Nesta noite, gostaria de ler o Evangelho segundo Lucas, capítulo 11.
E aconteceu que, estando Ele a orar num certo lugar, quando acabou, Lhe disse um dos Seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.
— Lucas 11:1
Nosso Senhor estava orando e, depois que terminou, um dos discípulos — de certa forma, representando todos os discípulos — pediu:
Senhor, ensina-nos a orar.
Evidentemente, quando nosso Senhor orava, Seus discípulos percebiam algo muito diferente das orações que haviam conhecido até então. Caso contrário, não teriam feito esse pedido.
Ele orava de maneira muito diferente dos escribas e dos fariseus. Orava até de maneira muito diferente de João Batista, pois a maioria dos discípulos havia sido discípula de João Batista. Evidentemente, João Batista lhes havia ensinado a orar.
Mas a oração do Senhor era muito, muito diferente. Ela causou uma profunda impressão nesses discípulos e os fez sentir que não sabiam orar.
Creio que a primeira lição que precisamos aprender é esta: não sabemos orar.
Sabe, às vezes pensamos que sabemos orar. Já fomos ensinados, até mesmo antes de sermos salvos. Depois de salvos, temos orado durante todos esses anos, tanto individualmente como em conjunto. De alguma forma, desenvolvemos certa confiança de que sabemos orar.
Mas, se ouvíssemos o Senhor orar, creio que nossa primeira reação seria: “Nunca oramos antes. Não sabemos orar. Precisamos pedir ao Senhor que nos ensine a orar”.
Sabe, às vezes pensamos que nosso problema é não saber orar e que, por não sabermos orar, não podemos orar.
Mas, na verdade, o problema é exatamente o contrário. O problema, de fato, é que sabemos orar e, por isso, nossa oração é tão ineficaz.
Se reconhecermos que não sabemos orar, então o Senhor nos ensinará. Então nossa oração será uma oração verdadeira.
Creio que a maioria dos irmãos e irmãs não ora porque sente que não sabe orar. Bem, creio que vocês precisam agradecer ao Senhor por não saberem orar. Porque, se vocês sabem que não sabem orar, já estão sendo ajudados. O Senhor lhes ensinará.
Mas, pelo contrário, se vocês acham que sabem orar, então não há mais o que fazer. O Senhor deixará que façam sua oração, mas Ele não poderá lhes ensinar a orar.
Creio que a razão pela qual não percebemos como somos insuficientes, como somos fracos quando se trata de oração, é que não ouvimos o Senhor orar.
Não é apenas o conteúdo da Sua oração que é diferente; o próprio espírito da Sua oração é diferente. Tudo é diferente da nossa. Precisamos ir a Ele e dizer:
Senhor, ensina-nos a orar.
Portanto, creio que a primeira coisa que precisamos aprender é esta: em primeiro lugar, precisamos confessar que não sabemos orar. Essa deve ser uma confissão profunda.
E, em segundo lugar, apesar disso, queremos orar. Ora, se confessamos que não sabemos orar e depois não queremos orar, então, é claro, o Senhor não poderá nos ensinar a orar. Portanto, em segundo lugar, precisamos querer orar.
Receio que, quando nos reunimos para orar, muitos já tenham decidido que não vão orar. Não querem orar. E, se vocês não querem orar, não vão orar, pois o Senhor não lhes ensinará.
Portanto, em segundo lugar, cada um de nós precisa ter o desejo de orar. Foi por isso que o discípulo pediu: “Senhor, ensina-nos a orar”; porque queremos orar, mas não sabemos como.
Portanto, esse desejo precisa estar dentro de nós. Cada um de nós precisa querer orar.
E, em terceiro lugar, pediremos ao Senhor que nos ensine a orar. Isso significa que deixaremos de olhar para nós mesmos e olharemos para o Senhor. Abriremos nosso coração a Ele. Abriremos nosso espírito. Pediremos ao Senhor: “Estamos aqui. Estamos dispostos. Queremos orar, mas não sabemos como. Por favor, ensina-nos”.
