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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Men Whose Eyes Have Seen The King #4 of 8 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Men Whose Eyes Have Seen The King #4 of 8
    Men Whose Eyes Have Seen The King #4 of 8
    Austin-Sparks, T.

    A Transfiguração à Imagem de Cristo

    Vamos olhar novamente — apenas de relance — para Mateus 17, o relato da Transfiguração.

    E, seis dias depois, Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os conduz, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; e o Seu rosto resplandeceu como o sol, e as Suas vestes se tornaram brancas como a luz.

    E eis uma voz que saiu da nuvem, dizendo: Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo; ouvi-O.

    Na segunda carta aos Coríntios, em 2 Coríntios 3:18:

    Mas todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como num espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.

    Ou, conforme a nota à margem, “o Espírito que é o Senhor”.

    O Significado da Transfiguração

    É claro que a ligação entre essas duas passagens está em uma palavra — infelizmente, um pouco obscurecida na tradução.

    Na versão King James, a expressão é “mudados na mesma imagem”. Na Revised Version, é “transformados na mesma imagem”. Os revisores certamente fizeram uma pequena melhoria em relação à outra versão e, talvez, por uma percepção refinada do que seria adequado, evitaram usar a tradução exata. Fizeram uma pequena alteração, empregando “transformados”.

    O fato é que aqui se usa a mesma palavra empregada para descrever o que aconteceu naquele monte: “Foi transfigurado diante deles”. É exatamente a mesma palavra que aqui se traduz, alternadamente, por “mudados” e “transformados”.

    A tradução exata aqui seria: “transfigurados na mesma imagem”.

    Portanto, os filhos de Deus passam por uma transfiguração, assim como o Senhor Jesus passou. A dEle foi um acontecimento, um ato, algo, digamos, de um momento. Não sabemos quanto tempo durou, mas aconteceu em um momento específico.

    A nossa é, de fato, um longo processo, desde o início até o ponto culminante da nossa vida cristã. É isto que deveria estar acontecendo conosco: estamos sendo transfigurados na mesma imagem, de glória em glória.

    Isso, de imediato, nos desafia profundamente quanto à nossa trajetória, à nossa vida e ao nosso progresso cristão.

    A Glória da Humanidade Aperfeiçoada

    Pode haver — e sempre tenho consciência de estar pisando em terreno muito delicado ao fazer uma comparação entre o Senhor Jesus e nós — algo diferente no caso dEle.

    Tem-se dito que a Sua transfiguração foi a manifestação resplandecente da Sua divindade. Não tenho nenhuma objeção a isso. Se foi assim, muito bem; isso em nada altera a questão.

    Mas também temos motivos para crer que houve algo além disso: que foi o aperfeiçoamento da Sua humanidade e a glória resplandecente de um Homem absolutamente perfeito.

    Nós cremos, e sentimos que temos fundamento para crer, que algo assim era a intenção de Deus para o homem quando Ele disse:

    Façamos o homem à Nossa imagem.

    E, quando tanto se fala da glória e da glorificação como a consumação da nossa peregrinação, certamente há algo na transfiguração do Senhor Jesus que não está inteiramente separado daquilo que o Senhor pretende para nós.

    É nisso que ponho a ênfase nesta tarde. Esse é o ponto.

    Anteriormente, em nossa meditação sobre esse assunto, dissemos que a glória que se apoderou dEle e emanou dEle — que O transfigurou — era a glória da Sua personalidade, inteiramente satisfatória para Deus. A Sua personalidade satisfazia plenamente a Deus.

    A satisfação de Deus é sempre o fundamento da glória, em qualquer parte da Bíblia que você examine. Onde quer que encontre uma situação na qual Deus possa Se comprazer, você encontrará glória ali. A glória enche aquele lugar e irrompe.

    Isso se verifica de maneira suprema no Senhor Jesus. Nesse momento, a voz do Céu deu testemunho dEle, distinguiu-O e disse:

    Em Quem Me comprazo.

