Vocês apresentaram algumas passagens: uma delas está em Mateus 7.
Mateus 7:7:
Pedi, e dar-se-vos-á;
buscai, e achareis;
batei, e abrir-se-vos-á.
E depois, os primeiros oito versículos de Lucas 18.
Lucas 18:1-8:
E contou-lhes Ele uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer;
dizendo: Havia numa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens.
Havia também naquela cidade uma viúva que vinha frequentemente ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário.
E por algum tempo ele não quis; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens;
todavia, porque esta viúva me incomoda, far-lhe-ei justiça, para que não me desgaste com as suas contínuas vindas.
E disse o Senhor: Ouvi o que diz o juiz injusto.
E não fará Deus justiça aos Seus eleitos, que clamam a Ele dia e noite, embora seja longânimo para com eles?
Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará Ele fé na terra?
Mencionamos, na última ocasião, que a oração coletiva nunca pode superar o nível da nossa oração pessoal, particular. Em outras palavras, se temos uma vida de oração em nossa vida particular, então, quando nos reunimos para orar, essa oração coletiva será forte. Mas, se em nossa vida diária não temos uma verdadeira vida de oração, então, quando nos reunirmos, nosso tempo de oração será fraco.
Precisamos orar sem cessar. Isto é, precisamos cultivar o hábito e a atitude de sempre olhar para o Senhor, esperar no Senhor, com uma atitude de oração. Essa deve ser a nossa vida de oração.
E nesta noite eu gostaria de mencionar outra coisa que é importante, não apenas em nossa oração pessoal, mas também quando oramos juntos. Sempre que orarmos, precisamos orar até o fim. Em outras palavras, perseverar em oração até receber a resposta.
Não devemos simplesmente orar e depois parar. “Orar sem cessar” não fala apenas da nossa necessidade de orar sempre, mas também da nossa necessidade de continuar orando até que aquilo pelo que oramos seja respondido. Precisamos perseverar em oração até o fim.
Nosso problema é que muitas vezes oramos por alguma coisa, seja em particular, seja em público, e depois simplesmente deixamos de orar por completo. Não é de admirar que nossas orações não sejam respondidas como deveriam.
Assim, em Mateus 7:7, temos a instrução mais simples sobre essa questão da oração:
Pedi, e dar-se-vos-á;
buscai, e achareis;
batei, e abrir-se-vos-á.
Agora, sabemos que, no original, isso significa:
Continuai pedindo, e dar-se-vos-á.
Continuai buscando, e achareis.
Continuai batendo, e abrir-se-vos-á.
Portanto, o próprio versículo nos mostra que precisamos continuar — não apenas pedir uma vez e deixar de lado; não apenas buscar por um momento e depois ir para outro lugar; nem apenas bater uma vez e desaparecer antes que a porta se abra. O próprio versículo nos diz que precisamos continuar pedindo.
Agora, se há alguma coisa que sentimos que precisamos pedir a Deus, se há uma necessidade legítima — pois logo vemos que, se pedimos pão ou peixe, estamos pedindo algo legítimo, uma necessidade, não um luxo —, então devemos pedir. Devemos pedir ao nosso Pai celestial e continuar pedindo até que nos seja dado.
Mas às vezes você pede, continua pedindo, e não recebe. Quando isso acontece, provavelmente você precisa passar para a segunda etapa da oração, que é buscar.
Primeiro, você pede. Você tem uma necessidade; você pede. Mas, se pede e não recebe, então provavelmente é hora de buscar. Isto é, precisamos buscar conhecer o pensamento do Senhor. Precisamos buscar o Senhor para saber por que o nosso pedido não está sendo respondido.
Será que pedimos de maneira errada? Ou será que há alguma coisa em nossa vida sobre a qual o Senhor está tentando nos falar? Sabe, às vezes pedimos, e a resposta não vem. É hora de nos examinarmos diante do Senhor. Talvez o Senhor esteja tentando nos dizer alguma coisa.
Mas isso é buscar. Não é pedir; é buscar — buscar conhecer o pensamento do Senhor.
E, quando buscamos e sabemos qual é o pensamento do Senhor, podemos passar para a terceira etapa da oração, que é bater.
Agora, você não bate na parede; você bate na porta. Em outras palavras, depois de conhecer a vontade de Deus, você começa a enxergar o Seu caminho. E, quando enxerga o Seu caminho, é como uma porta. Você sabe que é dessa maneira que Deus vai agir, e simplesmente bate à porta, continua batendo, e ela se abrirá para você.
