Por favor, abram no livro de Judas.
Judas.
Começaremos com Judas 1:20-21.
Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,
conservai-vos no amor de Deus,
esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.
Esses dois versículos apresentam o aspecto positivo daqueles que são amados pelo Senhor. Na passagem anterior, vocês encontram todas aquelas coisas negativas. Mas aqui Judas nos apresenta aquilo que é positivo. Ele diz:
Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé.
Então, o que é a fé santíssima? Sabem, no início desta carta, Judas disse:
Empregando toda a diligência para escrever-vos acerca da nossa comum salvação, fui constrangido a escrever-vos, exortando-vos a contender ardentemente pela fé que, uma vez por todas, foi entregue aos santos.
Agora, o que é a fé santíssima?
A fé santíssima não é um credo. A fé santíssima é Cristo em Sua totalidade — o Cristo pleno. Essa é a fé santíssima, e esse é o fundamento sobre o qual somos exortados a edificar.
O fundamento é o Cristo pleno — Cristo em Sua totalidade, tudo o que Ele é. Esse é o fundamento, e devemos edificar sobre ele.
Agora, em certo sentido, vocês perceberão que edificar é, na verdade, crescer a partir do fundamento. A Escritura usa duas figuras de linguagem diferentes. Uma é a construção de um edifício, e a outra é o crescimento de uma árvore ou de uma planta. É por isso que ela diz que estamos arraigados e alicerçados em Cristo.
Cristo é a fé santíssima. Ele é o nosso fundamento. Precisamos estar alicerçados Nele. Cristo é a raiz de todas as coisas, e precisamos crescer a partir dessa raiz. Portanto, essa edificação é, na verdade, o crescimento a partir do fundamento.
E a Escritura também apresenta isso de outra maneira: crescer em direção a Cristo. Não apenas crescer a partir Dele, mas crescer em direção a Ele. Essa é a beleza. Por um lado, aprofundamo-nos em Cristo; por outro, elevamo-nos em Cristo. Isso é edificação.
Então, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé — como edificamos sobre a fé santíssima? Um dos meios mais eficazes de sermos edificados sobre a fé santíssima é orar no Espírito Santo.
Agora, receio que orar no Espírito Santo seja algo muito, muito mal compreendido. Algumas pessoas pensam que orar no Espírito Santo é orar em línguas.
Há três versículos diferentes que nos mostram três aspectos diferentes da oração. Um deles está em 1 Coríntios 14. Em 1 Coríntios 14, vemos que Paulo menciona essa questão de orar em línguas. Em 1 Coríntios 14:14:
Porque, se eu orar em uma língua, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica infrutífero.
Quando o espírito de uma pessoa — isto é, seu espírito humano, seu próprio espírito — é tocado pelo Espírito de Deus e recebe um encargo do alto, mas não há entendimento porque a mente não está envolvida, a única maneira de esse encargo ser expresso a partir do espírito é orar em línguas.
Portanto, orar em línguas é orar com o espírito, ou:
O meu espírito ora.
Isso é orar em línguas. Meu espírito ora, mas meu entendimento não está envolvido. No entanto, porque meu espírito ora, sou edificado; eu mesmo sou edificado. Mas ninguém mais é edificado, porque as outras pessoas não sabem pelo que vocês estão orando. Somente vocês, em seu espírito, são movidos; vocês são edificados.
Isso é orar com o espírito, ou orar em línguas. Depois, encontramos outro versículo em Romanos 8. Romanos 8:26 diz:
E, da mesma maneira, também o Espírito ajuda a nossa fraqueza:
porque não sabemos orar como convém;
mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.
Agora, isso não é orar com meu espírito, nem é meu espírito orando. É o Espírito Santo Quem está orando dentro de mim. O Espírito Santo que habita em mim, Ele está orando dentro de mim. É o Espírito Santo Quem ora, e não a pessoa em si, nem mesmo seu espírito. O Espírito Santo está orando com gemidos inexprimíveis.
