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    Kaung, Stephen

    Cooperando com Deus em Sua Obra

    Nesta manhã, compartilhamos sobre esta questão da obra — a obra de Deus. Em vez de trabalhar para Deus, devemos trabalhar com Deus em Sua obra.

    Agora, nesta tarde, gostaríamos de abordar a questão dos obreiros. Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus, capítulo 9. Vamos ler de Mateus 9:35 até Mateus 10:1.

    E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Ao ver as multidões, compadeceu-Se delas, porque estavam aflitas e dispersas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos Seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a Sua seara. E, chamando a Si os Seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem toda sorte de doenças e enfermidades.

    A Obra de Deus e a Cooperação Humana

    Mencionamos nesta manhã que há somente uma obra de Deus; ou, dizendo de outra maneira, Deus tem somente uma obra a realizar. Essa única obra de Deus só pode ser realizada pelo próprio Deus. Não há mais ninguém que possa realizar essa obra.

    Podemos trabalhar para Deus. Podemos fazer aquilo que chamamos de obras de Deus. Mas, quando realmente chegamos a esta questão da única obra que Deus realiza, descobrimos que não podemos ajudá-Lo. Ele é o Único que a realiza e que pode realizá-la.

    Creio que essa é uma das razões pelas quais frequentemente prejudicamos a obra de Deus: trabalhamos demais. Se apenas percebêssemos que a obra de Deus só pode ser realizada pelo próprio Deus, e se apenas permitíssemos que Ele realizasse Sua obra — sem tentar substituí-Lo —, creio que estaríamos em uma condição muito melhor para sermos usados por Deus.

    No entanto, isso é curioso. Na Bíblia, vemos que, por um lado, a obra de Deus só pode ser realizada pelo próprio Deus. Ele não precisa da sua ajuda. Por outro lado, vemos que Ele realmente chama pessoas para serem Seus cooperadores.

    Na passagem que acabamos de ler, nosso Senhor Jesus estava realizando a obra de Deus. Ele percorria cidades e aldeias. Estava ensinando, pregando, expulsando demônios e curando pessoas. Quando grandes multidões vinham a Ele, sentia profunda compaixão por elas.

    Ele disse aos Seus discípulos:

    A seara é grande, e os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a Sua seara.

    Em outras palavras, nosso Senhor Jesus tinha profunda compaixão das multidões. Ele sentia que aquelas pessoas estavam afligidas, como ovelhas sem pastor. Como Ele desejava que muitos trabalhadores fossem enviados para colher a seara!

    Depois de dizer isso, pediu aos discípulos que orassem para que o Senhor enviasse trabalhadores. Então, em Mateus 10, vemos que Ele enviou os doze para colher a seara. Aqui vemos que, em Sua obra, Deus realmente chama pessoas para virem trabalhar com Ele.

    Ele realmente envia pessoas como obreiros. Ele precisa de cooperadores. Precisa de homens e mulheres que trabalhem com Ele em Sua grandiosa obra. Agora, essas duas coisas são contraditórias?

    A obra de Deus só pode ser realizada pelo próprio Deus. Ele a realiza, mas quer realizá-la por meio de você. Exteriormente, parece que somos nós que estamos trabalhando, mas, na verdade, é Ele Quem realiza a obra.

    É por isso que, em Filipenses 2:12-13, nos é dito:

    Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é Quem opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade.

    Vemos que precisamos desenvolver exteriormente aquilo que recebemos. Mas, antes de podermos fazer isso, precisamos primeiro deixar Deus operar em nós. Se permitirmos que Deus opere primeiro em nós, então, quando agirmos, será Ele Quem estará operando. Portanto, ainda é Deus Quem realiza a obra.

    Somos apenas vasos e instrumentos em Sua mão, cooperando com Ele e permitindo que realize a obra que deseja realizar. Isso é tudo o que somos.

    A Obra de Deus em Nós e as Boas Obras

    Em Efésios 2:8-9, nos é dito:

    Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.

    Quando chegamos à questão da salvação, frequentemente dizemos que somos salvos pela graça, mediante a fé. Por quê? Porque não é obra nossa. Não vem de nós mesmos; é obra de Deus.

    Na cruz, nosso Senhor Jesus disse:

    Está consumado.

    A obra está concluída, e essa obra nos é dada como graça. De nossa parte, tudo o que fazemos é crer — crer na obra de Deus —, e somos salvos.

    Agora, frequentemente aplicamos isso à questão da salvação. Mas prossigam até Efésios 2:10:

    Porque somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

    Somos feitura Sua. Em outras palavras, Deus trabalha em nós; Deus opera dentro de nós. Estamos sendo trabalhados por Deus. Mas, depois que Deus opera em nós, vemos que fomos criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas.

    Vemos o mesmo princípio. Primeiro, permitimos que Deus opere em nós. Estamos em Sua mão, somos feitura Sua. Então, aquilo que Ele fez em nós é expresso e demonstrado pelas boas obras que realizamos.