Portanto, penso que todo esse versículo nos ensina que precisamos perseverar em oração até o fim. Se começarmos a orar, não devemos parar na etapa de pedir. Talvez precisemos prosseguir para a busca e, finalmente, para o bater.
Quando você começa a bater, já encontrou a porta. Em outras palavras, já sabe qual é a vontade de Deus. Assim, sabe que, se continuar batendo, ela se abrirá para você.
E, em Lucas 18, penso que a parábola fala da mesma coisa. O Senhor disse que devemos orar sempre e não desfalecer. Isto é, não apenas orar uma vez e depois desistir, pensando que não há esperança.
Assim, o Senhor usa uma parábola que apresenta um caso extremo, como contraste. O juiz injusto é exatamente o oposto do nosso Pai celestial. E, no entanto, vemos essa viúva: ela tem uma necessidade e não se envergonha de continuar pedindo, continuar buscando e continuar batendo, até que, finalmente, aquele juiz injusto não aguenta mais. Ele lhe faz justiça contra o seu adversário.
E isso é usado como contraste. Sabendo que nosso Pai celestial está tão disposto a nos ouvir, tão pronto a nos dar, tão acessível e sempre desejoso de nos conduzir até a plenitude, certamente, se continuarmos pedindo, continuarmos buscando e continuarmos batendo, Ele muito depressa abrirá a porta para nós.
E isso é fé. Isso é fé. Fé é crer que Ele responderá e simplesmente continuar — sem ceder, sem desistir.
E encontramos muitas situações e exemplos nas Escrituras. Vemos Abraão. Quando Deus revelou a Abraão o Seu pensamento a respeito de Sodoma e Gomorra, imediatamente Abraão levou esse assunto à oração, pedindo.
E ele não pediu apenas uma vez: “Se houver cinquenta justos na cidade, não os pouparás? O Juiz de toda a terra condenará o justo com o injusto?” E Deus disse: “É claro que não. Se houver cinquenta pessoas, pouparei a cidade”.
E então Abraão continuou, passando para quarenta e cinco, trinta e vinte, até chegar a dez. Em outras palavras, vemos que ele continuou pedindo, continuou buscando, continuou batendo.
E, embora não houvesse nem dez na cidade, e ela tenha sido destruída, a oração de Abraão foi ouvida, porque Deus livrou Ló de Sodoma.
E encontramos a mesma coisa no caso de Elias. Depois daquela vitória no monte Carmelo, Elias foi ao alto do monte e orou por chuva. E orou sete vezes — não apenas uma, mas sete vezes.
Ele enviou seu servo para ver se havia algum sinal de chuva. No início, não havia nada. Seis vezes, não havia nada. Mas, na sétima vez, havia apenas uma nuvem escura, do tamanho da mão de um homem. E a oração foi ouvida.
Continue pedindo. Persevere em oração até o fim. Não desista, mas ore até receber a resposta.
E vemos a mesma coisa com nosso Senhor Jesus. Até mesmo no jardim do Getsêmani, vemos que Ele orou três vezes, até concluir Sua oração e conhecer a vontade do Pai.
E Paulo fez a mesma coisa. Três vezes ele orou a respeito do espinho em sua carne, até receber a resposta. Deus disse:
A Minha graça te basta.
Assim, em todas as Escrituras, vemos que essa é uma lição que precisamos aprender. Se queremos que nossa oração seja eficaz, precisamos aprender a perseverar em oração por cada assunto até o fim.
Caso contrário, apenas tocaremos a superfície, daremos uma batida e seguiremos adiante, e nunca aprenderemos nessa questão da oração. Quando oramos por uma coisa hoje e por outra amanhã, na verdade, nem sequer estamos esperando uma resposta.
E isso pode acontecer também em um período de oração. Oramos pelo mesmo assunto o tempo todo e, provavelmente, às vezes, quando voltamos ao mesmo assunto algumas vezes, as pessoas se sentem um pouco cansadas ou desanimadas e pensam: “Por que devemos voltar a isso?” Mas a questão é: perseveramos em oração até o fim?
É muito melhor tratar de menos assuntos e perseverar neles até o fim do que dar a volta ao mundo, orar por tudo e nunca esperar uma resposta.
