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    Burning Fire Of The Spirit #2 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Burning Fire Of The Spirit #2
    Burning Fire Of The Spirit #2
    Austin-Sparks, T.

    A Segunda Lâmpada de Fogo: O Primeiro Amor

    Estou de volta para examinarmos novamente o Apocalipse.

    As Sete Lâmpadas de Fogo

    Apocalipse 4:5, a segunda metade do versículo:

    Diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo,
    as quais são os sete Espíritos de Deus.

    Apocalipse 1:4:

    Graça e paz a vós, da parte Daquele que é, que era e que há de vir;
    e da parte dos sete Espíritos que estão diante do Seu trono.

    Sete lâmpadas de fogo ardendo diante do trono, as quais são os sete Espíritos de Deus.

    Farei o possível para ajudar aqueles que não estiveram aqui nesta tarde a acompanhar o caminho pelo qual sentimos que estamos sendo conduzidos neste momento.

    Estávamos mostrando que as sete lâmpadas de fogo diante do trono representam o ministério sétuplo do Espírito Santo em relação ao Senhor Jesus, conforme Ele é apresentado em Apocalipse 1.

    A leitura cuidadosa e a meditação nesses três capítulos, creio eu, deixarão bastante claro que a apresentação do Senhor em Apocalipse 1 é a base sobre a qual as igrejas estão sendo julgadas — e, de modo representativo, a Igreja — e que esse julgamento ocorre à luz de tudo o que o Senhor tem dado.

    Dissemos que chega um momento na história do povo do Senhor, e isso não é nada incomum, em que Ele vem ajustar as contas, confrontar e pôr à prova à luz daquilo que tem dado. Uma crise pode surgir na vida individual, assim como na vida de toda a Igreja ou de qualquer expressão local dela.

    Chega um momento em que o Senhor, depois de ter dado tanto, de ter sido muito paciente e de ter procurado tornar conhecida a Sua graça, precisa, necessariamente, por causa Dele mesmo e deles, dizer: “Agora, não podemos simplesmente continuar dando e ensinando. Precisamos saber onde estamos em relação a tudo isso. Precisamos ver quanto há que realmente corresponda àquilo que foi dado”.

    É um tempo de crise, um tempo de profundo exame, talvez um tempo muito doloroso. Questões de enorme importância para todo o futuro estão envolvidas num tempo assim. É isso que esses três capítulos representam no que diz respeito às igrejas.

    Você prossegue pelo livro e descobre que a mesma coisa se estende ao mundo e às nações. Tudo está sendo julgado à luz da realidade de Jesus Cristo.

    O título do livro deveria ser suas primeiras palavras. Observo o título que os homens lhe deram: O Apocalipse de João, o Teólogo. O livro diz que é A Revelação de Jesus Cristo. Esse é o título, e ele se aplica ao livro inteiro — não apenas ao começo, mas do início ao fim.

    Tudo está sendo trazido ao trono do julgamento pelo Espírito Santo.

    Essa apresentação do Senhor Jesus tem uma caracterização sétupla. Isto é, Ele é apresentado em sete características específicas, e as lâmpadas de fogo correspondem a essas características. Essas lâmpadas de fogo são o testemunho ardente do Espírito Santo acerca do Senhor Jesus, voltado para o céu, diante do trono.

    Mais adiante no livro, em Apocalipse 5:6, a expressão é empregada em direção ao mundo:

    Os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra.

    Portanto, no céu e na terra, tudo está sendo julgado e determinado segundo Cristo. Esse é o julgamento final de todas as coisas, ou a base desse julgamento final.

    Esse é um resumo um tanto pobre de muito tempo e de muito conteúdo que abordamos anteriormente.

    A Primeira Lâmpada: Cristo como Nossa Cobertura

    Examinamos a primeira dessas lâmpadas de fogo. Gostaria apenas de acrescentar uma palavra ao que dissemos a esse respeito, relacionando-a à primeira característica de Cristo apresentada: vestido com uma veste que chegava até os pés.

