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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Special Conference For Service #2, Spiritual Leadership © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Special Conference For Service #2, Spiritual Leadership
    Special Conference For Service #2, Spiritual Leadership
    Kaung, Stephen

    A Formação da Liderança Espiritual

    Sejam bem-vindos. Para que seja justo, vou falar em chinês. À noite, nosso irmão falará em inglês, com tradução para o chinês. Na sessão da manhã, falarei em chinês. Assim, vocês sentirão que estão sendo tratados de maneira justa.

    Agora, ouçam o Evangelho de João, capítulo 15.

    Vós não Me escolhestes a Mim, mas Eu vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça: a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda.
    — João 15:16

    Vamos também abrir em 1 Coríntios 1:26-29.

    Considerai a vossa vocação, irmãos: não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres;
    mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes;
    e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são;
    para que nenhuma carne se glorie diante de Deus.
    — 1 Coríntios 1:26-29

    Gálatas 1:1:

    Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, Que O ressuscitou dentre os mortos.
    — Gálatas 1:1

    Por fim, Atos 20:28:

    Atentai por vós mesmos e por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja do Senhor, que Ele comprou com o Seu próprio sangue.
    — Atos 20:28

    A Natureza da Liderança Espiritual

    Ontem de manhã, mencionamos a maneira como Deus vê a liderança espiritual. Percebemos que, em Sua obra, Deus considera a liderança espiritual algo de importância vital.

    Embora a intenção de Deus seja que todos os Seus filhos O sirvam, Ele levanta líderes para conduzir Seu povo nesse serviço. Esses líderes não estão ali para substituir o ministério do povo. Não estão ali para monopolizar o serviço. São levantados para conduzir o povo, estimular e encorajar o povo de Deus, até que cada um possa cumprir seu chamado como sacerdote.

    Também vemos que as concepções de liderança são bastante opostas entre si. No sistema deste mundo, você é colocado numa posição muito elevada. A liderança é uma questão de posição, e, por causa dessa posição, você está ali para liderar.

    Mas a liderança espiritual é bem diferente. O Senhor diz claramente aos Seus discípulos:

    No mundo, os governantes dominam sobre vós. Mas entre vós não é assim.

    No meio de vocês, aqueles que desejam ser grandes devem tornar-se pequenos. Se você quer ser um líder, precisa ser escravo de todos. A concepção de liderança não é uma questão de governar; é uma questão de servir a todos.

    Assim, Deus está sempre à procura de pessoas desse tipo. Se Deus encontrar aqueles que Ele pode usar, então poderá abençoar Seu povo.

    A Liderança Espiritual e a Soberania Divina

    Nesta manhã, vamos avançar nesse assunto: como se forma a liderança espiritual?

    A liderança espiritual é diferente da liderança do mundo. Neste mundo, se você tem dons naturais ou experiência, pode estar qualificado para uma posição de liderança. Mesmo que não tenha dom algum, se tiver determinada origem ou condição social, ainda poderá ser colocado numa posição de liderança.

    Mas, no que diz respeito à liderança espiritual, não é assim. A liderança espiritual não se baseia no que é natural. Não se baseia em sua capacidade natural, em sua condição neste mundo, em sua personalidade carismática ou em sua experiência passada.

    Todas essas qualidades podem ser úteis neste mundo, mas, no que diz respeito à liderança espiritual, elas não constituem um fundamento. Às vezes, percebemos que, quanto mais dons naturais possuímos, mais frequentemente eles se tornam um impedimento em nosso serviço ao Senhor.

    Não é que essas coisas não possam ser usadas por Deus. Em certo sentido, Deus não pode usar nada que seja meramente natural. Por outro lado, Deus pode usar essas coisas, mas elas precisam passar pela morte e pela ressurreição. Se não passarem pela morte e pela ressurreição, Deus não poderá usá-las.

    A liderança espiritual precisa de graça espiritual. Quando falamos da formação da liderança espiritual, precisamos enxergar uma coisa: a liderança espiritual é uma escolha de Deus. Isso é a soberania de Deus.

    A liderança espiritual não é algo que o homem possa obter. Ela não é segundo o homem, nem se dá por intermédio humano.

    Em outras palavras, você não pode decidir por si mesmo que será um líder do povo de Deus. Outras pessoas não podem colocá-lo numa posição de liderança.