E, se vocês tiverem esses três elementos, verão que o Senhor lhes dirá: “Quando orardes…”.
Portanto, sinto que, para começar, precisamos realmente nos achegar ao Senhor e confessar a Ele que não sabemos orar.
Vocês se lembram da história do fariseu e do publicano. O fariseu foi ao templo e certamente sabia orar — ou assim pensava —, e fez uma longa oração.
Mas o publicano não. Ele apenas clamou do fundo do coração: “Senhor, tem misericórdia de mim, pecador”.
E o Senhor disse que, quando aquele publicano voltou para casa, estava mais justificado do que o fariseu.
Portanto, espero sinceramente que não nos reunamos com um sentimento de confiança em nós mesmos. Antes, devemos nos achegar a Deus reconhecendo nossa fraqueza. Se reconhecermos nossa fraqueza, então, em Romanos 8, somos informados de que o Espírito Santo virá a nós. Ele nos ajudará em nossa fraqueza e intercederá em nós e por nós segundo a vontade de Deus. O Espírito Santo sabe.
Por isso, quero encorajar os irmãos e irmãs nesta noite: o fato de vocês não saberem orar não os impedirá de orar. Pelo contrário, isso deve encorajá-los.
A única coisa que precisam fazer é permanecer abertos ao Senhor. Mantenham o coração e o espírito abertos. Se algum assunto de oração for mencionado, apenas perguntem ao Senhor se Ele quer que vocês orem.
Se sentirem que Ele realmente quer que orem, simplesmente confiem no Espírito Santo para lhes dar as palavras certas para orar. Vocês verão que isso se torna muito fácil e muito natural.
Portanto, esta é a primeira lição que espero que todos nós aprendamos.
Por favor, abram em Mateus 9:35-38.
E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando toda enfermidade e toda moléstia.
E, vendo as multidões, teve compaixão delas, porque andavam aflitas e dispersas, como ovelhas que não têm pastor.
Então disse aos Seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos são os ceifeiros.
Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a Sua seara.
— Mateus 9:35-38
Nosso Senhor percorria as cidades e aldeias, ensinando e curando. Enquanto fazia isso, viu as multidões e foi movido de compaixão.
Em outras palavras, quando nosso Senhor viu as multidões, Ele as viu como ovelhas sem pastor. Ele teve uma visão. Enxergou as multidões como ovelhas sem pastor.
Por ter essa visão, Ele sentiu um profundo encargo. Foi movido de compaixão — sentiu um profundo encargo.
Por sentir esse profundo encargo, Ele compartilhou Sua visão e Seu encargo com os discípulos. Disse: “A seara é grande, e os trabalhadores são poucos”. Depois de compartilhar Sua visão e Seu encargo com os discípulos, pediu-lhes que orassem: que suplicassem ao Senhor da seara que enviasse trabalhadores para a Sua seara.
Sabe, quando se trata de oração, o primeiro problema, de fato, é enxergar. Se enxergarmos como o Senhor enxerga, se tivermos uma visão que o Senhor nos mostra, isso produzirá um encargo dentro de nós.
Então, quando há um encargo, a única maneira de dar expressão a esse encargo é por meio da oração.
Ora, muitas vezes, quando oramos individualmente ou em conjunto, pensamos que, por não termos um encargo, não podemos orar. Bem, é verdade: uma oração sem encargo não é uma oração verdadeira. Precisamos orar com encargo.
Mas, se dissermos que, por não termos encargo, não podemos orar, há algo errado. Por que não temos encargo? Por que não sentimos esse peso?
Creio que existem várias razões. A primeira é: não enxergamos.
Os discípulos estavam com o Senhor Jesus. Os discípulos viam as multidões, mas não tinham visão. Viam as multidões, mas não as viam como ovelhas sem pastor.
