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    Hebrews: Exhortation © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Hebrews: Exhortation
    Hebrews: Exhortation
    Kaung, Stephen

    Exortação à perseverança na fé

    Por favor, abram a carta aos Hebreus.

    Leitura bíblica: Hebreus 10:32-39

    Hebreus 10:32-39.

    Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de sofrimentos; em parte, sendo expostos publicamente a opróbrios e tribulações; e, em parte, tornando-vos companheiros daqueles que assim foram tratados. Pois tivestes compaixão dos que estavam presos e aceitastes com alegria o despojo dos vossos bens, sabendo que tendes para vós mesmos uma possessão melhor e permanente. Não abandoneis, portanto, a vossa confiança, que tem grande recompensa. Porque necessitais de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Pois ainda dentro de muito pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará. Mas o Meu justo viverá pela fé: e, se ele recuar, a Minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos dos que recuam para a perdição, mas dos que têm fé para a salvação da alma.

    Creio que todos sabemos que esta carta aos Hebreus é uma carta de exortação. Por quê? Porque, se vocês forem ao último capítulo, em Hebreus 13:22, verão que o escritor diz:

    Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis a palavra de exortação, pois vos escrevi em poucas palavras.

    Assim, o escritor revela sua intenção, a razão pela qual escreve esta carta. Esta é uma carta de exortação. E ele está dizendo: “Em poucas palavras”. Nós achamos que a carta aos Hebreus é longa, mas ela foi escrita em poucas palavras.

    Agora, o que é exortação? A exortação inclui duas coisas. Do lado positivo, é encorajamento. Do lado negativo, é advertência. Portanto, quando vocês recebem advertência de um lado e encorajamento do outro, estão sendo exortados. E é exatamente isso que esta carta é.

    O contexto histórico de Hebreus

    Sabemos que esta carta foi escrita aos crentes hebreus do primeiro século. Esses hebreus se voltaram para Cristo Jesus, e isso aconteceu antes da destruição de Jerusalém e do templo.

    Sabemos que Jerusalém e seu templo foram destruídos no ano 70 d.C., mas esta carta foi escrita antes disso. Em certo sentido, vocês verão que o escritor — ou podemos dizer o Espírito Santo, que é, de fato, o verdadeiro Autor — dirige esta carta àqueles crentes hebreus naquela época.

    Até hoje, não sabemos quem foi o escriba humano, mas sabemos que o Espírito Santo é, de fato, o Autor desta carta. Por que ela foi dirigida àqueles crentes hebreus? Porque eles estavam num momento muito crítico. Em certo sentido, estavam numa encruzilhada.

    Eles estavam sob pressão: voltariam do cristianismo para o judaísmo ou seguiriam adiante, deixando completamente o judaísmo para trás e entrando na pureza de Cristo? Esse era um momento muito crítico em sua vida.

    Antes, eles estavam no judaísmo, mas se converteram. Creram no Senhor Jesus. Havia a possibilidade de deixarem completamente o judaísmo para trás e avançarem para a plenitude de Cristo. Mas também havia a possibilidade de serem atraídos de volta ao judaísmo.

    Essa era, portanto, a condição dos crentes hebreus naquele momento. E, é claro, sabemos que a vontade de Deus era muito clara. A vontade de Deus para eles era que deixassem completamente o judaísmo para trás e entrassem na pureza de Cristo.

    Como sabemos disso? Porque sabemos que Deus estava determinado a fazer algo para mostrar qual era realmente a Sua vontade. E aquilo seria uma catástrofe para os hebreus — ou para os judeus —, porque Deus iria destruir Jerusalém e seu templo.

    Jerusalém e seu templo eram o próprio centro do judaísmo. Eram o que dava sentido ao judaísmo. Mas Deus iria destruir o templo e destruir Jerusalém. Por quê? Porque Ele queria que aqueles que criam em Seu Filho deixassem completamente a escravidão do judaísmo e entrassem na plena liberdade de Cristo.

    Portanto, a vontade de Deus era muito clara, e isso estava para acontecer. Mas, antes que acontecesse, Ele escreveu esta carta àqueles crentes hebreus para prepará-los. Em outras palavras, quando aquela catástrofe ocorresse, a fé deles não vacilaria; pelo contrário, seria fortalecida. Esse era o contexto desta carta.

    A relevância de Hebreus para o tempo presente

    Agora, queridos irmãos e irmãs, em certo sentido, esta carta é extremamente relevante para o nosso tempo. É claro que todos os livros da Bíblia são relevantes para o nosso tempo, mas, de maneira muito especial, sentimos cada vez mais que esta carta é muito, muito relevante para os nossos dias.

    Por quê? Porque estamos vivendo no fim do século XX, num momento muito crítico. Em certo sentido, estamos numa encruzilhada. Sabemos que Deus vai encerrar esta era muito em breve e vai inaugurar a era vindoura, que é o reino.

    Isso acontecerá muito em breve. E, como se diz no livro de Hebreus, tudo o que pode ser abalado será abalado — não apenas as coisas físicas, mas até mesmo as coisas na esfera espiritual. Tudo o que pode ser abalado será abalado, para que permaneça o reino que não pode ser abalado.

