Vocês podem ler comigo o primeiro capítulo do livro de Apocalipse? Leiam a primeira frase e depois passem a Apocalipse 1:4.
Revelação de Jesus Cristo.
João, às sete igrejas que estão na Ásia:
Graça a vós e paz, Daquele Que é, Que era e Que há de vir;
e dos sete Espíritos Que estão diante do Seu trono;
e de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o soberano dos reis da terra.
Àquele Que nos ama e nos libertou dos nossos pecados pelo Seu sangue;
e nos constituiu reino, sacerdotes para Seu Deus e Pai;
a Ele sejam a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém.
Eis que Ele vem com as nuvens; e todo olho O verá,
até mesmo aqueles que O traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão por causa Dele. Sim, amém.
Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, Aquele Que é, Que era e Que há de vir, o Todo-Poderoso.
Eu, João, vosso irmão e participante convosco da tribulação, do reino e da perseverança que estão em Jesus, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Eu estava no Espírito, no dia do Senhor, e ouvi atrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve num livro e envia às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia.
E voltei-me para ver a voz que falava comigo. E, tendo-me voltado, vi sete candeeiros de ouro;
e, no meio dos candeeiros, Um semelhante a um Filho do Homem, vestido com uma veste que chegava até os pés e cingido à altura do peito com um cinto de ouro.
E a Sua cabeça e os Seus cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e os Seus olhos eram como chama de fogo;
e os Seus pés, semelhantes ao bronze polido, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a Sua voz, como a voz de muitas águas.
E Ele tinha na Sua mão direita sete estrelas; e da Sua boca saía uma espada afiada de dois gumes; e o Seu rosto era como o sol quando resplandece na sua força.
E, quando O vi, caí aos Seus pés como morto. E Ele pôs sobre mim a Sua mão direita, dizendo: Não temas; Eu sou o primeiro e o último e Aquele Que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do Hades.
Apocalipse 4:5.
E do trono procedem relâmpagos, vozes e trovões. E diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus.
Antes de prosseguirmos com a mensagem propriamente dita, queridos amigos, permitam-me repetir algo que tantas vezes tem sido dito em ocasiões como esta a respeito deste ministério.
Em primeiro lugar, sempre foi, e ainda continua sendo, nosso propósito assegurar que as mensagens transmitidas conduzam a questões muito práticas — que as pessoas que as ouvem sejam realmente confrontadas com essas questões práticas. Isto é, não estamos de modo algum preocupados com o ensino, nem interessados nele, como um fim em si mesmo. Se ele não puder levar a algo bem definido, então reconhecemos que estamos perdendo nosso tempo.
Bem, isso é verdade, e sempre acrescentamos: naturalmente, nenhum mestre pode tornar realidade, em seus ouvintes, as coisas que transmite. Essa não é a intenção do seu ministério.
Ele transmite o que acredita ser a mensagem que Deus lhe deu, entrega-a ao Senhor com muita oração, e o restante fica com as pessoas e com o Senhor.
Lembro-me de que o Dr. Campbell Morgan disse certa vez, com ênfase: “Deus ajude o pregador cujos ouvintes não levam a efeito o seu ministério”. É assim que nos sentimos a esse respeito.
Agora, quanto a esta mensagem: vejam, voltamos a este livro da Revelação de Jesus Cristo em consonância com o que acabamos de dizer sobre a natureza essencialmente prática do ministério e de uma mensagem.
Chegamos ao livro que, receio, tem dado origem a muita coisa de pouco valor prático. Talvez não haja nenhum livro na Bíblia que tenha dado origem a mais confusão do que este.
Este livro produziu um número considerável de escolas de interpretação conflitantes. Mencioná-las pelo nome seria apenas abrir a porta para a confusão. Não é minha intenção fazer isso.
Mas isto é certo: Deus nunca pretendeu que qualquer parte da Sua Palavra levasse à confusão. A confusão não é uma característica do Senhor. Ele não é o Deus de confusão.
Portanto, é necessário que resumamos toda a questão a algumas conclusões muito simples.
Penso que os três primeiros capítulos deste livro, que formam uma seção distinta, são um excelente exemplo de como todo o livro pode e deve ser resumido a uma conclusão simples.
Vocês têm liberdade para deixar de lado os nomes dos lugares, se quiserem. Podem considerar Éfeso, Esmirna, Pérgamo e os demais apenas como nomes e lugares. Na verdade, podem deixar de lado boa parte do simbolismo — não todo, porque parte dele é muito evidente —, mas podem deixá-lo de lado.
