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    Fulfill Your Ministry © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Fulfill Your Ministry
    Fulfill Your Ministry
    Kaung, Stephen

    O cumprimento da plena medida do ministério

    Amontoarão para si mestres, tendo coceira nos ouvidos;
    e desviarão os ouvidos da verdade, voltando-se às fábulas.
    Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.
    Porque eu já estou sendo derramado como libação, e o tempo da minha partida é chegado.
    Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé:
    desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia;
    e não somente a mim, mas também a todos os que amaram a Sua vinda.

    —2 Timóteo 4:3-8

    Mencionamos anteriormente que esta segunda carta a Timóteo foi a última carta que Paulo escreveu antes de seu martírio. Podemos considerar esta carta como o testamento de Paulo.

    Nesta carta, ele nos mostra sua última vontade. O que ele realmente desejava deixar depois de sua partida? Qual era o legado, o segredo, a herança que ele queria que Timóteo, seu próprio filho na fé, recebesse — e, por meio de Timóteo, todos os que são fiéis?

    Cremos que, nesta última vontade do apóstolo Paulo, podemos ver a vontade de nosso Senhor e de nosso Deus. É a vontade de Deus que sejamos homens e mulheres dignos de confiança e fiéis nos últimos dias; que nós mesmos sejamos pessoas às quais Ele possa confiar a Si mesmo, pessoas às quais Ele possa confiar o Seu testemunho.

    Devemos nos tornar vasos de Jesus. Não apenas devemos sustentar fielmente o testemunho, mas também devemos ser capazes de ajudar outros nesse testemunho. Creio realmente que esta é a última vontade de nosso Senhor antes de Sua volta.

    Ele quer que nos lembremos da santa vocação com que nos chamou. Ele quer que guardemos o bom depósito que colocou em nós. Ele quer que sejamos fortes na graça que está em Cristo Jesus. Ele quer que soframos juntamente com Ele nos sofrimentos de Cristo.

    E Ele nos adverte a prosseguir como soldados — como bons soldados do Senhor.

    A plena medida do ministério

    Nesta noite, gostaríamos de chegar a este último ponto, encontrado em 2 Timóteo 4:5:

    Cumpre o teu ministério.

    Preencha a plena medida do seu ministério.

    Sabemos que Paulo, desde o dia em que foi chamado por Deus para este ministério, foi fiel até o fim. Não porque fosse, de alguma forma, mais forte ou melhor do que qualquer outra pessoa, mas porque conhecia a graça de Deus.

    Foi a graça de Deus que tornou Paulo fiel ao ministério que Deus lhe confiou. Por isso, ao escrever esta última carta, ele disse:

    Eu já estou sendo derramado como libação.

    Vocês se lembram de que, quando escreveu a carta aos filipenses, ele disse:

    Mas, ainda que eu seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós.

    —Filipenses 2:17

    Este sempre foi o desejo de Paulo. Ele estava disposto a ser derramado como uma libação, como uma oferta de bebida, sobre o sacrifício e o serviço da fé dos crentes filipenses.

    Ao oferecer os crentes filipenses como sacrifício a Deus, ele derramava a si mesmo sobre aquele sacrifício como uma oferta de bebida. Por um lado, vocês veem como o apóstolo Paulo era humilde. Ele considerava os crentes filipenses como o sacrifício a Deus; ele era apenas uma oferta de bebida acrescentada àquele sacrifício.

    Mas estava disposto a derramar a si mesmo por amor a eles, e se alegraria juntamente com eles. Quando chegou a 2 Timóteo, porém, ele disse:

    Eu já estou sendo derramado como libação.

    Durante toda a sua vida como servo do Senhor, ele esteve continuamente derramando a si mesmo. Derramou a si mesmo não apenas pela igreja em Filipos, mas pelas igrejas na Ásia, por todas as igrejas que Deus o havia usado para estabelecer e até mesmo por igrejas onde nunca havia estado.

    Paulo estava disposto a derramar sua vida sobre elas como uma oferta de bebida. Ele derramou, derramou e derramou, até que, finalmente, pôde dizer: “Eu já estou sendo derramado como libação”. Em outras palavras, ele havia derramado a si mesmo no ministério a tal ponto que não havia mais nada a derramar. Ele havia derramado tudo.

    Portanto, ele pôde dizer:

    Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.

    E agora havia uma coroa de justiça à sua espera — não somente para ele, mas para todos os que amam a vinda do Senhor.

    Queridos irmãos e irmãs, o apóstolo Paulo foi verdadeiramente um bom ministro de Cristo.

    Mas, antes de sair de cena, ele deixou suas últimas palavras — as palavras de um veterano no serviço do Senhor — ao seu filho Timóteo. Sua exortação foi:

    Cumpre a plena medida do teu ministério.

    O próprio Paulo já havia preenchido a plena medida de seu ministério, e agora exortava Timóteo a preencher a plena medida de seu próprio ministério.

    As circunstâncias difíceis de Timóteo

    Ontem à noite, mencionamos que, depois que Paulo foi preso e levado a Roma, toda a Ásia o havia abandonado. Timóteo ficou na Ásia.

    Era muito difícil para um jovem como Timóteo ser fiel em tais circunstâncias. Durante toda a sua vida, ele havia vivido à sombra do apóstolo Paulo, e agora Paulo havia sido tirado de perto dele.

