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    Strong In Grace © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Strong In Grace
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    Kaung, Stephen

    Fortalecidos pela graça em Cristo Jesus

    E o que de mim ouviste entre muitas testemunhas, isso mesmo confia a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar também a outros.
    — 2 Timóteo 2:2

    Então voltamos ao primeiro versículo:

    Tu, pois, meu filho, fortalece-te na graça que há em Cristo Jesus.
    — 2 Timóteo 2:1

    Gostaria de ler para vocês uma tradução diferente:

    Quanto a ti, pois, meu filho, reveste-te de fortalecimento pela graça que há em Cristo Jesus; e as coisas que ouviste de mim pessoalmente, na presença de muitas testemunhas, confia-as, como um depósito, a homens dignos de confiança, cujo caráter os torne aptos para ensinar também a outros.

    Vou repetir:

    Quanto a ti, pois, meu filho, reveste-te de fortalecimento pela graça que há em Cristo Jesus; e as coisas que ouviste de mim pessoalmente, na presença de muitas testemunhas, confia-as, como um depósito, a homens dignos de confiança, cujo caráter os torne aptos para ensinar também a outros.

    O caráter pessoal de 2 Timóteo

    A segunda carta de Paulo a Timóteo é uma carta pessoal. Sabemos que Paulo escreveu muitas cartas. Algumas dessas cartas foram dirigidas às igrejas, e outras, a pessoas. Essa segunda carta a Timóteo era uma carta pessoal de Paulo a seu filho Timóteo. Foi sua última carta.

    Há uma espécie de impressão equivocada que temos, inconscientemente, a respeito de Paulo. Como Paulo era um apóstolo tão grande, um homem de Deus tão grande, e Deus o havia usado tão poderosamente, nós, inconscientemente, o vemos como um super-homem. Mas, queridos irmãos e irmãs, lembremos que Paulo era um ser humano, assim como nós.

    Agora vemos que o apóstolo Paulo estava em seus últimos dias. Estava preso em Roma. Ao olhar para o futuro, podia perceber em seu espírito que seus dias na terra estavam contados.

    Numa situação como essa, naturalmente ele ansiava pela chegada de seu filho Timóteo. Gostaria de ter a companhia de Timóteo naquele momento.

    Vocês se lembram do nosso Senhor Jesus — sim, até mesmo do nosso Senhor Jesus. Naquela noite, antes de ser traído, Ele conduziu Seus discípulos ao jardim do Getsêmani. Deixou oito de Seus discípulos para trás e levou três Consigo. Ele disse:

    Estou triste até à morte. Vinde Comigo. Permanecei Comigo. Orai Comigo. Vigiai Comigo.

    Em outras palavras, vemos que isso é simplesmente humano. Quando uma pessoa passa por um momento assim, naturalmente anseia por companhia. Anseia por ter ao seu lado alguém a quem realmente ama, a quem realmente conhece e em quem realmente pode confiar. Isso lhe traria consolo, encorajamento e força.

    Assim, Paulo, sendo humano, antes de morrer escreveu sua carta a Timóteo, desejando vê-lo antes de sua partida. Insistiu para que Timóteo viesse até ele o mais depressa possível, porque sabia que não restava muito tempo.

    E o mesmo acontecia com Timóteo. Depois que Paulo foi separado dele na Ásia, naturalmente Timóteo se sentiu muito sozinho, por ter ficado para trás. Como mencionamos antes, toda a Ásia havia abandonado Paulo, e Timóteo ficara ali, tentando salvar a situação, tentando trazer a igreja de volta ao testemunho e colocá-la novamente de pé.

    Timóteo naturalmente sentia uma perda muito grande. Naturalmente se sentia muito sozinho. Ansiava por estar com Paulo. Vemos, então, que essa era, antes de tudo, uma carta que realmente expressava o anseio do coração de Paulo, bem como o do coração de Timóteo. Que Deus lhes concedesse essa oportunidade de estarem juntos antes que Paulo fosse martirizado.

    Historicamente, não sabemos se essa oportunidade lhes foi concedida. Mas, de qualquer modo, vemos que a segunda carta a Timóteo era uma carta muito pessoal.

    A preocupação de Paulo com o testemunho de Jesus

    Mas Paulo era mais do que apenas um ser humano. Era um homem de Deus. Era um veterano na obra de Deus. E, embora nessa última hora Paulo não estivesse pensando tanto em si mesmo, havia em seu coração um anseio pela companhia de Timóteo. Isso lhe seria um grande consolo antes de morrer.

    No entanto, ao ler essa carta pessoal de Paulo, percebemos algo mais profundo do que seu interesse pessoal. Vemos que o coração de Paulo estava preocupado com o testemunho de Jesus. Ele havia carregado a tocha do testemunho de Jesus por muitos anos. Havia levado essa tocha da Ásia à Europa e de volta à Ásia. Havia sido fiel em seu testemunho de Jesus.

    Agora, ele sabia que seu tempo estava contado. Teria de deixar aquela tocha e entregá-la a outra pessoa. Pensava especialmente em Timóteo e em pessoas semelhantes a ele. Assim, vemos na segunda carta a Timóteo uma preocupação no coração de Paulo muito mais profunda do que seu interesse pessoal.

    Por isso, ele deixou com Timóteo suas últimas vontades, seu testamento. Procurou transmitir a Timóteo o segredo, a força que capacitaria um homem a ser fiel até o fim. Deixou um legado e, nesse legado, vemos como alguém pode ser digno de confiança no testemunho de Jesus.

    E é nisso que estamos realmente interessados. Queridos irmãos e irmãs, temos mencionado repetidas vezes que hoje vivemos num tempo tão difícil quanto aquele em que Paulo viveu.

    Em certo sentido, queridos irmãos e irmãs, não sabemos quanto tempo ainda teremos. Não sabemos. Apenas sentimos em nosso espírito que o tempo não será longo.

