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    Burning Fire Of The Spirit #5 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Burning Fire Of The Spirit #5
    Burning Fire Of The Spirit #5
    Austin-Sparks, T.

    A Revelação da Grandeza de Jesus Cristo

    Nesta noite, deixando de lado muita coisa que se poderia dizer a partir do primeiro capítulo do livro de Apocalipse, vou me limitar a uma palavra sobre a primeira expressão do livro:

    A Revelação de Jesus Cristo

    A revelação de Jesus Cristo.

    Poderíamos, com razão, substituir a palavra revelação por desvelamento. Isso está ainda mais próximo da palavra original do que “revelação”: o desvelamento de Jesus Cristo.

    À medida que avançamos neste livro, deparamos com uma situação que realmente precisa ser abordada. Por um lado, é uma situação de declínio espiritual, fracasso, fraqueza e muitas outras condições e características que até o próprio Senhor, em toda a Sua graça, teve de lamentar.

    Era necessário renovar a vida do Seu povo e restaurar aqueles valores fundamentais que marcaram o seu início.

    Por outro lado, era uma situação de grande, grande dificuldade — muitas dificuldades: sofrimentos, provações, adversidades vindas de várias direções e de várias espécies. Os cristãos daquele tempo estavam, de fato, atravessando um período de muita adversidade e entrando cada vez mais profundamente no sofrimento.

    A respeito de uma dessas igrejas, o Senhor disse que estavam prestes a sofrer, que seriam lançados na prisão e que teriam tribulação por um período determinado.

    Era um tempo em que os cristãos realmente precisavam de ajuda e encorajamento, e precisavam ser preparados para novas batalhas, novos conflitos, novos sofrimentos. Esses são os dois aspectos principais da situação geral.

    Então, olhando para tudo isso, perguntamos: como o Senhor atendeu, e como o Senhor atende, a essa necessidade? Na verdade, poderíamos perguntar: como o Senhor atende a qualquer grande necessidade? O que suprirá essa necessidade — e somente isso poderá supri-la — e será a chave do problema, a resposta às exigências e o fundamento seguro para a restauração, a renovação e o fortalecimento em meio ao sofrimento?

    A resposta sempre foi, e continua sendo, uma nova revelação da grandeza de Jesus Cristo — um desvelamento da Sua glória.

    Podemos dizer que essa é a própria base a partir da qual o Senhor atua nessas situações e em todas as situações que se seguem neste livro. Ele introduz tudo com essa nova revelação, esse desvelamento da Sua própria grandeza pessoal.

    O Padrão Divino da Revelação que Sustenta

    Sabe, sempre foi assim.

    Abraão foi chamado a tomar decisões e fazer sacrifícios tremendos. Em seu país e em sua cidade natal havia uma civilização maravilhosa e rica, uma vida muito plena; e, sem qualquer garantia de que sua partida se justificaria, ele foi chamado a partir com estas ordens:

    Sai-te da tua terra,
    E da tua parentela,
    E da casa de teu pai,
    Para a terra que Eu te mostrarei.

    “Eu a mostrarei a ti quando chegares lá.” Uma mudança tremenda — muito custosa e muito exigente. Mas, se você já se perguntou como Abraão conseguiu prosseguir, enfrentar todas as provas e, por fim, sobreviver, creio que encontrará a resposta nestas palavras:

    O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia.

    Se isso acontecer, você terá algo que lhe permitirá seguir adiante. Terá um fundamento. Terá algo que, repetidas vezes, virá em seu socorro nos momentos de dificuldade.

    Moisés foi chamado a assumir uma responsabilidade tremenda. Hoje conhecemos toda a história. Moisés não ignorava inteiramente o que teria de enfrentar no Egito e depois, e às vezes podemos nos perguntar como ele conseguiu atravessar tudo aquilo e permanecer no caminho.

    Mas sabemos que ele encontrou Deus face a face. Poderíamos dizer igualmente que o Deus da glória lhe apareceu. A Bíblia faz referência várias vezes àquele encontro com Deus na sarça.

