E o que de mim ouviste entre muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar também a outros.
Sofre comigo as aflições, como bom soldado de Cristo Jesus.
Nenhum soldado em serviço se embaraça com os negócios desta vida, a fim de agradar Àquele que o alistou como soldado.
E, se alguém também competir nos jogos, não será coroado se não tiver competido segundo as regras.
O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos.
Considera o que digo; pois o Senhor te dará entendimento em todas as coisas.
Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, da descendência de Davi, segundo o meu evangelho:
pelo qual sofro aflições até ser preso, como malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa.
Portanto, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com glória eterna.
Fiel é esta palavra: pois, se morremos com Ele, também com Ele viveremos;
se perseveramos, também com Ele reinaremos;
se O negarmos, Ele também nos negará;
se somos infiéis, Ele permanece fiel; pois não pode negar a Si mesmo.
Nesta carta de Paulo a Timóteo, ele está preocupado com uma coisa. E essa única coisa é que haja homens fiéis — homens que conheçam o santo chamado, homens que tenham um bom depósito, homens que conheçam a graça de Deus.
E esses homens não são apenas fiéis; Deus realizou neles uma obra tão profunda que eles também são capazes de instruir outros.
E eu realmente creio, queridos irmãos e irmãs, que, como estamos vivendo no fim dos últimos dias, certamente está no coração de Deus encontrar esses homens e mulheres fiéis nesta terra.
Eles não são apenas fiéis, ou dignos de confiança, de modo que Ele possa lhes confiar o Seu testemunho; esses homens também podem ser usados por Ele para instruir muitos outros, a fim de que o testemunho de Jesus continue até o fim.
Esse é o encargo de Paulo, e cremos que esse é o encargo do nosso Deus, do nosso Senhor Jesus. E eu realmente espero que esse se torne o nosso encargo.
Ontem à noite, mencionamos essa questão da graça. Como Paulo pôde continuar fiel, diante de tantas adversidades, até o fim? Não havia amargura, não havia autopiedade, não havia recuo. Vemos, porém, que Paulo conseguiu prosseguir até o fim para a glória de Deus.
De onde vinha essa força? O próprio Paulo procurou dizer a Timóteo, seu filho na fé, que essa força não vinha dele mesmo. Essa força vinha da graça de Deus. Por isso, ele o exortou a se fortalecer na graça que está em Cristo Jesus.
Se realmente conhecemos o que é a graça, queridos irmãos e irmãs, sabemos que a Sua graça nos basta em qualquer situação, a qualquer momento.
Lembro-me de que, alguns meses atrás, conheci um querido irmão no Senhor. Aos vinte e um anos, ele era médico na China. Ele foi preso.
Antes de ser preso, ele sabia que chegaria o dia em que seria preso. Por isso, passou os últimos seis meses antes da prisão memorizando todo o Novo Testamento.
Ele foi levado para um campo de trabalhos forçados, o segundo maior da China. Milhares de pessoas trabalhavam ali. Ele permaneceu lá durante vinte e um anos.
Graças a Deus, de maneira milagrosa, ele foi libertado. Quando o conheci, percebi que não havia amargura.
E, quando as pessoas lhe perguntavam: “Como você conseguiu suportar vinte e um anos no campo de trabalhos forçados?”, a resposta dele era: “Não fui eu. Foi a graça de Deus”.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, como é necessário conhecermos a graça de Deus — não apenas como um ensinamento, mas como uma experiência. Precisamos experimentar Cristo como graça de tal maneira que Cristo seja constituído em nós.
E somente então somos capazes de enfrentar qualquer situação.
Lembro-me de outra história. Provavelmente vocês já ouviram o nome desse homem. Na virada do século, ele foi um homem muito usado por Deus: um inglês, F. B. Meyer. Ele foi um dos homens de Keswick.
Certa vez, ele estava de férias com a família, longe de casa, e, durante as férias, sua filhinha morreu. Foi um verdadeiro choque.
Depois de sepultar a filha, ele estava de luto. No domingo, deveria falar aos irmãos e irmãs. Ele tinha um coração tão bondoso. Sentia que os irmãos e irmãs estavam tão solidários com sua perda que pediu a Deus que lhe desse alguma palavra com a qual pudesse consolá-los.
Mas, enquanto esperava diante de Deus naquela tarde de sábado, buscando uma palavra para consolar os irmãos e irmãs, percebeu que ele próprio não estava consolado. Simplesmente não conseguia aceitar o que havia acontecido.
Então ele orou, orou e orou, pedindo ao Senhor que lhe desse graça para que pudesse ser consolado por Ele. Assim, poderia compartilhar com os irmãos e irmãs o consolo que Deus lhe desse.
Mas, por mais que pedisse, por mais que orasse, sentia que não estava consolado. A graça de Deus não estava ali. Ele pedia graça porque ela não lhe havia sido dada.