    Ou seja, estava plenamente satisfeito.

    Repito, então, que era a glória da Sua personalidade como Filho do Homem. Em relação a isso, Ele falou da Sua volta como a vinda do Filho do Homem na glória de Deus Pai.

    Quanto ao Seu aperfeiçoamento, não foi algo que aconteceu no monte. O monte foi o marco da consumação do Seu aperfeiçoamento.

    Não me refiro à questão de Ele ser sem pecado, mas ao aperfeiçoamento do Seu caráter — ao aperfeiçoamento daquele homem interior que chamamos de personalidade. A personalidade é algo estranho, algo difícil de definir, algo que você não consegue apreender, mas que não pode deixar de reconhecer. É a pessoa de fato — o homem interior.

    Ora, nessa vida interior, Ele havia desenvolvido, ao longo de toda a Sua vida, essa questão do agrado de Deus, da satisfação de Deus.

    Houve aprovação divina no Seu batismo, expressa em palavras semelhantes, indicando provavelmente que os Seus trinta anos haviam sido aprovados; certamente indicando que o passo que Ele agora dava, entrando plenamente na vida pública e aceitando a Cruz por meio do batismo, era aprovado. Isso trouxe a palavra do Céu:

    Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.

    Mas agora esse período entre o batismo e a Cruz está chegando ao fim — e que período! Que período! Um escritor diz que Ele foi tentado em todos os pontos, como nós, com tudo isso concentrado em apenas três anos e alguns meses.

    Sim, o inferno O provou. O mundo O provou. Em certo sentido, o Céu O provou. Ele foi provado. Foi submetido à prova em cada detalhe, e passou por tudo.

    Ele foi aperfeiçoado por meio dos sofrimentos, aprendendo a obediência pelas coisas que sofreu. Nesse período, levou à perfeição aquela vida interior, aquele caráter interior, aquela personalidade interior.

    Vocês verão por que estou dizendo isso logo de início. Não é novidade para vocês. Imagino que não seja algo novo. Não lhes parece algo muito interessante. Mas é a base de tudo o mais, entendem? Esse é o ponto.

    A Reprodução Progressiva de Cristo

    Agora, quando o apóstolo toma isso e diz “todos nós” — fico contente por ele usar essa pequena palavra, “todos”; ela é tão abrangente, significa todos nós —, ele não está falando apenas de si mesmo e dos seus cooperadores. Está falando dos coríntios e de todos os crentes: “todos nós”.

    Mas todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como num espelho a glória do Senhor, somos transfigurados na mesma imagem.

    Ele toma essa mesma palavra e a aplica a todos os crentes, fazendo daquilo que havia sido aperfeiçoado e concluído no Senhor Jesus um processo — um processo contínuo na vida dos crentes.

    É isto que ele está dizendo: aquilo que havia sido concluído e aperfeiçoado nAquele deve agora ser reproduzido progressivamente em nós. Aquela perfeição, aquele caráter, aquela personalidade — a personalidade aperfeiçoada do Senhor Jesus — devem ser introduzidos em nós, desenvolvidos em nós e manifestados por meio de nós.

    Se você não gosta da palavra “personalidade”, se ela lhe parece técnica demais, então use a palavra “caráter”.

    A Obra Abrangente do Espírito Santo

    Agora, a primeira coisa a dizer sobre isso, que naturalmente nos ajuda e encoraja muito, está na maneira como o apóstolo conclui essa declaração:

    Como pelo Espírito que é o Senhor.

    Queridos amigos, de tudo o que sabemos sobre a vinda do Espírito Santo, sobre a Pessoa e a obra do Espírito Santo, sobre todos os efeitos da Sua chegada e da Sua entrada em nós, reconheçamos isto como supremo: a obra abrangente do Espírito Santo.