    Ou, dizendo de outra maneira, toda a criação será removida pelo abalo. Tudo o que pertence à velha criação será removido, para que a nova criação seja introduzida em plenitude. É isso que Deus vai fazer em nossos dias.

    Por causa disso, vocês veem que o conflito e a pressão neste tempo são grandes. Há uma pressão sobre o povo de Deus para empurrá-lo de volta ao sistema do mundo — não apenas política e economicamente, mas de todas as maneiras. Há uma grande pressão sobre o povo de Deus para empurrá-lo de volta ao mundo como sistema.

    Sabemos que o mundo é um sistema e que tem muitos aspectos. Um de seus aspectos é o religioso, e esse é o mais sutil. Vocês verão uma grande pressão sobre o povo de Deus para empurrá-lo para aquele sistema religioso chamado cristianismo — o cristianismo como sistema religioso.

    Mas o que Deus está procurando realizar em Seu povo é tirá-lo desse sistema e conduzi-lo ao cristianismo como Cristo. Há uma grande diferença entre o cristianismo como religião e o cristianismo como Cristo.

    Hoje há tanta confusão e tanta pressão sobre o povo de Deus para nos empurrar para o cristianismo como religião. Mas sabemos que Deus está procurando nos conduzir ao cristianismo como Cristo.

    Por quê? Porque o cristianismo como religião pertence ao mundo; pertence à velha criação e, por fim, será removido pelo abalo e passará. Mas o cristianismo como Cristo é aquele reino inabalável que permanecerá.

    Portanto, irmãos e irmãs, estamos hoje nessa encruzilhada. Precisamos de exortação. Precisamos muito de encorajamento nestes dias, e também precisamos de advertências. É disso que trata este livro.

    Três elementos da exortação

    Nesta manhã, sinto no coração o encargo de compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, apenas a passagem de Hebreus que acabamos de ler. Nesta passagem, vocês encontrarão três coisas. A exortação inclui três elementos distintos.

    A lembrança dos primeiros dias

    Primeiro, Hebreus 10:32:

    Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de sofrimentos.

    A exortação é: tragam à memória. Recordem. Lembrem-se. Lembrem-se dos primeiros dias, nos quais vocês receberam luz.

    Houve um tempo em que esses hebreus estavam no judaísmo. Estavam profundamente enraizados nas tradições dos pais. Eram um povo religioso. Pensavam que estavam servindo a Deus. Procuravam guardar a lei. Embora não conseguissem, continuavam tentando.

    Estavam sob a escravidão da lei. Serviam a Deus sem alegria e sem liberdade. Essa era a condição daqueles hebreus naquele tempo.

    Então ouviram o evangelho de Jesus Cristo, e receberam revelação. Tiveram uma visão de Cristo. Viram em Jesus o Messias prometido havia tanto tempo. Porque receberam essa iluminação e viram a luz, deixaram a escravidão da lei e entraram na liberdade de Cristo.

    Eles se converteram, foram regenerados e receberam uma nova vida. Viram uma nova luz, e toda a sua vida foi transformada. Entraram na liberdade e tinham grande alegria enquanto viviam na terra e serviam a Deus. Isso aconteceu nos primeiros dias.

    Havia aquele entusiasmo dos primeiros dias, quando viram a luz pela primeira vez, quando receberam pela primeira vez a visão e a revelação de Jesus Cristo. Foi um dia glorioso.

    Mas, com o passar do tempo, a pressão voltou a recair sobre eles. Embora houvesse pressão, eles não se importavam. Por quê? Porque, quando receberam iluminação naqueles primeiros dias, suportaram um grande combate de sofrimentos.

    A revelação e o combate de sofrimentos

    Agora, queridos irmãos e irmãs, sabemos que tudo o que é espiritual precisa começar com revelação — ou visão, como vocês preferirem chamar. Revelação é quando Deus lhes desvenda algo de Si mesmo: não à mente, nem aos sentidos físicos, mas ao espírito.

    Isso é revelação. Em outras palavras, bem no íntimo do seu espírito, algo lhes é aberto. Aquilo que antes era um mistério, um segredo, agora se torna conhecido no próprio ser de vocês. Tudo o que é espiritual precisa começar com uma revelação assim.

    Se não há revelação do alto, se não há visão em seu espírito, tudo de que vocês dependem é a tradição dos pais. As tradições dos pais podem ser corretas e exatas, mas vocês descobrirão que são pesadas. São uma escravidão.

    Isso sem falar que, muitas vezes, as tradições dos pais estão muito distantes do centro e podem até nos afastar daquilo que Deus realmente deseja. Mas, quando vocês recebem uma revelação do alto, começam a ter uma nova visão de Cristo. Isso realmente os liberta, lhes dá alegria, transforma sua vida e lhes dá um relacionamento vivo com Deus.

    Mas, ao mesmo tempo, vocês verão que haverá conflito e sofrimento. Isso sempre acontece. Sempre que há uma visão do alto, uma revelação de Cristo, haverá conflito, porque ela vai na contramão do mundo como sistema. É algo a que o inimigo se opõe.

