Estou muito feliz por ter esta oportunidade de vê-los, queridos irmãos e irmãs.
Gostaria de ler no Evangelho segundo Mateus, em Mateus 4:17-23. Começaremos pelo versículo 17.
Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos; porque está próximo o reino dos céus.
E, andando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, lançando uma rede ao mar; porque eram pescadores.
E disse-lhes: Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.
E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram-No.
E, seguindo adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, no barco com Zebedeu, seu pai, consertando as redes; e chamou-os.
E eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-No.
E Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles e pregando o evangelho do reino.
Ao abrirmos o Novo Testamento, encontramos quatro Evangelhos: o Evangelho segundo Mateus, o Evangelho segundo Marcos, o Evangelho segundo Lucas e o Evangelho segundo João.
O apóstolo Paulo nos diz, em Gálatas, que há somente um evangelho. Se alguém vier e pregar outro evangelho, esse não é evangelho. E, no entanto, no início do Novo Testamento, há quatro Evangelhos.
É claro que sabemos que isso não significa que temos quatro evangelhos diferentes, de tipos diferentes. Na verdade, o que temos aqui são quatro aspectos do evangelho de Jesus Cristo. Nosso Senhor Jesus é tão pleno e rico que precisamos nos aproximar Dele por quatro direções diferentes. Ou, colocando de outra maneira, esses quatro Evangelhos são quatro apresentações diferentes de nosso Senhor Jesus, conforme esses homens O conheceram e experimentaram.
Em certo sentido, penso que hoje conhecemos mais o Evangelho segundo Lucas. Por quê? Porque, quando pensamos no evangelho de Jesus Cristo, geralmente pensamos na remissão dos pecados — em como nossos pecados podem ser perdoados. É isso que o Evangelho segundo Lucas nos diz: que nosso Senhor Jesus veio e, porque morreu por nós na cruz do Calvário, nossos pecados podem ser perdoados.
E provavelmente alguns outros cristãos chegam a conhecer um pouco mais e conhecem o Evangelho segundo João. Por quê? Porque, ao crerem no Senhor Jesus, não apenas seus pecados são perdoados, mas eles também recebem a vida eterna. É por isso que o Evangelho de João nos mostra que nosso Senhor Jesus veio. Aquele que tem o Filho tem a vida eterna.
E talvez alguns outros cristãos cheguem a conhecer o evangelho um pouco mais do que isso — não apenas conhecendo o evangelho como perdão dos pecados ou como recebimento da vida eterna, mas até mesmo vendo no evangelho que Cristo veio a este mundo não para ser servido, mas para servir. Em outras palavras, depois de crerem no Senhor Jesus, sentem que devem servir ao Senhor. Devem trabalhar para Deus.
Mas, queridos irmãos e irmãs, sinto muito profundamente que, entre o povo de Deus, parece que o Evangelho segundo Mateus é bastante esquecido.
Ao nos aproximarmos do evangelho de Jesus Cristo, vemos ali o perdão dos pecados. Ao nos aproximarmos do evangelho de Jesus Cristo, vemos ali a vida eterna. Ao nos aproximarmos do evangelho de Jesus Cristo, vemos ali o serviço. Mas, de alguma maneira, entre o povo de Deus, o Evangelho segundo Mateus é muito negligenciado.
No entanto, ao examinarmos o Novo Testamento, descobrimos que, na soberania de Deus, o Evangelho segundo Mateus vem primeiro. É claro que isso não corresponde à ordem cronológica, mas, na soberania de Deus, o Evangelho segundo Mateus ocupa o primeiro lugar, seguido pelos Evangelhos segundo Marcos, Lucas e João. Creio realmente que há um significado nisso.
Em outras palavras, quando o evangelho de Jesus Cristo nos é apresentado, é a vontade de Deus que vejamos Cristo segundo o Evangelho de Mateus e saibamos por que Ele veio a este mundo. Se virmos isso primeiro, encontraremos aí o propósito do evangelho.
Creio que, em certo sentido, todos conhecemos o Evangelho segundo Mateus, sim, porque o Evangelho segundo Mateus nos apresenta Cristo como o Rei. O propósito de Sua vinda ao mundo é estabelecer Seu reino nesta terra.
Podemos dizer que o Evangelho segundo Mateus trata do Rei e do reino. O Rei veio a este mundo, e Ele vem para estabelecer Seu reino nesta terra. Esse é o Evangelho segundo Mateus.
Mas, embora saibamos do que trata o Evangelho segundo Mateus, provavelmente, no que diz respeito à nossa vida e experiência, conhecemos muito pouco de como Cristo é Rei em nossa vida. Provavelmente sabemos muito pouco sobre o reino dos céus. O que é o reino dos céus? Como ele vem? Quando? Onde? Qual é sua relação conosco hoje, no que diz respeito à nossa vida diária?
Por isso, creio realmente que precisamos alcançar uma compreensão e uma apreciação mais claras do Evangelho segundo Mateus.
Encontramos em Mateus 24:14 que o evangelho do reino deve ser pregado a todas as nações, em testemunho a elas, e então virá o fim.
Bem, creio que muitas vezes dizemos que o evangelho deve ser pregado a todas as nações. Queremos que todos ouçam o nome de nosso Senhor Jesus. Queremos evangelizar o mundo. Isso é verdade. Mas às vezes esquecemos que, no Evangelho segundo Mateus, está declarado de maneira muito clara: o evangelho, ou as boas-novas, do reino deve ser pregado a todas as nações, em testemunho a elas, e então virá o fim.
Queridos irmãos e irmãs, creio realmente que estamos vivendo perto do fim desta era. Parece mesmo que esta era não pode durar muito mais. Temos a sensação de que o fim está próximo.
