Por favor, abram no livro de Atos 22. Começaremos com os versículos 1 a 10.
Varões irmãos e pais, ouvi agora a defesa que faço perante vós.
E, quando ouviram que lhes falava em língua hebraica, guardaram ainda maior silêncio; e ele disse:
Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade, aos pés de Gamaliel, instruído segundo o rigor da lei de nossos pais, zeloso para com Deus, como todos vós hoje sois;
e persegui este Caminho até à morte, prendendo e entregando às prisões tanto homens como mulheres.
Como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; dos quais recebi cartas para os irmãos e fui a Damasco, para trazer também os que ali estavam, presos, a Jerusalém, a fim de serem castigados.
E aconteceu que, indo eu de caminho e chegando perto de Damasco, por volta do meio-dia, subitamente uma grande luz do céu brilhou ao meu redor.
E caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que Me persegues?
E eu respondi: Quem és Tu, Senhor? E Ele me disse: Eu sou Jesus de Nazaré, a Quem tu persegues.
E os que estavam comigo viram, de fato, a luz, mas não ouviram a voz Daquele que falava comigo.
E eu disse: Que farei, Senhor? E o Senhor me disse: Levanta-te e vai a Damasco; e ali te será dito tudo o que te está determinado fazer.
Por favor, abram também em Atos 26:16-19.
Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés: porque para isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha tanto das coisas em que Me viste como daquelas em que te aparecerei;
livrando-te deste povo e dos gentios, aos quais te envio,
para lhes abrires os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que recebam a remissão dos pecados e uma herança entre os que são santificados pela fé em Mim.
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
Temos considerado juntos, diante do Senhor, Paulo, um vaso escolhido por Deus. Enfatizamos que, embora Paulo pareça ser muito especial e singular, não há como imitá-lo e ser o Paulo dos Estados Unidos. Contudo, em termos gerais, sabemos que nós, que cremos no Senhor Jesus, somos todos, pela graça e misericórdia de Deus, vasos escolhidos por Deus.
Todos nós fomos escolhidos por Deus por uma razão e com um propósito muito especiais, a fim de cumprirmos o propósito de Deus, Seu chamado e Sua eleição para nós. Temos uma tremenda responsabilidade de responder a Ele da maneira adequada.
Cremos que há três áreas diferentes às quais precisamos dar atenção muito especial. Já abordamos duas delas: o aspecto da vida e o aspecto do conhecimento. Vimos o que não é vida e o que é vida. Também vimos o que não é o conhecimento correto — o conhecimento que vem da árvore do conhecimento do bem e do mal — e o que é o verdadeiro conhecimento, que vem da árvore da vida.
Nesta manhã, gostaríamos de entrar na terceira área: o aspecto do serviço.
Agora, sem dúvida, Paulo é, se não o maior, pelo menos um dos maiores servos de Deus que encontramos no Novo Testamento. Deus o usou de maneira muito poderosa. Mas penso que a primeira coisa que realmente precisamos considerar juntos é: o que é serviço?
Paulo serviu ao propósito de Deus em sua geração, e nós devemos servir ao propósito de Deus em nossa geração. Mas, antes de começarmos a tratar dessa questão do serviço, precisamos saber o que o serviço realmente é.
Na vida de Paulo, podemos ver com muita clareza, nessa questão do serviço, que há dois tipos diferentes de serviço. Exteriormente, ambos parecem ser serviço a Deus; contudo, na realidade, descobrimos que esses dois tipos de serviço são completamente diferentes.
Como Saulo de Tarso, como o grande fariseu, ele disse que era zeloso por Deus. Não era morno de maneira alguma. Era realmente zeloso por Deus. Realmente queria servir a Deus. Trabalhava para Deus.
O trabalho que fazia era este: ia às cidades, ia às casas, para prender as pessoas do Caminho de Jesus e condená-las. Era assim que servia a Deus. Em outro lugar, ele disse: “Eu pensava — eu pensava que estava servindo a Deus”.
Sem dúvida, ele trabalhava para Deus, e trabalhava com muita sinceridade; mas não percebia que não estava trabalhando com Deus. Na verdade, trabalhava em oposição à obra de Deus.