    Queridos irmãos e irmãs, não sei se vocês sentem, em seu espírito, uma urgência interior. Não sei se percebem em seu espírito que algo precisa ser feito agora, porque não restará muito tempo. Não podemos nos dar ao luxo de ficar acomodados e passivos.

    Nesse curto período, nessa última hora, queridos irmãos e irmãs, antes de partirmos, precisamos cuidar para que o testemunho de Jesus seja mantido. É nosso dever e nossa responsabilidade — não apenas sermos fiéis até o fim, mas também sermos capazes de entregar a tocha do testemunho a alguns fiéis.

    É nossa responsabilidade não apenas sermos nós mesmos dignos de confiança, mas também encontrarmos pessoas dignas de confiança. Precisamos edificar outras pessoas que sejam dignas de confiança, pessoas que tenham um bom depósito, saibam o que é o testemunho de Jesus e deem continuidade a ele depois que partirmos.

    Queridos irmãos e irmãs, sinto que há uma urgência nisso. Não temos muito tempo.

    A urgência da fidelidade em dias difíceis

    Aquele Que há de vir virá, e não tardará.
    — Hebreus 10:37

    E, no entanto, nesse curto período, estamos passando por dias muito difíceis. Vemos ao nosso redor que tudo parece estar desmoronando. Vemos que isso é verdade no mundo. Vemos que também é verdade no mundo cristão.

    Vemos que não apenas as pessoas do mundo amam os prazeres, amam o mundo e amam a si mesmas, mas que, mesmo entre os crentes, há amor a si mesmo, amor ao mundo e amor aos prazeres. Há muito pouco amor ao bem e amor a Deus.

    Vemos que é muito difícil até mesmo sobreviver como cristão. Como podemos manter nossa vida cristã nesta terra, para não dizer: como podemos manter o testemunho de Jesus? Irmãos e irmãs, por estarmos numa situação assim, 2 Timóteo se torna muito real, muito vivo e muito importante para nós.

    O chamado e o bom depósito

    Mencionamos na primeira noite que, para sermos esses homens fiéis — não apenas fiéis nós mesmos, mas também capazes de ensinar a outros —, antes de tudo precisamos nos lembrar do chamado. Precisamos nos lembrar de que fomos chamados com uma santa vocação.

    Não chegamos ao Senhor por acaso. Nunca nos oferecemos como voluntários para o reino de Deus. Mas Deus nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o Seu próprio propósito e a graça que nos deu em Cristo Jesus antes da fundação do mundo. Isso foi manifestado pelo aparecimento do nosso Senhor Jesus.

    Assim, queridos irmãos e irmãs, nós que vivemos num tempo como este, nós que desejamos ser fiéis e tornar outras pessoas fiéis, precisamos, antes de tudo, nos lembrar do chamado. Precisamos conhecer nosso chamado. Precisamos ter uma visão do nosso chamado.

    Tenho de dizer, queridos irmãos e irmãs, que isso é algo que falta muito entre o povo de Deus. O povo de Deus não conhece seu chamado. O povo de Deus não sabe que foi chamado com uma santa vocação — um chamado incomum, segundo aquilo que seus ouvidos nunca ouviram, seus olhos nunca viram e sua mente nunca imaginou.

    Não sabem que têm um chamado celestial, um chamado do alto, um chamado glorioso, um chamado eterno. Não sabem que Deus nos chamou para sermos o Corpo de Cristo. Não sabem que Deus nos chamou para sermos conformados à imagem do Filho de Deus.

    Isso é o Corpo: que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos, que todos nós recebamos de Cristo o nosso caráter. São necessários todos nós para manifestar Quem Cristo é e o que Ele é. Queridos irmãos e irmãs, é um chamado tremendo.

    Esse é o propósito de Deus para a nossa vida. Nossa vida nesta terra não consiste apenas em viver para esta ou aquela coisa. Nossa vida na terra não consiste apenas em viver para fazer isto ou aquilo. Irmãos e irmãs, nossa vida na terra é para vivermos para esse chamado, para esse propósito.

    Tudo o que não estiver relacionado a esse propósito e a esse chamado é desperdício.

    E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.
    — Romanos 8:28

    Lembrem-se: todas as coisas não cooperam para o bem se vocês não amam o Senhor, se não são chamados segundo o propósito. Muitas vezes não conseguimos ver como as coisas podem cooperar para o bem. Pelo contrário, vemos que cooperam para a morte. Por quê? Porque não conhecemos nosso chamado. Não sabemos que fomos chamados segundo o propósito.

    Se vocês puderem ver o propósito de Deus, se conhecerem seu chamado, queridos irmãos e irmãs, nada acontecerá a vocês, nada surgirá em seu caminho, que não tenha sido determinado por Deus para que cumpram seu chamado. De fato, todas as coisas cooperam para o bem.

    Essa é a única maneira de conseguirmos atravessar tudo isso. Se vocês não se lembrarem do seu chamado, serão esmagados pelas coisas que lhes acontecerem. Reclamarão e murmurarão. Ficarão ofendidos; cairão. Meus queridos irmãos e irmãs, lembrem-se do seu chamado. Vocês foram chamados segundo o propósito.

    Em segundo lugar, mencionamos ontem à noite: não precisamos apenas nos lembrar do nosso chamado; precisamos também guardar o depósito. Deus nos chamou e, então, começou a depositar algo em nossa vida.

    Sabem, nós somos um vaso. Somos um receptáculo. Desde o momento em que somos salvos, começando pela salvação, vemos que Deus está continuamente depositando algo bom em nós. Isso é chamado de bom depósito. Ele está depositando algo bom em nós.

    E o que é esse depósito que mencionamos ontem à noite? É o modelo das sãs palavras. Mas o modelo das sãs palavras que ouvimos não é apenas algum ensinamento ou alguma doutrina. Não, na verdade esse depósito é o Filho. Deus está depositando Cristo em nós.

