Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus 5:1-12. Vamos ler essa passagem.
E, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo-Se assentado, aproximaram-se dEle os Seus discípulos;
e, abrindo a Sua boca, os ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os pobres de espírito: porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram: porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos: porque eles herdarão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça: porque eles serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos: porque eles alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração: porque eles verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores: porque eles serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça: porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós por Minha causa.
Alegrai-vos e exultai: porque é grande o vosso galardão nos céus: pois assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.
— Mateus 5:1-12
Como mencionamos ontem à noite, ao nos reunirmos neste momento, estamos olhando para o nosso Senhor, o nosso Mestre, para que Ele nos treine, nos discipule e nos discipline nesta área da liderança.
A maneira como o nosso Senhor Jesus trabalha é alcançar muitos por meio de poucos. Ele toma alguns, treina-os de maneira intensa e completa e, então, usa esses poucos para alcançar os muitos em quem Ele pôs o Seu coração.
É isso, de fato, que significa liderança. A liderança não é um fim em si mesma; a liderança é um meio para alcançar um fim. O que o Senhor realmente deseja é que esse maravilhoso Corpo, composto por todos aqueles que creem nEle, alcance plena maturidade, chegue ao pleno desenvolvimento, à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Para chegar a isso, Ele levanta líderes. Primeiro, Ele trabalha na vida deles e, depois, por meio deles, alcança todos os membros do Corpo de Cristo.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, ao nos reunirmos aqui, temos, sim, a consciência de que estamos aqui para ser treinados, para ser ensinados — não pelo homem, mas pelo próprio Senhor.
Porque, em Mateus 23:10, o Senhor disse:
Nem vos chameis mestres: porque um só é o vosso Mestre, o Cristo.
— Mateus 23:10
Temos apenas um Mestre. Todos somos discípulos dEle. Ele é o único capaz de reproduzir a Sua imagem em nós, e Ele é o único capaz de realizar as coisas por nosso intermédio. Ele pode usar seres humanos como canais e instrumentos para ajudar, mas, queridos irmãos e irmãs, precisamos nos lembrar de que temos apenas um Mestre.
Ele é o único capaz de nos treinar para sermos aquilo que Ele deseja.
Ontem à noite, mencionamos que, quando o Senhor escolheu os doze apóstolos, Ele não escolheu os sábios, os poderosos ou os nobres. Pelo contrário, Ele escolheu deliberadamente aqueles que eram loucos aos olhos dos homens, fracos, desprezíveis e que nada eram.
A Sua escolha de nós não depende do que temos. A Sua escolha de nós depende do que Ele é capaz de fazer.
Mas há uma coisa que Ele exige de nós, se somos escolhidos: precisamos estar inteiramente entregues a Ele. Ele exige devoção absoluta a Si mesmo.
Se, ao ouvirmos o Seu chamado, verdadeiramente nos rendermos a Ele em completa entrega, então Ele começará a Sua obra em nós: transformar-nos, conformar-nos à Sua própria imagem e capacitar-nos para que sejamos úteis ao Mestre.
À medida que nos entregamos a Ele, Ele não perde tempo em nos treinar.
Quando lemos os Evangelhos, descobrimos que o nosso Senhor Jesus treinou os doze em muitas áreas. Em outras palavras, Ele não manteve os doze junto de Si apenas para que aprendessem as habilidades do serviço. É verdade que isso fazia parte do que precisavam aprender, mas permitam-me sugerir que era apenas uma parte muito pequena.
Encontramos nos Evangelhos como o nosso Senhor Jesus os treinou em muitas coisas. Mas, acima de tudo, a única coisa à qual Ele dedicou mais tempo do que a qualquer outra foi esta área do caráter.
Portanto, nesta noite, gostaríamos de considerar juntos como o Senhor nos treina nesta questão do caráter. Em outras palavras, Ele precisa reproduzir a Si mesmo em nós. A menos que o Seu caráter comece a caracterizar-nos, Ele não poderá nos usar da maneira que deseja.
Por quê? Porque servir não é simplesmente fazer alguma coisa para Deus.
Quer você esteja servindo na assembleia local, quer na obra de Deus, o verdadeiro serviço é transmitir Cristo.
Quer você esteja ensinando a Palavra, ministrando a Palavra, servindo às mesas, trabalhando na administração ou fazendo diversas coisas — até mesmo as menores aos olhos humanos, como limpar a casa ou arrumar as cadeiras —, o verdadeiro serviço não é simplesmente realizar essas tarefas.
Se quisermos apenas que as coisas sejam feitas, então um executivo de uma grande empresa poderia ser um excelente presbítero na igreja. Qualquer pessoa naturalmente talentosa e experiente no mundo poderia ser transferida para o serviço de Deus e realizar as coisas, aparentemente bem.
Mas, queridos irmãos e irmãs, o serviço na obra de Deus está em outro plano, em outro nível. Deus está mais interessado em ver Cristo sendo transmitido por meio do seu serviço do que simplesmente em ver alguma coisa realizada exteriormente.