Vocês podem sintetizar esta seção da seguinte maneira: em primeiro lugar, aqui, nestes três primeiros capítulos, estamos diante de princípios espirituais atemporais.
É verdade que eles estão sendo aplicados a condições, situações e lugares específicos. Mas há algo além do lugar, do tempo e da situação específica. Há um fator espiritual que governa tudo.
Estamos diante daqueles fatores que vão além do âmbito local, além da geografia, além do seu contexto temporal. Eles permanecem ao longo das eras; e, mais do que isso, são eternos.
Portanto, essa é a primeira coisa que precisamos reconhecer e compreender ao nos aproximarmos deste livro e desta seção como exemplo: aqui nos é apresentado algo que está na mente de Deus e que diz respeito a esta situação, ou a todas estas situações aqui expostas.
O que precisamos fazer é apreender aquilo que está na mente de Deus. É uma só coisa; tem muitos aspectos, mas é uma só coisa. Apreender essa única coisa é a chave tanto para esta seção quanto para o livro inteiro. Por enquanto, não direi o que é; chegaremos a isso daqui a pouco.
Em segundo lugar, estamos diante de um daqueles momentos de crise. Talvez seja o último, quando o Senhor pede contas de tudo o que deu.
Isso, naturalmente, está muito claro nesta seção. Governa todo o restante do livro, mas vamos nos ater à seção. O Senhor havia dado muito à igreja e às igrejas. Elas haviam recebido muito por meio dos Seus apóstolos, por meio dos Seus servos. Possuíam uma grande riqueza de herança espiritual.
Quando o Senhor faz algo assim, em qualquer momento da história, é como se, em determinado ponto, Ele voltasse e dissesse: “E agora? O que vocês fizeram com isso? O que fizeram com isso?”
“Eu dei. Eu tornei conhecido. Eu supliquei, implorei, exortei, conquistei. Agora chegou o momento em que é preciso prestar contas e dar uma resposta.”
É de se pensar que o Senhor tenha feito isso mais de uma vez na história. Mas aqui estamos diante de uma ocasião assim. Digo que talvez seja a última, porque este livro está, de fato, relacionado ao fim, não é verdade — à vinda do Senhor?
Mas aqui há um princípio, assim como uma aplicação desse princípio no tempo: estamos diante de uma crise cuja natureza é esta: o Senhor está dizendo: “Até que ponto vocês correspondem a tudo o que lhes dei? Como vocês se encontram à luz de tudo o que lhes foi confiado?”
Esta crise é muito séria. É realmente decisiva, como vocês podem perceber, porque a questão é a alternativa entre continuidade ou descontinuidade: o vaso, o candeeiro, permanecer ou ser removido. Essa é a crise. É todo o futuro.
Em terceiro lugar, aqui somos levados a perceber que o desejo do Senhor é abençoar. Sua atitude é positiva, não negativa.
Embora Ele tenha de apontar as coisas que faltam, as coisas com as quais não concorda, vocês notarão que Ele invariavelmente encerra Sua investigação com:
Ao que vencer, concederei.
O desejo do Senhor, em cada caso, em cada situação, por pior que seja, é abençoar. Ele age de maneira positiva. Pode haver repreensão, pode haver exposição e desvendamento, pode haver advertência, pode haver exortação; mas há uma promessa pairando sobre todos — uma promessa maravilhosa.
Em última análise, todos são tratados não necessariamente com juízo, mas segundo a boa vontade do Senhor. Seu desejo é abençoar. Ele pode condenar, mas Sua condenação visa abrir caminho para a bênção. Talvez Ele tenha de julgar. Talvez tenha de quebrantar. Mas isso é para estabelecer a base para a bênção.
Ele pode advertir com voz solene, mas Suas advertências estão associadas ao Seu desejo de que essas pessoas alcancem algo mais da Sua graça, da Sua bondade.
Vocês não podem ler essas promessas aos vencedores sem ficar profundamente impressionados com isso. Parece que aos maiores transgressores, àqueles que mais falharam, é oferecida a mais elevada mensagem.
Assim foi com Laodiceia. Não se pode ir além de sentar-se com Ele no Seu trono, e essa é a oferta feita a Laodiceia. Todas as coisas passíveis de julgamento são encontradas ali, mas a recompensa mais elevada é oferecida. É da maior profundidade à maior altura. Esse é o Seu pensamento para o Seu povo.