    Isto é, seja o que for que Ele faça, tudo o que Ele faz, todas as Suas múltiplas atividades — a obra abrangente do Espírito Santo — se resume a uma coisa: reproduzir o Senhor Jesus em um povo.

    E, mais uma vez, quando vocês orarem a respeito do Espírito Santo e falarem sobre o Espírito Santo, lembrem-se disso. Lembrem-se disso. O objetivo supremo e abrangente do Espírito Santo é reproduzir o Senhor Jesus — o Seu caráter, a Sua personalidade, a Sua condição humana aperfeiçoada, a Sua humanidade — em um povo.

    Isso põe você e a mim à prova de maneira muito profunda, se realmente o considerarmos. Tem desafiado o meu próprio coração a ponto de me deixar muito hesitante em falar livremente.

    O teste de que o Espírito Santo está tendo liberdade para agir na sua vida e na minha, a prova de que Ele está presente e realizando a Sua obra, é a nossa transfiguração. A nossa transfiguração está acontecendo?

    Em outras palavras, Cristo, em Sua humanidade perfeita, está Se tornando uma realidade cada vez maior na nossa natureza, no nosso coração, em nós? O verdadeiro teste de uma vida governada pelo Espírito está aqui: na progressão, no progresso, no crescimento do caráter de Cristo.

    Nós vamos nos encontrar uns com os outros e, se somos realmente homens e mulheres governados pelo Espírito, o que devemos encontrar uns nos outros é o Senhor Jesus. E isso não deve acontecer apenas hoje, para depois parar; não apenas em algum momento da nossa vida, para então terminar; mas deve continuar, continuar o tempo todo.

    Esse é o teste, a prova e o desafio da presença do Espírito Santo e da Sua liberdade para trabalhar.

    A Liberdade no Espírito

    O apóstolo diz aqui, na frase imediatamente anterior:

    Onde o Espírito é Senhor, aí há liberdade.

    Há liberdade.

    Ele está, naturalmente, fazendo uma comparação, ou um contraste, com a antiga dispensação da lei. Moisés desceu com a lei. Ali tudo era imposição. Tudo se resumia a “você deve” e “você não deve” — escravidão, limitações, supressão, repressão e um esforço ansioso e inquieto.

    Agora tudo isso passou. O Espírito vem e tem liberdade para agir. Já no caso de Moisés, que representava aquela ordem de coisas e aquela dispensação, ele precisava colocar um véu sobre o rosto — não para esconder a glória, mas para esconder o desaparecimento da glória e manter a aparência.

    Como vocês sabem, era uma dispensação de aparência exterior. Foi isso que o Senhor Jesus enfrentou em Seus dias com os escribas e fariseus. Ele os chamou de hipócritas — isto é, pessoas que fingiam ser algo que não era verdadeiro. Tudo era colocado por fora.

    O desaparecimento da glória não era visto por causa desse véu de fingimento. Mas tudo isso, diz o apóstolo, passou com Cristo. O Espírito veio, e veio para dentro. Agora estamos livres de todo esse tipo de coisa.

    É espontâneo. O Espírito é Senhor; há liberdade; é espontâneo; é livre. Simplesmente acontece. Você não precisa fingir, esforçar-se, afligir-se, preocupar-se e reprimir-se. Acontece se o Espírito Santo estiver presente.

    E o que acontece? A glória do Senhor — isto é, a perfeição da Sua humanidade — começa a se expressar espontaneamente em nós e continua a fazê-lo. Essa é a vida do Espírito. É a vida do Espírito. É a vida cristã normal.

    Algo está abaixo do normal se não chega a esse nível; algo é anormal se você está apenas mantendo as aparências. Mas o normal é o Espírito Santo ter liberdade para agir e realizar esta única coisa: tornar Cristo cada vez mais manifesto em nossos corpos mortais.

    Portanto, esse é o cerne da questão. É a obra do Espírito Santo. Esse é o ponto neste momento: a obra do Espírito Santo.