E, depois de lutar por algum tempo, levantou-se. Pensava que aquela era uma situação sem esperança, impossível. Não sabia o que fazer.
Ao se levantar, seus olhos se voltaram para algo acima da prateleira da lareira. Enquanto ele estava fora, sua mãe havia colocado aquilo ali. Ele viu estas palavras:
A Minha graça te basta.
E a palavra te estava em negrito.
Ao ler aquilo, de repente ele percebeu uma coisa. Percebeu sua incredulidade. O tempo todo, estava pedindo a Deus que lhe desse graça suficiente para atravessar aquela tragédia e até mesmo consolar os irmãos e irmãs.
Mas descobriu que a graça de Deus está sempre presente. Ela é suficiente. Tudo o que você precisa fazer é recebê-la pela fé.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se disto: a graça está sempre disponível. Está sempre aqui, com vocês. Nunca os deixou, nem os abandonou. Está sempre aqui.
O que precisamos é de fé — crer que a Sua graça está conosco. A Sua graça nos basta. E, quando você a recebe pela fé, ela é sua.
E você descobrirá que é o que é, ou será o que vier a ser, pela graça de Deus.
Nesta noite, gostaríamos de prosseguir com o quarto elemento, que é tão essencial quanto os outros três. E ele é: participar do sofrimento.
Quando o apóstolo Paulo foi chamado, vocês se lembram, em Atos 9, Deus encontrou Saulo no caminho de Damasco. Por causa da revelação, seus olhos ficaram cegos. Ele foi conduzido à cidade de Damasco e, ali, naquela casa na rua chamada Direita, passou três dias e três noites jejuando e orando. Não conseguia ver nada.
Mas então vemos que o Senhor apareceu a Ananias numa visão, dizendo-lhe que fosse até Saulo. O que o Senhor disse a Ananias?
A princípio, Ananias ficou um pouco apreensivo. Disse: “Senhor, tenho ouvido falar desse homem. Ouvi dizer que ele veio aqui para nos prender”.
E o Senhor disse:
Ele é o Meu instrumento escolhido. É um instrumento para levar o Meu nome perante as nações, os reis e os filhos de Israel.
E Eu lhe mostrarei quanto deve sofrer pelo Meu nome.
Queridos irmãos e irmãs, quando Deus chamou Paulo, não o chamou apenas para ser uma testemunha do nome do Senhor Jesus; chamou Paulo também para sofrer muito por esse nome. Isso fazia parte do chamado.
O nome de Jesus é preciosíssimo para o Pai. Para o Pai, é um nome que está acima de todo nome. Não existe nome mais elevado do que esse.
O nome de Jesus é muito querido para nós que O conhecemos. Amamos esse nome. Mas vocês precisam se lembrar: para o mundo, o nome de Jesus tem sido, e ainda é, um nome desprezado, rejeitado e perseguido.
E, por causa disso, quem for fiel a esse nome certamente sofrerá por causa dele.
E vemos, na vida do apóstolo Paulo, quanto sofrimento ele enfrentou. Basta abrir em 2 Coríntios 11:23-27; ali ele menciona algumas das coisas pelas quais passou. Começa no versículo 23.
São ministros de Cristo? Falo como alguém fora de si: eu ainda mais; em trabalhos, muito mais; em prisões, muito mais; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes.
Dos judeus, cinco vezes recebi quarenta açoites menos um.
Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio; uma noite e um dia passei nas profundezas do mar;
em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos da parte dos meus compatriotas, em perigos da parte dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos;
em trabalho e fadiga, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.
Queridos irmãos e irmãs, vocês já viram um homem que tenha sofrido tanto? E ele sofreu todas essas coisas por causa do nome do Senhor Jesus.
À medida que envelhecia, seu sofrimento não diminuía. Pelo contrário, vemos que, enquanto continuava seguindo o Senhor, o sofrimento começou a aumentar e a se intensificar.
E, quando escreveu sua última carta a Timóteo, estava acorrentado numa masmorra em Roma. Era até difícil encontrá-lo.
Vocês se lembram de que, no primeiro capítulo de 2 Timóteo, Onesíforo procurou encontrá-lo em Roma. Simplesmente haviam colocado Paulo em alguma masmorra, esquecido. E Onesíforo precisou fazer um grande esforço só para encontrá-lo.
Queridos irmãos e irmãs, ele estava apenas seguindo os passos do nosso Senhor Jesus.
Vocês sabem, quando nosso Senhor Jesus estava na terra — por exemplo, em Mateus 16 —, Ele começava a ser rejeitado pelo Seu próprio povo. Então Se retirou para a região da fronteira.
E ali perguntou aos Seus discípulos:
Quem dizem os homens que Eu sou?
