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    Messages On Corporate Prayer #29-32 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Messages On Corporate Prayer #29-32
    Messages On Corporate Prayer #29-32
    Kaung, Stephen

    Oração Coletiva

    A Oração em Nome do Senhor Jesus

    Por favor, abram no Evangelho segundo João, em João 16:23-24, 26-27.

    E naquele dia nada Me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, Ele vo-la dará em Meu nome.
    Até agora nada tendes pedido em Meu nome: pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.
    Naquele dia pedireis em Meu nome; e não vos digo que Eu rogarei ao Pai por vós;
    pois o próprio Pai vos ama, porque vós Me amastes e crestes que saí do Pai.

    Quando nosso Senhor Jesus estava com Seus discípulos, eles de fato oravam a Deus, mas recorriam ao Senhor Jesus em todas as suas necessidades.

    Agora, porém, nosso Senhor Jesus estava deixando os discípulos. Aonde eles iriam? A quem recorreriam em suas necessidades?

    E aqui o Senhor disse: “Naquele dia”. Sabemos que esse dia é o dia de Sua ressurreição. Ele disse que, naquele dia, haveria uma grande mudança.

    Antes daquele dia, vocês nunca haviam pedido coisa alguma ao Pai em Meu nome. Mas naquele dia, e daquele dia em diante, é isso que vocês farão. Vocês pedirão ao Meu Pai em Meu nome, e tudo o que pedirem receberão, para que a alegria de vocês seja completa.

    Porque, no dia de Sua ressurreição, sabemos que um novo relacionamento foi estabelecido. Ele disse:

    Vai ter com Meus irmãos e dize-lhes: Subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus.

    Em outras palavras, por meio de Sua morte e ressurreição, Deus não é apenas nosso Deus, mas tornou-Se nosso Pai. Ele é o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus, e é também o nosso Deus e Pai.

    Um novo relacionamento: Pai e filhos.

    E não apenas um novo relacionamento, pois o Senhor disse: “Agora vocês podem orar ao seu Pai. Podem pedir ao seu Pai”. Por quê? Porque o Senhor disse: “Vocês Me amaram e creram em Mim; e, porque Me amam e creem em Mim, Meu Pai ama vocês”.

    E Ele os ouvirá.

    Nosso amor pelo Senhor toca o coração de Deus Pai em relação a nós. Um novo relacionamento e um novo amor.

    E, com base nesse novo relacionamento e nesse novo amor — não apenas um novo relacionamento, de Pai e filhos, mas um novo amor: “O Pai ama vocês porque vocês Me amaram” —, ousamos orar. Ousamos pedir. Ousamos nos aproximar do trono da graça.

    O Senhor está nos encorajando a orar. Mas como vamos orar? Como vamos exercer esse novo relacionamento e esse amor em nossas orações? Ele disse: “Em Meu nome”. A chave é esta: “Em Meu nome”.

    Se formos ao Pai em Seu nome, então tudo o que pedirmos receberemos.

    A Realidade de Seu Nome

    Seu nome não é uma formalidade. Sabe, às vezes, em nossas orações, a maneira habitual de encerrar é dizer: “Em Seu nome”, “em nome do Senhor Jesus”. Mas sabemos que isso não é apenas uma formalidade; é uma realidade.

    O Senhor agora está com o Pai, mas deixa Seu nome conosco. E essa é uma de Suas concessões. Mencionamos Suas concessões; esta é uma delas. Ele deixa Seu nome conosco.

    E Seu nome equivale à Sua própria pessoa, à Sua presença.

    Temos Seu nome conosco e, em Seu nome, podemos ir ao Pai e pedir. E, porque pedimos em Seu nome, o Pai nunca nos recusará, assim como nunca recusou Seu Filho.

    Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse, no Evangelho de João, que o Pai sempre O ouviu. Sempre O ouviu. Portanto, quando vamos em Seu nome, é quase como se Ele estivesse orando.

    Por isso, o Pai nunca nos recusará. Seu nome é tão poderoso. Seu nome é tão precioso para o Pai. Em Seu nome, o Pai fará toda e qualquer coisa, assim como sempre faz por Seu Filho.

    Portanto, esse nome é um nome poderoso, e esse nome é nosso. Ele nos deu Seu nome e nos encoraja a orar em Seu nome.

