Devemos voltar aos propósitos apresentados em Isaías.
Vamos ler alguns versículos de Isaías 62 e, depois, leremos outra parte de Isaías. Primeiro, Isaías 62:1 e, em seguida, a partir do versículo 10.
Por amor de Sião não Me calarei,
E por amor de Jerusalém não descansarei,
Até que a sua justiça saia como o resplendor,
E a sua salvação como uma lâmpada que arde.Passai, passai pelas portas,
Preparai o caminho do povo;
Aterrai, aterrai a estrada;
Retirai as pedras;
Arvorai um estandarte para os povos.Eis que o Senhor proclamou até os confins da terra:
Dizei à filha de Sião: Eis que vem a tua salvação;
Eis que o Seu galardão está com Ele,
E a Sua recompensa diante Dele.E lhes chamarão: Povo santo, Remidos do Senhor;
E tu serás chamada: Procurada, Cidade não desamparada.
E também nas profecias de Isaías, em Isaías 58. Estou lendo a American Standard Version de 1901.
Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como uma trombeta,
E anuncia ao Meu povo a sua transgressão,
E à casa de Jacó os seus pecados.Todavia, procuram-Me diariamente e têm prazer em conhecer os Meus caminhos:
Como uma nação que praticasse a justiça,
E não abandonasse a ordenança do seu Deus,
Pedem-Me juízos justos;
Têm prazer em se achegar a Deus.Por que jejuamos, dizem eles, e Tu não o vês?
Por que afligimos a nossa alma, e Tu não o percebes?Eis que, no dia do vosso jejum, buscais o vosso próprio prazer,
E exigis todos os vossos trabalhos.
Eis que jejuais para contendas e disputas,
E para ferir com o punho da impiedade:
Não jejuais hoje de modo que a vossa voz seja ouvida nas alturas.É este o jejum que escolhi?
Um dia para o homem afligir a sua alma?
É inclinar a cabeça como um junco,
E estender debaixo de si pano de saco e cinza?
Chamarás a isto jejum,
E dia aceitável ao Senhor?
Não é este o jejum que escolhi:
Soltar as ligaduras da impiedade,
Desatar as ataduras do jugo,
E deixar livres os oprimidos,
E que despedaceis todo jugo?Não é repartir o teu pão com o faminto,
E recolher em tua casa os pobres que foram expulsos?
Quando vires o nu, que o cubras;
E que não te escondas da tua própria carne?Então romperá a tua luz como a alvorada,
E a tua cura brotará apressadamente;
E a tua justiça irá adiante de ti;
A glória do Senhor será a tua retaguarda.Então clamarás, e o Senhor responderá;
Gritarás, e Ele dirá: Eis-Me aqui.
Se tirares do meio de ti o jugo,
O apontar do dedo e o falar iniquamente;
E se abrires a tua alma ao faminto,
E saciares a alma aflita:
Então a tua luz nascerá nas trevas,
E a tua escuridão será como o meio-dia:E o Senhor te guiará continuamente,
E saciará a tua alma em lugares áridos,
E fortalecerá os teus ossos;
E serás como um jardim regado,
E como um manancial de águas cujas águas não falham.E os que de ti procederem edificarão os antigos lugares assolados;
Levantarás os fundamentos de muitas gerações;
E serás chamado: Reparador da brecha,
Restaurador de caminhos para habitação.
Se desviares o teu pé do sábado,
De fazeres a tua vontade no Meu santo dia;
E chamares ao sábado deleitoso,
E ao santo dia do Senhor, honroso;
E o honrares, não seguindo os teus próprios caminhos,
Nem buscando o teu próprio prazer, nem falando as tuas próprias palavras:Então te deleitarás no Senhor;
E Eu te farei cavalgar sobre as alturas da terra;
E te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai:
Porque a boca do Senhor o disse.
Vamos orar?
Ó Pai, queremos agradecer-Te juntos por estarmos aqui em Tua presença, reunidos no nome de Teu Filho, nosso Senhor Jesus. E mais uma vez Te agradecemos, Pai, porque fizeste provisão para nós. Não queremos ser tão insensatos a ponto de ignorar essa provisão.
Nós nos achegamos a Ti, ó Senhor, para nos valer da provisão que fizeste para o falar e para o ouvir, a fim de nos encontrarmos Contigo, ó Senhor, e para que faças algo em nossa vida e em nossa vida juntos como Teu povo.
Ó Senhor, nós Te agradecemos por Tua Palavra, que é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Olhamos para Ti, Senhor. Queiras, pelo Teu Espírito, liberar essa Palavra que penetrará em nosso coração. Queiras, Senhor, manter afastada toda e qualquer obra do inimigo, seja qual for a maneira pela qual ele procure interferir neste momento.
Ajuda-nos a prestar atenção em Ti, a ouvir Tua voz e, acima de tudo, dá-nos a graça de Te obedecer, ó Senhor. E pedimos tudo isso no nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Nestes períodos pelos quais tenho sido responsável, temos considerado toda esta questão de Sião. Temos pensado sobre a batalha por Sião, a edificação de Sião e as dores de parto por Sião. Na verdade, já avançamos um pouco demais para recapitular tudo isso e colocar a par quem não esteve conosco.
Mas esta questão de Sião é algo tremendo. Não é apenas uma ideia antiquada encontrada no Antigo Testamento, que de alguma forma deixou de existir com a antiga aliança. É algo que está no centro de todo o agir de Deus com a humanidade.
Encontramos na Bíblia esta palavra, Sião, usada repetidas e repetidas vezes. Somos informados de que o Senhor habita em Sião; Ele ama Sião; Ele reina de Sião; Ele salva Sião; Ele ruge de Sião; Ele governa a partir de Sião; a vara da Sua força sai de Sião. Há o habitante de Sião e a filha de Sião. Tudo, de uma maneira ou de outra, está ligado a Sião.
No Novo Testamento, temos esta maravilhosa palavra em Hebreus 12:22:
Mas tendes chegado ao monte Sião,
E à cidade do Deus vivo,
À Jerusalém celestial.
Temos considerado esta questão, esta coisa que está tão profundamente no coração de Deus. Ele diz:
Porque o Senhor escolheu Sião;
Ele a desejou para Sua habitação.
Este é o Meu lugar de descanso para sempre:
Aqui habitarei.
Nesta noite, quero falar um pouco sobre a obra de Sião, o ministério de Sião. É tremendamente importante compreendermos que toda esta questão não é apenas um grande ideal, uma tremenda verdade espiritual ou algum grande alvo ou objetivo de Deus que tenha pouquíssima relação com nossa vida aqui na terra.
Não, ela tem tudo a ver com nossa vida aqui na terra. Está no centro de nossa salvação. Está no próprio centro de nosso chamado. É aquilo que Deus tem em mente em cada uma de Suas ações para conosco como indivíduos e para conosco como Seu povo.
Na última vez em que falei, consideramos as dores de parto por Sião. Falamos sobre a determinação do Senhor e a comunhão com o Senhor. É muito bom falar sobre a edificação de Sião, mas precisamos conhecer algo das dores de parto por Sião.