Por causa disso, ao treinar os Seus, a coisa mais essencial — aquilo em que o Senhor trabalhou incessantemente com os Seus discípulos — foi esta área do caráter.
Quando cremos no Senhor Jesus, não apenas os nossos pecados são perdoados, mas recebemos uma nova vida. Graças a Deus por essa nova vida. Com essa nova vida vem uma nova natureza.
Como Pedro disse, somos feitos participantes da Sua natureza divina. Mas, a menos que essa vida se desenvolva de acordo com essa nova natureza, não se formará um novo caráter.
O caráter não é natural nem espontâneo. O caráter precisa ser construído; precisa ser desenvolvido.
Antes de crermos no Senhor Jesus, tínhamos a vida de Adão. Com essa vida, tínhamos aquela natureza. Ao longo dos anos, essa natureza adâmica foi desenvolvida até que houvesse um caráter definido em nossa vida.
Agora, não pensem que Adão é inteiramente mau. Em Adão, há muitas coisas que são boas aos olhos dos homens. Mas, sejam boas ou más, elas são Adão.
Se é Adão, se é o caráter adâmico, ele é completamente rejeitado por Deus. Não apenas é rejeitado por Deus; está em inimizade com Deus. Opõe-se a Deus. É algo inaceitável para Deus.
Agora temos uma nova vida, a vida de Cristo, e, com essa nova vida, uma nova natureza. A velha natureza ama mais as trevas do que a luz, mas essa nova natureza é pura, é luz, é transparente e é verdadeira.
Mas, queridos irmãos e irmãs, para que essa nova natureza se desenvolva em um novo caráter, é necessária disciplina. É necessário exercício. É necessário treinamento.
Na escola do discipulado, a principal lição é desaprender Adão e aprender Cristo.
Aprendemos tanto de Adão que isso se tornou uma segunda natureza; na verdade, é a velha natureza. Tornou-se tão natural que não precisamos pensar. É quase como um reflexo.
Desaprender Adão é um processo longo e doloroso. Aprender Cristo também é algo novo para nós. Não estamos acostumados com esse caminho e, por isso, é necessário exercício espiritual.
Abram em Efésios 4:20.
Mas vós não aprendestes assim a Cristo;
se é que O ouvistes e nEle fostes ensinados, como está a verdade em Jesus:
que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano;
e vos renoveis no espírito do vosso entendimento;
e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, foi criado em justiça e santidade da verdade.
— Efésios 4:20-24
Queridos irmãos e irmãs, ao nos achegarmos a Cristo e segui-Lo, começamos a aprender dEle. Se O ouvimos e fomos instruídos nEle segundo a verdade que está em Jesus, o que foi que ouvimos? Em que fomos instruídos por Ele?
Fomos ensinados a nos despojar do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano; a ser renovados no espírito do nosso entendimento; e a nos revestir do novo homem, que, segundo Deus, é criado em justiça e santidade da verdade.
É isso que ouvimos. É nisso que fomos instruídos segundo a verdade.
Agora, o que é a verdade? A verdade é um fato. A verdade é um fato consumado. A verdade é realidade.
Qual é a verdade? A verdade é que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo.
A verdade é que, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. Essa é a verdade.
Agora, nós ouvimos? Fomos instruídos na verdade? Se ouvimos e fomos instruídos na verdade, então, de nossa parte, teremos nos despojado do velho homem com a sua maneira anterior de viver — a sua velha conduta, o seu comportamento e os seus caminhos.
Nós nos despojamos do velho homem porque sabemos que ele é corrupto. O espírito do nosso entendimento está sendo renovado, e nos revestimos do novo homem, que é criado segundo Deus em justiça e santidade da verdade.
Irmãos e irmãs, nós nos despojamos do velho homem? Nós nos revestimos do novo homem?
A verdade é que o nosso velho homem foi crucificado. Você não faz nada para crucificar o velho homem. Cristo fez isso. Deus fez isso.
Você não é capaz de transformar a si mesmo em uma nova criação. Deus colocou você em Cristo e, ao colocá-lo em Cristo, você é uma nova criação. Essa é a verdade.
Em outras palavras, você não fez nada. Ele fez tudo. Está consumado. Está feito. Você não pode acrescentar nada a isso, nem tirar nada disso.
Se você verdadeiramente foi ensinado e aprendeu isso, então, de sua parte, agindo pela fé e com base na verdade que lhe foi ensinada, você terá se despojado do velho homem com a sua maneira anterior de viver.
É como tirar roupas velhas. Já que o velho homem está morto, tire essas roupas mortas. Você se revestiu do novo homem, como quem veste roupas novas.
Agora, irmãos e irmãs, isso está relacionado ao caráter. Pela fé, permanecemos firmes na verdade que Cristo realizou por nós e, com a nossa vontade, nos despojamos do velho e nos revestimos do novo.
