Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.
Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve.
Irmãos e irmãs, ao nos reunirmos aqui neste momento, nosso propósito é receber ajuda na área da liderança, tanto na igreja como na obra de Deus.
Antes de tudo, creio que reconhecemos que nenhum de nós é um gênio. Em outras palavras, se em qualquer outra vocação as pessoas precisam ser preparadas, será que nesta — a mais nobre e elevada de todas as vocações — podemos dizer que não precisamos de nenhum tipo de formação?
Talvez no mundo, em diferentes áreas de trabalho, existam gênios, mas certamente não no âmbito espiritual. Todos nós precisamos ser preparados. Todos nós precisamos de ajuda.
Creio que nos lembramos dos dois filhos de Arão, em Levítico 10, de como entraram no tabernáculo e ofereceram fogo estranho. Pensavam que sabiam como adorar a Deus, como servi-Lo. Saiu fogo do lugar santo, e eles foram consumidos.
Também podemos nos lembrar de Uzá, de como estendeu a mão para tocar na arca, pensando que estava fazendo o que era certo para Deus; e foi ferido de morte.
Servir a Deus é algo tão sagrado que realmente precisamos conhecer o caminho de Deus. E, mais do que isso, realmente precisamos conhecer o coração de Deus. Não é algo em que possamos tocar com nossa força natural, com a força da carne.
Precisamos ser vasos aptos para o uso do Mestre. É por essa razão que sentimos tão profundamente quanto todos nós precisamos ser preparados, receber ajuda, para que possamos realmente ser usados por Ele na obra que nos designa fazer.
Agora, se vocês lerem o Novo Testamento, verão que um dos títulos de nosso Senhor Jesus é o título de Mestre.
Segundo o Dicionário expositivo de palavras do Novo Testamento, de Vine, a palavra inglesa master, na Bíblia em inglês, traduz sete palavras gregas diferentes.
Ela significa um mestre, alguém que ensina. Significa o Senhor, um senhor, alguém que tem autoridade. Significa um déspota — não no sentido negativo, mas no sentido absoluto de alguém que possui plena autoridade. Significa um proprietário, um senhor. Significa um guia. Também significa um piloto. Significa um líder, um chefe.
Vemos que todos esses significados são traduzidos para o inglês como master. Um dos títulos de nosso Senhor Jesus é Mestre. Ele não é apenas nosso Professor, nosso Instrutor; Ele também é nosso Senhor, nosso Soberano, que tem autoridade absoluta sobre nós. Ele não é apenas nosso Mestre; Ele também é nosso Chefe, nosso Líder, nosso Guia, nosso Piloto. Ele é tudo.
Portanto, quando chamamos nosso Senhor Jesus de Mestre, isso realmente significa que Ele é tudo para nós e tem autoridade sobre nós em tudo. Estamos sujeitos a Ele de maneira absoluta.
Mateus 23:10 diz:
Um só é o vosso Mestre, o Cristo.
Temos apenas um Mestre, e Ele é Cristo.
É verdade que, na chamada Grande Comissão, encontramos estas palavras do Senhor:
Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações.
Fazer discípulos de quem? Somos discipulados para sermos discípulos de Cristo. Somente Ele é nosso Mestre. Somente Ele é qualificado para reproduzir em nós Sua imagem. Somente Ele é capaz de realizar as coisas por meio de nós.
É verdade que, às vezes, Deus usa pessoas para nos ajudar nessa questão do discipulado, mas precisamos nos lembrar de que elas são apenas canais. São apenas usadas por Deus para nos conduzir a Cristo, para nos ajudar a ser discipulados pelo único Mestre, nosso Senhor Jesus Cristo.
Paulo disse aos crentes de Corinto:
Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.
Mas ele seria o primeiro a nos dizer: “Não me imitem em nenhuma área em que eu não imite Cristo”. Na verdade, ele disse que não queria falar além do que devia, para que as pessoas não tivessem dele um conceito mais elevado do que aquilo que viam nele e ouviam dele.
Portanto, desde o início, queremos deixar bem claro que não nos reunimos aqui para sermos formados por homens. Nós nos reunimos aqui para sermos formados pelo único Mestre, nosso Senhor Jesus Cristo.
Ele pode usar homens para nos ajudar, mas eles são apenas canais. Não olhem para eles; olhem através deles, para Cristo.
Nos Evangelhos, vemos que nosso Senhor Jesus nos chama. Primeiro, Ele nos chama para irmos a Ele. Ele diz:
Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei.
Venham a Mim.