Eles não queriam Lhe contar todos os comentários negativos a Seu respeito, então procuraram animar Seu coração contando-Lhe todos os comentários positivos. “Ó Jesus, alguns dizem que Tu és Elias. Alguns dizem que Tu és Jeremias. Alguns dizem que Tu és João Batista que voltou à vida. Outros dizem que Tu és o Profeta sobre Quem Moisés profetizou em Deuteronômio — Aquele que Deus levantaria dentre os seus irmãos.”
Mas nosso Senhor Jesus não ficou satisfeito. Ele disse:
E vós, quem dizeis que Eu sou?
E vocês se lembram de como Simão Pedro disse:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
E o Senhor Jesus disse:
Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas: porque não foi carne e sangue que te revelou isso, mas Meu Pai, Que está nos céus.
E também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Então o Senhor começou a dizer aos Seus discípulos que precisava ir a Jerusalém. Seria rejeitado pelos sacerdotes, pelos escribas e pelos fariseus. Seria crucificado. Morreria. Mas, ao terceiro dia, ressuscitaria dentre os mortos.
O mesmo Pedro O segurou, talvez O tenha sacudido um pouco, e disse: “Senhor, não. Que isso não Te aconteça. Sê bondoso para Contigo mesmo. Cuida de Ti mesmo. Tu não precisas do sofrimento. Não precisas da cruz. Podes ter o trono, se quiseres. Por que tens de sofrer? Não sofras”.
E vocês se lembram de que o Senhor disse:
Para trás de Mim, Satanás: tu és para Mim uma pedra de tropeço; porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; e quem perder a sua vida por Minha causa a encontrará.
Queridos irmãos e irmãs, não apenas uma vez, mas duas e três vezes, encontramos registrado no Evangelho: antes de nosso Senhor Jesus ser crucificado, Ele procurou repetidamente dizer aos Seus discípulos que precisava sofrer, precisava morrer, seria crucificado.
Mas, de alguma forma, a ideia de que Cristo precisava sofrer era estranha à mente desses discípulos. Eles não conseguiam entender por que Cristo precisava sofrer.
Irmãos e irmãs, isso não é natural? Não é verdade que, em nossa mente natural, nunca conseguimos associar o sofrimento a Cristo? Nunca conseguimos associar o sofrimento à fé em Cristo.
Pelo contrário, sentimos que sofremos porque não conhecemos Cristo. Se O conhecermos, se O amarmos, então o sofrimento acaba. Daqui em diante, é prosperidade.
Como amamos o evangelho da prosperidade, porque achamos que isso é lógico, é razoável, é como as coisas deveriam ser. Queridos irmãos e irmãs, esse é o pensamento natural.
O Senhor disse que precisava sofrer. Mesmo depois de ressuscitar dentre os mortos, ainda tinha esse problema com Seus discípulos.
Vocês se lembram de que, em Lucas 24, os dois discípulos estavam saindo de Jerusalém a caminho de Emaús. Nosso Senhor Jesus Se juntou a eles e começou a conversar com eles. Estavam tão tristes porque Aquele em Quem haviam depositado sua confiança, o Profeta em Quem criam, estava morto.
E o Senhor Jesus começou a lhes dizer:
Não era necessário que o Cristo sofresse essas coisas e entrasse na Sua glória?
Ora, para a mente humana, isso é ilógico. Para a mente humana, isso é desnecessário. Para a mente humana, isso é algo a evitar. Mas nosso Senhor Jesus disse: “É necessário”. Cristo precisa sofrer antes de entrar na glória.
Ele não teve esse problema apenas com aqueles dois discípulos — um deles era Cléopas —; naquela mesma noite, apareceu aos outros discípulos e precisou tratar da mesma questão novamente com eles.
Ele procurou abrir-lhes as Escrituras, a partir da lei de Moisés, dos Salmos e dos profetas — tudo o que dizia respeito a Ele. E disse:
Assim está escrito: que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dentre os mortos ao terceiro dia.
Eu me pergunto se, naquele momento, os discípulos começaram a entender. Mas, de qualquer modo, irmãos e irmãs, não é verdade que, mesmo em nossos dias, parece tão difícil associar o sofrimento a Cristo, ao evangelho, à igreja e aos crentes?
Em nossa mente natural, ainda temos essa ideia profundamente enraizada: porque cremos no Senhor e porque O amamos, Ele nos abençoará. Tirará de nós qualquer coisa que nos traga sofrimento. Será apenas prosperidade.
Não estamos preparados para sofrer. Quando o sofrimento chega, é uma surpresa. E, como não estamos preparados para ele, quando chega, não conseguimos lidar com ele.
Então vemos Paulo, em sua última carta a Timóteo, procurando lhe dizer: “Timóteo, Deus não nos deu um espírito de covardia. Deu-nos um espírito de poder, de amor e de equilíbrio. E, com esse poder, esse amor e esse equilíbrio, assume a tua parte no sofrimento”.
Esteja preparado para isso.
