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    The Travail for Zion
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    Lambert, Lance

    As dores de parto por Sião

    Se vocês quiserem abrir a Bíblia nesta manhã nas profecias de Isaías, no capítulo 62 — o sexagésimo segundo capítulo de Isaías.

    Estou lendo a American Standard Version de 1901.

    Por amor de Sião não Me calarei,
    e por amor de Jerusalém não descansarei,
    até que a sua justiça saia como um resplendor,
    e a sua salvação como uma lâmpada que arde.

    E as nações verão a tua justiça,
    e todos os reis a tua glória;
    e serás chamada por um nome novo,
    que a boca do Senhor designará.

    Também serás uma coroa de beleza na mão do Senhor,
    e um diadema real na mão do teu Deus.

    Nunca mais serás chamada Desamparada;
    nem a tua terra será mais chamada Desolada:
    mas serás chamada Hefzibá,
    e a tua terra, Beulá;
    porque o Senhor Se agrada de ti,
    e a tua terra será desposada.

    Porque, como o jovem desposa uma virgem,
    assim teus filhos te desposarão;
    e, como o noivo se alegra com a noiva,
    assim o teu Deus Se alegrará contigo.

    Sobre os teus muros, ó Jerusalém, coloquei vigias;
    jamais se calarão, nem de dia nem de noite:
    vós que fazeis o Senhor lembrar-Se, não descanseis,
    nem Lhe deis descanso,
    até que Ele estabeleça Jerusalém,
    e até que a faça objeto de louvor na terra.

    O Senhor jurou pela Sua mão direita,
    e pelo braço da Sua força:
    Certamente não darei mais o teu cereal por alimento aos teus inimigos;
    e estrangeiros não beberão o teu vinho novo,
    pelo qual trabalhaste:
    mas os que o recolheram o comerão e louvarão o Senhor;
    e os que o ajuntaram o beberão
    nos átrios do Meu santuário.

    Passai, passai pelas portas;
    preparai o caminho do povo;
    levantai, levantai a estrada;
    retirai as pedras;
    erguei um estandarte para os povos.

    Eis que o Senhor proclamou até os confins da terra:
    Dizei à filha de Sião:
    Eis que vem a tua salvação;
    eis que a Sua recompensa está com Ele,
    e o Seu galardão diante Dele.

    E lhes chamarão O povo santo,
    Os remidos do Senhor:
    e tu serás chamada Procurada,
    Cidade não desamparada.

    Oração inicial

    Vamos nos inclinar em oração?

    Ó Pai, queremos de fato agradecer-Te porque estamos reunidos aqui em nome do Teu Filho, nosso Senhor Jesus. Ó Pai, nós Te agradecemos porque é Teu desejo encontrar-Te conosco, e porque desejas que algo de toda a Tua tão grande salvação e provisão em nosso Senhor Jesus — Teu grande propósito para Ele e por meio Dele — nos seja revelado neste dia.

    Ó Senhor, Tu conheces nossa fraqueza e nossa incapacidade, tanto para falar como para ouvir. Nós Te agradecemos porque também providenciaste a unção, e nesta manhã nos firmamos pela fé nessa unção. Que a Pessoa do Espírito Santo torne reais para nós as coisas de nosso Senhor Jesus.

    Pai, concede que nossos corações, Senhor, sejam iluminados; que nos seja dado aquele espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele; e que, Senhor, ao ouvirmos estas palavras, nos seja dada revelação, nos seja concedida visão. Senhor, que qualquer véu sobre os olhos do nosso coração seja removido pela obra consumada do Cordeiro.

    Ó, todos nós precisamos vê-Lo com mais clareza e compreender mais plenamente o que Ele significa. Amado Senhor, faze isso, nós Te pedimos, ainda nesta manhã. Nós nos entregamos a Ti, para que esta manhã seja um encontro Contigo e um receber de Ti. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    As dores de parto por Sião

    Temos considerado, pelo menos nos períodos que ficaram sob minha responsabilidade, toda essa questão de Sião. Pensamos na batalha por Sião, e ontem à noite consideramos a edificação de Sião. Na verdade, poderíamos passar quase todo o restante do tempo simplesmente desenvolvendo o que dissemos ontem à noite sobre a edificação de Sião.

    Nesta manhã, quero falar sobre as dores de parto por Sião — as dores de parto por Sião. Naturalmente, isso se apoiará bastante no que dissemos sobre a batalha por Sião e a edificação de Sião. Na verdade, a batalha por Sião visa dar início à edificação de Sião, e as dores de parto por Sião visam à conclusão dessa edificação.

    Ouçam esta palavra em Isaías 62:1:

    Por amor de Sião não Me calarei,
    e por amor de Jerusalém não descansarei,
    até que a sua justiça saia como um resplendor,
    e a sua salvação como uma lâmpada que arde.

    Agora, quem está falando? É o profeta Isaías quem está falando, ou é o próprio Messias? Se vocês olharem Isaías 61:1, é o Messias Quem está falando:

    O Espírito do Senhor Deus está sobre Mim;
    porque o Senhor Me ungiu
    para pregar boas-novas aos mansos;
    enviou-Me para curar os quebrantados de coração,
    para proclamar liberdade aos cativos,
    e a abertura da prisão aos que estão presos;
    para proclamar o ano do favor do Senhor,
    e o dia da vingança do nosso Deus;
    para consolar todos os que choram;
    para conceder aos que choram em Sião
    uma grinalda em vez de cinzas,
    o óleo de alegria em vez de pranto,
    a veste de louvor em vez do espírito de abatimento;
    para que sejam chamados árvores de justiça,
    plantação do Senhor, para que Ele seja glorificado.

    Como precisamos disso, não é? A veste de louvor em vez do espírito de abatimento.

    Agora, é o Messias Quem está falando. Quando vamos a Lucas 4, nosso Senhor Jesus realmente disse na sinagoga:

    Hoje se cumpriu esta Escritura aos vossos ouvidos.

    Foi numa sinagoga em algum lugar da Galileia — se em Nazaré ou em Cafarnaum, não me lembro bem —, mas nosso Senhor disse:

    Hoje estas palavras se cumpriram aos vossos ouvidos.

    É, então, o Messias Quem continua dizendo:

    Por amor de Sião não Me calarei,
    e por amor de Jerusalém não descansarei.