    Esse é o testemunho ardente do Espírito Santo de que somente aquilo que Cristo é, como cobertura de tudo o que somos, pode subsistir diante de Deus. Essa é uma das sete coisas que o Espírito diz às igrejas — a nós.

    Quanto empenho o Senhor tem empregado para gravar isso a fogo na Igreja! Ela precisa ser uma Igreja cuja vida natural esteja inteiramente coberta. Se não estiver, como aconteceu em Corinto e em alguns outros lugares, ficará exposta a um terrível julgamento.

    O julgamento, ou a ameaça de julgamento, da igreja em Corinto era, como vocês sabem, que todas as suas obras se desfariam em fumaça na prova do fogo; eles seriam salvos apenas, e como que através do fogo — quando nada mais restasse, escapando por pouco, com todo o restante perdido.

    Por quê? Porque estavam nus. Isto é, ao examinar aquela carta, vemos que se tratava daquilo que eles eram em si mesmos. Paulo diz, em 1 Coríntios 3:3-4:

    Não sois carnais e não andais segundo os homens?

    Ele está dizendo: “Quando isso e aquilo acontecem, vocês não estão agindo como meros homens? Não estão falando como homens? Vocês estão se comportando como homens”. Ele está dizendo: “Isso não é Cristo. Simplesmente não é Cristo comportar-se assim, continuar assim, fazer essas coisas, manter essas condições. Isso simplesmente não é Cristo”.

    Vocês estão nus diante de Deus. Precisam estar revestidos de Cristo.

    Essa é uma questão candente no Novo Testamento: que não sejamos encontrados nus diante Dele no julgamento. A primeira lâmpada de fogo — como é intenso o seu calor, como a sua luz perscruta, como o seu efeito distingue uma coisa da outra!

    Ah, queridos amigos, não recebam isso apenas como palavras ou ensino. Você e eu precisamos permanecer agora nas chamas eternas, e a prova, no fim, será esta: quanto de Cristo nos reveste, ocultando aquilo que somos em nós mesmos?

    Algo em que pensar, pelo que orar — esse é o pano de fundo da nossa reflexão. Esse é o testemunho de Jesus.

    A Segunda Lâmpada: O Amor Divino com Propósito Firme

    Agora passamos à segunda lâmpada. Essas lâmpadas são as energias do Espírito Santo, pois uma lâmpada de fogo é algo cheio de energia. Não há nada de passivo nisso; há ação e energia.

    Se essas lâmpadas de fogo correspondem àqueles aspectos de Cristo em Sua apresentação, qual é a segunda lâmpada? Para que o Espírito dirige a atenção em segundo lugar?

    Olhem novamente para a visão do Filho do Homem e depois olhem para as igrejas. Vocês encontram isso imediatamente, em Apocalipse 1:13:

    Vestido com uma veste que chegava até os pés,
    e cingido à altura do peito com um cinto de ouro.

    Sabemos que, no simbolismo bíblico, um cinto sugere ou representa força para agir. Estar cingido não é estar solto. É ter força para a ação; é ter a veste ajustada, para que ela não interfira de maneira alguma no trabalho a realizar.

    O peito sempre sugere o serviço do amor, e o ouro, como bem sabemos, representa aquilo que é de Deus.

    Reunindo essas três coisas, temos Cristo nessa característica de firme propósito no amor — amor divino com propósito — em contraste com a volubilidade e a inconstância do amor humano, do amor do homem, no que diz respeito a Deus.

    Eu disse que encontramos isso imediatamente na mensagem a Éfeso. Sejam quais forem os elogios e o reconhecimento de seu valor, a palavra final, em Apocalipse 2:4-5, é:

    Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
    Lembra-te, pois, de onde caíste,
    arrepende-te e pratica as primeiras obras.

    Primeiro amor — primeiro em quê? Aí está o seu exemplo.

    O Senhor vem nesse amor divino firme, cheio de propósito e constante, ao qual eles — e nós — devemos tudo. Onde estaria qualquer um de nós nesta noite se Ele não tivesse continuado a amar, persistido no amor? Se Ele tivesse sido tão volúvel quanto nós, tão inconstante quanto o nosso amor, onde estaríamos?