    Agora, boas obras aqui, naturalmente, significa fazer a vontade de Deus. Somente quando estamos fazendo a vontade de Deus é que estamos realizando boas obras. Isso é algo que Deus preparou de antemão para nós, para que andássemos nele.

    Cada Crente como Cooperador de Deus

    Paulo, em 1 Coríntios 3:9, disse:

    Somos cooperadores de Deus.

    Quando Paulo disse isso, estava se referindo apenas a si mesmo e a Sóstenes? Sabemos que 1 Coríntios foi escrita por Paulo e Sóstenes.

    Sem dúvida, Paulo e Sóstenes eram cooperadores de Deus. Trabalhavam com Deus em Sua obra. Se vocês lerem 1 Coríntios, provavelmente perceberão que isso inclui Apolo e Cefas, porque Paulo mencionou Apolo e Cefas. Certamente, Apolo e Cefas também eram cooperadores de Deus.

    É verdade que Deus chamou alguns para trabalhar dessa maneira — pessoas como Paulo, Apolo, Cefas e Sóstenes. Elas foram chamadas por Deus para trabalhar com Ele em Sua obra.

    Como vemos em Efésios 4:11-12, Deus deu à igreja uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos santos. Deus chamou algumas pessoas para serem Seus obreiros, Seus cooperadores, para trabalharem com Ele.

    Mas isso é exclusivo? Em outras palavras, apenas alguns, entre os muitos que foram redimidos pelo Senhor, são chamados para ser obreiros de Deus, Seus cooperadores? Os demais não estão envolvidos na obra de Deus? Os demais não são obreiros?

    Mesmo em 1 Coríntios 3:9, vemos que não é assim. Por um lado, Paulo disse:

    Somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus, edifício de Deus.

    É como se Paulo, Sóstenes, Apolo e Cefas estivessem trabalhando nos crentes de Corinto, e os crentes de Corinto estivessem sendo trabalhados por esses cooperadores de Deus.

    Mas, à medida que continuamos a leitura, vemos que, depois de lançado o fundamento, que é Cristo, Paulo diz em 1 Coríntios 3:10:

    Veja cada um como edifica sobre ele.

    Você pode edificar sobre esse fundamento com ouro, prata e pedras preciosas, ou pode edificar sobre ele com madeira, feno e palha.

    Seja qual for o material que você usar, um dia a obra de cada um será manifestada. O fogo aparecerá; ele provará o valor da obra de cada um. Quer você receba recompensa, quer sofra perda, a obra de cada um será manifestada no tribunal de Cristo.

    Isso não significa perder a salvação, mas perder a recompensa. Portanto, nesse sentido, cada filho de Deus é um cooperador, um obreiro.

    Muitas vezes, limitamos os termos “obreiro”, “trabalhador” ou “ministério” a apenas alguns que são especialmente chamados por Deus para trabalhar na igreja. Dizemos: “Estes são os obreiros. Estes são os cooperadores de Deus”.

    Em certo sentido, isso é verdade. Efésios 4:11 nos diz muito claramente que Deus deu à igreja uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres. Chamamos esses grupos de pessoas de ministros da Palavra de Deus.

    Deus confia Sua Palavra a essas pessoas, e, com a Palavra de Deus, elas ministram à igreja. Elas aperfeiçoam os santos. No sentido estrito, há um grupo de pessoas especialmente chamadas para trabalhar na igreja como ministros da Palavra de Deus.

    Mas, às vezes, negligenciamos o outro lado. O outro lado é que todo o povo de Deus está envolvido na mesma obra — a obra de Deus —, e todos os que pertencem ao povo de Deus são obreiros.

    Não há ninguém que não seja chamado para a Sua vinha. Vocês se lembram daquela parábola do proprietário de uma vinha. Ele saiu de manhã cedo e contratou pessoas para virem trabalhar em sua vinha. Depois, em diferentes horas, saiu e viu pessoas que ainda estavam ali, ociosas, sem fazer nada.

    Mesmo na última hora, ainda viu pessoas ali paradas. Ele disse, em Mateus 20:6:

    Por que estais aqui ociosos o dia todo?

    Vão para a vinha e trabalhem. Em outras palavras, todos são chamados para a vinha de Deus.

    Deve haver tantos obreiros na obra de Deus quantos são os filhos de Deus.

    O Sacerdócio Universal dos Crentes

    Não somos todos sacerdotes? 1 Pedro 2:5 diz:

    Vós também, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.

    Aqui vemos que todos os crentes são sacerdotes. E o que são sacerdotes? Sacerdotes são cooperadores de Deus. Sacerdotes trabalham com Deus. Sacerdotes trabalham na casa de Deus.

    Essa é uma característica universal dos crentes ensinada na Bíblia. Nos tempos do Antigo Testamento, quando Deus libertou os filhos de Israel do Egito, levou-os ao monte Sinai. Em Êxodo 19:5-6, Deus disse que, se eles Lhe obedecessem e guardassem Sua aliança, seriam Sua propriedade peculiar e um reino de sacerdotes.