    Portanto, haverá conflito. Não há como escapar do conflito. Muitas vezes encontramos irmãos e irmãs que realmente desejam revelação. Sabemos como a revelação é importante: precisamos ver em nosso espírito, não apenas ouvir.

    Precisamos ver em nosso espírito porque, quando vemos em nosso espírito, aquilo é vivo e real. Tem vida; tem poder. Como desejamos ter mais revelações e mais visões de Cristo — não algo além da Bíblia, porque toda a revelação de Deus está na Bíblia —, mas precisamos que o Espírito Santo nos desvende de maneira nova aquilo que já foi revelado. Todos precisamos disso e ansiamos por isso.

    Não pensem que, quando Deus lhes der uma revelação, não haverá conflito. Vocês precisam estar preparados para o conflito se desejam revelação. Se não querem conflito, então não peçam revelação. Vivam apenas na tradição, e não haverá conflito.

    Mas, se vocês querem revelação, certamente haverá conflito. Por meio do conflito haverá muito sofrimento — não necessariamente sofrimento físico. Em alguns lugares do mundo, vocês encontrarão sofrimento físico. Provavelmente aqui não encontram muito sofrimento físico, mas há sofrimentos mentais, angústia da alma e toda espécie de conflito e sofrimento espiritual. Eles certamente virão.

    Mas aqueles crentes hebreus, nos primeiros dias, suportaram esses sofrimentos. Seu sofrimento era grande, e seu conflito era grande. Por quê? Porque não apenas se solidarizavam com os que eram perseguidos; eles mesmos eram perseguidos.

    Até seus bens lhes foram tirados, mas eles não se importavam. Por quê? Porque aquela visão ainda estava viva diante deles. Sabiam que tinham uma possessão melhor e permanente.

    O que é essa possessão melhor, essa possessão permanente? Não é o próprio Senhor? Tudo neste mundo passará. Eles sabiam disso. Mas tinham visto Aquele que nunca passa. Tinham visto Aquele que é superior, a melhor possessão. Ele é a realidade verdadeira; as outras coisas são sombras.

    Por causa disso, puderam suportar um grande combate de sofrimentos. Mas, com o passar dos dias, pouco a pouco foram se cansando.

    Vocês se lembram de que a Bíblia diz que uma das táticas do inimigo é desgastar os santos. No início, eles estavam tão cheios de vigor. Conseguiam permanecer firmes; conseguiam continuar fiéis àquela visão, e aquela visão os levava adiante.

    Mas, gradualmente, quando as circunstâncias começaram a mudar e a pressioná-los, aquela visão foi ficando obscura. A revelação já não era viva para eles. Por causa disso, o mundo foi se tornando cada vez mais real, e a melhor possessão, Aquele que permanece, começou a se apagar de sua percepção.

    O perigo era que eles poderiam ser pressionados de volta ao judaísmo, para viver uma vida fácil, confortável e sem conflito, ou poderiam avançar. À medida que avançassem, haveria mais conflito e mais sofrimento, mas conheceriam as insondáveis riquezas de Cristo.

    Essa era, portanto, a situação naquele tempo. Quando as pessoas estão numa situação assim, qual é a palavra de exortação? Tragam à memória. Recordem. Recordem os primeiros dias, os dias do começo.

    A lembrança do passado como auxílio para prosseguir

    Agora, irmãos e irmãs, sabemos que, se estamos prosseguindo com o Senhor, não devemos olhar para trás. Vocês se lembram do que Paulo disse: esqueçam as coisas que ficaram para trás e avancem para as que estão diante de vocês.

    Essa deve ser a nossa atitude se estamos realmente prosseguindo com o Senhor. Não devemos olhar para trás. Porque, se vocês põem a mão no arado e olham para trás, o Senhor disse que não estão aptos para ser Seus discípulos. Por um lado, somos exortados a não olhar para trás.

    Mas aqui vocês verão que somos exortados a olhar para trás. Há alguma contradição? Não, não há contradição. Por quê? Porque depende da sua situação.

    Se vocês estão avançando de maneira firme, então são exortados a não olhar para trás. Mas, se estão vacilando, se começam a duvidar, se começam a sentir a pressão e a se questionar, então a exortação é: lembrem-se. Olhem para trás. Lembrem-se dos primeiros dias.

    Lembrem-se de quando ouviram o evangelho pela primeira vez. Lembrem-se de quando viram a luz pela primeira vez. Lembrem-se de quando tiveram uma visão de Cristo. Lembrem-se de quando Deus lhes revelou o mistério de Cristo. Lembrem-se de quando viram o propósito eterno de Deus. Lembrem-se de quando perceberam o que Deus realmente buscava. Lembrem-se. Recordem. Voltem àquilo e pensem a respeito.

    Isso nos fortalecerá.

    Por exemplo, no Salmo 42, vocês encontram o salmista nessa encruzilhada. Salmos 42:4:

    Destas coisas me lembro e derramo dentro de mim a minha alma: de como eu ia com a multidão e a conduzia à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, uma multidão em festa.

    Sabem, o salmista aqui estava numa solidão tão grande. Estava numa situação em que parecia ter perdido a presença de Deus. Naquele momento, o que poderia fortalecê-lo? A lembrança.