Em outras palavras, nem mesmo meu espírito sabe. Não sei pelo que orar; então, como orar? Nesse momento, o Espírito Santo voluntariamente intercede em meu favor com gemidos, usando minha boca. Contudo, não apenas meu entendimento não está envolvido, mas nem mesmo meu espírito compreende. É o Espírito Santo orando dentro de mim.
Sabem, às vezes isso realmente acontece. Quando eu estava na Flórida, disseram-me que havia um lugar onde as pessoas se reuniam para gemer, porque pensavam que isso era orar no Espírito.
Mas, é claro, sabemos que, se as pessoas se reúnem para gemer, seria melhor que gemessem perto de suas próprias casas. Não é o Espírito; são elas mesmas gemendo, e não sabem pelo que estão gemendo. Mas há momentos em que o Espírito Santo precisa, em certo sentido, assumir o comando, tomar as rédeas, porque até mesmo nosso espírito está insensível demais para compreender ou participar.
Portanto, em 1 Coríntios 14, é meu espírito orando. Em Romanos 8, é o Espírito Santo orando dentro de mim. E em Judas, é orar no Espírito Santo.
Agora, o que é orar no Espírito Santo? Orar no Espírito Santo significa simplesmente que vocês estão tão cheios do Espírito Santo que conseguem cooperar com Ele quando oram.
Em outras palavras, o Espírito Santo é a atmosfera, e vocês são aqueles que oram. Seu espírito está realmente cooperando com o Espírito Santo.
Orar no Espírito Santo é — não gosto de usar a palavra forma, mas não tenho outra palavra — uma forma de oração em que meu espírito consegue cooperar plenamente com o Espírito Santo. Isso é orar no Espírito Santo.
O oposto de orar no Espírito Santo é orar na carne. Esse é o contraste. Em outras palavras, se vivemos na carne, então, quando oramos, oramos na carne. Vocês não podem viver na carne e orar no Espírito Santo.
Agora, as pessoas podem viver na carne e orar em línguas. Isso é possível. Mas orar no Espírito Santo é muito diferente. Vocês precisam viver no Espírito. Precisam estar cheios do Espírito. Precisam ser governados pelo Espírito Santo. Sua vida precisa estar sob o controle do Espírito Santo.
Por causa disso, seu espírito compreende plenamente o que o Espírito Santo está procurando fazer, e seu espírito coopera com o Espírito Santo de tal modo que seu entendimento também está envolvido. Isso é orar no Espírito Santo.
Portanto, nesse sentido, orar no Espírito Santo é a forma mais elevada de oração. Quando o Espírito Santo ora por vocês, vocês ficam inativos, em certo sentido. Quando seu espírito está orando, seu entendimento fica passivo. Mas aqui vemos que todo o seu ser está realmente envolvido pelo Espírito Santo e entra em plena cooperação com Ele. Isso é orar no Espírito Santo.
E, é claro, nada nos edifica mais do que orar no Espírito Santo. Isso não apenas edificará vocês mesmos, mas realmente edificará todo o corpo. Quando uma pessoa está de fato cooperando com o Espírito Santo e orando no Espírito Santo, ela está em contato com Deus.
Essa oração edifica o corpo, aproxima-nos do Senhor e nos aprofunda em Cristo. Portanto, aqui vemos que orar no Espírito Santo é um dos meios mais eficazes de sermos edificados na fé santíssima.
Depois, vemos que o texto continua:
Conservai-vos no amor de Deus.
Quando estamos orando no Espírito Santo, estamos, de fato, em união com Cristo no Espírito. Assim, conservamo-nos no amor de Deus.
Agora, alguém diz: “Deus sempre nos ama. O amor de Deus está sempre presente”. Mas conservar-nos no amor de Deus é outra coisa. Deus sempre nos ama, mas estamos nos conservando no amor de Deus?
Em outras palavras, o amor de Deus tem sua própria condição nessa questão da comunhão. Deus nos ama, mas estamos no amor de Deus? Estamos em constante comunhão com Ele? Isso exige uma vida no Espírito.