    A liderança espiritual não existe porque você passou por uma formação específica, recebeu uma educação ou um treinamento particular e, por isso, está qualificado para ser líder. Você não pode escolhê-la para si mesmo, e outra pessoa não pode colocá-lo nessa condição.

    Tudo o que você pode fazer por si mesmo, ou que alguém pode estabelecer para você, é apenas uma posição. Ter essa posição não significa necessariamente que você possa ser um líder espiritual.

    A liderança espiritual precisa de autoridade espiritual, e a autoridade espiritual depende da vida espiritual. Se você não tem vida espiritual, então não terá autoridade espiritual.

    Você pode ser colocado numa posição elevada diante dos homens, mas, nas coisas espirituais, não terá poder para liderar.

    A Escolha de Deus em Contraste com a Qualificação Humana

    João 15:16 nos diz:

    Vós não Me escolhestes a Mim, mas Eu vos escolhi a vós.

    Irmãos e irmãs, a formação da liderança espiritual vem da escolha de Deus.

    Às vezes, Deus escolhe determinada pessoa, e nós discordamos. Às vezes, nos perguntamos por que Deus escolheu uma pessoa assim. Não sabemos por que Ele escolheu aquela pessoa, mas Deus sabe o que está fazendo.

    A formação da liderança espiritual se dá segundo a escolha de Deus. Não podemos discutir ou debater essa questão, porque isso é a soberania de Deus.

    Quando Deus escolhe uma pessoa, aquele que Ele escolhe pode ser um líder. Sejam quais forem as razões por trás dessa escolha, a soberania de Deus está por trás dela.

    A liderança espiritual não apenas se dá segundo a escolha de Deus; quando Deus escolhe uma pessoa, Ele não a escolhe por causa de sua origem ou condição social.

    O capítulo 1 de 1 Coríntios nos diz:

    Considerai a vossa vocação, irmãos: não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres.

    Quem Deus escolhe? Deus escolheu as coisas loucas do mundo. Ele escolheu as coisas fracas do mundo. Escolheu as coisas humildes do mundo, as desprezadas e as que não são.

    Todas essas palavras são muito claras para nós. A escolha não se baseia no que você tem neste mundo. A sabedoria da sua carne nada significa para Deus. Sua força não conta aos olhos de Deus, e sua nobreza não é importante para Ele.

    Deus quer escolher os loucos, os fracos, os humildes, os desprezados e até aqueles que nada são. Tudo se dá segundo a escolha de Deus; portanto, ninguém pode se gloriar.

    Se Deus escolhe uma pessoa para ser líder, ela não tem nada de si mesma de que possa se gloriar, porque tudo se dá segundo a soberania de Deus. Creio que precisamos ter muita clareza sobre esse ponto diante do Senhor.

    O Exemplo de Francisco de Assis

    Na história da igreja, houve um homem chamado Francisco de Assis. Esse homem foi usado poderosamente por Deus.

    Certo dia, seu companheiro, o irmão Mateus, olhou para ele e perguntou: “Por quê? Por quê? Por quê?”

    Francisco respondeu: “Que pergunta é essa que você está fazendo?”

    Seu companheiro disse: “Por que todas as pessoas do mundo estão seguindo você? Por que querem ouvir sua pregação? Por que vêm e lhe obedecem? Você não é muito bonito. Não tem muita instrução. Sua origem não é muito impressionante”.

    Quando Francisco ouviu essas palavras, ergueu os olhos e olhou para o céu. Estava cheio de alegria. Permaneceu ali em quase completo silêncio, adorando e orando a Deus. Ajoelhou-se no chão, louvando a Deus.

    Então falou ao seu companheiro: “Você quer saber por quê? Vou lhe dizer. Deus me escolheu porque não conseguiu encontrar entre os homens alguém mais pecador do que eu”.

    “Aos olhos de Deus, entre todos os pecadores do mundo, Ele não conseguiu encontrar um pecador mais pecador do que eu. Por isso, Deus me escolheu para realizar Sua obra e glorificar Seu nome”.

    Francisco enxergava com muita clareza que a liderança depende inteiramente da escolha de Deus. Aqueles que são escolhidos por Deus para ser líderes muitas vezes são os que percebem que, em si mesmos, nada podem fazer.

    Por um lado, enxergam sua própria corrupção. Reconhecem que, em si mesmos, nada são; por isso, Deus pode usá-los. Por outro lado, quando reconhecem que nada são em si mesmos, não podem dizer não ao Senhor.

