Nesta manhã, gostaria de compartilhar algo com vocês. Vamos abrir em Provérbios 29:18, na primeira parte:
Onde não há visão, o povo se entrega à falta de freios.
Se não há visão, as pessoas se dispersam. As pessoas são arruinadas.
Vamos ler também Êxodo 3:1-5.
Ora, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midiã; e levou o rebanho para o lado ocidental do deserto e chegou a Horebe, o monte de Deus.
E o anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo, do meio de uma sarça: ele olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, mas não se consumia.
E Moisés disse: Agora me desviarei para ver esta grande visão, por que a sarça não se queima.
E, vendo o Senhor que ele se desviava para ver, Deus chamou-o do meio da sarça e disse: Moisés, Moisés. E ele disse: Eis-me aqui.
E Ele disse: Não te chegues para cá; tira os teus sapatos dos teus pés, porque o lugar em que estás é terra santa.
Vamos abrir também em Atos 26:19.
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
Leremos apenas essas porções das Escrituras.
Nestas duas últimas sessões, pela graça de Deus, consideramos o que Deus deseja na liderança espiritual.
Percebemos que, na obra de Deus, a questão da liderança é vital para os interesses de Deus. Se houver vasos e instrumentos adequados nas mãos de Deus, então o povo de Deus será abençoado. Se houver problemas com os líderes, o povo sofrerá muito.
Na liderança espiritual, não se trata de ocupar uma posição elevada e dar ordens. Pelo contrário, você se torna servo de todos. Torna-se escravo de todos.
Deus ainda procura, hoje, vasos assim. Se Ele encontrar vasos dispostos a se humilhar, dispostos a se colocar na brecha, então Deus poderá estabelecer Seu testemunho e começar a realizar Sua obra.
A liderança espiritual é de importância vital para o coração de Deus. Por isso, temos considerado a formação da liderança.
Vimos que essa questão depende inteiramente do próprio Deus.
Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi.
Deus não procura escolher aqueles que se consideram sábios. Ele não está interessado em escolher aqueles que se consideram poderosos. Ele não escolhe aqueles que se consideram nobres.
Muitas vezes, Deus procura aqueles que são loucos, aqueles que são fracos e aqueles que nada são.
Aqueles que se consideram sábios, poderosos e nobres, mas não estão dispostos a se entregar ao Senhor, querem confiar em seus próprios recursos naturais. Deus não pode usá-los.
Mas aqueles que são loucos, fracos e sem importância — se tiverem um coração disposto a aceitar o tratamento do Senhor — são o tipo de pessoa que Deus escolhe e usa.
Deus procura aqueles que reconhecem que nada têm em si mesmos e, ainda assim, foram escolhidos por Deus. Quando Deus os escolhe, eles não podem deixar de servi-Lo. Esse é o tipo de pessoa que Deus pode usar.
Nesta manhã, gostaríamos de dar mais um passo. Queremos considerar juntos, diante do Senhor, as Suas exigências.
Isso não depende do que temos ou do que possuímos naturalmente. Mas, quando Deus escolhe uma pessoa, Ele faz exigências a essa pessoa. Ele tem Seu padrão.
Se você não corresponde ao padrão Dele, pode ser chamado, mas não é escolhido. Se essas exigências não forem atendidas, Deus ainda não poderá usá-lo.
É claro que isso depende de nossa condição diante do Senhor. Se estivermos dispostos a nos colocar nas mãos do Senhor, dispostos a receber Seu tratamento e dispostos a receber a obra da cruz, então o Senhor poderá criar em nós a condição necessária para que sejamos usados por Deus.
Aqueles que ocupam uma posição de liderança são pessoas que podem influenciar outras. Se você quer influenciar outras pessoas, precisa primeiro ver algo por si mesmo. Precisa ser capaz de caminhar à frente das pessoas e, assim, encorajar outras a segui-lo.
Mas, se você mesmo não vê, se não sabe para onde está indo, como poderá conduzir outros?
Quem exerce liderança espiritual é alguém que consegue enxergar adiante. Ele vê algo. Tendo visto algo, pode compartilhar com outros o que recebeu e encorajá-los a prosseguir junto com ele.
Entre as exigências de Deus, a primeira é que tenhamos visão. Se não temos visão, as Escrituras dizem que o povo se entrega à falta de freios. Sem visão, não consegue avançar.
Um líder que tem visão pode compartilhá-la com aqueles que não a têm e conduzi-los adiante, em direção ao alvo.