Sinto que esse é um perigo em nosso tempo de oração. Muitas vezes tentamos abordar tantas coisas ao redor do mundo. Sim, há muitas coisas pelas quais precisamos orar, mas oramos apenas uma vez, e o assunto é esquecido para sempre. Dessa maneira, nunca aprenderemos. Realmente, nunca aprenderemos o que é oração.
Precisamos orar e perseverar em oração por esses assuntos até receber a resposta — seja ela sim ou não, precisamos de uma resposta.
Sabe, temos de orar até que o Senhor diga: “Não, já basta. Não peça mais”, como aconteceu com Moisés. Ele suplicou ao Senhor que o deixasse entrar na terra, e o Senhor disse:
Não Me fales mais deste assunto.
Agora, se chegarmos a esse ponto, está bem, deixaremos de orar. Isso é um não.
Mas, caso contrário, se o Senhor nos der um encargo, e se realmente for um encargo, então precisamos continuar orando. Talvez não possamos orar semana após semana pelos mesmos assuntos, mas realmente sinto que nós, que participamos de uma reunião de oração, não devemos ser tão esquecidos a ponto de, depois que a reunião terminar, tudo também terminar.
Realmente sinto que devemos guardar essas coisas no coração e, em nossa oração particular, continuar orando por esses assuntos até vermos as respostas.
Portanto, que o Senhor nos ajude a aprender como orar e perseverar em oração até o fim.
Aqui se encerra a ministração do irmão Kong, de número 23. O irmão John Kennedy prossegue com a mensagem de número 24.
Não pretendo tomar muito tempo. Quero compartilhar apenas algumas palavras das Escrituras e, depois, talvez dizer algumas palavras sobre o ministério em que estou envolvido, para que isso ofereça alguns motivos de oração ao final.
Vamos, então, primeiro ao livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 4. Sem dúvida, é uma passagem das Escrituras conhecida pela maioria de vocês. Leremos Atos 4:23-31.
O contexto do que vamos ler nesses versículos é, naturalmente, a prisão de Pedro e João por causa de seu testemunho do Senhor.
Atos 4:23-31:
E, tendo sido soltos, foram para os seus e relataram tudo o que os principais sacerdotes e os anciãos lhes haviam dito.
E eles, ouvindo isso, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Ó Senhor, Tu que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há;
que, pelo Espírito Santo, pela boca de nosso pai Davi, Teu servo, disseste: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?
Os reis da terra se puseram em posição, e os governantes se ajuntaram contra o Senhor e contra o Seu Ungido.
Porque, verdadeiramente, nesta cidade se ajuntaram contra o Teu santo Servo Jesus, a Quem ungiste, tanto Herodes como Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel;
para fazerem tudo o que a Tua mão e o Teu conselho predeterminaram que acontecesse.
E agora, Senhor, atenta para as suas ameaças: e concede aos Teus servos que falem a Tua palavra com toda a ousadia;
enquanto estendes a Tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios por meio do nome do Teu santo Servo Jesus.
E, tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e falavam a palavra de Deus com ousadia.
Esse, naturalmente, é um relato — sem dúvida, um relato muito parcial — de uma das primeiras reuniões de oração. Pedro e João haviam sido presos. Tinham sido interrogados a respeito de sua pregação e, depois de serem soltos, voltaram para os seus, para o grupo de crentes.
Contaram tudo o que lhes havia acontecido, tudo o que os principais sacerdotes e os anciãos haviam dito, e então o grupo começou a orar em conjunto. O conteúdo de suas orações está registrado a partir do versículo 24.
Se estivéssemos em circunstâncias assim, fico pensando quais seriam nossos pensamentos ou qual seria a direção das nossas orações. Aquilo por que os dois discípulos haviam passado naquele momento era um sinal da oposição geral que havia surgido à pregação do evangelho.
Eles haviam procurado ser fiéis ao Senhor e, no entanto, em meio à sua fidelidade, foram interrogados, presos, açoitados e assim por diante.
Contudo, quando se reuniram para orar, não houve questionamento dos caminhos de Deus. Não perguntaram: “Senhor, por que isso deveria ter acontecido conosco? Procuramos seguir-Te fielmente, e este é o resultado”.
Mas, antes de tudo, há um reconhecimento da soberania de Deus. Isso está, naturalmente, na palavra com que essa oração começa: “Senhor”. Nossa versão King James diz: “Senhor soberano”.
Seja o que for que tenha acontecido, de alguma maneira tudo aconteceu segundo a vontade soberana de Deus. Embora talvez fosse difícil compreender, ainda assim o Senhor estava ali. Ele estava acima de tudo; Ele estava por trás de tudo; Ele governava tudo.