    A Oração em União com Cristo

    Agora, é claro, “em Seu nome” significa que devemos ser um com Ele.

    Se pedirmos algo que contradiga Seu caráter ou Sua vontade, não estamos pedindo em Seu nome. Podemos usar a fórmula “Em Seu nome, amém”, mas, na realidade, não estamos orando em Seu nome. Estamos fazendo nossa própria oração. Estamos pedindo que a nossa vontade seja feita. Queremos o que queremos, em vez de sermos um com Ele.

    Portanto, “em Seu nome” significa que somos um com Ele. E, se somos um com Ele, quando oramos em Seu nome, é como se Ele estivesse orando.

    Ele disse:

    Não vos digo que Eu rogarei ao Pai por vós.

    Agora, é claro, sabemos que nosso Senhor Jesus hoje é nosso grande Intercessor. Ele é nosso grande Sumo Sacerdote. Ele intercede por nós. Ele está orando por nós.

    Mas Ele disse: “Não estou dizendo que orarei por vocês. Vocês mesmos orem. Orem em Meu nome”. Porque, quando oramos em Seu nome, é quase como se Ele estivesse orando. Do ponto de vista do Pai, Ele ouve o Filho; portanto, vocês receberão por causa desse nome.

    E, é claro, “em Seu nome” também significa que devemos estar sujeitos a Ele e à Sua autoridade. Isso não será verdadeiro se usarmos Seu nome e, ainda assim, não nos submetermos à Sua autoridade.

    Temos de nos submeter completamente ao Seu nome — isto é, à Sua autoridade. E, se nos submetermos à Sua autoridade, descobriremos que nossa oração terá autoridade. Teremos poder até mesmo diante do Pai.

    Além disso, “em Seu nome” significa que estamos orando segundo Sua vontade, de acordo com Seu caráter.

    E, se pedirmos alguma coisa segundo Sua vontade — isto é, de acordo com Seu caráter —, teremos a confiança de que o Pai responderá à nossa oração.

    Portanto, queremos mesmo encorajar os irmãos e as irmãs. Sabe, não temos apenas esse novo relacionamento com Deus e também um novo amor — o próprio Deus Pai nos ama —, mas temos ainda o nome de Jesus conosco.

    E, quando nos achegamos para orar, não vamos em nosso próprio nome, para pedir que nossa própria vontade seja feita. Vamos porque temos o nome do Senhor Jesus. Somos um com Ele. Conhecemos Seu caráter. Conhecemos Sua vontade. E queremos que Sua vontade seja feita na terra assim como é feita no céu.

    Portanto, isso é tão encorajador. O Senhor disse:

    Até agora nada tendes pedido em Meu nome: pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

    Que o Senhor nos ajude, então, enquanto oramos juntos.

    Aqui termina a mensagem número 29 sobre oração coletiva. A seguir, a mensagem número 30.


    A Intercessão Segundo o Caráter de Deus

    Por favor, abram em Gênesis 18. Gênesis 18.

    Vamos ler Gênesis 18:16-33.

    E aqueles homens se levantaram dali e olharam para Sodoma; e Abraão ia com eles, para os acompanhar no caminho.
    E disse o Senhor: Ocultarei Eu a Abraão o que faço;
    visto que Abraão certamente virá a ser uma nação grande e poderosa, e nele serão benditas todas as nações da terra?
    Porque Eu o conheci, para que ordene a seus filhos e à sua casa depois dele que guardem o caminho do Senhor, praticando a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado.
    E disse o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra é grande, e porquanto o seu pecado é muito grave;
    descerei agora e verei se de todo têm praticado segundo o clamor que chegou até Mim; e, se não, sabê-lo-ei.
    Então aqueles homens se viraram dali e foram para Sodoma; mas Abraão permaneceu ainda diante do Senhor.
    E aproximou-se Abraão e disse: Destruirás Tu também o justo com o ímpio?
    Porventura haverá cinquenta justos na cidade: destruirás também e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que estão dentro dela?
    Longe de Ti fazer tal coisa, matar o justo com o ímpio, de modo que o justo seja como o ímpio; longe de Ti: não fará justiça o Juiz de toda a terra?
    Então disse o Senhor: Se Eu achar em Sodoma cinquenta justos dentro da cidade, pouparei todo o lugar por causa deles.
    E respondeu Abraão e disse: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza:
    porventura faltarão cinco dos cinquenta justos: destruirás por causa de cinco toda a cidade? E Ele disse: Não a destruirei, se achar ali quarenta e cinco.
    E tornou ainda a falar-Lhe e disse: Porventura se acharão ali quarenta. E Ele disse: Não o farei por causa dos quarenta.
    E disse: Ora, não Se ire o Senhor, e falarei: porventura se acharão ali trinta. E Ele disse: Não o farei, se achar ali trinta.
    E disse: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor: porventura se acharão ali vinte. E Ele disse: Não a destruirei por causa dos vinte.
    E disse: Ora, não Se ire o Senhor, e falarei somente mais esta vez: porventura se acharão ali dez. E Ele disse: Não a destruirei por causa dos dez.
    E foi-Se o Senhor, assim que acabou de falar com Abraão; e Abraão voltou ao seu lugar.