    E, por ser Cristo Quem está sendo depositado em nós, isso não pode ser apenas algo mental. Não pode vir apenas pela tradição. Não pode ser simplesmente algo que adotamos. Precisa ser algo revelado, algo trabalhado em nossa própria vida. Essa é a maneira de conhecer Cristo.

    Queridos irmãos e irmãs, quanto Deus tem conseguido depositar em sua vida? No tempo da prova e da tribulação, tudo aquilo que não tiver sido depositado em vocês por Deus será abalado e removido. Não poderá resistir à prova. Somente aquilo que tiver sido depositado em vocês permanecerá.

    Lembrem-se do que vimos ontem à noite: mesmo que vocês caiam, se levantarão novamente. Se não tiverem depósito, será o fim.

    Tudo o que Deus depositou em nós precisa ser guardado no Espírito Santo. Vocês não podem olhar para cinco anos atrás, quando tiveram uma experiência de Cristo, e tentar viver dessa experiência hoje. Queridos irmãos e irmãs, ela já passou. Está velha. Está sem frescor. Perdeu seu poder.

    O que Deus depositou em nós precisa ser guardado no Espírito Santo. Somente o Espírito Santo dá frescor e poder a esse depósito. Toda vez que vocês procurarem usar o depósito, será necessária uma nova unção. Caso contrário, ele será história. Será memória. Já não será vivo. Já não estará operante.

    Assim, o depósito que foi colocado em nós, queridos irmãos e irmãs, precisa ser continuamente guardado no poder do Espírito Santo.

    E, ao mesmo tempo, como Paulo disse:

    Porque eu sei em Quem tenho crido, e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o que Lhe confiei até aquele dia.
    — 2 Timóteo 1:12

    Essa é a perseverança dos santos. Mencionei ontem à noite que a perseverança dos santos é ensinada nas Escrituras, mas a perseverança dos santos não está em nós. Está em Deus. É Deus Quem pode nos guardar de cair. É Deus Quem pode nos conservar santos e irrepreensíveis diante Dele naquele dia.

    A graça fortalecedora de Cristo

    Um bom depósito. Nesta noite, gostaríamos de chegar ao terceiro elemento necessário para sermos dignos de confiança e até mesmo instruirmos outras pessoas: fortaleçam-se na graça.

    Aqui vemos que Paulo escreveu a seu filho Timóteo e disse:

    Tu, pois, meu filho, fortalece-te na graça que há em Cristo Jesus.
    — 2 Timóteo 2:1

    Outra tradução diz: “Reveste-te da graça que há em Cristo Jesus. Toma sobre ti a graça que há em Cristo Jesus”.

    Não pensem que Paulo era um super-homem. Não pensem que, por ter uma personalidade tão forte, ele foi capaz de ser fiel até o fim. Queridos irmãos e irmãs, por mais forte que uma pessoa seja, lembrem-se: vocês têm um inimigo que é mais forte.

    Se Paulo tivesse sido deixado por sua própria conta, não teria sido capaz de perseverar. Mesmo ao ler Romanos 7, vemos que, apesar de uma determinação tão forte como a de Paulo — uma vontade de ferro —, diante do mandamento “Não cobiçarás”, ele não conseguia vencer aquilo. Por quê? Porque o pecado é uma lei, e sua vontade não é páreo para uma lei.

    Queridos irmãos e irmãs, a razão pela qual vemos no apóstolo Paulo um homem de Deus tão digno de confiança, tão fiel a Deus e fiel até o fim, é que ele era alguém que realmente conhecia a graça.

    Creio que, entre todas as pessoas, Paulo foi um dos que melhor conheceram a graça, se posso dizer assim.

    O conhecimento de Paulo sobre a graça

    Desde o início de sua vida cristã, ele entrou em contato com a graça. Quando ainda não conhecia a graça de Deus, que tipo de pessoa ele era? Não era um homem comum. Sua origem não era apenas muito incomum; ele era hebreu de hebreus. Nasceu na grande cidade de Tarso. Era cidadão romano de nascimento.

    Foi instruído não apenas na cultura grega, mas também no judaísmo, sob o ensino de Gamaliel, o grande mestre de seu tempo. Paulo era um homem muito incomum e podia dizer que, entre seus contemporâneos, superava a todos.

    Tornou-se um blasfemador. Tornou-se um perseguidor da igreja. Mas disse: “Eu o fiz por ignorância”. Pensava estar acumulando méritos para que, se morresse, suas boas obras fossem adiante dele até Deus e falassem em seu favor.

    Participei de dois funerais de judeus ortodoxos e, nos dois, foi isso que ouvi. O rabino dizia: “Aqui está este homem, agora morto. Não há esperança. A única esperança é que suas boas obras vão adiante dele até Deus e falem em seu favor”. Provavelmente essa também era a mentalidade de Paulo. Ele procurava acumular o máximo de méritos possível para se preparar para o futuro.

    Meus queridos irmãos e irmãs, o que ele disse? Vemos em Gálatas 1:15-16:

    Mas, quando aprouve a Deus, Que desde o ventre de minha mãe me separou e me chamou pela Sua graça,
    revelar Seu Filho em mim, para que eu O pregasse entre os gentios, não consultei imediatamente carne e sangue.
    — Gálatas 1:15-16

    Ele disse que Deus o chamou pela Sua graça. E, se vocês abrirem em 1 Timóteo 1:12-14, verão que ele disse:

    Dou graças Àquele Que me fortaleceu, a Cristo Jesus, nosso Senhor, porque me considerou fiel, designando-me para o Seu serviço;
    embora eu antes fosse blasfemador, perseguidor e insolente: contudo, alcancei misericórdia, porque o fiz por ignorância, na incredulidade;
    e a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e o amor que há em Cristo Jesus.
    — 1 Timóteo 1:12-14

    Queridos irmãos e irmãs, ninguém conheceu a graça mais do que o apóstolo Paulo. Por quê? Porque, se não fosse pela graça de Deus, ele jamais teria sido chamado. Era um inimigo de Deus, um blasfemador, um perseguidor, uma pessoa arrogante e orgulhosa. Pensava que não precisava de graça. Pensava que era suficiente em si mesmo. Não sabia que estava caminhando para a destruição.