Por fim, e acima de tudo, somos confrontados com aquilo que o Senhor está buscando. Esse será o ponto em torno do qual a mensagem girará: aquilo que o Senhor está buscando e, se é preciso dizer, sem o qual Ele não pode justificar a continuidade de um vaso de testemunho.
É nisso que precisamos nos concentrar. O que é que o Senhor está buscando?
Ora, essas igrejas pensavam que muitas coisas eram aquilo que o Senhor estava buscando, mas não eram. Não eram. Ficou evidente que simplesmente não eram as coisas que o Senhor estava buscando.
Ele tinha Seu próprio objetivo diante de Si e não podia Se satisfazer com nada inferior, diferente ou alternativo a ele.
Esse é o resumo desta primeira seção, nos três primeiros capítulos. Espero que vocês tenham conseguido compreendê-lo — que eu tenha simplificado a interpretação — e que possam enxergar, ainda que apenas na última coisa que disse, essa questão suprema, essa única coisa que o Senhor está buscando depois de ter dado tanto ao Seu povo.
A partir desse ponto, chegamos ao método — o método empregado pelo Senhor, pelo Espírito Santo, para alcançar o propósito no qual o coração de Deus está firmado.
O método empregado é, naturalmente, visto de maneira abrangente e inclusiva na apresentação do Senhor Jesus que temos em Apocalipse 1. Esse é sempre o método de Deus, sempre o método do Espírito Santo: colocar Cristo em evidência, em Sua suprema plenitude.
Ninguém que medite nessa visão do Filho do Homem, apresentada naquele capítulo, poderia duvidar de que temos ali uma apresentação da plenitude de Cristo. Poderosa!
Confesso a vocês, queridos amigos, que, ao meditar por muitos dias — já faz bastante tempo —, minha maior dificuldade tem sido compreender a plenitude de cada fragmento.
Não estou exagerando quando digo que, em quase cada fragmento desta apresentação de Jesus Cristo, vocês poderiam reunir uma enorme quantidade do que está na Bíblia. A dificuldade é saber o que deixar de fora.
O método do Espírito Santo, em sua abrangência, é trazer Cristo de volta, não parcialmente, mas em plenitude — Cristo em plenitude.
Ao observarem essa apresentação, vocês perceberão que ela é uma caracterização sétupla do Filho do Homem ressuscitado e soberano. Nesses sete aspectos, muita coisa está reunida. Tudo está condensado.
Podemos simplesmente mencionar quais são:
Quem pode compreender tudo isso? Uma caracterização sétupla do Filho do Homem — é isso que é apresentado, colocado diante, neste caso, das igrejas; se preferirem, da igreja em sua plenitude, representativamente.
Essa caracterização sétupla é a base do exame que será realizado e do juízo que será declarado. De acordo com o que está aqui, em cada ponto, tudo será provado e determinado.
Essas são as características que constituem Sua busca. Se vocês perguntarem: “O que é que o Senhor procura, o que Ele busca?”, a resposta é: aquilo que corresponde a essas características de Cristo. Se puderem compreender o que elas significam, então saberão exatamente o que Ele está buscando.
Esta apresentação é de Cristo, em primeiro lugar, pessoalmente; e então vocês percebem que ela se torna coletiva. Ele está segurando as igrejas em Sua mão. Está andando entre elas. Ele e elas estão, em certo sentido, identificados.
O que Ele realmente busca é que aquilo que é verdadeiro a respeito Dele seja verdadeiro a respeito da Sua igreja, em cada lugar, em cada localidade.
Agora, em Apocalipse 1:4, vocês têm esta expressão:
Os sete Espíritos Que estão diante do Seu trono.
Passem a Apocalipse 4.
Aqui vocês têm outra referência àqueles sete Espíritos, mas numa forma específica:
Diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus.
Naturalmente, sete Espíritos é outra maneira simbólica de falar do Espírito Santo. Podemos falar do Espírito Santo — e temos fundamento para fazê-lo — em uma expressão sétupla. É um só Espírito mencionado aqui no simbolismo dos sete Espíritos diante do trono.
O trono, como sabemos e compreendemos, é o símbolo da autoridade celestial. Lâmpadas de fogo: o trono operando por meio de lâmpadas de fogo — o Espírito Santo.