Portanto, conservem-se no amor de Deus. Então, a última coisa é:
Esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.
Se nos conservamos no amor de Deus, sem dúvida ansiamos pelo dia em que nosso Senhor voltará. Portanto, esperar a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo significa aguardar Sua volta. Quando Ele voltar, levará Sua misericórdia à plenitude. Ainda é misericórdia. Tudo é misericórdia.
Assim, aguardamos a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. E, é claro, isso nos introduz na vida no reino.
Portanto, Judas nos apresenta um aspecto muito positivo da nossa vida cristã. Precisamos ser edificados na fé santíssima. Não basta apenas ter o fundamento lançado e não edificar sobre ele. É por isso que nos reunimos: para sermos edificados juntos na fé santíssima.
Estamos juntos para orar no Espírito Santo. Estamos juntos para nos conservar no amor de Deus. E, juntos, aguardamos a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. Isso explica nossa vida cristã, ou explica nossa vida em conjunto.
Portanto, que o Senhor nos ajude. Ao começarmos a orar, precisamos saber que a oração é, na verdade, a cooperação do nosso espírito com o Espírito Santo, e do Espírito Santo com o nosso espírito. Quando nosso espírito e o Espírito Santo trabalham juntos em oração, isso é orar no Espírito Santo.
Colossenses 1:9-12.
Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar e de pedir por vós,
para que sejais cheios do conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual,
a fim de andardes dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe em tudo,
frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus;
fortalecidos com todo o poder, segundo a força da Sua glória, para toda a perseverança e longanimidade, com alegria;
dando graças ao Pai, que nos tornou aptos para participar da herança dos santos na luz.
Paulo nunca havia estado em Colossos. Nunca havia visitado a igreja ali. Mas tinha ouvido falar deles; tinha recebido notícias deles.
Ele disse que, desde o primeiro dia em que ouviu falar dos santos em Colossos — embora nunca os tivesse visto —, ouviu falar de sua fé e de seu amor. Desde o primeiro dia em que ouviu, não cessou de orar e de pedir por eles.
Acho isso muito, muito bonito. Sabem, muitas vezes só sentimos um encargo para orar quando estamos pessoalmente envolvidos. Se é o nosso trabalho, se são as nossas pessoas, se estamos pessoalmente envolvidos, sentimos um encargo para orar.
Mas, se não estamos pessoalmente envolvidos, se é apenas algo de que ouvimos falar por outras pessoas, acho difícil sentirmos um encargo para orar. E penso que a razão é que estamos tão envolvidos com nós mesmos que isso aparece até mesmo em nossa vida de oração.
Se nosso coração realmente se importa com os interesses de Deus, então estar pessoalmente envolvidos ou não deixa de importar tanto. Mesmo quando ouvimos algo que tenha qualquer relação com os interesses de Deus, seremos capazes de assumir o encargo de orar.
Portanto, penso que há algo que realmente precisamos aprender enquanto oramos juntos: como assumir um encargo — como orar por coisas nas quais não estamos pessoalmente envolvidos.
Precisamos pedir ao Senhor que amplie nosso coração, para que possamos verdadeiramente nos importar com os interesses de Deus. À medida que Ele amplia nosso coração para nos importarmos com os interesses de Deus, não importa se apenas ouvimos, se vemos ou se estamos pessoalmente envolvidos: tudo pode se tornar um encargo de oração para nós.
Acho evidente que, quando estamos orando juntos, geralmente, ao orarmos por um irmão ou uma irmã entre nós que esteja doente ou passando por alguma dificuldade, imediatamente muitos irmãos e irmãs assumem o encargo e começam a orar.
Mas, quando estamos orando por outros lugares ou pela obra do Senhor, por exemplo, geralmente ouvimos apenas algumas orações. E é só. Em outras palavras, não conseguimos participar desses encargos. E é verdade: se não temos um encargo, é difícil orar. Mas acho que a questão é: por que não temos esse encargo?