Pensava que estava servindo a Deus, mas, na realidade, estava servindo a si mesmo. Estava promovendo a si mesmo no judaísmo. Servia a Deus com o melhor conhecimento que possuía, as tradições dos pais; mas servia a Deus segundo o ensino dos homens.
E o resultado foi que ele prestou um grande desserviço a Deus. Deus precisou impedi-lo de servir a Deus.
Ora, aquilo era serviço. E eu me pergunto quanto do que hoje chamamos de serviço cristão é dessa natureza. Podemos fazê-lo com toda honestidade e sinceridade, e podemos até fazê-lo com zelo, mas realizamos nosso serviço cristão segundo o ensino dos homens, a tradição dos pais.
Tentamos servir a Deus da maneira como achamos que Ele deve ser servido. E penso que um dia será um choque para nós perceber que não estamos apenas servindo a nós mesmos; pior ainda, estamos realmente prestando um bom serviço a Satanás.
Saulo de Tarso, enquanto servia a Deus zelosamente, indo até uma cidade gentílica, foi encontrado pelo Senhor no caminho de Damasco. Quando o Senhor o encontrou, vemos que, naquele exato momento, uma grande mudança ocorreu nele — não apenas em sua vida, mas também em seu serviço.
A primeira pergunta que fez, naturalmente, foi:
Quem és Tu, Senhor?
Ele precisava conhecer o Senhor. E, depois que conheceu o Senhor, vemos que o Senhor o conduziu numa direção completamente diferente quanto à maneira de servir.
Ele se tornou apóstolo, alguém enviado por Deus. Já não trabalhava para Deus; agora trabalhava com Deus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, uma coisa que precisamos definir nessa questão do serviço é esta: qual é a natureza do nosso serviço? Estamos trabalhando para Deus ou estamos trabalhando com Deus?
A diferença é tremenda. Se trabalhamos para Deus, tomamos a iniciativa. Fazemos tudo segundo o que pensamos. Seguimos a tradição e o ensino dos homens, e esse tipo de serviço Deus não aceitará.
Mas, se estamos trabalhando com Deus, então Deus toma a iniciativa. Ele nos designa para fazer a obra que deseja que façamos, e nós a fazemos em Sua vontade, por Seu poder, para Sua glória.
Trabalhar para Deus e trabalhar com Deus são dois mundos diferentes na área do serviço.
Sabem, Deus é um Deus que trabalha. Quando abrimos a Bíblia, a primeira coisa que observamos é que, no princípio, Deus criou os céus e a terra. Deus é um Deus que trabalha. Ele trabalha o tempo todo. Ele criou todas as coisas.
Mas precisamos fazer uma pergunta: qual é a natureza da obra de Deus? Deus realizou todo tipo de obra e continua trabalhando. Mas, por trás de tudo o que Ele faz, precisamos descobrir qual é a natureza de Sua obra.
Na verdade, todas as Suas obras podem ser resumidas na obra de Deus. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse, em João 6:29:
Esta é a obra de Deus.
No singular. Todas as obras de Deus podem ser resumidas na obra de Deus.
Ora, o que é a obra de Deus? Qual é a obra à qual Deus Se dedica desde a eternidade, através do tempo e até a eternidade? Por que Ele criou todas as coisas? E, quando todas as coisas caíram e o homem caiu, por que Ele redimiu o homem caído? Por que reconciliou todas as coisas de volta à Sua plenitude?
Considerem a obra da criação. Considerem a obra da redenção e da nova criação. Deus realizou todo tipo de obra, mas podemos resumi-las e dizer que se trata de uma só obra. Qual é ela? Qual é o significado, o propósito e a natureza da obra de Deus?
Se lermos as cartas de Paulo, veremos que ele recebeu essa revelação. Ele viu, por trás de toda a obra de Deus, que Deus, na verdade, tem apenas uma obra a fazer. Deus não tem um segundo trabalho — apenas um.
Paulo recebeu uma revelação e viu qual era essa obra. Ele disse que o propósito de Deus em todas as obras que realizou e está realizando é apenas um: que Seu Filho receba todas as coisas.