    Esse era o problema que, para o Senhor, pesava mais do que todos os outros valores de Éfeso. Para Ele, isso tinha mais peso do que todo o restante. De fato, Ele fez depender dessa questão a continuidade daquele instrumento e de seu serviço a Ele: o primeiro amor.

    O Amor de Cristo até o Fim

    Abram o Evangelho de João. Temos isto em João 13:1:

    Sabendo Jesus que era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai,
    havendo amado os Seus que estavam no mundo,
    amou-os até o fim.

    A próxima coisa é o cingir-se desse amor, em João 13:4-5:

    Levanta-Se da ceia e tira as Suas vestes;
    e, tomando uma toalha, cingiu-Se.
    Depois deita água na bacia e começa a lavar os pés dos discípulos,
    e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido.

    Tendo amado, amou até o fim. Amor persistente.

    Li nesta manhã aquilo que todos conhecemos tão bem: como um homem declarou que amava seu Mestre e poderia enfrentar qualquer coisa, até mesmo a morte. Sabemos o que aconteceu.

    Mas observei isto: quando o texto fala de Pedro — de sua declaração de que, embora todos O abandonassem, ele não O abandonaria, de que iria até a morte —, diz, em Mateus 26:35:

    E todos os discípulos disseram o mesmo.

    Colocamos tudo sobre Pedro, mas todos eles disseram a mesma coisa.

    Quase podemos ouvi-los: Pedro disse aquilo; então outro disse: “Eu também”, e outro: “Eu também”. Todos disseram o mesmo.

    E Jesus disse, em Mateus 26:31:

    Todos vós vos escandalizareis em Mim esta noite:
    porque está escrito:
    Ferirei o Pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas.

    Então, quando os soldados enviados pelo sumo sacerdote chegaram com suas tochas e armas, o texto diz, em Mateus 26:56:

    Então todos os discípulos, deixando-O, fugiram.

    Ele sabia tudo a respeito deles — como eram, o que aconteceria. Ele lhes disse isso. Mas, tendo amado, tendo amado, amou até o fim.

    Ele estava, de fato, cingido com aquele amor divino que prossegue apesar de tudo, suporta por muito tempo, mas não desiste. Amor persistente. Amor fiel.

    Todos concordamos que essa é uma característica do Senhor Jesus. Precisamos ser profundamente tocados pelo fato de que a primeira coisa de que Ele fala às igrejas é justamente essa questão. Quando Ele vem às sete igrejas, é por aí que começa.

    O Chamado ao Primeiro Amor

    Não quero avançar depressa, queridos amigos, porque minha preocupação não é dizer muita coisa. Minha preocupação é que todos nós permaneçamos pessoalmente à luz da lâmpada de fogo e vejamos, à sua luz, o que o Senhor busca — aquilo que aqui é chamado de primeiro amor.

    Quais são as suas características? Bem, naturalmente, é a fidelidade à motivação inicial.

    Espero que se possa dizer que isso é verdade a respeito de todos nós aqui: houve um tempo em nossa experiência cristã em que o Senhor simplesmente nos conquistou e nos cativou de tal maneira que obteve a entrega completa de nossa vida a Ele, e Ele era tudo.

    Quando isso aconteceu pela primeira vez — se alguém aqui não pode dizer que teve essa experiência, ainda não é tarde. Ainda não é tarde. Você pode ser cativado pelo Senhor Jesus mais de uma vez na vida. Alguns de nós conhecemos experiências ainda mais profundas de sermos cativados em diferentes momentos.

    Mas nós que conhecemos aquela primeira experiência, aquela experiência inicial, quando vimos o Senhor e o Senhor nos encontrou — como estávamos cheios Dele, como estávamos absorvidos por Ele o dia inteiro! Embora tivéssemos de nos ocupar com outras coisas, ansiávamos que elas saíssem do caminho para podermos nos dedicar ao Senhor de maneira mais direta e imediata. Como Ele preenchia tudo para nós!

    O apóstolo Paulo nos apresenta um quadro maravilhoso em sua carta aos Filipenses. Em primeiro lugar, ele diz que foi exatamente isso que aconteceu com o próprio Senhor Jesus.

