, graças a Deus, mesmo assim Ele pode transformar o sofrimento em bem. Em outras palavras, hoje, para os filhos de Deus, o sofrimento é educativo.
Deus usa o sofrimento para amadurecer Seus filhos, para que alcancem a maturidade da filiação. Somente Deus pode fazer isso, e Ele está fazendo isso com aqueles a quem ama. Mas, infelizmente, muitas vezes não entendemos.
Muitas vezes pensamos que não merecemos sofrer. Por que Deus não nos faz prosperar? Às vezes até pensamos que Ele não está agindo de acordo com o que prometeu.
Pensamos que, se O temermos, certamente seremos abençoados por Ele. Se O seguirmos e fizermos Sua vontade, então nenhum sofrimento virá sobre nós. E, por causa disso, ficamos ofendidos com o Senhor.
Sabem, irmãos e irmãs, aprender a lidar com aquilo que nos faz sentir ofendidos com o Senhor é uma lição essencial. Na verdade, ficar ofendido com o Senhor não é uma experiência própria de alguém que está começando na vida de salvação em Cristo. Pois, como um bebê em Cristo, você nunca se sentirá ofendido com o Senhor.
Por quê? Porque tudo o que você sofre pode ser explicado pelo seu pecado, pela sua carne e assim por diante. Portanto, não é o Senhor que está ofendendo você. Muitas vezes pensamos que é o Senhor quem está fazendo isso, mas não: é algo seu; é a sua carne, é o mundo, não o Senhor.
Mas aqueles que realmente amam o Senhor e são cem por cento para Ele às vezes percebem que o Senhor não age conforme Sua promessa. Você tem todo o direito de esperar que Deus faça certas coisas, mas Ele não as faz. E somente nesse ponto sentir-se ofendido com o Senhor se torna um grande problema.
Vocês se lembram de João Batista? Ele quase ficou ofendido com o Senhor. João Batista conhecia o Senhor, era Seu precursor e dava bom testemunho Dele; mas esperava plenamente que o Senhor fizesse alguma coisa. Tinha todo o direito de esperar isso.
O Senhor estava fazendo coisas por outras pessoas, mas não por ele, que era o mais próximo do Senhor. E ele quase ficou ofendido. O Senhor disse, em essência: “Sim, estou fazendo todas essas coisas. Curo os enfermos. Abro os olhos dos cegos. Ressuscito os mortos. Mas não faço isso por você. Se você não se ofender, então será bem-aventurado”.
E aqui estava um homem, Jó. Ele tinha todo o direito de esperar que Deus o abençoasse e que não fosse afligido. Mas foi afligido, e ficou ofendido com o Senhor.
E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em Mim.
— Mateus 11:6
Mais adiante vemos como Jó foi abençoado, porque, no fim, não permaneceu ofendido.
Essas são as observações gerais. Agora vamos entrar no livro de Jó. Nos dois primeiros capítulos, temos uma narrativa em prosa. Havia um homem; seu nome era Jó. Ele vivia na terra de Uz.
Já mencionamos que ele era um homem importante — provavelmente um xeque, um príncipe ou um rei —, alguém que conhecia a Deus, que temia a Deus e que vivia retamente. E Deus realmente o abençoou muito.
Mas então a cena muda de repente da terra para algum lugar acima da terra. Vemos que, em certo dia — e, a rigor, é “o dia” —, há dias em que Deus estabelece Sua corte.
Esse é o governo de Deus. Muito provavelmente, não se tratava do terceiro céu, onde o trono de Deus está permanentemente estabelecido, porque Satanás foi expulso do terceiro céu. Portanto, isso não aconteceu ali, mas deve ter acontecido nas regiões celestiais, como em Efésios, onde encontramos a expressão “regiões celestiais”.
Assim, nas regiões celestiais, naquele dia, Deus estabeleceu Sua corte. Todos os anjos, que são espíritos ministradores, vieram prestar contas a Deus. Essas expressões são usadas de uma maneira que nós, seres humanos, podemos compreender.
Satanás, apesar de ter se rebelado contra Deus, ainda era servo de Deus. Ainda era um espírito ministrador. Portanto, ele também estava entre os anjos que vieram prestar contas a Deus.
Foi ali que Deus o desafiou a respeito de Jó. Deus disse: “De onde você vem?”. Satanás respondeu: “Estou percorrendo toda a terra, indo de um lado para outro”.