Como estamos vivendo no encerramento desta era, é de enorme importância que o evangelho do reino seja recuperado. Em outras palavras, esse aspecto do evangelho precisa ser recuperado.
O aspecto do evangelho que diz respeito ao perdão dos pecados tem sido pregado e compreendido. O evangelho de Jesus Cristo em seu aspecto de vida eterna também tem sido proclamado e recebido. E o Evangelho segundo Marcos — como precisamos servir da maneira que Cristo serviu — também tem sido praticado pelos cristãos.
Mas, queridos irmãos e irmãs, quanto desse aspecto do evangelho — o evangelho do reino — realmente conhecemos e vivenciamos? Quanto dele se tornou realidade e poder em nossa vida? Creio realmente que esse aspecto do evangelho precisa ser recuperado, porque o evangelho do reino deve ser pregado a todas as nações, e então virá o fim.
As pessoas estão falando sobre a Grande Comissão. Antes de nosso Senhor Jesus ser recebido no céu, Ele deu esta Grande Comissão à igreja: ir às nações.
Segundo Mateus 28:19-20, está escrito:
Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações.
Para fazer o quê? Para evangelizar as nações? Não. Ir às nações e discipular as nações, batizando-as no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes tudo o que nosso Senhor Jesus nos ordenou. E Ele estará conosco até o fim desta era.
O que é a Grande Comissão? A Grande Comissão é: “Ide”. Para fazer o quê? É mais do que evangelizar as nações; é discipular as nações.
Agora, o que significa discipular as nações? O que significa levar as pessoas a se tornarem discípulas de Cristo? Aqui encontramos duas orações que qualificam esse discipulado. Uma delas é batizá-las no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Muitas vezes ouvimos as pessoas dizerem: “Eu creio no Senhor Jesus. Por que preciso ser batizado? Posso ser salvo apenas crendo no Senhor Jesus, sem ser batizado?” Devemos insistir, como algumas pessoas fazem, que, se alguém apenas crê no Senhor Jesus e não é batizado, não está em uma condição correta?
Reconhecemos, sim, que, se cremos no Filho, temos a vida eterna. Cremos que, se cremos com o coração, somos justificados. Então, por que devemos ser batizados?
Uma das razões pelas quais precisamos ser batizados está relacionada a essa questão do discipulado. Tornar-se discípulo de Cristo exige o batismo. Por quê? Porque o que é o batismo? O batismo é passar pela morte, pelo sepultamento e pela ressurreição.
Em outras palavras, se uma pessoa vai se tornar discípula de Cristo, precisa morrer para o passado, ser sepultada, fora de vista, e então ressurgir de uma nova maneira. É isso que o batismo significa. A menos que isso seja verdadeiro, você não pode ser discípulo Dele.
Mas, é claro, há mais do que isso: ensinar-lhes tudo o que nosso Senhor Jesus nos ordenou. Isso é discipular. O que é isso? É o evangelho do reino.
Em outras palavras, é mais do que simplesmente crer no Senhor Jesus e receber todas as bênçãos. É entregar-se ao Senhor, submeter-se ao Seu governo e permitir que Ele transforme você.
Portanto, de fato, essa é a Grande Comissão. A Grande Comissão é mais do que evangelizar as nações; é discipular as nações. É o evangelho do reino. O evangelho é mais do que algo em que se deve crer; é também algo a que se deve obedecer.
Mas, queridos irmãos e irmãs, temo que esse aspecto do evangelho seja muito negligenciado. Por isso, à medida que nos aproximamos do encerramento desta era, creio realmente que o evangelho do reino precisa ser recuperado. Precisa ser recuperado entre o povo de Deus. Enquanto isso não for recuperado, o fim será adiado.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, é da maior importância que venhamos a conhecer o evangelho do reino — esse aspecto do evangelho de Jesus Cristo.
Ao abrirmos o Evangelho segundo Mateus, encontramos, logo no início, a genealogia de Jesus Cristo, o Filho de Davi, o Filho de Abraão.
Nosso Senhor Jesus, em Sua genealogia, é chamado de Filho de Davi, Filho de Abraão. Quando o nome de Davi é mencionado, creio que imediatamente vemos Davi, o rei. Nas Escrituras, Davi representa a realeza.
Embora na genealogia encontremos os nomes de várias pessoas que foram reis, somente Davi recebe o título de “Davi, o rei”. Por quê? Porque Davi é a personificação da realeza. E nosso Senhor Jesus, em Sua genealogia, é especialmente identificado como o Filho de Davi.
Sim, Ele é o Filho de Davi e, no entanto, é maior do que Davi. Ele é o Senhor de Davi. Ele é o Rei. Davi é apenas um tipo de Cristo. Davi é apenas uma sombra, uma representação; a realidade está em Cristo Jesus.
Ele é o Rei de Deus. Ele é o Rei que Deus ungiu sobre Sião, e a Ele Deus deu a terra como Sua herança.
Ele também é o Filho de Abraão. Por quê? Porque na descendência de Abraão todas as nações serão abençoadas. Sabemos que a descendência não se refere a descendentes no plural, como Paulo destaca em Gálatas; refere-se a um descendente, no singular. Isto é, a Cristo.
Portanto, nosso Senhor Jesus é o herdeiro de todas as coisas. Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. A própria razão de Sua vinda a este mundo é estabelecer Seu reino nesta terra.
Às vezes pensamos que o Senhor Jesus veio a este mundo para salvar pecadores. É verdade. Seu próprio nome, Jesus, significa:
Ele salvará o Seu povo dos seus pecados.
Ele veio a este mundo para nos salvar. Ele perdoa nossos pecados. Ele é nosso Salvador. Graças a Deus por isso.