Sabemos o que são lâmpadas de fogo. Originalmente, a palavra é “tochas”. Sabemos o que isso significa. A função das lâmpadas ou tochas é, primeiro, revelar; depois, provar; e então, determinar. O trono está em ação aqui dessa maneira, muito claramente: revelar, provar e determinar. Teremos mais a dizer sobre isso daqui a pouco.
Voltemos a Apocalipse 1: a expressão de Cristo pelo Espírito Santo numa caracterização sétupla. Eles estão diante do trono. É o trono que está em ação aqui. Tenhamos isso em mente. É um trono que entrou em ação aqui pelo Espírito Santo, em relação à plenitude de Cristo em todas as principais características do Seu caráter.
O quadro é bastante simples, mesmo através do simbolismo complexo. O trono: aqui está o assento de Deus. O ministério do Espírito é sétuplo — o que o Espírito diz às igrejas. Observem isso sete vezes:
O que o Espírito diz.
O Espírito fala a partir do trono de governo, ou diante dele. O que Ele está dizendo é que Este que é colocado em evidência é isto, é aquilo e é aquilo outro — sete características principais de Cristo. Cristo está ali; o trono de governo sustenta isso. O Espírito nos confronta a respeito dessas características.
De fato, sete lâmpadas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus: é isso que aquele trono busca, requer e exige. Portanto, o ministério diz respeito àquelas características divinas que são as características do Filho do Homem.
Não podemos avançar depressa, por mais que queiramos. Somos imediatamente detidos por esse título: “Um semelhante a um Filho do Homem”.
A nota à margem faz a correção, porque o mesmo autor escreveu no Evangelho, em João 1:51, e ali não há como se enganar. É “o Filho do Homem”. Jesus disse a Natanael:
Daqui em diante vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.
E assim é aqui, com Este que é apresentado. Isso não impressiona vocês, queridos amigos? Espero não estar cansando vocês com detalhes demais. Isso não os impressiona quando leem esta descrição do Senhor? Olhem para esta descrição em todos os seus detalhes e depois ouçam o que Ele diz a respeito de Si mesmo.
Não impressiona vocês que Este seja descrito como o Filho do Homem? Ora, de todos os lugares da Bíblia, seria de esperar que aqui encontrássemos “o Filho de Deus”. Ele é o Filho de Deus, mas não é assim que é chamado aqui, nesta relação específica. O Filho do Homem.
O que isso significa? É um título que compreende, em primeiro lugar, o pensamento original de Deus a respeito desta criação especial chamada homem.
Deus disse:
Façamos o homem.
Ele estava fazendo algo novo. Estava iniciando uma espécie particular de criatura, uma criação especial. Ao fazê-lo, tinha um pensamento ligado a isso — ou grandes pensamentos ligados à humanidade.
“Filho do Homem” abrange esse pensamento original de Deus a respeito do homem.
Abrange, no caso do Senhor Jesus, a perda que Deus sofreu quanto ao Seu propósito e desejo para o homem. Deus perdeu — ah, quando o homem se desviou do caminho de Deus, Deus perdeu, naquele homem, aquilo que havia planejado.
No Filho do Homem, essa questão é retomada: a perda de Deus, aquilo de que Deus foi privado pelo pecado e pela obstinação do homem e pela interferência de Satanás.
Mas esse termo também incorpora a redenção do homem por Deus. Filho do Homem — isso está relacionado à redenção do homem por Deus e a tudo aquilo que Ele havia perdido.
Além disso, Filho do Homem inclui a perfeição divina do homem que Deus criou. Estamos chegando bem perto da visão agora, não é verdade?
Por fim, Filho do Homem, em relação ao Senhor Jesus, é o modelo de Deus para todas as Suas atividades posteriores no que diz respeito ao homem.
Aí vocês têm os cinco componentes desse título, Filho do Homem. Agora sabem o que o Senhor está buscando — aquilo que a igreja e as igrejas devem ser na mente de Deus.
O que Deus busca, o que o Filho do Homem busca, o que o Espírito Santo, em Sua atividade sétupla, busca é uma só coisa: correspondência com o Filho do Homem.
Que esse Filho do Homem seja reproduzido em Seu caráter em todos os homens. As igrejas são escolhidas para isso. Sete lâmpadas de fogo: elas revelam até que ponto isso é verdadeiro e até que ponto não é. Elas provam tudo sobre essa base.
Isso corresponde ao que Cristo é, ao que o Filho do Homem é? Tendo encontrado a resposta, Ele julga de acordo com ela. Essa é a questão: iluminar e sondar, distinguir entre o que é Cristo e o que não é Cristo, purificar, se possível, de tudo o que não é Cristo e estabelecer o que é. Esse é o resumo desses três capítulos.