Se vocês olharem Colossenses 3:9-10, encontrarão o mesmo pensamento:
Não mintais uns aos outros; pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos,
e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem dAquele que o criou.
— Colossenses 3:9-10
Antes de tudo, em nossa vontade e no espírito do nosso entendimento, precisamos de uma atitude mental. Precisamos de uma mente nova, renovada.
A mente renovada reconhece que o velho homem foi crucificado. Por que eu deveria me apegar àquelas roupas velhas? Eu já as tirei. Não quero viver como vivia antes. Não quero que o velho caráter continue comigo. Vou me despojar dele como de roupas velhas e vou me revestir de Cristo, o novo homem, com um novo caráter.
Essa deve ser a nossa atitude mental. O problema de muitos cristãos hoje é que não temos essa mente. Essa é a mente de Cristo. Essa é a mente renovada.
Uma mente renovada rejeita o que é do velho, porque não temos nada a ver com isso, e se reveste — isto é, põe em prática — de tudo o que é de Cristo, porque isso é nosso.
Com essa mente, vocês encontram tanto em Efésios quanto em Colossenses: revistam-se disto, despojem-se daquilo, façam morrer isto, revistam-se de compaixão, de amor e de coisas assim. Por quê? Porque, primeiro, em sua mente, vocês aceitaram aquilo em que foram instruídos a respeito da verdade.
À medida que vocês aceitam isso, há uma renovação em sua mente, e o Espírito Santo pode torná-lo realidade em sua vida.
O Senhor nos chama para Si. Lembrem-se: o Senhor não nos chama simplesmente para realizar uma obra. A obra virá depois.
Ele disse:
Vinde após Mim, e Eu farei que sejais pescadores de homens.
— Marcos 1:17
Ele não disse: “Venham e sejam pescadores de homens”. Não. Ele disse:
Vinde após Mim.
“Venham a Mim.”
Somente depois que nos achegamos a Ele e aprendemos dEle — isto é, aprendemos o Seu caráter e permitimos que o Seu caráter seja formado em nós como o nosso caráter — é que Ele diz:
Eu farei que sejais pescadores de homens.
A transformação está acontecendo hoje. Nós, que fomos regenerados, estamos sendo transformados. O que o Espírito Santo está fazendo hoje — aquilo em que o nosso Mestre está trabalhando em nós e conosco hoje — é esta área da transformação.
Éramos como lagartas feias, mas Ele vai nos transformar em belas borboletas. Porém, para isso, precisamos passar pelo processo de morte e ressurreição.
A lagarta feia entra no casulo, entra na morte, e então dali vem a ressurreição — uma bela borboleta. É uma metamorfose.
Esse processo é a obra mais essencial que o nosso Mestre está fazendo em nós hoje. A menos que Ele possa realizar essa obra em nós, queridos irmãos e irmãs, somos inúteis e inadequados para o uso do Mestre.
Isso não significa que Ele transforma a sua carne em espírito.
O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
Em outras palavras, o velho homem nunca mudará. A velha natureza nunca mudará. A carne nunca mudará.
Ela permanecerá para sempre, e Deus não tem a intenção de transformar a nossa carne em espírito. Transformação não significa que Ele transforma a sua carne em espírito ou converte Adão em Cristo. Não.
Adão precisa ser entregue à morte para que Cristo possa ressurgir em você. Isso é transformação.
Mais uma vez, vocês veem que é um processo gradual. É um processo doloroso. Exige disciplina. Exige exercício espiritual de sua parte.
Como Paulo disse a Timóteo:
Exercita-te a ti mesmo em piedade.
— 1 Timóteo 4:7
Ser semelhante a Ele, ser semelhante a Deus, exige exercício espiritual. Não é para os preguiçosos. Deus não pode usar pessoas preguiçosas. Lembro-me de que D. L. Moody chegou a dizer: “Deus não salva uma pessoa preguiçosa”.
Queridos irmãos e irmãs, estamos na escola de Cristo. O nosso Mestre está realizando a maior obra do mundo.
O problema é que o nosso pensamento está sempre no trabalho, trabalho, trabalho. Mas a maior obra que o nosso Mestre está realizando hoje é transformar você e conformá-lo à Sua própria imagem.
Mas, muitas vezes, não permitimos que Ele realize essa obra porque estamos ocupados demais trabalhando para Ele.
Nesta noite, gostaríamos de considerar as chamadas bem-aventuranças e ver como o nosso Senhor Jesus não apenas deseja formar, mas forma o Seu próprio caráter em nós.
Vocês sabem, o chamado Sermão do Monte é muito mal interpretado. Se tomarmos o Sermão do Monte como lei — uma nova lei —, então estamos perdidos.
O Sermão do Monte não é uma nova lei. É simplesmente uma descrição daquilo que o nosso Mestre pode fazer de nós.