    Ele se lembrou das coisas do passado — de como ia com a multidão, de como ia com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor. Quando se lembrou e recordou essas coisas, vocês veem que sua alma foi reanimada e seu espírito despertou.

    Então, é claro, vocês se lembram de Apocalipse 2. A palavra do Senhor à igreja em Éfeso era que eles haviam abandonado o primeiro amor. O Senhor disse, em Apocalipse 2:5:

    Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras.

    Assim, sabemos que, quando uma pessoa está numa encruzilhada, sendo pressionada, vacilando e se questionando, a palavra de Deus é: lembre-se. Lembre-se dos primeiros dias, quando você recebeu a visão pela primeira vez. Em outras palavras, traga a visão novamente à memória.

    Agora, queridos irmãos e irmãs, é claro que sabemos que há crentes que não têm muita visão e revelação. Talvez tudo o que conheçam seja o Senhor Jesus como seu Salvador pessoal, e sua vida continue centrada em si mesmos, mesmo depois de crerem no Senhor Jesus.

    Essas pessoas, naturalmente, precisam de visão e revelação. Precisam conhecer o mistério de Deus, que é Cristo. Precisam conhecer o mistério de Cristo, que é a igreja. Precisam conhecer o pensamento de Deus de eternidade a eternidade — aquilo que Deus realmente busca. Precisam ter essa visão, a visão celestial, como Paulo diria.

    Mas, para aqueles que já tiveram essa visão, que passaram pelo conflito e que agora estão a ponto de voltar atrás, é hora de recordar a visão, para que ela se torne novamente viva e presente para nós.

    Ao vermos essa visão, ao recordarmos aquilo por que passamos por causa dela, vocês verão que isso fortalecerá nossas mãos e nos capacitará a prosseguir. Veremos que vale a pena.

    Na verdade, não há contradição. Se vocês estão prosseguindo firmemente com o Senhor, não olhem para trás; sigam adiante. Mas, se estão diminuindo o passo, chegando a parar e pensando se deveriam voltar atrás porque a pressão parece grande demais, então é hora de trazer à memória.

    Peçam ao Senhor que lhes faça recordar os primeiros dias, que traga novamente a visão que Ele lhes deu, para que sejam fiéis a ela. Essa é a primeira coisa que precisamos fazer.

    A manutenção da confiança em Deus

    A segunda coisa está em Hebreus 10:35:

    Não abandoneis, portanto, a vossa confiança, que tem grande recompensa.

    Não abandonem a sua confiança, ou não joguem fora a sua confiança, que tem grande recompensa.

    Agora, é claro, a confiança aqui não se refere à autoconfiança. Acho que todos sabemos disso. A confiança aqui significa que confiamos em Deus. Não temos confiança em nós mesmos.

    Se confiamos em nós mesmos, se depositamos nossa confiança em nós, não podemos prosseguir com o Senhor. Depois que cremos no Senhor Jesus, depois que somos salvos, creio que todos passamos por aquele período em que confiamos em nós mesmos.

    Agora somos salvos. Agora somos crentes. Somos cristãos. Agora devemos servir ao Senhor de todo o coração, e vamos fazê-lo. Guardaremos Seus mandamentos, agradaremos a Ele em tudo e estamos bastante certos de que conseguiremos.

    Acho que todos passamos por esse período. Então, depois de algum tempo, descobrimos que isso não funciona. Embora creiamos no Senhor, descobrimos que não há bem algum em nossa carne, mesmo depois de sermos salvos. Descobrimos que nossa carne não mudou.

    Pensamos que nossa carne passou da fraqueza para a força, mas descobrimos que ela não mudou. Ainda é o velho Adão. Ainda é a velha carne.

    Por meio de muitos tratamentos do Senhor — ou, para resumir numa palavra, a cruz —, começamos a conhecer a cruz. A cruz começa a eliminar nossa autoconfiança. Mas, graças a Deus, ela nos dá outra confiança: confiança em Deus. Começamos a confiar em Deus e sabemos que, Nele, nada é impossível.

    A confiança aqui não vem naturalmente. A confiança aqui vem por meio da experiência pessoal. À medida que experimentamos mais dos tratamentos de Deus, mais fracassos, mais derrotas e mais da operação da cruz em nossa vida, gradualmente nossa autoconfiança começa a diminuir, e a confiança em Deus começa a ser edificada e a crescer.

    Essa é a confiança de que se fala aqui. Aquilo que Deus edificou em vocês — essa confiança Nele —, não joguem fora. Por quê? Essa confiança terá grande recompensa.

    Vejam Salmos 118:8-9:

    Melhor é refugiar-se no Senhor do que confiar no homem. Melhor é refugiar-se no Senhor do que confiar em príncipes.

    Muitas vezes depositamos nossa confiança no homem. Esse homem pode ser você mesmo, alguém ao seu lado ou alguém que você admira. Frequentemente depositamos nossa confiança nos homens, mas a exortação é que é melhor confiar no Senhor do que no homem. É melhor depositar nossa confiança no Senhor do que em príncipes.