    Anteriormente, na Ásia, havia muitos queridos irmãos e irmãs que pareciam estar prosseguindo com o Senhor, e Timóteo tinha muita boa companhia. Mas, de repente, toda a Ásia havia abandonado Paulo, e o próprio Paulo havia sido levado embora.

    Numa situação como aquela, era muito difícil para Timóteo, sendo jovem, até mesmo permanecer firme na fé. Seria uma grande tentação para Timóteo se esconder, sem falar em tentar fortalecer os irmãos e irmãs e restaurar o testemunho de Jesus.

    Era um esforço sobre-humano, e certamente Timóteo se considerava incapaz.

    Creio que havia uma grande tentação para Timóteo naquela ocasião: “Não adianta mais ministrar. Se eu conseguir apenas me manter na fé, isso é tudo o que posso esperar”. Ele seria tentado a desistir do ministério que Deus lhe havia dado porque o momento não era oportuno. O momento era difícil demais.

    O desânimo de Elias

    Vocês se lembram de que até mesmo o grande profeta Elias fez a mesma coisa. No monte Carmelo, ele matou quatrocentos profetas de Baal; parecia capaz de fazer toda a nação se voltar para Deus.

    Mas, depois daquela grande vitória, no dia seguinte, uma mulher lhe mandou dizer: “Vou tirar a sua vida”. Elias disse: “Acabou”, e fugiu.

    Não adiantava, pensava ele, continuar no ministério. Não adiantava. Então, por que continuar? Ele fugiu.

    E Deus disse: “Elias, o que você está fazendo aqui?”. Deus não podia entender por que ele estaria ali. Elias tinha suas razões:

    Mataram os Teus profetas.
    Destruíram os Teus altares.
    Quebraram a Tua aliança.
    Só eu fiquei.
    Eu tento, mas fracasso.
    O que posso fazer? Deixa-me morrer.

    Queridos irmãos e irmãs, creio realmente que Timóteo devia ter os mesmos sentimentos dentro de si. “De que adianta continuar no ministério que Deus me deu?” Parecia inútil.

    Por causa disso, Paulo o exortou: apesar dos tempos difíceis, quando as pessoas têm coceira nos ouvidos e não querem ouvir o ensino sadio, quando só querem ouvir aquilo de que gostam e surgem mestres para dizer aquilo que elas gostam de ouvir, Timóteo precisa permanecer sóbrio.

    Ele precisa suportar as aflições, fazer a obra de um evangelista e cumprir a plena medida de seu ministério. Como esta exortação era necessária para Timóteo!

    O dom e o chamado de Timóteo

    Creio que Timóteo era mestre desde muito jovem. Nas congregações locais de Listra e Icônio, o dom de mestre se manifestava nesse jovem.

    Quando Paulo voltou a Listra, os irmãos e irmãs de ambos os lugares recomendaram Timóteo. Embora fosse jovem, ele parecia ter um ministério de ensino. Por isso, Paulo o levou consigo para ajudar a desenvolver o dom e o ministério que Deus havia colocado nesse jovem.

    Bem no final, Paulo exortou Timóteo, dizendo, em essência: “Não deixe morrer o dom que lhe foi dado pela imposição das minhas mãos, mas reacenda-o”.

    Ele deveria se esforçar diligentemente para se apresentar aprovado a Deus, como um obreiro que não tem de que se envergonhar. Deveria proclamar a Palavra a tempo e fora de tempo. Aquele era um momento fora de tempo para proclamar a Palavra.

    Ainda assim, Paulo disse:

    Sê sóbrio, suporta as aflições, faze a obra de um evangelista e cumpre a plena medida do teu ministério.

    Creio que, depois de receber tal exortação, Timóteo, pela graça de Deus, continuou fielmente. E ele cumpriu, em sua plena medida, o ministério que Deus lhe deu.

    O ministério de cada crente

    Agora, queridos irmãos e irmãs, em certo sentido, todo filho de Deus que foi redimido recebe um ministério. Todos nós somos servos do Senhor.

    É verdade que a pessoa é mais importante do que a obra, como mencionamos ontem à noite. A menos que nós mesmos sejamos aprovados por Deus, nossa obra não vale nada.

    A menos que nos purifiquemos, deixando de ser vasos de madeira e de barro para nos tornarmos vasos de ouro e de prata, não podemos realizar uma obra honrosa. Somos inadequados para o uso do Senhor e despreparados para toda boa obra.

    Assim, em certo sentido, isso é muito verdadeiro, queridos irmãos e irmãs: antes de pensarmos na questão do ministério — ou, se preferirem, na questão do serviço —, precisamos primeiro considerar a nós mesmos. Você é mais importante para o Senhor do que aquilo que pode fazer por Ele.

    Antes de tudo, precisamos estar diante do Senhor para nos apresentarmos aprovados a Deus. Mas não devemos desconsiderar a obra, o serviço ou o ministério, porque Deus tem, de fato, uma obra a realizar, e Ele realizará essa obra por meio de você e de mim.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se disto: todo filho de Deus que foi redimido recebe um ministério. Todos nós somos chamados a servir. Todos nós estamos na obra de Deus. Ninguém é exceção.

    Todos nós recebemos graça e dom para podermos cumprir nosso ministério. Para cumprir um ministério, você precisa de graça e precisa de dom.

    Sem graça, mesmo que tenha dons, você não pode cumprir seu ministério. Com graça, se não houver o exercício do dom, também não pode cumprir seu ministério. Um ministério é cumprido por meio de dons e graça: graça da parte do Senhor Jesus e dom da parte do Espírito Santo.