O Sermão do Monte não é uma exigência de Deus sobre nós como seres humanos. Se as pessoas não conseguem guardar os Dez Mandamentos, como poderão guardar o Sermão do Monte?
O Sermão do Monte é simplesmente uma declaração que nos diz o que Ele pode nos levar a ser, se a nossa vida estiver verdadeiramente entregue ao Mestre.
Portanto, nas chamadas bem-aventuranças, Ele não está tratando de uma questão de conduta; está tratando de uma questão de caráter.
O Senhor não diz: “Bem-aventurados são vocês se, às vezes, são pobres”. Ele diz:
Bem-aventurados os pobres de espírito.
Ele não diz: “Bem-aventurados são vocês se, às vezes, demonstram mansidão”. Ele diz:
Bem-aventurados os mansos.
Ele não está falando de conduta, de como você deve se comportar ou de como deve mudar o seu comportamento. Ele está interessado em transformar você e conformá-lo à Sua própria imagem.
Bem-aventurados os pobres de espírito: porque deles é o reino dos céus.
— Mateus 5:3
Alguém disse que a pobreza de espírito é o primeiro princípio do reino. Acho que foi Campbell Morgan quem disse que frequentemente ouvimos pessoas nos dizerem como ser cheios, mas será que alguma vez ouvimos pessoas nos dizerem como ser esvaziados?
Frequentemente ouvimos mensagens destinadas a fortalecer o nosso ego, a nos tornar importantes. Mas será que ouvimos mensagens que nos reduzem a nada?
Bem-aventurados os pobres de espírito.
Os pobres de espírito não são simplesmente os espiritualmente pobres.
Agora, o Senhor Jesus olhou para os Seus discípulos e disse:
Bem-aventurados os pobres de espírito.
Os discípulos eram pobres de espírito?
Olhem para o nosso Senhor Jesus. Em Filipenses 2, somos informados de que Ele era igual a Deus. Ele estava na forma de Deus.
A palavra grega forma não significa aparência exterior; significa qualidade interior. Em outras palavras, em essência, Ele é Deus.
Isso não era algo de que Ele precisasse Se apoderar ou que precisasse tomar à força. Era Seu direito; era Seu direito de nascimento, porque Ele é, em essência, igual a Deus. Ele é Deus. Tudo o que Deus é, Ele é — nada menos e nada mais.
Em essência, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos iguais. Não há necessidade de competir, não há necessidade de tomar à força e não há necessidade de usurpar.
Contudo, Ele esvaziou a Si mesmo. Ele era tão rico que pôde fazer-Se pobre por nós.
É claro que Ele não poderia Se esvaziar de Sua divindade; isso é impossível. Mas Ele Se esvaziou da glória, da posição, do esplendor, da adoração, da honra e de todas as coisas que acompanham a divindade.
Ele esvaziou a Si mesmo e tomou a forma de escravo. A palavra forma é a mesma usada quando se diz que Ele estava na forma de Deus. Não era simplesmente uma aparência exterior de escravo; era a realidade interior de um escravo.
Durante toda a Sua vida, Ele foi escravo de Deus por amor — de boa vontade e voluntariamente. Em nenhum momento Ele procurou afirmar a Si mesmo.
Vocês veem que Ele sempre dizia:
Eu não posso de Mim mesmo fazer coisa alguma.
Se Ele fazia alguma coisa, era porque via o Seu Pai fazê-la. Se dizia alguma coisa, era porque ouvia o Seu Pai dizê-la.
O vosso tempo sempre está pronto, mas o Meu tempo ainda não chegou.
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Durante toda a vida do nosso Senhor Jesus, Ele foi um escravo por amor, na forma de escravo. Contudo, Ele assumiu a semelhança dos homens. Tornou-Se um homem como nós, exceto pelo fato de que não tinha pecado.
Sendo encontrado em figura de homem, Ele assumiu a posição de homem diante de Deus. Humilhou a Si mesmo e tornou-Se obediente até a morte, e morte de cruz.
Queridos irmãos e irmãs, qual é a glória de Deus? A glória de Deus é ordenar. Qual é a glória do homem? A glória do homem é obedecer.
O nosso Senhor Jesus era pobre de espírito. Ele Se esvaziou de toda importância própria, de toda autoafirmação, de toda busca de interesses próprios e de toda reivindicação de direitos próprios. Ele Se esvaziou de Si mesmo.
Ele foi obediente até a morte, e morte de cruz. Esse é o caráter de Cristo, e Ele deve formar o Seu caráter em nós.
Queridos irmãos e irmãs, somos naturalmente orgulhosos. Temos muito pouco e, no entanto, nos sentimos tão ricos. O espírito de Laodiceia é natural em nós.
O nosso velho caráter, o caráter de Adão, é tão contrário ao caráter de Cristo. Como procuramos nos impor! Como insistimos nos nossos direitos! Como nos consideramos importantes!