Não houve questionamento sobre os motivos ou as razões. Eles começaram seu tempo de oração com esse reconhecimento da soberania de Deus, da graça soberana de Deus. Fosse o que fosse que tivesse acontecido, Ele sabia. Fosse o que fosse que tivesse acontecido, Ele havia permitido.
Tu és o Deus que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.
Tu criaste o mundo e, evidentemente, tens poder para determinar o curso do mundo. Basicamente, nada acontece sem o Teu conhecimento e sem que Tu o permitas.
Eles reconheceram que, fosse o que fosse que lhes acontecesse, não estavam, fundamentalmente, nas mãos dos homens; estavam nas mãos do Senhor.
E, naturalmente, essa foi a atitude do nosso Senhor, não foi, quando foi interrogado diante de Pilatos? Pilatos Lhe fez perguntas, e Ele Se recusou a responder. Pilatos Lhe disse:
Não me falas? Não sabes que tenho poder para Te crucificar e tenho poder para Te soltar?
E o que o Senhor disse? O Senhor disse:
Nenhum poder terias contra Mim, se de cima não te fosse dado.
“Não estou nas suas mãos, Pilatos. Estou nas mãos de Meu Pai.”
E isso, naturalmente, é basicamente o que os discípulos reconheceram aqui. Suas orações começaram com um reconhecimento da soberania do Senhor.
Não há sequer um pedido para que os livre dessas circunstâncias ou os tire delas. Mas há o reconhecimento de que, se vão seguir o Senhor, dificuldades ou perseguição, de uma forma ou de outra, são inevitáveis.
Paulo disse isso mais tarde, em sua última carta, não foi? Em 2 Timóteo 3:12, creio:
E também todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus padecerão perseguição.
Aí está uma promessa da Palavra de Deus. Não gostamos tanto desse tipo de promessa: que todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus padecerão perseguição.
E eles voltam ao livro dos Salmos e dizem:
Por que se enfureceram as nações,
e os povos meditaram coisas vãs?
Os reis da terra se puseram em posição,
e os governantes se ajuntaram
contra o Senhor e contra o Seu Cristo.
Eles citam as palavras do Salmo 2. “Sofremos por causa do Teu nome, mas, afinal, Tu nos disseste que isso aconteceria. Até mesmo por meio de Davi, tantos séculos atrás, Tu o disseste. Isso é apenas o cumprimento daquilo que profetizaste.”
E, naturalmente, o próprio Senhor Jesus Cristo havia dito a mesma coisa aos Seus discípulos. Vocês podem ler a respeito disso, por exemplo, em João 15.
Eles olham para os acontecimentos do Calvário e para os acontecimentos posteriores ao Calvário, nos quais eles mesmos haviam estado envolvidos, e dizem: “Ora, tudo isso é apenas o cumprimento daquilo que Tu disseste que aconteceria”.
Portanto, não pareciam nem um pouco surpresos com o que havia acontecido. Na verdade, tudo indica que, se algo diferente tivesse ocorrido, teriam ficado mais surpresos do que ficaram naquela ocasião. Isso é apenas o cumprimento do que Tu disseste.
Isso é algo que fazemos bem em lembrar. Precisamos sempre lembrar que, como povo de Deus em um mundo que nos é estranho, somos diferentes — ou deveríamos ser.
O Senhor foi à cruz para santificar um povo, para separar um povo. O autor da carta aos Hebreus diz:
Saiamos, pois, a Ele fora do arraial, levando o Seu vitupério.
Ele sofreu fora da porta para santificar um povo, separar um povo que fosse distinto, assim como Ele era distinto. E o preço, o custo dessa distinção, são dificuldades, problemas, talvez perseguição, seja o que for. Mas essa é a realidade.
E os discípulos expressam aqui seu reconhecimento disso.
E agora, Senhor, atenta para as suas ameaças.
E qual foi o único pedido deles?
Agora, como já disse, esses poucos versículos sem dúvida não são um relato completo daquela primeira reunião de oração. Provavelmente ela durou mais do que o tempo que levamos para ler os versículos. Mas eles dizem:
E agora, Senhor, atenta para as suas ameaças: e concede aos Teus servos que falem a Tua palavra.