    Em outras palavras, cada israelita redimido — homens, mulheres e crianças — deveria ser sacerdote. Ser sacerdote significa que todos servem a Deus.

    Quando Moisés foi enviado para tirar os filhos de Israel do Egito, o que disse a Faraó? Deus disse:

    Deixa ir o Meu povo, para que Me sirva.

    Deus libertou o povo não apenas porque queria que fossem livres para fazer tudo o que desejassem.

    Quando estavam no Egito, eram escravos. Tinham de fazer o trabalho de Faraó. Não tinham escolha. Agora Deus os libertou. Mas isso significa que, depois de livres, poderiam fazer seu próprio trabalho e tudo o que quisessem? De modo nenhum.

    Deixa ir o Meu povo, para que Me sirva.

    Eles foram libertos para que pudessem realizar a obra de Deus. Deveriam ser uma nação de sacerdotes. Cada israelita deveria servir a Deus. Essa era a intenção original de Deus.

    Infelizmente, enquanto Moisés recebia os mandamentos no monte, os filhos de Israel pecaram contra Deus. Adoraram o bezerro de ouro. Quando Moisés desceu e viu aquela situação, a disciplina de Deus veio sobre eles.

    Ao adorar o bezerro de ouro, toda a nação de Israel se desqualificou para o serviço de Deus. Você não pode servir a Deus e servir aos ídolos. Não pode fazer isso.

    Então, dentre aquela nação, Deus escolheu uma tribo — não porque seus integrantes não tivessem caído, mas porque se arrependeram e responderam ao chamado de Deus, registrado em Êxodo 32:26:

    Quem é do Senhor, venha a mim.

    Em outras palavras, deveriam separar-se. E não apenas separar-se, mas negar a si mesmos de tal maneira que estivessem dispostos a romper até mesmo relacionamentos terrenos. A tribo de Levi respondeu, e, com base nisso, Deus os separou como sacerdotes e levitas para servir.

    Lembrem-se: essa foi uma medida de emergência de Deus. Não era Seu plano original. Quando chegamos ao Novo Testamento, depois que nosso Senhor Jesus realizou a redenção na cruz do Calvário, tudo deve ser restaurado ao propósito original e pleno de Deus.

    Portanto, na igreja, já não são apenas alguns que servem a Deus. São todos os crentes — todos sacerdotes. Cada filho de Deus, cada pessoa redimida, é sacerdote para Deus.

    O que é um sacerdote? Se um sacerdote não está servindo a Deus, o que ele é? Essa é sua ocupação. Esse é o significado de sua vida.

    Irmãos e irmãs, é tão importante, em nossos dias, enxergar que cada crente é um cooperador de Deus. Não falem da obra de Deus como algo a ser realizado apenas por alguns. A obra de Deus deve ser realizada por todos, em cooperação com Deus.

    Infelizmente, o cristianismo retrocedeu ao judaísmo. Retrocedeu à medida de emergência de Deus, em vez de avançar para Seu propósito pleno. Cremos que, nos últimos dias, quando Deus restaurar Sua obra, terá de restaurar também Seus obreiros.

    Cremos que hoje Deus está chamando todo o Seu povo a se levantar, entrar em Sua vinha e realizar Sua obra. Todos somos cooperadores de Deus. É uma honra e um privilégio extraordinários, mas, naturalmente, é também uma responsabilidade muito grande.

    A Atuação dos Membros do Corpo de Cristo

    Todos os filhos de Deus são sacerdotes. Recentemente, eu estava traduzindo um texto do irmão Watchman Nee. Nesse artigo, ele disse algo que pode soar muito estranho; por isso, espero que vocês ouçam com atenção.

    Frequentemente dizemos: “Há tantos sacerdotes quantos são os filhos de Deus”. Isso está correto? É claro que está. É bíblico. Você não pode ter cem filhos de Deus e apenas cinco sacerdotes.

    Se você tem cem filhos de Deus, deve ter cem sacerdotes. Ou, mudando o termo, se você tem cem cristãos, deve ter cem servos. Se você tem cem filhos de Deus, deve ter cem obreiros.

    Mas o irmão Nee colocou isso de outra maneira. Disse que há tantos membros do corpo de Cristo quantos são os sacerdotes. À primeira vista, isso parece contrário às Escrituras.

    Cada filho de Deus é sacerdote, e cada sacerdote é membro do corpo de Cristo. Portanto, se olharmos do ponto de vista da verdade, precisamos dizer que há tantos sacerdotes quantos são os filhos de Deus, e tantos membros do corpo de Cristo quantos são esses sacerdotes.

    Mas, quando chegamos à realidade do corpo de Cristo, à realidade da igreja, suponham que vocês tenham cem irmãos e irmãs, e apenas dez estejam atuando como membros do corpo de Cristo. Vocês veem a igreja? Não veem a igreja.

    Mas, quando vocês têm cem irmãos e irmãs, e todos os cem exercem sua função, o que veem? Veem a igreja. No corpo de Cristo, não há membro sem função.