Ele quer que Seu Filho seja o Herdeiro de todas as coisas, que Seu Filho tenha o primeiro lugar em todas as coisas. Ele criou todas as coisas para Ele — para Seu Filho. Ele nos redimiu para Ele — para Seu Filho. Ele reconciliou o mundo Consigo mesmo para Ele — para Seu Filho.
Em outras palavras, vemos que a obra de Deus é Seu Filho. Seu Filho é o significado de todas as obras de Deus. Deus quer honrar Seu Filho, satisfazer Seu Filho, agradar a Seu Filho e glorificar Seu Filho.
É por isso que Ele criou. É por isso que chamou os patriarcas. É por isso que chamou a nação de Israel. E é por isso que, hoje, está edificando Sua igreja.
O Senhor Jesus disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
O Pai tem trabalhado, e o Filho disse:
Eu trabalho.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele não estava realizando Sua própria obra, fazendo as coisas por conta própria e tentando servir a Deus à Sua própria maneira. Não. Quando o Filho estava na terra, Ele estava simplesmente realizando a obra do Pai. Ou, dizendo de outra maneira, o Pai estava realizando Sua obra no Filho.
Ele e o Pai estavam realizando uma só obra. Ele disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho.
Estamos trabalhando juntos. Estamos realizando uma só obra.
Agora, irmãos e irmãs, devemos servir a Deus. Somos chamados à obra de Deus. Não estamos aqui para realizar nossas próprias obras. Podemos desempenhar funções diferentes; contudo, precisamos perceber que tudo o que Deus nos designou para fazer como nosso serviço a Ele é, na verdade, trabalhar juntamente com Deus em Sua obra.
Você não tem uma obra própria. Eu não tenho uma obra própria. Não estamos realizando algumas obras para servir a Deus — de modo algum. Se é realmente serviço, tem de ser trabalhar juntamente com Deus em Sua obra.
E qual é a Sua obra? Sua obra, naturalmente, é a exaltação de Seu Filho. Sua obra hoje é a edificação da igreja.
O Senhor diz:
Edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Por quê? Porque, quando o corpo estiver plenamente maduro, então a Cabeça, Cristo, poderá vir e tomar esse corpo como Sua noiva.
Essa é a obra de Deus hoje. É isso que Deus está fazendo hoje. E eu realmente creio que, se estamos de fato servindo a Deus num serviço verdadeiro, esse serviço precisa estar relacionado à obra que Deus realiza, ou precisa estar dentro dela.
Somente Deus pode realizar Sua obra; ninguém mais pode. É por isso que, se estamos realmente servindo a Deus em Sua obra, tem de ser Seu Espírito, Sua vida e Seu poder operando em nós e por meio de nós. Essa é a natureza do serviço.
Se pudermos ver isso, perceberemos que realmente não cabe a nós decidir o que fazer ou como fazê-lo. Cabe a nós descobrir qual é a vontade de Deus a nosso respeito nesta Sua obra.
Agora, voltemos a Paulo e vejamos como ele entrou na obra de Deus, como trabalhou juntamente com Deus. No caminho de Damasco, a primeira pergunta, sem dúvida, foi:
Senhor, quem és Tu?
Você precisa fazer essa pergunta, porque, se não sabe Quem Ele é, como pode servi-Lo? Mas, graças a Deus, fizemos essa pergunta, recebemos a resposta e O recebemos como nosso Salvador. Nós O conhecemos.
Então encontramos a segunda pergunta que Paulo — Saulo — fez no caminho de Damasco. Depois da primeira pergunta, a segunda foi:
Senhor, que farei?
Vejam, esse é o começo da entrada no serviço de Deus. Deus não quer o serviço de pessoas que não O conhecem. Bem, há exceções. É verdade que Ciro foi uma delas, mas isso é uma exceção. A exceção confirma a regra.
Deus não quer que pessoas que não creem Nele, que não O conhecem, estejam em Sua obra. Por quê? Porque, se essas pessoas entrarem em Sua obra, vão estragá-la. Deus não confiará Sua obra a incrédulos.