Em outras palavras, viam as multidões exteriormente, mas, interiormente, não conseguiam enxergar a necessidade.
Como não conseguiam enxergar a necessidade, não tinham a visão. Por isso, não sentiam encargo. O Senhor sentia encargo. Ele foi movido de compaixão, mas os discípulos não.
O Senhor precisou compartilhar aquele encargo e aquela visão com eles para levá-los a orar.
Portanto, creio que uma das razões pelas quais às vezes não sentimos encargo é que não estamos atentos. Não somos espiritualmente sensíveis. Estamos entorpecidos.
Se nosso espírito estiver realmente aberto ao Senhor, vocês verão que é muito fácil enxergar o que o Senhor enxerga e sentir o Seu encargo.
Em segundo lugar, às vezes sentimos que não temos encargo porque estamos sobrecarregados com nossos próprios problemas e necessidades. Quando estamos inteiramente ocupados conosco mesmos — com nossas próprias necessidades, com nossos próprios problemas, com os problemas de nossa família mais próxima —, percebemos que não temos forças para assumir mais encargos.
Essa pode ser outra razão pela qual sentimos que não temos encargo.
Creio que a questão é esta: quando nos reunimos para orar, ou sempre que realmente queremos entrar nessa questão da intercessão, a primeira coisa, naturalmente, é manter nosso espírito aberto.
Precisamos estar atentos e sensíveis em espírito, para que o Senhor possa compartilhar conosco Seu encargo e imprimir em nós a necessidade que Ele vê.
E, em segundo lugar, quando realmente nos reunimos para orar, precisamos deixar de lado nossos próprios fardos, pelo menos temporariamente.
Em outras palavras, não devemos chegar aqui já sobrecarregados, cada um com seu próprio fardo. Ao chegarmos aqui, devemos vir sem nenhum peso sobre nosso espírito.
É verdade, temos nossos problemas; temos nossos fardos. Tudo isso é verdade. Mas, ainda assim, em outro sentido, como queremos entrar nessa questão da intercessão, precisamos deixar de lado temporariamente nossos pesos pessoais. Esquecer nossas próprias necessidades, nossos próprios problemas e nossos próprios fardos, para que possamos vir com tamanha abertura e tão livres de nós mesmos que sejamos capazes de receber um encargo e assumir um encargo pelo Senhor.
Sabe, na oração precisamos ter encargo. Mas o encargo não é algo pelo qual vocês ficam esperando até que pareça vir sobre vocês.
Ora, provavelmente esse é um problema entre o povo de Deus. Quando nos reunimos, simplesmente esperamos. A razão pela qual esperamos é que sentimos que não temos encargo. Então esperamos até que o encargo venha, e depois oramos.
Bem, em certo sentido, isso é verdade. Vocês não podem orar sem encargo. Mas o encargo não é algo pelo qual se espera passivamente até que caia sobre vocês. O encargo é algo que vocês precisam assumir ativamente.
Portanto, creio que o segredo da oração é sabermos assumir encargos. Esse é o segredo. É algo que vocês precisam assumir voluntariamente, ativamente — não esperando que venha sobre vocês de maneira passiva e involuntária, mas assumindo-o ativamente.
Aqui vemos que, quando o Senhor compartilhou Sua visão e Seu encargo com os discípulos, ordenou-lhes que orassem. Em outras palavras, o Senhor esperava que eles assumissem Sua visão e Seu encargo e os transformassem em oração.
Evidentemente, eles oraram. Quanto mais oravam, mais encargo sentiam.
Talvez, no início, estivessem apenas assumindo o encargo do Senhor. Eles mesmos não tinham encargo; apenas assumiram o encargo do Senhor. Mas, à medida que começaram a orar, o encargo aumentou sobre eles, e passaram a orar realmente com encargo.
Como sabemos disso? Porque, em Mateus 10, vemos que o Senhor chamou a Si os doze discípulos e lhes deu autoridade sobre os espíritos imundos, para expulsá-los e curar toda enfermidade e toda fraqueza física. Então o Senhor os enviou.