Ele disse aos judeus:
Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas mesmas que testificam de Mim.
Contudo, não quereis vir a Mim para terdes vida.
Portanto, Seu primeiro chamado é para que venhamos a Ele. Mas isso é apenas o começo.
Depois de nos chamar para irmos a Ele, Ele nos chama para segui-Lo e aprender Dele. Ir a Ele é para que recebamos descanso, vida eterna. É para nosso benefício. Mas segui-Lo é para sermos usados por Ele, e isso é para Seu benefício.
Portanto, realmente não basta apenas ir a Ele. Nós, que já fomos a Ele, precisamos segui-Lo.
Ao lerem os Evangelhos, vocês podem perceber que nosso Senhor Jesus veio a este mundo para toda a humanidade e que, ao ver as multidões, foi movido de compaixão. Ele Se entregou a elas sem reservas. Serviu-as a tal ponto que não tinha tempo nem para comer. Assim, nosso Senhor veio para as multidões.
Mas, quando a multidão ficava grande demais, vemos que muitas vezes nosso Senhor Jesus a dispersava. Se não conseguia mandá-la embora, dizia algumas palavras duras.
Vocês se lembram do que aconteceu depois que Ele alimentou os cinco mil com cinco pães e dois peixes? Ele tentou mandá-los embora. Até atravessou o mar para o outro lado, mas eles foram atrás Dele. Não queriam deixá-Lo.
Então o Senhor começou a dizer:
Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.
Depois que Ele disse essas palavras duras, muitos começaram a dizer:
Duro é este discurso; quem o pode ouvir?
A Bíblia diz que muitos de Seus discípulos O abandonaram.
Nosso Senhor até Se voltou para os doze e disse:
Quereis também vós retirar-vos?
Em outras palavras: “Se vocês quiserem, esta é a oportunidade. Não vou obrigá-los a ficar”.
Nosso Senhor nunca está em busca das massas. Ele está sempre procurando os poucos, porque Sua maneira de agir é alcançar as massas por meio de poucos.
Se Ele puder conquistar alguns, poderá alcançar os muitos. É assim que nosso Senhor sempre trabalha.
Ao percorrerem os Evangelhos, vocês verão que, logo no início, depois que nosso Senhor Jesus foi batizado por João Batista, alguns foram atraídos a Ele.
Então, depois que João Batista foi preso, Ele começou Sua obra na Galileia. Vemos muitas pessoas começando a afluir a Ele. Ele lhes ministrava, pregava a elas e fazia muitos discípulos.
Depois, quando as multidões se tornaram grandes demais, Ele começou a escolher dentre elas doze para estarem com Ele e, mais tarde, enviá-los para alcançar mais pessoas.
No início do ministério de nosso Senhor Jesus, vemos que Seu ministério era principalmente voltado às multidões. Mas, com o passar do tempo, percebemos que Ele foi gradualmente mudando o foco de Sua atenção. Em vez de passar mais tempo com as multidões, começou a passar mais tempo com alguns poucos.
Isso se torna especialmente evidente nos últimos dias de Seu ministério. Ele passou quase todo o Seu tempo com os poucos. É assim que nosso Senhor sempre trabalha.
Se foi assim que Ele trabalhou há dois mil anos, enquanto estava na terra, então é assim que Ele trabalha ainda hoje. Ele nunca trabalha direta e exclusivamente com as multidões.
Em certo sentido, Ele nunca rejeita as multidões. Ele as manda embora, mas nunca as rejeita. Seu objetivo final é alcançá-las, mas Sua maneira de alcançá-las é sempre por meio de poucos.
E é aí que entra a liderança. Ele levantará líderes. Ele formará líderes. Por meio desses líderes, alcançará os demais.
Ao examinarem a escolha dos doze apóstolos, vocês perceberão que, dentre todas aquelas pessoas, dentre as multidões que sempre se aglomeravam ao redor Dele e dentre os muitos discípulos que fez na fase inicial de Seu ministério, Ele escolheu apenas doze.
Ele os escolheu para estarem com Ele, para serem preparados de maneira especial e para serem Seus representantes, dando continuidade à Sua obra.
Se observarem esses doze homens, verão que nenhum deles era sábio, poderoso ou nobre.
Como Paulo disse em 1 Coríntios, Deus chamou vocês, mas vocês não eram sábios; eram os loucos. Não eram poderosos; eram os fracos. Não eram nobres; eram os comuns, os de origem humilde. Não eram pessoas com muitos talentos ou muitos bens. Vocês não eram nada.