É isso que Satanás está fazendo — não como um viajante, mas como um acusador, um devorador. Ele percorre toda a terra procurando devorar, matar. Esse era o pensamento de Satanás. Ele não deixava ninguém de fora.
Então Deus o desafiou: “Você observou o Meu servo Jó? Não há ninguém tão perfeito e reto, que tema a Deus e se desvie do mal, como o Meu servo Jó”.
Irmãos e irmãs, será que Deus pode Se orgulhar de vocês diante de Satanás? Que homem Jó devia ser! Sabem, eu não estou qualificado. Deus não pode desafiar Satanás a meu respeito, porque há brechas demais em mim. Mas aqui estava um homem que Deus podia apresentar como Seu desafio.
De todos os homens do mundo, Jó era o alvo da observação de Satanás, sem dúvida alguma. Era a pessoa que Satanás queria devorar. Então Deus lhe deu uma oportunidade: “Veja se você consegue devorá-lo”.
E Satanás era tão sutil. Ele disse: “Sim, Jó era perfeito. Era reto. Realmente temia a Deus. Mas será que não Te teme por algum motivo? Porque Tu o cercaste de proteção. Tu o proteges. Tu o abençoas. Ele não Te ama por Quem Tu és; ele Te teme pelos benefícios que recebe”.
Ah, como Satanás é sutil, e como é observador também! “Se Tu retirares a proteção que o cerca e me deixares atacá-lo, verás se ele não renunciará a Ti na Tua face.” Deus disse: “Está bem. Vá e tente”.
Irmãos e irmãs, aqui há algo muito importante que precisamos entender. Por que não conseguimos explicar muitas coisas que acontecem na terra hoje? Porque as coisas que acontecem na terra não são puramente terrenas. Há uma dimensão celestial envolvida nos assuntos terrenos.
Tudo o que vemos é a terra. E, como isso é tudo o que vemos, não conseguimos enxergar o invisível; por isso, não conseguimos explicar. Não há como explicar tudo o que acontece na terra com uma visão apenas terrena. Precisamos explicar as coisas não só com uma visão terrena, mas também com uma visão celestial, porque o céu está envolvido nos assuntos da terra.
Outra coisa de que precisamos nos lembrar: aqui está o governo de Deus. Embora Satanás seja chamado de príncipe deste mundo, vemos que ele não pode fazer nada sem a permissão de Deus.
Quando Deus cercou Jó de proteção, Satanás não tinha como entrar. Se Deus não lhe permitisse, ele não poderia tocar sequer em uma ovelha, sequer em um jumento que Jó possuísse.
Portanto, irmãos e irmãs, aqui vemos como o governo de Deus é benevolente. Como amamos o governo de Deus! Às vezes, quando ouvimos as palavras “governo de Deus”, ficamos com medo. Mas, na verdade, essa é a coisa mais abençoada.
Se não fosse pelo governo de Deus, onde estaríamos? Até os cabelos da nossa cabeça estão contados. Até um passarinho que vale quase nada — quando cai no chão, Deus cai com ele; Deus está com ele. Pensem nisso.
E vocês se lembram da história de Pedro. O Senhor Jesus disse: “Satanás pediu permissão para peneirar vocês”. E Deus deu a permissão. Mas o Senhor disse: “Eu orei por você, para que a sua fé não desfaleça”.
Pensem em todas essas coisas, irmãos e irmãs. Não sei o que dizer. O governo de Deus é algo tremendo. Vivemos diariamente sob o cuidado de Seu governo. Nada pode nos acontecer sem Sua permissão.
Mas às vezes Ele permite, por uma razão: para nos aperfeiçoar, nos amadurecer, nos conduzir à maturidade da filiação. Veremos isso mais adiante.
Assim, Deus deu a Satanás permissão para fazer aquilo. Então, em um único dia — ah, como Satanás é terrível, como é cruel; ele não tem piedade, não tem compaixão —, tudo o que Jó tinha desapareceu.
Não apenas o gado, os camelos, as ovelhas e os servos: tudo se foi. As más notícias chegaram uma após a outra.
E, quando Jó soube disso, rapou a cabeça, prostrou-se e adorou a Deus. Ele disse:
Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá:
O Senhor o deu, e o Senhor o tomou;
Bendito seja o nome do Senhor.
— Jó 1:21
Ele não pecou contra Deus.