O que é visão? Vemos algo com nossos olhos naturais. Às vezes, por Sua misericórdia, Deus pode permitir que vejamos algo sem usar nossos olhos físicos. Mas, falando rigorosamente, visão não é apenas algo que vemos sem nossos olhos naturais.
Visão é algo que vemos nas profundezas do nosso espírito. Quando o espírito se abre, Deus revela, nas profundezas do nosso espírito, o que está em Seu coração.
Do ponto de vista de Deus, isso é revelação. Do nosso ponto de vista, é visão.
Nosso Deus é um grande mistério. Ninguém conhece Deus. Ninguém sabe o que está no coração de Deus. Ninguém conhece a vontade de Deus. Ninguém sabe o que Ele está fazendo.
Mas, graças a Deus, um dia Ele deseja revelar-Se a nós. É como se uma cortina se abrisse.
Quando Ele Se revela a nós, nós O vemos nas profundezas do nosso espírito. Vemos o que está em Seu coração. Entendemos Sua vontade. Começamos a compreender o que Ele quer fazer nesta terra.
É isso que queremos dizer com revelação. A visão nos dá discernimento espiritual.
Não há visão num trabalho realizado sem visão. O trabalho sem visão é apenas trabalho — mero esforço e labuta.
Trabalhar sem visão é labutar, é se esforçar. Vemos muitas pessoas trabalhando arduamente, até mesmo à exaustão, porque tudo está sobre seus ombros. Elas precisam pensar numa maneira de fazer as coisas e usar sua energia natural para realizar a obra. É um trabalho árduo porque não há visão.
Por outro lado, algumas pessoas veem algo, mas não realizam trabalho algum. Essas pessoas são como quem está sonhando. Falam muito, mas nada é realizado.
Visão somada ao trabalho: isso é serviço espiritual.
Se realmente servimos ao Senhor, precisamos de visão e, então, acrescentamos o trabalho a ela. Assim, podemos servir ao Senhor.
A visão nos dá direção. A visão nos dá um plano. A visão nos dá um alvo.
Ao avançarmos, encontramos muitos obstáculos e problemas. Se não temos visão, não há força para prosseguir. Ficamos desanimados com muita facilidade.
Mas, quando realmente temos visão, não importa quais dificuldades encontremos, não podemos desistir, porque não temos outra escolha.
A visão ocupa um lugar muito importante na obra de Deus.
É triste dizer que há muitas pessoas fazendo o que parece ser a obra de Deus. Há todo tipo de obra nesta terra, e todas são realizadas em nome do Senhor Jesus. As pessoas podem pensar que estão fazendo tudo para o Senhor.
Mas muitas fazem as coisas de acordo com seu próprio pensamento e com sua energia natural. Pode haver muito entusiasmo e muitas realizações, mas, irmãos e irmãs, um dia teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo.
Se essas obras não tiverem valor eterno, o que restará?
Por causa disso, sentimos profundamente que precisamos ver algo diante do Senhor. Precisamos ver o que os homens não podem ver.
Moisés perseverou quando tirou o povo do Egito e encontrou muitos problemas, porque viu Aquele Que é invisível. Ele pôde perseverar até o fim.
Se não há visão na obra de Deus, ficamos facilmente desanimados e negativos. Mas, se temos visão, não podemos ser negativos. Temos de ser positivos. Não podemos desanimar, porque, interiormente, vimos algo.
A primeira coisa que precisamos perceber — especialmente aqueles que ocupam uma posição de liderança — é que devemos ter visão para conduzir outros.
Se nós mesmos não temos visão e, ainda assim, procuramos conduzir nossos irmãos, isso não é um cego guiando outro cego? Apenas andamos em círculos pelo deserto e, por fim, todos morremos ali. Não conseguimos entrar na terra prometida de Deus.
Esse é um dos maiores problemas que enfrentamos hoje.
Agradecemos a Deus porque, em todo o mundo, há muitos que conhecem o Senhor, muitos que são fervorosos pelo Senhor e muitos que se sacrificam pelo Senhor.
Mas uma coisa está faltando entre o povo de Deus: falta visão, particularmente entre aqueles que ocupam posições de liderança. Por causa disso, vemos o povo de Deus disperso, dividido e em ruínas.
Precisamos nos achegar ao Senhor e pedir-Lhe que nos dê o espírito de revelação, para que realmente O conheçamos. Em nosso espírito, precisamos ver algo; então, poderemos compartilhar com outros o que vimos da parte do Senhor.