    E foi a graça imerecida de Deus que o chamou de volta. Queridos irmãos e irmãs, vocês quase conseguem ver a cena. Lá estava Saulo, provavelmente montado num cavalo, seguido por um grupo de pessoas com seus documentos do sumo sacerdote, indo à cidade gentia de Damasco, procurando prender aqueles seguidores do Senhor Jesus.

    Vocês quase conseguem ver que isso continuaria até sua morte. Mas Deus o deteve no caminho de Damasco. O que o deteve? A graça de Deus — a graça de Deus superabundou extraordinariamente para com ele em Cristo Jesus.

    Ah, ele não sabia como expressar isso, então usou todas essas expressões superlativas: “extraordinariamente”, “superabundando”, para com ele em Cristo Jesus. Queridos irmãos e irmãs, ele conhecia a graça de Deus.

    Não apenas isso, mas vemos que, ao longo de sua vida, Paulo foi alguém que conheceu a graça de Deus. Se vocês lerem Romanos 5, verão que ele mencionou algo. Disse:

    Mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça:
    para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor.
    — Romanos 5:20-21

    Aqui vemos que Paulo não conhecia apenas a graça que o salvou; conhecia a graça que venceu o pecado, o poder do pecado. É a graça reinando em vida para a justiça. Queridos irmãos e irmãs, vocês conhecem a graça de Deus que reina em vida para a justiça? Sabem que a graça não apenas os salvará, mas lhes dará poder para vencer até mesmo o poder do pecado e da morte? Paulo sabia disso.

    Se vocês lerem 1 Coríntios 15 — há tanta coisa que preciso passar adiante e mencionar apenas algumas —, verão que ele disse:

    Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus.
    Mas, pela graça de Deus, sou o que sou: e a Sua graça para comigo não foi vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles: todavia, não eu, mas a graça de Deus que estava comigo.
    — 1 Coríntios 15:9-10

    Sabem, Paulo nunca conseguia se esquecer disso. Isso o humilhava profundamente. Ele disse: “Não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus”. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou.

    Aqui, irmãos e irmãs, estava uma pessoa que conhecia a graça de Deus. Foi a graça de Deus que o fortaleceu para atravessar sofrimentos, perseguição e até a morte. Ele conhecia a graça de Deus. E, por isso, exortou seu filho Timóteo: “Fortalece-te na graça que há em Cristo Jesus”.

    A graça para Timóteo e para nós

    Sabem, Timóteo, como mencionamos antes, era por natureza muito diferente de Paulo. Era naturalmente tímido e introvertido. E, se Paulo precisava da graça de Deus para permanecer fiel até o fim, certamente Timóteo precisava da mesma graça.

    Em outras palavras, Paulo procurava dizer a Timóteo: “Não tenha medo. Não pense que você não pode prosseguir”.

    Sabem, várias pessoas vieram até mim e me fizeram uma pergunta como esta: “Se a perseguição vier a este país, você acha que conseguirei permanecer firme?”.

    Suponham que hoje alguém lhes dissesse que crer em Cristo Jesus é um crime, e então os levasse à morte, talvez com uma espada sobre o pescoço, e dissesse: “Negue ou confesse”. O que vocês fariam? Há alguém tão seguro de si que, quando esse momento chegar, será capaz de confessar Cristo?

    Se vocês pensam que estão de pé, a Bíblia diz: “Tenham cuidado para não cair”. Temos um exemplo em Pedro. Pedro disse: “Certamente, Senhor, ainda que todos os outros Te abandonem, irei Contigo até a morte”. E ele disse isso com sinceridade. Mas negou o Senhor diante de uma jovem criada.

    Ah, irmãos e irmãs, a única resposta não está em vocês nem em mim. A única resposta está na graça de Deus.

    Timóteo tendia a olhar para dentro de si mesmo. Quase consigo sentir isso. Quando Paulo foi separado dele, ao olhar ao redor para os irmãos e irmãs que haviam ficado, Timóteo via um quadro sombrio, muito desolador.

    Então Timóteo começou a olhar para dentro de si mesmo e disse: “Ó Deus, o que acontecerá comigo? Estarei entre aqueles que abandonarão Teu Filho? Estarei entre aqueles que até negarão a fé? Não tenho confiança na carne. Não sei”.

    Ah, irmãos e irmãs, pensamentos assim devem ter passado pela mente de Timóteo muitas vezes. Paulo o conhecia. Paulo conhecia Timóteo. Por isso, escreveu e disse: “Meu filho, fortalece-te na graça que há em Cristo Jesus”.

    Vocês não são capazes. Eu não sou capaz. Mas a graça está ali. A graça de Deus em Cristo Jesus está disponível — basta que vocês a recebam, se revistam dela, se apropriem dela e sejam fortalecidos pela graça de Deus.

    E sabem, se forem fortalecidos pela graça de Deus, não haverá nada que não possam fazer, porque é Ele Quem faz. Irmãos e irmãs, não é hora de conhecermos mais da graça de Deus?

    O significado da graça

    Agora, o que é graça? Essa palavra, graça, em grego, traz consigo pelo menos três significados, e esses três são um só.

    A graça como beleza inerente

    Primeiro: graça significa algo inerente a uma coisa ou a uma pessoa, algo que causa deleite, prazer e satisfação àqueles que olham para essa coisa ou para essa pessoa.

    Ao entrarem neste salão, vocês veem que há flores ali. Há nessas flores algo belo. Não apenas a cor é bela; a forma é ainda mais bela. Há uma verdade ali. Há uma realidade ali. Há algo inerente a essas flores.