Sião só será edificada quando houver um número suficiente de crentes com capacidade espiritual para sofrer as dores de parto por Sião, a fim de que ela seja edificada e concluída. Essa é uma das grandes batalhas que estão em andamento neste momento.
O Senhor está procurando aqueles em quem Ele possa gerar essas dores de parto. Ele pode conceber algo em nosso espírito que resulte em um ministério de intercessão, em dores de parto que levem à conclusão de Sião.
Então temos estas palavras maravilhosas, que são o desafio do Senhor. Voltaremos a elas em outra ocasião, mas quero retomar o tema:
Passai, passai pelas portas,
Preparai o caminho do povo;
Aterrai, aterrai a estrada;
Retirai as pedras;
Arvorai um estandarte para os povos.
“Passai pelas portas”, como se o Senhor estivesse nos dizendo: “Não fiquem demorando. Não se reúnam apenas na periferia das coisas. Há uma obra a ser feita. Não fiquem simplesmente à margem. Não sejam apenas espectadores. Não se envolvam de maneira superficial e rasa, gloriando-se na verdade, gloriando-se no ideal, gloriando-se no fato de Sião ser algo que Deus tem em Seu coração, sem jamais se comprometerem de maneira prática com toda esta questão”.
Passe pela porta. Quer se trate de passar pelas portas para entrar na cidade, quer se trate de passar pelas portas para participar desta obra de aterrar a estrada, isso não importa tanto. O fato é este: quer signifique entrar na cidade e ser edificado nela, comprometido com a vida da cidade, com o governo da cidade e com o Rei que o Senhor estabeleceu em Sião; quer signifique sair sob Seu governo e por Seu poder para aterrar uma estrada para o povo e preparar o caminho para que outros venham, significa que precisamos nos comprometer.
Certamente, passar pela porta significa que, por fim, nos comprometemos com Sião e com a obra de Sião. Já não nos contentamos em ficar na periferia, à margem, olhando — apenas assistindo, apenas desfrutando um pouquinho das bênçãos, chegando para aproveitar algumas das vantagens e da glória.
Vamos nos comprometer de corpo e alma com as batalhas de Sião, com o conflito de Sião, com o sacrifício exigido em Sião, com a edificação de Sião e com esta obra de Sião. Ah, isso é algo tremendo.
Então temos esta questão de preparar um caminho para o povo. Há um caminho a ser preparado. Deus anseia que Seus próprios filhos comprados pelo sangue, Seus filhos redimidos, Seu povo eleito, entrem em Sião; mas não basta esse desejo: é preciso aterrar um caminho. O caminho precisa ser preparado.
Observem que não é o Senhor quem está dizendo: “Eu passarei pelas portas”. O Rei já está em Sião. Ele foi adiante. Ele está nos pedindo que nos comprometamos com Ele e nos diz que devemos preparar um caminho para o povo.
Uma das tragédias é que podemos nos tornar tão superiores. Assim que começamos a enxergar Sião, assumimos uma atitude de muita superioridade. Nós nos afastamos de todos os outros crentes. Olhamos para eles de cima para baixo: “Eles não compreendem. Estão separados de Sião. São cegos para Sião”. Como se nós fôssemos tudo e eles não fossem nada.
Eles também não são o povo de Sião? Também não nasceram em Sião? Seu nascimento não está registrado em Sião? Então precisamos preparar um caminho para o povo. Isso significa que deve haver em nós algo tão amoroso, tão humilde, tão verdadeiro, tão atraente, que, de alguma forma, abramos um caminho para as pessoas virem.
E quanto aos novos irmãos? Não vivemos em uma sociedade não salva, na qual há tanto vazio, tanta infelicidade, tanta corrupção e tanto desespero? Precisamos preparar um caminho para o povo.
“Aterrai, aterrai a estrada.” Vocês já viram uma estrada sendo construída? Nossa, dá trabalho. Vocês têm muitas estradas excelentes aqui nos Estados Unidos. Essa foi uma das coisas que me impressionaram quando vim aos Estados Unidos pela primeira vez: as estradas.
Venho de uma querida ilhazinha à moda antiga — não tão à moda antiga como alguns imaginam. Às vezes, as pessoas aqui me perguntam se temos eletricidade. Acho que imaginam que, de vez em quando, venho à reunião de carroça. Não somos tão antiquados assim. Nós construímos o Concorde.
Mas construir uma estrada não é pouca coisa. É preciso equipamento para construir uma estrada, e, em uma região pedregosa e rochosa, isso exige um trabalho e tanto. Não se trata apenas de construir uma estrada, abrindo-a no solo pedregoso; também há pedras a serem retiradas do caminho.
Não sei se vocês já viram uma dessas estradas antigas — há muitas no Oriente Médio — em que a água, quando chega a estação das chuvas, leva embora a areia e a terra. São lugares muito difíceis de atravessar, especialmente quando não há luz. À noite, você pode tropeçar em rochas e pedras, cair em buracos e todo tipo de coisa.
“Retirai as pedras.” Vocês não acham que há muitas pedras a serem retiradas? Eu acho. Há tantos tropeços entre nós — tantas coisas que, de uma maneira ou de outra, nós, crentes, criamos e que se tornaram um obstáculo para homens e mulheres que poderiam encontrar o Senhor. Eles tropeçam nessas coisas. Caem por causa delas.
É nossa tarefa retirar as pedras. Não devemos nos acomodar às pedras. Não devemos nos acomodar aos tropeços e às causas de escândalo. Devemos removê-los.
Então ouçam esta bela palavra: “Arvorai um estandarte para os povos”. Um estandarte é algo muito interessante. Aonde quer que a rainha vá, em meu país, o estandarte vai com ela. Está em seu carro. Está até em seu avião quando ele pousa e pouco antes de decolar.
O estandarte está sempre presente quando a rainha está presente. Antigamente, era assim que se podia saber se a rainha estava no Palácio de Buckingham. Você olhava para o mastro para ver se o estandarte estava ali. Se o estandarte estava ali, a rainha estava ali. Se o estandarte não estava ali, ela não estava ali.
Se você for ao Castelo de Windsor, que fica perto de onde moro, e vir o estandarte hasteado no mastro, saberá que ela está ali. A rainha está de fato em casa.
Antigamente, nas batalhas e nas guerras, o estandarte ocupava um lugar de muita honra. Em tempos passados, meus antepassados eram porta-estandartes de uma das casas reais. Era preciso carregar o estandarte do rei.
Quando, em uma batalha, algum grupo de soldados ou alguma unidade ficava um pouco separado do restante do exército, eles olhavam ao redor para ver: “Onde está o estandarte?”. Porque onde está o estandarte, ali está o rei. Eles abriam caminho lutando para voltar ao estandarte.
“Arvorai um estandarte para os povos.” O que isso significa? Agitar uma bandeira de maneira nacionalista? Não, não, não. Significa fazer o mundo inteiro saber onde está o Rei. Fazer o mundo inteiro saber onde está o Rei.