A primeira lâmpada — o primeiro aspecto de Cristo com o qual nos deparamos, a base da atividade investigadora do Espírito Santo. O que é? Uma veste que chega até os pés.
Uma veste que chega até os pés. Não se trata da veste sacerdotal, nem da veste real. É simplesmente uma veste. O texto não a descreve por inteiro; apenas afirma que Ele estava vestido, e com uma veste que chegava até os pés.
Ele estava verdadeira e plenamente vestido — inteiramente vestido.
Vocês se lembram de que o primeiro efeito do pecado do homem foi a consciência da nudez. Foi o pecado que produziu essa consciência. Somos informados com precisão: assim que o homem pecou, eles souberam que estavam nus.
Sua consciência mudou porque sua natureza mudou. O primeiro sinal dessa mudança de natureza foi um sentimento de vergonha.
Observem que a primeira obra genuína do Espírito Santo em direção à redenção e à restauração é produzir um sentimento de vergonha. Receio que muitas conversões supostas, professadas, careçam disso, ou não o tenham suficientemente. Mas toda obra verdadeira, genuína, do Espírito Santo começa aí: cobrir os nossos pés — a consciência da nossa condição de ruína, daquilo que a Bíblia quer dizer com nudez aos olhos de Deus.
Vejam aqui, Apocalipse 3:17:
Porque dizes: Sou rico, tenho adquirido riquezas e de nada preciso;
e não sabes que tu és o infeliz, miserável, pobre, cego e nu.
Poucas sentenças mais terríveis poderiam ser pronunciadas contra alguém. Vocês não têm nenhum senso de necessidade ou de vergonha. Não têm consciência de como realmente se encontram diante dos olhos que são uma chama de fogo. Acham que estão bem. Acham que estão cobertos.
Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo, para que te enriqueças;
e vestes brancas, para que te vistas e não seja manifesta a vergonha da tua nudez.
Essa é uma linguagem simbólica relacionada à verdade espiritual.
Deus imediatamente passou a fazer roupas para cobrir o homem — para afastar de Sua própria vista o pecado do homem.
Agora vocês chegam ao Filho do Homem, o último Adão. Aqui Ele está vestido até os pés. Em outras palavras, Ele tem uma sensibilidade elevada e aguçada para aquilo que é apropriado à presença de Deus.
Vocês não sentem como isso nos sonda? Em tantas situações e questões nessas igrejas, esse era justamente o problema. Elas não tinham aquele senso verdadeiro, aquele senso apurado do que é adequado a Deus — do que é correto para Deus, do que é condizente com Deus.
Vocês podem apresentar todo tipo de coisa, mas não, não. Essa única coisa tantas vezes estava faltando.
Isso pode ter uma aplicação muito ampla e variada. As roupas geralmente são a expressão da pessoa que as veste. Roupas desarrumadas e roupas bem cuidadas, vestuário descuidado, retratam a pessoa. Poderíamos percorrer todo esse terreno, não é verdade? Uma palavra que nos sonda sobre toda a questão de vestir-se, ou de não se vestir, nestes dias, diante de Deus.
Mas aqui o simbolismo é espiritual. É espiritual. Diz respeito ao que somos em nós mesmos diante de Deus, produzindo vergonha — humilhação de nós mesmos.
Mas então, graças a Deus, o que o Filho do Homem conquistou e providenciou para nós é uma veste de justiça, para que possamos permanecer na presença de Deus.
Eu disse a vocês há pouco, amigos, que poderiam reunir em cada um desses fragmentos uma enorme quantidade de conteúdo bíblico. Nessa única palavra, “vestido”, vocês poderiam reunir toda a carta aos Romanos, e também a carta aos Gálatas, e muito mais.
É esta questão da justiça que vem pela fé em Jesus Cristo — a justiça de Deus. É a justiça de Deus dada a nós em Cristo, o Filho do Homem.
Vocês percebem que vasto campo isso abre. Como nos apresentamos diante de Deus? Estamos projetando a nós mesmos diante de Deus? Estamos diante do Senhor, entre Seu povo, ou sozinhos, ou em qualquer lugar deste mundo, impondo nossa vida natural, de alguma forma, aos olhos e à percepção daqueles que nos cercam?