Sofre comigo as aflições, como bom soldado de Cristo Jesus.
Queridos irmãos e irmãs, o sofrimento é um mistério. Não pretendo compreender esse mistério.
Mas há uma coisa em que creio: o sofrimento não faz parte do propósito original de Deus para o ser humano. Deus não criou o ser humano para que ele sofresse.
O sofrimento não é algo que esteja no propósito original de Deus para o ser humano, porque o propósito de Deus para ele, conforme revelado no Salmo 8, é bom e nobre.
Mas, porque há pecado no mundo, enquanto essa natureza caída estiver em nós, enquanto Satanás for o governante deste mundo, o sofrimento será uma necessidade.
Não apenas Deus teve de sofrer a perda de Seu único Filho amado; o próprio Filho de Deus também teve de sofrer a ponto de entregar Sua vida. A redenção não é possível sem sofrimento.
É no sofrimento, hoje, que encontramos um fator de purificação, santificação e amadurecimento.
A própria cruz é um símbolo de sofrimento.
Por que encontramos pessoas hoje tão superficiais em sua vida espiritual? Por que encontramos tantos pequeninos em Cristo? Parece que não crescem. Por quê? Uma razão é esta: não sofrem.
O sofrimento realiza uma obra de aprofundamento em nossa vida. As pessoas que não sofrem têm muita dificuldade para amadurecer.
Nas pessoas que sofreram muito por esse nome, encontramos um bom depósito. De alguma forma, esse é o mistério do sofrimento.
Até Paulo disse:
Esta leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória, muito além de toda comparação.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, à medida que o tempo se aproxima, o sofrimento aumentará, não diminuirá. Se não tivermos uma atitude correta em relação ao sofrimento, quando ele chegar, revelará nossa verdadeira condição.
Essa é uma das coisas para as quais precisamos estar preparados como povo de Deus.
Quanto a essa questão do sofrimento, na verdade não se trata de quanto sofremos, mas de quão dispostos estamos a sofrer.
Não cabe a nós procurar causar sofrimento a nós mesmos. Vocês sabem, às vezes é novamente a nossa mente natural. Como não queremos sofrer, pensamos que o sofrimento é desnecessário. Achamos que não deveríamos sofrer. Deus não deveria permitir que sofrêssemos. Se Ele nos ama, então não permitirá que soframos. No momento em que chorarmos, Ele correrá até nós e nos dará tudo o que quisermos. Isso é amor.
E então, quando começamos a ver o que o sofrimento pode fazer por nós, dizemos: “Ah, amamos sofrer. Queremos sofrer”, e procuramos fazer a nós mesmos sofrer. Ah, irmãos e irmãs, isso é novamente o homem natural.
Na história, encontramos muitas dessas coisas, especialmente na Idade Média. Vocês se lembram de como esses homens procuravam se açoitar, de como colocavam objetos de metal sobre o corpo até literalmente sangrarem e quase morrerem, de como se deitavam em camas com pregos voltados para cima, de como usavam camisas muito ásperas para afligir a si mesmos. Alimentavam-se apenas de pão preto e água.
Por quê? Porque pensavam que havia mérito no sofrimento e que o sofrimento poderia torná-los santos.
Irmãos e irmãs, não.
Deus não queria que sofrêssemos em Seu propósito original. Mas agora Deus realmente permite e ordena situações em que sofremos, porque nos ama. Ele quer nos amadurecer.
O que precisamos é de disposição para sofrer.
Em 1 Pedro 4:1-2:
Ora, visto que Cristo sofreu na carne, armai-vos também vós com o mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne cessou do pecado;
para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais segundo as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus.
Aqui vemos que há uma coisa que devemos ter: precisamos ter disposição para sofrer. Quanto à medida do sofrimento, Deus a determinará para cada um segundo a Sua sabedoria. Mas, da nossa parte, precisa haver disposição para sofrer.
Temos disposição para sofrer, ou estamos determinados a evitar o sofrimento da melhor maneira possível? Isso faz toda a diferença.
Queira Deus não trazer sobre nós todas essas perseguições de que temos ouvido falar em outros países, porque não é uma experiência muito agradável ou feliz.
Mas, pelo menos, devemos ter disposição para sofrer. Se Deus quiser que soframos por causa do Seu nome, estaremos preparados para sofrer. Estaremos dispostos a sofrer. E isso é algo que precisamos ter.
O poder para sofrer vem de Deus, mas a disposição para sofrer vem de nós. Se você não tiver disposição para sofrer, quando o sofrimento chegar, o poder para sofrer não virá sobre você.
Mas, se você tiver disposição para sofrer, não se preocupe. Quando o sofrimento chegar, descobrirá que a Sua graça lhe basta. O poder virá sobre você.
Por que precisamos sofrer?
Paulo disse:
Participa do sofrimento como bom soldado de Jesus Cristo.
Precisamos sofrer porque somos soldados.
