Pedimos novamente, ó Senhor, que, neste momento, esse mesmo Espírito Santo seja para nós o Espírito de revelação, abrindo mais amplamente os olhos do nosso coração e mostrando-nos Cristo. Que assim seja, agora mesmo, pedimos em Seu nome. Amém.
O Senhor nos tem conduzido, queridos amigos, neste período, a nos ocuparmos novamente com algo do significado do Espírito Santo. Temos considerado o Dia de Pentecostes, um dos quatro grandes momentos decisivos na história do propósito de Deus, e ele foi, de fato, um grande ponto de virada.
Agora, no brevíssimo tempo de que dispomos nesta manhã, vamos considerar apenas uma pequena parte do significado do Espírito Santo. Peço que abram a carta aos Efésios, no capítulo 1.
Em Quem também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o Qual é o penhor da nossa herança, até a redenção da possessão de Deus.
— Efésios 1:13-14
E, no capítulo 4:
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo.
— Efésios 4:13
No versículo 30 desse capítulo:
E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, em Quem fostes selados para o dia da redenção.
— Efésios 4:30
Nessas palavras do apóstolo, encontramos uma grande profundidade de significado acerca do Espírito Santo. Vocês notarão que há três palavras principais no trecho que lemos: penhor, selo e herança.
São palavras interessantes, com um contexto muito significativo. Tendo crido, vocês recebem o Espírito como penhor da herança. Hoje, chamamos isso de sinal, um depósito.
O penhor era simplesmente algo dado de antemão, indicando que todo o restante certamente viria depois. Era a garantia de que a transação seria concluída. Em si mesmo, representava tudo o que havia sido prometido.
O Espírito Santo é chamado de Espírito da promessa. Já vimos, na carta aos Gálatas, como isso se refere a uma promessa feita a Abraão: a promessa do Espírito em Cristo.
Como vimos, a promessa feita a Abraão era a filiação em Cristo, concretizada no Espírito Santo, ou pelo Espírito Santo. Essa é a herança. É-nos dito que somos herdeiros de Deus, coerdeiros com Jesus Cristo. O Espírito é o Espírito dessa herança, dessa promessa.
Mas não se trata apenas de uma promessa. Ele é o penhor da promessa. Ele nos é dado como um depósito presente, no qual estão todas as potencialidades, todo o significado, todos os valores da plenitude final daquilo que Deus ainda fará por aqueles que creem.
Penhor da herança; selados com o Espírito Santo da promessa. Mais uma palavra do mundo dos negócios.
Naqueles dias, assim como nos nossos, uma transação era selada. Podia ser um documento. Quando o negócio era concluído, ele era selado. Podia ser uma remessa, algo que seria enviado. Como penhor, uma parte seria encaminhada; ela era selada ao ser enviada.
E o selo era o selo daquele a quem aquilo pertencia. O selo dizia: “Isto pertence a fulano. Seu nome, sua marca, está sobre isto. É dele. Você não deve interferir nisso. Não é sua propriedade; é dele. Está selado para ele”.
O Espírito Santo é apresentado como o selo que declara que pertencemos ao Senhor. O Senhor colocou o selo sobre nós ao nos dar o Espírito Santo. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
Assim, o Espírito é apresentado aqui em duas de Suas funções, ou significados. Ele é o penhor de tudo o que ainda há de ser, e Ele é o selo pelo qual somos assegurados para tudo isso.
E então vocês observam:
Até a redenção da possessão adquirida.
Esse é um aspecto da redenção que está no futuro. Não é aquele aspecto que está no passado:
Fomos redimidos, não com coisas corruptíveis, prata e ouro.
Esse é o início da redenção.
Mas esta redenção é aquela à qual Paulo se refere em sua carta aos Romanos: a redenção completa de toda a criação, incluindo nós mesmos; a plena redenção de todas as coisas que foram adquiridas, que foram seladas, das quais o Espírito Santo é o penhor.
Que significado maravilhoso tem o dom do Espírito! O dom do Espírito, portanto, é a autenticação da filiação. Porque somos filhos, Deus enviou o Espírito de Seu Filho ao nosso coração.
A autenticação da filiação: selo e penhor de tudo o que a filiação há de significar. Como diz João:
Vede que grande amor o Pai nos tem concedido, para que sejamos chamados filhos de Deus; e de fato o somos. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque O veremos assim como Ele é.
— 1 João 3:1-2
Que herança melhor e maior alguém poderia desejar do que essa? O Espírito que nos foi dado é o penhor disso — o Espírito de filiação. O Espírito que nos foi dado é o selo disso.
Agora, ao lado disso, temos esta exortação e esta ordem:
Não entristeçais o Espírito Santo, em Quem fostes selados para o dia da redenção.
— Efésios 4:30
A plena realização daquilo que lhes foi dado como penhor quando vocês creram.
Não entristeçam o Espírito Santo. Há duas coisas que se destacam muito claramente em qualquer consideração acerca do Espírito Santo.