Deus escolhe os fracos, os loucos, os de origem humilde, as coisas que não são nada. Por quê? Para que ninguém se glorie.
Portanto, na escolha dos doze, vemos que nenhum deles era nobre, poderoso ou sábio. Provavelmente, o mais sábio dentre os doze era Judas Iscariotes.
Judas Iscariotes — dizem que Queriote era um lugar na Judeia — era o único que vinha da Judeia. Todos os demais vinham da Galileia. Provavelmente, Judas era o mais esperto, o mais sábio dentre os doze, porque era astuto. Tornou-se ladrão. Vendeu o Senhor por trinta moedas de prata.
Cuidado com a sabedoria e a esperteza que vocês julgam ter em si mesmos.
Aqui encontramos Pedro e André. Eram pescadores. Não eram ricos. Não tinham instrução. O conselho judaico disse: “Esses homens são iletrados”. Em outras palavras, nunca tinham frequentado uma escola rabínica. Aos olhos dos fariseus e dos sacerdotes, eram homens sem instrução.
Pedro tinha um temperamento rude — era franco, extrovertido, mas rude, instável e impulsivo.
Seu irmão André era tranquilo, muito atento aos detalhes. Ele percebia coisas muito pequenas. No meio de cinco mil homens, conseguiu notar um menino com cinco pães e dois peixes. Creio que ele tinha um extraordinário interesse pelos detalhes.
Depois encontramos os dois filhos de Zebedeu, João e Tiago. Provavelmente, eram mais ricos que Pedro e André, porque sua família podia contratar empregados para ajudar no trabalho da pesca. Conheciam a família do sumo sacerdote e tinham alguns contatos.
Mas, ainda assim, eram homens sem instrução. E não apenas sem instrução: o Senhor lhes deu um apelido, chamando-os de filhos do trovão. Acho que as pessoas têm medo do trovão. Esses eram Tiago e João.
Tiago deve ter sido uma pessoa muito impetuosa. Como sabemos? Porque foi o primeiro a ser martirizado. João era uma pessoa muito introspectiva, meditativa, tranquila — muito intensa.
Depois temos Filipe. Que tipo de pessoa ele era? Vinha da mesma cidade de Pedro, Betsaida. Deve ter sido alguém que buscava respostas com muita sinceridade, mas que tinha uma mente muito prática.
Vocês se lembram de que, naquela noite antes de nosso Senhor Jesus ser traído, Filipe fez um pedido:
Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.
O Senhor disse:
Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não Me tens conhecido?
Quem Me vê a Mim vê o Pai.
Aqui vemos que esse homem era uma pessoa muito prática. Ver o Senhor não era suficiente; ele queria ver o Pai.
Depois havia Natanael, Bartolomeu — o verdadeiro israelita, uma pessoa honesta e boa.
Havia Mateus, Levi, o cobrador de impostos, alguém que buscava dinheiro e servia a estrangeiros contra seu próprio povo. Esse tipo de pessoa — o publicano — era desprezado pelos judeus.
E, junto deles, estava Tomé, o incrédulo Tomé. Parecia duvidar de tudo. Queria provas. Queria ver.
Não sabemos muito sobre Tiago, o Menor, ou sobre o outro Judas. Não sabemos muito a respeito deles. Mas sabemos de Simão, o Cananeu, chamado em outras versões de Simão, o Zelote. Ele pertencia ao grupo conhecido como zelotes — pessoas muito voltadas à política, muito nacionalistas naquela época.
E a lista terminava com Judas Iscariotes. Portanto, vemos que, dentre todos aqueles homens que nosso Senhor Jesus escolheu para serem Seus apóstolos, nenhum dos doze era nobre, sábio ou poderoso. Todos vinham das camadas mais baixas da sociedade, sem instrução, sem importância, desprezados pelo mundo. Ainda assim, o Senhor escolheu esses homens.
Agora, por quê? Se o Senhor fosse escolher pessoas por seus talentos naturais, capacidade natural, influência, poder, posição e assim por diante, certamente escolheria pessoas com essas qualidades, porque poderia começar com algo que já estivesse ali.
Mas não é assim que Deus faz as coisas. Ele não escolhe os que têm; escolhe os que não têm.
Aqui, irmãos e irmãs, o Senhor não escolhe ninguém por sua capacidade natural, por aquilo que possui em si mesmo. Se o fizer, corre um risco, porque aqueles que têm alguma coisa podem pensar que estão ajudando a Ele. Podem querer compartilhar Sua glória.