    Ficou firme, como vendo Aquele que é invisível.

    Esse era o segredo que o sustentava.

    Josué, ainda jovem, foi chamado a enfrentar responsabilidades e empreendimentos tremendos: expulsar os habitantes daquela terra, desocupá-la e levar um povo como aquele a tomar posse de tudo o que estava ligado a ela. Ele conhecia aquele povo.

    Não é de admirar que o Senhor tivesse de repetir continuamente uma palavra a Josué para fazê-lo avançar:

    Esforça-te e tem bom ânimo.

    Como o Senhor deu a Josué o fundamento de que ele precisava? Ele levantou os olhos e viu o Príncipe do exército do Senhor.

    A partir daquele momento, tudo estava bem: “Siga adiante e vá até o fim.”

    Isaías era um jovem numa época muito, muito difícil — um dos períodos mais, mais sombrios da história de Israel. Estava assumindo seu grande ministério profético diante de grandes dificuldades e problemas ameaçadores. Como conseguiu prosseguir?

    Eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono.

    Essa é a resposta.

    Paulo — houve algum homem que tivesse de enfrentar maiores dificuldades, antagonismos, sofrimentos, perigos e tudo o mais do que ele? Como conseguiu atravessar tudo isso? O Senhor lhe apareceu. Ele viu a grandeza de Jesus Cristo.

    Estêvão triunfou ao ver os céus abertos e o Filho do Homem em pé à direita de Deus. E assim poderíamos continuar.

    A Grandeza de Cristo como Fundamento da Sobrevivência

    Aqui, o povo do Senhor havia chegado a um ponto em que um golpe devastador seria desferido contra sua vida coletiva. Estavam justamente às vésperas daquele cerco final de Jerusalém, naquela dispensação, quando tudo seria despedaçado e disperso.

    O grande abalo estava prestes a acontecer. Tudo o que o próprio Senhor Jesus havia anunciado —

    Não ficará pedra sobre pedra.

    — e todas aquelas outras coisas terríveis estavam prestes a acontecer dentro de muito pouco tempo.

    Como os crentes conseguiriam atravessar tudo aquilo?

    O Senhor tomou um homem — hoje não sabemos exatamente quem foi; alguns dizem que foi um, outros dizem que foi outro —, mas Ele tomou um homem para escrever o que chamamos de Carta aos Hebreus.

    E vejam como ele começa. Oh, que desvelamento incomparável da grandeza de Jesus Cristo:

    O Qual, sendo o resplendor da Sua glória,
    E a expressa imagem da Sua substância.

    A grandeza de Jesus Cristo. O Senhor estava dizendo por meio daquela carta: “Se vocês puderem tomar isso como seu fundamento, atravessarão tudo. Não voltarão atrás, como estão sendo tentados a fazer — como talvez estejam pensando em fazer. Vocês prosseguirão, vocês prosseguirão, se tão somente virem quão grande é o seu Senhor.”

    Assim, Ele lançou o fundamento para a sobrevivência da fé. Ao menos a sobrevivência, porque essa é a questão. Tudo isso aparece no capítulo onze: a sobrevivência da fé com base na compreensão da grandeza de Cristo.

    E agora chegamos a este livro de Apocalipse. Mais uma vez, estamos diante dessas coisas. De um lado, declínio espiritual, fracasso, colapso, perda; do outro, sofrimento, sofrimento crescente, aflições terríveis para a igreja.

    Como o primeiro problema será remediado e a restauração acontecerá? Qual é a chave para a renovação da vida espiritual quando ela chegou a um nível tão baixo? Como eles prosseguirão em meio à tribulação e às tribulações, e sairão vitoriosos na cidade de Deus?

    Bem, a resposta é, mais uma vez, a única resposta do Senhor. Sempre foi Sua única resposta, sempre eficaz — a única que será eficaz em qualquer situação de necessidade: um novo desvelamento da grandeza do Senhor Jesus.