    As Duas Notícias Dadas a Abraão

    Vemos neste capítulo que o Senhor visitou Abraão e lhe trouxe duas notícias: uma boa e outra ruim.

    A boa notícia era que sua esposa Sara teria um filho. E acho que todos podemos entender por que Deus trouxe essa boa notícia a Abraão, pois todas as promessas de Deus estavam centradas naquela criança.

    Mas depois vemos que o Senhor compartilhou com Abraão uma notícia ruim. A notícia ruim era que os pecados de Sodoma e Gomorra haviam subido até o céu, e o juízo viria sobre essas cidades.

    Agora, eu me pergunto por que o Senhor deixou Abraão ouvir essa notícia ruim. Seria uma prova do caráter de Abraão?

    Lembramos como Ló escolheu o que considerava um lugar melhor, a melhor parte. Ele ficou com essa parte, em vez de deixá-la para Abraão. Mudou-se para a cidade de Sodoma.

    E, mesmo depois de Abraão livrá-lo dos quatro reis, Ló continuou ali.

    Será que Deus queria provar o caráter de Abraão, para ver até onde ele iria em seu relacionamento com Ló? Quão amplo era seu coração?

    Ele perdoou seu sobrinho. Resgatou seu sobrinho. Mas o sobrinho continuou em seus antigos caminhos. Abraão simplesmente diria: “Bem, se é isso que você quer, é isso que terá”? Ele desistiria de Ló?

    Ou o coração de Abraão era tal que Ló ainda ocupava um lugar muito, muito profundo nele? Teria sido por essa razão? Poderia ser, mas talvez houvesse algo mais.

    O Caráter de Deus como Fundamento da Intercessão

    Deus ia destruir Sodoma, mas sabia que havia ali um homem justo. E destruir o justo com o ímpio era contrário ao caráter de Deus.

    Portanto, Ele compartilhou essa notícia com Abraão porque o conhecia. Sabia que Abraão conhecia Seu caráter e suplicaria a Ele, para que Deus pudesse livrar Ló daquela destruição.

    Em outras palavras, Deus estava procurando alguém que compreendesse Seu caráter e intercedesse com base nele, para que Ele não fizesse algo que comprometesse Sua própria honra.

    Acho que essa provavelmente é a razão principal, mais do que a primeira.

    Vemos que, nessa intercessão de Abraão, ele baseou toda a sua súplica em um único ponto. E esse ponto é:

    Não fará justiça o Juiz de toda a terra?

    Não havia uma promessa. Ele não podia suplicar com base em uma promessa de Deus. Não havia uma palavra; nenhuma palavra havia sido dada. Mas havia o caráter de Deus.

    Portanto, nessa questão da intercessão, acho que às vezes talvez nem tenhamos uma palavra de Deus ou uma promessa Sua. Mas, se sabemos Quem Ele é, se conhecemos Seu caráter, sempre podemos interceder de acordo com Seu caráter e ser ouvidos, porque Deus não pode negar a Si mesmo.

    Acho que, quando as pessoas começam a suplicar a Deus com base em Seu caráter, esse provavelmente é o fundamento mais profundo da intercessão.

    Abraão veio a Deus e disse: “Senhor, se houvesse cinquenta justos na cidade, Tu destruirias essa cidade, destruirias o justo com o ímpio? Tu és o Juiz de todos. Certamente não farás tal coisa”.