Irmãos e irmãs, não somos apenas filhos de Deus. Como filhos de Deus, sabemos que nosso Pai celestial cuida bem de nós. É por isso que não precisamos nos preocupar com o que comeremos, com o que beberemos ou com o que vestiremos, porque nosso Pai celestial sabe do que precisamos.
Mas buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça; e todas essas coisas vos serão acrescentadas.
Somos filhos de Deus. Nosso Pai celestial cuida bem de nós.
Mas lembrem-se: ao mesmo tempo, somos soldados. Somos soldados de Jesus Cristo. Estamos envolvidos numa batalha.
E, porque estamos envolvidos numa batalha espiritual, essa é a batalha dos séculos. É uma batalha entre Deus e Seu inimigo, Satanás. Fomos chamados para o exército do Senhor Jesus.
E, como soldados, espera-se que suportemos dificuldades e sofrimento. Para se tornar um bom soldado, é preciso ser treinado.
Enquanto um soldado está sendo treinado no campo de instrução, ele será colocado no ambiente mais difícil, para que se torne resistente a qualquer situação. Precisa ser disciplinado com muito rigor.
Ele não pode simplesmente se levantar quando quiser ou dormir até a hora que quiser. Não pode fazer tudo o que lhe agrada. Se algo não lhe convém, não pode simplesmente seguir seu próprio caminho. Você não pode fazer isso.
Para fazer de você um bom soldado, você será submetido à disciplina mais rigorosa. Farão com você coisas que, na verdade, parecem desnecessárias.
Às vezes penso: por que os homens do exército chinês precisam entrar em formação e marchar? Para que serve marchar em fileiras e em ordem? Quando estiverem combatendo, se marcharem daquele jeito, serão todos eliminados.
E penso que, pelo que conheço da história americana, foi assim que os britânicos foram derrotados durante a Revolução.
Mas, em Cristo, não há britânico nem americano.
Vocês sabem, às vezes eu pensava que aquilo era simplesmente uma perda de tempo. Não se luta daquele jeito. Por que treinar as pessoas com tanta precisão e gastar tanto dinheiro? Mas a disciplina militar é necessária.
Não é verdade que somos moles demais? Não é verdade que somos acomodados demais? Não é verdade que vivemos uma vida de luxo? Não sabemos o que é dificuldade.
Tentamos, de todas as maneiras, evitar as dificuldades e o sofrimento. Essa é a nossa filosofia de vida: a busca da felicidade. Procuramos satisfazer a nós mesmos o máximo possível. É assim que vivemos.
Queridos irmãos e irmãs, não é de admirar que sejamos de pouca utilidade para o nosso Comandante. Não podemos travar uma batalha com soldados de chocolate.
É por isso, irmãos e irmãs, que precisamos ter disposição para sofrer por causa de Cristo.
Somos chamados à comunhão dos Seus sofrimentos.
Os sofrimentos do nosso Senhor Jesus se dividem em duas categorias. Há os sofrimentos expiatórios do nosso Senhor Jesus.
Isto é, nosso Senhor Jesus sofreu sozinho na cruz do Calvário. Ninguém pode participar com Ele desse tipo de sofrimento.
Mesmo quando Ele estava no jardim do Getsêmani, Seus discípulos não conseguiram suportar aquilo com Ele. Quando foi crucificado na cruz, houve trevas ao meio-dia. Ele estava completamente sozinho.
Ele clamou:
Meu Deus, Meu Deus, por que Me desamparaste?
Ele pisou sozinho o lagar. Bebeu sozinho o cálice da ira de Deus.
Você e eu — ninguém podia participar com Ele daquela morte. Ele estava completamente sozinho. Sozinho.
Ele fez expiação pelos nossos pecados. Como diz Hebreus 2:9:
Vemos, porém, Aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, coroado de glória e honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.
Ele provou sozinho a morte por todos. Não tivemos parte naquele sofrimento. Não temos comunhão com Ele naquele sofrimento. Tudo o que podemos fazer é receber aquilo que Sua morte e Seus sofrimentos realizaram por nós.
É porque Ele sofreu, é porque bebeu aquele cálice amargo, que agora recebemos a doçura da salvação. É porque Ele foi quebrantado no Calvário que somos unidos a Deus.
Sim, queridos irmãos e irmãs, nessa categoria de sofrimento, ninguém pode participar com Ele. Ninguém é digno. Ninguém está qualificado. O Filho de Deus, o Filho do Homem, Cristo Jesus, sofreu sozinho por nós.
Ah, como Lhe agradecemos. Nunca poderemos sequer compreender quão profundo foi aquele sofrimento quando Ele provou a morte por todos. Tudo o que podemos fazer é nos prostrar, adorar e agradecer a Ele.