    Ou é o profeta quem está falando? Pois em Isaías 61:10 temos:

    Regozijar-me-ei grandemente no Senhor,
    a minha alma se alegrará no meu Deus;
    porque Ele me vestiu com as vestes da salvação,
    cobriu-me com o manto da justiça,
    como o noivo se adorna com uma grinalda,
    e como a noiva se enfeita com suas joias.

    Naturalmente, quase não preciso dizer a vocês que as profecias de Isaías não foram escritas em capítulos e versículos. Alguns cristãos têm a ideia de que o Espírito do Senhor disse: “Agora, este é o capítulo 61, versículo 1”, e então o ditou; depois vieram o versículo 2 e o versículo 3, e então uma nova divisão de capítulo — o capítulo 62.

    Esses capítulos e versículos foram acrescentados muito tempo depois. Devemos agradecer a Deus por eles, porque imaginem como estaríamos se não houvesse capítulos e versículos para localizar rapidamente as passagens das Escrituras. Se eu tivesse citado alguma coisa e dito: “Agora, onde está? Em algum lugar no meio de Isaías”, e não houvesse capítulos nem versículos, teríamos de percorrer todo o livro de Isaías para encontrar exatamente onde estava.

    Esses capítulos e versículos são de enorme ajuda, tanto para memorizar as Escrituras como para localizar rapidamente determinadas declarações ou promessas da Palavra de Deus. Mas às vezes não nos ajudam a compreender uma passagem, porque tendem a interromper seu fluxo. De uma forma ou de outra, nós nos limitamos a um capítulo, sem perceber que muitas vezes o capítulo seguinte fazia parte da mesma profecia.

    É minha convicção que essas palavras em Isaías 62:1 são as palavras do Messias. Se são as palavras do Messias, então me parece bastante claro que temos uma revelação tremendamente importante do encargo que está em Seu coração.

    Por que digo isso? Por causa de Isaías 62:6:

    Sobre os teus muros, ó Jerusalém, coloquei vigias;
    jamais se calarão, nem de dia nem de noite.

    Não consigo imaginar o profeta Isaías assumindo essas palavras como suas. Parece-me que é o Messias Quem está falando. Portanto, a declaração anterior também é a palavra do Messias:

    Por amor de Sião não Me calarei,
    e por amor de Jerusalém não descansarei.

    Temos aqui uma revelação do coração do Messias. Temos, por assim dizer, uma janela para esse encargo, para essas dores de parto do Seu Espírito.

    Sião como habitação de Deus

    Agora, sabemos que o Senhor Jesus morreu por Sião. Ao nos voltarmos para Efésios, só posso fazer uma referência muito breve ao que dissemos ontem. Para quem não estava conosco, estávamos falando sobre Sião, e eu disse que Sião é o cerne de toda a questão.

    Lemos em Salmos 132:13-14:

    Porque o Senhor escolheu Sião;
    desejou-a para Sua habitação.
    Este é o Meu lugar de descanso para sempre:
    aqui habitarei;
    porque a desejei.

    Assim, compreendemos, desde o princípio, que Deus tem em Seu coração toda essa questão de Sião. Tem sido um anseio por um lugar de descanso, um lugar de descanso eterno, uma habitação, um lar no qual Ele possa ser plenamente Ele mesmo. É Sua base, se preferirem — Seu quartel-general. A partir dali, Ele sai para fazer todas as outras coisas que deseja fazer; mas esse é Seu lugar de descanso.

    Naturalmente, o Senhor está usando uma linguagem de escola dominical. Ele está expressando uma verdade tremenda e vital, mas, para que possamos compreendê-la, está usando termos que entendemos. Ele fala de um lar, de uma habitação, de um lugar de descanso.

    O Senhor não precisa descansar. Ele não cochila nem dorme. Não precisa de um lugar de descanso nesse sentido. Mas tomou essa ideia de um lugar de descanso como algo em que encontra prazer — um lugar onde pode ser plenamente Ele mesmo; onde pode revelar as intimidades do Seu coração; onde pode desvendar os segredos do Seu coração e da Sua mente. Isso é um lugar de descanso. É um lar.

    A Bíblia tem muitas maneiras diferentes de falar sobre isso, mas esse é o cerne de toda a questão. Essa era a ideia de Deus ao criar a humanidade. Por que o homem foi criado, afinal? Porque Deus não habita no céu, nem nas montanhas, nem nos mares, nem nas florestas. Todas essas coisas O expressam — Sua glória, Seu poder, até mesmo Sua sabedoria —, mas Ele não habita nelas.

    Deus não habita nos lugares que chamamos de igrejas — quero dizer, nos edifícios que nós mesmos construímos, por mais belos ou simples que sejam. Algumas pessoas parecem pensar que, se temos um edifício tremendamente simples, Deus gosta dele e vem morar ali; mas, se temos algo barroco, rococó, ornamentado e dourado, então Deus não consegue suportá-lo.

    Como se tudo o que Deus já fez fosse simples! Basta olhar para a criação. Uma margarida é uma flor muito simples, mas um crisântemo é uma flor bastante ornamentada, e uma orquídea é incrivelmente ornamentada. Deus Se expressa em tudo isso.

    Deus não diz: “Bem, aí está um belo edifício puritano, simples. Gosto dele. Vou entrar e Me sentir em casa”. E depois, a respeito de algum edifício ornamentado: “Não, não gosto nem um pouco disso. Vou passar longe”. Não, Deus não está interessado em casas, lares ou edifícios que chamamos de igrejas e lugares de culto. Esse não é o lugar de descanso de Deus.

    O lugar de descanso de Deus são homens e mulheres remidos pelo sangue do Cordeiro — pedras vivas, edificadas juntas. Alguns de nós são mais ornamentados, e outros são mais simples, mas Deus ama a todos nós. Ele nos entrelaça numa unidade maravilhosa.

    A diversidade de Sião

    Algumas pessoas ficam muito incomodadas com aqueles que consideram instáveis demais, agitados demais, espalhafatosos demais. Mas, sabem, Deus ama alguns desses Seus filhos tão exuberantes. Ele ama pessoas que soltam um aleluia de vez em quando e se entusiasmam com as coisas.

    Vivo entre pessoas muito, muito comedidas. Falamos das verdades espirituais mais tremendas como se estivéssemos conversando por cima da cerca do jardim. Precisamos manter a compostura, não é? Não podemos nos entusiasmar. Entusiasmar-se é vulgar — grosseiro e vulgar.