    É claro que Abraão pensava em Ló; não há dúvida disso. Na verdade, estava suplicando por Ló. Mas, mais ainda, suplicava em defesa do próprio caráter de Deus. Ele não queria ver Deus fazer algo que comprometesse Seu próprio caráter.

    Ele se preocupava com a glória de Deus; não apenas com a vida de Ló, mas também com a glória de Deus. Por isso, continuou a suplicar, suplicar e suplicar. E todas essas súplicas tinham como base o caráter de Deus.

    E, embora não houvesse dez justos na cidade — infelizmente, havia apenas um —, ainda assim Deus respondeu à oração de Abraão e livrou Ló.

    Na verdade, Deus livrou quatro pessoas. A esposa de Ló tornou-se uma estátua de sal ao olhar para trás. Suas duas filhas foram livradas. Mas, essencialmente, foi Ló quem Deus livrou, porque Se lembrou de Abraão e de sua intercessão.

    Portanto, acho que, quando nos reunimos para orar e interceder, há uma coisa à qual sempre podemos recorrer: o caráter de Deus.

    Mas, é claro, precisamos conhecer Seu caráter. Sabe, você não conhece o caráter de uma pessoa até conviver de perto com ela.

    Abraão vivia muito perto do Senhor. E aqui vemos que ele não apenas recebeu Deus e os anjos, mas também os acompanhou por uma parte do caminho e permaneceu na presença do Senhor. Tudo isso mostra que Abraão era uma pessoa que realmente vivia na presença do Senhor e, por viver na presença de Deus, passou a conhecer Seu caráter.

    Acho que não há nada melhor, no conhecimento de Deus, do que conhecer Seu caráter. Você não conhece uma pessoa até conhecer seu caráter; e conhecer a Deus é realmente conhecer Seu caráter.

    E conhecer Seu caráter nos traz uma espécie de responsabilidade. Esse conhecimento não é inútil; é muito prático. Com esse conhecimento, somos chamados a interceder, para que Deus não negue a Si mesmo.

    E acho que isso é algo que gostaríamos de aprender ao nos reunirmos para orar.

    Aqui termina a mensagem número 30 sobre oração coletiva. A seguir, a mensagem número 31.


    O Caráter do Intercessor

    Gostaria de ler apenas um versículo em Tiago: Tiago 5:16, a última frase.

    A súplica de um justo pode muito em sua atuação.

    A súplica fervorosa do justo tem muito poder.

    O Caráter de Deus como Fundamento da Oração

    Falamos sobre como o caráter de Deus é um dos fundamentos essenciais de nossa intercessão. Em outras palavras, quando intercedemos, precisamos nos apoiar em algum fundamento para realizar a obra de intercessão.

    E, às vezes, talvez não tenhamos uma palavra de Deus nem uma promessa de Deus. Então, com base em que podemos interceder? Vemos que sempre há um fundamento: o caráter de Deus.

    Podemos suplicar com base em Seu próprio caráter. Mencionamos, na última mensagem, como Abraão suplicou a Deus pela cidade de Sodoma, e foi com base no caráter de Deus: um Deus justo.

    Ora, Deus é justo, e podemos suplicar com base nisso. Deus é amor; podemos suplicar com base nisso. Deus é santo; podemos suplicar com base nisso. E podemos continuar.

    Portanto, vemos que há uma coisa à qual sempre podemos recorrer: o caráter de Deus. Por ser Quem Ele é, Ele não pode negar a Si mesmo. Assim, quando nos achegamos a Ele e suplicamos de acordo com Seu caráter, sabemos que Ele nos ouve.

    O Caráter de Quem Ora

    Mas, nesta noite, gostaria de mencionar outra coisa: nosso caráter e a oração.

    Sabe, na oração, duas partes estão envolvidas. Uma é Deus, e a outra somos nós.

    O caráter de Deus é o fundamento de toda intercessão, mas vemos que nosso caráter tem, sim, relação com o poder da oração.

    Agora, isso não significa que tenhamos algum mérito e possamos nos aproximar de Deus com base nele. Não, não temos mérito algum. Não somos dignos.

    Vocês se lembram de que, certa vez, os anciãos dos judeus foram ao Senhor e disseram: “Há aqui um centurião. Ele faz muitas coisas. Até construiu nossa sinagoga. Ele é digno. É digno de que Tu vás curar seu servo”.