    Podemos parafrasear isso para incluir também as pessoas espirituais. Admiramos essas pessoas espirituais e dizemos: “Bem, elas são espirituais, então dependemos delas”. Não, não depositem sua confiança nessas pessoas chamadas espirituais, porque pessoas espirituais podem fazer coisas não espirituais se não depositarem sua confiança no Senhor.

    Portanto, simplesmente confiem no Senhor. Depositem sua confiança no Senhor.

    Salmos 65:5 diz:

    Com feitos temíveis nos responderás em justiça, ó Deus da nossa salvação, Tu, que és a confiança de todos os confins da terra e dos que estão longe, sobre o mar.

    Deus é o Deus da nossa salvação. Em outras palavras, a salvação vem somente Dele. Portanto, Ele é a confiança de todos os confins da terra, até mesmo das regiões distantes do mar.

    Então, outra passagem: Provérbios 14:26.

    No temor do Senhor há forte confiança; e Seus filhos terão um lugar de refúgio.

    No temor do Senhor há forte confiança. Em outras palavras, precisamos de confiança. Não podemos prosseguir se não tivermos confiança. Isso é verdade até nas coisas seculares. Mesmo no seu trabalho, se você não tiver confiança, não poderá continuar trabalhando. Precisamos de confiança — forte confiança.

    Mas sabemos que, em nossa vida cristã, nossa confiança está em Deus. Se temos confiança Nele, encontramos força; podemos prosseguir. Se essa confiança é abalada, então nós somos abalados.

    Em Filipenses 3, Paulo disse que não confiava na carne. Confiava em Deus. Era Nele que estava sua confiança.

    Mais uma vez, isso é algo que se aprende pela experiência. Essa confiança não vem automaticamente. Essa confiança vem pelo aprendizado. Vocês precisam aprender a ter essa confiança.

    Tomemos Paulo como exemplo. Se vocês lerem Filipenses, verão que ele tinha essa confiança em Deus. Por exemplo, Filipenses 4:12-13:

    Sei ser humilhado e sei também ter abundância: em tudo e em todas as coisas aprendi o segredo tanto de estar farto como de ter fome, tanto de ter abundância como de padecer necessidade. Tudo posso Naquele que me fortalece.

    Isso é confiança. Muitas vezes dizemos que, em nossa experiência espiritual, primeiro estamos tão confiantes de que podemos fazer tudo. Depois somos levados a um ponto em que dizemos: “Sem Ele, nada podemos fazer”.

    Mas esse não é o fim, porque, se fosse o fim, então não faríamos nada. Precisamos prosseguir e dizer: “Tudo posso Nele, ou por meio Dele, que me capacita”. Aqui vocês veem que Paulo tinha essa confiança.

    Antes de conhecer o Senhor, Paulo confiava em si mesmo. Era uma pessoa muito confiante. Achava que sabia o que estava fazendo e que era capaz de realizar o que queria.

    Mas, no caminho para Damasco, quando teve aquela visão, ela lhe tirou a autoconfiança. Ele perguntou ao Senhor: “O que devo fazer?” Toda a sua confiança havia desaparecido. Ele nem sequer sabia qual seria o próximo passo.

    Mas, graças a Deus, ele veio a conhecer sua confiança em Cristo:

    Tudo posso Naquele que me fortalece.

    Como ele chegou a esse ponto? Leiam Filipenses 4:11:

    Não digo isto por causa de necessidade: porque aprendi a contentar-me em qualquer estado em que me encontre.

    Em outras palavras, ele aprendeu. Você aprende. Aprender é um processo doloroso, mas aquilo que você aprendeu é precioso e duradouro.

    A cruz como fonte de confiança

    Vocês se lembram de que, em 2 Coríntios 12, Paulo passou por uma experiência muito dolorosa porque havia um espinho em sua carne. Como sabemos, a palavra “espinho”, no original, significa uma estaca. Não era apenas um espinho pequenino.

    Lembro-me da primeira vez em que estive em Israel. Peguei alguns espinhos, e eles eram assim tão compridos. Outra irmã pegou alguma coisa e, por um descuido, espetou-se. Foi realmente doloroso — realmente doloroso. Mas aquilo não se comparava à experiência de Paulo.

    O espinho na carne de Paulo era uma estaca. Não era apenas um pequeno espinho; era uma estaca cravada em seu corpo, em sua carne. Aquilo o enfraquecia.

    Por causa disso, ele clamou ao Senhor três vezes para que o Senhor removesse aquele espinho. Por quê? Porque aquilo o enfraquecia. Ele não queria ser fraco. Queria ser forte para o Senhor, tudo com boas intenções.

    Mas, por meio daquela experiência, o Senhor disse, em 2 Coríntios 12:9:

    A Minha graça te basta: porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.

    Em outras palavras, Paulo aprendeu a suficiência da graça de Deus por meio de uma experiência dolorosa. Porque aprendeu isso, o que ele disse? “Eu me glorio nas minhas fraquezas”.

    Agora, a palavra “gloriar-se”, ou ousadia, é o mesmo que confiança. Se você tem confiança, você se gloria. Se tem confiança, tem ousadia.