Gostaria de usar dois exemplos das Escrituras — um do Antigo Testamento e outro do Novo Testamento — para mostrar a importância da visão.
No Antigo Testamento, Moisés era um servo de Deus, levantado por Deus para ser líder. Com essa pessoa em particular, podemos aprender muitas lições.
Moisés tornou-se líder não porque escolheu ser líder, mas porque Deus o escolheu.
Quando Moisés nasceu, humanamente falando, ele não poderia sobreviver, porque Faraó havia decretado que todos os meninos hebreus fossem lançados no rio Nilo. Faraó queria destruir toda aquela raça.
Do ponto de vista humano, desde o momento em que Moisés nasceu, ele deveria ter morrido. Moisés não escolheu tornar-se líder. Foi Deus Quem o escolheu.
Embora uma sentença de morte tivesse sido pronunciada contra ele, sua vida foi preservada pela misericórdia de Deus. Sua vida não apenas foi preservada, como ele passou quarenta anos no palácio de Faraó.
Ele aprendeu toda a sabedoria do Egito e tornou-se poderoso em palavras. Podemos ver a soberania de Deus preservando-o.
Moisés não escolheu Deus; Deus escolheu Moisés. Aos quarenta anos, Moisés decidiu visitar seus irmãos.
Não sabemos de onde veio essa motivação. Mas a mãe de Moisés tornou-se sua ama, e é possível que, enquanto o amamentava, tenha compartilhado com ele as coisas de Deus.
Antes de Moisés ser desmamado e levado ao palácio de Faraó, sua mãe pode ter lhe falado sobre o Deus de Israel. Talvez tenha dito: “A maneira como Deus preservou sua vida mostra que Ele deve ter um propósito para você. Talvez Ele o use para libertar Seu povo”.
Desde que Moisés era muito pequeno, essa semente foi plantada em seu coração. Mesmo depois de quarenta anos sob a influência e a educação do Egito, aquela semente em seu coração não pôde ser removida.
Quero dizer uma palavra às mães e aos pais. Deus coloca uma criança em suas mãos, e isso é uma grande responsabilidade.
Enquanto vocês cuidam dessa criança, precisam apresentar o Senhor a ela. Se a instruírem no caminho do Senhor quando ela for pequena, quando crescer não se desviará desse caminho.
Toda a sabedoria do Egito não pôde remover aquela semente do coração de Moisés.
Aos quarenta anos, Moisés teve o desejo de visitar seus irmãos. Ele saiu para libertá-los. Supunha que seus irmãos deveriam saber que ele era o líder deles.
Mas o conhecimento que Moisés tinha de Deus era apenas de segunda mão. Ele não tinha um conhecimento íntimo e pessoal de Deus. Tudo o que havia recebido viera por meio de sua mãe.
Ele se apoiou nessas informações de segunda mão e usou sua energia natural. Queria ser líder e libertador. Mas foi rejeitado por seus próprios irmãos e também por Faraó.
A liderança espiritual não é uma questão de ter algo em si mesmo. Moisés fugiu para o deserto e passou ali quarenta anos, aprendendo lições diante de Deus.
Por um lado, Deus permitiu que Moisés visse que tudo o que havia aprendido durante os primeiros quarenta anos — seus recursos naturais, suas habilidades naturais e tudo o que havia recebido do mundo — era inútil no que dizia respeito à obra de Deus.
Ele precisava permitir que essas coisas passassem pela morte. Não podia confiar nelas na questão da liderança.
Durante quarenta anos, Moisés teve de desaprender todas aquelas coisas que havia aprendido antes.
Por outro lado, Moisés entrou na escola de Deus. Durante aquele período, ele pastoreava no deserto. Estava em contato com a natureza e recebia coisas novas de Deus.
Por causa de seu fracasso anterior, ele passou a conhecer a si mesmo. Por causa de sua solidão no deserto, pôde aprender com o Senhor.
As Escrituras nos dizem que, certo dia, Moisés estava cuidando das ovelhas. No deserto, há muitas sarças. Elas são secas e, às vezes, podem pegar fogo e ser imediatamente consumidas.
Durante quarenta anos, Moisés havia visto essas coisas como acontecimentos comuns no deserto. Mas, dessa vez, viu algo comum, e havia algo incomum naquela coisa comum.
Ele viu que a sarça estava queimando. Isso era algo comum. Mas, estranhamente, a sarça não se consumia, embora estivesse em chamas.