Arvorem um estandarte para os povos, para que todos no mundo saibam: “É aqui que está o Rei. É aqui que o Rei está realizando Sua obra. É aqui que há autoridade real. Este é o trono de Deus”.
Quando o rei está no campo de batalha, o trono vai com ele. Não acho que realmente carreguem o trono com ele; ele deixa o trono lá no palácio. Mas, no que diz respeito ao governo, embora deixe o trono lá, o governo vai com o rei. Nesse sentido, o trono vai com o rei. Onde está o estandarte, ali está o trono.
Aqui, então, temos um tremendo desafio do Senhor: passem pelas portas; comprometam-se; não demorem mais. Entreguem-se a esta questão de Sião. Entreguem-se ao Rei de Sião. Então preparem um caminho para o povo. Aterrem a estrada. Retirem as pedras. Arvorem um estandarte para o povo.
Afinal, o que tudo isso realmente significa? Vocês se lembram do grande clamor do Senhor:
Por amor de Sião não Me calarei,
E por amor de Jerusalém não descansarei,
Até que a sua justiça saia como o resplendor,
E a sua salvação como uma lâmpada que arde.
Então Ele nos diz:
Sobre os teus muros, ó Jerusalém, coloquei atalaias;
Jamais se calarão, de dia ou de noite:
Vós que fazeis lembrar ao Senhor, não tomeis descanso,
E não Lhe deis descanso,
Até que Ele a estabeleça,
E até que faça de Jerusalém um louvor na terra.
Quando chegamos a Isaías 58, encontramos algo relacionado a toda esta questão da luz que brilha. Vejam primeiro Isaías 60:1:
Levanta-te, resplandece; porque é chegada a tua luz,
E a glória do Senhor nasceu sobre ti.
Porque eis que as trevas cobrirão a terra,
E a escuridão profunda, os povos;
Mas o Senhor nascerá sobre ti,
E a Sua glória se verá sobre ti.
E as nações virão à tua luz,
E os reis ao resplendor do teu nascimento.
Em Isaías 58, temos uma profecia extraordinária pelos lábios de Isaías. A princípio, isso parece quase surpreendente. Aqui estão pessoas orando. Aqui estão pessoas jejuando. Aqui estão pessoas buscando o Senhor diariamente. Aqui estão pessoas identificadas com as coisas de Deus. No entanto, o Senhor diz: “Este não é o Meu jejum”.
“Vocês estão usando tudo isso como desculpa. Não estão tratando da verdadeira questão.” Então Ele prossegue: “Não é este o jejum que escolhi?”. Ele descreve certas coisas e, à medida que as descreve, faz uma promessa.
Se você cumprir esta condição, Ele diz em Isaías 58:8:
Então romperá a tua luz como a alvorada,
E a tua cura brotará apressadamente;
E a tua justiça irá adiante de ti;
A glória do Senhor será a tua retaguarda.
Então, novamente, em Isaías 58:10:
Então a tua luz nascerá nas trevas,
E a tua escuridão será como o meio-dia:
E o Senhor te guiará continuamente,
E saciará a tua alma em lugares áridos,
E fortalecerá os teus ossos;
E serás como um jardim regado,
E como um manancial de águas cujas águas não falham.E os que de ti procederem edificarão os antigos lugares assolados;
Levantarás os fundamentos de muitas gerações;
E serás chamado: Reparador da brecha,
Restaurador de caminhos para habitação.
Então, outra promessa maravilhosa, Isaías 58:14:
Então te deleitarás no Senhor;
E Eu te farei cavalgar sobre as alturas da terra;
E te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai.
Promessas tremendas, todas relacionadas à justiça de Sião saindo como o resplendor e à sua salvação como uma lâmpada que arde; todas relacionadas a Sião sendo estabelecida na terra e tornando-se um louvor na terra, para que homens e mulheres necessitados vejam em Sião o Rei e provem a salvação de Deus por meio do Rei em Sião.
Ah, querido povo de Deus, vocês não lamentam comigo nossa fraqueza e nossa pobreza? Não estou falando do grande número de pessoas do Senhor que se encontram em toda espécie de círculos, segmentos e grupos. Estou pensando em nós mesmos. Estou pensando em nós.
Vocês não lamentam comigo nossa pobreza, fraqueza e limitação? Não sentem, às vezes, que aqui estamos nós, um povo que compreende algo do propósito do Senhor? Pela graça de Deus, Ele nos revelou ao menos algo de Seu propósito, algo da natureza de Sua igreja, algo de Sua Sião.
No entanto, nós nos reunimos, cantamos nossos hinos, cantamos nossos corinhos, fazemos nossas pequenas orações e, de uma maneira ou de outra, o mundo jamais sente o impacto de nossa presença. Isso não é motivo para termos um encargo?
“Ah, mas”, você diz, “não somos numerosos o bastante.” Não, eu sei. É claro que não se trata apenas de uma mentalidade americana — se me permitem dizer —, mas da ideia de que algo precisa ser grande para ter êxito. Também temos isso do nosso lado: a ideia de que, a menos que você tenha alguns milhares de pessoas reunidas, não poderá causar impacto em uma comunidade.
Como poderia? Um pequeno punhado de pessoas? Meu querido amigo:
Um perseguirá mil,
E o menor se tornará uma nação forte.
Deus sempre começa com um. Ele sempre começa com algumas pessoas fracas. Não há desculpa. Quando há pessoas em união viva com o Rei, deve haver um impacto, certamente. Certamente.
Isso precisa nos causar alguma preocupação. Vamos simplesmente nos reunir em nossos grupos, nossas congregações e nossas localidades, e nos enganar pensando que, por compreendermos algumas verdades a mais do que outros crentes, de alguma forma isso está acontecendo entre nós?
Precisamos deixar que toda esta questão da oração penetre profundamente em nós, para começarmos a encarar as realidades a nosso respeito. Então poderemos chegar ao trono e dizer: “Ah, somos pessoas fracas, insignificantes e pobres, mas Tu nos salvaste e nos uniste a Ti mesmo. Ansiamos por ver algo acontecer”.
Será possível — e acho que posso dizer isso sem aborrecer ninguém — que haja muitas de nossas congregações em que não jejuamos semanalmente, nem diariamente? Nós nos reunimos para orar, mas o Senhor diz aqui: “Diariamente Me buscam, jejuam e se prostram diante de Mim”.
Alguns de nós são tão inibidos que nem sequer conseguiriam fazer isso. “Eles se prostravam diante de Mim”, e eu digo: “Como?”. Mas Ele disse: “Não quero isso. Não quero isso, porque estão perdendo completamente o sentido da questão”.
O jejum que escolhi tem quatro aspectos. Nesta noite, acho que só conseguiremos examinar dois deles. Aqui está a primeira coisa que constitui este jejum escolhido: o rompimento de toda opressão.
Vocês ouviram isso? O rompimento de toda opressão. Aqui está, em Isaías 58:6:
Não é este o jejum que escolhi:
Soltar as ligaduras da impiedade,
Desatar as ataduras do jugo,
E deixar livres os oprimidos,
E que despedaceis todo jugo?