    A graça de nosso Senhor Jesus e a comunhão do Espírito Santo são ambas necessárias. Nós, que pertencemos ao Senhor, recebemos graça do Senhor Jesus. Na verdade, a graça é o próprio Senhor Jesus. Todos nós recebemos dons do Espírito Santo; os dons são manifestações do Espírito Santo.

    Com esses dois — graça e dom —, devemos cumprir nosso ministério.

    Graça e dom

    Romanos 12:6 diz:

    Tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, se é profecia, seja ela segundo a proporção da fé.

    —Romanos 12:6

    Aqui vocês encontram dons segundo a graça. Todo o livro de Romanos fala da graça. Ali vocês veem como Deus é misericordioso para conosco — as múltiplas misericórdias de Deus reveladas na graça.

    Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós. Seu sangue nos purifica de todos os nossos pecados. Nosso velho homem foi crucificado com Cristo. Portanto, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.

    Em Romanos, vocês encontram a graça de Deus que veio a nós em Cristo Jesus. A graça foi dada, e agora há diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, para que esses dons sejam usados pela graça que está em nós.

    Em Efésios 4:7-8, está escrito:

    Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.
    Por isso diz: Quando Ele subiu ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens.

    Em Efésios 4, vocês encontram graça segundo o dom. Portanto, não podem separar a graça do dom, nem o dom da graça. É possível distingui-los, mas não separá-los. Se vocês separarem esses dois, não serão capazes de cumprir seu ministério.

    Podemos usar uma ilustração da veste do sumo sacerdote. Na borda daquela longa veste, vocês encontram uma romã e uma campainha de ouro, por toda a volta da bainha — uma romã e uma campainha de ouro.

    A romã fala da graça, e a campainha de ouro fala do dom. Com esses dois, o sumo sacerdote cumpre seu ministério.

    Assim, queridos irmãos e irmãs, lembremos que o Senhor nos deu graça e o Espírito Santo nos deu dom. Com graça e dom, devemos cumprir nosso ministério.

    A natureza do ministério do Novo Testamento

    Não importa qual seja seu ministério específico: nossos ministérios são variados e diferentes, mas a natureza de nosso ministério é a mesma.

    Antes de realmente entrarmos na questão de como cumprir a plena medida de nosso ministério, precisamos considerar, por um momento, a natureza do ministério do Novo Testamento.

    O ministério do Novo Testamento tem uma natureza muito especial. Ele é diferente do ministério do Antigo Testamento.

    Se vocês abrirem em 2 Coríntios 3, verão que o ministério da antiga aliança é representado por Moisés, enquanto o ministério da nova aliança se identifica com nosso Senhor Jesus.

    João 1:17 nos diz:

    A lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

    O ministério da antiga aliança é tipificado por Moisés. É um ministério da lei. É na letra; está inscrito em pedras. É um ministério de morte e condenação.

    É verdade que ele tem glória, porque a lei vem de Deus e nos revela, até certo ponto, a santidade e a justiça de Deus. Portanto, a lei foi acompanhada de glória, mas é uma glória que desvanece por causa da fraqueza da carne.

    Mas o ministério da nova aliança é um ministério da graça. É no Espírito. Está escrito nos corações. É o ministério do Espírito e é um ministério de justiça.

    Este ministério tem uma característica peculiar: por meio dele, Cristo é comunicado às pessoas.

    Não uma lei, não meramente um ensino, mas um Cristo vivo está sendo escrito no coração daqueles que recebem esse ministério.

    Paulo disse que é como escrever a epístola viva de Cristo. Os ministros são como escribas, mas a tinta que usam não é a letra; é o Espírito. À medida que ministram, Cristo é escrito na vida das pessoas.

    Aqueles que recebem o ministério tornam-se legíveis. Vocês podem ler Cristo na vida deles. Essa é a característica peculiar do ministério do Novo Testamento.

    Neste ministério, o véu é retirado. As pessoas são conduzidas a estar face a face com o Senhor. Podem contemplar a glória do Senhor com o rosto descoberto e são transformadas na mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.

    Queridos irmãos e irmãs, esta é a natureza do ministério do Novo Testamento. Por ser dessa natureza, até mesmo Paulo disse:

    Quem é suficiente para estas coisas?

    Nossa suficiência vem de Deus. Lembremos disto: todos nós recebemos um ministério para cumprir, mas este ministério é de tal natureza que está além da capacidade natural de qualquer pessoa. Ninguém é capaz de cumprir este ministério senão por Deus.

    Não importa qual seja seu ministério, a natureza do ministério em que estamos envolvidos é exatamente a mesma. Quer você seja chamado a ser mestre, evangelista, profeta, a prestar auxílio ou a exercer misericórdia, seja qual for o ministério em que esteja envolvido, a natureza é exatamente a mesma.

    Espero conseguir gravar isso no coração de vocês. De alguma forma, pensamos que aqueles que estão no chamado ministério da Palavra têm um ministério dessa natureza peculiar, mas que os outros ministérios não precisam corresponder a esse padrão. Isso não é verdade.

    Se você quer servir a Deus, seu serviço e seu ministério precisam ter essa natureza. Caso contrário, não é ministério; não é serviço digno do nome de Deus.

    A descoberta do próprio ministério

    Provavelmente faremos esta pergunta: teoricamente, cremos que somos salvos para servir e que todos recebemos um ministério para cumprir. Mas eu nem sequer sei qual é meu ministério. Como posso descobrir meu ministério?

    Muitas vezes, irmãos e irmãs me perguntaram: “Eu realmente sinto que devo servir a Deus, mas não sei para qual ministério Deus me chamou”.

    Em certo sentido, você sabe. Na verdade, quando somos salvos, de modo sobrenatural e natural, surge em nós um desejo de servir ao Senhor.

    Antes de ser salvo, você não tem esse desejo. Seu único desejo é servir a si mesmo; não apenas quer servir a si mesmo, mas quer que o mundo inteiro o sirva. Esse é seu desejo.

    Mas, curiosamente, depois de ser salvo, mesmo que ninguém lhe diga que deve servir a Deus, surge, sobrenaturalmente, um desejo natural de servir.

    Se esse desejo não existe em você, eu me pergunto se você é salvo. Essa é uma maneira de avaliar uma pessoa. Há muitas maneiras diferentes.

    Outra maneira é tentar orar com alguém. Quando se ora:

    Pai nosso, Que estás nos céus.

    Você consegue perceber se ele está chamando Deus de seu Pai ou apenas pronunciando palavras. Se ele ora de coração, você percebe.

    Há muitas maneiras de avaliar. Todo aquele que é salvo terá esse desejo de servir ao Senhor, porque sabe que foi chamado a servir; foi chamado a ministrar. Ele sabe disso, mas não sabe qual é seu ministério específico.

    Então a mente natural assume o controle. O pensamento natural é: “Seja mestre. Seja missionário. Seja pregador”, porque se considera que essa é a maneira de servir a Deus. Mas isso é apenas natural.

    É por causa dessa tendência que Tiago diz:

    Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.

    —Tiago 3:1

    Uma ilustração pessoal

    Quando fui salvo, tive o mesmo problema. Na semana em que fui salvo, eu sentia tanto amor por Aquele Que me amou tanto.

    No último dia da conferência, segundo o costume daqueles dias, sempre havia um apelo à consagração. Por consagração, normalmente se entendia sair para ser pregador, missionário ou uma mulher dedicada ao trabalho bíblico.

    O mestre começou a fazer o apelo à consagração. Ele procurou nos despertar, dizendo: “Vocês amam a Deus? Se amam, saiam. Sejam missionários; sejam pregadores”. Um enorme mapa da China estava pendurado na plataforma.

    O pregador disse: “Vocês podem escolher qualquer lugar para onde queiram ir e servir. Quem quiser fazer isso, venha à plataforma e coloque o dedo no lugar para onde deseja ir”.

    Eu era um jovem de quinze anos. Havia passado um ano inteiro buscando ser salvo e, finalmente, fui salvo. Vocês podem imaginar como eu me sentia.

    Quando o mestre disse isso, meu coração ardia. Eu disse: “Ó Deus, quero servir a Ti e, para provar o quanto Te amo, quero ir ao lugar mais distante do mundo para demonstrar meu amor por Ti”.

    Então fui até a plataforma e coloquei o dedo no lugar mais distante da China: a Mongólia.

    Vocês riem de mim, mas naquele dia eu não ri. Eu estava falando muito sério. Durante um ano inteiro, preparei-me para ir à Mongólia. Procurei obter toda a literatura que pudesse sobre o sul da Mongólia.

    Cheguei a pensar que, depois de concluir o ensino médio — eu estava no último ano —, tentaria ir para Pequim, porque ficava mais perto da Mongólia. Talvez pudesse aprender a língua e, então, me dedicar ao propósito de ir à Mongólia como missionário.

    Graças a Deus, Ele aceitou meu coração, mas mudou meu rumo. Até hoje, nunca estive na Mongólia.

    O que estou tentando ilustrar é isto: o desejo de servir a Deus vem de Deus, porque você realmente tem um ministério para cumprir. Mas, por não sabermos e não entendermos, tradicionalmente temos o conceito de que a única maneira de servir a Deus é dessa forma. Fora disso, não haveria maneira de servir a Deus.

    Queridos irmãos e irmãs, é justamente esse conceito tradicional que tem levado muitos irmãos, ao longo da história, a passar a vida desperdiçando a graça e o dom de Deus, porque sentem que, se não puderem sair como missionários ou pregadores, não têm como servi-Lo.

    O ministério no Corpo de Cristo

    Ó irmãos e irmãs, Deus nos colocou no Corpo de Cristo. No Corpo de Cristo, não há um único membro que não tenha um ministério. Não há membro inútil no Corpo.

    A cada membro do Corpo, Deus dá graça. Todos nós temos a vida de nosso Senhor Jesus em nós. Se Deus colocou você no Corpo, Ele o colocou segundo a Sua vontade.

    Se Ele fez de você determinado membro do Corpo, o Espírito lhe deu um dom para exercer a função desse membro. Vocês conseguem imaginar Deus nos dando um corpo e, ainda assim, alguns membros desse corpo não recebendo dom algum?

    Deus nos colocou como diferentes membros do Corpo. Cada um é especial. Não tente ser outro membro.

    Se Deus colocou você como um membro do Corpo, creia que Ele lhe deu um dom para que, como esse membro específico, você possa cumprir sua função.

    O problema é: “Como sei que membro do Corpo sou? Sou olho? Sou ouvido? Sou mão? Sou pé? Quem sou eu? O que sou eu?”.

    Bem, isso é algo a ser descoberto, não é?

    A inclinação do coração

    Nesta noite, gostaria de fazer algumas sugestões sobre como podemos saber qual é nosso ministério. Se nossa mente for suficientemente ampla — isto é, se não estivermos limitados pelo conceito tradicional de que o ministério se restringe a algumas funções visíveis —, creio que conseguiremos descobrir o ministério que Deus nos deu.