E às vezes sabemos que Ele veio a este mundo para que tivéssemos vida, e a tivéssemos em maior abundância. Como diz João 10:10:
Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.
Foi por isso que Ele veio a este mundo, e isso é verdade. Ele veio ao mundo, como disse, não para ser servido, mas para servir e dar Sua vida em resgate por muitos. Ele fez isso, e é verdade: Ele nos serviu; Ele nos redimiu.
Mas há outra razão pela qual Ele veio a este mundo. Ele veio a este mundo para estabelecer Seu reino nesta terra.
Ele nasceu Rei. Embora tenha nascido numa manjedoura, os magos viram Sua estrela, vieram a Jerusalém e disseram:
Onde está Aquele que é nascido Rei dos judeus?
Quando O encontraram em Belém, adoraram-No como Rei, porque Ele nasceu Rei dos judeus.
No entanto, Seu reino não pertence a este mundo. Lembramos que nosso Senhor Jesus disse:
O Meu reino não é deste mundo: se o Meu reino fosse deste mundo, pelejariam os Meus servos, para que Eu não fosse entregue aos judeus: mas agora o Meu reino não é daqui.
Embora Seu reino não seja deste mundo, esta é a razão pela qual Ele veio a este mundo: estabelecer Seu reino nesta terra.
Queridos irmãos e irmãs, nós O reconhecemos como Rei? Vemos Seu reino? O que é Seu reino? O que foi que Ele veio instituir e estabelecer? Estamos envolvidos nisso? Pertencemos a esse reino? Em que sentido estamos relacionados a ele? Penso que são essas as coisas que precisamos perguntar a nós mesmos.
Quando nosso Senhor Jesus começou a pregar, a Bíblia diz que, depois que João Batista foi preso, nosso Senhor Jesus iniciou Seu ministério público. Quando começou Seu ministério público, qual foi a mensagem que pregou?
Arrependei-vos; porque está próximo o reino dos céus.
Em outras palavras, Sua mensagem aos judeus naquela época era: “Arrependam-se, porque o reino dos céus se aproximou”. Era a mesma mensagem que João Batista pregava.
Se pensarmos um pouco, isso soa muito estranho, em certo sentido. Por quê? Porque os judeus daquela época não estavam no cativeiro babilônico.
Houve um tempo em que estiveram no cativeiro babilônico. Jerusalém estava em ruínas, o templo havia sido destruído e não havia sacrifícios. Mas Deus, em Sua misericórdia, permitiu que Seu povo voltasse a Jerusalém e reconstruísse o templo.
Durante o período em que os filhos de Israel estiveram no cativeiro babilônico, Deus nunca foi chamado de Deus dos céus e da terra. Ele era chamado apenas de Deus do céu. Não porque Deus não governasse a terra, mas porque não tinha um testemunho nela.
Os filhos de Israel eram o testemunho de Deus na terra, mas falharam em dar o testemunho de Deus entre as nações. Estavam no cativeiro. Durante aquele tempo, Deus já não era reconhecido como o Deus dos céus e da terra. Era reconhecido apenas como Deus do céu. Ele não tinha um testemunho nesta terra.
Oh, graças a Deus, depois de setenta anos de cativeiro, os filhos de Israel voltaram a Jerusalém. Embora apenas um remanescente tenha voltado, eles voltaram. Reconstruíram o templo, restabeleceram o sacerdócio, restauraram os sacrifícios e, sob Neemias, reconstruíram o muro de Jerusalém.
Mais tarde, ficaram sob o controle romano. No tempo de Cristo, os judeus não eram um povo livre. Estavam sob o domínio do Império Romano. Mesmo assim, muitos judeus residiam na Palestina, enquanto muitos outros estavam espalhados pelo mundo. Havia judeus habitando a terra prometida.
A cidade de Jerusalém havia sido restaurada, e o templo estava ali. Foi ampliado e embelezado sob Herodes, tornando-se uma construção grandiosa. O sacerdócio funcionava no templo. Embora, quando voltaram, não tivessem vinte e quatro turnos sacerdotais, conseguiram organizá-los em vinte e quatro turnos. Dia e noite, os sacerdotes serviam no templo. Os sacrifícios continuavam sendo oferecidos, e os salmos eram cantados.
Quando voltaram do cativeiro babilônico, também trouxeram o sistema de sinagogas. Durante o tempo do cativeiro, não havia templo, mas eles queriam adorar a Deus. Então desenvolveram esse sistema de sinagogas, por meio do qual podiam adorar a Deus onde quer que estivessem.
Se houvesse dez judeus em um lugar, eles poderiam ter uma sinagoga. Assim, surgiram sinagogas por toda parte. Era muito conveniente. Na sinagoga, cantavam salmos, oravam, liam a Torá — os cinco livros de Moisés — e os profetas, e exortavam o povo. Havia bastante liberdade nos cultos da sinagoga. A única coisa que não podiam fazer era oferecer sacrifícios.
Mas, segundo a lei, onde não há derramamento de sangue, não há remissão de pecados. Assim, quando voltaram para reconstruir o templo e restaurar os sacrifícios, trouxeram também o sistema de sinagogas. Além do templo, tinham muitas sinagogas. Iam ao templo para adorar, mas também se reuniam nas sinagogas.
Além disso, encontramos os escribas e os fariseus. Eram pessoas que copiavam a Bíblia e se dedicavam especialmente ao estudo da Bíblia. Procuravam obedecer à própria letra da lei. Havia rabinos e mestres.
Exteriormente, a nação de Israel — os judeus daquela época — era um povo muito religioso e piedoso. Sua religião era de tal natureza que muitos gentios eram atraídos ao judaísmo. Muitos gentios deixavam suas religiões pagãs e aderiam ao judaísmo como prosélitos — às vezes plenamente, às vezes parcialmente.