    Isso me lembra um episódio encantador ocorrido alguns meses atrás em Jerusalém, no Jardim do Túmulo. Chegou um grupo das Índias Ocidentais — da Jamaica —, metade de pessoas brancas e metade de pessoas negras. Percorreram todo o Jardim do Túmulo, viram o Gólgota e o Calvário de Gordon, entraram no túmulo aberto e depois se sentaram.

    O querido irmão responsável por guiá-los, um jovem muito comedido, começou a lhes contar um pouco da história do jardim. Todos estavam muito quietos — nada de améns, nada de aleluias —, pessoas muito agradáveis, decentes, boas, como os episcopais, muito agradáveis.

    Então, de repente, ele notou uma querida senhora, de rosto tão negro quanto carvão, olhando para dentro do túmulo aberto. Uma lágrima escorreu por sua face. E então, de repente, ela ergueu bem alto as mãos e gritou: “Aleluia!”

    Depois deu uma estrela ali no túmulo. Ela tinha sessenta anos. Deu uma estrela e terminou com as pernas balançando no ar. Havia algum objeto de vidro em sua bolsa, e, quando a bolsa caiu, ele se quebrou.

    Sabem, eu presenciei isso. Pensei que o Senhor devia ter amado aquela senhora. Pensei: “Agora, se nós, britânicos, fizéssemos isso, o Senhor diria: ‘O que vocês estão fazendo?’” Mas aquele foi o momento dela. Olhou para aquele túmulo aberto, Deus lhe revelou alguma coisa, e aquela foi a única maneira que encontrou de expressá-la.

    Algumas pessoas dizem que isso é tudo da alma, mas não sei. Acho que às vezes o Senhor ama isso. É uma expressão de adoração. Não estou pedindo que todos deem estrelas, mas estou dizendo que classificamos e condenamos uns aos outros porque achamos que todos deveriam ser iguais.

    Fico imaginando como será o céu. De vez em quando, pergunto-me se cantaremos uma canção como aquela canção africana que cantamos há pouco, porque haverá muitíssimos africanos lá. Vocês acham que todos cantaremos melodias alemãs solenes ou belos hinos britânicos? Não, acho que não.

    Haverá novas melodias maravilhosas que, de algum modo, abrangerão todo tipo de ser humano que Deus criou. Essa é a maravilha de Sião.

    Não importa se vocês nasceram naturalmente nos Estados Unidos, na Europa, na Grã-Bretanha, na Dinamarca, na Finlândia, no Japão, na Índia ou onde quer que seja. Se nasceram de novo em Sião, pertencem a Sião. Vocês não perdem suas características, seu temperamento nem sua formação cultural; mas são de Sião. Foram trazidos à Sião de Deus.

    Imagens bíblicas de Sião

    Quando olhamos para Efésios, é admirável a maneira como Deus descreve isso. Em Efésios 3:6, Paulo fala do mistério de Cristo:

    Que os gentios são coerdeiros,
    membros do mesmo corpo,
    e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho.

    Isso não é maravilhoso? Fomos feitos um.

    Agora, voltem a Efésios 2:15-16:

    Tendo abolido em Sua carne a inimizade,
    a saber, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças;
    para criar em Si mesmo, dos dois, um novo homem,
    fazendo assim a paz.

    Não somos apenas coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes; somos um novo homem.

    Então Efésios 1:22-23 diz:

    E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés,
    e O deu à igreja como cabeça sobre todas as coisas,
    a qual é o Seu corpo,
    a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.

    Aqui está a Cabeça, e nós somos o corpo. Somos a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.

    Agora, olhem Efésios 2:20-22:

    Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas,
    sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular;
    no Qual cada edifício, bem ajustado,
    cresce para ser um templo santo no Senhor;
    no Qual também vós sois juntamente edificados
    para habitação de Deus no Espírito.

    Agora somos um templo. Não somos apenas Cabeça e corpo; não somos apenas um novo homem; não somos apenas coerdeiros e coparticipantes. Somos também um só templo no Senhor, uma habitação de Deus no Espírito.

    Vocês compreendem como o Espírito Santo toma este termo, aquele termo e outro termo, descrevendo algo tão profundo, tão eterno, tão significativo, que precisa usar todos esses termos diferentes para descrever essa unidade fundamental entre Deus e os remidos?

    Então, em Efésios 5:25-27, temos a imagem do noivo e da noiva:

    Maridos, amai vossas mulheres, assim como Cristo também amou a igreja,
    e Se entregou por ela;
    para santificá-la,
    tendo-a purificado pela lavagem da água com a palavra,
    para apresentá-la a Si mesmo como igreja gloriosa,
    sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante;
    mas santa e irrepreensível.

    Isso não é admirável? Isso é Sião. Essa é a Sião de Deus.

    Chamar-te-ão A cidade do Senhor,
    A Sião do Santo de Israel.

    Querido povo de Deus, tudo isso precisa, de algum modo, ganhar expressão aqui embaixo. Precisa tornar-se carne e sangue. Tem a ver com meu relacionamento com meu Senhor, meu relacionamento com vocês e o relacionamento de vocês comigo. Tem a ver com as localidades em que vivemos. Nosso relacionamento com o Senhor é submetido à prova decisiva em nossos relacionamentos uns com os outros na localidade.

    A determinação do Messias em favor de Sião

    Tudo isso tem uma importância tremenda quando voltamos a essa questão das dores de parto por Sião. Encontramos aqui essa maravilhosa revelação da determinação do Senhor. Qual é a Sua determinação?

    Ele não apenas entregou Sua vida por essa Sião. Não apenas comprou Sião com Seu sangue. Não apenas a produziu por meio de Sua obra consumada, criando-a, por assim dizer, de Si mesmo — de Sua própria vida, do osso e da carne, do sangue e da água que saíram de Seu lado traspassado.

    Mas Seu grande encargo de intercessão, neste exato momento à direita da Majestade nas alturas, é que a justiça dela saia como um resplendor, e a sua salvação como uma lâmpada que arde.

    Nosso Senhor tem um encargo tremendo. Se vocês não amam as pedras que estão em ruínas, se o pó de Sião nada significa para vocês, então não compreendem o que Sião significa para nosso Senhor. É um encargo permanente. É a base das dores de parto de Sua alma e de Seu Espírito — de Seu ministério de intercessão à direita de Deus Pai.