    Primeiro: a inclinação do coração.

    Não confundam isso com o desejo natural. Todos nós temos desejos naturais, e o desejo natural sempre quer fazer algo que possa ser visto ou ouvido. Isso é natural.

    Mas, à medida que andamos com o Senhor, temos comunhão com o Senhor e seguimos o Senhor, descobrimos que, por termos o desejo de servi-Lo, mais cedo ou mais tarde será criada em nós uma tendência interior em determinadas direções.

    Em outras palavras, você pode perceber que seu coração está sendo exercitado em relação a certas coisas. Começa a notar e observar coisas que outras pessoas não veem ou com as quais não se preocupam, mas Deus está exercitando seu coração em relação a essas coisas.

    Por exemplo, suponha que você esteja numa reunião de crentes e realmente tenha o desejo de servir a Deus, mas não saiba o que fazer.

    Ao chegar à reunião, talvez perceba que as pessoas estão atrasadas. Se a reunião começa às sete e meia, as pessoas podem chegar às sete e trinta e cinco, às sete e quarenta e cinco ou até às oito e meia. Ainda estão chegando.

    Como as pessoas simplesmente vão chegando, uma aqui, outra ali, talvez ninguém venha antes para preparar o lugar, arrumar as cadeiras ou distribuir os hinários.

    Outros podem não perceber essas coisas ou não se preocupar com elas, mas, de alguma forma, há uma inclinação do coração. Você começa a notá-las. Procura chegar um pouco mais cedo para ver se pode fazer alguma pequena coisa — colocar as cadeiras em ordem, distribuir os hinários.

    É pela inclinação do coração que um ministério começa. Ele não começa com uma grande revelação.

    Se você está esperando uma grande revelação — esperando que Deus envie o anjo Gabriel para lhe dizer: “Fulano, você é um vaso escolhido para este ministério” —, talvez espere até a eternidade pela visita de Gabriel.

    Mas o Espírito de Deus, Que habita em você, exercitará seu coração de maneira muito suave, pequena e aparentemente insignificante. É assim que o ministério começa.

    É simplesmente uma inclinação do coração. Deus está inclinando seu coração em determinada direção.

    Ou suponha que alguns irmãos e irmãs estejam ausentes de uma reunião. Ninguém percebe, mas, de alguma forma, você percebe. Você se pergunta por que determinado irmão ou irmã não está ali, e sente um encargo por essa pessoa.

    Você começa a orar e talvez sinta que deve ir visitá-la para ver se há algo que possa fazer para ajudar. É assim que um ministério começa.

    A unção do Senhor

    Segundo: ao seguir a inclinação de seu coração e começar a servir de maneira pequena e oculta, você precisa perguntar se a unção do Senhor está com você.

    Quando faz essas coisas, você percebe que o Senhor realmente está com você? Sente que seu coração está sendo ampliado? Sente que isso lhe traz frescor e refrigério?

    Ao fazer essas coisas, você percebe que o Senhor realmente está com você. Sua unção o acompanha. Ele vivifica seu espírito. Ao fazê-las, você se sente renovado e ampliado no Senhor.

    Não é apenas algo que o deixa exausto depois de fazer. Não quero dizer que, no serviço do Senhor, você nunca ficará fisicamente exausto. Às vezes, fica. Mas quero dizer que, em seu espírito, você é renovado, ampliado e consciente da presença do Senhor.

    Se a unção está com você, continue fazendo isso por mais algum tempo. Se perceber que a unção não está com você, talvez precise olhar em outra direção.

    Quando uma criança aprende a andar, ela não sabe se deve andar com os pés ou com as mãos. Pensa que precisa andar com ambos e, por isso, começa a andar de quatro.

    Mas, quando começa a andar, descobre que não há unção em andar com as mãos. De alguma forma, as mãos atrapalham seu andar. Gradualmente, descobre que anda com os pés e deixa de andar com as mãos.

    Creio que é dessa maneira que podemos descobrir onde está nosso ministério.

    O fruto e a bênção do Senhor

    Terceiro: não apenas deve haver a unção do Senhor, mas precisamos ver se há fruto, ou a bênção do Senhor.

    Às vezes, podemos estar muito centrados em nós mesmos. Pensamos que temos unção. Mas é pelo fruto que se conhece a árvore.

    Fruto não significa sucesso imediato ou aparente. Você pode ter sucesso se tiver uma personalidade dinâmica. Algumas pessoas têm carisma e conseguem fazer as coisas acontecerem facilmente. Não é disso que estou falando.

    Estou falando do fruto do Espírito. Ao servir na unção do Senhor, certamente haverá fruto para a glória do Senhor. As pessoas serão ajudadas.

    Se você sente que Deus lhe deu um dom de ensino, então, quando ensinar, não apenas deve ter a unção do Senhor consigo, mas as pessoas devem ser realmente edificadas.

    Se, quanto mais você ensina, mais as pessoas ficam de cabeça baixa, então sabe que algo não está certo. Não é uma questão de quanto você sabe ou de quanto tempo consegue falar. A questão é se as pessoas estão sendo ajudadas.

    Precisamos avaliar pelo fruto. Há a bênção do Senhor? Se há fruto, isso é mais uma evidência de que essa é uma área na qual você deve continuar.

    O testemunho do Corpo

    Quarto: o testemunho do Corpo.