Mas, queridos irmãos e irmãs, há outra categoria dos sofrimentos de Cristo. Nessa categoria estão os sofrimentos não expiatórios de Cristo. E, nessa categoria, Ele nos chama a ter comunhão com Ele em Seus sofrimentos.
Assim como Ele sofreu por causa da justiça, chama-nos a ter comunhão com Ele por causa da justiça.
Assim como Ele sofreu pelo nome do Pai, chama-nos a sofrer pelo Seu nome.
Assim como Ele sofreu por causa de Sua compaixão e de Sua solidariedade para com o mundo, chama-nos a sofrer com Ele nessas coisas.
Assim como Ele prevaleceu e derramou a Si mesmo para que a igreja pudesse nascer, Ele nos chama a completar o que falta das aflições de Cristo, para que completemos essas aflições em favor da edificação do corpo de Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, há toda uma categoria dos sofrimentos de Cristo na qual Ele nos chamou a sofrer com Ele.
Devemos participar dos sofrimentos de Cristo. E não somos chamados apenas a participar do sofrimento por Cristo; somos chamados a participar juntos desse sofrimento.
Irmãos e irmãs, Paulo procurava dizer a Timóteo: “Timóteo, estou participando dos sofrimentos de Cristo por causa da Sua igreja. Participa comigo. Acompanha-me. Fica comigo. Passa pelos sofrimentos junto comigo, porque somos soldados juntos. Somos companheiros de armas”.
“Não me abandones quando eu sofrer, mas sofre comigo.”
Queridos irmãos e irmãs, como precisamos disso hoje. Precisamos participar dos sofrimentos de Cristo. Nas áreas em que Ele sofre, nós também sofremos. Se estamos com Ele onde Ele está, então precisamos trilhar o caminho da cruz, porque esse é o Seu caminho.
Mas, além disso, graças a Deus, você não é chamado a sofrer sozinho. É chamado a sofrer junto com seus irmãos e irmãs.
Que força isso lhe dará quando você for chamado a sofrer e descobrir que não está sozinho. Você encontrará seus irmãos e irmãs, aqueles com quem tem afinidade de espírito, permanecendo ao seu lado para combater o bom combate.
Queridos irmãos e irmãs, é isso que somos chamados a fazer: sofrer como bons soldados de Jesus Cristo.
E Paulo procurou explicar o que queria dizer usando três ilustrações. Na primeira, ele disse:
Nenhum soldado em serviço se embaraça com os negócios desta vida, a fim de agradar Àquele que o alistou como soldado.
Antes de tudo, você é um soldado. Mas, como disse o bispo Moule, não se trata de um soldado de licença, nem de um soldado aquartelado numa guarnição. Trata-se de um soldado em ação, em campanha, em combate.
Queridos irmãos e irmãs, somos chamados a ser soldados de Jesus Cristo. Não estamos na retaguarda, no acampamento, nem estamos de licença; estamos em serviço ativo. Estamos envolvidos numa batalha.
E, porque estamos envolvidos numa batalha como soldados em serviço ativo, é importante não nos embaraçarmos com os assuntos da vida de tal maneira que nos tornemos inativos no combate.
Irmãos e irmãs, é verdade: estamos no mundo, mas não somos do mundo. É verdade que a vida tem muitas responsabilidades e deveres que precisamos cumprir. Isso é verdade.
Mas, ao mesmo tempo, também é verdade que, por sermos soldados em serviço, não devemos nos embaraçar com os negócios desta vida.
Em Lucas 21:34-36, somos advertidos:
Mas acautelai-vos, para que os vossos corações não fiquem sobrecarregados com os excessos, a embriaguez e os cuidados desta vida, e aquele dia vos sobrevenha repentinamente como um laço;
pois assim virá sobre todos os que habitam na face de toda a terra.
Vigiai, porém, em todo tempo, fazendo súplicas, para que possais escapar de todas essas coisas que hão de acontecer e permanecer em pé diante do Filho do Homem.
Queridos irmãos e irmãs, somos advertidos para que nosso coração não fique sobrecarregado com o comer, o beber e os cuidados desta vida. Ficamos tão sobrecarregados que, quando o Senhor vier, descobriremos que estamos tão presos ao chão que não conseguimos subir.
Como podemos viver nossa vida na terra, cumprindo todas as responsabilidades e todos os deveres que precisamos cumprir, e, ao mesmo tempo, não ficar embaraçados com os assuntos desta vida?
Creio que, em primeiro lugar, provavelmente precisamos viver uma vida mais simples do que a que vivemos hoje.
Nossa vida hoje é complicada demais. Por quê? Porque estamos sempre nos comparando com o nosso vizinho.
“Se eles têm isso, por que nós não temos?”
É porque gostamos de ter uma vida de conforto e luxo. Queridos irmãos e irmãs, as necessidades da vida são muito poucas.
Se vocês simplesmente se sentarem e pensarem, descobrirão que as necessidades da vida são muito poucas. Muitas coisas que sentimos que precisamos ter não são necessidades.