Pensamos que podemos fazer isso — com a ajuda de Deus. Muito bem, Ele permitirá que você faça isso até bater contra a parede e quebrar o pescoço. Então você vem a Ele e diz: “Eu não consigo. Eu não sou nada”. Então Ele fará.
Os doze estavam ao redor do Mestre. O espírito do Mestre era tão humilde, mas olhem para o espírito dos Seus discípulos.
Vocês se lembram de quando o nosso Senhor Jesus estava a caminho de Jerusalém. Ele ia da Galileia para a Judeia e passaria por aldeias de Samaria. Enviou os Seus discípulos à Sua frente para preparar o caminho.
Mas os samaritanos, vendo que o nosso Senhor ia para Jerusalém, não quiseram recebê-Lo por causa de sua hostilidade aos judeus — não ao Senhor em particular, mas aos judeus em geral.
Então os dois filhos do trovão vieram ao Senhor e disseram: “Senhor, essas pessoas não querem Te receber. Queres que mandemos descer fogo do céu e as consumamos?”
Eles pareciam ter grande fé. Acreditavam que, se pedissem fogo, o fogo desceria e consumiria aquelas pessoas.
Mas o Senhor disse:
Vós não sabeis de que espírito sois.
— Lucas 9:55
O Senhor estava indo para Jerusalém no espírito do Cordeiro, para ser sacrificado. Mas o espírito dos discípulos era exatamente o contrário — não sacrificar a si mesmos, mas sacrificar outras pessoas.
Queridos irmãos e irmãs, é isso que somos naturalmente. Precisamos nos despojar do velho homem. Precisamos nos revestir do novo homem, do caráter de Cristo.
É por meio da disciplina que somos levados a enxergar a nós mesmos na Sua luz. Isso nos humilha, mas nos liberta de nós mesmos.
Às vezes, sentimos muita simpatia por Pedro. Acho que Pedro era o tipo de pessoa que realmente empolgava os outros. Era uma pessoa tão franca, tão extrovertida. Falava sem pensar, e sua intenção parecia ser sempre muito boa.
No entanto, de todos os discípulos, ele foi aquele com quem, pelo que consta no relato, o Senhor mais tratou. O Senhor chegou a voltar-Se para ele e dizer:
Para trás de Mim, Satanás.
Sentimos simpatia por ele. Mas, queridos irmãos e irmãs, se você consegue suportar a disciplina, se permanecer com o Mestre apesar de ser constantemente disciplinado, você será um líder.
No dia de Pentecostes, Pedro se levantou com os onze.
Em outra ocasião, os discípulos encontraram alguém expulsando demônios em nome do Senhor, mas ele não os acompanhava. Perguntaram: “Devemos proibi-lo?”
Que tipo de espírito é esse? O Senhor disse:
Não o proibais: porque quem não é contra vós é por vós.
— Lucas 9:50
A primeira lição que precisamos aprender na área do caráter é esta pobreza de espírito. Se ainda sentimos que somos importantes, se ainda sentimos que podemos fazer, se ainda sentimos que somos alguém, se sentimos que somos ricos, queridos irmãos e irmãs, ainda não aprendemos a primeira lição do reino.
Bem-aventurados os pobres de espírito: porque deles é o reino dos céus.
— Mateus 5:3
É somente com pobreza de espírito que você terá poder e autoridade. Com essa pobreza de espírito, você é capaz de transmitir Cristo a outras pessoas.
Bem-aventurados os que choram: porque eles serão consolados.
— Mateus 5:4
O nosso Senhor Jesus não era uma pessoa de humor instável, pessimista, melancólica ou antissocial. Na verdade, Ele foi criticado por ser amigo dos pecadores, por comer e beber com eles. O nosso Senhor Jesus era muito acessível.
No entanto, vocês não encontram nas Escrituras, nos Evangelhos, um registro de que Ele tenha rido. Agora, não estou dizendo que Ele nunca riu. Pelo contrário, creio que riu, porque Deus tem senso de humor. Mas as Escrituras nunca registram isso.
Isso não significa que Ele fosse uma pessoa triste. Não, Ele era cheio de alegria. A Sua alegria era tão plena que, na noite em que seria traído, Ele disse que a Sua alegria poderia estar nos Seus discípulos.
No entanto, a Bíblia registra que Ele chorou.
Jesus chorou.
Ele era um Homem de dores, experimentado no sofrimento.
Ele estava em tão plena sintonia com Deus e tinha tanta compaixão pelos homens. Quando via as pessoas como ovelhas sem pastor, o Seu coração se comovia por elas.
Ó Jerusalém, Jerusalém!
Bem-aventurados os que choram: porque eles serão consolados.
— Mateus 5:4
Esse é o caráter do nosso Senhor Jesus. O que Ele deseja formar em nós? Certamente, Ele não quer que sejamos o tipo de pessoa que anda por aí de cara amarrada. Não, Ele quer que sejamos alegres.
Mas o que Ele verdadeiramente deseja formar em nós é um espírito quebrantado e contrito.