    O Exemplo de Moisés

    Moisés é um exemplo. Aos quarenta anos, decidiu visitar seus irmãos. Moisés tinha no coração o desejo de visitar seus irmãos e estar com eles.

    Saiu para visitá-los e viu um egípcio espancando um de seus irmãos. Moisés era um homem poderoso e matou o egípcio. Sentiu-se muito satisfeito.

    No dia seguinte, saiu novamente e viu dois de seus irmãos brigando. Moisés era um homem eloquente e usou seu discurso poderoso para apaziguar a discussão. Pensou que suas palavras resolveriam o problema.

    Ele sentia que Deus lhe havia confiado uma missão e o havia escolhido para ser o líder de Seu povo, Israel. Mas não percebia que seus próprios irmãos não lhe dariam ouvidos.

    Um dos hebreus disse:

    Quem te constituiu príncipe e juiz sobre nós?
    Pretendes matar-me, como mataste ontem o egípcio?

    Moisés soube que a notícia havia se espalhado, e sua única saída era fugir. Ali estava alguém que sentia que Deus o havia estabelecido como líder. Ele se importava com seu povo, era um homem poderoso e era um homem eloquente.

    Mas Moisés confiava em sua força natural para libertar Israel e ser seu líder. Foi rejeitado por seu povo e, em certo sentido, também foi rejeitado por Deus. Não estava qualificado para ser líder.

    Então fugiu para a terra de Midiã, e ali foi pastor de ovelhas durante quarenta anos. Aos oitenta anos, Deus Se revelou a Moisés e lhe disse que voltasse ao Egito para libertar Seu povo.

    O que Moisés respondeu?

    Quem sou eu, para ir a Faraó?

    Quarenta anos antes, seu sentimento havia sido diferente. Quarenta anos antes, ele pensava: “Sou um homem poderoso”. Mas, quarenta anos depois, disse: “Quem sou eu? Sou um homem que nada é. Não tenho nada. Como posso ir enfrentar Faraó?”

    Deus disse:

    Eu serei contigo.
    Vai e dize ao povo que ouvi o seu clamor.
    Lembro-Me da Minha aliança com Abraão.
    Eu os libertarei do Egito.

    Mas Moisés tinha muitas desculpas. Antes, queria fazer muitas coisas; agora, Deus queria que ele fosse, e ele hesitava.

    Moisés disse:

    Se eu for até eles e lhes disser que Deus me enviou, eles dirão: “Qual é o nome do teu Deus?”

    Deus disse:

    EU SOU O QUE SOU.

    Moisés respondeu novamente:

    Se eu lhes disser: “EU SOU O QUE SOU me enviou a vós”, e eles não crerem que Tu me apareceste, que farei?

    Deus lhe disse que lançasse seu cajado no chão, e ele se tornou uma serpente. Disse a Moisés que a pegasse pela cauda, e ela se tornou novamente um cajado. Disse a Moisés que colocasse a mão no peito, e ela ficou leprosa; quando a colocou ali novamente, ficou limpa.

    Deus disse:

    Se não crerem nestes dois sinais, toma água do rio e derrama-a sobre a terra, e ela se tornará em sangue.
    Então crerão em ti.

    Mas Moisés ainda discutia com Deus.

    Não sou eloquente.
    Não sei falar.

    Durante quarenta anos, ele havia falado apenas com ovelhas. Não é de admirar que dissesse que não sabia falar.

    Deus disse:

    Quem fez a boca do homem?
    Eu serei com a tua boca.

    Mas Moisés ainda argumentava:

    Envia, peço-Te, pela mão daquele a quem houveres de enviar.

    O que ele queria dizer era: “Por que Tu me queres? Envia outra pessoa”. Deus ficou irado com ele.

    A essa altura, Moisés era um homem que nada era. Ele realmente se via como nada. Não podia ir, mas também não podia deixar de ir.

    O Exemplo de Jeremias

    Também podemos pensar em Jeremias. Em Jeremias 1, quando a palavra do Senhor veio a Jeremias, o Senhor disse:

    Eu te constituí profeta às nações.

    Como Jeremias respondeu? Ele disse:

    Ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque sou uma criança.

    Porque ele não podia, Deus o escolheu. Se você pensa que pode, temo que Deus não possa usá-lo. Porque você não pode, então Ele o escolherá.