De qualquer modo, vemos que o povo judeu no tempo de Cristo era considerado um povo extremamente religioso e piedoso. Eram adoradores do verdadeiro Deus, e sua religião, seu judaísmo, era admirada pelo mundo pagão.
E, no entanto, quando nosso Senhor Jesus começou a pregar, Ele tinha apenas uma mensagem para essas pessoas. Sim, é verdade que a mesma mensagem havia sido pregada por João Batista. Mas, irmãos e irmãs, vocês precisam se lembrar de uma coisa: depois da voz de Deus em Malaquias, Deus não falou uma palavra durante quatrocentos anos.
Durante quatrocentos longos anos, Deus permaneceu em silêncio para com Seu próprio povo. Não havia profeta. Não havia voz de Deus. Mas, de repente, a voz veio. Não é de admirar que tenha abalado toda a nação.
Quando Deus começou a falar ao Seu povo por meio de João Batista e de nosso Senhor Jesus, Deus tinha apenas uma palavra para Seu povo. Deus tinha apenas uma mensagem para Seu povo, e a mensagem era: “Arrependam-se. Arrependam-se”.
Certamente apreciaríamos essa mensagem se ela fosse dirigida ao mundo. O mundo precisava de arrependimento. Foi por essa razão que, naquela época, os fariseus e os escribas não apreciaram a mensagem. Na verdade, ficaram muito ofendidos com uma mensagem assim.
Por quê? Porque achavam que ela os condenava severamente. Certamente o mundo precisava de arrependimento, mas eles não, porque eram um povo religioso, um povo piedoso. Poderiam dizer: “Reformar? Melhorar? Certamente sempre há espaço para reformar e melhorar”.
Até Nicodemos, o mestre de Israel, veio ao Senhor Jesus com a ideia de que havia espaço para melhorar. Nicodemos não era apenas um dos rabinos; ele era o mestre de Israel. Em certo sentido, representava o pensamento dos rabinos daquela época. Era um homem humilde, mas ouvir que precisava se arrepender era algo que não podia aceitar.
Essa é uma das razões pelas quais rejeitaram o Senhor Jesus. No entanto, Deus tinha apenas uma mensagem para Seu povo naquela época: arrependam-se.
Por que se arrepender? Precisavam se arrepender de seu serviço no templo? Ele havia sido instituído por Deus. Precisavam se arrepender de oferecer sacrifícios e dádivas? Eles haviam sido ordenados por Deus. Precisavam se arrepender de estudar a Palavra de Deus? Os oráculos de Deus lhes haviam sido dados por Deus. Era errado orar? Era errado cantar salmos? Era errado guardar a lei?
Precisavam se arrepender dessas coisas? Certamente não, porque essas coisas haviam sido dadas por Deus e ordenadas por Deus. Eles não eram perfeitos; precisavam ser aperfeiçoados, melhorados, desenvolvidos. Mas, afinal, por que se arrepender?
Porque a palavra arrepender-se é uma palavra muito forte. Qual é o significado de arrepender-se, ou de arrependimento? De acordo com a própria palavra, significa uma mudança de mente — uma mudança de mente. Em outras palavras, você muda de ideia de maneira tão completa que muda de direção.
Não é apenas virar um pouco à esquerda ou um pouco à direita, corrigindo cinco ou dez graus. Não. Arrependimento significa uma mudança de cento e oitenta graus, uma mudança completa. Você reconhece que a direção em que está seguindo é a direção errada e precisa dar meia-volta e seguir na direção oposta.
Isso é arrependimento. Uma mudança de mente é uma expressão forte. Como os judeus poderiam aceitar isso? Não podiam, porque eram religiosos, porque eram piedosos, porque faziam as coisas que Deus havia ordenado. Sentiam que não podiam mudar de ideia. Estavam na direção certa. Talvez tivessem se desviado um pouco e precisassem de uma correção de alguns graus, mas certamente não de arrependimento.
Agora vocês podem entender por que os fariseus e os escribas achavam tão difícil se arrepender. Simplesmente não conseguiam enxergar isso.
Certa vez, houve um congresso de teólogos. Teólogos de diferentes países e de diferentes formações se reuniram. Era um congresso sobre as doutrinas — os ensinamentos — da Bíblia.
Durante o congresso, muitos doutores eruditos e teólogos apresentaram suas dissertações sobre diferentes assuntos. Um dos assuntos era o arrependimento. Alguns desses doutores eruditos apresentaram suas dissertações e procuraram explicar às pessoas o que é arrependimento. Mas, quanto mais falavam sobre arrependimento, mais confusas as pessoas ficavam, porque aquilo era profundo demais.
Por fim, um missionário idoso e aposentado, que havia servido no exterior e estava sentado ao fundo, ouvindo todas as dissertações daqueles doutores eruditos, não aguentou mais. Então levantou a mão e disse: “Senhor presidente, o senhor pode me dar alguns minutos para falar sobre arrependimento?”
O presidente olhou para aquele missionário idoso e aposentado e pensou: “Que erudição ele tem? O que poderia dizer sobre arrependimento?” Mas, por respeito aos seus muitos anos de serviço no campo missionário no exterior, o presidente disse: “Está bem, vou lhe dar cinco minutos”.
Então o missionário se levantou. Ele estava sentado bem ao fundo e começou a caminhar em direção ao púlpito. Enquanto caminhava pelo corredor central, levantou as duas mãos e começou a gritar: “Estou indo para o inferno! Estou indo para o inferno! Estou indo para o inferno!”
Quando gritou, causou um choque em toda a assembleia. As pessoas olharam para ele e disseram: “Ele deve estar louco. Esse missionário deve estar louco”. Mas ele continuou gritando por todo o caminho, até chegar ao púlpito.