    Sempre que vocês entram nesta sala e olham para elas, imediatamente surge em seu interior uma sensação de prazer, deleite e satisfação. Queridos irmãos e irmãs, em outras palavras, há algo verdadeiro e belo na flor.

    Se não houver nada belo ali, se não houver verdade ali, ao olharem para ela, não encontrarão nada. Será vazio. Assim, antes de tudo, graça significa que há algo belo naquela coisa ou naquela pessoa. Como a beleza está ali, quem entra em contato com ela recebe imediatamente deleite, prazer e satisfação.

    Esse é o primeiro significado de graça. O que é graça? Há algo belo. Há algo verdadeiro em Cristo. Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade, há algo Nele que pode proporcionar aos outros essa sensação de deleite e prazer. Isso é graça.

    A graça como dádiva gratuita e universal

    Segundo: por haver algo belo Nele, vemos que Ele está disposto a dar às outras pessoas aquilo que há de belo em Si.

    E, por ser graça, precisa ser gratuita e precisa ser universal. Em outras palavras, quando Deus dá graça aos seres humanos, Ele a dá gratuitamente. A graça não é uma dívida. A graça não é uma recompensa. A graça não é algo que Deus deva. A graça não é algo que Deus dê porque você faz alguma coisa.

    É graça. Ao ser dada, a graça precisa ser gratuita — absolutamente gratuita, sem cobrança. E não apenas gratuita, mas também universal. Em outras palavras, se você dá graça a este homem e não dá graça ao outro, se escolhe a quem dará, isso não é graça.

    Agora, quanta graça conseguimos dar às pessoas? Quando damos, podemos dizer: “Bem, eu lhe dei isso gratuitamente”. Mas por que você deu a esta pessoa e não àquela? Há alguma razão por trás disso. Já não é graça.

    Mas, quando a graça de Deus vem ao mundo, é gratuita para todos. Ninguém fica de fora. Agora, recebê-la ou não depende de vocês. Mas, no que diz respeito ao dar de Deus, Ele dá a todos. Universal. Esse é o segundo significado.

    A graça como gratidão transformadora

    O terceiro significado de graça é este: naqueles que recebem graça, ela cria um coração agradecido e os transforma de tal maneira, segundo a graça, que também começam a ser graciosos, assim como Deus é gracioso.

    Sabem, muitas vezes, quando nos sentamos para comer, dizemos em inglês: “Vamos dar graças”. O que isso significa? Significa que vocês estão dando graça a Deus? Bem, significa simplesmente: vamos agradecer.

    Vocês sabem como a Bíblia é diferente. Dizemos: “Vamos dar graças”, o que significa: “Vamos agradecer a Deus”. E a Bíblia diz que graça significa agradecimento.

    Graças a Deus pelo Seu dom inefável.
    — 2 Coríntios 9:15

    No original, diz: “Graça a Deus pelo Seu dom inefável”. Em 2 Coríntios, vemos Paulo dizendo que eles tinham graça, que desejavam participar daquela graça — isto é, queriam dar. Meus queridos irmãos e irmãs, isso é graça.

    Não podemos receber a graça de Deus sem sermos transformados para nos tornarmos mais graciosos. A graça não completou sua obra se não transforma vocês para serem graciosos, assim como Deus é gracioso.

    É por isso que, naquela parábola, quando um servo devia tanto a seu senhor e disse: “Dá-me tempo, e eu te pagarei” — embora, mesmo que tivesse a eternidade, não fosse capaz de pagar aquela quantia —, isso era apenas uma desculpa. Mas o senhor, por misericórdia, o perdoou.

    Ele saiu e viu outro servo, um companheiro seu, que lhe devia alguma coisa. Agarrou-o pelo pescoço e disse: “Se você não pagar, vou colocá-lo na prisão”. E o resultado foi que ele próprio acabou na prisão. Por quê? Porque recebeu graça, mas não foi gracioso como seu senhor.

    Queridos irmãos e irmãs, o que é graça? Se vocês enxergarem o que é graça, verão que ela não apenas está Nele, e não apenas nos é dada gratuita e universalmente, mas, quando a recebemos em nosso interior, ela nos muda e nos transforma de tal maneira que pessoas como nós começam a ser graciosas. Isso não é maravilhoso?

    E, no Novo Testamento, todos esses significados estão incluídos nessa palavra, graça. Queridos irmãos e irmãs, conhecemos a graça? Estamos revestidos de graça?

    Se realmente conhecermos a graça de Deus, veremos que seremos fortalecidos interiormente e seremos capazes de ser fiéis e dignos de confiança.

    O recebimento da graça pela fé e pela obediência

    Outra coisa que devemos ver aqui é que Paulo disse: “Meu filho, fortalece-te na graça que há em Cristo Jesus”. Fortalece-te. Essa palavra significa: “Fortaleça-se na graça que há em Cristo Jesus”.

    No que diz respeito à graça, ela está sempre disponível. Queridos irmãos e irmãs, a graça de Deus em Cristo Jesus está sempre aqui. Nunca haverá um momento, nunca uma ocasião, nunca uma prova em que a graça de Deus não esteja ali, pronta e disponível. Ela está sempre aqui.

    Mas a graça precisa ser recebida ativamente. Não porque a graça de Deus não esteja ali, mas porque a graça não é algo mecânico. Não é algo automático. Vocês a recebem pela fé — não apenas pela fé, mas também pela obediência.

    Isso pode ser ilustrado na vida de Abraão. Vemos que Abraão era uma pessoa que se levantava em fé e obediência e recebia a graça de Deus. Isso é algo que precisamos fazer.

    Irmãos e irmãs, vemos que a graça é algo que não podemos receber mecanicamente. Ela não vem a nós automaticamente. É preciso que nos levantemos e a recebamos pela fé e pela obediência. Então ela será nossa.