Então, em outro dia, Deus reuniu Sua corte, e novamente Satanás apareceu entre os anjos. Deus mais uma vez desafiou Satanás: “Eu lhe dei permissão, e você fez isso. O que viu? Ele renunciou a Mim na Minha face?”.
Ah, Satanás, como ele é sutil! “Pele por pele. Um homem está disposto a abrir mão de tudo por sua vida. Toca no corpo dele, e então Tu verás.”
Não esperem misericórdia alguma de Satanás. Deus disse: “Está bem. Você pode fazer isso. Mas não toque na vida dele. Deixe-o viver. Você pode fazer o que quiser, mas não lhe tire a vida”.
Então Satanás saiu imediatamente e atacou Jó com uma ferida muito grave. Algumas pessoas pensam que era uma espécie de lepra chamada elefantíase, porque as pernas ficavam inchadas como pernas de elefante. Jó foi acometido por isso.
Por causa disso, tornou-se um excluído. Não podia viver em casa. Precisava viver fora dali, sobre um monte onde queimavam o lixo, e tinha de permanecer ali — um excluído, em grande sofrimento.
É claro que todos o rejeitaram. Até sua esposa disse: “Renuncie a Deus e morra. Não há esperança”. E Jó disse:
Receberemos o bem da mão de Deus, e não receberemos o mal?
— Jó 2:10
Ele não pecou com seus lábios. Graças a Deus, aqui estava um homem a respeito de quem Deus desafiou Satanás, e Satanás foi silenciado. Esse homem não renunciou a Deus. Temia a Deus. Adorava a Deus. Recebia de Deus o bem e o mal. Não renunciaria a Deus nem pecaria contra Ele.
Essa foi a primeira parte, o início da história, o prólogo. Mas não foi o fim da história.
Três de seus amigos souberam do que havia acontecido e vieram consolá-lo. Se vocês procurarem descobrir de onde esses amigos vieram, poderão situá-los naquela região que vai do Egito ao Eufrates, fora da Palestina. Devem ter sido sábios do Oriente.
Todos eram sábios do Oriente e amigos de Jó. Hoje, sempre que mencionamos os amigos de Jó, nós os desprezamos. Mas esperem um pouco. Quando vocês consideram a situação, Jó era um excluído, um leproso. Ninguém ousava se aproximar dele. Estava completamente isolado.
E aqui vemos três amigos cuja amizade era tão forte que estavam dispostos a vir consolar Jó. Bons amigos. Embora seu consolo não fosse bom, eles eram bons amigos.
Então vieram e, quando viram Jó, não conseguiram reconhecê-lo. Ele estava irreconhecível porque sua aparência havia mudado. Choraram com ele. Ficaram sentados ali, sem dizer uma palavra, por sete dias e sete noites.
Esse era o costume oriental da época para lamentar os mortos. Eles lamentaram Jó como alguém que já estivesse morto.
Mas foi a compaixão deles que fez Jó desmoronar. O ataque feroz de Satanás não conseguiu quebrar sua integridade, mas a terna compaixão de seus amigos o fez desmoronar. E, irmãos e irmãs, é sempre assim.
Diante de seus amigos, Jó começou a amaldiçoar o seu nascimento. Ele não amaldiçoou a Deus, mas amaldiçoou o seu nascimento.
Se vocês lerem Jó 3:25-26, que é o final de sua maldição ao próprio nascimento, ele disse:
Porque aquilo que temo me sobrevém,
E o que receio me acontece.
Não estou tranquilo, nem sossegado, nem tenho descanso;
Mas vem a perturbação.
Em outras palavras, por meio da terna compaixão de seus amigos, Jó começou a se abrir, e começamos a ver o que realmente havia dentro dele.
Sim, ele temia a Deus, mas com o temor de um servo, não com o temor de um filho.
Ele temia a Deus. Tinha medo de pecar contra Deus e conseguia não pecar contra Ele. Conseguia fazer tudo corretamente diante de Deus. Mas dentro dele sempre havia um medo. E esse medo era: “E se eu tropeçar? O que acontecerá comigo?”.
“Eu não estava seguro. Não estava tranquilo. Não estava em descanso.”
Irmãos e irmãs, há uma grande diferença entre temer a Deus como servo e temer a Deus como filho.
Quando você teme a Deus como servo, teme-O com medo e tremor. Nunca se sente seguro. Nunca está em descanso. Tem medo de fazer alguma coisa e então receber castigo. Esse é o temor de um servo.