Ao subir à plataforma, de repente deu meia-volta e gritou: “Estou indo para o céu!” Então disse: “Isso é arrependimento”. Agora todos sabiam o que é arrependimento. Isso é arrependimento: dar meia-volta completamente.
É uma palavra muito séria, profunda e radical. Não é de admirar que a classe dirigente daquela época não pudesse aceitar aquela mensagem.
Queridos irmãos e irmãs, pergunto-me: à medida que nos aproximamos do fim desta era e esperamos a volta de nosso Senhor Jesus, que mensagem nosso Senhor tem para Seu povo, como preparação para levar esta era ao fim e receber o Rei?
O Senhor tem uma palavra para Seu povo hoje? Creio que sim. Qual é a palavra? Arrependam-se.
Não somos um povo religioso? Não somos piedosos? Não temos igrejas por toda parte? Se vocês forem a qualquer cidade, provavelmente três esquinas da praça pública estarão ocupadas por edifícios de igrejas. Não ouvimos o evangelho e a Palavra pelo rádio e pela televisão? Não temos mais escolas bíblicas neste país do que em qualquer outro lugar do mundo? Não somos muito religiosos?
Mas, queridos irmãos e irmãs, creio realmente que Deus tem uma palavra para nós hoje, e a palavra é: “Arrependam-se”. Precisamos nos arrepender. Por quê?
Muitas vezes pensamos no arrependimento em termos de pecados, deficiências, faltas, fracassos, derrotas e erros. Certamente, se pecamos, precisamos nos arrepender. Se ficamos aquém do que deveríamos, precisamos nos arrepender. Se fizemos algo errado, precisamos nos arrepender. Em outras palavras, para nós, o arrependimento tem uma base negativa. É por razões negativas que precisamos nos arrepender.
Mas, queridos irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus disse: “Arrependam-se”, por quê? Ele apresenta uma razão, e a razão é: “O reino dos céus se aproximou”. Vocês veem a ligação aqui?
Ele chamou os judeus ao arrependimento não apenas porque haviam pecado — é claro que haviam —, nem apenas porque tinham deficiências — certamente tinham. A razão pela qual nosso Senhor Jesus os chamou ao arrependimento foi que o reino dos céus havia se aproximado.
Antes que o reino dos céus venha, você pode ser religioso e piedoso, e talvez esteja tudo bem. Mas, se o reino dos céus vier, aquilo que você é, a maneira como vive e aquilo que faz serão completamente inadequados.
Deus pode permitir que você seja religioso por algum tempo. Mas, quando chega a plenitude do tempo, quando Cristo vem para estabelecer Seu reino nesta terra, tudo o que você fez e tudo o que você é não servem de ajuda. Pelo contrário, tornam-se obstáculos.
Eles precisavam se arrepender de seus sacrifícios. Precisavam se arrepender de seu sacerdócio. Precisavam se arrepender de sua adoração no templo, de suas orações, de seus jejuns, de seus dízimos — de todas essas coisas. Sim, precisavam. Por quê?
Não porque essas coisas não tivessem origem em Deus, mas porque a realidade está aqui, e as sombras precisam desaparecer. Se você continuar se apegando às sombras, rejeitará a realidade. É por isso que precisa deixar as sombras.
Você não pode se apoiar nas sombras. Não pode mais se apoiar nos sacrifícios. Por quê? Porque o Sacrifício veio. Todos os sacrifícios ficaram para trás. Se você ainda se apoiar no sangue de touros e bodes, seus pecados não serão cobertos. Você precisa depender do sangue do Cordeiro de Deus, Cristo Jesus.
Vocês entendem o ponto? Precisam se arrepender. Precisam ver que essas coisas têm de passar pela morte e ser sepultadas, fora de vista. As sombras precisam passar, porque a realidade veio.
Queridos irmãos e irmãs, não é assim conosco hoje? Estamos às portas de uma grande mudança. Sim, o fim está próximo. Esta era está chegando ao fim, e nosso Senhor Jesus está voltando para estabelecer Seu reino nesta terra.
Isso é razão suficiente para nos arrependermos. Não pensem no arrependimento apenas em termos negativos. Vocês podem ser bons, íntegros, religiosos e piedosos. Mas, queridos irmãos e irmãs, a pergunta é: e quanto ao reino dos céus?
Qual é a sua relação com o reino dos céus? Qual é a sua relação com o Rei? Em sua vida, Ele é o Rei?
O Rei não é um rei constitucional. Ele é um monarca absoluto. Por isso, na Bíblia, às vezes encontramos nosso Senhor Jesus sendo chamado de “Senhor”. A palavra Senhor, em algumas passagens, é despótēs — déspota. Não no sentido ruim, mas no sentido bom.
Em outras palavras, Ele tem autoridade absoluta sobre sua vida? Você O reconhece como seu Rei? Ele tem autoridade absoluta sobre sua vida — absoluta, não relativa? Isso é verdade?
O que é o reino dos céus? O reino dos céus é o governo dos céus. Os céus governam. Isso significa que Cristo governa absolutamente nossa vida. Isso é verdade conosco?
Se isso não é verdade, precisamos nos arrepender. Por quê? Porque toda a nossa religiosidade, toda a nossa piedade, todas as nossas atividades, todos os nossos serviços — todas essas coisas feitas em nome do Senhor Jesus — não nos ajudarão quando Seu reino vier.
Estamos em uma condição correta diante do Senhor em relação ao Seu reino? Queridos irmãos e irmãs, creio realmente que, se O virmos de fato como o Rei, o Monarca absoluto, cada um de nós terá motivos para se arrepender.