Portanto, em Sua sabedoria, Ele escolhe aqueles que não são nada. Se algum dia, irmãos e irmãs, vocês forem escolhidos, lembrem-se: é porque não são nada, e não porque são alguma coisa.
Por que Ele chama alguns e escolhe alguns? Na verdade, o chamado é universal. Ele abrange todos os que vieram a Ele.
É claro que o primeiro chamado, “Vinde a Mim”, é universal, dirigido ao mundo inteiro. Mas, depois que viemos a Ele, o segundo chamado, “Vinde após Mim”, é universal no sentido limitado de que se dirige a todos os que vieram a Ele.
Se vocês ainda não vieram a Ele, é claro que esse chamado não é para vocês. Vocês se lembram de que um escriba veio ao Senhor e disse:
Mestre, seguir-Te-ei para onde quer que fores.
O Senhor disse:
As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
Vocês sabem o que o Senhor estava dizendo: “Você ainda não veio a Mim, por isso não pode Me seguir”.
Mas havia outro discípulo que já tinha vindo a Ele. Ele disse: “Senhor, quero seguir-Te, mas permite-me primeiro ir sepultar meu pai”. O Senhor disse:
Segue-Me e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.
Portanto, o chamado para segui-Lo — isto é, para nos colocarmos sob Sua formação — é um chamado a todos os crentes.
Mas muitos são chamados; poucos são escolhidos. Quem são os escolhidos? Não os sábios, os poderosos e os nobres. Não, Ele não escolhe com base nisso.
Quem Ele escolherá? Aqueles que se entregam inteiramente a Ele. São esses que Ele escolhe.
Nosso Mestre exige apenas uma condição: a entrega total a Ele. Se não estamos inteiramente entregues a Ele, não somos Seus discípulos.
Nesses doze, com exceção de Judas, vemos que esses homens não eram nada em si mesmos. Na verdade, do ponto de vista humano, tinham muitos problemas. Mas o Senhor os escolheu mesmo assim. Por quê?
Apesar de tudo o que havia contra eles, encontramos uma coisa: eram pessoas inteiramente entregues ao Mestre.
Quando o Senhor chamou Pedro e André, eles deixaram tudo e O seguiram. Quando o Senhor chamou os dois filhos de Zebedeu, eles deixaram tudo e O seguiram. Quando o Senhor chamou Mateus, ele deixou a coletoria de impostos e O seguiu. Em outras palavras, esses homens responderam ao chamado do Mestre com uma entrega total.
Quando o Senhor Se voltou para eles e disse: “Quereis também vós retirar-vos?” — em outras palavras: “Vocês podem ir, se quiserem; não estou prendendo vocês” —, Simão Pedro disse:
Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna.
E nós temos crido e conhecido que Tu és o Santo de Deus.
Para onde podemos ir? Não temos como deixar-Te. Estamos inteiramente entregues a Ti, para a vida e para a morte.
Até mesmo Tomé, quando o Senhor disse: “Vamos, porque nosso amigo Lázaro dorme”, e os discípulos não entenderam, ouviu o Senhor dizer: “Lázaro morreu”. Vocês se lembram de Tomé dizendo:
Vamos também nós para morrermos com Ele.
Voltar à Judeia era perigoso naquele momento.
Apesar de todas as suas dúvidas, vemos que Tomé estava inteiramente entregue ao Senhor. É verdade que, quando o Senhor foi preso, todos se dispersaram. Isso é verdade; isso é fraqueza. Mas, ainda assim, vemos que eram pessoas inteiramente entregues ao Mestre.
Aqui, irmãos e irmãs, nosso Mestre é tão habilidoso que não procura um bom material. Ele pode transformar o pior material nos melhores vasos.
Ele é capaz de nos tornar aquilo que Deus determinou que fôssemos. Portanto, queridos irmãos e irmãs, isso realmente nos dá esperança.
Mas há uma condição: vocês precisam estar inteiramente entregues.
Nosso Mestre é habilidoso, mas Ele não trabalhará — e não pode trabalhar — com vocês se não estiverem inteiramente rendidos a Ele. Isso acontece porque Ele respeita nossa individualidade. Se vocês não quiserem que Ele toque em vocês, Ele não tocará.
Ele quer ter o consentimento de vocês, seu pleno consentimento, para fazer algo — reproduzir em vocês Sua imagem e realizar as coisas por meio de vocês. Mas Ele exige que vocês Lhe deem seu pleno consentimento. É isso que Ele exige.
Realmente não importa quem vocês são ou o que são. Ele é capaz de torná-los plenamente aquilo que pretende que sejam.