Aqui está o jejum que Ele escolheu: o rompimento de toda opressão — soltar as ligaduras da impiedade, desatar as ataduras do jugo, deixar livres os oprimidos e despedaçar todo jugo.
Na época de Isaías, isso se referia particularmente à libertação de escravos que eram judeus. Era expressamente proibido haver escravos judeus. Se formos a Jeremias 34:8, lemos:
A palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, depois que o rei Zedequias fez uma aliança com todo o povo que estava em Jerusalém, para lhes proclamar liberdade;
Para que cada homem deixasse livre o seu servo, e cada homem a sua serva, sendo hebreu ou hebreia; para que ninguém escravizasse um judeu, seu irmão.
Em outras palavras, isso se referia, antes de tudo e principalmente, àqueles que eram judeus, que pertenciam ao povo de Deus, mas eram escravos.
Se vocês forem também a Levítico 25:39:
E se teu irmão empobrecer junto de ti e se vender a ti, não o farás servir como escravo:
Como trabalhador contratado e como peregrino estará contigo; servirá contigo até o ano do jubileu:
Então sairá de tua casa, ele e seus filhos com ele, e voltará à sua própria família, e à possessão de seus pais retornará.
Porque eles são Meus servos, que tirei da terra do Egito: não serão vendidos como escravos.
Não dominarás sobre ele com rigor, mas temerás o teu Deus.
Meu ponto é este. Quando olhamos para esta palavra em Isaías 58, “soltar as ligaduras da impiedade”, essa palavra em hebraico significa simplesmente algo que está amarrado ou fortemente enrolado ao redor.
Vocês não acham que há momentos em que nossas reuniões, o próprio fato de nos reunirmos, têm algo fortemente enrolado ao seu redor? Eu acho. Encontramos isso repetidas vezes em nossa comunidade em Richmond. Há momentos em que, de alguma forma, toda a vida da igreja tem algo enrolado ao seu redor.
A questão é: vamos aceitar isso ou não? Às vezes, por não sabermos o que fazer ou que atitude tomar, simplesmente aceitamos. Então, muitas vezes, começam as brigas internas. “O que é responsável por isso? Fulano é responsável. Este líder, aquele líder, esta circunstância, aquela circunstância.” Todos começamos a brigar uns com os outros.
Isso não tem nada a ver com personalidades. O inimigo veio e disse: “Não deixarei esta obra dar mais um passo. Vou amarrá-la”. Deus, em Sua sabedoria, diz: “Sim, você pode. Pode. Porque estes são Meus filhos, e, a menos que aprendam a desatar as ataduras do jugo, soltar as ligaduras da impiedade, deixar livres os oprimidos e despedaçar todo jugo, Eu os deixarei sofrer abatimento e conhecer a escravidão”.
Vocês entendem? Se quiserem tolerar os midianitas, os girgaseus, os heveus e todos os outros povos, Deus permitirá. Mas tenham certeza disto: eles não estarão na terra para servir a vocês. Vocês é que os servirão.
Todas as vezes em que o povo de Deus se esqueceu da Palavra do Senhor de expulsar as nações da terra diante deles, sem deixar um único vestígio delas na terra, os povos que deixaram ali, como nos diz o livro de Juízes, tornaram-se instrumentos de opressão do povo de Deus.
Não há terreno neutro nesta guerra contra os poderes das trevas. Aqui está: é uma honra conhecer a atividade do inimigo.
Vocês ouviram isso? É uma honra conhecer a atividade do inimigo. Por quê? Porque significa que o Rei está presente. É por isso.
Significa que, de alguma forma, há algo valioso em nossa reunião, algo valioso no testemunho, algo valioso na vida daqueles que fazem parte daquele grupo de crentes, de modo que o inimigo disse: “Não deixarei isso dar mais um passo”.
O Senhor não vai nos dar tudo na boca para sempre. Precisa chegar o momento em que reconhecemos que, se permitirmos que essas coisas, esses seres, nos oprimam, nos esmaguem ou frustrem o propósito e o plano do Senhor entre nós, então o Senhor permitirá que façam o que querem.
Porque o Senhor é um bom Pai. Ele quer nos treinar. Se chegamos ao ponto de não querer usar nossos músculos, Ele não vai contribuir para que esses músculos se tornem permanentemente fracos. Ele permitirá que soframos até que, finalmente, despertemos no nome do Senhor.
Então, quando surge entre nós alguém como Gideão, ou mesmo Sansão, ou qualquer um dos outros que se levantam no nome do Senhor e dizem: “Não deixaremos isso acontecer. O Senhor está conosco”, de repente descobrimos que o Senhor começa a agir de uma maneira nova e poderosa.
Essas ligaduras, esses grilhões — essa palavra também traz a ideia de dores. Os grilhões trazem dores. O começo são ligaduras, e o fim são dores. Vocês já perceberam isso? Quando há uma escravidão em sua vida, ela começa como uma limitação, mas termina em dor.
“Desatar as ataduras do jugo.” É interessante que a palavra aqui não seja simplesmente jugo; pode ser a barra do jugo, a barra que atravessa e prende você a outro. Quando você está preso pelo jugo a outro, não pode fazer nada a respeito.
Isso significa que, de alguma forma, podemos estar presos pelo jugo aos poderes das trevas, que eles podem nos influenciar por meio de circunstâncias e de várias pessoas que trazem para o nosso meio, e desorganizar toda a vida da congregação.
Como há uma barra que nos prende a eles, quando esse outro animal avança, temos de avançar com ele. “Desatar as ataduras do jugo.” Em outras palavras, deixar a barra se soltar, e ficamos inteiramente livres daquela outra influência. Não são as circunstâncias que ditam o que fazemos. Não são os problemas que ditam o que fazemos. Não estamos por baixo; eles é que estão por baixo.
Então há esta palavra, oprimidos: “Deixar livres os oprimidos”. A palavra significa despedaçados ou esmagados. Há muitas pessoas despedaçadas e esmagadas. Foram despedaçadas pela obra do inimigo, por problemas de seu passado, por coisas herdadas, bem como pela atividade espiritual efetiva do inimigo.
“Deixar livres os oprimidos e despedaçar todo jugo.” Esse é o cerne da questão. Por favor, ouçam-me. Sei que alguns não aceitarão, nem por um momento, que esse seja o cerne da questão. Mas, queridos amigos, esse é o cerne da questão.
Toda a estratégia do inimigo é a escravidão. Só porque você e eu fomos redimidos, isso não significa que não possamos voltar a ficar enredados em um jugo de escravidão.
Vejam Romanos 8:15:
Porque não recebestes o espírito de escravidão para outra vez temerdes;
Mas recebestes o Espírito de adoção, pelo Qual clamamos: Aba, Pai.
Vocês sabem que, às vezes, em uma congregação, podemos ficar de tal forma presos que temos medo de qualquer novo caminho pelo qual o Senhor possa nos conduzir? Ficamos apavorados com qualquer coisa que Deus possa fazer entre nós.