    Cada membro do corpo de Cristo tem uma função, embora as posições possam ser diferentes. Cada membro do corpo de Cristo deve estar vivo; e, se está vivo, deve exercer sua função.

    Se há muitos membros do corpo de Cristo que não exercem sua função, vocês se perguntam se eles estão vivos. E, se não estão vivos, o que se pode dizer?

    Isso não é terrível? Por que não vemos a realidade da igreja hoje? Não estamos falando de doutrina. Estamos falando de experiência. Estamos falando de realidade.

    Quando realmente chegamos a esta questão da realidade do corpo de Cristo — a realidade da igreja —, irmãos e irmãs, se vocês têm cem membros, todos os cem precisam exercer sua função. Então vocês têm a realidade do corpo de Cristo; têm a realidade da igreja.

    Se vocês têm cem membros e apenas cinco estão exercendo sua função ou trabalhando, enquanto os outros noventa e cinco apenas ficam sentados para que outros trabalhem neles, sem jamais trabalhar, como a obra de Deus pode ser realizada? A obra de Deus não pode ser realizada.

    Não sei se isso está realmente penetrando em vocês. Espero que esteja, porque creio que esse é um dos problemas mais difíceis que temos na igreja.

    Nosso conceito é tão limitado pela tradição que frequentemente pensamos nos obreiros como apenas algumas pessoas especialmente chamadas, enquanto os demais são leigos e leigas. Nosso conceito é que apenas alguns são chamados para a obra de Deus, mas nós não temos parte nela.

    Isso está errado — muito errado. Esse conceito precisa ser corrigido. Se não for corrigido, não apenas seremos incapazes de ver a realidade da igreja, mas a obra de Deus simplesmente não poderá ser realizada.

    A Necessidade de Cada Talento

    Lembro-me de que o irmão Nee também disse que, se apenas os que têm cinco talentos estiverem trabalhando, ou apenas os que têm cinco e dois talentos estiverem trabalhando, enquanto todos os que têm um talento permanecerem inativos, vocês não verão a igreja.

    Pior ainda: todos nós amamos aqueles que têm cinco talentos. Queremos vê-los trabalhar. Na verdade, não é preciso incentivar os que têm cinco talentos a trabalhar. Se têm cinco talentos, trabalharão. Não é preciso incentivá-los de modo algum.

    Provavelmente, os que têm dois talentos precisam de um pouco de incentivo. É preciso incentivá-los um pouco, e eles se apresentarão. Mas e os que têm um talento?

    Se todos os que têm um talento estiverem enterrando seus talentos, e apenas os que têm cinco talentos estiverem trabalhando, enquanto incentivamos os que têm dois talentos a se apresentar e trabalhar, a obra de Deus não poderá ser realizada.

    A obra de Deus só pode ser realizada quando todos os talentos são reunidos. Não desprezem os que têm um talento. Quando vocês têm cinco pessoas com um talento cada, isso equivale a uma pessoa com cinco talentos.

    Quando chegamos a esta questão da obra, a primeira coisa que realmente precisamos enxergar é que ela não se limita a algumas pessoas. Ela inclui cada crente.

    O Ministério de Todo o Corpo

    Se vocês voltarem a Efésios 4:11-12, verão muito claramente que Deus deu à igreja uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, outros como mestres e outros como pastores. O que eles fazem? Existem para o aperfeiçoamento dos santos.

    Seu trabalho é aperfeiçoar os santos. Aperfeiçoar os santos significa ajudá-los a crescer até a maturidade. Ao alimentá-los com a Palavra de Deus, essa Palavra os edifica espiritualmente, para que cresçam e se tornem maduros.

    Quando os santos amadurecem, a Bíblia diz, em Efésios 4:12:

    Com vistas à obra do ministério, à edificação do corpo de Cristo.

    Por que os santos precisam ser aperfeiçoados? Por que não podemos simplesmente continuar como bebês?

    Gostaríamos de continuar sendo bebês, se pudéssemos. Por quê? Porque não há responsabilidade. Todo mundo diz: “Que bebê lindo!”, e podemos fazer tudo o que queremos. Mas, quando você cresce e faz alguma coisa, as pessoas o criticam. Se você é um bebê, não o criticam.

    Como gostamos de continuar sendo bebês! Por que precisamos ser aperfeiçoados? Por que precisamos crescer? Há uma razão: existe uma obra a ser realizada, com vistas à obra do ministério.

    O que é a obra do ministério? Não é mais um ministério desses apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Eles já fizeram seu trabalho ao aperfeiçoar vocês. Esse ministério é o ministério do corpo.

    O doutor Lightfoot, um bispo anglicano que amava o Senhor e conhecia a Palavra, explicou esse versículo dizendo que “com vistas à obra do ministério” não se refere ao ministério de apóstolos, profetas e mestres. Não; esse ministério é o ministério do corpo.