Em outras palavras, suas orações foram respondidas. Oraram para que o Senhor da seara enviasse trabalhadores, e agora o Senhor os enviou. A oração foi respondida.
Portanto, sinto que, às vezes, quando nos reunimos, alguns assuntos são mencionados para oração. Provavelmente alguns de nós pensam: “Bem, não sinto encargo por esses assuntos”.
“Por quê? Porque tenho encargo por outros assuntos. Se esses outros assuntos forem mencionados, vou orar. Mas não tenho encargo por esses assuntos; portanto, não posso orar.”
Ora, na oração pessoal, isso pode ser verdade. Mas, na oração coletiva, vocês não podem seguir essa regra.
Na oração coletiva, na verdade, cada um de nós precisa deixar de lado seu próprio encargo. Vocês não vêm aqui para orar por seu próprio encargo. Devem deixá-lo de lado.
Vocês vêm aqui abertos e livres de si mesmos, prontos para receber um encargo, para assumir um encargo. Somente assim podemos orar coletivamente.
Portanto, quando os pedidos ou assuntos forem mencionados, estejam abertos e aprendam a assumi-los ativamente. Creio realmente que, se começarem a assumi-los, passarão a sentir encargo.
Temos um problema aqui. Não sei se vocês perceberam: quando vamos orar por alguém que está doente ou passando por alguma dificuldade, e conhecemos muito bem essa pessoa, parece que muitos irmãos e irmãs oram.
Mas, quando mencionamos algo relacionado à obra do Senhor ou aos Seus interesses, de alguma forma ficamos em silêncio, porque não temos encargo.
Ora, será que isso acontece porque estamos limitados por nossas emoções? Precisamos estar emocionalmente envolvidos para sentir encargo, ou podemos orar acima de nossas emoções e aprender a assumir o encargo do Senhor até nos encontrarmos realmente tomados por esse encargo?
Portanto, creio que isso é algo que devemos aprender. Todos nós devemos aprender a assumir encargos.
Isso não é algo que aprenderemos instantaneamente. Eu diria que é algo que precisamos aprender em nossa vida diária.
Sabe, em nossa vida diária, quando vocês veem alguma coisa, ouvem alguma coisa ou leem sobre alguma coisa, procurem assumi-la como um encargo e transformá-la em oração.
Suponham que vocês encontrem alguém e que essa pessoa compartilhe alguma coisa com vocês. Depois que ela for embora, aprendam a transformar esse encontro em oração. Levem isso ao Senhor em oração.
Ou talvez vocês estejam lendo o jornal e encontrem alguma notícia. Não se limitem a ler o jornal. Assumam aquilo e transformem em oração — talvez apenas uma ou duas frases.
Se formos vigilantes e atentos em nossa vida diária, transformando as coisas em oração, aprendendo a assumir encargos e convertê-los em orações, então creio que aprenderemos o segredo de assumir encargos.
Então, quando nos reunirmos e certos assuntos forem mencionados, não será difícil para vocês entrar em oração por essas coisas.
Ora, naturalmente, precisamos de certo conhecimento para orar com entendimento. Portanto, quando algum assunto é mencionado na igreja, é sempre bom explicá-lo de maneira muito breve. Em outras palavras, dar informações suficientes para que todos os irmãos e irmãs possam realmente participar.
Às vezes, o nome de uma pessoa é mencionado, ou certos assuntos são mencionados, e alguns de vocês talvez estejam familiarizados com eles, mas os demais não sabem nada a respeito. Se vocês não sabem nada sobre aquilo, é difícil orar e compartilhar do encargo.
Portanto, quando algo é mencionado, é bom dar informações muito breves para que possamos compreender e aprender a assumir aquele encargo.
Assim, nesta noite, é isto que sinto que todos nós devemos aprender: assumir encargos. Queremos que todos os irmãos e irmãs orem.