Mas, mesmo no caso dos crentes, Deus não pode confiar Sua obra a você, a menos que faça esta pergunta:
Que farei, Senhor?
Sabem, nosso problema é que, imediatamente depois de sermos salvos, começamos a agir. Tentamos fazer a obra de Deus. Tentamos fazer alguma coisa. Antes de crermos no Senhor, estávamos muito ocupados pecando; e agora, depois de sermos salvos, estamos muito ocupados trabalhando para Deus.
Não. A primeira coisa, quando chegamos a essa questão do serviço, é fazer uma pergunta:
Senhor, que farei?
Precisamos chegar a um ponto em que temos de parar.
Paulo foi detido em seu serviço no caminho de Damasco. Ele foi detido. E, provavelmente, queridos irmãos e irmãs, alguns de nós precisam ser detidos em sua maneira de servir. Deus precisa nos fazer parar e dizer: “Pare. Faça uma pergunta”.
“Você tem Me servido sem nunca Me perguntar o que deve fazer, porque sabe o que fazer. Agora é hora de parar o seu serviço e fazer esta pergunta: ‘Senhor, que farei?’ Tu és o Senhor. Tu tens de me dizer o que fazer.”
“Eu não posso tomar a iniciativa. Não posso servir a Ti da maneira que acho certa. Tu tens de me dizer o que fazer.” Essa é a atitude de um servo. Simplesmente espere no Senhor e deixe que Ele lhe diga o que fazer.
Então, a segunda coisa é que o Senhor disse: “Vá a Damasco, e Eu lhe farei saber o que quero que faça, o que você foi designado para fazer”. Assim, ele foi a Damasco e ali permaneceu por três dias e três noites, cego.
Sabem, muitas vezes penso que, quando você realmente recebe uma revelação, fica cego por algum tempo. Algumas pessoas simplesmente têm clareza demais.
Mas, depois de três dias e três noites esperando no Senhor, Deus enviou Ananias a ele. Por meio de Ananias, foi-lhe dito o que havia sido designado para fazer. Em outras palavras, uma designação divina.
Em nosso serviço a Deus, não há serviço voluntário. Tudo é por designação divina. Ele foi designado para ser servo e testemunha. E não somos todos divinamente designados para ser servos e testemunhas do Senhor?
Repetidas vezes encontramos nos escritos de Paulo a declaração:
Paulo, chamado para ser apóstolo, não da parte dos homens, nem por intermédio de homem, mas por Deus e Jesus Cristo.
Em outras palavras, é por designação divina. Não é uma nomeação feita por seres humanos, estabelecida pela própria pessoa ou por outras pessoas. Não. No serviço de Deus, é preciso haver uma designação divina.
No início, você talvez não conheça sua esfera específica ou seu campo de trabalho. Talvez não saiba no início. Mas, pelo menos, precisa ver o princípio, e o princípio é este: na obra de Deus, tudo é por designação divina.
Como membros do corpo de Cristo, Ele nos colocou no corpo como membros diferentes. A maneira como Ele colocou você como membro envolve uma designação divina.
Ele colocou você como olho? A designação divina do seu serviço é ver. Se Ele colocou você como ouvido, sua designação divina é ouvir. Tudo é por designação divina, e isso será manifestado à medida que crescermos em vida.
Ananias disse a Saulo: “Deus designou você para ser servo e testemunha”. Mas Paulo não entrou imediatamente na plenitude de seu serviço. Ele foi conduzido gradualmente ao pleno significado da designação de Deus.
Uma coisa que precisamos lembrar é que Paulo teve discernimento suficiente para saber que não poderia cumprir aquela designação divina sem preparação.
Queridos irmãos e irmãs, quando temos consciência de que Deus nos designou divinamente para ser Seu servo e Sua testemunha, pensamos que podemos cumprir essa designação divina imediatamente, sem preparação alguma. É por isso que encontramos uma taxa de mortalidade tão elevada entre os missionários.
Mas Paulo teve discernimento suficiente. É verdade que, imediatamente depois de ser salvo, passou a conviver com os discípulos em Damasco e logo testemunhou que Jesus é o Filho de Deus. De imediato, testemunhou que Jesus é o Filho de Deus.