    O que é o ministério do corpo? Cada membro do corpo faz sua parte. Primeiro, vemos um ministério que trabalha no corpo; depois, a partir do corpo, desenvolve-se um ministério. Esse é o ministério do corpo. É realizado por cada membro do corpo de Cristo, de modo que o corpo edifique a si mesmo em amor.

    Se vocês olharem dessa maneira, verão que cada membro do corpo de Cristo é um cooperador de Deus. Todos estamos envolvidos na obra.

    Pode ser verdade que aqueles que são especialmente chamados, como apóstolos, profetas, evangelistas, mestres e pastores, trabalhem mais e com maior intensidade. Mas certamente não devem monopolizar a obra de Deus. Não devem substituir vocês na obra de Deus; pelo contrário, devem estimulá-los a entrar nela.

    Se trabalharmos entre o povo de Deus e o tornarmos tão dependente de nós que não possa ficar sem nós, se nunca o ajudarmos a assumir responsabilidade e fizermos tudo por ele, qual será o resultado?

    Até mesmo em suas próprias famílias, se vocês nunca deixarem seus filhos crescer, se fizerem tudo por eles e não permitirem que tenham qualquer responsabilidade ou disciplina, mas simplesmente os deixarem desfrutar de tudo, que tipo de filhos eles se tornarão? Quando crescerem, nunca amadurecerão.

    O mesmo acontece com a igreja. O ministério daqueles que são especialmente chamados é aperfeiçoar os santos para que estes realizem a obra. Os que são especialmente chamados trabalham no corpo para que o corpo exerça sua função e conclua o trabalho.

    Isso é muito importante. É algo que precisamos compreender. Não há membro ocioso no corpo de Cristo. Não há membro sem função no corpo de Cristo. Não há sacerdote desempregado na igreja.

    Irmãos e irmãs, graças a Deus vocês têm o desejo de servir. Por quê? Porque todos somos cooperadores de Deus. Todos somos chamados para a obra. A menos que todos estejamos na obra, ela simplesmente não poderá ser realizada.

    A Vida como Substância da Obra de Deus

    Mas, naturalmente, não é fácil trabalhar com Deus, e não apenas trabalhar para Deus. Se estivermos trabalhando para Deus, podemos dizer: “Bem, está certo, vamos fazer alguma coisa”.

    Frequentemente me lembro disto. Perdoem-me por mencionar o irmão Nee novamente, mas recebi tanta ajuda dele. Naquela época, eu era um jovem obreiro. Não sabia nada, e, mesmo hoje, sei muito pouco.

    Ele nos disse: “Se os irmãos e irmãs não estão interessados nos interesses de Deus, se não têm um coração voltado para Deus, se não têm desejo pela obra de Deus, vocês não têm problema na igreja. Não têm problema”.

    Mas, assim que os irmãos e irmãs começam a ter o desejo de servir a Deus, e realmente têm um coração voltado para Ele, interessam-se pelos interesses de Deus e começam a se envolver, querendo ajudar — aí vocês têm todos os problemas.

    Por um lado, vocês precisam dizer: “Venham trabalhar”. Depois que eles vêm e começam a trabalhar, vocês terão de discipliná-los quando a carne deles se manifestar. É um paradoxo.

    Se Pedro apenas ficasse de boca fechada! Mas, graças a Deus, esse é o problema. Muitas vezes, temos medo dos problemas. Pensamos que, se a igreja não tiver problemas, será melhor; se todo mundo ficar bem quieto, isso será bom.

    Não, isso é ruim. É como um cemitério — quieto demais. Não tenham medo dos problemas. Se há problemas, isso mostra que há interesse. Mas, naturalmente, quando nos envolvemos, trazemos nossa carne conosco, e é aí que precisamos de disciplina.

    Em outras palavras, venham trabalhar, mas estejam prontos para a disciplina. Se não estiverem prontos para a disciplina, não venham.

    Há algumas coisas que gostaria de compartilhar nesta tarde. Primeiro: realizar a obra de Deus não é uma questão de concluir um trabalho; é uma questão de suprir vida.

    Há uma diferença tremenda. A obra de Deus é fundamentalmente diferente da obra do homem, porque a obra do homem é apenas um trabalho. Se você conclui o trabalho, então foi bem-sucedido.

    Mas a obra de Deus não é uma questão de concluir uma tarefa. A obra de Deus consiste em transmitir vida e fazer com que a vida aumente. Se não há transmissão de vida, e se a vida não aumenta, então, no que diz respeito à obra de Deus, aquilo não é a obra de Deus.

    Você pode realizar muitas coisas, mas, se não há vida nisso, tudo é vazio. Na obra de Deus, há sempre um elemento: vida — vida.

    É por isso que, a menos que sejamos redimidos pelo Senhor, a menos que tenhamos a vida de Cristo em nós, não podemos trabalhar com Deus. Mas, tendo a vida de Deus em nós, precisamos lembrar que, quando realmente realizamos a obra de Deus, a pergunta é: quanta vida somos capazes de colocar na obra?

    Esse é o teste, o critério, da obra de Deus. Às vezes, podemos fazer muito trabalho, mas talvez a contribuição de vida seja pequena. Somente essa pequena porção conta. O restante será queimado.