Isso não é estranho? Seria de esperar que os crentes estivessem sempre mais do que dispostos a seguir o Senhor. Basta que o Senhor se mova. Se Ele está nos conduzindo adiante, vamos segui-Lo. Todos sabemos disso. Já conheci isso em minha própria vida: um medo repentino. “Ah, você se sentiu inseguro? E eu também, não é?” É o inimigo.
Há uma escravidão que novamente leva ao medo. Não recebemos o espírito de escravidão para outra vez temer, mas o Espírito de adoção, pelo Qual clamamos: “Aba, Pai”. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Essa é a resposta ao espírito de escravidão: ser guiado pelo Espírito de Deus, no Espírito de adoção, crescendo como filhos.
Ou, novamente, Hebreus 2:14-15:
Visto, pois, que os filhos participam de carne e sangue, também Ele, de igual modo, participou das mesmas coisas; para que, pela morte, reduzisse a nada aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo;
E libertasse todos aqueles que, pelo medo da morte, estavam sujeitos à escravidão durante toda a vida.
Morte espiritual, morte física — não importa. Essa é a arma que o inimigo usa para prender homens e mulheres.
Ou, novamente, Gálatas 5:1:
Para a liberdade Cristo nos libertou: permanecei, pois, firmes, e não vos deixeis enredar novamente em um jugo de escravidão.
Esta questão da escravidão e do rompimento de toda opressão abrange a todos — tanto o mundo não salvo quanto o povo de Deus. O que estou tentando dizer é isto: esta palavra por meio do profeta Isaías diz respeito a todo o princípio da escravidão, particularmente à maneira como ele afeta o povo de Deus.
Ao nosso redor há milhares e milhares de pessoas de Deus ainda presas pelo inimigo. Digo pessoas de Deus — elas ainda não nasceram de novo, mas Deus pode trazê-las. Vocês se lembram de como o Senhor disse no livro de Atos que ainda havia muitos naquela cidade que eram Seus, e eles nem sequer eram salvos. Mas Deus os conhecia de antemão. Ele sabia quem eram.
Todos estavam ali, presos por Satanás. Então veio aquela pregação libertadora do evangelho de Deus. O poder de Deus entrou, e aqueles que estavam presos por Satanás tiveram suas algemas e seus grilhões quebrados e saíram. Queimaram seus livros de feitiçaria, e todos aqueles vínculos com Satanás foram rompidos e quebrados nas águas do batismo. Louvado seja Deus.
Vocês acham que, depois de escaparmos da escravidão do inimigo, ele não tentará nos enredar novamente? Acham que ele não encontrará, de uma maneira ou de outra, um meio de nos esmagar, de nos cercar novamente e de enrolar fortemente ao nosso redor as ligaduras da impiedade?
Espero que não seja necessário dizer que o pecado fará isso com muita facilidade. A maneira mais fácil de isso acontecer é simplesmente haver pecado em nosso meio: imoralidade, engano, desonestidade — todas essas coisas. O pecado que entra em nosso meio traz escravidão.
Mas, queridos amigos, quero dizer isto: espero que não haja esse tipo de pecado entre nós. Se houver, isso explicaria qualquer abatimento ou opressão que possamos encontrar. Mas, muitas vezes, não é nada disso. É simplesmente que o inimigo disse: “Não deixarei esta obra dar um passo adiante”.
Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores mundiais destas trevas, contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.
Em outras palavras, estamos em uma luta corpo a corpo; não estamos disputando um campeonato de tênis. Há momentos em que o inimigo se põe sobre nós, e sentimos todo o peso dos poderes das trevas. Foi por isso que chamei isso de honra. Significa que há algo pelo qual vale a pena lutar, algo que vale a pena vencer, algo que vale a pena destruir. Louvado seja Deus.
E, se o inimigo se levantou contra nós, temos graça suficiente em nosso Senhor Jesus Cristo e por meio Dele para vencê-lo, porque maior é Aquele que está em nós do que aquele que está no mundo. Não precisamos temer.
Mas nosso grande problema é que, depois de nos tornarmos do Senhor, ficamos passivos. Entramos em uma reunião e sentimos todo esse peso pairando sobre nós. Permanecemos debaixo dele. Cantamos um hino sem entusiasmo. Pensamos: “O que será que há de errado comigo esta noite?”. Então olhamos para alguns daqueles outros rostos abatidos e pensamos: “Ai, meu Deus”.
Ninguém tem qualquer senso de adoração. Ninguém reage. Há uma espécie de poeira sobre tudo. Se aceitamos isso, é uma atadura que deu uma volta completa em toda a obra. Quando nos reunimos na próxima vez, está pior. Pensamos: “Ai, ai, ai, estamos passando por um tempo pesado”. Mais uma volta foi dada, mais uma atadura foi enrolada ao redor.
Aqui nos é dito que devemos soltar as ligaduras. Se Deus nos diz que devemos soltar as ligaduras da impiedade, isso significa que podemos fazê-lo. Deus não zomba de nós. Ele não diz: “Este é o jejum que escolhi: que vocês soltem as ligaduras da impiedade”, se não podemos fazê-lo.
Tudo o que precisamos fazer é louvar o Senhor e agradecer-Lhe. “Há uma escravidão aqui, Senhor.” Não é surpreendente? Às vezes, quando nos sentimos mais presos, dizemos: “Senhor, não há escravidão aqui. Ela acabou”. Por quê? Porque isso é a própria declaração da verdade. “Eu me posiciono contra a escravidão. Tudo isso é um fantasma.”
Basta que os crentes afirmem e declarem a verdade. Isso pode significar não cantar um hino sem entusiasmo, mas cantá-lo como uma declaração de verdadeira adoração. Quando adoramos o Senhor, afirmamos coisas; declaramos coisas.
Não dizemos: “Talvez Tu reines nas alturas. Quem sabe tenhas todo o poder no céu e na terra. Possivelmente Tua vontade se fará na terra como se faz no céu”. Não. Quando dizemos: “Ele é Senhor”, você libera um poder que pode percorrer toda uma reunião, e, de alguma forma, as forças e potestades que a cercam recuam diante da declaração de um fato.
Quando dizemos: “Ah, nós Te agradecemos, Senhor. Somos Teu povo livre”, Satanás tem de dizer: “É verdade”. Ele não pode fazer outra coisa. Sabe que Deus nos redimiu. Sabe que essas pessoas levam o nome do Rei.
Quando o Senhor diz: “Este é o jejum que escolhi: que vocês soltem as ligaduras da impiedade, desatem as ataduras do jugo, deixem livres os oprimidos e despedacem todo jugo”, Ele quer dizer que temos a capacidade, os recursos e a autoridade, no nome do Senhor Jesus, para fazê-lo.
Às vezes, isso acontece tão facilmente, apenas orando uns pelos outros, cuidando uns dos outros e amando uns aos outros. Às vezes, uma pessoa está em grande necessidade, algumas palavras de oração são proferidas, e algo desaparece. Uma sombra que estava sobre ela se foi.