    A justiça como resplendor

    Vejam estas palavras:

    Por amor de Sião não Me calarei.

    Isso é poesia hebraica. Está escrito em paralelismo. Primeiro:

    Por amor de Sião não Me calarei.

    Depois:

    Por amor de Jerusalém não descansarei.

    Jerusalém corresponde a Sião, e “não descansarei” corresponde a “não Me calarei”.

    Mas, no hebraico, há uma pequena e bela diferença entre essas palavras. A primeira significa ficar em silêncio, inativo, imóvel. O Senhor diz: “Por amor de Sião, não ficarei imóvel. Não ficarei inativo”.

    A segunda palavra significa ficar quieto ou não ser perturbado. No hebraico moderno, é uma palavra muito comum. Vocês a ouvem numa cidade judaica, numa vila, num kibutz ou num moshav: um pai ou uma mãe dizendo a uma criança: “Sheket! Sheket! Sheket!” Fique quieto. Parado. Silêncio.

    O Senhor diz: “Por amor de Sião, não ficarei inativo. Não ficarei imóvel. Por amor de Jerusalém, não ficarei imperturbável. Não ficarei quieto”.

    Agora, vejam esta bela palavra, resplendor:

    Até que a sua justiça saia como um resplendor.

    É uma palavra muito bonita. Está relacionada ao nome hebraico Noga, frequentemente usado para mulheres e meninas.

    Temos isso belamente expresso em 2 Samuel 23:4, nas últimas palavras do rei Davi:

    Ele será como a luz da manhã,
    quando nasce o sol,
    uma manhã sem nuvens;
    quando a tenra erva brota da terra,
    pelo claro resplendor depois da chuva.

    Essa bela palavra, resplendor, é aquela claridade que vem depois da tempestade — a maravilhosa claridade que aparece depois da chuva. Haverá tempestades. Haverá batalha. Haverá conflito. Haverá terríveis tempestades espirituais.

    Mas, graças a Deus, o encargo do Senhor Jesus é que, em meio a tudo isso, ao fim de tudo, finalmente, essa Sião seja um claro resplendor depois da chuva. Que pensamento maravilhoso: a justiça como resplendor.

    Todos verão nela a justiça de Deus. Verão a obra justificadora de Deus por meio do Senhor Jesus em Sua Sião. Ah, se a igreja fosse assim! Se os Estados Unidos pudessem ver a obra justificadora do Senhor Jesus nos santos — se pudessem vê-la em sua comunidade, em sua vida em conjunto, em seu trabalho e ministério.

    Não a justiça deles no sentido de estarem fazendo muitas coisas boas — embora isso faça parte —, mas, fundamentalmente, a obra justificadora Dele. É por isso que Isaías havia dito no capítulo anterior:

    Regozijar-me-ei grandemente no Senhor,
    a minha alma se alegrará no meu Deus;
    porque Ele me vestiu com as vestes da salvação,
    cobriu-me com o manto da justiça,
    como o noivo se adorna com uma grinalda,
    e como a noiva se enfeita com suas joias.

    A salvação como lâmpada ardente

    O Senhor diz que não ficará inativo, nem quieto, nem imperturbável, até que a justiça dela saia como um claro resplendor depois da tempestade, do temporal e da chuva. Mas a sua salvação será como uma lâmpada que arde.

    A palavra usada aqui para lâmpada não é menorá, o candelabro de sete braços. Seria muito interessante para nós, mestres da Bíblia, se fosse! Mas, na verdade, trata-se da tocha — a grande tocha flamejante.

    Aqui está algo muito bonito: salvação. Quando meu querido povo judeu nos diz: “Onde está Jesus em nossas Escrituras?”, aqui está Ele. Aqui está a salvação. Em hebraico, é Yeshua. O nome de Jesus em hebraico é Yeshua. Ele está aqui.

    Até que a sua salvação seja como uma lâmpada que arde — para que Jesus seja visto até os confins da terra; para que Sua glória, Sua beleza e Sua obra sejam vistas por meio de Sua Sião, de Sua Jerusalém, até os confins da terra.

    Ah, as dores de parto e o encargo do Senhor nesta mesma manhã, até mesmo por nós aqui. Não precisamos lamentar diante do Senhor? Não precisamos chorar diante do Senhor quando pensamos em nossos grupos, em nossa comunhão — em sua pobreza, em sua falta de poder, em sua fraqueza?

    Onde está a justiça saindo como um resplendor em nossas comunidades, nas comunidades não salvas em que estamos? Onde está a salvação — o próprio Jesus —, em Seu amor, Sua graça e Sua verdade, ardendo como uma lâmpada até os confins da terra?

    Então a passagem continua:

    E as nações verão a tua justiça,
    e todos os reis a tua glória.

    Sabemos que isso nunca se realizará e se cumprirá de maneira definitiva até que Jesus volte. Quando Ele voltar, então, e somente então, o resplendor de Sião será finalmente visto. A sua justiça sairá como um resplendor até os confins da terra. Todas as nações verão a sua justiça, e todos os reis, a sua glória.

    Mas, queridos amigos, isso não é apenas para o futuro. Esse encargo do Senhor não é apenas para o futuro. A obra precisa ser feita agora. A qualquer pessoa que me diga que o Senhor não pode levar a igreja na terra a uma condição em que sua justiça seja vista pelas nações como um resplendor, e sua salvação como uma lâmpada que arde — se vocês me disserem que isso não pode ser feito, só posso dizer que, então, nunca será feito.

    A obra precisa ser feita agora em nós e em nossos relacionamentos uns com os outros nos lugares onde vivemos. Se as comunidades em que estamos, como grupos de filhos de Deus, não estão sentindo ao menos algum impacto de Sua presença, então há algo errado em algum lugar.

    Esse é o encargo do Senhor. Não se pode ter pedras vivas edificadas juntas sobre o fundamento correto sem que, de uma forma ou de outra, algo da glória do Senhor comece a transparecer e a tocar homens e mulheres não salvos, e até mesmo a comunidade em trevas ao nosso redor.

    O novo nome, a beleza e a autoridade de Sião

    Nosso Senhor continua e diz:

    Serás chamada por um nome novo,
    que a boca do Senhor designará.
    Também serás uma coroa de beleza na mão do Senhor,
    e um diadema real na mão do teu Deus.