Mas o temor de um filho é diferente. O filho teme o Pai, mas confia no Pai. Não importa o que aconteça, ele sabe que o Pai o ama. Essa é a diferença.
Se alguma coisa acontece a um servo, imediatamente ele duvida do senhor. Pergunta-se se o coração do senhor está a seu favor ou contra ele. Mas, se você teme como filho, não importa o que aconteça, sabe que seu Pai o ama. Você está seguro. Está em paz. Tem tranquilidade.
Assim, vemos que, embora Jó fosse perfeito e reto, temesse a Deus e se desviasse do mal, ainda não havia alcançado a maturidade da filiação. Ainda servia a Deus como servo.
Por isso, quando aconteceram coisas contrárias ao que esperava de Deus, ele ficou perplexo. Ficou consternado. Ficou perdido.
Por um lado, sabia que era justo. Não havia pecado. Embora reconhecesse que nenhum homem era perfeito no sentido de não ter pecado, ele era justo diante de Deus. Não entendia por que Deus não intervinha em seu favor; era como se Deus estivesse contra ele. Não conseguia entender. Estava perdido.
Do capítulo 3 ao capítulo 31 de Jó, encontramos a discussão entre Jó e seus amigos. Ela é apresentada em poesia, em belas formas poéticas.
Encontramos três ciclos de discussão. Como os sábios do Oriente costumavam fazer, eles se sentavam e discutiam problemas filosóficos. Agora estavam discutindo o problema do sofrimento.
Elifaz falou primeiro. Evidentemente, era o porta-voz deles. Algumas pessoas pensam que, quando chegaram, provavelmente já haviam discutido o caso e chegado a uma conclusão; por isso, Elifaz começou.
Esses três homens eram sábios e consideravam o problema do sofrimento por ângulos diferentes.
Elifaz abordou o problema do sofrimento de um ponto de vista místico. Ele disse: “Ouvi um sussurro. Um espírito passou diante do meu rosto. Vi uma forma, um homem falando comigo”.
Seria o homem mortal mais justo do que Deus?
— Jó 4:17
Portanto, ele disse: não despreze a disciplina do Todo-Poderoso.
Um místico é alguém que sente. Segundo seu sentimento, sua percepção emocional, ele sente que nenhum homem é mais justo do que Deus. E isso é verdade.
Então encontramos o segundo homem, Bildade. Ele abordou a questão do sofrimento a partir das tradições dos pais. Ele disse:
Pergunta, pois, à geração passada,
E aplica-te ao que seus pais descobriram.
A que conclusão chegaram a respeito do sofrimento? Deus nunca permitirá que o justo sofra, nem dará a mão aos ímpios. Essa era a conclusão.
E Zofar abordou a questão por outro ângulo. Sua abordagem era dogmática. Ele era um homem muito dogmático. Ele disse:
Os olhos dos ímpios desfalecerão.
Em outras palavras, os três concluíram que Jó sofria porque devia ser mau.
Sabem, a regra de ouro daqueles dias — e muitos ainda se apegam a ela hoje — era que Deus abençoa e faz prosperar os justos, e amaldiçoa e castiga os ímpios. Essa é uma lei moral no universo.
Filosoficamente, quer a abordagem seja mística, tradicional ou dogmática, todos chegam à mesma conclusão: essa é a regra de ouro da vida. Deus castigará os ímpios e abençoará os justos.
“Jó, você deve ter pecado em segredo. Pode parecer justo, mas deve haver algo errado em você, e é por isso que sofre. Arrependa-se, e Deus terá misericórdia de você.” Essa era a conclusão.
Irmãos e irmãs, em certo sentido, semear e colher é uma lei universal. Você semeia e colhe o que semeou. Deus não Se deixa escarnecer. Se você semeia para a carne, da carne colhe corrupção. Se semeia para o Espírito, do Espírito colhe vida eterna. Isso é verdade.
Jó também concordava com isso. Em sua argumentação, vemos que ele também concordava. Era nisso que acreditava, e por isso não conseguia entender. Estava perplexo.
Irmãos e irmãs, essa regra de ouro, semear e colher, se cumprirá plenamente no futuro, mas não no presente.
Se vocês observarem a vida hoje, verão, como Jó disse, que às vezes os ímpios vivem em prosperidade e os justos sofrem muito. Isso é verdade. Embora, em outras situações, Deus realmente castigue os ímpios e abençoe os justos.