Quando Paulo ouviu o que havia acontecido em Colossos, imediatamente surgiu um encargo em seu coração, e ele começou a orar.
A segunda coisa é que ele disse:
Desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar e de pedir por vós.
Agora, às vezes, quando ouvimos alguma coisa, reagimos imediatamente com emoção e oramos. Mas talvez apenas uma vez — talvez na última quarta-feira — e depois esquecemos.
Mas aqui vemos Paulo dizendo:
Desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar.
Não sabemos quanto tempo havia transcorrido. Evidentemente, algum tempo havia passado, mas vemos que Paulo conseguiu continuar orando.
Por quê? Porque, enquanto aquele encargo não fosse retirado, ele não cessava de orar. Precisava perseverar. E, na verdade, é assim que deve ser. Quando assumimos um encargo, se realmente é um encargo, não devemos parar de orar até que ele seja retirado.
Ou a resposta chegou, ou o Senhor diz: “Agora”. Mas, de qualquer modo, enquanto nosso encargo não for retirado, devemos continuar orando — continuar orando. Não cessem de orar e de pedir.
Em terceiro lugar, vemos que, quando Paulo assume o encargo e continua em oração, ele não faz apenas uma oração muito geral e vaga. Sua oração é muito definida, tem um propósito.
Em outras palavras, orar não é simplesmente golpear o ar. Orar é atingir um alvo com um propósito definido. Ele sabe pelo que está orando. Sabe do que os santos precisam e ora de acordo com isso.
Por isso, ele diz: “A fim de”. A razão pela qual orava e continuava orando era que sentia que Deus tinha algo a fazer, algo a realizar na vida daqueles santos. Ele orava tendo esse fim em vista.
Ele orava para que fossem cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus. Eles tinham fé e amor. Evidentemente, conheciam a Deus. Mas não estavam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus.
Não é verdade que essa é a condição do povo de Deus em toda parte? Nós O conhecemos. Podemos conhecer algo de Sua vontade, mas não estamos cheios do pleno conhecimento de Sua vontade. Não se trata apenas de algum conhecimento de Sua vontade; trata-se do pleno conhecimento de Sua vontade e de estarmos cheios desse pleno conhecimento.
Em outras palavras, a oração de Paulo é pela plenitude deles, pela maturidade deles, para que entrem plenamente no propósito de Deus — em toda a sabedoria e entendimento espiritual.
Agora, essas não são palavras comuns. Em outras palavras, ele não está fazendo uma oração pequena, como se as pessoas fossem salvas e isso bastasse. Ele está orando por plenitude em toda a sabedoria e entendimento.
É claro que sabemos que a sabedoria é aquilo que está na mente de Deus. Isso é sabedoria. Entendimento é ser capaz de compreender o que Deus realmente quer — o propósito e a vontade finais de Deus. Ele está orando pelo pleno crescimento deles, pelo pleno crescimento.
Isso se torna especialmente claro à luz do contexto de Colossenses. Sabemos que, naquela época, algum tipo de gnosticismo e misticismo havia invadido a igreja em Colossos. Algumas pessoas foram até eles e procuraram espalhar a ideia de que eram aquelas que realmente sabiam, de que eram a elite e de que somente elas conheciam o mistério.
Começaram a propagar entre eles uma combinação de misticismo, ascetismo e uma espécie de gnosticismo. Conhecendo aquela situação, Paulo podia ver que a única maneira de combater e vencer essas coisas era ser cheio do pleno conhecimento de Deus.
Se estivessem cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, não seriam enganados nem desviados para outras coisas. Além disso, vemos que esse conhecimento de Deus é muito prático.
Ao contrário dos gnósticos e das outras pessoas, cujo conhecimento era especulativo, sem aplicação prática e imaginativo, esse conhecimento afeta sua vida. Na verdade, o conhecimento deles até levou a uma vida de permissividade, e foi isso que aconteceu.