    Mas, ah, queridos amigos, isso são palavras. São palavras. Quando dizemos essas coisas, todos concordamos: “Mas é verdade. Está certo. Nós sabemos.” Porém, depois de dizê-las, tudo o que conseguimos fazer é falar assim; e continuamos tão impotentes. Somos tão impotentes porque se trata de uma realidade, e não de falar sobre ela.

    Se tão somente, pelo Espírito Santo — não há outro caminho, nenhum outro meio —, pudéssemos ter um novo vislumbre da Sua grandeza, quantos problemas seriam resolvidos, quantas perguntas seriam respondidas e quantas necessidades seriam supridas!

    Se tão somente pudesse ser assim! Como seria avassalador! E, quando digo “avassalador”, quero dizer quantas coisas seriam subjugadas — como uma onda gigantesca que tornasse insignificantes todas essas rochas nas quais corremos o risco de naufragar, submergindo-as e fazendo-as desaparecer de vista.

    Ora, isso não é apenas uma maneira de falar. Vejam: quem está escrevendo isto? É o apóstolo João.

    A Transição de João do Jesus Histórico para o Cristo Glorificado

    O apóstolo João — sim, aquele homem que andou com Jesus, ouviu-O, observou-O em ação e que, na ceia e em outra ocasião, sentou-se ao Seu lado e reclinou a cabeça sobre o Seu peito. A imagem tão conhecida: um homem ao lado de um Homem, numa convivência próxima, muito dedicado, muito afetuoso.

    Nunca consegui entender por que João sempre se chamava de “o discípulo a quem Jesus amava”. Mas era assim. Isso mostrava que havia uma espécie de familiaridade — talvez uma familiaridade sagrada, santa — entre João e Jesus, muito humana.

    Ouçam: esse mesmo homem diz: “Quando O vi, caí.” O mesmo Jesus e o mesmo homem:

    Caí a Seus pés como morto.

    Se Aquele, em Sua grande misericórdia, não tivesse vindo, colocado a mão sobre ele e dito:

    Não temas; Eu sou o Primeiro e o Último.
    Eu sou o que vive.

    João teria permanecido ali como um homem morto.

    O mesmo Jesus — mas vejam a transição do Jesus histórico para o Cristo glorificado. Essa é a diferença. Essa é a diferença entre o João do Evangelho e o João do Apocalipse. É uma transformação maravilhosa e poderosa.

    Ele nunca se sentiu assim quando andou na terra com Jesus, por mais dedicado que fosse — talvez, às vezes, confiante demais e seguro de si. Mesmo com toda a consciência que tinha de Quem Jesus era, somente quando O viu glorificado é que caiu, sem forças, prostrado como um morto.

    Digo que foi uma grande transição do Jesus histórico para o Cristo em glória.

    Meus queridos amigos, não diminuo em nada o valor e as bênçãos dos Evangelhos. Mas digo — e às vezes isso me preocupa um pouco — que nos detemos demais no Jesus histórico e deixamos de ver, ou de lembrar, que os homens que escreveram aqueles quatro Evangelhos os escreveram muito depois de Jesus ter sido glorificado.

    Eles não se afastaram, em algum momento próximo ao fim da Sua vida, quando talvez começassem a perceber que Ele não estaria com eles por muito mais tempo, e decidiram escrever a história da Sua vida — Seu nascimento, Sua vida adulta, Seu ensino e Seus milagres — como uma história humana, como uma história terrena.

    Eles tinham diante de si todos os fatos e realidades poderosos da Sua ressurreição, ascensão e glória celestial, e procuravam incorporá-los àquela história da Sua vida aqui, dizendo: “Aquele que esteve aqui é Este que agora está em glória.”

    Não era apenas Jesus de Nazaré. Era o poderoso Filho de Deus vindo do céu. Eles preenchiam cada episódio com a compreensão mais plena que tinham do Cristo glorificado, agora à direita de Deus.

    Não era apenas uma história humana. Essa é a única maneira de pregar o evangelho a partir dos Evangelhos.