Então Moisés se desviou para ver o que estava acontecendo. Quando se desviou, Deus falou com ele do meio da sarça:
Moisés, Moisés. Não te chegues para cá; tira as tuas sandálias, porque o lugar em que estás é terra santa.
Diante de Deus, Moisés era como um servo. Moisés prostrou-se diante do Senhor e ficou temeroso.
O que é essa visão? Quarenta anos antes, Moisés havia pensado em libertar o povo de Deus. Seu coração estava correto, mas ele não tinha visão. Seu trabalho dependia do que havia recebido de sua mãe e, por isso, fracassou.
Mas, por causa dessa visão, teve início sua verdadeira obra.
O que podemos aprender com essa visão? Nessa visão, foi permitido a Moisés ver três coisas:
Por meio da sarça ardente, Deus revelou Seu coração e Seu mistério a Moisés.
Essa sarça representa o Filho de Deus, o Senhor Jesus. Nosso Senhor Jesus era igual a Deus, mas voluntariamente esvaziou-Se a Si mesmo.
Ele tomou a forma de servo e revestiu-Se da humanidade. A sarça representa a encarnação do Senhor Jesus.
Antes de vir à terra, Ele estava em glória e majestade. Era adorado pelos anjos. Contudo, esvaziou-Se de Sua glória, veio a este mundo e revestiu-Se da humanidade.
As Escrituras nos dizem que Ele veio em semelhança de carne pecaminosa. Ele tomou sobre Si a semelhança da carne, mas não tinha pecado.
Nosso Senhor não tinha pecado. Do ponto de vista humano, Ele parecia ter a forma da carne, mas não tinha pecado. Ele Se humilhou para tornar-Se um de nós.
Mas, graças a Deus, embora Ele tivesse a forma de carne pecaminosa, Deus estava Nele. Por um lado, Ele era homem; interiormente, era Deus.
Deus disse a respeito Dele:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
Deus falou por meio Dele. Como Deus fala por meio de uma sarça? Deus fala por meio do Senhor Jesus.
Hebreus 1:1-2 nos diz que, no passado, Deus falou aos pais pelos profetas, muitas vezes e de muitas maneiras, mas, nestes últimos dias, falou-nos em Seu Filho.
Deus fala conosco hoje por meio do Senhor Jesus. O Senhor Jesus é a Palavra final de Deus. Quando o Senhor Jesus fala, não devemos procurar outra palavra além daquilo que Deus já disse Nele.
Na sarça ardente, o fogo representa o Espírito Santo. O Senhor Jesus foi concebido pelo Espírito Santo. Quando foi batizado, o Espírito Santo veio sobre Ele e habitou Nele. Ao pregar o evangelho, Ele estava cheio de poder.
Pelo poder do Espírito Santo, Ele realizou a obra de Deus. Esse é o mistério de Deus revelado por meio da sarça ardente.
Se queremos servir a Deus hoje, precisamos compreender esse mistério. Precisamos conhecer o Senhor Jesus encarnado.
No monte da transfiguração, o Pai disse:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo; ouvi-O.
Precisamos ouvir Sua voz. Tudo o que o Senhor Jesus fez na terra foi por meio do Espírito Santo. Pelo Espírito eterno, Ele ofereceu-Se sem mácula a Deus. Ele concluiu a obra que Lhe foi confiada.
É isso que precisamos ver. Caso contrário, não podemos ocupar uma posição de liderança e não temos como servir ao Senhor.
Deus também revelou o mistério de Israel. Naqueles dias, os israelitas eram escravos no Egito. Eram como uma sarça ardente: humildes, desprezados e sujeitos à opressão dos egípcios.
Do ponto de vista humano, os israelitas não passavam de sarças espinhosas. Mas Deus estava no meio deles.
Eles não seriam destruídos porque Deus estava no meio deles. O fogo ardia, e eles passavam por muitas provações. Contudo, não eram consumidos.
Não apenas não eram consumidos; eles até cresciam e se multiplicavam. Deus mostrou a Moisés: “Este é o Meu povo. Embora eles nada sejam, Eu estou com eles. Eu os farei atravessar tudo isso e os conduzirei à glória. Este é o Meu propósito para a nação de Israel”.
Quando Moisés viu isso, passou a ter direção.
Podemos aplicar o mesmo princípio à igreja. Israel é o povo terreno escolhido por Deus; nós somos o povo celestial de Deus. Nesse sentido, a sarça ardente representa a igreja.