É porque queremos ter o mesmo que os nossos vizinhos.
Ah, se pudermos viver uma vida mais simples por causa do evangelho, por causa de Cristo, não ficaremos tão embaraçados.
Em segundo lugar, isso é realmente uma questão do coração. Mesmo que precisemos nos ocupar com as coisas desta vida, deve haver em nosso coração um desapego tal que, quando o dever maior nos chamar, essas coisas não possam impedir o nosso caminho.
Como soldados, queremos agradar Àquele que nos alistou.
Queridos irmãos e irmãs, creio que a razão pela qual os cristãos de hoje estão tão embaraçados é que nos esquecemos de que somos soldados em serviço ativo.
Se o dever nos chama, não conseguimos deixar tudo. Existe o perigo de que, quando o chamado vier do alto, você não consiga responder.
Como precisamos estar diante do Senhor, para que nosso coração esteja desapegado das coisas desta terra e realmente atento a Ele.
Como diz a Escritura, virão dias — e cremos que esse tempo é agora — em que as pessoas usarão as coisas como se não as usassem. Essa é a atitude do coração de um soldado.
Não permitiremos que coisa alguma embarace nosso coração.
Então Paulo usou outra ilustração. Ele disse:
E, se alguém também competir nos jogos, não será coroado se não tiver competido segundo as regras.
Participar de uma competição, competir nos jogos — para os gregos, isso era algo que todos conheciam. Temos as Olimpíadas. As pessoas queriam participar da competição para tentar ganhar a coroa.
E, para isso, somos informados de que, nos primeiros tempos, aqueles que competiriam nos jogos na Grécia eram treinados durante dez meses antes dos jogos.
Durante esses dez meses, sua vida era rigorosamente regulada e disciplinada. Tudo lhes era prescrito. Até a alimentação era prescrita com rigor. Não podiam simplesmente comer qualquer coisa que quisessem. Não podiam simplesmente sair para tomar um milk-shake.
Tudo era claramente prescrito. Seu modo de vida, a hora de dormir, a hora de se levantar — tudo tinha de seguir as regras. Disciplina.
E, se alguém violasse qualquer regra, seria desclassificado da competição. No grego, disse ele, esse alguém se torna um reprovado — um reprovado.
Queridos irmãos e irmãs, estamos envolvidos numa competição. Portanto, é necessário negarmos a nós mesmos, tomarmos a cruz e seguirmos o Senhor.
Se nos recusarmos a ser disciplinados, se não cooperarmos com a disciplina do Espírito Santo, não estaremos preparados.
O Espírito Santo é o nosso Treinador, o nosso Instrutor. O mundo é um ginásio de treinamento.
Tudo o que o Espírito Santo ordenou em nossa vida é como uma série de exercícios diferentes. Se não estivermos dispostos a cooperar com o Espírito Santo e a nos exercitar até o ponto de sentir dores e sofrimento, sendo estendidos além da nossa medida, irmãos e irmãs, não venceremos nos jogos.
Se tudo o que os atletas gregos ganhavam era apenas uma coroa de flores, o que dizer de nós? Estamos buscando uma coroa de glória, a coroa da vida, a coroa da justiça.
Não deveríamos nos submeter à disciplina do Espírito Santo?
E a terceira ilustração:
O lavrador precisa trabalhar antes de participar dos frutos.
Vocês sabem, ser soldado e receber treinamento militar, ou ser treinado como atleta, tem certo prestígio. Mas ser agricultor — não há nada de empolgante nisso.
Você precisa sair e semear. Precisa trabalhar a terra. Precisa regar. Precisa arrancar as ervas daninhas. Precisa esperar pacientemente, esperar e esperar, até chegar a colheita.
Em outras palavras, trata-se simplesmente de perseverar com paciência. E isso é difícil.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, nossa mentalidade americana é querer tudo instantaneamente. Queremos sucesso instantâneo. Se plantamos alguma coisa, queremos vê-la colhida no minuto seguinte. Essa é a nossa mentalidade.
Não temos paciência. Não conseguimos perseverar. Desistimos.
Meus queridos irmãos e irmãs, se queremos realmente ser homens e mulheres dignos de confiança, se queremos ser aqueles instrumentos que Deus pode usar para instruir outros, precisamos suportar o sofrimento com paciência.
Precisamos sofrer por causa do evangelho. Precisamos sofrer por causa de Cristo. Precisamos sofrer como cristãos. Precisamos sofrer pelos eleitos. Precisamos sofrer por aqueles que estão perdidos em pecados e transgressões.
Queridos irmãos e irmãs, somos chamados a sofrer. Isso faz parte do nosso chamado. Não se surpreendam se o sofrimento vier.
Qual será a consequência, o resultado?