Precisamos ver que nossa vida tem de ser redirecionada. Precisamos ver que nossa vida familiar tem de ser redirecionada. Precisamos ver que nossa vida na igreja tem de ser redirecionada. Temos de reconhecer que aquilo de que dependíamos no passado não é suficiente — não apenas insuficiente, mas inadequado para que estejamos no reino dos céus.
Oh, precisamos fazer isso. Essa é a primeira coisa que devemos fazer. Alguma vez nos arrependemos porque percebemos que o reino dos céus se aproximou?
Se a mensagem era verdadeira dois mil anos atrás, quanto mais verdadeira deve ser para nós hoje.
Sabem, queridos irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus disse: “Arrependam-se, porque está próximo o reino dos céus”, Ele estava Se apresentando a eles como seu Rei. Ele iria estabelecer Seu reino entre eles.
Mas lembrem-se: o reino que Ele ofereceu aos judeus naquela época não era o reino messiânico que esperavam. Era o reino dos céus.
Os judeus daquela época estavam esperando pelo reino messiânico. Segundo as profecias, quando o Messias viesse, Ele restauraria a nação de Israel para ser a primeira entre as nações, em vez de ser a última entre elas.
Era isso que o povo judeu estava esperando. Pensavam que, quando Cristo, o Messias, viesse, seriam libertos. Livrar-se-iam do jugo romano e se tornariam a maior nação do mundo. Ensinariam todas as nações.
Quando Cristo veio, a princípio pensaram que talvez Ele fosse o Messias, por isso estavam dispostos a ouvi-Lo. Mas seu conceito era o do reino messiânico. Cristo não veio para lhes apresentar o reino messiânico; Ele lhes apresentou o reino dos céus.
Ele disse:
O Meu reino não é deste mundo.
Como os judeus compreenderam mal!
Há uma teoria chamada teoria do adiamento. Dizem que Cristo apresentou o reino aos judeus e que, como eles rejeitaram o reino, o reino foi adiado e veio a nós, gentios. Não, não é assim.
Em primeiro lugar, Cristo nunca lhes apresentou o reino messiânico. Isso Ele fará em Sua segunda vinda. Ele lhes apresentou o reino dos céus — um reino celestial, de natureza espiritual.
Não é de admirar que, por não compreenderem, O tenham rejeitado. Disseram: “Tu não és o Messias que esperávamos, porque não fizeste aquela obra”. Mas não foi por essa razão que Ele veio.
Graças a Deus, Ele lhes estava apresentando o mesmo reino que nos apresenta hoje. É o reino dos céus. Ele está nos apresentando o reino celestial.
Irmãos e irmãs, como aceitamos essa oferta? Em primeiro lugar, já mencionamos: arrependam-se. Precisamos nos arrepender, irmãos e irmãs.
Creio que a melhor maneira de nos prepararmos para o reino dos céus é ter um espírito de arrependimento contínuo.
Certa vez, um amigo meu — um homem idoso — tinha um filho que era um médico muito famoso na Filadélfia, um neurocirurgião. Sua nora era uma pianista de concerto, e eles tinham uma menina pequena. Amavam muito o Senhor.
Sentiam que o Senhor estava voltando em breve. Para se prepararem para a volta do Senhor, sentiram que precisavam deixar o mundo. Então lideraram um grupo de pessoas e se mudaram para o noroeste do Canadá, para uma região selvagem.
Compraram um terreno, construíram suas próprias cabanas e cultivaram a terra, procurando se separar do mundo e não se contaminar, para se prepararem para a volta do Senhor.
Esse pai idoso veio até mim, com lágrimas nos olhos, e disse: “Irmão, é essa a maneira de se preparar para a volta do Senhor — deixando o pai idoso para trás?”
A intenção deles era boa. Mas é essa a maneira de se preparar para a volta do Senhor? Isso tornará você apto para o Seu reino? Como você se prepara para a vinda do reino?
Ouvi algumas pessoas dizerem: “Bem, se Cristo vier e me encontrar de joelhos, orando, certamente serei levado; serei arrebatado”. Ou: “Se, quando Cristo vier, eu estiver pregando, então essa será a melhor maneira de partir”. Queridos irmãos e irmãs, como nos preparamos?
Algumas pessoas dizem: “Bem, antes que Cristo venha, haverá dias difíceis; então, como você se prepara? Armazene comida suficiente”. Como nos preparamos?
Conheço apenas uma maneira: arrepender-se.
Queridos irmãos e irmãs, quanto mais vocês veem o Senhor, quanto mais veem o reino dos céus, mais precisam se arrepender. É por isso que devemos ter um espírito de arrependimento contínuo. Esse tipo de espírito nos preparará para o reino e para o Rei.
Em segundo lugar: depois que o Senhor pregou: “Arrependam-se, porque está próximo o reino dos céus”, várias pessoas se arrependeram. Muitas se arrependeram sob o ministério de João Batista. Tornaram-se discípulas de João Batista. Muitas outras se arrependeram sob o ministério de Cristo.
Mas, quer sob o ministério de João, quer sob o ministério de Cristo, a palavra era uma só: muitos se arrependeram e foram batizados. O próprio fato de terem sido batizados provava que haviam se arrependido. Por quê? Porque o batismo era um ato radical.
Você entrava na água para morrer, para ser sepultado, e depois saía da água novamente, em ressurreição. Eles renunciavam completamente ao seu passado. Reconheciam que ele era completamente inadequado e estavam dispostos a renunciar a todo o passado, deixar que fosse sepultado, fora de vista, e ressurgir sobre uma nova base.
Assim, eles se arrependeram e foram batizados. Então veio a segunda coisa. Nosso Senhor Jesus estava andando junto ao mar da Galileia. Ao passar pelo mar da Galileia, viu Pedro e seu irmão André. Eles lançavam uma rede, porque estavam pescando.