Como mencionamos da última vez, se vocês não sabem orar, então podem orar. Se sabem orar, então provavelmente não deveriam orar.
Portanto, venhamos com essa abertura. Simplesmente nos abramos e, quando os assuntos forem mencionados para oração, olhemos para o Senhor, assumamos qualquer encargo que Ele queira que assumamos e oremos.
Uma frase, duas frases — ou, se sentirem que gostariam de orar mais, tudo bem. Não é uma questão de palavras, sejam muitas ou poucas. O Senhor sabe. Portanto, orem simplesmente conforme o Senhor os capacitar.
Assim, olhemos todos para o Senhor, para que Ele nos capacite nesta noite.
Por favor, abram em Mateus 18:19.
Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por Meu Pai, Que está nos céus.
— Mateus 18:19
Aqui vemos nosso Senhor Jesus nos dizendo: “Se dois de nós concordarmos na terra acerca de qualquer assunto que pedirmos, seja ele qual for, isso nos será concedido por nosso Pai, Que está nos céus”.
Sem dúvida, esse versículo se aplica à oração coletiva, pois aqui vemos que o Senhor disse: “Se dois de vós”. Sabemos que dois é o menor número. Podem ser dois, podem ser vinte, podem ser duzentos, podem ser dois mil ou mais.
De qualquer forma, vemos aqui que não se trata de apenas uma pessoa orando. É mais de uma pessoa — duas ou mais — agindo em conjunto.
Para que essa oração coletiva seja eficaz, existe um requisito básico.
Na verdade, vemos que aquilo que o Senhor menciona nesse versículo tem alcance ilimitado. Ele disse: “Acerca de qualquer coisa que pedirem”. Portanto, não há limite quanto ao assunto. Isso inclui tudo. Podemos orar por tudo, por qualquer coisa.
A promessa é muito abrangente. O Pai de vocês, Que está nos céus — o Pai Dele e nosso Pai, Que está nos céus —, nos responderá. Mas existe uma condição, e essa condição é a concordância.
Vejam, quando nos reunimos para orar, isso é diferente de nossa oração particular, pessoal. Há uma dimensão adicional.
Não deve haver apenas concordância entre vocês e o Senhor, mas também concordância entre vocês e seus irmãos e irmãs.
“Se dois de vós concordarem.” Ora, como podemos concordar? Na verdade, não há duas pessoas que consigam concordar em coisa alguma.
Em última análise, se pensarmos bem nisso, veremos que é verdade: ninguém consegue realmente concordar, porque cada um tem seu próprio eu.
Enquanto esse eu estiver presente, vocês querem que as pessoas concordem com vocês, mas é difícil concordarem com a outra pessoa.
Podemos chegar a um acordo por meio de negociação ou de concessões, mas não é disso que o Senhor está falando quando diz: “Se dois de vós concordarem”.
Essa palavra, “concordar”, no original significa harmonizar, como acontece em uma orquestra.
Vemos que, em uma orquestra, há muitos instrumentos, instrumentos variados. Não há uniformidade, mas todos os tipos de instrumentos. Cada um desses instrumentos tem seu timbre específico. Todos são diferentes.
No entanto, todos esses instrumentos, enquanto são tocados, se harmonizam. Não há uma nota destoante. Não há um som discordante. Vemos que todos esses sons se unem em um só.
Essa é a palavra usada aqui: concordar — harmonizar completamente, unir-se em um só. Não no sentido de todos repetirem a mesma coisa; isso seria mera repetição.
Podemos estar orando, alguns com uma abordagem ou ênfase, e outro orando pelo mesmo assunto de maneira diferente. Mas vemos que não se trata de uniformidade, e sim de harmonia. Todos podem orar conforme o Senhor os conduz e, ainda assim, todas as orações se unem em uma só.
Ora, como isso é possível? É possível em uma orquestra porque há um maestro, e todos precisam renunciar a si mesmos e seguir o maestro.