Fiel é esta palavra: pois, se morremos com Ele, também com Ele viveremos;
se perseveramos, também com Ele reinaremos;
se O negarmos, Ele também nos negará;
se somos infiéis, Ele permanece fiel; pois não pode negar a Si mesmo.
Queridos irmãos e irmãs, se morremos com Ele, Ele nos chama a morrer.
Aquele grão de trigo caiu na terra e morreu, e Ele produziu muito fruto. E agora está nos chamando, a nós que somos os muitos grãos, para segui-Lo — morrer, ser quebrantados, ser reduzidos.
Para que possamos viver juntamente com Ele.
Se perseverarmos, reinaremos juntamente com Ele.
Irmãos e irmãs, estamos agora num tempo que exige paciência e perseverança.
Aquele que perseverar até o fim será salvo.
Mas quem pode perseverar? Aquele que tem disposição para sofrer.
Se você não tiver disposição para sofrer, uma pequena dor o quebrará. Mas, se tiver disposição para sofrer, descobrirá que o poder para sofrer virá do alto.
E, se você perseverar, reinará com Cristo.
Ah, irmãos e irmãs, Paulo disse, ao escrever essa última carta a Timóteo — vocês sabem, quando escreveu Filipenses, ele não tinha certeza de que conseguiria chegar lá.
Quando escreveu Filipenses, ele disse:
Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, para o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.
Ele não disse que já havia alcançado. Estava prosseguindo em direção ao alvo do chamado do alto.
Mas, quando escreveu 2 Timóteo, antes de seu martírio, pôde dizer:
Já estou sendo oferecido, e o tempo da minha partida é chegado.
Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé;
desde agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amaram a Sua vinda.
Se perseverarmos, reinaremos juntamente com Ele.
E, se O negarmos, Ele também nos negará — não no sentido de perder a salvação. Vocês sabem, a ideia de perder a salvação não entra aqui em momento algum.
Mas no sentido de que, quando Ele voltar, negará você. Isto é, dirá: “Eu não aprovo você”.
Mas, mesmo que sejamos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar a Si mesmo.
Ah, queridos irmãos e irmãs, fico imaginando como Timóteo deve ter sido encorajado ao receber aquela carta.
Como seus olhos devem ter sido abertos para ver que o sofrimento é parte integrante da vida cristã. Como isso deve tê-lo encorajado a participar dos sofrimentos de Cristo, percebendo que era uma honra ter parte nos sofrimentos de Cristo.
E como deve ter se sentido honrado por poder participar do sofrimento que Paulo padecia.
Não há nada de negativo no sofrimento, irmãos e irmãs, se vocês compreendem o sofrimento. Não há nada de negativo nele.
No entanto, somos negativos quando sofremos. Pensamos que o sofrimento não tem sentido. É desnecessário. Pensamos que o sofrimento significa que Deus não nos ama. Pensamos que o sofrimento não produz nada de bom; apenas nos traz dor.
E, quando sofremos, sofremos de cara amarrada. Fazemos questão de que todos saibam quanto sofremos. Toda a nossa atitude em relação ao sofrimento é tão negativa.
Mas, queridos irmãos e irmãs, se vocês souberem o que o sofrimento realmente é, verão que é ter comunhão com Cristo. É compartilhar o sofrimento como companheiros de armas no exército. É algo muito positivo.
Você sofre com lágrimas, mas se alegra no coração.
Espero sinceramente que isso não nos coloque num ambiente de desânimo: “Ah, temos de sofrer. Puxa, daqui em diante teremos de sofrer”.
Queridos irmãos e irmãs, se essa for a reação de vocês, eu preferiria que essas palavras nunca tivessem sido ditas.
Mas espero sinceramente que saiamos daqui dizendo: “Graças a Deus por nos considerar dignos de sofrer por Ele — não apenas de crer Nele, mas também de sofrer por Ele. Graças a Deus por Sua graça”.
Nosso Pai celestial, nosso coração verdadeiramente se alegra diante de Ti, sabendo que nos favoreceste e nos chamaste com um santo chamado. E, porque esse chamado é tão santo, precisamos sofrer por ele.
Nosso Pai, apenas reconhecemos que não somos dignos de sofrer. Suplicamos a Ti que possamos ter comunhão nos sofrimentos de Cristo.
Suplicamos a Ti que não abandonemos nossos irmãos e irmãs enquanto sofrem por causa do Teu nome, mas que estejamos dispostos a permanecer ao lado deles e a compartilhar juntos os sofrimentos. Consideraremos isso uma honra, uma glória.
Ó nosso Pai celestial, dá-nos disposição para sofrer. Quanto à nossa carne, ela clamará: “Não me deixes sofrer”. Mas, Senhor, que a Tua graça nos envolva de tal maneira que estejamos dispostos a sofrer, porque Tu produziste essa disposição em nós.
E cremos verdadeiramente que o Teu poder se manifesta em nossa fraqueza. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém.