Venha o Teu Reino.
Essa oração que chamamos de Pai-Nosso, como sabemos, é, na verdade, a oração da igreja. Em outras palavras, nosso Senhor Jesus ensina Sua igreja a orar.
Ora, certamente não é a vontade do Senhor que simplesmente repitamos essas palavras sem que nosso coração esteja realmente nelas. Mas essa oração que nosso Senhor ensina Sua igreja a fazer nos dá, de fato, o conteúdo, ou os assuntos, pelos quais Ele quer que oremos.
Em outras palavras, se nosso coração não está nela, não faz sentido simplesmente repetir as palavras. Mas penso que o principal é que, nessa oração, o Senhor realmente nos mostra as coisas, os assuntos, pelos quais Ele espera que a igreja ore.
E um dos assuntos pelos quais Ele realmente quer que Sua igreja ore é:
Venha o Teu Reino.
Mas eu me pergunto se alguma vez já ouvimos a igreja fazer essa oração:
Venha o Teu Reino.
Sabem, às vezes sentimos que somos fracos na oração. Não sabemos pelo que orar nem como orar.
Temos dois problemas: não sabemos pelo que orar e não sabemos como orar. Um diz respeito ao assunto da oração, e o outro, à maneira de orar.
Ora, é verdade que o Espírito Santo, como vemos em Romanos 8:26-27, vem em nosso auxílio. Quando não sabemos pelo que orar nem como orar, o Espírito Santo vem nos ajudar. Ele intercede em nós, por nós, segundo Deus. Isso é verdade. O Espírito Santo nos ajudará.
Mas vocês verão que não é apenas o Espírito Santo que vem nos ajudar nessa questão da oração; a própria Palavra de Deus nos apresenta, nos mostra, aquilo pelo que precisamos orar.
Na verdade, a Bíblia nos dá todos os princípios, e o Espírito Santo aplica esses princípios a situações específicas. Portanto, uma das coisas pelas quais a igreja deve orar é:
Venha o Teu Reino.
Sabemos que, um dia, o reino deste mundo se tornará o Reino de nosso Senhor e do Seu Cristo. Isso está em Apocalipse 11:15.
Há diferentes versões, mas uma delas, provavelmente a mais próxima do original, diz:
O reino do mundo se tornará
o Reino de nosso Senhor e do Seu Cristo.
Um dia, o Reino de Deus virá sobre esta terra. Um dia, o Senhor assumirá o domínio do mundo e fará dele o Seu próprio Reino.
Ora, que coisa tremenda isso deve ser! Pensem nisso. Pensem em como são hoje os reinos deste mundo. Pensem em todos os países, todos os reinos, todas as nações deste mundo. Que tipo de nação? Que tipo de país? Mesmo nos países chamados cristãos, quão cristãos eles são? Isso sem falar dos países pagãos.
Mas, um dia, o reino do mundo se tornará o Reino de nosso Senhor e do Seu Cristo. Seu Reino virá sobre esta terra. Que dia glorioso esse deve ser!
E, por causa disso, o Senhor ensina Sua igreja a orar pela vinda desse Reino. Ora, estamos orando pela vinda do Seu Reino?
Se Ele não quisesse que orássemos pela vinda do Seu Reino, não nos ensinaria:
Venha o Teu Reino.
Ele não nos ordenaria que orássemos dessa maneira.
Isso mostra que o coração de nosso Senhor Jesus está nisso: como Ele deseja que Seu Reino seja manifestado nesta terra, que a justiça governe esta terra e que o reino do mundo se torne o Reino de nosso Senhor e do Seu Cristo!
Ele anseia por isso e, portanto, pede à Sua igreja que ore por isso.
Sabem, não devemos apenas buscar o Reino; devemos também orar pelo Reino.
Em Mateus 6:33, encontramos:
Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Isso se refere à nossa vida diária. Em nossa vida diária, não devemos estar sempre preocupados: “O que vamos comer? O que vamos beber? Com que vamos nos vestir?” Nosso Pai celestial sabe que precisamos dessas coisas.
Devemos buscar primeiro o Reino de Deus. Devemos buscar primeiro a Sua justiça. E, se buscamos — e buscar não é simplesmente seguir adiante de qualquer maneira —, buscar significa que realmente nos dedicamos a isso e nos esforçamos nessa direção. Precisamos realmente buscar o Reino e a Sua justiça. Se não buscarmos, não os teremos.
O Reino é para os violentos, e os violentos se apoderarão dele. Precisamos buscar o Reino de todo o coração: o Seu Reino, a Sua justiça.
Em nossa vida diária, precisamos buscar que Seu Reino e Sua justiça sejam reais para nós, que estejamos realmente vivendo em Seu Reino e praticando Sua justiça. Precisamos buscar isso.
Mas, ao mesmo tempo, vocês verão que não devemos apenas buscar o Reino; devemos também orar pelo Reino. Essas duas coisas não podem ser separadas.
Quando estamos buscando o Reino, não podemos deixar de orar por ele. E, se oramos por ele, nós o buscaremos. Não se pode separar essas duas coisas. Se não estamos orando pelo Reino, provavelmente não o estamos buscando.
Mas, se estamos realmente buscando o Reino, ah, como percebemos que o mundo, o reino deste mundo, é tão contrário ao Reino de Deus! Como é difícil, hoje, vivermos realmente no Reino e praticarmos Sua justiça! E não podemos deixar de orar:
Venha o Teu Reino.
Essas duas coisas precisam caminhar juntas. Portanto, por um lado, devemos buscar o Reino de Deus; por outro, devemos orar:
Venha o Teu Reino.
Ora, é verdade: essa é a oração da igreja. A igreja deve fazer essa oração.
Quer estejamos orando por algumas pessoas, por sua salvação, por suas necessidades físicas, por suas enfermidades ou seus problemas, quer estejamos orando por diversas coisas, se não tivermos o Reino em vista, nossas orações provavelmente não atingirão o alvo.
Por que oramos pela salvação de almas? Para que Seu Reino venha. Por que oramos para que diversas necessidades sejam supridas? Não é apenas para que as pessoas tenham suas necessidades atendidas; é para que o Reino venha à vida delas.
Quer estejamos orando por pessoas, pela igreja, por uma nação ou pelo mundo inteiro, por trás de tudo deve estar aquela única oração:
Venha o Teu Reino.
Essa deve ser a oração da igreja.
Ora, é claro que sabemos, segundo a Palavra de Deus, que Seu Reino virá, embora as aparências externas não indiquem isso. Mas sabemos que Seu Reino virá um dia.
Um dia, Seu Reino será manifestado nesta terra. Um dia, Cristo reinará sobre esta terra, e a justiça reinará sobre esta terra. Sabemos que isso está por vir.
Isso não significa que o Reino simplesmente venha de repente. Ele não surge do nada, por assim dizer. Sim, quando vier, poderá vir muito rapidamente; isso é verdade.
Mas, antes da manifestação pública do Reino de Deus, enquanto oramos “Venha o Teu Reino”, ele precisa vir primeiro a nós espiritualmente.
O Reino precisa vir primeiro espiritualmente ao Seu povo; depois, virá fisicamente sobre esta terra.
Não fomos apenas salvos; Deus nos plantou aqui e ali, por todo o mundo, estabelecendo, por assim dizer, cabeças de ponte — pontos estratégicos.
E, por meio dessas pessoas, Seu Reino se torna uma realidade entre elas, e seu testemunho afetará tanto o mundo invisível quanto o mundo visível.
Até certo ponto, é assim: o Reino hoje está oculto entre o povo de Deus. É algo subterrâneo, mas esse Reino subterrâneo deve minar o reino deste mundo e trazê-lo ao Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Essa é a maneira pela qual Deus quer fazer isso. E, se isso é verdade, quanto precisamos orar por esse Reino!
Precisamos buscá-lo e precisamos orar por ele.
E, se a igreja for fiel em orar pela vinda do Seu Reino e também buscar realmente o Seu Reino, de modo que ele se torne uma realidade espiritual na igreja, então eu de fato creio que apressamos a vinda do Reino.
Ora, que sentido haveria em nosso Senhor nos pedir que orássemos “Venha o Teu Reino”, se nossa oração não afetasse o momento da vinda do Reino? Deve ser porque, ao orarmos, apressamos a vinda do Reino. Se não fizermos essa oração, provavelmente a vinda do Reino será adiada.
Portanto, a igreja tem uma responsabilidade muito grande.
Precisamos nos lembrar: não estamos apenas orando para que algumas almas sejam salvas. Não estamos apenas orando para que algumas enfermidades sejam curadas. Não estamos apenas orando para que alguns problemas sejam resolvidos. Nem sequer estamos apenas orando para que o Senhor nos abençoe e nos use. Não estamos apenas orando por este ou aquele país. Precisamos ter o Reino em vista — o Seu Reino em vista.
Quando todos nós oramos, o assunto da nossa oração é universal; é grandioso. Sabem, às vezes nossas orações vão ficando cada vez menores, e começamos a nos esquecer.