Ao percorrermos os Evangelhos, como vemos nosso Senhor formando os Seus? Nosso Senhor é um Mestre na arte de formar. Como Ele forma?
Nesta noite, gostaríamos de mencionar algumas coisas para nossa consideração. Primeiro: quando Ele escolheu os doze, Marcos 3 diz que os escolheu para estarem com Ele.
Ele os escolheu para serem apóstolos. A palavra apóstolo significa “enviado”. Ele os escolheu para enviá-los. Mas não os enviou imediatamente. Escolheu-os para que estivessem com Ele.
Portanto, a primeira coisa que fez com aqueles que escolheu foi estabelecer que deveriam estar com Ele.
Sabem, bem no início, quando Ele reuniu ao Seu redor alguns que criam Nele, encontramos em João 1 os dois discípulos de João Batista seguindo o Senhor. Eles vieram ao Senhor — André e, muito provavelmente, João — e trouxeram seus irmãos ao Senhor. Depois vieram Filipe e Natanael.
Evidentemente, naqueles primeiros dias, enquanto nosso Senhor Jesus viajava pela Judeia, essas pessoas O acompanhavam de vez em quando. Muito provavelmente, estavam com Ele quando nosso Senhor participou da festa de casamento em Caná. Estavam ali, mas não viajavam com Ele o tempo todo — apenas ocasionalmente.
Foi depois que João Batista foi preso, quando nosso Senhor Jesus começou Sua obra pública na Galileia, que Ele começou a chamar alguns discípulos para segui-Lo. Em outras palavras, não apenas para serem Seus companheiros de viagem de vez em quando, mas para estarem com Ele o tempo todo.
Assim, começaram a estar com Ele o tempo todo. Dentre essas pessoas, Ele escolheu doze para estarem com Ele dia e noite — para estarem com Ele.
Esse é o princípio da permanência, queridos irmãos e irmãs. Se queremos que nosso Mestre nos forme, que nos torne vasos aptos para Seu uso, a primeira coisa que precisamos fazer é estar com Ele.
Permitam-me dizer algo aqui. O ensino sobre o discipulado é bastante popular hoje em dia, mas percebo um perigo. O perigo é que, em vez de estarem com Ele, com Cristo, parece-me que as pessoas estão com homens.
Mas o primeiro princípio do discipulado é estar com Cristo — com Ele. Se as pessoas afastam vocês Dele para que fiquem com elas, há algo fundamentalmente errado.
Se querem ajudar vocês, devem ajudá-los a estar com Ele, com Cristo.
É por isso que, quando as pessoas procuram vocês em busca de ajuda, vocês devem encaminhá-las ao Senhor, em vez de resolver tudo por conta própria. Elas vêm a vocês; não vêm a Ele.
Se vocês não permanecerem Nele, não fizerem Nele sua morada, não ficarem com Ele — não de vez em quando, mas constantemente —, Ele não poderá trabalhar com vocês e em vocês.
É por isso que tantas vezes falhamos: porque nosso andar com Ele é intermitente, não é firme, não é constante. Não permanecemos Nele.
Permanecer é o primeiro princípio do discipulado. Se ficarmos com Ele, então Ele poderá nos ensinar, nos instruir e realizar Sua obra em nós.
Essa é uma exigência absoluta para o discipulado. Portanto, irmãos e irmãs, será que realmente permanecemos Nele em nossa vida diária?
Não se trata apenas de passarmos tempo com Ele, lendo a Palavra e orando. Mesmo em nosso andar diário, vivemos sempre em Sua presença? Fazemos sempre Nele nossa morada? Estamos sempre com Ele, de modo que, a qualquer momento e em qualquer lugar, Ele possa nos ensinar, nos instruir e fazer algo em nós?
Permanecer é o primeiro princípio pelo qual Ele trabalha.
É verdade que permanecer Nele, fazer Nele nossa morada, é, em certo sentido, uma experiência gloriosa. Mas, em outro sentido, é uma experiência terrível.
Pensem em fazer sua morada em Cristo, e vocês descobrirão como são diferentes Dele. Perceberão como esse ambiente é estranho à sua carne. Às vezes, acharão Sua presença insuportável. Mesmo que Ele não diga nada, vocês sentem isso.
É por isso que, depois de Pedro ter andado com o Senhor por algum tempo, atendendo ao Seu chamado, quando o Senhor foi à cidade de Pedro, Cafarnaum, Pedro saiu para pescar durante a noite e não apanhou nada.