    Se estamos pensando em trabalhar com Deus em Sua obra, precisamos dar ênfase especial a esta questão da vida. Não se trata apenas de prestar um serviço.

    Se somos inteligentes, se pesquisamos, se estudamos, se somos eloquentes e temos clareza de pensamento, podemos pregar um sermão ou apresentar uma mensagem. Mas quanta vida é transmitida? Isso resultará em vida ou apenas em instrução?

    Como disse o irmão Sparks, precisa haver edificação. Gosto disso. Não é apenas instrução, porque edificação, no original, significa construir. Muito do que se chama ministério é apenas instrução intelectual.

    Você pode estar servindo na igreja como presbítero ou como um irmão responsável. Por ter uma extraordinária capacidade administrativa, talvez dirija uma grande empresa fora da igreja. Dirigir uma igreja pode parecer uma coisa simples para você.

    Você usa sua capacidade administrativa e dirige bem a igreja. Administra tudo tão bem que todos dizem: “Bem, a igreja é um sucesso”. Mas você está realizando a obra de Deus? A obra de Deus está sendo realizada?

    Uma tarefa pode ter sido concluída. Mas, se não há transmissão de vida, a obra de Deus não foi realizada. Você está fazendo sua própria obra, mas não pode dizer que essa é a obra de Deus.

    Antes de tudo, quando chegamos a esta questão dos obreiros, precisamos compreender como é importante nossa vida com Deus. Como dissemos antes, trata-se mais de ser do que de fazer. É fácil fazer, mas é difícil ser. A menos que sejamos, não podemos fazer.

    Se desejamos trabalhar com Deus em Sua obra, precisamos ter uma vida com Deus. Nossa vida com Deus precisa se aprofundar. A vida de Cristo precisa aumentar em nós. Somente na medida da vida que temos somos capazes de suprir as necessidades da obra de Deus.

    Lembrem-se de nosso Senhor Jesus no último dia da festa, em João 7:37. Ele Se levantou e clamou:

    Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.

    Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.

    Que rios são esses? Rios de água viva. Onde quer que um rio passe, encontramos vida — vida abundante. Todo tipo de ser vivo começa a surgir.

    O Senhor Jesus disse:

    Do seu interior fluirão rios de água viva.

    Se você quer suprir as necessidades da obra de Deus, antes de tudo precisa vir a Ele e beber. Precisa deixá-Lo operar em você. Precisa recebê-Lo.

    Quando você O recebe, é então que você crê. Novamente dizemos: crer — essa é a obra de Deus. Se você crê, se permite que Ele realize a obra em você, então, do seu interior, fluirão rios; não apenas um rio, mas rios.

    Isto é realizar a obra de Deus: vida. Essa é a primeira coisa. A medida da vida que você recebe e a medida da vida que é capaz de liberar determinarão a medida de sua participação na obra de Deus.

    A Visão como Modelo da Obra de Deus

    Segundo: visão. A vida é o fundamento da obra de Deus. A vida é o material de construção. A visão é o modelo da obra de Deus.

    Estamos envolvidos na obra de Deus. Somos cooperadores de Deus. Estamos realizando a obra de Deus. Se vamos realizar a obra de Deus, certamente precisamos enxergar o modelo.

    Não se trata simplesmente de realizar nossa própria obra. Se fizermos nossa própria obra, podemos imaginar algum tipo de trabalho e executá-lo. Mas, ao realizar a obra de Deus, precisamos saber o que Ele está fazendo, o que deseja fazer e qual é o modelo.

    Visão significa simplesmente o modelo. Moisés foi chamado por Deus para realizar uma obra — construir o tabernáculo. Deus o chamou ao monte, e ali lhe mostrou o modelo, o modelo celestial.

    Tudo o que fosse feito na terra na construção do tabernáculo deveria seguir o modelo da realidade celestial. Deus mostrou a Moisés o modelo celestial e queria que ele fizesse tudo de acordo com esse modelo.

    Foi nisso que se revelou a fidelidade de Moisés. A Bíblia diz que Moisés foi fiel em toda a casa de Deus. Em que sentido Moisés foi fiel? No sentido de que fez tudo de acordo com o modelo mostrado no monte.

    Mas, se você não tem o modelo, como pode realizar a obra de Deus? Esse é o problema hoje. As pessoas estão trabalhando para Deus, mas não têm nenhum modelo. Como não têm um modelo celestial, elaboram um modelo e criam seu próprio projeto.

    Quem sabe se ele corresponde ao modelo de Deus? É por isso que, se queremos estar envolvidos na obra de Deus, é muito importante termos visão.

    Por visão, não queremos dizer algo que se vê com os olhos físicos. Visão significa simplesmente que Deus revela a você Seu pensamento acerca de Sua obra. Deus lhe mostra o que é Sua obra e qual é o objetivo que Ele realmente tem em vista. Isso é algo que precisamos enxergar.