Portanto, Paulo nos mostra que, se estamos cheios do conhecimento de Deus:
Andaremos dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe em tudo,
frutificando em toda boa obra,
crescendo no verdadeiro conhecimento de Deus,
fortalecidos com todo o poder, segundo a força da Sua glória,
para toda a perseverança e longanimidade, com alegria,
dando graças ao Pai, que nos tornou aptos para compartilhar a porção dos santos na luz.
Em outras palavras, vemos que esse conhecimento é extremamente prático. Ele nos capacita a andar dignamente diante do Senhor. Capacita-nos a dar fruto e a crescer. Fortalece-nos. Capacita-nos a ser longânimos. Ajuda-nos a dar graças ao Senhor e nos leva a participar, com todos os santos, da nossa herança na luz.
É extremamente prático, e foi por isso que Paulo orou pelos santos em Colossos.
Portanto, realmente sinto que, enquanto aprendemos a orar juntos e a trabalhar juntos com Deus, é importante pedirmos ao Senhor que amplie nossa capacidade.
Se o Senhor permite que ouçamos alguma coisa, mesmo que não estejamos pessoalmente em contato com ela, mas que esteja relacionada aos Seus interesses, isso é um chamado para orarmos — para assumirmos essas coisas e realmente as levarmos ao Senhor.
Precisamos aprender a perseverar na oração, e não apenas orar e depois esquecer. É claro que, na quarta-feira à noite, podemos mencionar algumas coisas para oração. Algumas podem ser antigas e outras, novas. Mas, mesmo que haja coisas que não sejam mencionadas, certamente, em nossa oração particular, devemos continuar apresentando essas coisas diante do Senhor até vermos que estão se cumprindo segundo a vontade de Deus.
Ao orarmos, devemos orar de maneira definida. Devemos orar pelo propósito final, e não apenas por algo menor. Isso é trabalhar com Deus, e Deus sempre trabalha tendo em vista o propósito final. Não devemos nos contentar com menos do que isso.
Portanto, é por isso que devemos orar por nossos irmãos e irmãs, e também por nós mesmos.
Por favor, abram em 1 Tessalonicenses 5. Primeira Tessalonicenses, capítulo 5, versículo 17. Apenas estas palavras: 1 Tessalonicenses 5:17.
Orai sem cessar.
Orai sem cessar.
Provavelmente temos a ideia de que uma exortação como essa, ou uma ordem como essa, deve ser dada a uma igreja que tenha amadurecido muito, ou a crentes que tenham crescido bastante. Mas, pelo contrário, vemos que essas palavras são dadas a uma igreja jovem: a igreja em Tessalônica.
É uma igreja jovem, e os crentes são novos na fé. Contudo, é a eles que esta palavra é dirigida:
Orai sem cessar.
Será que isso surpreende vocês?
Somos exortados a orar sem cessar. Agora, é claro, vocês não podem ficar em seu quarto, fechar os olhos, permanecer de joelhos e orar dia e noite, noite e dia. Isso é impossível.
Mesmo que haja pessoas que se dediquem à intercessão e à oração, vemos que elas ainda têm deveres a cumprir. Não conseguem permanecer de joelhos o tempo todo. É impossível; não dá para fazer isso. Contudo, somos instruídos a orar sem cessar.
Portanto, fica claro que a exortação aqui é para que a oração seja uma atitude. Essa é a única maneira possível de orar sem cessar.
Se for uma questão de forma, de horário ou de lugar, então ninguém pode orar sem cessar. Mas, quando consideramos isso como uma questão de atitude — uma atitude espiritual —, então é possível. Pode ser feito.
Frequentemente dizemos que a oração é como respirar. Vocês respiram onde quer que estejam, a qualquer hora. Quando estão conscientes, ou mesmo quando estão inconscientes, estão respirando.
Às vezes, percebemos que estamos respirando depois de correr uma milha. Mas, em outros momentos, quando estamos em casa, sentados e lendo, não percebemos que estamos respirando, mas estamos.
A oração é nossa respiração espiritual. Assim como respirar é essencial à nossa vida física, a oração é vital para nossa vida espiritual. Precisamos orar. Precisamos orar sem cessar. Precisamos sempre ter uma atitude de oração.