    Essa era a ideia dos anciãos dos judeus. Eles pensavam que a oração se baseava no mérito de uma pessoa. Você merece ter sua oração respondida porque é bom, porque fez alguma coisa.

    Mas o centurião pensava de outra maneira. Ele mandou dizer ao Senhor: “Não sou digno de que Tu entres em minha casa. Não sou digno de modo algum”.

    É a Tua misericórdia. É a Tua graça. Não é meu mérito, minha dignidade.

    Portanto, vemos aqui que é muito, muito verdadeiro que sermos dignos ou indignos não entra realmente em questão quando tratamos da oração. Por quê? Porque nunca somos dignos.

    Somos tornados dignos somente pelo próprio Senhor e por Seu sangue. Por isso, temos de abandonar essa ideia de que, por termos feito o bem, merecemos que nossa oração seja ouvida.

    Provavelmente, esse é nosso conceito natural. Sabe, se você acha que se comportou muito bem hoje, então pensa que, quando for orar, Deus o ouvirá porque você é bom.

    Mas esse é um pensamento natural. Não devemos guardar isso em nossa mente. Nunca somos dignos. É a dignidade de nosso Senhor Jesus que nos permite nos aproximar de Deus e orar a Ele. Acho que isso precisa ficar claro.

    A Justiça e o Poder da Oração

    Ainda assim, nas Escrituras, vemos que, embora nossa oração não se baseie em nossa dignidade, nosso caráter tem relação com ela.

    Por exemplo, vocês se lembram do cego curado pelo Senhor, em João 9? Quando o Sinédrio o interrogou sobre como seus olhos haviam sido abertos, ele mencionou um homem chamado Jesus. Foi Ele Quem fez isso.

    “Ah”, disseram eles, “esse homem não é bom”, e coisas assim. E vocês se lembram de que aquele cego disse, em João 9:31:

    Sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus e faz a Sua vontade, a esse Ele ouve.

    Ora, isso é uma verdade. É claro que, quando um pecador faz uma oração de arrependimento, Deus o ouve. Isso é verdade. E, mesmo em circunstâncias extraordinárias, vemos que Deus ouve. Isso é verdade.

    Mas, quanto à regra, ela é esta: Deus não ouve o pecador, mas ouve aquele que O teme e faz Sua vontade.

    Isso diz respeito ao caráter. E aqui, em Tiago, lemos:

    A oração fervorosa do justo tem muito poder.

    A oração do justo tem muito poder.

    E, se vocês forem aos Salmos, encontrarão o salmista, em suas orações ou ao se aproximar de Deus, recorrendo muitas vezes a isto: “Ouve-me por causa da minha justiça. Não ouças os ímpios”.

    Portanto, vemos que há uma verdade nisso. Por um lado, a oração não se baseia em nossa dignidade. Mas, por outro, nosso caráter tem, sim, relação com a oração.

    Agora, é claro, ninguém é justo. Quem é justo? Somente aqueles que creram no Senhor Jesus e foram tornados justos, que se revestiram de Cristo como sua justiça.

    Isso é verdade. Em outras palavras, Deus não ouve o pecador, mas ouve o justo. E graças a Deus porque fomos tornados justos. Temos essa posição diante de Deus.

    Mas, quando lemos essa passagem, vemos que se trata de mais do que uma questão de posição. Graças a Deus porque temos essa posição de justos; mas suponhamos que nossa condição não corresponda à nossa posição. O que acontece então?

    E acho que é por essa razão que, quando vamos orar, precisamos tanto confessar, pedir perdão a Deus e receber a purificação do precioso sangue.

    Nunca podemos nos aproximar de Deus em oração sem sentir profundamente, em nosso interior, a necessidade da purificação do precioso sangue. Por quê? Porque sabemos que, embora sejamos justos em nossa posição, também precisamos ser justos em nossa condição diante de Deus, pois Deus é justo.

    E, se há incompatibilidade entre nós e Deus, sabemos que existe algo entre nós e Ele.

    O salmista disse, em Salmos 66:18:

    Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá.

    Suponha que você esteja abrigando alguma iniquidade no coração. Ao orar, Deus o ouvirá? Não ouvirá, porque há uma incompatibilidade.