    É por isso que as pessoas frequentemente dizem: “Por que, quando preciso de graça, a graça de Deus não está disponível?”. Não é porque a graça de Deus não esteja disponível. É porque vocês não exercitam sua fé e sua obediência.

    O bispo Moule diz: “A graça que há em Cristo Jesus”. Vocês veem a graça em Cristo Jesus. Como podem separar a graça de Cristo Jesus? Ele disse: “O que é graça? Graça é Cristo em ação e em presença”. Gosto disso. Graça é Cristo em ação e em presença.

    E é disso que precisamos em nossos dias: ver Cristo em ação, ver Cristo em presença. Quando nos revestimos disso, vemos que somos fortalecidos interiormente e somos capazes de passar pela prova e ser fiéis até o fim.

    O evangelho da graça em Gálatas

    Sabem, há um livro no Novo Testamento, escrito por Paulo, que é muito mal compreendido. É a carta aos Gálatas. Ao lerem a carta aos Gálatas, talvez sua primeira impressão seja que essa é a pior carta que Paulo escreveu, porque foi escrita com um espírito errado.

    Vemos que Paulo parece ter perdido a paciência ao escrever aquela carta. É o que parece. Parece haver amargura, mágoa, precipitação, irritação. Ele não conseguia mais suportar aquilo.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, provavelmente não há, entre os escritos de Paulo, carta alguma que fale da graça de maneira mais completa do que a carta aos Gálatas. Não é de admirar que Martinho Lutero tenha dito: “A carta aos Gálatas é a minha Catarina” — isto é, minha esposa.

    Sabem, muitas vezes pensamos em Martinho Lutero em conexão com Romanos: “O justo viverá pela fé”. Mas, na verdade, Martinho Lutero foi conduzido por meio de Gálatas, não de Romanos. Ele encontrou em Gálatas o próprio princípio do evangelho de Jesus Cristo.

    Aqui vemos que Paulo estava profundamente angustiado com a situação que havia surgido na Galácia. Se estamos corretos, as igrejas da Galácia foram as primeiras que Paulo plantou na Ásia. Isso aconteceu durante sua primeira viagem.

    Ele e Barnabé passaram por Listra, Icônio, Antioquia e outros lugares. Ali vemos que Deus levantou igrejas nessas regiões. Assim, em certo sentido, essas eram as igrejas de seu primeiro amor. Ele as amava tanto. Quase deu a vida por elas, porque foi apedrejado até a morte em Listra.

    E, no entanto, em pouco tempo, vemos que metade dos crentes gálatas foi seduzida a se afastar dele e seguir aqueles judaizantes. Pessoas vieram e disseram: “É muito bom que vocês creiam em Jesus Cristo, mas isso não basta. Vocês precisam ser circuncidados. Precisam guardar a lei, e então serão perfeitos”.

    Em outras palavras, vieram pessoas ensinar outro evangelho, que não era o evangelho da graça pregado por Paulo. Assim, vemos que, nessa carta, ele procurava trazê-los de volta ao evangelho da graça. Não há livro no Novo Testamento que fale da graça com mais clareza do que a carta aos Gálatas.

    Agora, não olhem para um livro com uma atitude negativa. Olhem para ele com uma atitude positiva, e então encontrarão algo muito belo.

    Cristo revelado em nós

    Qual é, então, o evangelho da graça que Paulo procurava gravar no coração dos crentes gálatas? De maneira muito simples, podemos dizer que ele inclui três coisas.

    Primeiro, encontramos em Gálatas 1 o trecho que lemos antes:

    Mas, quando aprouve a Deus, Que desde o ventre de minha mãe me separou e me chamou pela Sua graça,
    revelar Seu Filho em mim, para que eu O pregasse entre os gentios, não consultei imediatamente carne e sangue:
    nem subi a Jerusalém, aos que já eram apóstolos antes de mim: mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco.
    — Gálatas 1:15-17

    Antes de tudo, ele disse: isto é graça — Deus me chamou pela Sua graça. No sentido de que aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim. Irmãos e irmãs, esse é o começo da graça.

    Quando a graça começa em sua vida? Começa quando Deus revela Seu Filho em vocês.

    Antes que viesse essa revelação, Saulo, o grande fariseu, estava andando num caminho contrário à vontade de Deus, e não sabia disso. Mas, um dia, a graça de Deus o chamou. Como a graça de Deus o chamou? Deus revelou Seu Filho.

    Cristo revelado — isso é graça. Não é verdade também em nossa própria vida? Vocês podem ter sido criados numa família cristã. Podem ter estudado em escolas cristãs. Podem ter se tornado membros de uma igreja cristã. Podem até estar envolvidos em atividades cristãs.

    Se Deus não revelou Seu Filho em vocês, vocês não sabem o que é graça. Tudo é objetivo. Tudo é distante e remoto. Tudo é apenas teoria, um conceito — belo, mas irreal.

    Só quando, um dia, agrada a Deus revelar Seu Filho em vocês é que tudo muda. Costumo dizer que Paulo tinha a melhor tradição que um homem poderia ter. Por quê? Porque a tradição do judaísmo era a melhor de todas as tradições.

    Paulo tinha essa tradição, mas ela apenas o conduziu à destruição. É a revelação do alto que faz a diferença. Como é importante, então, queridos irmãos e irmãs, começarmos com Cristo revelado. Agrada a Deus revelar Seu Filho. Esse é o começo da graça.

    Cristo vivendo em nós

    Mas a graça não para aí. Muitas vezes, entre o povo de Deus, parece que a graça de Deus para nesse ponto e não vai além. Mas não. Se vocês lerem Gálatas 2:20-21, Paulo disse:

    Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim: e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé, a fé que há no Filho de Deus, Que me amou e Se entregou por mim.
    Não anulo a graça de Deus: porque, se a justiça vem pela lei, então Cristo morreu em vão.
    — Gálatas 2:20-21

    Não é verdade que, depois de Cristo ser revelado em nós e de sermos chamados pela graça de Deus, é muito fácil deixarmos de lado, afastarmos a graça de Deus, como se já não precisássemos dela? Nós a tivemos; agora não precisamos mais.