    Isso é maravilhoso. Não vou entrar em todos os termos, mas essas não são o tipo de coroa a que estamos acostumados do nosso lado do Atlântico. Estamos acostumados a magníficas coroas de ouro e pedras preciosas incríveis. Lembro-me de quando fui à Torre de Londres e vi pela primeira vez as joias da coroa. Nossa, fiquei boquiaberto.

    Então pensei: “Como a rainha conseguiu colocar tudo aquilo na cabeça?” Eu imaginaria que aquilo lhe quebraria o pescoço. Lembro-me da coroação: aquela coisa enorme com todos aqueles diamantes, esmeraldas, safiras e todo aquele ouro, com uma grande cruz em cima. Meu Deus!

    Mas essa coroa de beleza é, na verdade, uma grinalda — a grinalda oriental de beleza ou glória. O diadema é, de fato, um turbante. Espero que isso não incomode nenhum de vocês, mas literalmente significa um turbante: um turbante real.

    O que é um turbante real? O que é uma coroa de beleza? A grinalda é algo que fala de uma recompensa, de uma posição à qual alguém chegou. Um diadema real é a insígnia da autoridade divina.

    Portanto, temos aqui três coisas maravilhosas:

    • Um novo nome: algo inteiramente novo — uma nova criação, uma nova natureza, uma nova vida, um novo destino e uma nova esperança.
    • Glória e beleza: a beleza do Senhor nosso Deus sobre nós.
    • Autoridade: a insígnia da autoridade divina.

    Essas são as três coisas que deveriam caracterizar a Sião de Deus. Ela é inteiramente algo de Deus. É solo santo, solo separado. Precisa encontrar Nele todas as suas fontes de renovação, Nele seu poder, Nele sua sabedoria — tudo Nele. É uma nova criação, um novo homem, uma nova vida.

    Em segundo lugar, ela deve ser a beleza do Senhor. Queridos amigos, como é triste quando tudo o que temos é tanto falatório sobre doutrina — sobre isto, aquilo e aquilo outro —, e há uma feiura lastimável nos santos.

    Vocês entendem o que quero dizer. Não há nada de atraente. Qualquer jovem que entrasse fugiria para bem longe de nós. Somos tão pouco atraentes — tão grosseiros, de algum modo sem frescor e sem vivacidade.

    Ah, que haja uma coroa de beleza — a beleza do Senhor nosso Deus sobre nós, de tal maneira que, quando as pessoas a percebam, digam:

    Queremos ver Jesus.

    Elas veem Jesus em nós. Veem algo continuamente renovado, algo fresco, algo vivo, algo que atrai jovens e idosos; algo que atrai o pecador e o publicano; algo que atrai aqueles cujas vidas são vazias, sem rumo, infelizes, distorcidas, despedaçadas.

    Elas veem em nós uma beleza pela qual anseiam em seu coração. Tantas vezes, porém, o que veem é um bando de pessoas antiquadas e quadradas, vestidas de cores escuras e sombrias, usando expressões antiquadas, presas a toda sorte de pequenos detalhes — se vamos passar pela tribulação ou ser arrebatados antes da tribulação —, brigando umas com as outras: choques, aversões, amarguras, ciúmes, rivalidades.

    Ó Deus, que peso isso coloca sobre o coração do Senhor Jesus. O desejo deveria ser não apenas um novo nome, mas uma coroa de beleza e um diadema real.

    A autoridade divina na oração

    Nosso irmão tem falado sobre oração. Amigos, não se trata apenas, como ele se esforçou muito para deixar claro, de recitar pedidos. Vocês podem reunir os santos para recitar alguns pedidos: “Senhor, faz isto; Senhor, faz aquilo; Senhor, abençoa fulano; Senhor, abençoa isto”. Todos nós podemos fazer isso.

    Mas o que precisamos é de autoridade na oração. Precisamos ser unidos e forjados numa Sião do Santo de Israel de tal maneira que Ele governe no meio de nossos inimigos e o cetro de Sua força saia de Sião.

    De uma forma ou de outra, podemos chegar a uma posição em oração na qual decretamos algo porque é a vontade de Deus — e isso acontece.

    Ah, que Deus nos faça um diadema real. Naturalmente, virá um dia em que essa nova criação será totalmente revelada, quando todas as coisas antigas tiverem passado, e aquelas palavras finalmente se cumprirão em plenitude:

    Eis que faço novas todas as coisas.

    Haverá aquele dia em que Sião descerá do céu, tendo a glória de Deus. Será uma coroa de beleza. As nações andarão em sua luz porque a glória de Deus a iluminará, e o Cordeiro é a lâmpada. A cidade é o candelabro, e todas as nações andarão em sua luz.

    Será um diadema real. O trono de Deus e do Cordeiro estará nela. Seus servos verão Seu rosto, O servirão e reinarão para todo o sempre.

    Querido amigo, se essa Sião é apenas um conto de fadas — algum belo paraíso lendário, mítico, lá em cima, que nenhum de nós jamais pode tocar e que não tem nenhuma consequência prática para nossa vida aqui na terra —, consigo entender por que nada acontece.

    Mas, se essa Sião é uma realidade, e se nosso Senhor tem um encargo por ela e intercede por ela, então certamente deve haver algo de sua glória aqui embaixo agora. Certamente deveria haver algo de sua novidade, algo de sua nova natureza, algo do novo homem revelado aqui embaixo.

    Certamente deveria haver algo da beleza e da glória do Senhor manifestamente sobre nós. Certamente deveria haver alguma autoridade divina exercida e aplicada em nome de nosso Senhor Jesus, o Rei que Deus estabeleceu em Sião.

    O casamento de Sião e a nova geração

    Vejam estas palavras maravilhosas:

    Nunca mais serás chamada Desamparada;
    nem a tua terra será mais chamada Desolada:
    mas serás chamada Hefzibá,
    e a tua terra, Beulá.

    Hefzibá significa: “Meu prazer está nela”. Beulá significa: “Casada”.

    Talvez surpreenda vocês que a palavra hebraica para marido esteja relacionada a baal, que significa senhor ou dono. Isso fazia parte da terrível natureza do culto a Baal — o deus da fertilidade supostamente casado com uma deusa. Mas, em hebraico, uma mulher podia se referir ao marido como seu senhor ou dono. Receio que a libertação feminina tenha muito pouco a ver com a língua hebraica.