    Portanto, vemos que, embora nunca sejamos dignos e o mérito não entre na esfera da oração, por outro lado Deus exige que haja compatibilidade com Ele quando nos achegamos à Sua presença.

    Há um relacionamento correto, uma concordância de caráter, que Deus exige de nós.

    E como isso é verdadeiro. Vocês perceberão que aqueles que desenvolveram um caráter de justiça em sua vida têm mais poder diante de Deus em oração.

    Às vezes, nos perguntamos por que as orações de algumas pessoas parecem ter muito poder, enquanto as de outras não parecem ter tanto. Deus é justo. Deus não faz acepção de pessoas. Então, por que isso acontece?

    Não é com base no mérito. Então, por que algumas pessoas parecem ter mais poder na oração e outras não? Acho que a razão é que algumas pessoas desenvolveram, ao longo dos anos, um caráter compatível com Deus.

    E, por causa disso, Deus tem prazer em ouvir e responder à oração dessas pessoas. Outras pessoas também oram, e Deus as ouve, mas suas orações não parecem ter muito poder. A razão é que falta alguma coisa nesse caráter.

    Portanto, como isso é importante. Não precisamos apenas conhecer o caráter de Deus; precisamos desenvolver um caráter cristão diante de Deus. E creio realmente que isso tem relação com o poder da oração.

    Não é a base da oração, mas tem relação com seu poder.

    Agora, pensem em nosso Senhor Jesus. Vocês se lembram de João 11:41-42? Ele disse:

    Pai, graças Te dou porque Me ouviste.
    Eu bem sei que sempre Me ouves.

    No Senhor Jesus, vemos que Ele tinha essa certeza em Si: Deus sempre O ouve. Por quê? Porque aqui está um Homem cujo caráter é compatível com o caráter de Deus, é o mesmo caráter.

    E, por causa disso, há poder. Há poder em Sua oração.

    Portanto, aqui em Tiago lemos que a oração fervorosa do justo tem muito poder. Não é apenas a palavra “fervorosa”; acho que a ênfase, na verdade, não está na palavra “fervorosa”. A ênfase está na palavra “justo”.

    E, se vocês lerem a frase anterior, em Tiago 5:16, ela diz:

    Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sejais curados.

    Acho que isso tem relação com ser justo.

    Portanto, não pensem que nossa vida não tem nada a ver com nossas orações. Nossa vida tem muito a ver com nossas orações, porque o caráter afeta nossa oração.

    Agora, mais uma vez, preciso sublinhar isso, porque podemos facilmente entender mal, pensando que isso nos dá um fundamento para orar. Não, não dá. Mas nos dá ousadia e nos dá poder na oração.

    Portanto, que o Senhor nos ajude a não apenas comparecer a uma reunião de oração, ou simplesmente vir orar, mas a lembrar que nossa vida tem muito a ver com nossa oração.

    E, se queremos ter uma oração com poder diante de Deus, então precisamos viver diante de Deus. Precisamos desenvolver nosso caráter diante de Deus. Isso nos dará ousadia e nos dará poder diante de Deus.

    Que o Senhor nos ajude.

    Aqui termina a mensagem número 31 sobre oração coletiva. A seguir, a mensagem número 32.


    A Oração Aceitável: A Boca e o Coração

    O que está em meu coração é apenas um versículo, o último versículo de Salmos 19. Mas sinto que devo ler o salmo inteiro.

    Salmos 19.

    Ao mestre de música. Salmo de Davi.
    Os céus declaram a glória de Deus;
    e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos.
    Um dia profere palavras a outro dia;
    e uma noite revela conhecimento a outra noite.
    Não há fala nem linguagem;
    não se ouve a sua voz.
    Por toda a terra se estende a sua linha;
    e suas palavras, até os confins do mundo.
    Neles Ele pôs uma tenda para o sol,
    que é como um noivo que sai de sua câmara,
    e se alegra como um homem valente a percorrer seu caminho.
    Sua saída é desde uma extremidade dos céus,
    e seu percurso vai até a outra extremidade;
    e nada se esconde do seu calor.
    A lei do Senhor é perfeita, restaurando a alma:
    o testemunho do Senhor é fiel, dando sabedoria ao simples.
    Os preceitos do Senhor são retos, alegrando o coração:
    o mandamento do Senhor é puro, iluminando os olhos.
    O temor do Senhor é limpo, permanecendo para sempre:
    os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos.
    São mais desejáveis do que o ouro, sim, do que muito ouro fino;
    mais doces também do que o mel e o que goteja dos favos.
    Além disso, por eles é admoestado o Teu servo:
    em os guardar há grande recompensa.
    Quem pode discernir os próprios erros?
    Purifica-me Tu das faltas ocultas.
    Guarda também o Teu servo dos pecados de presunção;
    não permitas que tenham domínio sobre mim:
    então serei íntegro,
    e ficarei livre de grande transgressão.
    Sejam as palavras da minha boca e a meditação do meu coração
    aceitáveis diante de Ti,
    ó Senhor, minha rocha e meu redentor.