Vocês todos já não sentiram isso? É que nos perguntamos: “Por que não compartilhei isso antes? Por que não falei abertamente sobre isso antes? Bastaram algumas palavras de oração de meus irmãos e irmãs, nada mais”.
Mas o que todos nós fazemos é ficar tão inibidos. Queremos nos fechar cada vez mais em nós mesmos. Então chegamos e nos sentamos isolados, se vocês entendem o que quero dizer. Cantamos nossos hinos sem entusiasmo porque nos sentimos isolados.
“Desatar as ligaduras da impiedade.” Recebemos a ordem de soltar, desatar, deixar livres e despedaçar.
Nosso Senhor é Aquele que tem o grande ministério de Isaías 61. O que diz o texto?
O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim;
Porque o Senhor Me ungiu para pregar boas-novas aos mansos;
Enviou-Me para atar as feridas dos quebrantados de coração,
Para proclamar liberdade aos cativos,
E abertura da prisão aos que estão presos;Para proclamar o ano do favor do Senhor,
E o dia da vingança do nosso Deus;
Para consolar todos os que choram;Para conceder aos que choram em Sião,
Para lhes dar uma grinalda em lugar de cinzas,
Óleo de alegria em lugar de pranto,
Vestes de louvor em lugar de espírito de abatimento.
Devo acreditar que tudo isso acontece apenas na conversão? Que o Senhor faz tudo isso por nós na conversão e, depois disso, nunca mais? Claro que não. Vocês sabem tão bem quanto eu: o Senhor consola os que choram. Ele dá óleo de alegria em lugar de pranto e vestes de louvor em lugar de espírito de abatimento.
Vestes de louvor em lugar de espírito de abatimento. Isso significa que o ministério de nosso Rei ressurreto, de nosso Rei exaltado, é tal que, quando tenho um espírito de abatimento, Ele pode dizer: “Não Me dê isso. Eu lhe darei vestes de louvor”. Tudo está à nossa disposição. Somos tão tolos quando não as vestimos.
Às vezes estamos em pequenas masmorras, não é? Algumas dessas masmorras são masmorras que nós mesmos construímos. Vocês entendem a palavra masmorra? Uma masmorra é um porão multiplicado mil vezes — normalmente em um enorme castelo —, e era o lugar onde as pessoas eram deixadas sozinhas.
Muitos de nós estávamos em masmorras quando fomos salvos. Deus nos tirou da masmorra. Mas não é verdade que, às vezes, por causa de nosso afastamento e de nossa insensatez, voltamos para elas?
Não há ministério do Rei em Sião para os que voltam a uma masmorra? Não há ministério para aqueles que novamente se tornaram cativos — aqueles que foram comprados pelo sangue do Cordeiro pascal e tirados da casa da escravidão, mas que novamente têm correntes nos pulsos e nos tornozelos, de modo que não conseguem louvar o Senhor nem fazer a vontade de Deus?
Ah, que Deus nos ajude. Será que realmente pensamos estar em algum tipo de batalha de conto de fadas? Falamos sobre ela. Pregamos sobre ela. De vez em quando, até a mencionamos na oração. Mas, na prática, ela não é uma batalha real.
Meu querido amigo, muito mais real do que a Segunda Guerra Mundial é esta guerra espiritual em que nós, como Sião, estamos envolvidos. As armas desta guerra são, espiritualmente, tão poderosas quanto qualquer coisa usada na Segunda Guerra Mundial — para destruir coisas, destruir vidas, aprisionar, derrotar e ocupar.
Despertem. Estamos em uma batalha. Se você e eu estamos envolvidos nesta questão da edificação de Sião, então, queridos, precisamos nos entregar a esta batalha de romper toda opressão.
Haverá feridos nesta batalha. Não pensem que não haverá feridos. Haverá feridos. Precisamos saber o que fazer com quem foi ferido — como amá-lo, como cuidar dele, como ministrar a ele, como lhe trazer cura no nome do Senhor e como restaurá-lo em espírito de mansidão.
Vocês não sentem comigo que essa é uma falta terrível entre nós, o povo de Deus? Aqui estamos: cantamos os cânticos de Sião, nos gloriamos em Sião, mas este é o ministério de Sião.
O inimigo sabe que ou é Sião ou é o reino dele. Vocês ouviram isso? Ele sabe que ou Sião será concluída — e isso será o fim dele —, ou ele frustrará toda a obra de Deus na vida.
Portanto, ele precisa nos impedir. Ele nos sufocará. Precisa introduzir jugos de escravidão em nosso meio. Trabalhará de todas as maneiras — na atmosfera, nas circunstâncias, nos crentes, por meio de concessões, da insensatez, da ignorância, do pecado. De alguma forma, ele se infiltrará entre os habitantes de Sião, entre a filha de Sião, e fará dela, que é livre pela graça de Deus, uma escrava.
Sabem, queridos amigos, às vezes vou a um lugar — e agradeço a Deus por não frequentar tanto esses círculos —, mas às vezes sou convidado. Posso me lembrar de um trabalho no Ártico que visitei.
Esse trabalho no Ártico havia testemunhado uma obra tão tremenda de Deus, realizada vinte e cinco ou trinta anos antes entre os lapões. Já fazia cerca de doze anos que não viam uma única pessoa ser salva.
Fui convidado a visitar essa escola para jovens lapões. Todos os funcionários eram crentes, e todos diziam a mesma coisa: “Ah, sentimos um peso tão grande. Sentimos tanta opressão. Sentimos tantas trevas”. Sabem de uma coisa? Eles nunca oravam juntos.
Vocês ouviram isso? Eles nunca oravam juntos. Eu não conseguia entender. Disse a eles: “Mas vocês são crentes. Por que não se reúnem para orar?”. Eles me olharam sem reação. “A necessidade é tão…” “Sim, sim, sim, nós sabemos.”
O diretor de todo o trabalho disse: “Sim, sim”. Perguntei a ele: “O que você faria?”. Ele deu um exemplo. Disse: “Nossas próprias classes agora estão sendo infiltradas por marxistas. Estão acontecendo coisas em nossas classes, envolvendo nossos professores, que estão desorganizando o trabalho”.
Eu disse: “Por favor, irmão, reúna os funcionários e passem a noite em oração”. “Bem”, disse ele, “não sei se conseguiríamos manter isso.” “Bem, comecem. Ajoelhem-se e realmente se apeguem ao Senhor.”
Ele disse: “Talvez, talvez façamos isso. Não sei se os outros vão concordar”. Eu sabia, porque havia conversado com alguns dos outros funcionários influentes, e eles me disseram: “Sim, sim, achamos que seria bom. Não sei se os outros vão concordar”.
Quando voltei um ano depois, eles ainda não tinham tido um período de oração juntos. Então pensei: “O que há de errado com essas pessoas? São crentes nascidos de novo. Conhecem o Senhor. Amam o Senhor. Aqui estão, sacrificando-se de muitas maneiras para estar bem aqui, em Finnmark, no Ártico, quando poderiam estar desfrutando de uma vida tão agradável lá no sul, em uma das grandes cidades”.