    Expresso o significado disso desta maneira. Não é exatamente o que está escrito, mas não há dúvida de que esse é o sentido. Falando à maneira dos homens, houve um momento em que o amor do Filho pelo Pai, em relação aos interesses e à glória do Pai, ao Seu coração, propósito e desejo, era tão grande e O cativava tanto que Ele Se despojou de tudo e Se esvaziou de toda a glória do céu.

    Aquilo que Ele chamou, em Sua oração, de:

    A glória que Eu tinha junto de Ti, antes que o mundo existisse.

    João 17:5. Ele abriu mão de tudo isso por causa do Pai e por causa do amor do Pai por este mundo.

    Esse é um lado do quadro. Você vira a página e descobre que esse mesmo amor foi gerado no coração desse homem, Paulo. Ele nos diz, em termos tão fortes e tão plenos, o efeito que isso teve sobre ele.

    Ele nos fala de todas as glórias que os homens chamam de glórias neste mundo: glórias de ascendência, herança, nascimento, formação, posição e realizações — todas as coisas que este mundo chama de gloriosas.

    Então Jesus entrou no quadro de Paulo, e ele disse, em Filipenses 3:7-8:

    Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo.
    E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.

    Aqui está um homem, talvez apenas em termos humanos, seguindo o caminho de seu Senhor — o caminho do amor —, mostrando que, para ele, o primeiro amor, logo no começo, significava que o Senhor tinha o primeiro lugar em todas as coisas. Nada mais poderia ficar no caminho ou tomar o lugar do Senhor Jesus.

    Isso é pessoal — pessoal, assim como o efeito que produz.

    O Exemplo de Éfeso

    Agora, sabemos que os efésios haviam tido uma experiência assim. A propósito, permitam-me abrir um parêntese: ouvi dizer que um dos irmãos trouxe uma mensagem sobre isso aqui há algumas semanas. Deliberadamente me recusei a perguntar o que ele disse ou a ler as anotações, porque sempre receio a influência do subconsciente. Poderia acabar dizendo algo que não fosse meu.

    Portanto, não sei o que foi dito. Se o Senhor disser a mesma coisa nesta noite, então é o Senhor quem está falando. Esse é o meu ponto — o Senhor, não alguma coisa recebida de segunda mão.

    Os efésios haviam tido uma experiência assim. Vocês sabem o que aconteceu quando a palavra lhes foi pregada, quando o Senhor Jesus lhes foi apresentado. Eram devotados às artes mágicas e aos mistérios pagãos, e possuíam uma biblioteca cujo valor chegava a uma soma muito elevada.

    Quando Jesus veio por meio de Seu servo na praça pública, eles empilharam seus livros, seus amuletos, suas coisas de alto valor, e fizeram tudo arder em chamas. Esse era o valor do primeiro amor.

    Apocalipse 2:5:

    Lembra-te, pois, de onde caíste.

    É para isso que o Senhor volta. Ele diz: “Eu amei vocês assim. Ah, Eu amei vocês e continuei a amá-los dessa maneira. A um custo muito grande, mas não fiquei calculando o custo. Por amor — pois o amor nunca calcula o custo dessa maneira”.

    “Eu amei vocês assim. Dei tanto a vocês. Realmente dei tanto a vocês, por tanto tempo. Qual é a medida da resposta de vocês? Qual é a medida disso da parte de vocês?”

    É assim agora? Era mais assim em algum momento? É menos assim agora?

    Bem-aventurado o homem ou a mulher aqui que possa se levantar hoje e dizer: “Não, hoje é mais do que nunca”. Hoje é mais do que nunca — isso é bom.

    Mas talvez alguns de nós precisemos enfrentar esse desafio.

    O Perigo da Familiaridade e da Formalidade

    Ah, o fio que se perde — perdido pela familiaridade com as coisas divinas. Como a familiaridade pode tirar o fio! “Ah, já ouvimos tudo isso antes. Já sabemos de tudo.”

    Talvez essa tenha sido a tragédia de Éfeso: a familiaridade, a facilidade de acesso às coisas divinas.