    A Oração Oferecida para Ser Aceita por Deus

    Quando nos reunimos para orar, não estamos simplesmente nos reunindo para recitar orações. Não estamos nos reunindo apenas para realizar um exercício religioso.

    Mas, ao nos reunirmos para orar, esperamos realmente que nossas orações sejam aceitáveis aos olhos de Deus. Em outras palavras, oferecemos orações com a expectativa de que sejam aceitas por Deus.

    Não queremos simplesmente orar sem esperar que nossas orações sejam aceitáveis a Deus. Não nos achegamos apenas para orar, sem esperar que Deus aceite nossa oração e responda a ela.

    Mas como nossa oração pode realmente ser aceitável aos olhos de Deus?

    Acho que, na oração, na verdade, estão envolvidas duas coisas: nossa boca e nosso coração — as palavras de nossa boca e a meditação de nosso coração.

    A oração não envolve apenas nossa boca. Envolve também nosso coração. Se oramos com as palavras de nossa boca, mas elas não estão enraizadas na meditação de nosso coração, nossas palavras são muito superficiais.

    Portanto, para que nossas orações sejam aceitáveis aos olhos de Deus, precisamos cuidar de duas coisas: das palavras de nossa boca e também das meditações de nosso coração.

    As Palavras da Boca

    Por um lado, sabemos que não devemos nos preocupar demais com as palavras de nossa boca. Porque, se nos preocuparmos excessivamente, estaremos compondo nossa oração, e a oração não é uma composição.

    Sabe, às vezes não ousamos orar porque temos medo de que as palavras de nossa boca não sejam suficientemente boas, de que não formem uma boa composição. E, na verdade, quando temos esse tipo de medo, é porque temos as pessoas em vista, e não Deus.

    Em outras palavras, Deus não espera que componhamos uma boa oração. Se você quer uma oração bem composta, leia um livro de orações. Verá que essas orações são muito bem compostas, muito melhores do que aquilo que conseguimos fazer.

    Mas, é claro, Deus não está procurando uma composição. Quando pensamos demais na composição, na verdade temos medo das pessoas, ou queremos que elas achem nossas orações bonitas. Isso está realmente fora de lugar.

    Não devemos nos preocupar excessivamente com as palavras de nossa boca. Contudo, por outro lado, as palavras de nossa boca são importantes.

    Porque, se vocês lerem as Escrituras, verão que, às vezes, uma palavra usada de modo inadequado torna aquela oração inaceitável.

    Por exemplo, aquela mulher siro-fenícia: quando se dirigiu ao Senhor como “Filho de Davi”, não foi ouvida. Mas, quando disse “Senhor”, foi ouvida.

    Portanto, as palavras são importantes. Por quê? Porque as palavras representam nosso entendimento. Da plenitude do coração vêm nossas palavras.

    Assim, por um lado, na oração, não sejamos excessivamente cuidadosos com as palavras, tentando fazer uma composição. Mas, por outro lado, nossas palavras são importantes. Quero dizer: não podemos simplesmente ser descuidados com aquilo que dizemos ao Senhor.

    Não precisamos apenas falar de maneira humilde; também precisamos tomar cuidado para não dizer algo errado. Isso é importante.

    A Meditação do Coração

    Mas acho que a meditação de nosso coração é ainda mais importante do que as palavras de nossa boca. Deus olha para nosso coração.

    E, se nosso coração não estiver envolvido, não importa quantas palavras pronunciemos ou quão bonitas elas sejam: não serão aceitáveis.