    Precisamos enxergar o modelo de Deus, não apenas uma parte dele. Precisamos enxergar o plano de Deus como um todo. É verdade que cada um de nós está envolvido em apenas uma parte de Sua obra, mas nossa visão precisa ser completa.

    Esse é o problema hoje. A visão das pessoas é tão estreita. Por exemplo, se sinto que Deus me chamou para ser evangelista, tudo o que vejo são almas. Não vejo a perfeita vontade de Deus.

    Se sou chamado para um ministério de cura, tudo o que vejo é cura. Se vou ser mestre, tudo o que vejo é a pobreza do povo de Deus no que diz respeito à Sua Palavra. Você tem uma visão e faz sua parte.

    Mas, se não enxergarmos o modelo completo, sabem o que acontecerá? Não seremos capazes de trabalhar juntos. Pelo contrário, atrapalharemos uns aos outros.

    É isso que vemos hoje. O evangelista pode desprezar o mestre, e o mestre pode desprezar o evangelista. “O que você está fazendo? Salvando almas, levando-as a nascer e depois deixando-as morrer? De que adianta isso?”

    Mesmo que estejamos realizando uma parte da obra de Deus, podemos acabar nos opondo uns aos outros se não tivermos a visão do todo. Portanto, é importante enxergarmos a visão celestial da maneira mais plena possível.

    Paulo disse, em Atos 26:19:

    Não fui desobediente à visão celestial.

    Precisamos de uma visão do modelo, do modelo celestial, da realidade. Então cada um de nós fará sua parte.

    À medida que cada um fizer sua parte, apreciaremos a parte realizada pelos outros irmãos e irmãs. Veremos que não podemos prescindir de nossos irmãos e irmãs. Precisamos uns dos outros para completar a obra de Deus.

    A Cruz e a Liberação da Vida

    Terceiro: a cruz. Não estamos pensando na cruz apenas como uma verdade objetiva. Cremos que, na cruz do Calvário, nosso Senhor Jesus realizou tudo.

    Está consumado.

    Cremos nisso.

    Mas a questão de que estamos falando é a operação subjetiva da cruz em nossa vida. Ela se baseia na obra objetiva que Cristo concluiu na cruz do Calvário, mas essa cruz precisa ser aplicada à nossa vida pela operação do Espírito Santo.

    Por que a operação da cruz em nossa vida é tão importante? Em 2 Coríntios 4:7, Paulo diz:

    Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.

    Temos este tesouro em vasos de barro — a vida de Cristo em nós. Somos os vasos de barro; o tesouro está em nós. Como esse poder pode ser manifestado? Em outras palavras, há vida ali, mas como essa vida pode ser liberada para suprir a obra?

    Paulo estava falando de ministério. Não estava falando apenas do crescimento de nossa própria vida; estava falando de como o ministério pode ser cumprido. Ele disse, em 2 Coríntios 4:10:

    Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.

    Em outras palavras, a vida só pode ser liberada por meio da cruz. Nosso Senhor Jesus disse que, a menos que um grão de trigo caia na terra e morra, permanece só; mas, se morrer, produz muito fruto. Isso Ele disse a respeito de Sua morte.

    É na cruz que a vida é liberada e a igreja é produzida. Esse princípio se aplica a todos os filhos de Deus.

    Por isso, em João 12:26, o Senhor prossegue dizendo:

    Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estou, ali estará também o Meu servo: se alguém Me servir, o Pai o honrará.

    Para onde Ele estava indo? Estava indo para a cruz. Como podemos servir? Servimos no poder de ressurreição de Sua vida. Esse é o segredo da liberação da vida.

    Se não estivermos dispostos a negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e seguir o Senhor, se sempre quisermos fazer as coisas à nossa maneira, se nunca aprendermos a ser abatidos sem ser destruídos, a vida ficará aprisionada dentro de nós. Não seremos capazes de ministrar vida, e a obra de Deus não poderá ser realizada.

    Mas, à medida que estamos dispostos a trazer em nosso corpo o morrer de Jesus, isso se torna um processo contínuo. Como Paulo diz em 1 Coríntios 15:31:

    Morro diariamente.

    Estamos dispostos a morrer por amor a Jesus, para que a vida seja liberada.

    Por causa disso, vemos rios de água viva. Quando chegamos a esta questão dos obreiros que trabalham com Deus em Sua obra, como é necessário termos sobre nós as marcas de Jesus!

    Paulo diz, em Gálatas 6:17:

    Ninguém me moleste; porque eu trago no meu corpo as marcas de Jesus.

    A Cooperação entre os Obreiros

    Quarto: para realizar a obra de Deus, precisamos lembrar que essa não é uma obra realizada por você sozinho. Você é chamado para trabalhar com seus irmãos e irmãs. Você não é o único obreiro.

    É muito fácil trabalhar sozinho, porque assim você pode fazer tudo o que lhe agrada. Mas, para trabalhar com seus irmãos e irmãs, é preciso esperar uns pelos outros, suportar uns aos outros, ter paciência uns com os outros e abrir mão de si mesmo. Há muitas lições que você precisa aprender.