Naturalmente, imediatamente depois de sermos salvos, precisamos testemunhar do Senhor. Sempre agradeço a Deus por aquele irmão que me levou a Cristo, porque, depois de me levar a Cristo, a primeira coisa que disse foi: “Saia. Conte a alguém o que o Senhor fez por você”. Ele me colocou no caminho certo.
Mas Paulo teve discernimento suficiente para saber que, se quisesse cumprir a designação divina que Deus tinha em mente, seria necessária uma preparação. A preparação que havia recebido como fariseu não era suficiente.
Foi por isso que ele foi para o deserto, para a Arábia, por três anos — para estudar ali as Sagradas Letras à nova luz de Cristo, para ser ensinado pelo Espírito de Deus, não pelo homem, mas pelo Espírito de Deus.
Ele foi instruído na revelação divina pelo Espírito de Deus. E, como mencionei ontem à noite, voltou e pôde testemunhar e declarar que Jesus é o Cristo, o cumprimento das profecias do Antigo Testamento.
Então foi a Jerusalém para ser confirmado na comunhão. Depois foi enviado de volta a Tarso. Não sabemos por quanto tempo permaneceu ali, até que Barnabé foi, encontrou-o e o levou a Antioquia.
Mas vocês se lembram de que Paulo, naquele tempo, ainda era Saulo. Ele estava com Barnabé, servindo ao Senhor juntamente com ele na igreja em Antioquia por um ano inteiro. Naquele ano, serviu como aprendiz sob a orientação de Barnabé.
Ele tinha uma designação divina, uma comissão, e, contudo, foi humilde o suficiente para saber que precisava ser preparado — não apenas preparado diretamente diante de Deus, mas também recebendo algum tipo de treinamento e preparação sob a orientação de Barnabé.
Somente em Atos 13 encontramos cinco profetas e mestres, e Saulo era o último dos cinco. Às vezes, nas Escrituras, se vocês observarem, o Senhor nunca coloca as coisas numa determinada ordem sem um significado.
Se nós tivéssemos escrito o livro de Atos, sem dúvida teríamos colocado Saulo em primeiro lugar. Mas aqui o Espírito de Deus o colocou por último. Ele era o menor dos cinco profetas e mestres — o grande apóstolo.
Então o Espírito de Deus disse:
Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.
A obra apostólica. Quando saíram, eram Barnabé e Paulo.
Só mais tarde encontramos o Espírito Santo escrevendo: “Paulo e Barnabé”. Penso que essa foi uma das razões pelas quais João Marcos foi embora, porque João Marcos era parente de Barnabé. Quando viu aquilo, não conseguiu suportar e foi embora.
Mas Barnabé tinha graça suficiente para saber que isso cabe ao Senhor. Não é uma questão de posição; é uma questão de espiritualidade. Isso é algo pelo qual precisamos agradecer a Deus por Barnabé. Muitas vezes fazemos pouco caso dele, mas Barnabé era um grande homem de Deus.
Um jovem não conseguiu suportar aquilo e foi embora. Mas aqui vemos que, gradualmente, gradualmente, o Senhor estava desenvolvendo aquele vaso. Deus lhe deu uma designação divina, mas, para cumpri-la, ele precisou entrar nela passo a passo.
Muitas vezes, no nosso caso, estamos com tanta pressa. Quando sentimos que temos uma designação divina, queremos cumpri-la imediatamente. Ora, Jesus diz que há urgência; isso é verdade, porque o tempo é curto. Mas, por outro lado, Deus nunca está com pressa.
Precisamos estar abertos para deixar que Deus nos prepare — que nos prepare à medida que prosseguimos. Talvez não possamos ir à Arábia por três anos, mas certamente podemos estar com Barnabé por um ano.
Vemos que precisamos de certa preparação, desenvolvida gradualmente. Não pense que, porque Deus chamou você, está tudo pronto. Precisamos ver que é verdade que Deus chamou você, mas é necessária muita preparação se quiser cumprir a comissão de Deus.