    Na oração, nosso coração precisa estar envolvido. E aqui vocês notam que se trata da meditação de nosso coração. Em outras palavras, nosso coração medita.

    A vida moderna é tal que a meditação se tornou uma arte perdida. As pessoas não meditam. Estão sempre correndo de um lado para outro. Não param. Não pensam. Não ponderam. Não meditam.

    Para que nossas orações sejam realmente aceitáveis diante do Senhor, creio que a meditação é muito importante. A meditação não é importante apenas na leitura das Escrituras; também é importante na oração.

    Por quê? Porque as coisas sobre as quais você não meditou mostram que seu coração não está envolvido. Se seu coração realmente estiver envolvido, você pensará, pensará e pensará a respeito delas.

    Sabe, como Maria. Nas Escrituras, vemos que, quando Maria ouvia algo que não entendia, não deixava simplesmente as palavras passarem. Ela as guardava em seu coração e ponderava sobre elas. Isso é meditação.

    Às vezes, sabe, podemos fazer uma oração. Mas até que ponto seu coração está profundamente envolvido nela? Isso se mede pela sua meditação.

    Podemos mencionar um assunto para oração, e você ora por ele. Mas nunca pensou a respeito. Nunca ponderou diante do Senhor sobre aquela situação. E esse tipo de oração é muito superficial.

    Mas as coisas sobre as quais você realmente ponderou diante do Senhor — quando ora, percebe que há profundidade. Isso revela que seu coração está realmente envolvido. Dá peso à sua oração; ela não fica simplesmente pairando no ar.

    A União entre Meditação e Expressão

    Portanto, para que nossas orações sejam aceitáveis, elas precisam ser reais. E o que torna nossa oração real é a combinação dessas duas coisas: as palavras de nossa boca e a meditação de nosso coração.

    Agora, vejamos o outro lado. Às vezes, podemos meditar muito, mas nunca colocar isso em palavras. E o resultado é que permanecemos sempre vagos.

    As palavras cristalizam nossos pensamentos. Portanto, se meditamos muito, mas não há palavras de nossa boca, se não as pronunciamos, percebemos que nossos pensamentos ficam todos confusos e vagos.

    Mas, quando conseguimos colocar isso em palavras, nosso pensamento se cristaliza, toma forma concreta. Portanto, se meditamos muito, procuremos expressar essa meditação em palavras, para que ela se torne muito sólida, muito substancial. E isso também torna nossa oração real.

    Assim, para termos uma oração real, sinto que é necessária a combinação dessas duas coisas: a meditação de nosso coração e as palavras de nossa boca. E, se uma delas estiver faltando, perceberemos que falta alguma coisa — falta alguma coisa.

    Portanto, ao orar, acho que vocês provavelmente descobrirão isso por si mesmos. As coisas sobre as quais realmente ponderaram diante do Senhor — quando as levam à oração, percebem que seu coração está realmente envolvido.

    Sabe, muitas vezes a dificuldade é que você não encontra a palavra certa para expressar a meditação de seu coração. E é aí que precisamos recorrer ao Senhor, para que Ele nos dê a palavra certa.

    A palavra certa não é importante apenas quando estamos pregando; também é importante quando estamos orando. Ela tem, sim, seu efeito.

    Portanto, recorramos ao Senhor. Por um lado, para que Ele mova de tal maneira nosso coração que ele não seja descuidado e insensível, mas seja realmente capaz de assumir encargos e ponderar sobre as coisas para as quais o Senhor chamou nossa atenção.

    E, enquanto ponderamos sobre essas coisas, peçamos ao Espírito Santo que nos dê a palavra certa para expressá-las em oração.

    Sabe, às vezes, quando estamos orando, percebemos que a oração não atinge o alvo. Podemos fazer algumas orações sobre a mesma coisa, mas, de algum modo, percebemos que elas não acertam.

    Mas então alguém pode orar e, de repente, uma palavra é pronunciada e acerta. Você sabe que ela atingiu o alvo, e sabe que Deus ouviu.

    Portanto, aprendamos isso diante do Senhor. É claro que exige prática, e precisamos aprender. Mas damos graças a Deus porque o Espírito Santo está conosco; assim, Ele nos ensinará a tornar nossas orações realmente aceitáveis — com as palavras de nossa boca e a meditação de nosso coração.