    A Semelhança com Cristo como Vida Espiritual

    Isso nos ajuda muito. O Espírito Santo tomou em Suas próprias mãos a responsabilidade por isso.

    Amigos, você e eu não precisamos nos esforçar para ser semelhantes a Cristo. Com todo o respeito a Tomás de Kempis, não se trata de uma imitação de Cristo. Não é uma imitação de Cristo — algo que tentamos fazer.

    Trata-se disto: para um verdadeiro filho de Deus, que não está colocando algum obstáculo deliberado no caminho do Espírito Santo, tornar-se mais semelhante a Cristo é tão natural quanto respirar.

    Ora, você não para para discutir se vai respirar, quantas vezes ainda vai respirar, se vai respirar agora ou deixar para depois, elaborando uma teoria sobre isso. Você simplesmente respira, sem pensar.

    É tão natural quanto isso, porque o Espírito Santo é o nosso fôlego, é a nossa vida. Afirmem isso diante das muitas dificuldades que as pessoas encontram para ser semelhantes a Cristo.

    Agora, Paulo apresenta isso aqui em dois aspectos. Primeiro, há o modelo: perfeito, completo, Cristo glorificado. O Espírito Santo vem para reproduzir progressivamente esse modelo nos filhos de Deus, nos crentes. Ele vem com esse propósito — assumir essa obra e realizá-la.

    Agora, não nos cabe dizer como Ele deve fazê-lo. Ele escolhe o Seu próprio caminho.

    O Sofrimento como Meio de Formação Espiritual

    Isso me leva ao próximo ponto. Aqui, mais uma vez, temos a infeliz interrupção do texto pela divisão em capítulos. O apóstolo prossegue:

    Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.

    Agora, ouçam. Como isso será feito? Como esses vasos vão conter, conter cada vez mais e manifestar essa glória do caráter de Cristo? Talvez não da maneira que imaginaríamos ou escolheríamos.

    Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus. Nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por amor de Jesus. A morte opera em nós.

    Essa é uma perspectiva bastante desconcertante e desanimadora. Mas é assim que o Espírito faz.

    O fato permanece, quer gostemos ou não: é justamente sermos pressionados de todos os lados que nos leva a uma participação maior no Senhor Jesus e faz com que algo mais do Senhor Jesus seja formado em nós.

    Resumindo tudo, todas essas coisas significam simplesmente isto: você e eu jamais chegaríamos a essa transfiguração a não ser por meio dessas provações e adversidades. Esses são os meios que o Espírito Santo usa para o nosso aperfeiçoamento, para o nosso crescimento em Cristo.

    É uma pena que tenha de ser assim. Concordo. É uma pena que não possamos ser semelhantes a Cristo sem passar por dificuldades, problemas e sofrimento, mas é exatamente isso, entendem? É assim. É assim.

    Deem às pessoas isenção absoluta de todo tipo de dificuldade e problema, e vejam que tipo de pessoas elas se tornam — saudáveis, cheias de si. Sabe, pessoas que nunca ficaram doentes têm muita dificuldade para se compadecer dos enfermos e compreendê-los. Precisam fazer um grande esforço para ter paciência com eles.

    É por isso que gosto que os médicos fiquem doentes de vez em quando. Talvez essa seja a maneira errada de dizer isso. Não devemos gostar que ninguém fique doente. Mas, sabem, a compaixão, a compreensão e a paciência nos vêm por esse caminho da experiência, e da experiência dolorosa. É uma questão de caráter, não é?

    Assim, o apóstolo coloca todas essas dificuldades e adversidades ao lado da nossa transfiguração e, em essência, diz: “Esta é a matéria-prima do Espírito Santo. Estes são os instrumentos do Espírito Santo para formar Cristo em nós”.

    É assim que acontece, se não formos rebeldes, se não permitirmos que a amargura se infiltre em nosso espírito. É assim que acontece. Portanto, o sofrimento e a provação, a dificuldade e a adversidade, sob o governo do Espírito Santo, produzirão esse resultado.