Essa era a única preocupação deles, sua preocupação fundamental: que fossem testemunhas, fossem quais fossem as circunstâncias. E essa oração, naturalmente, foi respondida — abundantemente respondida. Todos foram cheios do Espírito Santo e falaram a Palavra de Deus com ousadia.
Agora, sem dúvida havia muitas outras coisas que mencionaram diante do Senhor. Mas a questão é que essa era a ênfase de toda a reunião. Esse era o único desejo deles, que predominava sobre todos os demais desejos. Ou, para usar a linguagem que estávamos usando no domingo de manhã, essa era a prioridade deles.
A prioridade era o propósito de Deus, não eles mesmos — seu conforto ou seu próprio bem-estar. Não que Deus fosse indiferente a essas coisas, mas a prioridade deles era a vontade de Deus e o propósito de Deus.
Participo de muitas reuniões de oração e, às vezes, parece-me que nossas reuniões de oração são tão centradas em nós mesmos. Estamos tão preocupados com nossas pequenas necessidades, nossos incômodos e nossas dores.
Não é que Deus não queira que levemos essas coisas a Ele. Certamente o Senhor Se importa com todas elas. E, no entanto, em nossa preocupação com essas coisas, parece que tantas vezes nos esquecemos daquilo que deveria ser o objetivo das nossas orações: Seu propósito, a vinda do Seu reino, que Sua vontade seja feita na terra, que sejamos testemunhas, sejam quais forem as circunstâncias em que somos chamados a viver.
Quer estejamos em tranquilidade, quer estejamos presos, devemos viver de uma maneira que seja um testemunho Dele. E essa, naturalmente, era toda a base da oração dos discípulos aqui.
E como precisamos estar atentos a isso. Às vezes, penso que as prioridades da nossa vida são frequentemente reveladas na maneira como oramos, em nossas reuniões de oração. Isso realmente mostra as coisas que consideramos mais importantes.
E lembrem-se: ao determinar nossas prioridades, não se trata de escolher entre o bem e o mal. Trata-se de escolher entre aquilo que é bom e aquilo que é melhor.
Muitas vezes, os grandes inimigos em nossa vida espiritual — ou do nosso progresso e da nossa utilidade para o Senhor — não são pecados, não são coisas erradas, mas coisas que são corretas, muito boas em si mesmas, mas que deveriam ocupar o segundo lugar diante de outras coisas mais importantes.
Nossas prioridades estão erradas.
Nosso Senhor, naturalmente, destacou isso quando ensinou Seus discípulos a orar. “Ensina-nos a orar.” Muito bem:
Orai, pois, desta maneira.
Então temos o que chamamos de Pai-Nosso, em Mateus 6:
Pai nosso, que estás nos céus;
santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
Esse pedido vem bem mais abaixo na lista. Não que seja deixado de fora — não é deixado de fora —, mas vem bem mais abaixo na lista. Tantas vezes parece que começamos pelo lado errado e depois não temos tempo de voltar ao início antes de precisarmos encerrar.
Deve haver uma preocupação com a vontade do Senhor, com os propósitos do Senhor, com o reino do Senhor — para que Seu reino se expanda; com os interesses do Senhor em Seu povo; com os interesses do Senhor no mundo; para que cumpramos o propósito pelo qual Deus nos colocou aqui, o propósito pelo qual Deus nos colocou nesta parte da Sua vinha.
Não apenas para que sejamos conservados com boa saúde e vigor. O Senhor quer que estejamos assim, mas não apenas isso. Ele quer que cumpramos Seu propósito. E nossas orações precisam ser dirigidas ao Seu propósito.
Quero apenas deixar com vocês esses poucos pensamentos, para que possamos estabelecer as prioridades corretas em nossa oração. Parece-me que isso fica evidente nesse relato tão breve daquela primeira reunião de oração da igreja.
E como essa oração foi abundantemente respondida. A resposta a essa oração, a esse pedido, naturalmente, é o restante do livro dos Atos dos Apóstolos.
Houve muitas dificuldades, muitas perseguições, muitos problemas, mas eles falaram a Palavra de Deus com ousadia. E assim as igrejas cresceram, e o evangelho se expandiu.
No espaço de uma geração, a Palavra de Deus havia se espalhado por todo o mundo conhecido — aquilo que, para a sociedade em que os discípulos viviam, era considerado o mundo conhecido. Um feito notável, notável, poderíamos dizer.
Naturalmente, não foi um feito humano. Foi pelo poder de Deus, mas foi uma resposta a essas orações, nas quais o povo de Deus enxergou suas verdadeiras prioridades.