    Portanto, aqui vocês veem que Paulo disse: “Eu me glorio nas minhas fraquezas”. Por quê? Porque, quando sou fraco, então sou forte. Em outras palavras, eu sou fraco, mas Ele é forte, e Ele me fortalece. Tudo posso por meio Daquele que me capacita.

    A confiança de Paulo veio pelo aprendizado, pelas lições da cruz. É a cruz que nos dá confiança.

    Não pensem que a cruz é negativa. Muitas vezes ouvimos a mensagem da cruz, e ela nos dá uma espécie de sensação negativa: a cruz cortando, reduzindo tudo a zero, subtraindo e subtraindo. Parece algo muito negativo.

    Mas não, a cruz tem dois lados. De um lado, ela é negativa: reduz e subtrai. Sim. Mas também nos conduz à confiança positiva que está em Deus.

    A pior coisa que pode acontecer a um cristão é perder sua confiança. Em outras palavras, você olha ao redor e diz: “É impossível. Não pode ser. Não vai acontecer”.

    Vocês se lembram dos filhos de Israel no deserto. Eles perderam a confiança em Deus. Pensavam que Deus nunca poderia levá-los à terra prometida. Era simplesmente impossível.

    Porque perderam a confiança, peregrinaram pelo deserto e morreram no deserto. Essa é a pior coisa que pode acontecer aos cristãos. Precisamos de confiança, mas nossa confiança vem do alto — não está em nós mesmos, mas em Deus.

    Na mesma carta aos Hebreus, abram em Hebreus 3:6:

    Mas Cristo, como Filho, sobre a Sua casa; casa essa que somos nós, se conservarmos firmes, até o fim, a nossa ousadia e a exultação da nossa esperança.

    Em algumas versões, como a Versão Autorizada, vocês encontrarão a palavra “ousadia” traduzida como “confiança”, porque é a mesma palavra. Se, de fato, conservarmos firmes até o fim a confiança e a exultação da esperança.

    Então, Hebreus 3:14:

    Porque nos tornamos participantes de Cristo, se conservarmos firme, até o fim, o princípio da nossa confiança.

    Em algumas versões, vocês encontram a palavra “segurança” traduzida como “confiança”. É a mesma palavra. Se conservarmos firme até o fim o princípio da nossa segurança.

    Quando nossa visão está viva — isto é, quando a visão de Cristo está viva —, temos essa confiança em nós. Mas, quando a visão se torna obscura, começamos a perder a confiança. Começamos a nos perguntar se aquela visão algum dia se tornará realidade, se a promessa de Deus algum dia se cumprirá e se aquilo para o qual Deus nos chamou algum dia se tornará nossa vocação.

    Mas, se mantivermos essa confiança firme até o fim, vocês sabem o que acontece: somos a casa de Deus. Tornamo-nos companheiros de Cristo.

    Ser a casa de Deus é o chamado de Deus, mas vocês não são a casa de Deus em realidade se perdem sua confiança. No livro de Hebreus, vocês encontrarão muitas vezes a palavra se. Hebreus é um livro de exortação; portanto, é um livro de advertência.

    No que diz respeito a Deus, não há “se”. No que diz respeito à verdade em Cristo, não há “se”. Mas, quando chegamos à nossa experiência — à nossa experiência subjetiva —, ela está cheia de “se”.

    Quando se trata da nossa posição cristã, não há “se”, porque Cristo providenciou tudo para nós. Está consumado. Mas, quando chegamos à questão da nossa condição cristã, ela está cheia de “se”.

    Portanto, aqui vocês veem que o “se” está presente. Se conservarmos firmes até o fim a confiança e a exultação da esperança, então nos tornamos a casa de Deus. Em outras palavras, se não conservarmos firmes a confiança e a esperança até o fim, perderemos essa oportunidade.

    O mesmo é verdade em Hebreus 3:14. Tornamo-nos companheiros de Cristo. Pensem nisso. Que privilégio poder ser companheiros de Cristo — companheiros de vida.

    Mas há o “se”. Precisamos conservar firme até o fim o princípio da nossa confiança. Quando vimos a luz pela primeira vez, tínhamos confiança, mas precisamos conservar essa confiança firme até o fim.

    Se não o fizermos, perderemos a oportunidade de nos tornarmos participantes de Cristo, até mesmo Seus companheiros. Se conservarmos firme a confiança, sem jogá-la fora, haverá grande recompensa.

    Qual é a recompensa? Já a mencionamos. Então somos verdadeiramente a casa de Deus. Ele é o Filho sobre Sua casa, e nós somos verdadeiramente os companheiros de Cristo. Isso não é verdade apenas quando pensamos no futuro; é verdade até mesmo hoje.

    Portanto, não abandonem essa confiança.

    A perseverança e a promessa

    Porque necessitais de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.

    Ah, que possamos perseverar, fazer a vontade de Deus e receber a promessa.

    A vida pela fé

    Então, em terceiro lugar, Hebreus 10:38-39:

    Mas o Meu justo viverá pela fé: e, se ele recuar, a Minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos dos que recuam para a perdição, mas dos que têm fé para a salvação da alma.

    Acho que todos conhecemos essa citação, de Habacuque 2:4:

    O justo viverá pela fé.

    Ela vem do profeta menor Habacuque. O justo viverá pela fé.