Mas para este olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da Minha palavra.
— Isaías 66:2
Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado:
a um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.
— Salmos 51:17
O que Ele deseja formar em nós é um espírito aflito e contrito, que treme diante da Sua palavra. Os sacrifícios para Deus são um espírito quebrantado e contrito, e um coração assim Ele não desprezará.
Queridos irmãos e irmãs, temos um espírito arrependido? O arrependimento é mais do que um ato que praticamos de vez em quando. O arrependimento é um espírito.
Estamos sempre em um espírito de arrependimento, um espírito arrependido e contrito, quebrantado diante de Deus? Ou somos tão duros, tão cheios de justiça própria?
Por sermos tão cheios de justiça própria e tão duros, nos tornamos tão críticos. Vemos o argueiro no olho do nosso irmão, mas não conseguimos ver a trave no nosso próprio olho.
Não somos compassivos, não nos sensibilizamos com os outros. Choramos pelos nossos próprios pecados? Estamos conscientes dos pecados deste mundo?
O nosso coração se quebranta quando vemos como Deus está sendo ofendido? O nosso coração se quebranta quando vemos como o mundo está corrompido? Temos a compaixão de Deus pelo mundo?
Queridos irmãos e irmãs, quem pode realmente ministrar Cristo é aquele que tem um espírito quebrantado. Se o seu espírito não é quebrantado, você é como um vaso que nunca foi rachado, e o tesouro dentro de você — o resplendor desse tesouro — nunca poderá brilhar para fora.
A menos que sejamos quebrantados, não podemos ministrar como devemos. Um espírito quebrantado produz um espírito suave, um espírito compassivo. Com esse espírito, podemos servir; com esse espírito, podemos ministrar Cristo.
Os discípulos não tinham esse tipo de espírito antes. Lembram-se de Pedro? Ele veio ao Senhor e disse: “Meu irmão peca contra mim sete vezes, e eu o perdoo. Isso é suficiente, Senhor?”
Ele estava tão cheio de justiça própria. Mas o Senhor disse:
Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete.
Queridos irmãos e irmãs:
Bem-aventurados os que choram: porque eles serão consolados.
— Mateus 5:4
Bem-aventurados os mansos: porque eles herdarão a terra.
— Mateus 5:5
O que é mansidão? Nas Escrituras, a mansidão parece estar sempre ligada à humildade ou à gentileza.
Em Mateus 11:29, o Senhor disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim; porque sou manso e humilde de coração.
— Mateus 11:29
Em 2 Coríntios 10:1, Paulo diz:
Ora, eu mesmo, Paulo, vos rogo pela mansidão e benignidade de Cristo.
— 2 Coríntios 10:1
Portanto, a mansidão parece estar sempre ligada à humildade ou à gentileza. O que isso significa?
Como um irmão expressou, significa não resistir a Deus e não impor a própria vontade aos homens.
Em outras palavras, diante de Deus não há resistência, não há discussão; há completa rendição. Seja qual for a vontade do Pai, é isso que importa.
E, diante dos homens, não há imposição da própria vontade. Isso é mansidão.
Não somos naturalmente mansos. Mansidão não é fraqueza. Algumas pessoas tentam confundir as duas coisas. Algumas pessoas pensam que, se você é manso, então é fraco. Não é assim.
Moisés é chamado de o mais manso de todos os homens. Como vocês podem pensar em Moisés como o mais manso de todos os homens? Nenhum artista retrataria Moisés como um homem fraco.
As pinturas e estátuas de Moisés, o legislador, retratam-no como um homem viril e forte, quase capaz de esmagar a todos. Contudo, Deus diz que ele era o mais manso de todos os homens.
Ele não era fraco em nenhum sentido, mas era manso. Em que sentido? Diante de Deus, não havia resistência. Diante dos homens, não havia imposição da própria vontade.
Quando o povo se rebelou contra ele, ele se prostrou diante de Deus em favor do povo. Não retrucou. Simplesmente levou o povo a Deus. Isso é mansidão.
Queridos irmãos e irmãs, esse é o caráter de Cristo, do nosso Mestre, e Ele deseja reproduzir esse caráter em você e em mim.
É preciso tanta morte e ressurreição para realizar isso. Estamos dispostos a pagar o preço?
O mundo não admirará os mansos, mas são os mansos que herdam a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça: porque eles serão fartos.
— Mateus 5:6
Certamente, isso é verdadeiro a respeito do nosso Senhor Jesus. Salmos 45:7 profetiza a respeito do nosso Senhor Jesus:
Tu amas a justiça e odeias a impiedade:
por isso Deus, o Teu Deus, Te ungiu
com óleo de alegria, mais do que a Teus companheiros.
— Salmos 45:7
Para o nosso Senhor Jesus, fazer o que era certo não era simplesmente uma ação. Para o nosso Senhor Jesus, a justiça era caráter. Ele sempre fazia a coisa certa. Sempre fazia o que era certo aos olhos do Seu Pai.