Quando o Senhor fez um milagre na manhã seguinte, enchendo seu barco de peixes, Pedro se prostrou diante do Senhor e disse:
Retira-Te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.
“Não sou digno. Isso é demais para mim. Não acho que vou conseguir.”
Mas o Senhor disse:
Não temas; de agora em diante serás pescador de homens.
Em outras palavras: “Você não pode, mas Eu farei. Eu sou capaz. Eu escolhi você; apenas fique Comigo. Isso é tudo o que precisa fazer”.
Queridos irmãos e irmãs, isso é permanecer.
O segundo ponto: o Senhor ensinava Seus discípulos por meio do ver e do ouvir.
Esses doze homens eram como crianças pequenas. Foram chamados para estar com o Senhor, com aquela Pessoa tão maravilhosa — uma Pessoa como vocês nunca viram neste mundo, nem sequer imaginaram que pudesse existir. Mas esses homens foram chamados para estar com essa Pessoa dia e noite.
Eles deveriam aprender dessa Pessoa vendo-O e ouvindo-O. Usavam os olhos e os ouvidos como crianças pequenas.
Quando uma criança nasce neste mundo maravilhoso, tudo lhe é estranho e tudo é fascinante. Ela usa os olhos, procurando ver tudo o que pode, e procura ouvir tudo o que pode, para assimilar todas essas coisas.
Era isso que acontecia quando esses doze estavam com o Senhor. Por meio dos olhos e dos ouvidos, enquanto estavam com Ele, viam o Senhor fazer muitas coisas. Ouviam o Senhor dizer muitas coisas.
Eles não apenas viam o que o Senhor fazia e ouviam o que o Senhor dizia; também O observavam. Olhavam para Ele. Tomavam-No como modelo. Começaram a aprender Dele vendo e ouvindo.
Estar sob esse Mestre não é simplesmente como ir a uma escola, a uma escola rabínica, para receber formação. Depois vocês se formam numa escola rabínica, conhecem a lei segundo a tradição e pensam que sabem.
Não é nesse tipo de escola de formação que vocês entram quando se colocam sob o Mestre. Vocês são como um aprendiz dos tempos antigos. Deixam tudo e ficam com Ele dia e noite — não apenas procurando aprender Sua habilidade, mas procurando conhecê-Lo: a maneira como ensinava, a maneira como fazia as coisas.
É assim que aprendemos. É assim que Ele nos forma: vendo e ouvindo.
Mas, queridos irmãos e irmãs, provavelmente vocês diriam: “No caso dos doze, o Senhor estava ali com eles, então podiam ver e ouvir. Mas Ele já não está conosco hoje. Ele foi embora; está ausente. Onde podemos vê-Lo? Como podemos ouvi-Lo?”
Irmãos e irmãs, vocês sabem a resposta: pelo Espírito Santo que habita em nós. Se vocês permanecerem Nele, Ele certamente nos fará ver e ouvir. Se vocês não veem nem ouvem, isso simplesmente demonstra que não permanecem Nele.
Como isso é triste. O cristianismo de hoje é tão exterior. Tudo se torna exterior. Vocês ouvem e veem homens, mas não ouvem nem veem a Ele — Cristo.
Vocês recebem conselhos de homens. Quando têm um problema, procuram um homem: “Mestre, o que posso fazer? O que devo fazer?” Mesmo que vocês não tenham nenhum problema, ele criará um problema para vocês e depois dirá: “Façam isto”.
Mas vocês O ouvem? Vocês O veem? Muitas coisas que fazem por ordem dos homens podem estar certas, mas vocês não O veem nem O ouvem. Irmãos e irmãs, isso é obra morta. Não há valor espiritual nisso. Não permanecerá para a eternidade.
Vocês precisam vê-Lo. Vocês precisam ouvi-Lo.
Se permanecermos Nele, o Espírito Santo nos fará vê-Lo e ouvi-Lo. Não é isso que o Espírito Santo vem fazer? Não é essa Sua obra em nós? Por que Ele estaria em nós, permanecendo conosco, sem jamais nos deixar nem nos abandonar?
Se vocês lerem João 14–16, verão que, sempre que o Senhor Jesus mencionava o Espírito da verdade, o outro Consolador, Aquele que viria, dizia: “Ele estará em vocês. Ele lhes revelará. Ele tomará do que é Meu e lhes trará à memória. Ele Me glorificará”.
Em outras palavras, Ele dará testemunho de Mim. Ele fará com que vocês Me vejam e Me ouçam. Irmãos e irmãs, é assim que Ele formará vocês. Vocês O ouvirão. Vocês O verão.