Que tipo de pessoa faz parte da igreja? Somos pecadores que alcançaram graça. Estávamos debaixo da maldição, mas o Senhor nos trouxe para Si, porque Ele Se fez maldição por nós.
Do ponto de vista humano, o mundo olha para a igreja e não vê nada. Não temos importância aos olhos do mundo. Até nós mesmos sabemos que nada somos.
Mas, graças a Deus, nosso Senhor habita em nós.
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.
Embora sejamos como sarças espinhosas, comuns e insignificantes, Deus fez de nós Sua habitação.
O fogo representa a obra e a disciplina do Espírito Santo. Por meio do Espírito Santo, recebemos graça e nos tornamos a igreja.
Há muitas coisas em nossa vida que não Lhe agradam. Há muitas coisas que não correspondem à Sua natureza. Por isso, o Espírito Santo é como fogo, disciplinando-nos e ardendo dentro de nós.
Tudo o que é da carne, da vida natural, do mundo e do pecado, Ele queima. Ele consome essas coisas em nós.
Mas aqui está a coisa maravilhosa: embora sejamos queimados e queimados, ainda estamos aqui. Estamos crescendo porque estamos sendo transformados. Somos mudados pelo Espírito Santo.
Um dia, o Senhor obterá uma igreja gloriosa, sem mancha, ruga ou defeito — santa e sem mácula.
Esse é o propósito de Deus para a igreja. Precisamos ver essa visão.
Se não vemos essa visão, como podemos trabalhar? Quanto mais olhamos para as pessoas, mais desanimados ficamos. Quando olhamos para nós mesmos, também ficamos desanimados. Todos nós não passamos de sarças espinhosas.
Se você juntar todas as sarças espinhosas, terá apenas mais sarças espinhosas. Não há nada de que se gloriar.
Se não temos visão, podemos dizer: “Vamos desistir. Estamos apenas ocupando um lugar vazio. Livrem-se de nós, e o trabalho estará encerrado”. Mas isso acontece porque não temos visão.
Quando temos visão, vemos que, embora nada sejamos, Deus habita em nosso meio.
O Senhor usou uma coroa de espinhos, mas manteve Sua glória. Ele é paciente conosco. Está queimando tudo o que é impuro e deseja nos transformar.
Temos esperança porque Deus está em nosso meio. Se Deus não estivesse em nosso meio, seríamos todos consumidos até não restar nada.
Quanto mais somos queimados, mais crescemos. O Espírito Santo está operando na igreja, disciplinando-nos e permitindo que cresçamos.
Graças a Deus, um dia a igreja se tornará uma igreja gloriosa — sem mancha, sem ruga, santa e sem mácula.
Se você vê isso, sabe o que Deus está fazendo. Você tem esperança, não importa qual seja a condição. Portanto, precisamos ter visão para a obra.
O terceiro ponto é que o Senhor permitiu a Moisés ver a si mesmo: o mistério do vaso de Deus, o vaso que Deus quer usar.
Não apenas Deus é um mistério, e não apenas a igreja é um mistério, mas o vaso de Deus também é um mistério.
Que tipo de vaso é esse? Não passa de uma sarça espinhosa.
Quarenta anos antes, Moisés pensava que era uma palmeira. Pensava que era alguém capaz de realizar alguma coisa. Mas Deus o tratou e permitiu que ele enxergasse a si mesmo espiritualmente.
Muitas vezes, aprendemos lições valiosas por meio de nossos fracassos. Porque fracassamos, passamos a conhecer a nós mesmos.
Um dia, Moisés reconheceu: “Não passo de uma sarça espinhosa. Sou inútil”. Uma sarça espinhosa não pode ser usada para fazer uma mesa. Ela queima num instante e nem sequer consegue manter você aquecido. É absolutamente inútil; na verdade, pode até causar dano, porque tem espinhos.
Esse é o tipo de vaso que Deus procura. Deus não usou Moisés porque ele era alguma coisa. Em outras palavras, Deus disse: “Moisés, você é uma sarça espinhosa, mas Eu estou com você”.
“Tudo pelo que você passa está em Minhas mãos para discipliná-lo. Uso essas coisas para purificá-lo. Uso essas provações para tratá-lo. Uso-as para transformá-lo. Quero que você brilhe. Estou com você.”
“Meu Espírito está em você. Por meio do Meu Espírito, você pode realizar uma grande obra. Pode libertar Meu povo do Egito.”
Essa foi a revelação dada ao vaso de Deus. Irmãos e irmãs, precisamos desse tipo de revelação.