Gradualmente, passo a passo, Paulo foi conduzido à obra que Deus o havia chamado para realizar, até começarmos a ver como Deus o usou na Ásia, depois da Ásia para a Europa e, finalmente, no fim do livro de Atos, o encontramos em Roma. Naquele tempo, Roma era o fim do mundo.
Da Judeia à Samaria e até os confins da terra — é assim que vemos como as coisas foram feitas.
Gostaríamos de observar que, quando Paulo estava envolvido na obra de Deus, nosso foco não é o que ele fez. Isso seria muito interessante. Mas nosso foco é como ele fez. Como serviu a Deus?
Ele foi conduzido à própria obra de Deus: estabelecer as igrejas de Deus e preparar o corpo. Mas como fez isso, como servo, como vaso escolhido?
Vou ler apenas algumas passagens das Escrituras. Há muitas outras, mas leremos apenas algumas.
Por exemplo, Romanos 1:9:
Porque Deus, a Quem sirvo em meu espírito no evangelho de Seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós.
Ele disse:
Sirvo em meu espírito.
Não servia apenas com os lábios. Não servia apenas com suas atividades. Não servia na carne. Ele disse:
Sirvo em meu espírito.
No íntimo de seu espírito, recebeu a revelação de Deus. Conhecia a vontade de Deus e, de todo o coração, servia a Deus. Não negligenciava nada. Era assim que servia.
Eu realmente creio que, se estamos servindo a Ele em Sua obra, precisamos servi-Lo em nosso espírito — não apenas fazendo isso exteriormente, não apenas tentando fazê-lo segundo nosso pensamento ou com nossa própria força.
Precisamos poder dizer diante de Deus: “Deus é minha testemunha de que O servimos em nosso espírito”. É real. Procede de Deus.
2 Timóteo 1:3:
Dou graças a Deus, a Quem sirvo desde meus antepassados com uma consciência pura, de como incessantemente me lembro de ti em minhas súplicas, noite e dia.
Servir com uma consciência pura. O que isso significa? Não apenas uma consciência limpa. Não podemos servir a Deus com uma consciência má.
Penso que os cristãos de hoje não dão atenção suficiente à sua consciência. Nossa consciência, purificada das obras mortas pelo sangue do Senhor Jesus, é uma consciência renovada, uma consciência sensível.
Se temos uma consciência má, se é uma consciência culpada, não podemos servir a Deus, porque nossa fé simplesmente se esvairá. Precisamos servir a Deus com uma consciência limpa, sabendo que não há nada entre nós e Deus, nada contra Ele.
Paulo disse:
De nada me acusa a consciência.
Não no sentido de se vangloriar, mas no sentido de que realmente tinha uma consciência limpa. Você não pode servir a Deus sem uma consciência limpa.
Mas aqui vemos que não se trata apenas de uma consciência limpa; é uma consciência pura. Isso significa que ele servia a Deus sem motivação impura. Tinha apenas uma motivação: o próprio Deus.
Sua consciência não o incomodava, dizendo: “Ora, Paulo, você tem alguma outra motivação aí. Quer fazer um nome para si mesmo, ou quer obter lucro, ou quer popularidade, ou seja lá o que for. Quer edificar seu próprio reino”.
Vemos que ele servia a Deus com uma consciência pura. É assim que precisamos servir.
Romanos 7:25:
Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim, pois, eu mesmo, com a mente, sirvo à lei de Deus; mas, com a carne, à lei do pecado.
Com a mente, servir à lei de Deus. Em outras palavras, você serve a Deus com uma mente renovada. Por meio dela, conhece a mente de Cristo. Precisamos servir com nossa mente, compreendendo e conhecendo qual é a vontade de Deus.
Romanos 7:6:
Mas agora fomos libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; de modo que servimos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.
Quando estamos servindo, não podemos servi-Lo na velhice da letra. Tem de ser em novidade de espírito.
Um grande problema é que, quando as pessoas falam de uma igreja do Novo Testamento, imediatamente saem e tentam formar uma igreja do Novo Testamento. Ao formar uma igreja do Novo Testamento, segundo o Novo Testamento, escolhem algumas pessoas para serem presbíteros e outras para serem diáconos, e então pensam que têm uma igreja do Novo Testamento.