Por isso, Ele podia dizer que o Seu Pai nunca O havia deixado, porque Ele sempre fazia as coisas que Lhe agradavam. Ele é o Justo.
Queridos irmãos e irmãs, temos fome e sede de justiça?
A Bíblia diz:
Buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
— Mateus 6:33
O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Quanto o Espírito de Deus precisa purificar a nossa consciência para que possamos desenvolver um caráter de justiça!
A nossa consciência é muito importante. É verdade que, em uma pessoa não salva, a consciência pode não ser confiável, porque não há um padrão verdadeiro. Deus não é o padrão da consciência dessa pessoa; os costumes, as circunstâncias e o conhecimento tornam-se o padrão.
Mas, depois que somos salvos, a consciência do nosso coração é purificada pelo precioso sangue. Temos uma consciência sem ofensa, uma consciência limpa.
Queridos irmãos e irmãs, precisamos viver diante de Deus com uma consciência limpa. Se perdermos a nossa consciência, será como um naufrágio.
Vocês sabem, muitos crentes não prestam atenção à sua consciência. O Espírito Santo toca a nossa consciência para nos mostrar algo que parece certo, mas é errado aos olhos de Deus.
Seguimos a nossa consciência? Andamos de acordo com Deus? Somos justos — não apenas fazendo as coisas certas de vez em quando, mas vivendo de maneira justa?
Temos fome e sede de justiça?
Muitas vezes, fazemos coisas que julgamos certas, mas que não são certas aos olhos de Deus. Como precisamos do precioso sangue!
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça.
— 1 João 1:9
Bem-aventurados os misericordiosos: porque eles alcançarão misericórdia.
— Mateus 5:7
O nosso Deus é um Deus misericordioso. Vocês se lembram de Êxodo 34: depois que os filhos de Israel pecaram contra Deus, Moisés subiu ao monte, e Deus declarou o Seu nome.
O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-Se, e abundante em benignidade e verdade.
— Êxodo 34:6
Esse é o nosso Deus. Quando o nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele disse que Deus deseja misericórdia, e não sacrifício. Como Ele demonstrou misericórdia às pessoas!
Aquela mulher apanhada em adultério foi levada à Sua presença pelos fariseus, aquelas pessoas cheias de justiça própria. Disseram: “Segundo a lei de Moisés, ela deve ser apedrejada. O que Tu dizes?”
O nosso Senhor Jesus nem sequer olhou para aquela mulher pecadora de modo a envergonhá-la. Ele inclinou a cabeça e escreveu no chão. Que Deus misericordioso!
Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes nos esquecemos de que Ele demonstrou tanta misericórdia para conosco.
Como na parábola que o Senhor contou, Pedro veio e disse: “Meu irmão peca contra mim sete vezes. Isso é suficiente?” O Senhor usou uma parábola para ensiná-lo: “Você, que recebeu tanta misericórdia, precisa perdoar. Precisa aprender a ser misericordioso”.
Bem-aventurados os misericordiosos: porque eles alcançarão misericórdia.
— Mateus 5:7
Bem-aventurados os limpos de coração: porque eles verão a Deus.
— Mateus 5:8
Vocês se lembram de Davi, em Salmos 51, de como ele orou: “Ó Deus, purifica-me. Dá-me um coração limpo”.
Mas aqui vocês encontram não apenas um coração limpo, mas um coração puro. Um coração limpo é um coração purificado de todos os pecados e de toda contaminação. Mas um coração puro é um coração indiviso, um coração inteiramente voltado para uma só coisa.
É um coração que não serve a dois senhores, um coração que busca a Deus com um olhar voltado para um único alvo. Isso é um coração puro.
Esse é o caráter do nosso Senhor. Ele é puro de coração. Nunca vê duas coisas; vê apenas uma — o Seu Pai. É tudo o que Ele vê.
Irmãos e irmãs, o nosso coração é puro? Como desejamos servir a dois senhores! Mas o Senhor disse que não podemos fazer isso.
Por que tantas vezes nos encontramos com uma mente dividida ou, no original, com uma alma dividida? Em outras palavras, gostamos disto e também gostamos daquilo. Às vezes, é muito difícil saber para onde ir.
Tiago disse: “Se vocês têm a mente dividida, purifiquem o coração”. O problema não está na sua mente; o problema está no seu coração. Se o seu coração for puro, a sua mente estará voltada para um único alvo.
Mas o Senhor disse:
Bem-aventurados os limpos de coração: porque eles verão a Deus.
Por quê? Porque eles têm apenas um alvo para o qual olhar.
Isso deve se tornar caráter. Você vê a Deus; isso é tudo o que você vê.
O nosso Senhor Jesus via a Deus. Ele via a Deus nos lírios dos vales. Via o Pai celestial nas aves. Via a Deus em toda parte, em todas as coisas.
Ah, como precisamos que esse caráter seja formado em nós!