O que Paulo enfatiza aqui é essa questão da vida de oração — se temos ou não uma vida de oração. Como está nossa vida de oração?
Temos horários definidos para orar? A oração é a primeira coisa pela manhã e a última à noite? O salmista disse que orava três vezes ao dia, e vemos Daniel abrindo a janela em direção a Jerusalém e orando três vezes ao dia.
Agora, temos uma vida de oração? É verdade que nossa vida de oração é mais do que simplesmente ter um horário definido para orar. Mas ter um horário definido para orar é básico, essencial e favorece nossa vida de oração.
Em outras palavras, podemos ser tão superespirituais, pensando que precisamos orar sem cessar e que, por isso, não precisamos ter nenhum horário definido para orar, porque estamos orando o tempo todo. Vocês descobrirão que, se pensarem assim, o resultado será que não estarão orando de modo algum.
Precisamos começar com horários definidos de oração. Em nossa vida, no dia a dia, precisamos separar um determinado tempo para orar. Seja logo cedo pela manhã, como a primeira coisa do dia, seja em algum outro horário, isso é importante.
Para termos uma vida de oração, precisamos ter horários definidos para orar. Se não conseguirmos fazer isso, não seremos capazes de chegar ao ponto de orar sem cessar.
Mas, depois que temos horários definidos de oração, isso não significa que nossa vida de oração se resume a isso. Esses horários apenas nos ajudam, produzindo em nós aquela atitude adequada ao longo do dia.
Assim, durante o dia, em qualquer momento e lugar, em qualquer ocasião, sempre que algo acontecer, torna-se natural e espontâneo simplesmente elevarmos nosso coração ao Senhor.
Pensem em Neemias. Quando ouviu que seus irmãos em Jerusalém estavam em dificuldades, dedicou-se à oração. Jejuou e orou.
Mas precisava continuar cumprindo seu dever. Ele servia ao rei como copeiro. Um dia, o rei percebeu que seu rosto estava triste, e isso não era permitido na corte.
O rei disse:
Por que está triste o teu rosto? Tens alguma coisa em teu coração?
É claro que Neemias ficou apavorado, porque os reis naquela época eram tiranos. Sempre tinham medo de que alguém fizesse alguma coisa contra eles, talvez os assassinasse.
Mas a Bíblia diz que Neemias mencionou ao rei o que estava em seu coração. Então, o rei disse:
Que me pedes?
E a Bíblia diz que ele orou ao Deus dos céus.
É claro que ele não podia fechar os olhos e dizer: “Espere um minuto, deixe-me orar”. Não podia fazer isso. Estava diante do rei. O rei lhe fez aquela pergunta, e ele precisava responder imediatamente.
Mas, mesmo naquela fração de segundo, ainda pôde orar ao Deus dos céus. Simplesmente elevou seu coração. Foi só isso. É uma atitude.
Para Neemias, isso era tão natural. Ele não precisava ser lembrado: “Você ainda não orou”. Era natural para ele porque havia desenvolvido uma vida de oração.
Portanto, acredito que isso seja importante para nós. Sabem, nossa oração comunitária nunca pode ultrapassar o nível da nossa vida de oração.
Como podemos fortalecer nossa oração comunitária? O importante é que cada um de nós tenha uma vida de oração. Se nossa vida de oração for fraca, quando nos reunirmos para orar, veremos que nossa oração também será fraca.
A oração comunitária não pode ultrapassar o nível da soma das nossas vidas de oração. Se queremos ter uma reunião de oração forte, uma oração da igreja, então precisamos aprofundar nossa oração.
Precisamos nos perguntar: como está nossa vida de oração? Precisamos examinar quanto tempo passamos diante do Senhor em oração. Temos um horário, ou horários, definidos para estar diante do Senhor e orar?
Precisamos pedir ao Senhor que nos mostre: quando as coisas acontecem, é espontâneo e natural elevarmos nosso coração ao Senhor? Ou nossa primeira reação é começar a pensar em como podemos lidar com a situação?