A primeira é que nada é possível à parte do Espírito Santo, sem Ele. Isso fica absolutamente claro, sem margem para dúvida. O próprio Senhor Jesus deixou isso claro: nada era possível até que o Espírito viesse. Ele não permitiu que tentassem fazer coisa alguma, mesmo depois de Sua ressurreição, até que tivessem recebido o Espírito.
Tudo depende do Espírito Santo. Ele assumiu o comando. Na verdade, Ele sempre esteve no comando desde a criação, mas, de uma maneira nova, no Dia de Pentecostes, Ele assumiu o comando. Ele assumiu a comissão de pregar o evangelho a toda a criação. Ele assumiu tudo naquele dia, e está inteiramente e exclusivamente no comando de tudo. Nada pode existir sem o Espírito Santo.
E a outra coisa é esta: o Espírito Santo é sempre positivo em Sua atitude, em Sua mente, em Seu propósito e objetivo. Isto é, Ele é o que podemos chamar de Espírito que avança.
Tomem essa expressão de Ezequiel: o movimento das rodas e dos querubins, porque o Espírito estava neles. Avançando. O Espírito Santo, em Sua própria disposição, é o Espírito do avanço, da energia, do movimento.
Não pode haver nada mais fatal do que o Espírito deixar de avançar em qualquer vida, em qualquer lugar, onde quer que seja. Quando o Espírito deixa de avançar, nada mais pode acontecer. Vocês não têm absolutamente mais nada. Somente enquanto o Espírito avança é que algo pode acontecer.
Por isso, não entristeçam o Espírito, o Espírito Santo. Isso poderia ser expresso de outra maneira: não detenham o avanço do Espírito. Não permitam que surja ou entre coisa alguma que impeça o movimento do Espírito.
Não permitam que o Espírito seja obstruído, por nenhum meio e de nenhuma maneira. Ele é um Espírito que avança, e é fatal que seja detido. Entristecer o Espírito é simplesmente impedir o Espírito, obstruir o Espírito, deter o Espírito, atrasar o Espírito.
Foi isso que fizeram no deserto. Como vocês sabem pela carta aos Hebreus, Ele disse:
Durante quarenta anos estive entristecido com aquela geração.
“Eu estava entristecido com aquela nação.” O Espírito, Que é sempre um Espírito que avança, foi entristecido.
Eles poderiam ter dito: “Estamos marchando para a terra que o Senhor nos deu”. Mas entristeceram o Seu Espírito Santo.
Estive entristecido com aquela geração durante quarenta anos.
O resultado: o Espírito não pôde prosseguir e levá-los adiante, e a morte entrou, como vocês sabem — simplesmente por entristecerem o Espírito.
Queridos amigos, não temos tempo nesta manhã para tentar mostrar como o Espírito Santo é entristecido. Podemos apenas nos advertir dessa possibilidade e levar a sério a ordem: não O entristeçam.
Mas, se eu tentasse resumir isso em uma única afirmação, diria assim: entristecer o Espírito Santo é simplesmente permitir qualquer coisa que seja contrária à natureza e ao propósito desse Espírito Santo.
Se simplesmente considerássemos Sua natureza e Suas funções, veríamos imediatamente o que significa entristecer o Espírito. Antes de tudo, Ele é o Espírito Santo.
E entristecê-Lo é permitir algo impuro, ou persistir nisso — algum caminho impuro, alguma coisa impura — em nossa vida, em nosso lar, em nossos negócios, em qualquer lugar: algo pelo qual temos responsabilidade e em que, se apenas nos empenhássemos com diligência, poderíamos fazer diferença. Algo que não é santo.
Toda impureza entristece o Espírito Santo — aquilo que é contrário à Sua própria natureza.
Ele é o Espírito da verdade. Onde quer que haja algo que não seja verdadeiro — que não seja verdadeiro —, isso é falso. É uma mentira. É um exagero.
Todas as formas de falsidade, quaisquer que sejam: onde houver algo assim, isso é contrário à Sua natureza e O entristece. Qualquer coisa falsa O entristecerá, e Ele parará e dirá: “Não posso continuar avançando”.
Ele é o Espírito de unidade. Esse assunto foi abordado nesta manhã; provavelmente será abordado mais amplamente depois.
O Espírito de unidade — nesta mesma carta que lemos, encontram-se estas palavras:
Empenhai-vos em guardar a unidade.
— Efésios 4:3
Empenhem-se em guardar a unidade. Parece que muitas pessoas se empenham em rompê-la, em estragá-la. Empenhem-se em guardá-la.
Certifiquem-se de que estão fazendo isso, empenhando-se em guardar — não procurando nem se ocupando com as coisas que dividem e dando a elas uma importância exagerada. Onde vocês não concordam, por que não adotar uma atitude positiva? Concentrem-se nas bases da unidade e ampliem-nas, de modo que possamos superar as outras coisas.