    Jeremias só podia dizer o que havia recebido do Senhor. Ele transmitiu muitas mensagens tristes e se tornou motivo de zombaria entre o povo.

    Ele disse:

    Não farei menção Dele, nem falarei mais em Seu nome.

    Mas então a palavra de Deus ardia dentro dele, e ele não podia deixar de falar.

    Irmãos e irmãs, podemos ver que Deus procura aqueles que, em si mesmos, não podem. Ele pode permitir que as circunstâncias o pressionem e o movam. Uma pessoa que, por iniciativa própria, quer ser líder desqualifica a si mesma para se tornar líder.

    Todos aqueles que são escolhidos por Deus não querem, por si mesmos, ser líderes. Prefeririam ser seguidores. Aqueles que querem ser líderes, mas não estão dispostos a ser seguidores, não estão qualificados para liderar.

    Se não podemos seguir, então não podemos liderar. Às vezes, podemos liderar, mas a liderança espiritual depende de Deus. Não depende do que somos ou de quem somos. Tudo depende da soberania de Deus.

    Se, em Sua misericórdia, Deus escolheu você, só lhe resta prostrar-se e adorar. Você só pode reconhecer diante de Deus: “Não é porque haja alguma coisa em mim. Tu me escolheste porque vês que nada tenho, porque vês que sou a pessoa menos qualificada em todo o mundo”.

    Qualquer pessoa que Deus tenha escolhido não tem nada de que se gloriar. Como Paulo disse:

    Se prego o evangelho, nada tenho de que me gloriar; porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não pregar o evangelho!

    A Resposta Humana ao Chamado de Deus

    Esse é um lado da questão. A formação da liderança se dá segundo a escolha de Deus, e Sua escolha não se baseia naquilo que você possui naturalmente.

    Mas, por outro lado, a verdade é equilibrada. Quando Deus escolhe uma pessoa, Ele tem Sua razão, e deve haver uma resposta da parte do homem.

    A Escritura nos diz:

    Muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

    De uma perspectiva ampla, Deus está à procura de líderes, pois todos devem ter a oportunidade de servi-Lo.

    No Antigo Testamento, Moisés conduzia os israelitas pelo deserto. Sentia que a responsabilidade era grande demais para ele e que não podia suportar o fardo.

    Ele se esqueceu de que não era ele mesmo quem carregava o fardo. O Espírito de Deus o capacitava a carregá-lo. Mas, às vezes, nós realmente nos esquecemos.

    Quando Deus nos coloca na liderança, enfrentamos todo tipo de problema. Às vezes, as pessoas nos entendem mal. Às vezes, nos criticam. Às vezes, não vemos saída. Encontramos muitos problemas e sentimos que o fardo é pesado demais.

    Pensamos que somos nós que estamos carregando todo o peso. Não somos nós; é o Espírito Santo em nós que suporta todas essas coisas.

    Moisés disse ao Senhor que o fardo era pesado demais e que queria renunciar. Nosso Deus é cheio de misericórdia e graça. Ele disse:

    Se sentes que o fardo é pesado demais para ti, escolhe entre o povo setenta anciãos.

    Deus disse:

    Traze-os a Mim, e tomarei do Espírito que está sobre ti e O porei sobre eles.

    Deus não queria dizer que retiraria o Espírito de Moisés. O mesmo Espírito seria compartilhado com os setenta.

    Não houve um acréscimo do Espírito; a responsabilidade foi compartilhada. Às vezes, pensamos que foi acrescentada mais força, mas o mesmo Espírito que estava sobre Moisés foi compartilhado com os outros.

    Todos esses setenta homens foram levados à presença de Moisés, mas dois não vieram. Ainda assim, o Espírito também veio sobre eles, e profetizaram no acampamento.

    Josué tinha ciúmes por Moisés e queria impedi-los. Mas Moisés disse:

    Quem dera todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse o Seu Espírito sobre eles!

    Isso representa o desejo de Deus. Deus deseja que cada um de nós tenha a oportunidade de servi-Lo. Mas muitos são chamados, e poucos são escolhidos.

    A razão não é a falta de capacidade natural. Podemos pensar que somente aqueles que são naturalmente sábios podem ser líderes e, por isso, dizer: “Sou uma pessoa sem inteligência. Como posso ser usado por Deus?”