    Como é verdade que, depois de sermos salvos, procuramos nos aperfeiçoar guardando a lei, pelas boas obras, por nossos próprios esforços. Mesmo que nenhum judaizante tenha vindo ao nosso meio ensinar que não basta apenas crer no Senhor Jesus, que precisamos ser circuncidados e fazer isto e aquilo, ainda assim, queridos irmãos e irmãs, vemos que isso acontece entre os crentes. Vemos que acontece na igreja hoje.

    Depois de recebermos a graça de Deus, imediatamente a deixamos de lado, como se não precisássemos dela. Como vamos viver como cristãos? Como vamos viver uma vida de justiça, estar em retidão diante Dele? Como vamos corresponder ao padrão de Deus? Como? Trabalhamos. Tentamos.

    Criamos nossas próprias leis e regulamentos. Como se isso não bastasse, as pessoas nos acrescentam regras e regulamentos. Guardando essas coisas e fazendo essas coisas, pensamos que podemos viver em justiça diante de Deus.

    Ah, irmãos e irmãs, vocês deixaram de lado a graça de Deus. Isto é, não têm usado a graça de Deus. A graça de Deus está aqui. Usem-na.

    Em que sentido? Paulo disse:

    Fui crucificado com Cristo. Já não sou eu quem vive; é Cristo Quem vive em mim.

    Sabem, quando um cristão começa a viver como cristão, descobre que todo o problema de sua vida cristã é ele próprio. Muitas vezes culpamos nossas circunstâncias. Dizemos: “Se nossas circunstâncias fossem diferentes, seríamos diferentes”. Até culpamos outras pessoas: “Se tivéssemos uma companhia melhor, seríamos diferentes”.

    Queridos irmãos e irmãs, até culpamos Satanás, nosso inimigo: “Se ele não estivesse ali, seríamos diferentes”. Mas lembrem-se: à medida que prosseguirem na vida, mais cedo ou mais tarde descobrirão que seu maior problema é o próprio eu.

    Sempre me lembro do que Melanchthon disse. Melanchthon era um homem que trabalhava com Martinho Lutero. Era o teólogo da Reforma. Certa vez, disse: “O velho Adão é demais para o jovem Melanchthon”.

    Irmão e irmã, precisamos descobrir isso. Precisamos descobrir que o “eu” é todo o problema. Mas existe a graça de Deus? Existe.

    Por quê? Porque, quando Cristo morreu na cruz, a graça já havia realizado a obra. Ele colocou o velho Adão na cruz.

    Sabendo isto: que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de que não mais sejamos escravos do pecado.
    — Romanos 6:6

    Irmãos e irmãs, na cruz Cristo não apenas levou em Seu corpo os nossos pecados, para que, quando cremos Nele, nossos pecados sejam perdoados; quando Cristo morreu na cruz, Ele também levou vocês e a mim Nele. Quando Ele foi crucificado, nós fomos crucificados.

    Isso foi feito — não em vocês, não em mim, mas em Cristo. É por isso que, quando olham para dentro de si mesmos, vocês se veem muito vivos; mas, se olham para Cristo, veem que estão crucificados com Ele.

    Queridos irmãos e irmãs, a graça de Deus está ali. Ele já fez isso. Tudo o que precisam fazer é enxergar isso e recebê-lo pela fé. Paulo disse: “Fui crucificado. Já não sou eu”. O “eu” é retirado. É Cristo Quem vive em mim.

    Essa vida do “eu” é removida. O vaso está ali, mas o que importa é o tesouro — é Cristo. E agora vivo na carne. Ainda vivo na terra. Ainda vivo na carne, mas vivo pela fé — não pela minha fé, mas pela fé do Filho de Deus, Que me amou e Se entregou por mim.

    Queridos irmãos e irmãs, “Cristo vive em mim” é o segundo estágio da graça. Não precisamos apenas conhecer Cristo revelado em nós; precisamos conhecer Cristo vivendo em nós.

    Não há dúvida de que Cristo está em vocês. Mas a pergunta é: Ele vive em vocês? Vocês Lhe dão oportunidade de viver Sua vida? Vocês saem do caminho e O deixam viver?

    Em outras palavras, é a cruz. Como precisamos da cruz. É conhecendo a cruz do Senhor Jesus que entramos no segundo estágio da graça de Deus: não eu, mas Cristo Quem vive em mim.

    Cristo formado em nós

    Então, em Gálatas 4:19:

    Meus filhinhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
    — Gálatas 4:19

    Irmãos e irmãs, o que é a graça de Deus? A graça de Deus não é apenas Cristo revelado e Cristo vivendo em vocês; a graça de Deus é Cristo formado em vocês.

    O que significa Cristo ser formado em vocês? Sempre que uma forma surge, vocês podem vê-la. Em outras palavras, a vida de Cristo viveu de tal maneira em vocês que Seu caráter começa a aparecer em vocês. Vocês estão sendo conformados à imagem do Filho de Deus.

    Cristo começa a ser encontrado em vocês. Começa a ser expresso por vocês. As pessoas começam a ver Cristo em vocês. Então Sua graça está operando. A graça não deixará de trabalhar até que Cristo seja formado.

    As dores de parto e a formação de Cristo

    Mas, para que Cristo seja formado, são necessárias dores de parto. São necessárias dores de parto. Não eram necessárias apenas as dores de parto de Paulo para que Cristo fosse formado nos crentes gálatas; o próprio Paulo também havia passado por dores de parto para que Cristo fosse formado nele.

    Em outras palavras, a lei das dores de parto governa a formação de Cristo em nós. Por quantas dores de parto passamos por amor a Jesus?

    Queridos irmãos e irmãs, há dores de parto, e essas dores são sofrimento. Sabem, como uma mãe em trabalho de parto, procurando dar à luz um filho: há dor, há sofrimento.