Aqui está o Espírito de unidade, a unidade do Espírito; e onde há desunião e divisão, Ele é entristecido. E prestem atenção: Ele dirá: “Não posso prosseguir. Estou impedido. Estou detido”. Ele precisa encontrar aquilo que corresponde à Sua própria natureza.
Aqui, nesta carta, Ele é chamado de Espírito de revelação. Se o Espírito Santo mostra alguma coisa, dá alguma luz, alguma verdade, algum conhecimento, e vocês e eu não nos dedicamos a isso, a obedecer a isso, a andar nisso, o Espírito é entristecido.
O Espírito de revelação dirá: “Não posso dar mais. Preciso parar de dar — nada mais até que aquilo que dei tenha sido obedecido”. Ele é entristecido quando dá luz e ela não é obedecida.
Ele é o Espírito da graça. Gostaria de ampliar o sentido dessa palavra, porque ela também significa isto: aqui está o Espírito de amabilidade. Esse sentido está na própria palavra; afinal, a graça de Deus não é a Sua bondosa disposição para conosco?
Como nos falta amabilidade, não é mesmo? Como o Espírito é amável! Todos aqueles elementos de longanimidade, paciência e tolerância — quanto devemos ao Espírito da graça!
Irmãos e irmãs, revelaremos quanto do Espírito realmente há em nós pela nossa amabilidade. Não se enganem a esse respeito: uma vida governada pelo Espírito será uma vida amável — paciente, tolerante, longânima, bondosa e cortês.
A cortesia, sabem, é uma palavra do Novo Testamento, não apenas uma palavra de um livro de etiqueta. Procurem no Novo Testamento: sejam corteses. Ser cortês é um aspecto da amabilidade. Vocês precisam pensar no que isso significa.
Sim, existem boas maneiras próprias do Espírito Santo, bom gosto, comportamento e atitudes apropriados. O Espírito da graça.
E onde não há amabilidade — qualquer uma dessas coisas compreendidas na graça —, Ele é entristecido. Ele é entristecido se vocês e eu formos pouco amáveis, descorteses, grosseiros. O Espírito é entristecido.
Vocês podem ter ideias muito grandiosas sobre o que significa ser batizado com o Espírito Santo, mas significa isso. Pode significar poder no serviço. Pode significar ser capaz de fazer pregações, talvez, e muitas dessas formas de atuação pública; mas vocês devem cuidar dessas coisas sem negligenciar as outras.
As outras são bondade, disposição para ajudar e cortesia. São marcas do Espírito Santo, e, onde faltam, Ele é entristecido.
Ele é o Espírito de mansidão. Mansidão.
Se quisermos outra palavra para mansidão, podemos muito bem empregar a palavra quebrantamento, porque não há mansidão sem quebrantamento. É no quebrantamento que nosso orgulho se esvai. Por meio do quebrantamento, nossa presunção, nossa arrogância e nossa importância própria se desfazem na areia.
É no quebrantamento que a mansidão se revela. Vocês podem ser muito inteligentes, muito capazes em muitos aspectos, mas uma marca do Espírito, sem dúvida, é a mansidão, ou o quebrantamento.
Você foi realmente quebrantado pela Cruz? Realmente quebrantado pela Cruz? Você tem um espírito quebrantado? Há um quebrantamento fundamental em você, irmão ou irmã em Cristo? Realmente, um quebrantamento?
Lembrem-se: não há Pentecostes enquanto não houver Calvário. Não há Espírito Santo enquanto não tiver havido uma Cruz. E, se a Cruz fala de alguma coisa, certamente fala de quebrantamento, não é mesmo? Ele foi quebrantado. Ele foi quebrantado.
Esses homens do Novo Testamento eram homens quebrantados, vasos quebrantados. A mansidão os adornava por causa disso, e o Espírito é o Espírito de mansidão.
Pedro fala de sermos adornados com um espírito manso e tranquilo. Poderíamos continuar assim; mas isso certamente é suficiente para mostrar que entristecer o Espírito é simplesmente contradizer aquilo que Ele é em Si mesmo e, ao fazê-lo, colocar algo em Seu caminho. Ele não pode prosseguir.
Não entristeçam o Espírito de Deus, em Quem vocês foram selados para tudo o que a filiação significa. E a filiação significa todas essas coisas que mencionei, em seu pleno desenvolvimento.
Filiação soa como uma palavra técnica, eu sei, uma palavra muito teológica; mas, se vocês pensarem nisso, afinal, ela é simplesmente tudo o que Cristo é em Sua plenitude.
Esta criação, que ainda há de ser redimida da escravidão da corrupção, deverá ser preenchida, com exclusão de tudo o mais, preenchida com aquilo que Cristo é, reproduzido pelo Espírito Santo em vocês e em mim. Isso é filiação.
Que não coloquemos coisa alguma no caminho do Espírito Santo, nem O entristeçamos. Que Lhe demos um caminho livre, um caminho plenamente aberto, para permanecer em nós individualmente e em nós juntos — o Espírito que avança, sempre avançando.