Essas são coisas que precisamos levar diante do Senhor. Caso contrário, por mais que tentemos fortalecer esse tempo de oração, ele será fraco.
A primeira coisa a fazer é fortalecer e cultivar o santo hábito de elevar nosso coração ao Senhor a qualquer momento, em todos os momentos, em todas as ocasiões, em todos os acontecimentos, até que isso se torne um hábito.
Não é algo de que precisemos ser lembrados; torna-se um hábito. Naturalmente, voltamos nosso coração ao Senhor, e é isso que significa orar sem cessar.
Essa não é uma exortação para cristãos maduros. É uma exortação, e até mesmo uma ordem, para cristãos novos na fé. Precisamos começar, quando ainda somos novos na fé, a cultivar esse santo hábito de oração.
Torna-se natural para nós transformar tudo em oração. Vocês não precisam fechar os olhos. Talvez não possam fazer isso quando estiverem dirigindo — é melhor não fazer —, mas ainda podem elevar seu coração ao Senhor e orar. Vocês verão como o Senhor responderá à sua oração.
Sabem, às vezes percebemos que, quando nos reunimos para orar, é difícil assumir encargos. Acho que muitos irmãos e irmãs provavelmente têm grande dificuldade em assumir um encargo.
Em outras palavras, se o Senhor colocou um encargo sobre vocês, então é fácil assumi-lo e orar. Mas, quando se reúnem com seus irmãos e irmãs, e as coisas mencionadas talvez não sejam seu encargo — talvez não sejam o encargo que carregaram ao longo do dia —, vocês acham muito difícil participar, por assim dizer, do encargo de outra pessoa.
Agora, por que isso acontece? Se, em nossa vida diária, conseguimos transformar em oração aquilo que ouvimos, aquilo que vemos e aquilo que encontramos, então isso não deveria ser difícil.
Sempre que forem mencionadas coisas para oração, vocês poderão assumi-las muito rapidamente e com muita facilidade como encargos para orar. Em outras palavras, precisam aprender a assumir um encargo em sua vida diária. Não naquele momento — já é tarde demais. Precisam aprender a fazer isso em sua vida diária.
Se aprenderem a fazer isso em sua vida diária, então será fácil e natural sempre que forem mencionadas coisas para oração. Tudo o que ouvirem, poderão facilmente transformar em oração, porque cultivaram o hábito de orar sem cessar.
É somente orando sem cessar que somos capazes de cumprir nosso ministério como sacerdotes diante de Deus. Há tantas coisas pelas quais precisamos orar. Não temos tempo, a menos que oremos sem cessar, a menos que mantenhamos uma atitude de oração.
Estamos sempre diante do Senhor. Nosso coração está sempre aberto ao Senhor. Estamos sempre prontos e vigilantes. Estamos sempre dependendo do Senhor. Não ousamos confiar em nós mesmos, mas sabemos que Ele é digno de confiança.
Sabemos que podemos transformar tudo em oração e simplesmente lançar nossos encargos aos Seus pés, e Ele não permitirá que sejamos abalados. Esse é o tipo de hábito que precisamos cultivar em nossa vida diária.
Portanto, nesta noite, sinto que é importante que cada um de nós reexamine sua vida de oração — sua vida de oração individual, pessoal — e busque no Senhor o fortalecimento dessa vida de oração, para que aprendamos a orar sem cessar.
Deve sempre haver essa atitude de oração. Então, quando nos reunirmos, será muito fácil entrarmos em oração.
Sabem, isso não é verdade apenas quando oramos juntos; também é verdade quando vocês oram sozinhos. Às vezes, precisam passar algum tempo se preparando para orar. Por quê? Porque não estão prontos.
Mas, se sempre tiverem uma atitude adequada, não precisarão passar algum tempo se preparando para orar. Poderão entrar em oração imediatamente. Portanto, que o Senhor nos ajude nesse sentido.