    A Bíblia diz:

    Nunca mais serás chamada Desamparada ou Desolada.
    Serás chamada Beulá.

    Você pertence a Alguém. Está casada. Isso não é maravilhoso? Eu acho maravilhoso.

    Agora, ouçam isto:

    Porque, como o jovem desposa uma virgem,
    assim teus filhos te desposarão.

    Há pais e mães aqui nesta manhã? Ouçam esta palavra. Há pessoas na igreja realmente preocupadas com a nova geração? Ouçam esta palavra maravilhosa.

    Não diz: “Como o jovem desposa uma virgem, assim teu Senhor te desposará”. Diz:

    Como o jovem desposa uma virgem,
    assim teus filhos te desposarão.

    A nova geração estará casada com vocês. Vocês não perderão a nova geração. Ela será feita uma com a geração mais velha.

    Ah, que promessa para pais e mães. Muitas vezes, nosso maior peso em relação aos filhos é que, ao crescerem, eles se voltam contra as coisas de Deus. Acham nossas reuniões tão mofadas e empoeiradas, antiquadas e quadradas. Não os culpamos. Muitas vezes, eles enxergam as falhas, os defeitos e as fraquezas do povo de Deus com mais clareza do que qualquer outra pessoa na igreja.

    Tenho precisado me conter para não fazer perguntas às crianças, porque, quando visito os grupos, são elas que deixam escapar os segredos. Dizem coisas sobre certas pessoas do grupo, e é absolutamente verdade. Perceberam suas excentricidades, suas esquisitices e suas pequenas hipocrisias. Quando crescem, podem se voltar contra tudo isso.

    Ah, se pudéssemos compreender que o encargo do Senhor por nós é que essas crianças, santificadas por pais crentes — ou mesmo por apenas um dos pais crente —, estejam unidas em casamento à Sião de Deus. Em vez de divorciadas de Sião, em vez de afastadas de Sião, deveriam estar casadas.

    Porque, como o jovem desposa uma virgem,
    assim teus filhos te desposarão.

    Não seria maravilhoso se, nestes últimos dias, cada filho de um pai ou de uma mãe cristã aqui — todos os jovens ligados a qualquer grupo aqui — estivesse casado com aquilo que Deus fez em nós? Não é apenas estar envolvido; é estar casado, feito um.

    Não há barreira de idade. Não há jovens e idosos separados. De uma forma ou de outra, eles foram fundidos naquilo que Deus está fazendo. Que coisa maravilhosa para aqueles de nós que estão envelhecendo. Não podemos evitar; faz parte do processo natural.

    Sei que a Escritura diz que nossa juventude será renovada como a da águia, e, graças a Deus, conheço uma irmã lá onde moro que tem noventa e sete anos. Ela vai com disposição a todas as reuniões, vem de vários quilômetros de distância e muitas vezes faz o caminho a pé. É realmente admirável.

    Essa senhora, aos noventa e sete anos, cuida de seis ou sete mulheres a quem chama de suas velhinhas. Levanta-se às cinco da manhã todos os dias para cuidar delas, preparar seu café da manhã, sentar-se ao lado delas quando estão morrendo. Diz que são suas velhinhas, e todas têm vinte anos a menos do que ela.

    Se alguma vez houve uma Dorcas, é essa querida irmã. Agora, aos noventa e sete anos, ela está começando a perder as forças. Bem, não me surpreende.

    À medida que envelhecemos, de uma forma ou de outra, as verdades podem ficar cristalizadas. Precisamos de pessoas mais jovens, não é? Elas entram na reunião cheias de perguntas. Alguns queridos irmãos mais velhos tentam dominá-las, sufocá-las, reprimi-las. “Não queremos esse tipo de coisa na reunião.”

    Mas que coisa maravilhosa quando alguns jovens começam a fazer perguntas: “Por que vocês, irmãs, usam alguma coisa na cabeça?” Isso nos faz pensar, não é? Bem, deveria. “Por que vocês oram desse jeito, e desse, e desse?” Isso nos faz pensar.

    De repente, enquanto envelhecemos, tornamo-nos jovens outra vez, porque precisamos repensar, meditar, refletir e orar. Os jovens trazem nova vida para nós, e nós lhes damos algo que temos. Tudo se renova. Louvado seja Deus.

    A comunhão dos vigias

    Agora, acho melhor deixarmos isso e passarmos a esta outra questão: a comunhão com o Senhor. Se temos a determinação do Senhor revelada, também temos aqui a comunhão com o Senhor.

    Isaías 62:6-7 diz:

    Sobre os teus muros, ó Jerusalém, coloquei vigias;
    jamais se calarão, nem de dia nem de noite:
    vós que fazeis o Senhor lembrar-Se, não descanseis,
    nem Lhe deis descanso,
    até que Ele estabeleça Jerusalém,
    e até que a faça objeto de louvor na terra.

    Aqui está a comunhão dos vigias sobre os muros. Qual é a tarefa de um vigia? A tarefa de um vigia é guardar. A palavra hebraica significa exatamente isso: alguém que vigia ou guarda. No hebraico moderno, a palavra shomer é usada para policiais — vigias.

    Eles vigiam tanto dentro como fora da cidade. Vigiam para ver se há algum perigo à espreita nas áreas ao redor, fora dos muros. Vigiam dentro da cidade para garantir que não haja incêndio, insurreição nem rebelião que possa destruí-la por dentro.

    Eles têm um ministério duplo: dentro e fora. Vigiam sobre os muros e junto aos muros, porque os muros são pontos elevados. Dos muros, pode-se enxergar muito longe — tanto para fora como para dentro.

    Se vocês já estiveram sobre os muros de uma cidade antiga, sabem o que quero dizer. Não acho que tenham muitos muros assim nos Estados Unidos, embora talvez alguém me leve para ver alguns. Do nosso lado, no Oriente Médio e certamente na China, há muralhas tremendas — estruturas enormes, maciças. Dessas muralhas, tem-se uma visão privilegiada de toda a cidade e de toda a região ao redor.

    Vigias: sua tarefa é vigiar e guardar. Observem isto: esses vigias não estão apenas em Sião; estão sobre os muros. Ora, eles não estão apenas envolvidos. Estão cem por cento comprometidos.