    Somos justificados pela fé — essa é a mensagem de Romanos. Mas essa não é a ênfase aqui no livro de Hebreus. Sabemos que “o justo viverá pela fé” é citado três vezes no Novo Testamento e explicado três vezes.

    Uma vez é explicado em Romanos, e a ênfase está na justificação pela fé. Uma vez é explicado em Gálatas, e a ênfase está no que é a fé. Uma vez é explicado em Hebreus, e a ênfase está em viver.

    Há três ênfases diferentes. Em Romanos, o justo é justificado pela fé. Em Gálatas, a ênfase é a fé — o que é a fé. Em Hebreus, é viver. Como o justo vive? O justo vive pela fé.

    Na citação original, pode ser traduzido assim:

    O Meu justo viverá pela fé.

    O Meu justo. Portanto, isso não se refere à justificação inicial pela fé, como encontramos em Romanos.

    O que se menciona aqui é viver pela fé, não ser justificado pela fé. Já fomos justificados pela fé. Agora, daqui em diante, vivam pela fé.

    “O Meu justo” — isto é, aqueles que Eu justifiquei —, como devem viver? Viver pela fé. Não vivam pelo que veem, mas vivam pela fé. É isso que é a vida cristã.

    Se vocês ainda vivem pelo que veem, ficarão presos. Mas essa não é a maneira de viver que Deus determinou para vocês, porque vocês devem viver pela fé.

    O que é viver pela fé? É ver o invisível. Viver pelo que se vê é ver o visível. Viver pela fé é ver o invisível. É assim que vocês devem viver.

    Irmãos e irmãs, à medida que nos aproximamos do fim desta era, o que é visível se torna cada vez mais perturbador e desanimador. Quanto mais vocês olham para aquilo que podem ver, mais pensarão que não há esperança.

    Mas não devemos olhar para isso. Devemos ver Aquele que é invisível, que não mudou. Esse é o segredo de Moisés.

    No capítulo seguinte, vocês encontram os heróis da fé — a galeria da fé. Tudo o que se descreve ali diz respeito a essa questão de viver pela fé.

    Moisés tinha o Egito em suas mãos. Tinha a possibilidade de se tornar o faraó do Egito. Todas as riquezas do Egito estavam, quase podemos dizer, em suas mãos. Mas ele desprezou as riquezas do Egito. Preferiu tomar sobre si o opróbrio de Cristo e sofrer com o povo de Deus.

    Por quê? A Bíblia diz que ele via Aquele que é invisível. Via Aquele que não se vê. Isso é fé.

    Fé — o que é fé? Leiam Hebreus 11:1:

    Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, a convicção das coisas que não se veem.

    Gosto desta tradução porque está próxima do original: a fé é a substanciação das coisas que se esperam. As coisas que se esperam são coisas futuras, ainda não vistas e invisíveis.

    Agora, não é porque não são vistas, porque estão no futuro e são invisíveis, que são irreais. Não. Pensamos que tudo o que é invisível não é real, mas não, é real. Na verdade, é muito mais real.

    Mas não se vê. Como aquilo que não se vê pode ser visto? Como vocês podem trazer o futuro para o presente, de modo que ele se torne uma força para vocês? Pela fé.

    A fé substancia. A fé traz essa realidade até vocês: traz para o presente aquilo que está no futuro e torna visível aquilo que não se vê. Isso é o que a fé é. É assim que a fé opera — essa é a obra da fé.

    Devemos viver pela fé. O justo viverá pela fé, não pelo que vê. Mas, infelizmente, vocês encontram muitos crentes hoje vivendo pelo que veem. Olham ao redor, e seu coração desfalece. Olham para si mesmos, e desfalecem. Olham uns para os outros, e desfalecem.

    É o que se vê. Vivemos pelo que vemos. Quando vemos determinada situação, vivemos pelo que vemos. Onde está a esperança nisso?

    A fé no grande EU SOU

    Agora, o que é a nossa fé? Isso é explicado em Hebreus 11:6:

    Ora, sem fé é impossível agradar a Ele; porque aquele que se aproxima de Deus deve crer que Ele é e que é galardoador dos que O buscam.

    Essa é a fé de que Ele está falando. Não é a fé inicial. É a fé pela qual vivemos. Aquele que se aproxima de Deus precisa crer que Deus é.

    Infelizmente, porque isso não parece soar bem em inglês, vocês encontram tradutores que traduzem assim: “Aquele que se aproxima de Deus precisa crer que existe um Deus”. Mas vocês já creram há muito tempo que existe um Deus. Porque creem que existe um Deus, vocês se aproximam Dele.

    Se vocês não creem que existe um Deus, aproximam-se de nada. Portanto, vocês creem que existe um Deus e se aproximam Dele. Mas, quando se aproximam Dele, precisam crer — crer em quê? Crer que Ele é.

    Isso está na terceira pessoa. Mas, se vocês passarem para a primeira pessoa, o que será? Vocês precisam crer que EU SOU. Deus é o EU SOU.

    Vocês precisam crer que Ele é Aquele que é todo-suficiente. Ele é El Shaddai. Vocês se lembram de que Deus Se revelou a Abraão e lhe disse, em Gênesis 17:1:

    Anda diante de Mim e sê perfeito.