    Podemos pensar: “Somente os sábios conseguem entender a Palavra de Deus. Não sou muito sábio. Como posso entender? Se eu fosse eloquente, poderia pregar. Se tivesse mais capacidade, poderia servir ao Senhor”.

    Muitas vezes, pensamos que a escolha de Deus se baseia em nossa capacidade natural. Por termos vivido mais tempo neste mundo, pensamos que sabemos administrar as coisas. Mas, irmãos e irmãs, a escolha de Deus não se baseia em nenhuma dessas coisas.

    As Qualificações Espirituais para a Liderança

    Quando Deus escolhe uma pessoa que deseja usar, Ele não escolhe segundo os dons naturais. Mas isso não significa que Ele não tenha requisitos. Ele tem requisitos, sim.

    Seus requisitos não se baseiam em dons ou capacidades naturais. Seus requisitos são espirituais.

    Quando Deus escolhe uma pessoa para ser líder, Ele vê um futuro espiritual naquela vida. Do ponto de vista natural, essa pessoa talvez não possua nada. Mas ela tem um coração voltado para Deus e um coração que teme o Senhor.

    Como seu coração está voltado para o Senhor, ela deseja colocar-se em Suas mãos. Quer aceitar o tratamento do Espírito Santo. Quer que a cruz realize sua obra em sua vida.

    Quer arrepender-se diante de Deus. Quer ser humilde diante de Deus. Quer abrir mão de tudo por Deus. Não tem ambição nas coisas deste mundo.

    Não está buscando posição. Não está buscando a aprovação dos homens. Tem apenas um coração voltado para o Senhor e quer que Deus realize uma obra em sua vida.

    Esse é o tipo de pessoa que Deus pode usar. Esse é o tipo de pessoa que Deus pode preparar.

    A pessoa que está sendo preparada para ser líder não pode receber essa formação numa escola teológica. Você não pode aprender todas essas lições numa escola bíblica. Não pode fazer alguns cursos e, assim, tornar-se qualificado para ser líder.

    Isso não significa que não devemos receber instrução. Mas precisamos aprender essas lições na escola de Cristo. Temos de aprendê-las na escola do sofrimento.

    Aprendemos essas coisas sob o controle e a disciplina do Espírito Santo. Precisamos aprender lições espirituais diante do Senhor. Somente aqueles que aprendem essas lições diante do Senhor podem atender aos requisitos de Deus.

    O Exemplo dos Doze Discípulos

    Creio que o melhor exemplo são os discípulos do Senhor Jesus. Quando o Senhor Jesus começou a pregar, muitas pessoas vieram ouvi-Lo. Muitas vieram apoiá-Lo, e muitas O seguiram.

    Mas o coração do Senhor não estava voltado para a multidão. Embora Ele tivesse compaixão da multidão, porque eram como ovelhas sem pastor, Seu foco não estava na multidão.

    Sua atenção estava voltada para a escolha dos doze. Antes de escolhê-los, o Senhor subiu ao monte e orou a noite inteira. Ele estava buscando a vontade do Pai.

    Não sabemos o conteúdo de Sua oração. Isso é um mistério. Mas sabemos que o Senhor estava buscando a vontade do Pai: “Quem Tu queres que Eu escolha entre toda esta multidão?”

    Depois daquela noite de oração, o Senhor escolheu os doze. Considerem quem eram esses doze discípulos.

    Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, eram pescadores. Tiago e João também eram pescadores.

    Não conhecemos a profissão de Filipe. Bartolomeu era Natanael, de quem o Senhor disse:

    Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!

    Tomé era alguém que duvidava. Mateus era cobrador de impostos, uma pessoa desprezada pelo povo.

    Israel estava sob o domínio do Império Romano. Alguns judeus se organizaram como um grupo de resistência ao domínio romano. Eram chamados zelotes e estavam dispostos a recorrer à violência e ao assassinato.

    Simão, o Zelote, estava entre os doze. Por fim, havia Judas Iscariotes.

    Nenhum dos doze era alguém de prestígio. Nenhum era sábio. Nenhum era poderoso. Nenhum ocupava uma posição elevada no mundo. Os demais eram humildes pescadores.

    Mateus, o cobrador de impostos, trabalhava para o Império Romano. O governo romano oprimia Israel e cobrava impostos do povo. Os cobradores de impostos muitas vezes ganhavam dinheiro cobrando mais do que o governo exigia.