Mas sabemos que essa regra de ouro pode não se aplicar a todas as pessoas e a todas as situações hoje. Um dia, porém, será absolutamente verdadeira. Quando Deus julgar, ela será absolutamente verdadeira — seja no tribunal de Cristo, com Seu povo, seja no grande trono branco, com o mundo.
Outra coisa que eles não perceberam foi que o sofrimento não é necessariamente punitivo. Pode ser educativo: a formação de um filho.
Se o sofrimento fosse apenas punitivo, então provavelmente teríamos de dizer que Deus castiga os ímpios e abençoa os justos ainda hoje. Mas o sofrimento hoje é mais do que punitivo; é educativo.
Assim, Deus está usando o sofrimento para educar Seu povo, para fazer surgir aquele filho varão, para nos conduzir à maturidade da filiação. Isso era algo que eles não compreendiam bem naquele tempo.
Eles tiveram um pequeno vislumbre disso em suas palavras; podemos perceber que tiveram. Mas, para eles, era apenas um raio, um raio muito tênue de luz. O que enxergavam era: “Deus castiga os ímpios e abençoa os justos. Portanto, Jó, você deve ter pecado”.
E Jó tentou se defender. Ele disse: “Não, não pequei. Vocês não entendem, e eu também não entendo”.
Ao se defender, sem perceber, ele ultrapassou o limite. Em outras palavras, tentou justificar a si mesmo e condenar a Deus.
Mas vemos lampejos de luz em suas respostas. Por exemplo, no capítulo 9 de Jó, ele disse: “Ah, se houvesse um árbitro, um mediador entre nós”. Ele procurava um mediador.
E no capítulo 13 de Jó, ele disse:
Ainda que Ele me mate, nEle confiarei.
— Jó 13:15
Então, no capítulo 19 de Jó, ele disse:
Porque eu sei que o meu Redentor vive,
E por fim Se levantará sobre a terra:
E depois de destruída a minha pele, este meu corpo,
Então, sem a minha carne, verei a Deus.
— Jó 19:25-26
No capítulo 23 de Jó, ele disse:
Mas Ele sabe o caminho que eu tomo;
Quando Ele me provar, sairei como o ouro.
— Jó 23:10
Em outras palavras, havia vislumbres de luz, mas ele estava perplexo — perplexo.
Enquanto discutiam de um lado para outro, uma coisa foi trazida à tona em Jó: sua justiça própria.
Jó era justo aos seus próprios olhos. Era tão justo que se considerava justo. Pensava que estava certo diante de Deus, que podia argumentar com Deus e que sairia com a razão.
Deus poderia estar errado, mas Jó não poderia estar errado. Justiça própria.
E o que é justiça própria? Justiça própria é o eu. Um eu bom, mas ainda é o eu.
Da justiça própria, ao chegarmos ao final de seus argumentos, encontramos a autocomiseração. Ele sentia pena de si mesmo: “Eu era abençoado por Deus. Houve um tempo em que eu era tão importante, e agora olhem para mim. Todos me desprezam”. Começou a sentir pena de si mesmo.
Irmãos e irmãs, é com o eu que Deus quer lidar, até mesmo com a justiça própria. Deus permitiu que Satanás atacasse Jó para trazer isso à tona.
Satanás não conseguiu trazer isso à tona, então Deus deixou que os amigos de Jó fizessem esse trabalho.
Não é verdade? Especialmente no caso de alguém que realmente ama o Senhor, que realmente se entrega por inteiro a Ele, que é, por assim dizer, absoluto para o Senhor — não é verdade que o maior problema de uma pessoa assim é a justiça própria?
Esse eu impede a maturidade da filiação, porque ainda sou eu, ainda não é Cristo.
Assim, Deus permite que tudo isso aconteça para tratar do próprio centro da vida de Jó: a justiça própria. Ele precisa ser humilhado e tornar-se humilde.
Mas como Jó era forte! Seus amigos não conseguiram vencê-lo. Ficaram em silêncio.
Então um jovem esperou até que os homens mais velhos parassem de falar. Sabem, no Oriente esse era o costume: o jovem não devia dizer nada enquanto os mais velhos falavam.
Depois que pararam, Eliú começou a falar, nos capítulos 32 a 37 de Jó. Ali encontramos Eliú, cujo nome significa “Ele é o meu Deus”. Ele atua mais ou menos como um intérprete; procura interpretar o que aconteceu.