    Vocês percebem, quando eles pregavam ou escreviam depois da Sua ascensão e glorificação, quão pouco — quão extraordinariamente pouco — diziam sobre aqueles três anos e meio. Um fragmento aqui e ali. Diziam muito pouco sobre Seu ensino, Seus milagres e Sua atuação pela Palestina — muito pouco mesmo.

    Todos estavam ocupados com Aquele que havia sido coroado de glória e honra. Essa era a mensagem deles. Aquele — Jesus de Nazaré, se quiserem —,

    O Qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo.

    Uma espécie de referência passageira a tudo aquilo, um resumo. Mas Deus O ressuscitou. Deus O honrou.

    Não iremos muito longe se ficarmos apenas ocupados com os acontecimentos da Sua vida, por mais preciosos que sejam. Se vamos prosseguir e chegar até o fim, precisamos compreender aquela plenitude de glória que agora Lhe pertence — a grandeza de Cristo.

    A Grandeza Essencial de Cristo

    Vejam, queridos amigos, é porque — exatamente porque — Ele foi privado ou despojado da Sua grandeza essencial que temos essas condições deploráveis que têm prevalecido na cristandade.

    Os teólogos liberais O despojaram da Sua divindade. Qual é o resultado? Ah, consequências devastadoras para o impacto de Cristo sobre este mundo. Eles fizeram Dele um Cristo menor do que realmente é.

    Os filósofos simplesmente fizeram Dele mais um em sua galeria de homens grandes e sábios. Foi contra essa tendência, presente até mesmo entre os cristãos de Corinto, que Paulo escreveu em sua primeira carta: tirar algo do Senhor Jesus e simplesmente colocá-Lo entre outros homens grandes e sábios.

    Os gnósticos de Colossos — o que estavam fazendo? Tinham uma teoria de hierarquias e ordens angelicais, desde a mais elevada ordem de seres angelicais, descendo, descendo, descendo até o subordinado mais inferior. E colocavam Jesus talvez no topo, mas como nada mais que um ser angelical, privando-O daquilo que Ele é essencialmente em Sua Pessoa: verdadeiro Deus.

    Os estudiosos da religião comparada, ao longo do tempo e também em nossos dias, dizem: “Bem, há grandes fundadores de religiões — Buda, Confúcio, Maomé e Jesus”, e coisas assim. Vocês percebem a sutileza? Simplesmente assim: alguém que pode ser comparado aos demais, não Aquele que é absolutamente supremo e único.

    E os humanistas — os humanistas do nosso tempo — estão engrandecendo e glorificando o homem e a humanidade a tal ponto que, afinal, a humanidade um dia será divinizada, alcançará a condição divina, e Jesus, no fim das contas, é apenas o Super-Homem.

    E assim por diante. É todo esse esforço frenético para reduzir a grandeza de Cristo, para torná-Lo menor do que Ele é, que tem causado tanto mal.

    Meu ponto é este, queridos amigos: se perdermos, se perdermos, a grandeza essencial de Cristo em nossa consciência — ou se não chegarmos a tê-la —, nossa vida espiritual será menor do que poderia ser, e desmoronaremos sob a pressão e a tensão da adversidade.

    A única resposta para toda necessidade é esta recuperação: recuperar a compreensão da Sua grandeza.

    Agora, aqui, vejam, Ele é apresentado, e é apresentado na linguagem da divindade. As duas coisas estão muito próximas. Em certos pontos, não se consegue distinguir entre a humanidade e a divindade; não se sabe se Deus está falando de Deus ou de Cristo. O fato é que Ele está falando Daquele que é ambos.

    Mas o título pelo qual Ele é apresentado nesse desvelamento inigualável, incomparável, é “Filho do Homem”.

    A grandeza pessoal do Filho do Homem, que é, ao mesmo tempo, Filho de Deus — verdadeiro Deus.

    A Grandeza Pessoal de Cristo

    Fizemos referência à Carta aos Hebreus, e precisamos recorrer a ela agora para nos ajudar nesse assunto. Vamos lê-la sem considerar as divisões de capítulos, começando com isto:

    O resplendor da Sua glória,
    E a expressa imagem da Sua substância,
    A Quem constituiu herdeiro de tudo,
    Por Quem fez também o mundo.