É claro que hoje não é com nossos olhos naturais. Temos um olho muito melhor — o olho do espírito. Não é com nossos ouvidos físicos; temos um par de ouvidos melhor.
É por isso que existem duas coisas muito fundamentais. Uma é a revelação; a outra é o rhema.
Precisamos de revelação, e revelação é ver. Precisamos de rhema, e rhema é ouvi-Lo.
O Espírito de Deus hoje é o Espírito de revelação. Em outras palavras, Ele nos revelará Cristo. Em nosso espírito, podemos vê-Lo. Podemos ver Suas obras.
Todos nós já tivemos essas experiências. Quando viemos a Cristo pela primeira vez, foi assim que viemos.
Aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim.
Vocês O veem e, por causa disso, são salvos.
Irmãos e irmãs, precisamos de revelação, e o Espírito Santo que habita em nós nos dá essa revelação.
Vocês podem estar lendo a Palavra de Deus, lendo sobre o que o Senhor fez. Por exemplo, Romanos 6:6:
Nosso velho homem foi crucificado com Ele.
Vocês podem ler isso cem vezes, mas, se não enxergarem essa realidade, não mudam. Não há transformação.
Mas, quando o Espírito Santo abre seus olhos interiores e vocês começam a ver, a revelação lhes chegou. Graças a Deus, vocês não precisam se levar à morte, porque estavam ali, há dois mil anos, Nele. Quando enxergam isso, Sua obra se torna viva. Estão entendendo?
O mesmo acontece com o ouvir. Vocês O ouvem? É verdade que temos aqui o logos. Esta é a verdade, nada além da verdade, toda a verdade. Mas vocês precisam de rhema.
Deus falou; está escrito. Mas vocês precisam que Ele lhes fale pessoalmente, interiormente, de maneira viva e nova. Quando vocês O ouvem, Ele diz:
As palavras que Eu vos tenho dito são espírito e são vida.
É assim que Ele nos formará. Mais uma vez, queridos irmãos e irmãs, Deus pode levantar algumas pessoas para ajudá-los, e damos graças a Deus por elas. Mas elas só podem ajudá-los a se aproximar do Senhor, para que vocês possam ouvi-Lo e vê-Lo.
Elas não devem afastar vocês do Senhor para que as ouçam e as vejam.
Graças a Deus, hoje podemos ouvi-Lo e podemos vê-Lo. A revelação e o rhema estão presentes entre nós hoje. Por quê? Porque o Espírito da verdade está em nós.
Em terceiro lugar, há algo que se exige de nossa parte. O Senhor disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim.
Aqui encontramos a expressão “aprendei de Mim”. Aprender significa ser formado, ser discipulado, ser transformado, ser semelhante a Ele.
Não poderemos aprender Dele se não tomarmos sobre nós Seu jugo.
O que é um jugo? Um jugo é uma barra de madeira colocada sobre o pescoço de um animal — um boi, um cavalo ou uma mula — para que o agricultor possa arar sua terra. O jugo é colocado no pescoço do animal e ligado a um arado. O agricultor coloca uma mão no arado para guiá-lo e, na outra, segura algo para manter o animal no rumo certo.
O Senhor disse: “Meu jugo”. Em certo sentido, nosso Senhor Jesus nunca esteve sob jugo algum. Ele era uma novilha vermelha. Vocês se lembram de que se apresentava uma novilha vermelha que nunca havia estado sob qualquer jugo. Ela fala de nosso Senhor. Ele nunca esteve sob nenhum jugo de pecado. Nunca esteve em escravidão.
Mas, em outro sentido, Ele sempre esteve sob um jugo. Por quê? Porque, quando Se esvaziou, tomou sobre Si a forma de servo.
Qual era Seu jugo? Seu jugo era a vontade do Pai. A vontade do Pai era como um jugo colocado sobre Ele.
De boa vontade, voluntariamente, com humildade, mansidão e singeleza, Ele tomou sobre Si esse jugo e permitiu que ele O governasse.
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
“Eu nada posso fazer de Mim mesmo. Se faço alguma coisa, é porque vi Meu Pai fazê-la. Não posso dizer nada por Mim mesmo; digo porque O ouvi dizer.”
Em outras palavras, até mesmo quanto ao Seu tempo — “Meu tempo ainda não chegou” —, Ele não podia ir a qualquer lugar, a qualquer momento, fazer qualquer coisa ou dizer qualquer coisa por conta própria. “Estou sob o jugo da vontade do Pai.”