    Quando as pessoas não têm acesso a elas, sentem fome. Alguns me disseram ainda hoje: “Passamos fome; viemos para ser alimentados”. Há muitos, muitos assim neste mundo, sabemos disso.

    Mas, quando tudo é tão facilmente acessível e há tanto à mão, como isso embota o apetite — tira o fio do apetite! Nós nos acomodamos porque, bem, isso não importa tanto. Não nos damos ao trabalho nem fazemos esforço. Está sempre ali quando queremos.

    Talvez tenha havido um tempo em que percorreríamos muitos quilômetros — centenas de quilômetros — por um pouco de alimento espiritual. Hoje, talvez, não estejamos dispostos a caminhar muito longe. Há tanta coisa disponível quando temos vontade.

    Perdoem-me se não estou expressando isso da melhor maneira, mas vocês sabem como é possível que o primeiro amor perca seu vigor por causa dessa familiaridade, dessa facilidade, dessa abundância — porque tudo está ali.

    Ou talvez seja a perda do frescor de um andar no Espírito. Não, uma vida no Espírito, um andar no Espírito, sempre tem frescor. Tem mesmo. Não importa, queridos amigos, há quanto tempo vocês estão no caminho, quanto receberam ou quanto sabem.

    Esta é a maravilha de uma vida no Espírito Santo: parece que você nunca consegue alcançar tudo o que há para você. Isso não ficou no passado. Você sabe muito bem que sua vida não será longa o suficiente para alcançar plenamente aquilo que já recebeu.

    Não estou exagerando no que digo. A vida no Espírito traz consigo um frescor contínuo, uma novidade e a percepção de que há algo mais — algo mais.

    Essa era a característica no começo, não era? Em que mundo entramos! Que mundo novo! Como tudo é novo! O que podemos fazer com tudo isso? Tão grande, tão maravilhoso.

    Isso é verdade a respeito de cada um de nós hoje, em nossa vida espiritual? É um mundo maravilhoso esse em que entramos — o mundo de Cristo.

    A perda do frescor na vida do Espírito; o efeito mortal da formalidade, da rotina. Muitas coisas cristãs são rotina. Passamos pela mesma rotina o tempo todo. Reduzimos tudo a isso: “É assim que se faz. É a prática formal”.

    Ah, que Deus nos livre do efeito devastador e mortal da formalidade e torne tudo vivo!

    Agora, prestem atenção: não podemos conseguir isso tentando ser originais e mudando as coisas para sair de uma dificuldade. Não se consegue isso dessa maneira. Trata-se da lâmpada ardente do Espírito.

    Se o fogo não estiver ali, nenhum método, nenhuma mudança de método, nenhuma originalidade, singularidade ou qualquer outra coisa poderá tomar o seu lugar. É o coração da vida — a vida do Espírito.

    A Prioridade do Próprio Senhor

    Talvez estejamos colocando coisas no lugar da Pessoa, até mesmo coisas cristãs. O trabalho cristão pode ser algo muito, muito prejudicial se se tornar um fim em si mesmo.

    O inimigo está muito empenhado em fazer com que os obreiros cristãos fiquem tão ocupados com o trabalho e todas as suas exigências, todos os seus muitos aspectos, que sejam afastados do próprio Senhor. Essa é, naturalmente, a confissão e a tragédia de muitos servos do Senhor.

    “O trabalho — precisamos dar uma mensagem. Precisamos dar mensagens.” Muito bem, muito bem. Ah, existe uma armadilha sutil: ler sempre a Bíblia ou ouvir mensagens com os olhos nas pessoas a quem você pretende transmiti-las.

    Vocês não imaginam como isso é prejudicial. Talvez eu esteja falando apenas a alguns aqui. Queridos amigos, se você e eu não falamos aos outros aquilo que já falou a nós, tratou conosco, nos desafiou e nos confrontou, que o Senhor nos livre de falar.

    Vejam, o trabalho, as ocupações, as exigências podem simplesmente tomar o lugar do próprio Senhor, e assim o fogo vai sendo abafado.