E lembrem-se: os doze — ou melhor, os onze — que restaram quando nosso Senhor foi crucificado não eram um grupo de pessoas tão extraordinárias. Quando viram o rumo que as coisas estavam tomando, naturalmente todos fugiram. Foi assim que começaram.
E, no entanto, vejam o que Deus fez a partir daquele pequeno começo — porque, poderíamos dizer, eles aprenderam a orar corretamente. Conheciam o pensamento de Deus, e era isso que desejavam acima de tudo e além de qualquer outra consideração.
Assim, ao passarmos tempo em oração nesta noite, que esse fato esteja diante de nós, e que esteja sempre diante de nós. Isso é algo pelo qual, creio, precisamos lutar constantemente.
Muitas coisas em nossa vida espiritual são objeto de luta espiritual. Aqui está uma delas: manter um senso correto de prioridades, olhando para Ele.
E o Senhor suprirá nossas necessidades quando estivermos preocupados com as necessidades Dele. Busquem primeiro o reino. Busquem primeiro os Seus interesses, e suas necessidades serão supridas.
Que o Senhor torne essas coisas reais para nós.
Foi sugerido que eu dissesse algumas palavras sobre a Índia, para lhes dar um ou dois motivos de oração. Mais uma vez, não vou me alongar no assunto.
Estamos vivendo em uma época, creio, de enorme potencial. Creio que o Senhor fará grandes coisas na Índia nos próximos anos, em um país que está aberto ao evangelho.
Mas, para que isso se cumpra, para que o propósito do Senhor se cumpra, sinto que há uma grande necessidade de pensar no fortalecimento da igreja. Por igreja, refiro-me àquelas pessoas que são o povo do Senhor e que têm o desejo de avançar em Seus caminhos.
E eu lhes pediria que orassem especialmente pela liderança. Essa, naturalmente, é uma necessidade em todo o mundo. Não é apenas na Índia: a necessidade de uma liderança local madura e de um ministério adequado entre o povo de Deus.
Essa, naturalmente, é uma necessidade mundial. Em todos os lugares aonde vamos — aqueles de vocês que viajam um pouco sabem o que quero dizer —, encontramos pessoas famintas. As pessoas têm fome da Palavra de Deus, das coisas do Senhor.
Alguns que captaram algo da visão do que o Senhor deseja começam a se reunir, e, no entanto, parecem não ter nenhuma orientação. Não há ninguém para lhes oferecer coisa alguma. Não há ministério. E essa, naturalmente, é uma necessidade enorme na Índia.
As Escrituras dizem muito, nas epístolas pastorais, por exemplo, sobre a enorme importância de um ministério da Palavra consistente e sadio entre o povo de Deus. E isso é algo que faz tanta falta.
Ao orarem por isso em seu próprio país, digam também uma palavrinha ao Senhor sobre essa mesma necessidade na Índia. Como precisamos ver Deus levantar homens de estatura espiritual, homens do próprio país, irmãos indianos de estatura espiritual e capacidade, que possam ministrar a Palavra ao Seu povo.
Assim, eu faria esses dois pedidos: lembrem-se da obra de Deus na Índia nesses aspectos. Certamente há uma abertura para o evangelho e uma fome em muitos setores da sociedade como não víamos há muito tempo.
Creio que há hoje uma fome maior pela Palavra de Deus em muitas partes da Índia do que jamais houve, certamente desde que fui para lá, há pouco mais de trinta anos.
Também ficaria grato por suas orações pelas poucas semanas que ainda tenho aqui na América do Norte. Estou chegando ao fim do meu período por aqui, nos Estados Unidos e no Canadá.
Tem sido uma grande alegria encontrar o povo do Senhor em vários lugares por todo o território, assim como foi uma alegria ter comunhão com vocês nestes últimos dias.
Amanhã vou para Washington, D.C. Estarei lá durante o fim de semana. Na segunda-feira, vou para Fort Washington, na Pensilvânia, perto da Filadélfia. No fim de semana seguinte, estarei na cidade de Nova York.
Depois, nos dias dezessete, dezoito, dezenove e vinte, estarei em Adamsville, que fica perto de Providence, em Rhode Island. De lá, volto para a Inglaterra.
Assim, conforme o Senhor lhes permitir, ficaria grato por suas orações pelo ministério nestas últimas semanas por aqui, para que o Senhor, de alguma maneira, use a Palavra e continue fortalecendo Seu povo.