    O Senhor anseia por uma comunhão com os Seus que não se limite a vocês estarem dentro dos portões da cidade. Vocês estão dentro de Sião, mas estão, de fato, sobre os muros de Sião. É preciso ser muito responsável para ser um vigia. É preciso estar muito comprometido. Tudo depende de vocês. Se dormirem, uma cidade inteira poderá cair.

    A intercessão exige uma realidade pessoal

    Os vigias não apenas sofrem dores de parto com o Rei de Sião para que os outros estejam na vontade de Deus. Eles se certificam de que eles mesmos estão no centro da vontade de Deus.

    Às vezes, fico admirado com a maneira como as pessoas oram pelos outros. “Ó Senhor, ajuda fulano a ser cem por cento para Ti. Ajuda-o a ir para Timbuktu.” No entanto, nós nem atravessaríamos a rua para falar do Senhor ao nosso vizinho. Que tipo de intercessão é essa?

    Se Deus não puder produzir realidade em nosso próprio coração, como posso orar para que você seja liberto de contendas e amargura se há contendas e amargura em meu próprio coração? Como posso orar para que você esteja disposto a ir até os confins da terra pelo Senhor e sacrificar sua vida se eu não estou sacrificando a minha?

    Intercessão é muito mais do que oração. Intercessão não é apenas uma questão de fazer pedidos, nem apenas uma questão de dedicar um pouco de tempo. Deus requer seu corpo. Ele requer você. Ele o fará passar por coisas pelas quais não fará outros passarem, porque quer tornar verdadeiro em você aquilo pelo qual você está sofrendo dores de parto.

    Se você está orando por Sião, para que sua justiça saia como um resplendor, Ele quer que você conheça a justiça Dele saindo como um resplendor em sua própria vida. Se você ora para que a salvação de Jerusalém seja como uma lâmpada que arde, Ele quer que ela seja uma lâmpada ardendo em sua vida.

    Ele quer que você conheça algo dessa novidade de vida, algo dessa coroa de beleza, algo desse diadema real. Quer realizar isso em você.

    Seus vigias não estão apenas orando para que outros sejam abençoados por Sião. Eles vêm como Sião. Eles mesmos estão totalmente comprometidos com Sião. Têm sua própria experiência das batalhas de Sião, do sacrifício de Sião e da batalha de serem bem ajustados uns aos outros em Sião — de serem edificados como uma cidade bem compacta. Têm sua própria experiência disso.

    As pessoas oram pela restauração da igreja e pela recuperação da igreja, e assumem uma atitude de grande superioridade em relação aos outros, mas elas mesmas nem sequer estão edificadas com outros crentes. Não sabem o que é humilhar-se diante de seus irmãos e irmãs. Não sabem o que é abrir-se diante de seus irmãos e irmãs. Não conseguem nem levar seus problemas à igreja.

    No entanto, dizem: “Que pena, todos esses cristãos. São tão ignorantes. Não enxergam o que nós enxergamos”.

    Mas, meu querido amigo, se você e eu vamos ser vigias sobre os muros de Sião — em comunhão com o Rei de Sião em toda essa questão do ministério de intercessão —, então precisamos ter nossa própria experiência do que significa perder a vida por amor Dele e por amor de Sião.

    Precisamos saber o que é estar totalmente à disposição do Senhor. Precisamos saber o que é sujeitar-nos uns aos outros, abrir-nos uns aos outros, compartilhar uns com os outros, relacionar-nos uns com os outros. Essas coisas são vitais. Não se pode ser vigia sobre os muros sem estar disposto a isso.

    Não consigo imaginar que um vigia desse tipo seja entrevistado e que tudo o que queiram saber seja se ele tem dois olhos, uma língua e duas pernas. “Ah, serve. Ponham-no lá em cima dos muros.” Não.

    Imagino que o rei e seu governo, ao entrevistarem pessoas para o posto de vigia, queiram saber: Que experiência você tem de Sião? Sabe o que acontece em Sião? Conhece a disposição de Sião? Conhece os bairros de Sião? Conhece os tempos de Sião, o propósito de Sião, o governo de Sião, o destino de Sião? Conhece essas coisas? Então pode ser um vigia.

    Aqueles que fazem o Senhor lembrar-Se

    Que Deus nos ajude nessa questão. A ordem do Senhor é:

    Não descanseis,
    nem Lhe deis descanso.

    Que palavra extraordinária.

    Isso traz à tona toda aquela questão que alguém levantou durante o período de perguntas de ontem: por que precisamos orar? Não sei todas as respostas. Só sei uma coisa: não estamos obrigando o Senhor a fazer algo que Ele não quer fazer.

    Orar não é encurralar o Senhor e, de algum modo, obrigá-Lo a salvar pessoas quando Ele não quer realmente salvá-las, ou obrigá-Lo a nos abençoar quando não quer nos abençoar.

    Não, acho que se trata muito mais do seguinte: temos uma enorme concentração de forças contra nós. Nosso Senhor poderia pulverizar tudo isso com um simples estalar de dedos, mas não o fará. Por quê? Porque Ele está nos treinando. É por isso.

    Ele diz: “Não, vou permitir que essas forças os dominem. Vou permitir que os comprometam. Vou permitir que quase apaguem a luz, a menos que vocês aprendam a se levantar em nome do Meu Filho e a resistir a esse tipo de coisa”. Vocês precisam aprender a exercer autoridade em nome do Senhor. Precisam aprender a sondar, por assim dizer, e a utilizar plenamente os recursos que lhes pertencem no Senhor.

    Vós que fazeis o Senhor lembrar-Se.

    Vocês realmente acham que o Senhor Se esquece? Não, é claro que não acho que Ele Se esqueça. Mas essa é toda uma questão de comunhão. É como se o Senhor estivesse dizendo: “Escutem, conheço a preguiça de vocês — especialmente de vocês aqui deste lado”.

    “Sei que, se puderem ter café instantâneo, terão café instantâneo. Se puderem ter creme instantâneo, terão creme instantâneo. Tudo é instantâneo. Sei que vocês são bons em atalhos — no caminho mais rápido para fazer qualquer coisa.”

    O Senhor está dizendo: “Não quero esse tipo de atalho. Não existe salvação instantânea, edificação instantânea da igreja, nova vida instantânea. Vocês precisam entrar em comunhão Comigo. Quero a comunhão de vocês”.

    Isso não é maravilhoso? Vocês ouviram? O Rei quer sua comunhão. Ele realmente quer você.