Quando a igreja se reúne para orar, o Senhor coloca sobre ela um encargo de orar por algo grandioso: o próprio Reino de Deus. E, dentro dele, é claro, estão incluídos todos os pequenos detalhes. Mas todos estão incluídos ali.
Portanto, não percam de vista o Reino. Nosso coração de fato anseia, e nós de fato clamamos:
Venha o Teu Reino.
Ora, irmãos e irmãs, especialmente agora que estamos entrando no fim desta era, e diante de todas as situações difíceis, o mundo não está melhorando; está piorando. O conflito não está diminuindo; está aumentando.
Hoje é mais difícil vivermos como cristãos do que há cinquenta anos. E, por causa disso, nosso coração deveria ser movido a realmente orar:
Venha o Teu Reino.
Essa é a nossa única esperança.
Deus não nos chamou para reformar o mundo. Mas Deus nos chamou para sermos tal testemunho Dele neste mundo que, um dia, este mundo se renderá à soberania, ao reinado, de Cristo.
Portanto, esse deve ser o nosso testemunho. Que, ao orarmos — tratando de diversos assuntos —, não percamos de vista aquele assunto pelo qual o Senhor quer que Sua igreja ore:
Venha o Teu Reino.
Venha o Teu Reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
Estamos considerando juntos essa oração que chamamos de Pai-Nosso. Mas, como mencionamos da última vez, ela não é, na verdade, a oração do Senhor; é o Senhor ensinando Sua igreja a orar. Portanto, é realmente uma oração que nosso Senhor quer que Sua igreja faça.
E, se é isso que Ele quer que Sua igreja ore, então Sua igreja deve fazer essa oração — não no sentido de simplesmente repetir as palavras, mas no sentido de realmente assumir o encargo e o espírito dessa oração.
Da última vez, mencionamos que a igreja deve orar: “Venha o Teu Reino”. Sabemos que o Reino de Deus está vindo, mas somos ordenados a orar por sua vinda, como se nossa oração afetasse a data dessa vinda.
Se Sua igreja não orar, provavelmente Sua vinda — a vinda do Reino — será adiada. Mas, se a igreja estiver orando, então a vinda do Reino será apressada. Portanto, precisamos realmente orar:
Venha o Teu Reino.
E, como mencionamos da última vez, não importa pelo que oremos, isso deve estar relacionado ao Seu Reino.
Agora, nesta noite, gostaríamos de passar à próxima petição:
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
Ora, vocês notarão que, em “Seja feita a Tua vontade”, a palavra “vontade” está no singular.
Sabem, muitas vezes nos preocupamos com as muitas vontades de Deus: qual é a vontade de Deus para isto? Qual é a vontade de Deus para aquilo? Qual é a vontade de Deus para mim? Qual é a vontade de Deus para você? Nós nos preocupamos com as muitas vontades de Deus.
No entanto, existe a vontade de Deus, da qual às vezes nos esquecemos. E é porque não conhecemos a vontade de Deus que ficamos confusos quanto às muitas vontades de Deus.
Ora, se simplesmente soubermos qual é a vontade de Deus, isso colocará tudo na perspectiva correta e nos ajudará a realmente compreender e conhecer a vontade de Deus a respeito disto ou daquilo.
E, mais uma vez, vocês verão que a vontade de Deus é algo pelo qual precisamos orar.
Bem, sabemos que a vontade de Deus será feita — não há dúvida quanto a isso. Mais cedo ou mais tarde, ela será feita. E, no entanto, mais uma vez, vocês verão como nosso Senhor nos envolve nessa questão de a vontade de Deus ser feita.
Se orarmos para que Sua vontade seja feita, isso apressará seu cumprimento. Se não orarmos para que Sua vontade seja feita, ela acabará sendo feita, mas poderá ser retardada, adiada.
Ora, qual é essa vontade de Deus pela qual Ele quer que oremos? “Seja feita a Tua vontade.” Qual é essa vontade? Qual é a vontade do Pai?
Penso que isso é muito claro. A vontade do Pai, na verdade, é uma só, e ela diz respeito ao Seu Filho unigênito.
Portanto, se examinarmos Efésios ou Colossenses, veremos que isso pode ser expresso de maneiras diferentes, mas tudo se resume à mesma coisa.
É a vontade de Deus que Seu Filho tenha o primeiro lugar em todas as coisas. Ele deve ter a preeminência em todas as coisas.
É a vontade de Deus que, um dia, todas as coisas sejam reunidas, resumidas, em Cristo. É a vontade de Deus que Seu Filho seja tudo e em todos. Seu Filho deve ser glorificado. Seu Filho deve herdar todas as coisas.