    O povo judeu considerava esses homens antipatrióticos. Via-os como traidores e os desprezava.

    No entanto, entre os discípulos também havia Simão, o Zelote, um patriota extremado, um radical. Um amava o dinheiro, e outro amava seu país. Quando o Senhor reuniu todas essas pessoas, foi realmente um milagre.

    Eles eram fracos e nada eram. Entre eles havia todo tipo de dúvida e conflito interior. Não é de admirar que o Senhor tivesse de orar a noite inteira antes de escolhê-los.

    Por que o Senhor escolheu esses? Por que não escolheu os sábios, os poderosos ou os nobres?

    Porque aqueles que eram sábios, poderosos e nobres não permitiriam que o Senhor os usasse. Queriam viver sua própria vida. Queriam fazer suas próprias coisas. Embora tivessem muitas coisas neste mundo, essas coisas se tornaram um impedimento diante do Senhor.

    Era como se o Pai mostrasse ao Senhor cada pessoa da multidão, uma por uma. “Não. Não. Não.” Por fim, restaram apenas doze pessoas fracas e aparentemente inúteis.

    Aqueles doze representavam o melhor que Deus podia escolher. O Senhor os escolheu porque, embora nada tivessem, tinham um coração voltado para Ele. Queriam segui-Lo.

    Pedro disse ao Senhor:

    Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna.
    E nós temos crido e sabemos que Tu és o Santo de Deus.

    Esse grupo de pessoas se colocou à disposição do Senhor. Elas permitiram que o Senhor trabalhasse em sua vida. Às vezes, o Senhor as repreendia, e elas aceitavam Seu tratamento.

    Pedro tinha um bom coração. Quando o Senhor disse aos discípulos que precisava ir à cruz, Pedro disse:

    Longe de Ti tal coisa, Senhor.

    Ainda assim, o Senhor podia tratar com Pedro.

    Com exceção de Judas, o Senhor podia falar com eles e realizar Sua obra em sua vida, porque queriam que o Senhor trabalhasse neles.

    Temos pessoas assim? O Senhor escolheu as pessoas erradas? Não, o Senhor não escolheu as pessoas erradas.

    O Senhor foi à cruz. Não puderam encontrar nenhuma falta Nele. Até Pilatos testemunhou:

    Não encontro crime algum Nele.

    O Senhor era sem pecado.

    Depois que o Senhor passou pela morte e pela ressurreição, vemos como os onze discípulos foram usados por Ele. No dia de Pentecostes, Pedro e os onze se levantaram e testemunharam do Senhor.

    Em poucos anos, o evangelho foi pregado por todo o mundo conhecido daquela época.

    Um líder precisa ser um homem espiritual — não por causa de capacidade, sabedoria ou força natural, mas porque pode ser usado por Deus.

    Tiago foi o primeiro mártir. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. João foi exilado na ilha de Patmos. Tomé pregou até chegar à Índia.

    Eles foram por todo o mundo pregando o evangelho. Tornaram-se mártires pelo Senhor. Como essas pessoas nada eram em si mesmas, o Senhor pôde tomá-las em Suas mãos e usá-las para edificar Sua igreja e estabelecer Seu reino.

    O Exemplo de Paulo

    Isso não significa que alguém que tenha força, sabedoria ou dons naturais esteja automaticamente desqualificado. Considerem Paulo.

    Paulo era uma pessoa com muitos dons. Era um homem de sabedoria e posição. Mas confiava em sua força natural e se tornou inimigo de Deus. Ele perseguia o povo de Deus.

    No caminho para Damasco, o Senhor o encontrou. Ele caiu prostrado no chão. Não conseguia levantar a cabeça. Caiu diante de Deus.

    Deus deu dons espirituais a Paulo. Seus dons naturais podiam ser usados por Deus, mas eram apenas um canal, um recipiente para o verdadeiro conteúdo.

    O verdadeiro conteúdo era espiritual: o conhecimento íntimo que Paulo tinha do próprio Senhor. Foi isso que fez dele um líder espiritual.

    A capacidade natural pode um dia ser usada por Deus, mas não é mais do que um canal ou um recipiente. O conteúdo precisa ser espiritual.

    O conteúdo é o Espírito incorporando Cristo em você. Caso contrário, você é um cego guiando outro cego, e ambos cairão na cova.

    Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Vamos orar.