    Muitos de nós sofremos de um complexo de inferioridade. No fundo, nunca tocamos no assunto, mas sentimos: “Não acho que o Senhor realmente me note. Creio que o Senhor está atento àquele irmão, e creio que está atento àquele outro irmão — mas, quanto a mim, não tenho nenhuma certeza de que o Senhor esteja atento a mim. Não acho que Ele me responderia”.

    Muitos, muitos de nós sofremos desse complexo de inferioridade. Não esperamos que o Senhor fale conosco. Dizemos: “Ele não falaria comigo. Ah, não, mas estou orando porque a Bíblia diz que devemos orar, então preciso orar”.

    Assim, temos uma pequena válvula de escape psicológica. Falamos com Ele sobre isto, depois sobre aquilo, depois sobre outra coisa, e mais outra. Não esperamos que o Senhor entre em nosso íntimo. “Bem, Ele não faria isso. Está ocupado demais. Não pensaria em mim.”

    Mas o Senhor chamou você pelo seu nome. Você é conhecido pelo Senhor. Antes de ser formado, Ele o conhecia. Quando você estava no ventre de sua mãe, Ele já tinha Sua mão sobre você.

    Você é muito precioso para o Senhor porque é um dos habitantes de Sião. Por causa da presciência de Deus e da eleição de Deus, Ele o conhecia antes dos tempos eternos. Seu próprio nome estava no livro da vida do Cordeiro antes de o mundo começar.

    Está tudo ali. E você está me dizendo que Ele não conhece você? Você diz: “Bem, naturalmente, imagino que o Senhor tenha uma mente um tanto humana. Como Ele poderia conhecer todos esses milhões e milhões?” Escutem: fomos capazes de criar computadores e cérebros eletrônicos que podem despejar toda sorte de informações que nossa pequena mente não consegue processar com tanta rapidez.

    Você quer dizer que o Deus que nos deu a capacidade de criar um computador não tem uma mente muito maior do que qualquer cérebro eletrônico? Ele conhece cada um dos Seus. Conhece você intimamente. Conhece sua história. Conhece todas as coisas que fazem de você quem você é.

    Você é um habitante de Sião. Ele ama você. O que Ele ama ouvir é sua voz. De algum modo, consegue distinguir sua voz de todas as outras vozes.

    Se vocês pudessem compreender:

    Vós que fazeis o Senhor lembrar-Se.

    Não é que Ele precise ser lembrado, como se esquecesse. Ele quer sua comunhão.

    Fé, paciência e o cumprimento da promessa

    Agora precisamos terminar. Esse é nosso grande problema, não é? Em 2 Coríntios 1:20, está escrito algo maravilhoso:

    Pois, quantas sejam as promessas de Deus,
    Nele está o sim:
    por isso também por meio Dele é o Amém,
    para a glória de Deus por nosso intermédio.

    O “sim” às promessas de Deus está em Cristo, e por meio Dele é o “Amém”. Imagino que muitos de nós, quando estamos intercedendo, não tenhamos problema com o “sim” à promessa em Cristo. Mas é por meio Dele que vem o “Amém”.

    Por que o Senhor não diz: “Nele está o sim, e Nele está o Amém”? Não, Ele diz: “Nele está o sim, e por meio Dele é o Amém”. Em outras palavras, o Amém é um processo.

    É por isso que Hebreus 6:12 diz:

    Sede imitadores daqueles que, pela fé e pela paciência, herdam as promessas.

    O sim está em Cristo. Pela fé e pela paciência, por meio Dele, vem o Amém.

    Quando atravessaram o Jordão, bastou colocar os pés no leito do rio, e imediatamente as águas se acumularam rio acima, a alguns quilômetros dali, num lugar chamado Adã — o que hoje chamamos de Ponte Damia.

    Sim e Amém. Sim, em Cristo, à promessa de Deus:

    Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, eu vo-lo tenho dado.

    O Amém veio imediatamente.

    Quando chegaram a Jericó, o sim foi imediato, mas o Amém veio sete dias depois. Entenderam? Tiveram de dar voltas, e voltas, e voltas.

    Jerusalém levou quatrocentos anos — quatrocentos anos até que a conquistassem. Não estou dizendo que às vezes precisamos esperar quatrocentos anos, embora haja promessas do Senhor que aguardaram muito mais do que isso para se cumprir.

    Mas o fato é este: você e eu precisamos ser daqueles que fazem o Senhor lembrar-Se, e saber que isso é uma questão de comunhão com Ele — permanecer com Ele, permitir que algo da comunhão de Seus sofrimentos entre em nós, completar em nosso corpo o que falta das aflições de Cristo por amor de Seu corpo, a igreja.

    Precisamos conhecer algo dessas dores de parto — dessas dores de parto que estão no Espírito de Deus e que somente o Espírito de Deus pode trazer ao nosso coração e à nossa vida.

    A consumação do trabalho em Sião

    Em outra ocasião, falaremos sobre a última parte daqueles versículos:

    Passai, passai pelas portas.

    Comprometam-se. Não se reúnam na periferia. Atravessem a porta. Entrem.

    Mas tudo o que quero dizer é isto: grande parte de nosso trabalho cristão se enquadra na situação em que estrangeiros tomam aquilo pelo qual trabalhamos — outros chegam no último momento e levam aquilo pelo qual nos esforçamos.

    A promessa do Senhor é esta: se somos vigias sobre os muros de Sião, em comunhão com o Rei de Sião, o Messias, então virá um dia em que beberemos, nos átrios do santuário, o vinho novo pelo qual trabalhamos.

    Nós mesmos comeremos os cereais e os grãos que recolhemos, e louvaremos o Senhor. Sentiremos a conclusão de nossos trabalhos. Não apenas veremos uma colheita; desfrutaremos dela.

    Não consigo deixar de pensar que isso é uma referência à oferta pacífica, quando entravam nos átrios do santuário da casa do Senhor, sentavam-se e comiam juntos com aqueles que estavam ali.

    Que Deus nos ajude nessa questão de assumir a posição de quem sofre dores de parto. Não há outro caminho para que esse propósito de Deus se cumpra.

    Será que pode haver aqueles que sejam vigias sobre os muros de Sião, que não descansem nem Lhe deem descanso, que jamais se calem, nem de dia nem de noite? Que o Senhor faça assim.