Ora, essa é a vontade de Deus. E sabemos que essa vontade será feita.
Mas também sabemos que há algo nesta terra que se opõe a essa vontade.
Sabemos não apenas que existe o arqui-inimigo de Deus, Satanás, e seu reino de trevas, que se opõem ao cumprimento dessa vontade de Deus na terra como no céu; sabemos também que, em nós — isto é, em nossa carne —, existe igualmente essa oposição a essa vontade.
Portanto, na verdade, o cumprimento da vontade de Deus na terra como no céu é uma tremenda batalha espiritual.
Ora, se examinarmos Efésios 6, encontraremos aquele guerreiro. E, é claro, falando estritamente, esse guerreiro não é um indivíduo; esse guerreiro é a igreja de Deus. A igreja de Deus é como um guerreiro, plenamente armado, pronto para a batalha.
E qual é o verdadeiro conflito? Ora, se abrirem em Efésios 6:13, encontrarão:
Por esta razão, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes.
Para que possam resistir no dia mau — é claro, resistir ao inimigo de Deus — e tendo realizado todas as coisas. Vejam, não se trata apenas de resistir, mas também de realizar todas as coisas.
E, na nota de rodapé de Darby, vocês encontrarão a expressão: “Tendo vencido todas as coisas”. Trata-se de levar adiante e executar tudo o que foi proposto e requerido, apesar da oposição.
Levar adiante e executar tudo o que foi proposto e requerido, apesar da oposição. O inimigo se opõe ao cumprimento da vontade de Deus na terra como no céu, e a igreja se coloca ao lado de Deus para resistir ao inimigo e levar adiante e executar tudo o que foi proposto e requerido, apesar da oposição.
Portanto, vocês verão que não se trata apenas de uma resistência passiva — de resistir. Trata-se de uma execução ativa. E é aí que realmente se encontra o conflito espiritual.
Ora, como vamos vencer todas as coisas? Quando abrirem em 2 Coríntios 10:4-5, verão que nossas armas não são carnais. Nossas armas são poderosas diante de Deus para derrubar todos aqueles pensamentos elevados que se colocam no caminho do conhecimento de Deus e para trazer todo pensamento à sujeição, ao cativeiro, à obediência de Cristo.
Portanto, quanto a essa questão da vontade de Deus, ela não é apenas algo pelo qual devemos lutar, mas também algo pelo qual devemos orar.
E é somente orando para que Sua vontade seja feita que podemos vencer a batalha. Podemos levar adiante e executar aquilo que foi proposto e requerido.
Portanto, é de tremenda importância que nós, como povo de Deus, como Sua igreja, realmente assumamos essa questão em oração.
Ora, às vezes pensamos que não sabemos pelo que orar, como se não tivéssemos nada pelo que orar. Mas aqui vemos que somos ordenados a orar para que Sua vontade seja feita na terra como no céu.
Que Seu Filho tenha o primeiro lugar em todas as coisas; que todas as coisas sejam reunidas Nele; que Ele seja tudo e em todos; que Ele herde todas as coisas. Ora, essas são as coisas pelas quais realmente precisamos orar.
Ora, às vezes pensamos, quando falamos da vontade de Deus, que devemos adotar uma espécie de resignação passiva. Sabem: “Ah, bem, é a vontade de Deus. Que a vontade de Deus seja feita”. Esse tipo de atitude é uma resignação passiva e, na verdade, significa que estamos nos conformando com as coisas.
Mas não é isso que a Escritura diz. O Senhor disse que precisamos orar por isso. Em outras palavras, não se trata apenas de uma resignação passiva à vontade de Deus: “Bem, se essa é a vontade de Deus, o que se pode fazer? Você simplesmente tem de aceitá-la”.
É uma espécie de atitude passiva, mas isso não está correto. Porque aqui vemos que o Senhor diz que precisamos orar pela vontade de Deus. De nossa parte, deve haver uma atitude ativa. Precisamos realmente orar para que a vontade de Deus seja feita.
Ora, é verdade: precisamos nos submeter à vontade de Deus. Isso é verdade. Precisamos nos entregar a Deus, seja qual for Sua vontade. Mas não se trata de uma resignação passiva.
Precisamos buscar ativamente Sua vontade, orar por ela e nos entregar a ela, para que Sua vontade seja feita. É uma cooperação. É uma cooperação ativa. E devemos orar por isso.
Agora, pensem em nosso Senhor Jesus. Podemos nos lembrar de Seu tempo no jardim do Getsêmani. Ora, aquela é uma hora santíssima, e é uma cena tão sagrada que quase não há palavras para descrevê-la.