O Senhor Jesus disse:
Vinde após Mim.
Eles deixaram tudo e seguiram o Senhor. Ele foi um pouco adiante e viu os dois filhos de Zebedeu. Estavam consertando as redes com seu pai. Depois de lançar a rede, alguma parte dela pode se rasgar; então é preciso consertá-la para preparar a próxima pescaria. Eles estavam consertando as redes, e o Senhor Jesus disse: “Venham”. Eles deixaram tudo e O seguiram.
Irmãos e irmãs, como entramos no reino dos céus? Depois de nos arrependermos, então vamos e seguimos o Senhor. Nós O seguimos. Isso é discipulado.
O Senhor disse: “Venham após Mim”. O Senhor não disse: “Venham após um ensinamento, venham após esta ou aquela doutrina”. O Senhor disse: “Venham após Mim”.
Quando o Senhor chamou, como eles responderam? Vemos que houve apenas uma resposta: deixaram tudo e O seguiram. Ou, colocando de outra maneira, se você não deixar tudo, não poderá segui-Lo. É tão radical assim.
Muitas vezes pensamos que podemos seguir o Senhor sem deixar tudo. No que diz respeito ao reino dos céus, isso é impossível.
Se você quer estar no reino dos céus, precisa segui-Lo. Mas a única maneira de segui-Lo é deixar tudo e segui-Lo. Se ainda se apega a alguma coisa, não pode segui-Lo. Não há como.
Toda vez que encontramos o chamado ao discipulado, há a resposta de deixar tudo.
Mesmo quando pessoas vinham a Ele e diziam: “Quero seguir-Te, mas deixa-me primeiro voltar e me despedir”, o Senhor dizia:
Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.
Mesmo quando pessoas vinham a Ele e diziam: “Senhor, quero seguir-Te, mas deixa-me primeiro sepultar meu pai, e então virei e Te seguirei”, o Senhor dizia:
Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.
O reino dos céus exige que deixemos tudo e venhamos a Ele. Isso é discipulado.
Queridos irmãos e irmãs, sinto que o discipulado é muito mal compreendido. Não encontro em nossa Bíblia — em lugar algum do Novo Testamento — que devamos ser discípulos de qualquer outra pessoa além de Cristo.
Vocês podem me mostrar uma passagem em que devamos nos tornar discípulos de algum ser humano além de Cristo? Embora Paulo tenha dito:
Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.
Quantos discípulos Paulo tinha?
Há apenas uma passagem no livro de Atos, mas é uma questão de manuscritos. Depois que Paulo foi salvo, estava em Damasco e começou a pregar. Então quiseram prendê-lo, e a Bíblia diz que “seus discípulos” o desceram pela muralha em um cesto.
Mas, conforme os manuscritos, alguns dizem que a expressão não deveria ser “seus discípulos”. Pessoalmente, creio que não deveria ser “seus discípulos”, porque o próprio Paulo era um cristão recém-convertido.
Somos discípulos de Cristo, não de qualquer outra pessoa. É verdade que alguns irmãos e irmãs mais velhos ou espiritualmente mais avançados nos ajudam no discipulado, mas nunca somos discípulos de qualquer outra pessoa além de Cristo.
O Senhor disse: “Venham após Mim. Venham após Mim. Coloquem-se sob Minha autoridade. Deixem-Me transformá-los. Deixem-Me conformá-los à Minha imagem. Eu sou o único que pode fazer isso”.
“Mas, para que Eu possa fazer isso, vocês precisam deixar tudo e seguir-Me. Precisam se desprender de tudo para se apegarem a Mim.” É uma exigência absoluta. Por quê? Porque Ele é o Rei, e esse é o reino dos céus.
Quando um jovem rico, uma autoridade, veio ao Senhor e disse: “Que posso fazer para herdar a vida eterna?”, o Senhor disse:
Por que Me chamas bom? Não há ninguém bom, senão Um, que é Deus.
Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos.
O jovem perguntou: “Quais mandamentos?” O Senhor disse:
Não matarás; não adulterarás.
E assim por diante — a segunda tábua da lei. O jovem disse:
Todas essas coisas tenho guardado desde a minha juventude.
O Senhor olhou para ele, amou-o e disse:
Vai, vende tudo o que tens, e vem, segue-Me.
Aquele jovem foi embora triste. Era muito rico. Amava suas riquezas. Estava apegado a elas; era prisioneiro delas. Não conseguia abrir mão de suas riquezas. Por isso foi embora.
O Senhor disse:
Quão difícil é para aquele que confia nas riquezas entrar no reino de Deus.
É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
Seus discípulos ficaram admirados e disseram:
Quem poderá, então, ser salvo?
O Senhor disse:
Aos homens isso é impossível; mas a Deus todas as coisas são possíveis.
Não pensem que é possível aos homens deixar tudo e seguir o Senhor. É impossível. O Senhor exige aquilo que é impossível aos homens.
Ele é o único que tem o direito de fazer tal exigência. Vocês acham que qualquer outra pessoa neste mundo pode fazer tal exigência? Não têm esse direito. Mas nosso Senhor tem todo o direito de fazê-la. Se Ele não a fizer, será infiel a você. Ele precisa fazê-la, porque é Deus, o Monarca absoluto. Ele deve edificar Seu reino entre Seu povo.
Mas, então, isso é impossível. Irmãos e irmãs, vocês conseguem deixar tudo e segui-Lo? Se disserem que conseguem, não sabem o que isso significa. Não conseguem. Ninguém consegue.
Mas, graças a Deus, ao continuarmos a leitura no capítulo seguinte, encontramos outro homem rico — Zaqueu. Possivelmente Zaqueu era mais rico do que esse jovem. O jovem provavelmente havia herdado suas riquezas, porque era jovem. Mas Zaqueu era o chefe dos cobradores de impostos, e, nessa ocupação, deve ter acumulado muita riqueza.