    Visão, Propósito e Sacrifício

    O primeiro amor é sempre caracterizado por visão e propósito. Vocês sabem que isso acontece no âmbito natural; acontece ainda mais no espiritual. Visão significa que há um futuro, algo à frente, uma perspectiva extraordinária. Esse é um elemento do primeiro amor.

    Vocês veem isso no âmbito natural: algo pelo qual viver, algum propósito na vida, algum sentido na vida, algo à frente que atrai e faz prosseguir. Isso é o primeiro amor, pura e simplesmente. Todos nós éramos assim, de fato.

    Se isso desaparece, se isso desaparece, nós caímos. Nós caímos. Aos olhos do Senhor, descemos.

    O primeiro amor é a disposição de sofrer, de pagar um preço, de prosseguir com Aquele que amamos, custe o que custar e independentemente do que as pessoas digam ou façam. Esse é o primeiro amor.

    Poderíamos continuar assim, mas tenho certeza de que vocês sabem que muitas, muitas outras características pertencem a esse primeiro amor. Primeiro amor e, por causa dele, primeiras obras.

    Ah, que o Senhor encontre Seu apelo a nós produzindo um efeito real, atraindo novamente nosso coração. Se isso nos ajudar, como a lâmpada; se isso nos queimar, como esse fogo, que ouçamos, nos arrependamos e pratiquemos as primeiras obras. Ouçamos o que o Espírito diz às igrejas.

    Ali está o Senhor. Sei que nunca corresponderemos plenamente a Ele nessa questão. Sempre ficaremos aquém do padrão. Mas a pergunta é: há uma lâmpada de fogo — ela está ardendo?

    Não há esperança a menos que a lâmpada de fogo, ou, em outras palavras, o Espírito Santo, esteja produzindo Seu verdadeiro efeito em nossa vida. É por isso que Ele está aqui. Essa é a Sua obra: reproduzir em nós aquilo que é verdadeiro no Senhor Jesus.

    Todos concordamos que isso é verdade a respeito Dele. Tendo amado, Ele persiste no amor. Ele não desiste. Seu amor não entra em colapso nem desaparece.

    O Espírito Santo veio para que o amor de Cristo fosse derramado em nosso coração pelo Espírito Santo — esse tipo de amor.

    Este é um chamado. Vamos responder. Se, queridos amigos, vocês podem se colocar diante disso e dizer: “Sim, sei do que você está falando, mas posso dizer sem nenhuma hesitação: isso não descreve minha condição hoje. Não houve perda em relação ao que havia antes. Na verdade, agora é muito mais intenso”, então, muito bem; é bom se vocês podem dizer isso. Espero que todos nós possamos dizer isso.

    Ainda assim, a palavra do Senhor nos é dada. Ele fala. Ele volta a Se apresentar diante de nós nessa visão e diz: “É assim que Eu sou. É assim que quero que vocês sejam: primeiro amor”.

    Oração

    Vamos orar?

    Ah, Pai, só podemos orar e suplicar a Ti que isso seja verdade a respeito de cada um de nós. Em vez de haver perda e enfraquecimento, que haja o reacender em chamas desse primeiro amor, a intensidade desse amor em nosso coração.

    Que todas essas características dele se tornem mais reais. Ah, Senhor, salva-nos de todas as influências e possibilidades corruptoras desta vida, deste mundo. Livra-nos, nós Te pedimos, de perder qualquer coisa que Tu nos tenhas dado.

    Tu nos disseste tanto em Teu amor. Tu nos deste tanto em Teu amor. Agora Tu vens buscar o fruto que tens o direito de esperar.

    Não queremos que haja decepção em Teu rosto, decepção em Teu coração. Senhor, encontra em nós aquilo que corresponde ao Teu próprio coração, cada vez mais, para que Ele fique satisfeito ao ver o fruto de Seu sofrimento.

    Todos nós precisamos de mais amor — muito mais amor pelo Senhor. Precisamos de muito mais amor uns pelos outros. Ah, Senhor, aumenta essa grande, grande virtude em nossa vida pela poderosa operação do Teu Espírito.

    Em nome de Jesus. Amém.