    A Contemplação da Glória de Cristo

    Mas então o apóstolo nos conduz a este ponto. Ele diz:

    Todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como num espelho.

    Os revisores encontram certa dificuldade aqui, e os tradutores da Versão Autorizada não haviam resolvido a questão.

    Eles não sabiam exatamente o que Paulo queria dizer, então apresentaram formas diferentes: a que temos no texto e a que temos na margem. Ele queria dizer que nós somos um espelho, que a imagem é projetada sobre nós como sobre um espelho e então é refletida? Ou queria dizer que Cristo é o espelho, que olhamos para Ele e que Ele reflete a glória de Deus?

    Creio que era isso que ele queria dizer. Ele falou da glória de Deus na face de Jesus Cristo. Acho que a palavra “face”, ali, é apenas outra palavra para espelho. Concordo com os seus estudiosos do grego: não é a mesma palavra, mas outra palavra com o mesmo sentido.

    É na face de Jesus Cristo que a contemplamos. Na face de Jesus Cristo — é disso que o apóstolo está falando aqui.

    E a palavra “contemplando” é uma palavra forte. Não é apenas dar uma olhada; é fixar o olhar — fixar o olhar. É isso que o Novo Testamento quer dizer com “contemplar”.

    Todos nós, fixando o olhar em Cristo — em Cristo, enquanto Ele espelha em Sua própria Pessoa a glória de Deus, a satisfação de Deus, o pensamento de Deus em perfeição.

    O ponto é que você e eu devemos contemplar o Senhor Jesus em espírito. Devemos estar ocupados com Ele. Devemos ter o nosso santo dos santos, onde nos recolhemos com Ele. Devemos ter um lugar secreto onde passamos tempo com Ele.

    E isso não apenas em ocasiões específicas e especiais; devemos também cuidar de mantê-Lo sempre diante de nós enquanto seguimos nossas atividades — olhando para o Senhor Jesus, contemplando-O.

    Seremos transformados na mesma imagem. O Espírito Santo atuará sobre aquilo com que nos ocupamos.

    Você se torna semelhante àquilo que o absorve, àquilo com que se ocupa. Não é verdade? Em geral, aquilo com que as pessoas se ocupam — você vê as obsessões delas e pode perceber o caráter delas mudando por causa dessas obsessões. Elas estão se tornando semelhantes àquilo que as ocupa. Estão mudando. Estão se tornando diferentes.

    Alguma coisa tomou conta delas, e elas não conseguem pensar em outra coisa nem falar de outra coisa. Isso está mudando o caráter delas.

    Ora, Paulo disse:

    Para mim, o viver é Cristo.

    Para ele, viver era Cristo, era estar ocupado com Ele.

    Portanto, vou usar essa palavra mesmo assim: seria bom se Ele Se tornasse a nossa obsessão, a nossa ocupação contínua — pelo menos ao longo de todo o dia, fixando firmemente o nosso olhar nEle. O Espírito nos transforma na mesma imagem.

    O Ministério como Expressão do Caráter Espiritual

    Agora, mais uma palavra, e encerramos por enquanto. Observem o contexto dessas palavras em 2 Coríntios. O apóstolo está preocupado aqui principalmente com o efeito da vida dos crentes neste mundo, nesta terra. Ele chama isso de “este ministério”.

    Talvez essa palavra precise ser transfigurada para nós. O apóstolo diz: “Todos nós, contemplando”. Ele abrange todos os crentes com essa palavra, “ministério”. É a todos os crentes que ele está falando sobre o ministério.

    Aqui há uma diferença tremenda. Nossas concepções técnicas e profissionais de ministério são, em sua maioria, exteriores. Isto é, você recebe um título, mais ou menos veste um uniforme e passa a ser “o ministro”. Tudo é colocado por fora; por isso, pode ser artificial.