    Por quê? Porque:

    Eu sou o Deus Todo-Poderoso.

    Ele é o Deus todo-suficiente.

    Precisamos crer que Ele é. Ele é o grande EU SOU. E precisamos também crer que Ele recompensa os que O buscam. Ele é o grande Galardoador.

    Ele não é apenas o grande Doador; é também o grande Galardoador. Ele nos dá e nos recompensa se cremos Nele. É disso que a fé trata.

    Irmãos e irmãs, em nosso tempo, precisamos de fé. Precisamos nos aproximar de Deus, crendo que Deus é e que Ele é o Galardoador de todos os que O buscam.

    Se fizermos isso, poderemos deixar para trás tudo o que é visível ou pode ser abalado e abrir mão dessas coisas. Avançaremos em direção ao alvo.

    A proximidade da vinda de Cristo

    Graças a Deus, está escrito em Hebreus 10:37:

    Pois ainda dentro de muito pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará.

    Sabem, quando chega a noite, depois da meia-noite, já perto do amanhecer, esse é o momento mais difícil para permanecer acordado.

    Mas falta só um pouco, e Aquele que vem virá e não tardará. Irmãos e irmãs, sabemos que Ele está vindo.

    Falta só um pouco. Durante esse pouco tempo, vivemos o momento mais difícil. Se conseguiremos chegar ao fim ou se sucumbiremos, isso será determinado nesse período muito curto.

    Graças a Deus, o escritor de Hebreus diz:

    E, se ele recuar, a Minha alma não tem prazer nele.

    Em outras palavras, o Senhor não quer que recuemos. Ele quer que prossigamos.

    O escritor de Hebreus diz:

    Nós, porém, não somos dos que recuam para a perdição, mas dos que têm fé para a salvação da alma.

    A salvação da alma

    O que se menciona aqui é a salvação da alma. A perdição aqui não se refere à perdição eterna. O livro de Hebreus inteiro não trata de vida eterna ou morte eterna.

    Esse é o problema quando as pessoas procuram explicar Hebreus. Elas caem nessa armadilha porque pensam que Hebreus fala de vida eterna e morte eterna. Dizem: “Você é salvo e depois pode deixar de ser salvo. Pode voltar à perdição”.

    Mas a perdição aqui não se refere à perdição eterna. A perdição aqui se refere à era do reino.

    Portanto, a salvação aqui não é a salvação do espírito — nascer de novo. É a salvação da alma: ser transformado e conformado à imagem de Deus. Essa é a salvação da alma, e é isso que se menciona aqui.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, que sejamos daqueles que não recuam. Porque, se recuarmos, perderemos o reino.

    Durante o tempo do reino, não poderemos desfrutar da vida. É como perdição; não poderemos desfrutar da vida.

    Mas, se seguirmos o Senhor, seguirmos a visão e permanecermos fiéis até o fim, o que acontecerá? Chegaremos à salvação da alma. Seremos transformados e conformados à Sua imagem. Alcançaremos a filiação. Reinaremos e governaremos com Ele por mil anos. Essa é a promessa.

    Encorajamento final

    Irmãos e irmãs, creio realmente que, quando os crentes hebreus receberam aquela carta, foram profundamente exortados e encorajados.

    Então, quando chegaram os acontecimentos do ano 70 d.C. e aquela catástrofe se abateu, Jerusalém e o templo foram destruídos. Os judeus perderam sua fé; perderam tudo.

    Mas aqueles crentes hebreus, em vez de ficarem desanimados e abatidos, perceberam que Deus usou as circunstâncias para libertá-los da escravidão do judaísmo, para que pudessem entrar com plena certeza na pureza de Cristo.

    Que encorajamento aquilo deve ter sido. Irmãos e irmãs, que seja assim conosco hoje.

    Oração

    Vamos orar.

    Querido Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque Tu sempre nos exortas, nos encorajas e nos advertes. Nós Te louvamos e Te agradecemos por Tua palavra.

    Pedimos a Ti, ó Senhor, que nos capacites, pelo Teu Espírito, a recordar aqueles primeiros dias, quando recebemos a luz, quando Te vimos, quando nos foi dada aquela revelação dos Teus segredos e do Teu mistério.

    Nosso Pai, nós Te louvamos e Te agradecemos porque, pela Tua graça, pudemos perseverar e sofrer, e considerar tudo isso como nada — porque vale a pena sofrer por Ti e pelo Teu reino.

    Mas, nosso Pai, reconhecemos que estamos em perigo de perder gradualmente nossa visão e de sermos gradualmente controlados pelas coisas que vemos.

    Senhor, oramos para que não percamos nossa confiança em Ti; para que, pela fé, possamos ver a Ti, que és invisível; para que creiamos que Tu és o grande EU SOU, o Galardoador de todos os que Te buscam.

    Oramos para que, pela Tua graça, possamos prosseguir e chegar à salvação da alma. Ó Senhor, nesta manhã nos entregamos novamente a Ti e pedimos que nos conduzas até o fim, para que o Teu nome seja glorificado.

    Pedimos em Teu precioso nome. Amém.