Mas aqui vocês verão: mesmo no jardim do Getsêmani, qual é a oração de nosso Senhor?
Pai, se possível, passe de Mim este cálice; contudo, não seja feita a Minha vontade, mas a Tua.
Aqui vemos nosso Senhor Jesus orando ativamente para que a vontade do Pai seja feita — não apenas numa resignação passiva. Nesse caso, não seria necessário orar a respeito; bastaria dizer: “Bem, se é a vontade de Deus, é a vontade de Deus”.
Mas vocês verão que Ele realmente ora com intensidade a respeito disso, e ora com tamanho fervor e tamanha seriedade que até Seu suor cai como gotas de sangue.
Em outras palavras, Ele busca desesperadamente, intensamente, que a vontade de Deus seja feita na terra como no céu. Por quê? Porque há ali um tremendo conflito — um tremendo conflito a respeito da vontade de Deus.
O inimigo está se esforçando muito para dissuadir, por assim dizer, nosso Senhor. E até a santa natureza humana de nosso Senhor Jesus recua diante do próprio pensamento de que Ele será feito pecado. Ele, que não conheceu pecado, será feito pecado por nós.
Um tremendo conflito. E, no entanto, vemos que nosso Senhor disse: “Não a Minha vontade. Se for possível, sim; mas não a Minha vontade. Seja feita a Tua vontade”. Ele orou ativamente para que a vontade de Deus fosse feita, e ela foi feita.
Portanto, sinto de fato que isso é algo que realmente precisamos assumir:
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
O Espírito Santo aplicará a vontade de Deus a diferentes assuntos, a diferentes coisas. Ele fará essa interpretação à medida que orarmos por diferentes coisas.
Ora, às vezes as pessoas pensam que, se dissermos: “Bem, se for a Tua vontade, que a Tua vontade seja feita”, isso significa que não temos fé. Se você tem fé, deve dizer: “Senhor, faz isso. Faz isto ou aquilo”. Ora, isso é fé. Se você ora e diz: “Seja feita a Tua vontade”, então isso significa que você não tem fé.
Ora, e quanto ao nosso Senhor Jesus?
Não seja feita a Minha vontade, mas a Tua.
Ele não tinha fé?
Ele tinha plena confiança em Seu Pai e queria que a vontade de Seu Pai fosse feita.
Ora, se sabemos qual é a vontade de Deus, sim, podemos orar com confiança. Podemos dizer: “Senhor, esta é a Tua vontade. Portanto, estamos ao Teu lado. Queremos que a Tua vontade seja feita”.
Mas, se não sabemos qual é a vontade de Deus, não penso que seja falta de fé orarmos e dizermos: “Senhor, se for possível, que isto seja feito; mas não a minha vontade, e sim a Tua”. Não penso que seja falta de fé.
Pelo contrário, isso é fé, porque cremos que a vontade de Deus será feita.
E há outra coisa:
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
O grau de cumprimento da vontade de Deus não deve ser menor do que no céu.
Sabemos que ela é feita no céu cem por cento, plenamente. E queremos que a vontade de Deus seja feita cem por cento, plenamente. Às vezes, a vontade de Deus pode ser feita trinta ou sessenta por cento, mas precisamos orar para que seja feita cem por cento na terra como no céu.
E é nisso que realmente precisamos nos colocar ao lado de Deus em oração.
Portanto, quando o povo de Deus se reúne para orar, não se trata simplesmente de pedirmos a Deus que faça algo por nós conforme gostaríamos que Ele fizesse. Ora, isso não é oração.
Mas, quando o povo de Deus se reúne para orar, na verdade estamos nos colocando ao lado de Deus para que Sua vontade seja feita na terra como no céu. Isso é realmente o que a oração é.
E, não importa a coisa ou o assunto de que tratemos, este é o princípio básico: não viemos aqui pedir a Deus que faça a nossa vontade; viemos aqui nos colocar ao lado de Deus para que Sua vontade seja feita.
Podemos expressar a Ele o que gostaríamos que Ele fizesse, segundo nosso entendimento. Mas, ainda assim, não queremos que Ele faça apenas segundo o que nós entendemos, e sim segundo o que Ele entende.
E é por isso que oramos. Portanto, que o Senhor nos ajude, ao começarmos a orar, para que a vontade do Senhor seja algo pelo qual realmente oremos, não importa a área ou o assunto de que tratemos.
Fundamentalmente, estamos nos colocando ao lado de Deus para que Sua vontade seja feita. E é nisso que realmente precisamos nos colocar ao lado de Deus em oração.