    Ao começar a se mover em determinada direção, mesmo que sinta que tem a unção do Senhor e pense que vê fruto, se o Corpo está desconfortável e não o acompanha, se não há resposta, então você sabe que algo está errado.

    Se você afirma que seus olhos estão abertos e que está vendo, e começa a dizer ao Corpo o que vê, mas todo o Corpo permanece em trevas e diz: “Não vemos nada”, e não responde, você sabe que não é um olho. É um sonho falso.

    Você não pode enganar o Corpo. Pode enganar a si mesmo, mas não pode enganar o Corpo. O Corpo lhe dirá qual é seu lugar.

    Se você não pertence àquele lugar específico no Corpo, todo o Corpo se sente desconfortável. Essa é uma maneira de avaliar onde está seu ministério.

    É claro que há outras coisas que poderíamos mencionar, mas, se conhecermos essas coisas, elas nos ajudarão a encontrar nosso lugar. Na igreja, se pudermos ter comunhão com os irmãos que exercem responsabilidade, isso será uma ajuda real.

    Com fidelidade, eles podem nos ajudar a ver se a maneira como enxergamos a nós mesmos está correta ou se algo não está correto. Precisamos ser humildes o suficiente para receber correção do Corpo.

    É dessa maneira que começamos a descobrir nosso ministério.

    O desenvolvimento do ministério

    Em relação a isso, outra coisa de que precisamos nos lembrar é que o ministério não surge em um dia. O ministério é algo que precisa ser desenvolvido.

    Não pense que, um dia, você recebe de repente um ministério plenamente desenvolvido. Ninguém nasce adulto. Quando nascemos, somos bebês bem pequenos, e leva tempo para crescer.

    Houve apenas um homem que, quando foi criado, já era adulto: Adão. Adão nunca passou pela infância. Mas, além de Adão, todos nós precisamos começar pequenos e crescer gradualmente. Isso é vida. A vida precisa crescer.

    À medida que a vida começa a crescer, o dom começa a se manifestar. Mesmo depois que os dons se manifestam, precisam ser desenvolvidos.

    Deixem-me ilustrar. Quando uma criança nasce, tem todos os membros do corpo. Tem olhos, mas não consegue enxergar com clareza. Leva tempo para conseguir enxergar.

    Tem mãos, mas não consegue segurar as coisas. Se você colocar algo em sua mão, logo cai. Ela precisa crescer um pouco em vida antes de conseguir coordenar e usar as mãos.

    Tem pés, mas não consegue andar. Pode levar um ano até começar a andar um pouco. Assim, vocês veem que a vida precisa crescer.

    À medida que a vida começa a crescer, o dom que está na vida começa a se manifestar. Mas, depois de se manifestar, ainda precisa ser desenvolvido. Quanto mais você exercita seu dom, mais ele se desenvolve.

    Se você enterrar seu dom e nunca lhe der a oportunidade de se desenvolver, então, naturalmente, será como alguém que não tem dom.

    Essa é a lição da parábola dos três servos. Aquele que recebeu cinco talentos os exercitou e usou, e ganhou mais cinco talentos. Aquele que tinha dois talentos os exercitou fielmente e ganhou mais dois. Seus dons foram desenvolvidos até a plena medida.

    Mas aquele que tinha um talento o enterrou. O resultado foi que, um dia, até mesmo aquele talento lhe foi tirado.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se disto: o ministério não é dado instantaneamente, em um único dia. Ele leva tempo para se desenvolver. Exige que sua vida cresça.

    À medida que sua vida cresce no Senhor, os dons se tornam mais manifestos. À medida que você exercita diligentemente seus dons, eles se desenvolvem até a plena medida. É assim que o ministério se forma.

    O ministério especial e o ministério do Corpo

    É verdade, segundo a Palavra de Deus, que há duas categorias diferentes de ministério.

    Se vocês lerem Efésios 4, verão que Deus dá dons aos homens. Então, em Efésios 4:11, está escrito:

    E Ele deu uns para apóstolos; e outros para profetas; e outros para evangelistas; e outros para pastores e mestres;
    para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo.

    —Efésios 4:11-12

    Esta é uma categoria de ministério. Podemos chamá-la de ministério da Palavra.

    Deus deu à igreja alguns apóstolos, alguns profetas, alguns evangelistas, alguns pastores e alguns mestres. São homens que Deus dá à igreja, e seu ministério é aperfeiçoar os santos.

    Ao falar de aperfeiçoar os santos, a Escritura não quer dizer perfeição sem pecado. Perfeição, na Escritura, significa maturidade — crescimento. O propósito do ministério desses homens é levar os santos à maturidade, ajudá-los a crescer.

    Esta é uma categoria. Nesta categoria de ministério, naturalmente, você precisa ser chamado para esse ministério especial. Nem todos são chamados para ele.

    É um ministério que serve ao Corpo para que os santos cresçam e amadureçam. Se esse ministério for bem-sucedido, o que acontecerá? Os santos serão capacitados para a obra do ministério e para a edificação do Corpo de Cristo.

    Se esse ministério especial servir eficazmente ao Corpo para o aperfeiçoamento dos santos, então os santos, sendo aperfeiçoados e amadurecendo, serão capazes de exercer, eles mesmos, o ministério. Este é o ministério do Corpo.

    Assim, há duas categorias de ministério. Uma é o ministério especial: o ministério de apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. A outra é o ministério do Corpo.