Então percebi: era escravidão. Eles sabiam o que deveriam fazer, mas não conseguiam. Eram tão inibidos que não conseguiam se ajoelhar diante uns dos outros.
É até esse ponto que isso chega. Uma vez que a escravidão começa, ela não fica parada; continua, continua e continua. Às vezes, não conseguimos levantar as mãos em louvor. Alguns de nós não conseguem abrir os lábios em louvor. Sentimos medo uns dos outros. Ficamos inibidos. Ah, há escravidão.
Todos conseguimos enxergar isso naquela escola lá em Finnmark, mas será que reconhecemos, às vezes, os mesmos tipos de elementos entre nós? Talvez não de uma maneira tão poderosa, mas isso levaria àquela situação, a menos que aprendamos a enfrentar toda esta questão da opressão e da escravidão.
Vocês acham que, lá, o inimigo não sabe que, se aqueles queridos irmãos se ajoelhassem, algo poderia acontecer entre os funcionários — uma completa renovação, um avivamento e um despertamento — e se espalhar como fogo pelo Ártico?
É o mesmo conosco aqui. Nas localidades e nas comunidades, Deus anseia que a justiça de Sião saia como o resplendor e a sua salvação como uma lâmpada que arde. O inimigo sabe disso e disse: “Não, isso não acontecerá. Vou esmagá-los. Vou fazer com que tenham medo uns dos outros”.
Lembro-me de que, anos atrás, em nossa comunidade, todos queríamos orar juntos. Quando digo orar juntos, às vezes tantas pessoas queriam participar que acabávamos nos atropelando — duas ou três pessoas tentando começar ao mesmo tempo. Então tínhamos entre nós os que faziam orações longas, que meio que monopolizavam todo o tempo, e os outros mal conseguiam participar.
Eu costumava pensar: “Deus, põe ordem em tudo isso”. Então me ocorreu: havia outra congregação a uns dezesseis quilômetros de nós, e eles estavam orando. Deus ouvia cada uma das orações deles ao mesmo tempo em que ouvia as nossas. Então pensei: “Deve haver milhares e milhares e milhares de pessoas orando a Deus por todo o mundo, e Ele ouve cada uma”.
Assim, pensei: “Não seria bom, de vez em quando, louvarmos todos juntos ao Senhor?”. Mas não mencionei isso. Eu era considerado um dos líderes, mas estava com tanto medo. Pensei: “Os outros irmãos vão olhar para mim e pensar: ‘O que aconteceu com ele? Está virando pentecostal?’”.
Por isso, eu não dizia nada. Cada vez que isso acontecia, sentia um peso tão grande no coração. Então pensava: “Como eu gostaria de poder dizer isso”. Por fim, um dos irmãos, um dos mais fracos e mais jovens, levantou a questão no período de comunhão.
Ele disse: “Não seria bom, quando duas ou três pessoas começam a orar ao mesmo tempo, simplesmente louvarmos todos juntos ao Senhor por alguns momentos?”. Ele disse isso.
Eu não ousei olhar para meus irmãos. Então ouvi um dos outros dizer: “Que ideia maravilhosa. Faz muito tempo que eu desejava que pudéssemos fazer isso”. Olhei para ele e pensei: “Bem, eu achava que ele era bastante rígido. Achava que seria o primeiro a barrar a ideia”.
Eu disse: “Bem, que engraçado. Eu sentia…” “Não”, disse ele, “eu achei que você detestaria isso.” Então descobrimos que quatro ou cinco de nós havíamos tido o mesmo pensamento. Todos tínhamos medo uns dos outros. Isso não é tolice?
Havíamos lutado juntos, batalhado juntos, orado juntos, sofrido juntos dores de parto — literalmente — por determinadas questões. No entanto, ainda havia uma espécie de escravidão que acabava se infiltrando e nos inibia, de modo que pensávamos: “Fulano não gostaria disto. Fulano não gostaria daquilo”. Todos estávamos inibidos.
Isso não é tolice? Quando fizemos aquilo, houve tanta alegria. Não quero dizer que iríamos permanecer daquela maneira; foi apenas algo que o Senhor nos deu naquela ocasião. Mas, quando o Senhor quer nos conduzir por algum novo caminho que trará nova vida, nova vitalidade e uma nova expressão, é tão maravilhoso simplesmente fazer a vontade de Deus, em vez de nos sentirmos, de alguma forma, inibidos e presos.
Nosso tempo acabou, mas eu queria muito tratar desta outra questão. Posso apenas destacá-la bem brevemente? Esta questão em Isaías 58:7:
Não é repartir o teu pão com o faminto,
E recolher em tua casa os pobres que foram expulsos?
Quando vires o nu, que o cubras;
E que não te escondas da tua própria carne?
Aqui está a segunda grande questão. Precisamos tratar de toda esta questão da opressão e da escravidão na atmosfera, nas condições que enfrentamos como congregações dos filhos do Senhor e na vida individual entre nós. Esta próxima questão é o que chamo de amor e compaixão em todos os relacionamentos.
Ah, amados irmãos e irmãs, ouçam-me nesta questão. Nossa maior tendência é nos tornarmos uma espécie de maquinaria espiritual.
Basta nos apropriarmos de uma verdade e, de alguma maneira, não demora muito para que, em vez de sermos libertados por ela, nós a sistematizemos. Não pensem que isso não acontece conosco. Dizemos: “Não, mas nós cremos no que é orgânico. Não cremos em sistemas”. Ainda assim, podemos nos tornar uma maquinaria espiritual.
Ouçam esta palavra: “Repartir o teu pão com o faminto”. Vocês perceberam que agora isso se torna mais pessoal? O teu pão. “Repartir o teu pão com o faminto. Recolher em tua casa os pobres que foram expulsos. Quando vires o nu, cobri-lo. Não te esconderes da tua própria carne.”
Não pense que isso seja algo que cabe aos outros. É algo em você. É algo em mim que Deus quer. Todos estamos esperando que os outros cuidem dos necessitados. Deus diz: “Reparte o teu pão”.
Não fique apenas dizendo: “Cuide de seu irmão, de sua irmã”. É o seu pão. Você tem pão? Reparta-o. Compartilhe-o. Você tem uma casa? Traga os pobres para sua casa. Sejam eles aflitos, sejam eles solitários. Você está vestido? Cubra alguém que está nu. Você tem pessoas de sua própria família? Não as ignore.
Às vezes sinto, irmãos e irmãs, que a verdade sobre a igreja — ouçam-me —, a verdade sobre a igreja, à qual, somente pela graça de Deus, dediquei uma boa parte de minha vida, pode se tornar algo frio, duro e mecânico.
Não existe verdade sobre a igreja sem amor. Não existe revelação do corpo de Cristo sem compaixão.
Se Aquele que é o mesmo ontem, hoje e para sempre está em mim, e eu estou Nele, é possível que haja pessoas famintas das quais eu não cuido, pessoas solitárias, desamparadas e aflitas que nunca trago para minha casa? É possível que haja alguém nu e eu nunca o cubra?