Ou, dizendo de outra maneira, todos precisam concordar com o maestro. Vocês não precisam concordar com a pessoa ao lado; precisam concordar com o maestro. Os olhos de todos estão voltados para o maestro.
É por meio do maestro que todos esses músicos e todos esses instrumentos musicais conseguem tocar juntos em perfeita harmonia.
Portanto, esse é o segredo da oração coletiva. Temos um maestro: nosso Senhor Jesus, por meio do Seu Espírito Santo.
Cremos realmente que, quando nos reunimos para orar, Ele está aqui, porque o versículo seguinte diz:
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.
— Mateus 18:20
Portanto, somos como uma orquestra. Estamos todos sentados aqui, cada um com um instrumento diferente, e tocaremos conforme aquilo que o Senhor nos capacitou a fazer. Todos serão diferentes.
No entanto, se nos abrirmos e voltarmos nossa mente e nosso coração para o Senhor, cada um renunciando a si mesmo — não o que gostamos ou deixamos de gostar, não a minha opinião ou a sua opinião, o seu preconceito ou o meu preconceito, a sua inclinação ou a minha inclinação, a sua escolha ou a minha escolha —, renunciaremos a nós mesmos e simplesmente concordaremos com o Senhor.
O Senhor não exige que eu concorde com você ou que você concorde comigo, porque, mesmo que tentemos fazer isso, não concordaremos de verdade. Tudo o que o Senhor exige é que cada um concorde com Ele.
Se cada um concordar com Ele, e todos olharmos para Ele e permitirmos que Ele nos dirija, então tocaremos conforme Ele nos dirigir.
Às vezes, todos os instrumentos musicais estão tocando. Em outros momentos, alguns instrumentos estão tocando e outros estão esperando. Ainda assim, vemos que tudo está sob a direção do maestro, e o resultado será uma bela música.
Portanto, essa é a maneira pela qual o Senhor quer que oremos juntos.
A oração coletiva não é algo sem custo; ela tem um preço. Porque, na oração coletiva, vocês simplesmente não podem orar como querem ou se recusar a orar porque não querem. Todos precisam estar prontos e abertos, esperando que o maestro nos dirija.
Tocamos segundo o Espírito de Deus, Que está dentro de nós. Ao orarmos juntos, todos concordamos com Ele. Queremos que Sua vontade seja feita. Queremos que Seu pensamento se expresse. Renunciamos a nós mesmos e simplesmente nos abrimos ao Espírito Santo.
Dessa maneira, vocês verão que todas as nossas orações se harmonizarão. Nessa concordância, há poder.
Vocês se lembram de que, no livro de Atos, as cento e vinte pessoas esperavam no Senhor, orando juntas em unanimidade.
Havia cento e vinte pessoas, e cento e vinte pessoas tinham cento e vinte ideias e opiniões. Mas conseguiram orar em unanimidade. Por quê? Porque cada uma estava em sintonia com o Senhor.
Mais adiante, vemos como toda a igreja orou a uma só voz, e até o lugar tremeu, e o Senhor lhes deu ousadia para testemunhar Dele.
Portanto, há um poder tremendo na oração coletiva, desde que saibamos como orar. O requisito básico é a concordância.
Assim, ao orarmos nesta noite, antes de tudo, renunciemos a nós mesmos. Não decidam se vão orar ou não, mas estejam prontos e abertos.
Se algum assunto for mencionado, não tirem imediatamente uma conclusão sobre como ele deve ser ou como se deve orar por ele. Estejam abertos e esperem no Senhor. À medida que o Senhor tocar nosso espírito, então oraremos coletivamente.
Creio realmente que, se todos estivermos abertos ao Senhor dessa maneira, veremos que nossas orações se harmonizarão e serão feitas em unanimidade.
É dessa maneira que o Senhor responderá à nossa oração. Portanto, lembrem-se disso.