    E então chegamos àquela outra passagem:

    Que é o homem, para que dele Te lembres?
    Ou o filho do homem, para que o visites?
    Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos;
    De glória e de honra o coroaste,
    E o constituíste sobre as obras de Tuas mãos:
    Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés.

    Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas.
    Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos,
    Para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.

    Aqui está o Filho do Homem em Sua própria grandeza pessoal. Vejam Quem Ele é: o resplendor, a expressa imagem. Vejam Sua designação: herdeiro de todas as coisas. Vejam Sua atuação como agente e instrumento: por meio Dele foram feitas as eras.

    Filho do Homem — como Ele é grande! Talvez você não imaginasse tudo isso ao vê-Lo andando pela Palestina. Mas esse mesmo está agora aqui diante de João, com esses acontecimentos devastadores diante Dele; esse mesmo é agora revelado, desvelado quanto ao que Ele é essencialmente em Sua Pessoa — Quem Ele é, que posição ocupa.

    Ele está aqui como herdeiro de todas as coisas, vindo buscar Sua herança. O restante do livro O mostra realizando isso — assegurando aquela herança da qual Ele é o herdeiro. E, no fim, que herança gloriosa se apresenta nos últimos capítulos deste livro! Ela é Dele.

    Essa é a grandeza do Filho do Homem. Mas, vejam, somos completamente incapazes em qualquer tentativa de um verdadeiro — não exagerado, mas verdadeiro — desvelamento de Jesus Cristo.

    A Grandeza Representativa de Cristo

    Há a Sua grandeza pessoal. Mas, como Filho do Homem, temos nessa própria expressão a Sua grandeza representativa.

    Recorramos novamente à Carta aos Hebreus. Primeiro, Ele é constituído herdeiro de todas as coisas. Depois, Ele é o Capitão da salvação deles, conduzindo muitos filhos à glória. A palavra “Capitão”, ali, seria mais bem traduzida por “o Pioneiro da salvação deles” — Aquele que vai adiante para conduzi-los àquilo em que Ele próprio já entrou.

    Essa, naturalmente, é a essência da Carta aos Hebreus. Ele foi adiante. Entrou nos céus. Atravessou os céus. Percorreu todo o caminho e chegou ao fim como o Pioneiro dos muitos filhos que estão sendo conduzidos à glória, daqueles a quem Ele chama de Seus irmãos.

    Sua grandeza representativa: estando ali, no destino final, em plenitude, em glória, Ele representa todos aqueles que conduzirá e que está conduzindo. Sua grandeza representativa — como ela é grande!

    Cantamos sobre isso, lemos sobre isso: uma grande multidão que ninguém pode contar, de toda tribo, parentela e língua — milhares, dez milhares de milhares. A linguagem é levada ao seu limite para descrever o fruto do Filho do Homem.

    E Ele é o Representante, na glória, de todos eles. Como são grandes a Sua Pessoa e aquilo que Ele representa!

    A Grandeza de Cristo em Seus Ofícios

    E então, Sua grandeza em Seus ofícios. Isso se vê ao longo deste livro e, novamente, na Carta aos Hebreus: Sua grandeza no ofício de Sumo Sacerdote. Que grande Sumo Sacerdote Ele é, segundo aquela carta!

    Que coisa tremenda Ele realiza! Pensem nisso: ao longo da história, altar após altar, sacrifícios de cordeiros, bodes, touros e outros animais — sangue suficiente para encher um oceano —, por todos aqueles séculos, dia após dia, sem jamais chegar a um resultado definitivo quanto à sua eficácia.

    Mas, em uma única oferta — somente uma —, muito além dos milhões de sacrifícios sobre os altares judaicos, uma só: como são grandes Seu sacrifício e Seu sacerdócio, ao oferecer a Si mesmo sem mácula a Deus, de uma vez por todas!