E não apenas isso, mas tudo o mais — até mesmo em nossa religião e em nossa espiritualidade —, transmitindo uma impressão de mansidão, ou seja lá do que for, e, por trás dela, o que se percebe somos nós mesmos. Ah, não.
Estamos bem no começo, no fundamento de tudo aqui. Qual é a nossa posição diante de Deus? Qual é a nossa posição diante dos nossos irmãos? Nossa posição, seja qual for, só pode ser aquilo que somos em Cristo.
Jamais deve ser outra coisa: aquilo que somos em Cristo; aquilo que Cristo Se tornou para nós como sabedoria, justiça, santificação e redenção.
Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.
Despojai-vos do velho homem.
A figura aqui, muito claramente, na língua original, é a de vestes: uma veste sendo tirada e outra sendo colocada. Vocês tiram aquela veste do velho homem e se revestem de Cristo — outra veste, outra roupa.
O primeiro desafio do Espírito Santo é este: quanto de vocês, quanto de nós, está aparecendo? Aquilo que somos, causando uma impressão. Que Deus nos livre de querer causar uma impressão — de querer ser destacados, singulares e diferentes, para deixar uma marca que nos coloque em evidência. Que o Senhor tenha misericórdia de nós.
É Cristo — nossa veste, a única condição de adequação e decoro para a presença de Deus.
Creiam em mim, queridos amigos, a questão final de todas essas sondagens é a presença de Deus — permanecer na presença de Deus, para que vocês possam estar diante da presença de Deus.
Não podemos fazer isso em nossa condição natural, porque ela é nudez e vergonha. Vocês sabem quanto o Novo Testamento diz sobre esta questão: quando comparecermos diante Dele, e quando Ele aparecer, se estaremos nus diante Dele naquele dia.
Mais uma vez, é uma palavra simbólica, mas quão certa ela é! Quão bendita ela é! Como nos conduzirá novamente à mais preciosa de todas as nossas bênçãos: uma veste, uma justiça que não é nossa, mas a justiça de Cristo mediante a fé em Jesus Cristo.
Mas digo novamente: isso trata de tudo isso — de cada aspecto de nós mesmos que entra em cena. O Espírito, como uma lâmpada de fogo, expõe e determina.
Encerro neste ponto, por enquanto, com isto: que o Senhor nos leve a buscar cada vez mais esse senso apurado do que é apropriado a Deus.
Vocês perceberão o que isso significa no âmbito natural, ao entrar na presença de uma pessoa de honra. Lembro-me de ter lido sobre o sábio de Chelsea, Carlyle, que foi visitar a rainha Vitória e foi observado com muita atenção.
O filósofo e recluso nunca se preocupava com a maneira como se vestia, e apareceu no palácio com roupas extremamente desleixadas — extremamente desleixadas. Que escândalo aquilo foi para a rainha Vitória! Ela nunca se esqueceu daquilo.
Toda a sua filosofia, todo o seu gênio e tudo o mais não valeram nada. Aquele homem não tinha nenhum senso do que era apropriado à presença de uma rainha.
Bem, isso é apenas uma observação à parte. É assim que funciona no âmbito natural. Mas quanto mais em relação ao Senhor! Quando nos reunimos, o que é apropriado à presença do Senhor?
Deveríamos estar sempre em Sua presença. Que o Espírito nos examine continuamente quanto àquilo que não é adequado à permanência na presença do Senhor e diga: “Ora, isso não é condizente com o Senhor. Você terá de mudar um pouco suas roupas nessa questão”. Entendem o que quero dizer?
Bem, isso é prático? É apenas mais um ensino, um assunto? Penso, amados, que poucas coisas poderiam nos sondar mais profundamente do que isso.
Que o Senhor nos conduza à mesma busca que está em Seu próprio coração. Pois, nesta questão, lembrem-se, Ele atribui, de um lado, o mais alto valor e, do outro, a mais penetrante condenação.
Ouçam como Ele fala com os fariseus. Suas roupas finas, suas vestes, sua bela aparência de coerência, seu adorno exterior — Ele enxergava através de tudo isso e via sua nudez.
Ah, como Ele era severo com a hipocrisia, com o fingimento! Deus nos livre. Deus nos livre. Não, isso não serve.
Mas aqui há uma bênção para aqueles que procurarem continuamente cultivar esse senso do que realmente pertence ao Senhor — a honra do Senhor.
A exortação do Antigo Testamento volta a nós com nova força:
Adorai o Senhor em vestes de santidade.