Bem-aventurados os pacificadores: porque eles serão chamados filhos de Deus.
— Mateus 5:9
É claro que o nosso Senhor Jesus é o Pacificador. Ele é a nossa paz. Fez paz por nós com Deus e fez paz entre judeus e gentios. Removeu a inimizade e a parede de separação e nos colocou em um só Corpo.
Ele pagou um grande preço por isso. Ele quer que sejamos pacificadores.
Não podemos ser pacificadores se não temos paz com Deus e se não estamos em paz com os nossos irmãos e irmãs.
Muitas vezes, somos causadores de problemas, não pacificadores.
Uma coisa fica muito evidente quando vocês leem Gálatas 5. Frequentemente citamos a passagem de Gálatas 5:19-21:
Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: fornicação, impureza, lascívia,
idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, facções, dissensões, partidos,
invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas.
— Gálatas 5:19-21
Quando percorrem essa lista, o que vocês encontram? A maior parte dessas coisas está relacionada a causar problemas: ódio, contenda, ciúme, ira, disputas, conflitos e divisões.
Naturalmente, somos causadores de problemas. Mas, graças a Deus, Ele é capaz de nos transformar em pacificadores.
Os doze discípulos não tinham paz entre si. Repetidas vezes, o nosso Senhor precisou procurar estabelecer a paz entre eles. Até o fim, continuavam disputando uns com os outros sobre quem era o maior, fazendo manobras para superar o outro.
Mas, graças a Deus, Ele é capaz de nos transformar e nos tornar pacificadores, e eles serão chamados filhos de Deus.
Por fim:
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça: porque deles é o reino dos céus.
— Mateus 5:10
O nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, era tão diferente deste mundo porque não era do mundo. Por isso, o mundo O odiava.
O Senhor disse que, por não sermos do mundo, o mundo nos odiará. Seremos perseguidos.
Queridos irmãos e irmãs, se fizermos concessões, não seremos perseguidos. Mas, se seguirmos fielmente o Senhor, não poderemos evitar a perseguição. Por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.
Muitas vezes, procuramos evitar sofrimentos e perseguições fazendo concessões ao mundo, tornando-nos amigos do mundo e tentando nos conformar ao mundo.
O Senhor Jesus não tinha complexo de perseguição. Ele foi perseguido, mas nunca desenvolveu um complexo de perseguição.
Receio que alguns cristãos hoje não sejam perseguidos, mas tenham um complexo de perseguição.
Como precisamos que o Senhor nos transforme nesta área! Queridos irmãos e irmãs, nas chamadas bem-aventuranças, vocês encontram todas essas diferentes facetas do caráter.
É isso que o Mestre é, e Ele diz:
Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim; porque sou manso e humilde de coração: e encontrareis descanso para as vossas almas.
— Mateus 11:29
Então vocês encontrarão descanso na alma. Então serão felizes. “Bem-aventurado”, no original, significa feliz.
A razão pela qual não somos felizes é que não somos semelhantes a Ele. Se formos semelhantes a Ele, seremos verdadeiramente felizes. Esse é o verdadeiro segredo da felicidade.
Queridos irmãos e irmãs, mais uma vez queremos enfatizar isto: nenhuma dessas coisas é natural em nós.
Todas essas coisas precisam ser desenvolvidas pela operação do Espírito Santo.
À medida que voltamos o nosso coração ao Senhor, com o rosto descoberto, e contemplamos a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória segundo a Sua imagem, pelo Senhor, o Espírito.
Queridos irmãos e irmãs, nós não podemos fazer isso, mas Ele está fazendo — se apenas permitirmos.
Esse é o fundamento da liderança. A menos que Cristo seja formado em nós, não estamos aptos a ser líderes. Por quê? Porque não podemos transmitir Cristo.
Vamos orar?
Nosso Pai celestial, como nós Te louvamos e agradecemos por estares realizando uma obra tão maravilhosa, uma obra que vai além até mesmo do que podemos imaginar.
Pensamos que Tu nos salvaste, e isso é maravilhoso. Isso já está além da nossa compreensão. Contudo, Senhor, Tu estás aperfeiçoando a boa obra que já começaste em nós.
Ó, Tu estás nos transformando, conformando-nos à Tua própria imagem, para que Tu mesmo sejas manifestado até mesmo em nós.
Ó nosso Pai, como nós Te louvamos e agradecemos por essa obra gloriosa que estás realizando.
Senhor, queremos nos entregar às Tuas mãos e dizer: “Continua. Faz conosco tudo o que julgares necessário”.
Senhor, às vezes podemos clamar a Ti e dizer: “Senhor, para”. Mas não pares. Tu sabes que queremos que continues até que a Tua imagem seja refletida em nossa vida.
Ó Senhor, nós Te louvamos e agradecemos porque sabemos que essa é a Tua obra. Tu és plenamente capaz de realizá-la, e queremos que a realizes.
Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.