    Na obra de Deus, há uma disciplina tremenda. A obra de Deus não é para pessoas que trabalham isoladas. Hoje encontramos tantas pessoas independentes. Muitos servos de Deus simplesmente não conseguem trabalhar juntos; cada um tem sua própria obra. Ficamos nos perguntando quanto dessa obra é realmente a obra de Deus.

    Na obra de Deus, precisamos lembrar que somos um sacerdócio. Trabalhamos juntos sob a direção do Sumo Sacerdote. Trabalhamos lado a lado. Cada um só pode cumprir uma parte; e nem mesmo essa parte pode ser plenamente cumprida sem a ajuda de nossos irmãos e irmãs.

    Precisamos uns dos outros. Precisamos trabalhar juntos. Ao fazermos isso, não apenas a obra será realizada, mas uma obra também será realizada em nós. Ainda há muito a ser feito em nós enquanto trabalhamos juntos.

    Trabalhar juntos não é apenas concluir uma tarefa. Trabalhar juntos significa que estamos sendo trabalhados enquanto trabalhamos juntos. Precisamos sublinhar este ponto: nunca tentem fazer nada de maneira independente.

    Às vezes, é difícil. Você pode fazer alguma coisa sozinho. Se fizer sozinho, talvez termine em uma hora; mas, se fizer com seus irmãos e irmãs, talvez leve dois dias.

    Mas lembrem-se de que a obra de Deus é muito diferente. Não se trata apenas de concluir alguma coisa. É mais do que isso.

    A Integração de Outros à Obra

    Por fim, já mencionei isto, mas quero enfatizá-lo: quando estivermos realizando a obra de Deus, procuremos ajudar outros irmãos e irmãs e trazê-los para a obra.

    Os que têm um talento tendem a enterrá-lo, porque dizem: “Tenho apenas um talento. O que posso fazer? Não há muito que eu possa fazer com ele”. Por isso, tendem a enterrá-lo.

    Irmãos e irmãs, se vocês têm qualquer tipo de responsabilidade — seja no chamado ministério, ministrando a Palavra de Deus, seja servindo como presbíteros, diáconos, diaconisas ou em qualquer outra responsabilidade na igreja —, lembrem-se de uma coisa.

    Não se trata apenas de vocês trabalharem. Vocês têm a responsabilidade de levar aqueles que não estão exercendo sua função a exercê-la. Essa é nossa responsabilidade.

    É verdade que, se tentarem fazer isso, terão de trabalhar mais. Mas, a menos que isso seja feito, como poderemos ver a igreja, o corpo de Cristo? Como poderemos ver todos os membros exercendo sua função?

    Creio que, se cada um de nós não apenas trabalhar, mas também procurar trazer outros irmãos e irmãs para a obra, será dessa maneira que a obra de Deus será realizada.

    Hoje há tamanha desigualdade na distribuição do trabalho e da responsabilidade. Alguns poucos na igreja estão carregando toda a responsabilidade. Estão fazendo todo o trabalho. Trabalham até se esgotar e, mesmo assim, a obra não é concluída.

    Voltem ao livro de Atos. É isso que encontramos com os apóstolos. No início, na igreja em Jerusalém, os doze apóstolos literalmente trabalhavam até se esgotar. Faziam tudo. Pregavam, serviam às mesas, faziam tudo.

    Sem dúvida, faziam tudo com todas as suas forças. Mas as viúvas helenistas eram negligenciadas na assistência diária. Não era porque os apóstolos não se importassem; simplesmente era trabalho demais.

    Por causa disso, até a pregação da Palavra era prejudicada, pois eles precisavam dedicar tempo a servir às mesas. Então algo aconteceu. Sete irmãos foram chamados para servir às mesas, para que os apóstolos pudessem ficar livres para se dedicar à oração e ao ministério da Palavra.

    O resultado foi que a Palavra de Deus cresceu. O princípio está ali. O princípio é sempre envolver todos.

    É isso que precisamos fazer em nossos dias. Estamos nos aproximando muito do tempo em que nosso Senhor voltará. A obra precisa avançar mais rapidamente, e a única maneira de acelerar a obra é envolver todos.

    Vamos trabalhar juntos. Vamos trabalhar uns com os outros, e vamos trabalhar com Deus.

    Oração

    Pai celestial, nosso coração verdadeiramente se alegra. Quem somos nós para que Tu nos tenhas chamado à Tua vinha? Quem somos nós para que Tu nos tenhas escolhido para ser cooperadores Contigo e uns com os outros?

    Senhor, pedimos que não permitas que nenhum irmão ou irmã sinta que não tem parte em Tua obra. Senhor, pedimos que encorajes todos os irmãos e irmãs a serem servos Teus, fiéis e prudentes.

    Senhor, reconhecemos que há muito que precisamos compreender e aprender. Estamos esperando por Ti. Sim, toma-nos em Tua mão, treina-nos, faze-nos crescer, guia-nos e usa-nos.

    Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.