Como Ele era manso e humilde. Nenhuma resistência, nenhuma luta, nenhum protesto, nenhuma murmuração — obediência absoluta, até a morte, sim, a morte de cruz.
O Senhor disse: “Se vocês querem aprender de Mim, tomem sobre vocês Meu jugo”. Aqui está um jugo com duas curvas. De um lado, o pescoço de nosso Senhor é colocado debaixo dele; do outro, um animal não domado é colocado sob o mesmo jugo.
Quando começam a arar, vemos que esse animal não domado tem vontade própria e quer fazer as coisas à sua maneira. Ele se rebela. Ele luta. Não está contente com aquilo. Tenta se desviar do caminho, buscando seu próprio interesse.
Mas, enquanto tenta fazer isso, descobre que há outra força ao seu lado que o mantém no rumo certo. Aquele que já foi quebrantado é mais forte.
Depois de agir assim por algum tempo e de sofrer o suficiente, ele é quebrantado. Deus pode usar esse animal para arar Seu campo e realizar Sua obra.
Queridos irmãos e irmãs, todos nós somos pessoas não quebrantadas. Precisamos ser quebrantados. A única maneira de sermos quebrantados é tomar sobre nós o jugo de Cristo.
Isso não é natural para nós, mas é assim que aprendemos Dele.
Quando Deus nos coloca sob esse jugo, nós lutamos. Damos coices contra os aguilhões. Mas lembrem-se Dele. Olhem para Ele.
Sempre que vocês começarem a lutar, reclamar, murmurar e se rebelar, voltem os olhos para Ele. Como Ele é manso e humilde. Isso nos quebrantará.
Vocês passarão por algumas dificuldades, sem dúvida. Mas, graças a Deus, é por meio desse processo que serão quebrantados. Ele está sempre do outro lado do jugo.
Vocês não estão sozinhos sob o jugo. Não é o jugo de vocês; é o jugo Dele. Vocês estão unidos a Ele, sob Seu jugo. Muito em breve, vocês serão amansados e encontrarão descanso para a alma.
Queridos irmãos e irmãs, estamos dispostos a nos colocar sob o jugo de Cristo, a compartilhar o jugo com Ele?
Isso nos levará à experiência de negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e segui-Lo. É o jugo Dele, a nossa cruz.
É assim que aprendemos Dele. É assim que desaprendemos a nós mesmos e aprendemos Cristo. É assim que a transformação acontecerá.
Portanto, irmãos e irmãs, nós nos reunimos aqui neste momento com um propósito: nos colocarmos inteiramente sob nosso Mestre.
Queremos aprender Dele. Cremos que Ele está tão desejoso de nos formar quanto estava de formar os doze. Cremos que não somos nós, em nós mesmos, que temos capacidade, mas que Ele é plenamente capaz de nos tornar aquilo que, desde o princípio, na eternidade, determinou que fôssemos.
É verdade que somos todos diferentes, e Ele não nos tornará iguais. No entanto, cada vaso será conduzido ao pleno cumprimento de seu propósito.
É isso que nosso Mestre pode fazer. Portanto, olhemos para Ele e nos preparemos, nos abramos, durante estes poucos dias em que estaremos juntos.
Lembrem-se o tempo todo: não são os homens que estão formando vocês. Vocês são sagrados demais para que os homens toquem em vocês dessa maneira. O Espírito Santo reserva esse direito para Si mesmo.
Mas os homens podem ser usados por Ele para ajudá-los, para apontar-lhes o caminho até Ele, para ajudá-los a permitir que Ele trabalhe em vocês. Isso é tudo o que os homens podem fazer. Mas a obra é feita por Ele.
Vamos orar?
Ó Pai celestial, ao nos reunirmos aqui nesta noite, Tu conheces nosso coração. Reconhecemos que estamos aqui porque Tu nos escolheste. Nós não Te escolhemos, Senhor; Tu nos escolheste.
Tu nos escolheste não por causa do que temos, mas porque não temos nada.
Ó, nós Te louvamos e Te agradecemos. Tu és esse Mestre que pode fazer muito além daquilo que podemos sequer pensar ou sonhar. Tu nos tornarás vasos aptos para Teu uso. Tu és plenamente capaz de fazer isso.
Ó, ensina-nos. Mostra-nos como Tu nos formarás, nos capacitarás e nos tornarás aquilo que desejas que sejamos, para que possamos servir ao Teu propósito em nossa geração.
Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.