Ora, isso é servir a Deus na velhice da letra. Você precisa servir a Deus em novidade de espírito. É verdade que encontramos na Palavra a ordem dos presbíteros e diáconos, mas como eles surgem? Precisam surgir da vida, do Espírito de Deus, na novidade de espírito.
Atos 20:19:
Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com lágrimas, e com provações que me sobrevieram pelas ciladas dos judeus.
Ele servia ao Senhor com humildade, lágrimas e provações. Se realmente servimos ao Senhor, sempre nos lembramos de que somos apenas servos. Não é porque Deus pode nos usar que começamos a dominar sobre outras pessoas.
Paulo sempre servia ao Senhor com humildade, com mansidão, com lágrimas e com provações.
Atos 20:24:
Mas em nada tenho a minha vida por preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para testemunhar o evangelho da graça de Deus.
Em nada tenho a minha vida por preciosa.
Paulo servia a Deus sem pensar em sua própria vida. Em outras palavras, estava sempre pronto para entregar a vida por amor ao evangelho. Era assim que servia.
1 Coríntios 9:19:
Porque, sendo livre de todos, fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais.
Ele havia sido liberto pelo Senhor e, contudo, voluntariamente se fez escravo de cada irmão e irmã. Esse é o espírito de um servo.
Filipenses 2:17:
E, ainda que eu seja oferecido sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós.
Ele era como uma oferta de libação, disposto a ser derramado sobre o sacrifício dos crentes filipenses. Em outras palavras, os crentes filipenses estavam dispostos a oferecer a si mesmos a Deus, e Paulo estava disposto simplesmente a ser derramado sobre aquele sacrifício e a se regozijar com todos eles.
Colossenses 1:29:
Para isso também trabalho, lutando segundo a Sua operação, que opera poderosamente em mim.
Ele se esforçava; trabalhava segundo o poder que operava nele.
2 Coríntios 12:15:
E eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas. Se vos amo mais abundantemente, sou menos amado?
Gastar e se deixar gastar. Ora, essa é a maneira de servir.
Gálatas 4:19:
Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
Dores de parto.
Colossenses 1:24:
Agora me regozijo em meus sofrimentos por vós e, da minha parte, completo em minha carne o que falta das aflições de Cristo, por amor de Seu corpo, que é a igreja.
Ora, esse é o espírito com que Paulo servia no serviço de Deus. Ah, como oramos para que nós também possamos servir a Deus no mesmo espírito. Esse é o espírito que precisamos ter se estamos envolvidos na obra de Deus.
Finalmente, é claro, vemos como Deus usou grandemente esse vaso escolhido. Não apenas encontramos igrejas plantadas por toda a Ásia e a Europa — embora, no fim, toda a Ásia o tenha abandonado; isso é verdade —, mas ainda vemos quanto Deus fez por meio desse vaso para promover o reino de Deus, edificar o corpo de Cristo e preparar a volta de Cristo.
Mais do que isso, temos metade do Novo Testamento escrita por meio de Paulo. Quanto Deus pôde usar aquele vaso!
Vemos que todos os seus serviços eram canais direcionados à obra de Deus — à obra que Deus está realizando, que Cristo está realizando. Ao longo dos séculos, todos os servos de Deus estão realizando essa única obra.
Queridos irmãos e irmãs, temos o privilégio de ser chamados à mesma obra. Que a obra de Deus seja realizada e concluída.
Vamos orar?
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque Tu estás trabalhando. E sabemos que está chegando o dia em que Tua obra estará concluída, e Teu Filho receberá tudo o que determinaste para Ele. Ele será glorificado e satisfeito.
Nosso Pai, como Te louvamos e agradecemos porque, indignos como somos, Tu não apenas nos salvaste, mas também nos chamaste à Tua obra, para que Te sirvamos em Tua obra.
Ó Senhor, grava profundamente em nós quão sério e, ao mesmo tempo, quão glorioso é esse serviço. Ah, simplesmente nos lançamos sobre Ti e oramos para que possamos servir-Te bem, para que um dia possas nos dizer:
Bem está, servo bom e fiel;
entra no gozo do teu Senhor.
Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.