Sua interpretação se resumia a isto: aquilo era a disciplina do Senhor. O Senhor estava educando Jó como um filho. Estava disciplinando Jó para produzir algo melhor. Essa era sua interpretação.
Não vamos entrar nos detalhes, mas vemos que, quando sua interpretação não foi aceita, ele ficou irado, e então seu eu apareceu. Mais tarde, percebeu que havia ultrapassado o limite e recuou.
Então houve trovões e uma tempestade. Depois da tempestade, aparece um raio dourado ao norte, e ele descreve a majestade de Deus. É belo, belo, belo.
Depois que todas essas pessoas falaram, Deus começou a falar. Isso está do capítulo 38 até Jó 42:6. Curiosamente, aquilo que Deus disse não era algo novo. Quase tudo o que Deus disse pode ser encontrado nas discussões deles.
Deus não explicou a Jó por que ele sofria. Nunca explicou.
Tudo o que Deus fez foi lhe fazer muitas perguntas. Procurem descobrir quantas perguntas Deus fez. Ele lhe fez muitas perguntas, e todas elas se resumiam a dois pontos: “O que você sabe? O que você pode fazer? Quem é você?”.
Deus disse: “Quando estabeleci os fundamentos da terra, onde você estava? Você sabe qual é o caminho para a morada da luz? Consegue controlar o Beemote ou o Leviatã?”.
Se você não sabe, é imperfeito. Se não consegue controlar os orgulhosos, por que argumenta? Por que tenta se defender? Por que Me condena? Quem é você?
Em outras palavras, tudo o que Deus fez foi mostrar a Jó Quem Deus é.
Quando Jó ouviu e viu isso, disse: “Não tenho nada a dizer. Não sou nada. Não sou nada”.
Mais do que nada: “Abomino a mim mesmo. Odeio a mim mesmo. Arrependo-me no pó e na cinza”. Em outras palavras, ele abriu mão de seu eu. Abriu mão de sua justiça própria.
Ah, irmãos e irmãs, o problema da vida não se resolve pelo por quê; resolve-se por Quem. Não pelo que ouvimos, mas pelo que vemos — por Quem vemos.
Vocês podem ouvir todos esses argumentos, mas isso não resolve o seu problema. Porém, quando veem Deus, tudo se resolve.
Ele é Deus. Não tem o direito de fazer com vocês tudo o que Lhe agrada? E vocês não podem confiar nEle, confiando que Ele sabe o que está fazendo e que está fazendo isso para o maior bem de vocês?
Então, naturalmente, depois que Jó aprendeu sua lição, Deus restaurou a sua sorte. Assim, em Tiago 5:11, encontramos a perseverança de Jó. Jó suportou todos esses sofrimentos, e vemos o propósito final do Senhor: que Ele é cheio de terna misericórdia e compaixão.
Em outras palavras, se Deus é por nós, quem pode ser contra nós? Deus nos ama tanto que podemos confiar nEle como filhos.
Não importa o que Ele faça, Seu governo é benevolente.
Vamos orar?
Pai celestial, abre os nossos olhos para vermos o Teu governo benevolente. Abre os nossos olhos para vermos a Tua mão traspassada. Quando a Tua mão é posta sobre nós, é para o nosso bem eterno.
Dá-nos fé. Dá-nos amor. Dá-nos confiança. Ah, como Te louvamos por estarmos em Tuas mãos! Nada pode nos tocar, e somente a Tua mão pode nos aperfeiçoar. Oramos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Antes de sairmos nesta manhã, a palavra que o Senhor nos deu hoje no livro de Jó é tão preciosa. Queremos anunciar que há um livro que reúne algumas mensagens que nosso irmão ministrou anos atrás em Nova York.
É The Splendor of His Ways — “O esplendor dos Seus caminhos”. Se você ainda não o leu, eu realmente o encorajo a adquiri-lo e lê-lo. Se já o leu, encorajo você a lê-lo novamente.
Quero apenas compartilhar que, durante anos, o livro de Jó foi um grande enigma para mim. Eu havia lido vários livros e outros materiais sobre Jó e ainda continuava perplexo. Quando li este livro, foi realmente uma revelação.
Por isso, queremos encorajar todos a adquiri-lo. Temos alguns exemplares na estante agora e vamos pedir ao Jim que traga mais alguns nesta semana.
Também queremos anunciar novamente: às três horas desta tarde, nossas crianças têm uma…