É possível que eu me esconda de meus próprios parentes sob o pretexto de servir ao Senhor? Eu digo: é Corbã — dedicado ao Senhor.
A Palavra de Deus diz que aquele que não cuida de sua própria família é pior do que um incrédulo.
Agora, querido amigo, isso não se limita ao aspecto físico. Há necessidade, não é? Mesmo aqui, em nossa sociedade altamente urbanizada, há muitas pessoas desamparadas, solitárias e aflitas. Algumas delas são ricas, mas continuam pobres. São desamparadas, solitárias, vazias, sem rumo. Ninguém se importa. Ninguém se dá ao trabalho de cuidar.
Às vezes estamos tão preocupados com a verdade sobre a igreja que nem sequer amamos. Toda esta questão de Sião tem a ver com os famintos, os desamparados, os aflitos, os solitários e os nus.
Há também um lado espiritual nisso. Deus lhe deu alguma revelação de Si mesmo? Você a compartilha? Ou usa a revelação que recebeu para condenar seus irmãos e irmãs?
“Batista do Sul. Fundamentalismo. Metodista. Morreram há uns cinquenta anos. Se ao menos Deus lhes mostrasse algumas coisas.” Vejam, é tão fácil se tornar exclusivista.
Alguns de vocês, irmãos e irmãs, sofreram em movimentos que começaram com Deus e se tornaram uma denominação. Dizemos isso com tristeza no coração. Mesmo com toda a verdade sobre a igreja que há no mundo, aquilo se tornou algo frio, metálico, duro. É usado para julgar os outros e condená-los.
Em vez disso, precisamos enxergar que, se você é um vencedor — eu gostaria de conhecê-lo, se for; oro para que eu possa ser um —, se você é um vencedor, você faz parte, como nosso querido irmão Sparks costumava dizer, da equipe de trabalho que vai à frente.
Você faz parte da equipe de trabalho que foi adiante para limpar todo o lugar e fazer todo o trabalho sujo, todo o trabalho difícil e tudo mais, para que os demais possam entrar e desfrutar. Digo que isso faz valer a pena ser um vencedor, vocês não acham?
Isso elimina toda essa superioridade de elite e torna a questão aquilo que realmente é: uma questão de serviço. Entregamos nossa vida para que nossos irmãos e irmãs possam entrar.
Reparte o teu pão. Traga para sua casa os pobres, os necessitados, os desamparados e os que foram expulsos. Cubra aquele que está nu. Você faz isso? Você encontra alguém que caiu em pecado, alguém que caiu em um problema ou em uma dificuldade? Você o cobre?
Ou simplesmente o acusa? Ah, vejo isso na casa de Deus repetidas vezes. Alguém caiu e, não demora muito, as pessoas estão ao telefone por toda parte: “Você soube? Você soube? Fulano caiu em pecado”. Então contam todos os detalhes escandalosos.
O amor cobre uma multidão de pecados.
Ele não aprova o pecado, mas nunca se alegra com o pecado. Cobrir significa saber como restaurar alguém que caiu, em espírito de mansidão — firmeza, verdade, mansidão. Somente Deus pode nos ajudar.
Você se esconde de sua própria carne? Há uma pequena passagem maravilhosa em Deuteronômio 22:
Não verás o boi de teu irmão ou a sua ovelha desgarrados e te esconderás deles: certamente os reconduzirás a teu irmão.
E se teu irmão não estiver perto de ti, ou se não o conheceres, então o recolherás em tua casa, e ficará contigo até que teu irmão o procure; então lho restituirás.
E assim farás com o seu jumento; e assim farás com a sua veste; e assim farás com toda coisa perdida de teu irmão, que ele houver perdido e tu houveres encontrado: não te poderás esconder.
Não verás o jumento de teu irmão ou o seu boi caídos pelo caminho e te esconderás deles: certamente o ajudarás a levantá-los.
Não te escondas da tua própria carne. Conheço alguns cristãos que usam a casa de Deus e toda a questão de Sião como desculpa para não assumir nenhuma responsabilidade por suas famílias. Isso não está certo. Não podemos nos esconder de nossa própria carne.
Que Deus nos ajude nesta questão, porque temos aqui a mais gloriosa promessa:
Então romperá a tua luz como a alvorada.
Vocês não querem isso? Eu quero.
Então romperá a tua luz como a alvorada,
E a tua cura brotará apressadamente;
E a tua justiça irá adiante de ti;
A glória do Senhor será a tua retaguarda.Então clamarás, e o Senhor responderá;
Gritarás, e Ele dirá: Eis-Me aqui.
Que Deus nos ajude nesta questão. Não é uma mensagem fácil de transmitir, mas diz respeito à obra de Sião. Podemos ter ideias maravilhosas sobre o ministério de Sião — atalaias sobre o muro, um ministério de intercessão e de dores de parto —, mas também precisa haver este rompimento de toda opressão e este amor e compaixão em todos os relacionamentos.
Deus falou com você? Vamos pedir-Lhe que vele sobre esta Palavra e faça com que ela se torne carne e sangue.
Querido Senhor, poucos de nós, Senhor, não ficam aquém, de uma maneira ou de outra, quando se trata de algumas dessas coisas sobre as quais temos falado. Ó Senhor, perdoa-nos e purifica-nos, Senhor, nós Te pedimos, e dá-nos verdadeira tristeza segundo Deus, que conduza ao verdadeiro arrependimento, à libertação e à salvação.
Senhor, ajuda aqueles de nós que têm responsabilidade em Tua obra a lidar com toda esta questão da opressão e da escravidão. Senhor, vem sobre nós, nós Te pedimos, pelo Teu Espírito. Libera Teu Espírito dentro de nós de uma maneira nova e mais profunda, para que, Senhor, essas coisas que tão frequentemente pesam sobre nossa vida juntos como Teu povo sejam quebradas no nome do Senhor.
Em nossos períodos de oração, Senhor, dá-nos graça para enfrentar essas coisas, para nomeá-las e para quebrá-las em oração, por meio da obra consumada do Cordeiro e no nome de nosso Senhor Jesus. Pai, ajuda-nos nisso.
E, Senhor, quando se trata de amor, bem, Senhor, todos nós ficamos aquém nessa questão. Precisamos que esse Teu amor seja derramado em nosso coração. Não queremos morder e devorar uns aos outros. Antes, queremos obedecer à lei régia:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Senhor, ajuda-nos. Há pessoas famintas, desamparadas, pobres, aflitas e nuas — se não fisicamente, espiritualmente — por toda parte. Ajuda-nos, ó Senhor, nós Te pedimos.
Queremos que a justiça de Sião saia como o resplendor e a sua salvação como uma lâmpada que arde. Queremos que Tu estabeleças Sião e faças dela um louvor na terra. Senhor, ajuda-nos nesta questão.
Vela sobre Tua Palavra para a cumprir. Apaga qualquer coisa que tenha sido dita de maneira imprópria. Pedimos isso no nome de nosso Senhor Jesus. Amém, Pai.