    Aqui neste livro, como o outro aspecto da Sua grandeza em Seus ofícios, está Sua descrição como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

    Que declaração, numa época em que aquele tirano de Roma dominava o mundo e assumia o senhorio sobre todos os senhorios, procurando sujeitar a si todo poder — não apenas na terra, mas também no céu, reivindicando a divindade!

    Naquela época, naquela época, o desvelamento de Jesus Cristo como Rei dos reis — sim, Nero entre eles — e Senhor dos senhores. Sua grandeza em Seus ofícios.

    Não vou tentar acrescentar mais nada a isso, queridos amigos.

    A Grandeza de Cristo e a Vida Cristã

    Para resumir: creio que teríamos convertidos de qualidade muito superior se lhes fosse apresentado um Cristo muito maior.

    E eu diria a qualquer pessoa que não conhece, em sua própria vida e experiência, a salvação em Jesus Cristo — o que significa realmente nascer de novo; use a palavra, a expressão ou a linguagem que quiser: salvo, redimido, nascido de novo, seja qual for —: trata-se de saber o que significa ser realmente um filho de Deus, e ter certeza disso.

    Ter certeza disso. Ser capaz de se unir de todo o coração ao apóstolo João quando ele disse:

    Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai,
    Que fôssemos chamados filhos de Deus;
    E nós o somos.

    Ser capaz de se unir a ele dessa maneira e dizer: “E nós o somos”, com essa afirmação consciente de que isso é verdade.

    Se essa não é a sua condição, eu lhe diria: Jesus quer ser o seu Salvador, Aquele que perdoa o seu pecado, e muitas outras coisas para você. Ele é muito, muito maior do que você pode pensar ou imaginar.

    A salvação recebe sua grandeza da medida do Salvador. Se você quer uma grande salvação, veja que grande Salvador Ele é.

    E lembre-se de que, por causa de Quem Ele é — por causa de Quem Ele é —, você não precisa ter medo de depositar sua confiança Nele. Não precisa temer que, como algumas pessoas dizem, você não consiga se manter firme. Não, você não conseguirá; mas Ele conseguirá.

    Ele será capaz de sustentar você. Ele pode sustentar qualquer um de vocês. Ele é suficientemente grande.

    Precisamos de um desvelamento maior — ou de um desvelamento — da grandeza de Jesus Cristo para termos cristãos de melhor qualidade, para sermos restaurados de nossas perdas, de nosso declínio e de nosso fracasso espiritual, e libertos de todas essas coisas que são tão abomináveis para nós e para Ele.

    Há apenas um caminho — apenas um caminho, realmente: ver Sua grandeza. Se fizermos isso, não poderemos viver num nível tão pequeno nessa questão. Isso será real; será algo tremendamente eficaz.

    Outro dia fomos ao Planetário de Londres. Vocês já estiveram lá? Bem, tenho certeza de que ficaram maravilhados, tomados de admiração. Mas o pensamento que me acompanhou o tempo todo, e depois também, enquanto eu ouvia aquele pequeno homem dar sua palestra, foi este: como pode um homem ser pequeno quando lida o tempo todo com essas coisas?

    Suponho que seja possível, mesmo para um membro da Sociedade Astronômica, ser um homem pequeno — um homem mesquinho de caráter. Não sei; não estou dizendo isso a respeito daquele homem, mas é possível.

    Mas não é possível — não é possível — ter uma revelação da grandeza de Jesus Cristo e ser uma pessoa pequena. Ah, como precisamos ser ampliados, enobrecidos, libertos de nossas mesquinharias — de tudo isso que é tão desprezível! Qual é a resposta?

    Uma nova compreensão da Sua grandeza. É só isso.

    E então, se estamos sofrendo, se estamos enfrentando adversidade e provação, e as nuvens parecem estar se reunindo, se acumulando e aumentando, como conseguiremos atravessar tudo isso?

    Somente assim: retirando-nos para pedir, buscar e procurar, em oração, uma nova revelação de Jesus Cristo ao coração, um desvelamento Dele.

    E tenho certeza de que isso será suficiente. Que o Senhor nos conceda essa revelação.