Estas últimas semanas e meses certamente têm sido uma bênção para mim. Ficarei grato por suas orações quando eu voltar à Índia, em um futuro próximo, para retomar o ministério ali, a fim de que eu seja fortalecido para tudo o que o Senhor tiver para mim.
Realmente, não creio que haja algum país no mundo onde eu preferiria estar hoje. Estou lá há trinta anos e estou pronto para mais trinta, se o Senhor quiser. Por favor, orem.
Aqui se encerra a mensagem de número 24, do irmão Kennedy. A mensagem de número 25 começa novamente com o irmão Kong. Infelizmente, a gravação tem qualidade muito baixa e apresenta muita interferência, que não pôde ser eliminada.
Lucas 11:5-8:
E disse-lhes Ele: Qual de vós terá um amigo e irá procurá-lo à meia-noite, dizendo-lhe: Amigo, empresta-me três pães;
pois um amigo meu chegou de viagem, e nada tenho para lhe oferecer;
e ele, respondendo de dentro, dirá: Não me incomodes; a porta já está fechada, e meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para te dar os pães?
Digo-vos que, ainda que não se levante para lhos dar por ser seu amigo, todavia, por causa da sua importunação, se levantará e lhe dará quantos necessitar.
Nosso Senhor estava orando em certo lugar. Ao observá-Lo, os discípulos perceberam que a maneira como o Senhor orava era diferente. Então pediram ao Senhor que os ensinasse a orar.
Depois de lhes ensinar a oração que começa com “Pai nosso, que estás nos céus”, nosso Senhor continuou ensinando-lhes como orar. Então encontramos em Lucas 11:9-10:
Pedi, e dar-se-vos-á;
buscai, e achareis;
batei, e abrir-se-vos-á.
Porque todo aquele que pede recebe;
e aquele que busca acha;
e ao que bate abrir-se-lhe-á.
Ora, isso imediatamente nos leva a considerar como devemos orar. Nosso Senhor usa uma parábola. É a parábola de um amigo que vai procurar seu amigo, pedindo ajuda para outro amigo.
Assim, encontramos ao todo três relações de amizade. Aquele que ora é um amigo; aquele a quem ele ora é um amigo; e aquele por quem ele ora é um amigo.
Isso nos mostra que há um relacionamento na oração — não apenas o relacionamento entre o Pai e os filhos. Na chamada oração do Pai-Nosso, Ele disse: “Pai nosso”. Isso é um relacionamento, um relacionamento fundamental entre Pai e filhos. Vamos a Deus porque Ele é nosso Pai, e oramos porque somos Seus filhos.
Mas aqui vemos nosso Senhor Jesus nos mostrando outro relacionamento: não apenas o relacionamento entre Pai e filhos, mas o relacionamento entre amigos.
Que condescendência a de Deus, ao Se dispor a nos receber como Seus amigos. Sabe, para sermos amigos, precisa haver certa semelhança, algo que realmente possamos compartilhar uns com os outros. Mas aqui vemos Deus Se inclinando para ser nosso Amigo. Somos Seus amigos.
Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse:
Já não vos chamo servos.
Ora, somos Seus servos. Ele pode nos ordenar que façamos tudo o que quiser, sem explicar por quê. Não temos o direito de pedir uma explicação. Temos de Lhe prestar obediência incondicional como servos.
Mas o Senhor disse que não nos trata apenas como servos. Em outras palavras, Seus caminhos são compartilhados, Seus segredos são compartilhados. Há um relacionamento entre nós e Ele. É um relacionamento de amizade — um compartilhar de pensamentos, um compartilhar de encargos.
Vocês se lembram de que, em Provérbios, está escrito:
Há um amigo que se apega mais do que um irmão.
E Ele é, creio, Aquele que Se apega a nós mais do que um irmão segundo a carne.
Assim, vemos aqui esse homem que, à meia-noite, foi bater à porta de seu amigo. E não fez isso por si mesmo; fez por outro amigo.
Esse homem não foi procurar seu amigo por causa de sua própria necessidade. Foi procurar seu amigo por causa da necessidade do outro amigo. À meia-noite, ele bateu. Por quê? Porque sabia que, sendo amigos, não lhe seria negado o pedido.
Agora, será que teríamos coragem de bater à porta de alguém à meia-noite, pedindo alguma coisa? Essa não é uma hora apropriada. Mas, se a amizade de vocês é tão profunda, você pode bater à porta do seu amigo a qualquer hora, até mesmo à meia-noite, e ter a certeza de que ela será aberta.