    Ele verá o fruto do trabalho de Sua alma, e ficará satisfeito.
    — Isaías 53:11

    É das dores de parto do nosso Senhor Jesus que a igreja nasce. Quanto Ele sofreu ao Se tornar homem. Sabem, irmãos e irmãs, nunca poderemos compreender o significado da encarnação. Para Deus Se tornar homem, certamente houve muitas dores de parto.

    Lembramos das dores do nosso Senhor Jesus no jardim do Getsêmani. Ah, Ele estava triste até a morte. Seu suor caía como gotas de sangue. Se Deus não tivesse enviado anjos para sustentá-Lo, parecia que Ele poderia ter morrido no jardim. Seu corpo físico não conseguia suportar aquelas dores.

    Quanto Ele sofreu na cruz do Calvário:

    Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?

    Das dores de Sua alma nasce a bela igreja. Das dores de parto de Paulo nasceram essas igrejas.

    Ah, irmãos e irmãs, quanto conhecemos disso hoje? É verdade: para que Cristo seja formado em nós, precisamos passar por dores de parto.

    É isso que temos procurado dizer de diferentes maneiras. Em 2 Coríntios 4:7, Paulo disse:

    Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós mesmos.
    — 2 Coríntios 4:7

    Irmãos e irmãs, temos Cristo em nós. Nós somos os vasos de barro; Cristo é o tesouro. Mas o vaso de barro é opaco. Não há muito brilho ali. Na verdade, há escuridão.

    Mas o tesouro dentro de nós é cheio de esplendor, cheio de brilho, cheio de poder. Infelizmente, ele está confinado dentro de nós. Quando as pessoas nos veem e nos tocam, tocam o vaso. Não veem o tesouro. Por quê? Porque Cristo não está formado.

    Agora, como o poder extraordinário do tesouro pode ser manifestado? Como Cristo pode ser formado em nós? Aqui Paulo disse:

    Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados;
    perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.
    — 2 Coríntios 4:8-9

    “Estou cercado, mas não estou frustrado.” Naturalmente, se vocês estão cercados, ficam frustrados. Suponham que estejam cercados. Vão para o sul e dão de cara com um muro. Vão para o norte e dão de cara com um muro. Vão para o leste e dão de cara com um muro. Vão para o oeste e dão de cara com um muro. Então encontram muros por todos os lados.

    Irmãos e irmãs, quando estão cercados por muros, ficam frustrados? É por isso que ficamos frustrados. Mas Paulo disse: “Estou cercado, mas não estou frustrado”. Por quê?

    “Cheguei ao fim dos meus recursos, mas não ao fim da minha esperança.” Amo essa tradução. Muitas vezes vemos que Deus nos leva ao fim dos nossos recursos. Lembrem-se de Jacó — um homem cheio de recursos. Mas um dia ele chegou ao fim dos seus recursos. Não sabia o que fazer. Mas esse não é o fim; é o começo da esperança.

    “Perseguido, mas não desamparado; derrubado, mas não nocauteado.”

    Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
    — 2 Coríntios 4:10

    Ah, que eu morra diariamente por amor a Jesus. Lembrem-se: isso não é algo relacionado ao pecado. Não. Não é porque vocês estão tentando vencer um pecado. Não. É por amor a Jesus, para que a vida de Jesus seja manifestada, para que Jesus seja formado. Por amor a Jesus, morro diariamente. Estou disposto a ir à morte. Vale a pena.

    Queridos irmãos e irmãs, chamamos isso de disciplina do Espírito Santo. Por quê? Porque é o Espírito Santo Quem coloca todos esses muros ao seu redor para levá-los ao fim de si mesmos.

    Mas, quando vocês se encontram numa situação impossível, olham para o alto, e ali está Ele. Sua graça está esperando por vocês.

    Queridos irmãos e irmãs, como precisamos ser levados, repetidas vezes, ao fim de nós mesmos por amor a Jesus. Como precisamos conhecer o quebrantamento por amor a Jesus. Quanto a nós, somos quebrados, esmagados, despedaçados, reduzidos.

    Mas, quanto a Cristo, Ele é formado, Ele cresce, Ele é reproduzido, Ele é engrandecido. Estamos dispostos a passar por essas dores de parto?

    Vocês não podem experimentar a formação de Cristo em vocês sem passar por dores de parto. A lei das dores de parto governa a formação da vida.

    A graça que nos custa a vida do eu

    E isso é graça. Irmãos e irmãs, a graça de Deus está aqui. Vocês a receberão?

    É verdade: a graça de Deus é gratuita. Mas tem um alto custo. Não custa apenas a Deus; se vocês realmente permitirem que a graça opere em sua vida, descobrirão que ela lhes custa a própria vida. Mas faz surgir a vida de Cristo.

    Portanto, irmãos e irmãs, enquanto vivemos nestes dias, precisamos conhecer mais da graça. Precisamos nos humilhar diante de Deus, porque Deus dá graça aos humildes.

    Se nos considerarmos suficientes, não haverá graça. Mas, se nos humilharmos e dissermos: “Senhor, precisamos de Ti”, então veremos que Sua graça nos basta.

    Oração

    Ó Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos porque a graça de Deus em Jesus Cristo é um fato. Como Te louvamos e agradecemos porque a graça de Deus está sempre presente. Ela está apenas esperando que a descubramos e a recebamos, que creiamos e obedeçamos.

    Ó nosso Pai, pedimos que despertes em nosso coração o desejo de conhecermos a graça de Deus que há em Cristo Jesus. Que seja graça sobre graça, mais graça. Que sejamos revestidos e fortalecidos interiormente pela graça de Deus.

    Somente pela Tua graça somos capazes de permanecer firmes. Ó nosso Senhor, pedimos que possamos enxergar: não somos nós mesmos; é a graça de Deus.

    Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.