    Ninguém se ofenda com isso. Mas o que ele está dizendo? O que o apóstolo está dizendo aqui é que o ministério não é algo que você veste; é algo que se expressa de dentro para fora. Simplesmente brota.

    Todos nós — vocês, meus irmãos e irmãs — somos chamados ao ministério. Vocês são chamados ao ministério.

    Qualquer aplicação especial dessa palavra só seria admissível no Novo Testamento em termos de medida, não de natureza. Isto é, alguns têm um ministério especial. São ministros de Deus daquela maneira particular, com aquela medida particular.

    Não significa que eles formam uma classe chamada ministros e que as outras pessoas são leigos — de modo algum. Essas ideias são estranhas ao Novo Testamento.

    O que temos aqui é que todos nós, contemplando, temos o ministério que resulta dessa contemplação. Todos somos chamados ao ministério. É o efeito da nossa presença aqui.

    Agora, o que o apóstolo está dizendo sobre isso? Ele está dizendo com muita clareza que personalidade e ministério devem ser uma coisa só.

    Como isso nos examina profundamente, mas como é significativo! O ministério não deve ser algo — pregação, ensino e todas essas coisas chamadas de ministério — realizado enquanto o homem é diferente, enquanto a pessoa está separada daquilo que faz.

    Paulo está dizendo de maneira tão enfática: quando você encontra um homem ou uma mulher verdadeiramente governados pelo Espírito, aquilo que dizem brota da sua vida; é parte da sua vida. É possível ver que o seu ensino foi formado em sua história e experiência.

    Quando esse homem ou essa mulher procura ensinar, ministrar ou dizer a outra pessoa algo de natureza cristã, percebe-se que isso brotou de uma história secreta com Deus — de algo que o Espírito Santo fez neles.

    O ministério deles e o seu caráter são idênticos. Isso é muito importante. É realmente muito importante. É indispensável.

    É por isso que o Espírito Santo é tão minucioso a respeito do caráter, tão cuidadoso com a personalidade, com a vida interior.

    Se estamos realmente sob o governo do Espírito Santo e se, em nossas palavras, vamos além daquilo que é verdadeiro em nossa própria vida, o Espírito Santo logo nos confrontará a respeito disso. Ele cuidará para que a nossa vida alcance o nível do nosso ensino. Tudo é mantido em correspondência e equilíbrio.

    Você já disse alguma coisa e o Espírito Santo o deteve, dizendo: “Isso é verdade em você? É verdade? Ou é apenas algo que você disse?” Isso é muito importante.

    Se fôssemos honestos, não desejaríamos que fosse de outra maneira, não é? Queremos que seja assim.

    O Impacto Duradouro da Glória

    Isso é algo que envolve a glória. Esse é o ponto. Envolve a glória. Existe algo como o poder do Espírito Santo na glória.

    Ontem falávamos disso como impacto — o impacto da Transfiguração sobre aqueles homens e o impacto de alguém ver o Senhor posteriormente: a marca de poder que isso deixava.

    Agora, talvez você e eu desejemos e oremos — não por qualquer coisa — para que haja impacto em nossa vida, para que haja poder, para que deixemos uma marca, para que não deixemos simplesmente as coisas como estavam.

    Nós ansiamos, não é verdade, que, à medida que prosseguimos e depois que partirmos, algo tenha ficado — uma marca —, seja pelo nosso ministério, seja pela nossa presença, e que isso permaneça.

    Impacto é uma palavra muito boa. Vejam, isso está ligado à glória. Isso é a glória: ela deixa uma marca que permanece. Permanece.

    Podem acontecer coisas e, por algum tempo, a glória pode ficar encoberta, mas há algo ali que voltará a se manifestar.

    Posso confessar a vocês — e, ainda assim, há certa compreensão, porque somos todos feitos da mesma maneira — que tenho tido dificuldade para entender como três homens, um deles em particular, puderam estar no Monte da Transfiguração, e como aquele homem, entre eles, por uma revelação direta do Pai, pôde declarar:

    Jesus, o Filho do Deus vivo, o Cristo.

    Como aquele homem pôde negá-Lo com juramentos e maldições? Como todos eles puderam abandoná-Lo e fugir para salvar a própria vida? Bem, se não conhecêssemos a nossa própria natureza e o nosso coração, não teríamos nenhuma compreensão disso. Mas é um pouco difícil, não é?

    Ainda assim, aquilo ficou encoberto apenas por um tempo. Voltou a se manifestar depois. Voltou a se manifestar em Pedro, como sabemos. Muitos anos depois, no fim da sua vida, ele se referiu a isso:

    Estávamos com Ele no monte santo.

    Aquilo permaneceu. Era algo que eles não perderam inteiramente. Houve um eclipse temporário. Deus não permita que isso jamais seja verdade em nós. Talvez nunca tenhamos de passar exatamente pelo mesmo caminho que eles percorreram, mas aquilo está ali.

    O que estou dizendo é que há uma permanência nessa questão — um efeito duradouro: ter Cristo realmente revelado no coração por essa revelação interior dEle, uma manifestação do Seu caráter, algo que permanece.

    A Realidade do Ministério

    Agora, podemos ter tudo aquilo que se chama ministério — um sermão, uma mensagem, algo transmitido às pessoas —, e assim continua, semana após semana após semana. Mas, naturalmente, é por isso que estamos dizendo tudo isso: não queremos que seja assim.

    Realmente não queremos que seja assim: virmos e irmos, sendo apenas presenças passageiras, sem deixar nenhuma marca duradoura.

    Há um impacto ligado a isso. Portanto, não se trata daquilo que chamamos de ministério, algo exterior. Para Paulo, o ministério é nada menos, nada diferente daquilo que é verdadeiro a respeito de Cristo se expressando na vida do Seu servo, do Seu povo — estando ali e vindo à tona.

    É possível, naturalmente, como o nosso irmão disse nesta manhã em sua palavra às crianças, que estejamos olhando de maneira crítica para os servos do Senhor, observando suas características naturais e nos ocupando com isso.

    Muito bem, temos a tendência de fazer esse tipo de coisa. Podemos deixar de perceber algo. Realmente podemos deixar de perceber algo. Mas, se estivermos livres de preconceitos, de ideias preconcebidas e de todo esse tipo de coisa — críticas, a procura daquilo que não é glorioso —, se estivermos dispostos a ver o que há de Cristo, deveria ser possível vê-lo.

    Aquilo que se professa é sustentado por aquilo que se possui. As palavras são respaldadas pela experiência. O ensino não é apenas ensino; é algo que foi formado na vida.

    Agora, queridos amigos, precisamos voltar a isso. Tenho estado profundamente inquieto com essa questão nestes dias, perguntando-me se não ensinei demais — não que o ensino não tenha sido real, mas que não tenha se tornado real e vivo, como deveria, naqueles que o receberam.

    Esse é um tipo adequado de preocupação e de reflexão interior. Podemos sempre pensar que o ensino deveria ser o mais prático possível, ligado muito de perto à vida humana. Mas, naturalmente, não podemos transformar as pessoas naquilo que dizemos.

    Cada um de nós deveria se preocupar em que a verdade não permaneça apenas como um ensino, algo que ouvimos, algo que acontece em certos lugares, algo que conhecemos em sua fraseologia e em suas palavras.

    Se essa é a verdade de Deus, ela deve ser real. Deve ser a nossa vida. Deve ser o nosso caráter. Mas somente assim teremos esse ministério.

    Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; antes, renunciamos às coisas ocultas e vergonhosas, não andando com astúcia, nem falsificando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, recomendando-nos à consciência de todo homem, na presença de Deus.

    É o caráter por meio das palavras, e nenhuma palavra sem caráter. E esse caráter é o caráter do Senhor Jesus. Que isso seja cada vez mais verdadeiro em nós.