Portanto, antes de tudo, há uma amizade entre nós. Ele está disposto a ser nosso Amigo e, porque Ele é nosso Amigo, ousamos ir a Ele, até mesmo no meio da noite, crendo que Ele nos ouvirá.
Mas encontramos outra coisa aqui. Esse homem recebeu a visita de um amigo, provavelmente tarde da noite, e não tinha nada para pôr à mesa.
Mas sua amizade com aquele amigo era tão profunda que ele não suportava vê-lo com fome. Foi por isso que procurou seu amigo e pediu três pães.
Agora, será que nossa amizade com os nossos amigos é tão profunda? Talvez batamos à porta de um amigo à meia-noite por causa de nossa própria necessidade, mas será que bateremos à porta do nosso Amigo à meia-noite por causa da necessidade de outra pessoa?
Se Deus demonstra tamanha amizade para conosco, não deveríamos demonstrar mais amizade para com nossos amigos? Não deveríamos nos importar mais com eles?
Ora, isto é sempre verdade: não temos nada para pôr à mesa. Tudo o que temos é disposição, um desejo de ajudar nosso amigo. Temos de ir ao nosso Pai, ao nosso Deus, em busca da provisão.
Muitas vezes, por considerar alguém seu amigo no Senhor — seus irmãos e irmãs —, você percebe que eles têm necessidades e se solidariza profundamente com eles, porque há uma amizade ali. Mas você reconhece que não tem nada para pôr à mesa.
A provisão não está em nós; a provisão está em Deus. Mas, graças a Deus, podemos ir a Ele como amigos e pedir provisão para os nossos amigos.
É por isso que as Escrituras dizem:
Orai uns pelos outros.
Não apenas orem por vocês mesmos, mas orem uns pelos outros.
Uma das razões pelas quais a oração é respondida é a amizade. Mas o Senhor vai um pouco além. Ele disse que, mesmo sendo amigos, aquele homem não se levantará, porque diz: “Meus filhos já estão comigo na cama. Não posso me levantar”.
Embora seja seu amigo, ele se recusa. Mas, por causa da falta de vergonha daquele que pede — de sua persistência —, ele se levantará, abrirá a porta e lhe dará tudo de que precisar.
Agora, não é uma vergonha bater à porta do seu amigo à meia-noite? Você não fica envergonhado com isso? Não é uma vergonha continuar batendo e se recusar a ir embora quando não recebe resposta, ou quando a porta não se abre?
Mas, por causa dessa falta de vergonha, mesmo que a amizade não o leve a fazer isso, ele terá de se levantar, abrir a porta e lhe dar tudo de que precisar.
Assim, vemos aqui o Senhor nos encorajando quanto à maneira de orar. Quando vamos orar, oramos como amigos. E vamos ainda além: oramos com ousadia, sem nos envergonhar.
Às vezes, nossa oração é tímida demais. Não ousamos insistir. Ousamos abrir a boca? Ousamos continuar orando? Ousamos ir a Ele, recusando-nos a aceitar uma recusa? Somos tão ousados assim?
O que o Senhor está tentando nos ensinar é isto: quando você for a Ele, em outras coisas seja modesto; mas, na oração, seja ousado. Sejamos ousados — não presunçosos, mas ousados, porque sabemos que podemos contar com Sua amizade.
Sabe, não me lembro de quem era, mas, muitos anos atrás, ouvi falar de algo que aconteceu. Esse irmão disse: “Não importa, porque nossa amizade pode suportar isso”.
Essa é a atitude que devemos reconhecer em nosso Deus. Não importa o que aconteça, Sua amizade permanece. Ele não nos rejeitará. Ele nos dará tudo de que precisamos.
Temos de bater e continuar batendo. Assim, quando o Senhor diz:
Pedi, e dar-se-vos-á.
No original, Ele diz: “Continuem pedindo”. Ele diz: “Continuem buscando. Continuem batendo, e a porta se abrirá”.
Ora, muitas vezes não ousamos bater. Talvez já tenhamos chegado à porta, mas não ousamos bater. Às vezes, batemos muito suavemente. Mas vamos bater, bater e bater. Não tenham vergonha.
Portanto, essa é a maneira como o Senhor nos ensina a orar. Que o Senhor nos ajude a não ter vergonha ao nos aproximarmos do melhor dos amigos.