Somos vasos de Deus. Podemos pensar que Deus não pode nos usar. Mas, um dia, quando reconhecemos que não passamos de uma sarça espinhosa, começamos a compreender.
Podemos nos perguntar por que Deus permite que tantas coisas venham à nossa vida. Por que temos tantas dificuldades? Por que a cruz é tão pesada? Por que há tanto sofrimento?
Um dia, veremos que Ele permite que todas essas coisas venham à nossa vida porque deseja nos mudar. Ele está conosco.
Deus continua conosco. Não é segundo a nossa própria força, mas segundo a força Dele.
Quando temos esse tipo de conhecimento, Deus pode começar a nos usar e pode nos enviar para realizar a obra que Ele deseja.
Precisamos de visão. Precisamos ver a sarça ardente. Se não vemos isso, não conhecemos Deus e não conhecemos a nós mesmos. Como, então, podemos servir a Deus?
Agora, vamos considerar o exemplo do Novo Testamento: Paulo.
Antes de Paulo receber a visão no caminho de Damasco, ele já prestava serviço. Era muito zeloso.
Ele saía para prender aqueles que pertenciam ao Caminho. Ele os acusava e os condenava, e pensava que estava servindo a Deus.
Mas seu serviço era sem visão. Seu serviço era segundo a tradição humana. Ele não tinha visão celestial.
Naquela época, Paulo era Saulo, o fariseu. A tradição que ele havia recebido era considerada a melhor dentro da religião judaica. Muitos gentios se tornavam prosélitos porque viam algo puro na religião judaica.
Paulo recebeu o ensino dos fariseus. Seguia a tradição dos pais. De acordo com essa tradição, considerava Jesus Cristo um impostor que precisava ser eliminado.
Paulo era um dos jovens de destaque de sua época. Já era líder — um líder na perseguição ao povo de Deus. Contudo, pensava que estava servindo a Deus.
Há muitas pessoas servindo ao Senhor hoje que nunca receberam uma visão. Fazem as coisas segundo a tradição humana, até mesmo a melhor tradição humana.
De acordo com a tradição, uma pessoa pode pensar que está servindo a Deus quando, na verdade, está se opondo a Deus. E, ainda assim, não sabe disso.
Então o céu se abriu para Paulo. Ele caiu por terra. Viu uma visão. Viu o Senhor Jesus e ouviu uma voz do céu:
Saulo, Saulo, por que Me persegues? Duro é para ti recalcitrar contra o aguilhão.
Ele disse:
Quem és Tu, Senhor?
O Senhor disse:
Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.
Paulo respondeu:
Senhor, que queres que eu faça?
A partir daquele momento, Saulo, o fariseu, tornou-se Paulo, o apóstolo.
Perto do fim de seu ministério, quando compareceu diante do rei Agripa, ele pôde dizer:
Não fui desobediente à visão celestial.
Desde aquele dia na estrada de Damasco até o dia em que foi martirizado em Roma, ao longo de toda a sua vida, todo o seu trabalho, todo o seu esforço e tudo o que fez foram segundo a visão.
Não fui desobediente à visão celestial.
Quando pregava, quando viajava, quando edificava a igreja e quando escrevia epístolas, tudo era por causa da visão que havia visto.
A visão celestial tomou conta da vida de Paulo.
Não é de admirar que, no fim de sua vida, ele pudesse dizer:
Combati o bom combate; Acabei a carreira; Guardei a fé.
Por que ele pôde dizer isso? Porque não desobedeceu à visão celestial.
Um dia, diante de Cristo, o ministério de Paulo será provado pelo fogo. O que restar será ouro, prata e pedras preciosas — materiais para a eternidade.
Irmãos e irmãs, precisamos de visão em nosso serviço.
Não temos tempo para considerar tudo o que Paulo viu. Vamos apenas mencionar que a visão que Paulo viu foi a do Homem celestial.
Paulo viu o Homem celestial: Cristo como a Cabeça e a igreja como Seu Corpo. O Corpo é composto por aqueles que foram redimidos.
Ele viu que o Senhor Jesus é a Cabeça e que a igreja é o Corpo de Cristo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Paulo sabia o que estava fazendo. Ele não estava dando golpes no ar. Fazia tudo segundo a visão que havia recebido.
É disso que precisamos.
Graças a Deus. É do Seu agrado revelar Seu Filho.
Que Ele nos dê um espírito de sabedoria e revelação, para que O conheçamos.
Vamos ter um momento de oração.