    O que é o ministério do Corpo? O ministério do Corpo é um ministério que procede do Corpo. Não é um ministério que vem de fora para servir ao Corpo.

    Há um ministério que serve ao Corpo de fora, por assim dizer, e há um ministério que procede do próprio Corpo. Este é chamado de ministério do Corpo.

    Todo crente está envolvido no ministério do Corpo. Você pode não estar envolvido no ministério especial, mas isso não significa que não tenha um ministério para cumprir, porque está envolvido no ministério do Corpo.

    O Dr. J. B. Lightfoot, bispo anglicano e homem de grande erudição, comentou este versículo. Ele disse que o ministério em Efésios 4:12 não é o ministério de apóstolos, mestres, profetas, evangelistas e pastores. O ministério ali é o ministério do Corpo.

    Não podemos cumprir o ministério do Corpo se não amadurecermos. É por isso que precisamos amadurecer espiritualmente. Se permanecermos como bebês, não seremos capazes de exercer esse ministério do Corpo.

    Mesmo que tenhamos dons — como em 1 Coríntios, onde eles tinham muitos dons, mas permaneciam como bebês —, o resultado é que o Corpo não é edificado. Não há ministério procedendo do Corpo.

    Para que haja ministério do Corpo, irmãos e irmãs, precisamos crescer espiritualmente. Amadurecer não é para seu próprio benefício, para que você se torne um gigante espiritual. Amadurecer é para o ministério do Corpo.

    Nada é para você mesmo. É para o Corpo, para a edificação do Corpo. Como é importante que cresçamos! Não permaneçam como bebês.

    Cresça espiritualmente por meio da ajuda desse ministério especial que serve a você. Então, você mesmo deve assumir o ministério do Corpo.

    É por meio do ministério do Corpo que o Corpo é edificado. Esse ministério do Corpo exige que cada parte do Corpo cumpra sua função. Não há membro do Corpo que possa ser exceção.

    Queridos irmãos e irmãs, segundo a Palavra de Deus, cada um de vocês tem uma parte no ministério do Corpo. Sua parte é diferente daquela desempenhada pelos outros membros, porque somos membros diferentes.

    Se você é um olho, tem um ministério de ver pelo Corpo. Se é um ouvido, tem um ministério de ouvir pelo Corpo. Se é uma mão, tem um ministério de segurar as coisas pelo Corpo.

    Nossos dons são diferentes e nossos ministérios são diferentes, mas a natureza é a mesma e o propósito é o mesmo: a edificação do Corpo. Cada um de nós está envolvido nesse ministério.

    O problema hoje é que dependemos demais do ministério especial. Deixamos que o ministério especial cuide de tudo. O resultado é que aqueles que estão envolvidos no ministério especial trabalham até a exaustão, mas o Corpo não é edificado.

    Ah, que o Senhor grave no coração de vocês, nesta noite, que vocês têm um ministério para cumprir! Você é um membro do Corpo e está envolvido no ministério do Corpo, mesmo que não tenha sido chamado para esse ministério especial.

    Você precisa ser fiel àquilo que Deus lhe deu.

    A mutualidade do ministério

    Outra questão é a mutualidade do ministério. Vocês veem que os ministérios das duas categorias trabalham juntos. Há uma mutualidade nisso.

    Não apenas os ministérios das duas categorias trabalham juntos, mas, dentro do ministério do Corpo, todos os ministérios precisam trabalhar juntos.

    Por exemplo, Paulo, escrevendo aos coríntios em 2 Coríntios 10:15, disse:

    Tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos engrandecidos entre vós, conforme a nossa esfera de ação, para maior abundância;
    para anunciar o evangelho nas regiões além de vós, e não nos gloriarmos, em esfera alheia, de coisas já preparadas.

    —2 Coríntios 10:15-16

    Em outras palavras, Paulo, como apóstolo, estava trabalhando em Corinto. Mas, se os crentes em Corinto crescessem e fossem capazes de assumir o ministério do Corpo, isso liberaria Paulo para ir além de Corinto, a outra região, e iniciar ali a obra de Deus.

    Mas, se os crentes em Corinto permanecessem como estavam, Paulo teria de permanecer e cuidar deles. O resultado seria uma restrição do ministério.

    Há uma mutualidade. Se o Corpo, ou a congregação local, está realmente amadurecendo e assumindo a responsabilidade pelo ministério do Corpo naquela localidade, isso libera aqueles que estão envolvidos no ministério especial para alcançar lugares mais distantes.

    Uma das razões pelas quais a obra de Deus fica restrita é que os irmãos e irmãs nos lugares onde esses homens trabalham não assumem o ministério que deveriam cumprir. O resultado é que esses obreiros precisam permanecer ali para fazer as coisas por eles.

    Há mutualidade. Quando o Corpo está forte e é capaz de assumir seu ministério, pode apoiar o ministério daqueles que estão envolvidos no ministério especial.

    Mesmo dentro do Corpo, todos os ministérios precisam ajudar uns aos outros. Você não pode cumprir a plena medida de seu ministério se não receber ajuda dos outros membros do Corpo de Cristo.

    Não pense que algum membro pode cumprir plenamente seu ministério de maneira independente, sem relação com os outros membros do Corpo de Cristo. Isso é absolutamente impossível.

    A interdependência do Corpo

    Deixem-me ilustrar. Aqui está minha mão. Se a Bíblia está a trinta centímetros de mim, estendo a mão e pego a Bíblia.