Ele queria ver Jesus, e o Senhor disse:
Zaqueu, desce depressa; porque hoje Me convém ficar em tua casa.
Vocês sabem o que aconteceu?
O Senhor não disse: “Deixe tudo. Venda todas as suas riquezas. Dê aos pobres. Venha e siga-Me”. O Senhor nem sequer disse isso. Mas Zaqueu se colocou diante do Senhor e disse:
Eis que, Senhor, dou aos pobres metade dos meus bens; e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quadruplicado.
Segundo a lei, era preciso apenas devolver o valor original, acrescentando a quinta parte. Mas aqui o encontramos dizendo: “Quatro vezes. Estou disposto a lhes pagar quatro vezes”. Se fizesse isso, ele se tornaria um homem pobre.
Aos homens é impossível, mas a Deus todas as coisas são possíveis. Se aquele jovem rico tivesse simplesmente dito ao Senhor: “Eu não consigo fazer isso, mas Tu podes. Ajuda-me”, creio que o Senhor teria feito isso.
O mesmo é verdade conosco hoje, irmãos e irmãs. O Senhor exige, sim, que deixemos tudo e O sigamos — a Ele, e somente a Ele. Devemos nos colocar completamente sob Sua autoridade, desprendidos de tudo.
Não conseguimos fazer isso, mas Ele consegue. Vamos permitir que Ele faça? Isso não significa necessariamente que você tenha de deixar sua família. Algumas pessoas dizem: “Como posso deixar minha família? Como posso deixar meus filhos?” Isso não significa que você tenha de deixar seu negócio.
Significa simplesmente isto: você O ama mais do que a todas essas coisas? Permitirá que Ele tenha o primeiro lugar em sua vida? Permitirá que Ele tome todas as decisões por você? Faremos isso?
Mesmo no caso de Pedro, ele deixou tudo e seguiu o Senhor, mas ainda tinha sua própria casa, e até sua sogra estava ali. Ainda tinha seu barco. Quando o Senhor usou seu barco, pagou-lhe com um barco cheio de peixes.
Não é o exterior; é o interior. Se isso estiver presente no interior, o exterior não será problema. Essa decisão precisa ficar nas mãos do Senhor. Mas o Senhor disse: “Venham. Sigam-Me”. Irmãos e irmãs, estamos dispostos a vir e segui-Lo?
Para concluir, há uma história de que gosto muito. Provavelmente alguns de vocês a conhecem. É sobre F. B. Meyer.
Vocês conhecem F. B. Meyer. Lemos seus escritos. Ele escreveu muitos livros, e algumas pessoas dizem que seu inglês era tão bom que, quando escrevia, quase se podia sentir e ouvir o que descrevia. Se escrevesse sobre um riacho, era possível ouvir a água correndo. Era uma pessoa muito talentosa.
Quando jovem, ele era pastor de uma grande igreja em Edimburgo. Amava o Senhor. Graças a Deus, encontrou o Senhor Jesus e recebeu Sua vida. Sua vida foi transformada.
A história é esta — creio que estes sejam os detalhes, embora vocês possam ler a história completa por conta própria. Alguém o aconselhou a ir ao Senhor e realmente entregar tudo ao Senhor. Então ele fez isso.
Foi ao Senhor e Lhe disse: “Eu Te entrego isto; eu Te entrego aquilo”. Uma coisa após outra, ele entregou ao Senhor. Mas havia uma coisa que não conseguia entregar. Queria guardá-la para si. Então disse ao Senhor: “Deixa-me ficar só com esta pequena coisa”.
Ele contou que o Senhor veio, estendeu a mão e pediu as chaves de sua vida. Então F. B. Meyer Lhe entregou um molho de chaves — as chaves de todos os diferentes compartimentos e cômodos de sua casa. Mas havia reservado um pequeno armário.
O Senhor disse: “Dê-Me essa pequena chave”. Ele respondeu: “Não, Senhor. Se Tu me permitires guardar essa pequena chave — guardar esse pequeno armário para mim —, estou disposto a servir-Te com o dobro de zelo”.
Mas o Senhor disse: “Não. Se Eu não sou Senhor de tudo, não sou Senhor de nada”. Foi isso que F. B. Meyer contou. Não é verdade?
Ele disse que o Senhor começou a Se afastar. Em seu desespero, clamou — e esta é sua famosa oração:
Senhor, torna-me disposto a ser tornado disposto.
Toma aquilo que não consigo entregar.
O Senhor voltou, tomou dele aquela pequena chave, e ele disse que o Senhor passou bastante tempo limpando a casa. Depois disso, foi usado pelo Senhor de uma maneira muito especial.
Queridos irmãos e irmãs, isso nos mostra uma coisa: nós não podemos, mas Ele pode. Tudo o que precisamos fazer é dizer: “Senhor, estou disposto a ser tornado disposto”, e Ele fará isso. Este é o evangelho do reino.
Ó Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque nosso Senhor Jesus não é apenas nosso Salvador, mas também nosso Rei.
Ele não veio apenas para derramar Seu sangue pela remissão dos nossos pecados, mas veio para estabelecer Seu reino entre Seu próprio povo.
Ó Senhor, precisamos reconhecer que Teu governo como Rei está ausente de nossa vida. Não é de admirar que Teu reino não tenha vindo. Por isso, vimos humildemente a Ti, Senhor. Torna-nos dispostos a sermos tornados dispostos.
Queremos, sim, nos entregar a Ti, porque Tu és digno disso. Queremos que venhas e sejas esse Monarca absoluto sobre nossa vida. Oh, que sejamos Teu reino, e que venha o Teu reino.
Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.