    Mas suponha que a Bíblia esteja do outro lado da sala. Embora minha mão seja capaz de segurá-la, ela está fora de seu alcance. A mão precisa da ajuda dos meus pés para levá-la até o outro lado da sala, a fim de que possa cumprir seu ministério.

    Nenhum membro pode cumprir seu ministério em sua plena medida sem a ajuda dos outros membros.

    Também me admiro de uma coisa. Vocês podem perceber que tenho dentes perfeitos — porque são todos de dentadura.

    Lembro-me de que, há muito tempo, quando estava na China, eu servia ao Senhor e, ao mesmo tempo, dava aulas. Meus dentes ficaram tão cariados que precisei extrair todos os dentes superiores.

    Depois que colocaram a dentadura superior, descansei alguns dias e voltei à escola para ensinar. Felizmente, meus alunos não riram de mim.

    Ao dar aula, percebi uma grande dificuldade para pronunciar corretamente. Tentava dizer as coisas, mas elas não saíam direito.

    Eu sempre pensava que falava com a língua. Enquanto minha língua estivesse saudável, eu conseguiria falar. Mas então descobri que, sem a ajuda dos dentes, não conseguia falar corretamente.

    É verdade que os dentes não são para falar; a língua é para falar. Mas a língua precisa da ajuda dos dentes.

    Você pode dizer: “Claro, os dentes são para comer. Eles não precisam da ajuda da língua”. Pelo contrário, a língua está ali na boca, e às vezes você a morde.

    Mas tente comer sem língua e descobrirá que não consegue. Quando o alimento entra na boca, às vezes precisa ser cortado e às vezes precisa ser triturado. Precisa ser movido de um lado para o outro dentro da boca. Quem faz esse trabalho?

    É a língua. Caso contrário, quando você comesse, todos os seus dedos teriam de entrar na boca.

    Precisamos uns dos outros. Para cumprir nosso ministério em sua plena medida, precisamos uns dos outros.

    Não pense que seus irmãos e irmãs atrapalham seu caminho. Eles ajudam você. Ajudamos uns aos outros a cumprir nosso ministério.

    O ministério no espírito de amor

    Finalmente, há um caminho melhor. 1 Coríntios 13 diz que esse caminho é o amor.

    Se queremos cumprir nosso ministério, precisamos fazê-lo no espírito de amor. Se não houver amor, veremos que nossos ministérios entram em conflito uns com os outros, em vez de ajudar uns aos outros.

    Se não tivermos amor, podemos pensar que não precisamos de nossos irmãos e irmãs, que conseguimos fazer tudo muito melhor sozinhos. Se não tivermos amor, o Corpo não pode existir.

    Portanto, irmãos e irmãs, nesta questão do ministério, lembrem-se de que ele precisa ser realizado numa atmosfera e num espírito de amor.

    1 Coríntios 13 foi um capítulo que me deixou perplexo durante muitos anos. Quando eu era um jovem cristão, entendia que 1 Coríntios 14 era um capítulo sobre os dons espirituais.

    Lembro-me de que, quando eu era jovem, alguns de nós fomos convidados a uma igreja para pregar sobre 1 Coríntios 13. Dividimos o capítulo entre nós, e cada um pregou sobre uma parte.

    Mas, quanto mais eu estudava 1 Coríntios 13, mais perplexo ficava. Por quê? Porque eu sentia: “Isso não é suficiente. Isso não é amor”.

    Meu entendimento do amor era que o amor é algo positivo, algo que se doa, algo que toma a iniciativa. Mas 1 Coríntios 13 diz:

    O amor é sofredor.

    “O amor é sofredor” — isso não é negativo?

    Até que, um dia, o Senhor me mostrou que 1 Coríntios 13 está entre os capítulos 12 e 14 por uma razão.

    1 Coríntios 12 fala do Corpo. 1 Coríntios 14 fala do funcionamento do Corpo — do ministério do Corpo. Para que o Corpo possa exercer seu ministério, é preciso amor.

    O primeiro elemento do amor é sofrer. Por causa de quem você sofre? Por causa de seus irmãos e irmãs.

    Se você não for capaz de suportar seus irmãos e irmãs e ser paciente com eles, não haverá absolutamente nenhuma maneira de cumprir seu ministério. O ministério não pode ser cumprido senão em amor.

    Seus irmãos e irmãs podem parecer estar atrapalhando seu caminho. Quantas pessoas neste mundo estão exercitando seus dons inteiramente sozinhas? Por quê? Porque não conseguem suportar os outros membros.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, precisa haver amor. Precisa haver paciência uns com os outros.

    Conclusão

    Finalmente, cumpra a plena medida de seu ministério. Não se trata apenas de ter um ministério; você precisa preencher a plena medida de seu ministério.

    Para preencher essa plena medida, como você precisa ser diligente, como precisa ser fiel e quanto precisa cooperar com seus irmãos e irmãs! Essa é a única maneira de preencher a plena medida de seu ministério.

    Assim, queridos irmãos e irmãs, ao chegarmos ao fim, lembremos: a reação de Deus ao nosso tempo não é negativa. Não é de retirada. A reação de Deus ao nosso tempo é que prossigamos.

    As coisas que temos ouvido, vamos recebê-las como um depósito que nos foi confiado, e vamos procurar instruir também a outros. Não há nada de negativo nisso.

    Ainda precisamos nos apresentar aprovados a Deus, e ainda precisamos cumprir a plena medida de nosso ministério.

    Graças a Deus. Ele é capaz.

    Ó meu Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque, estando nós em dias difíceis…