A carta aos Gálatas nos mostra a verdade do evangelho de Jesus Cristo. Essa carta trata dos fundamentos do evangelho.
Nos fundamentos do evangelho de Jesus Cristo, há três elementos essenciais:
Os opostos são claros: a graça se opõe à lei, a fé se opõe às obras, e o Espírito se opõe à carne.
A graça nos dá a substância do evangelho. A fé torna essa substância real para nós, e o Espírito é o suprimento.
Agora, antes de entrarmos nessa carta aos Gálatas, penso que seria bom considerarmos juntos um pouco da verdade a respeito do Espírito.
Penso que há uma falta de compreensão entre o povo de Deus a respeito do Espírito Santo. Não sabemos muito a respeito dEle.
Conhecemos Deus Pai porque, neste mundo, temos uma imagem de pai. Por isso, é relativamente fácil para nós imaginar Deus Pai.
Conhecemos um pouco de Deus Filho porque Ele veio a este mundo e viveu como homem, assim como nós. Portanto, conhecemos um pouco o Filho.
Mas penso que nós, os crentes, não sabemos muito a respeito de Deus Espírito, a terceira Pessoa da Divindade. De alguma forma, não temos uma imagem; não temos um conceito.
Quando mencionamos o Espírito de Deus, isso tende a ser um pouco vago, quase nebuloso para nós. Essa é uma das razões pelas quais nossa compreensão do evangelho de Jesus Cristo, nosso desfrute do evangelho e nossa vida espiritual são tão fracos e frágeis.
Agora, por exemplo, considerem os crentes da Galácia: quando creram no Senhor Jesus, receberam a promessa do Espírito. Eles tinham o Espírito Santo, mas, por não O conhecerem, não dependiam dEle.
Ele estava com eles e neles, mas eles não O conheciam. Assim, em vez de dependerem do Espírito de Deus para conduzi-los à realidade de Cristo, na busca pela perfeição, afastaram-se do Espírito Santo e passaram a depender das obras de sua carne.
Pensavam que, para serem perfeitos, precisavam produzir sua própria perfeição. Precisavam empregar a energia de sua carne. Não havia outro suprimento, nenhum outro apoio.
Foi por isso que se afastaram do Espírito e voltaram à sua carne. O resultado foi que se deixaram atrair para outro evangelho, que não é evangelho de modo algum, porque foram conduzidos de volta à escravidão e à condenação.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, é muito importante compreendermos o lugar do Espírito Santo no evangelho de Jesus Cristo.
Agora, vocês se lembram da noite em que Ele foi traído. Nosso Senhor Jesus teve uma longa conversa com Seus discípulos, registrada em João 14, João 15 e João 16.
Os discípulos perceberam que o Senhor estava prestes a deixá-los e, naturalmente, ficaram sem saber o que fazer. Haviam deixado tudo para seguir o Senhor e, durante aqueles pouco mais de três anos, o Senhor havia sido tudo para eles.
Eles dependiam do Senhor. O Senhor os ensinava, protegia, supria suas necessidades, resolvia seus problemas e era a própria vida deles. O Senhor era tudo para eles. Eram como criancinhas debaixo das asas de nosso Senhor Jesus.
Mas agora sabiam que o Senhor iria deixá-los e estavam muito tristes. Como o Senhor consolaria essas pessoas? O Senhor não poderia consolá-las com palavras vazias. Palavras nunca podem consolar uma tristeza verdadeira.
Ao consolar essas pessoas, o Senhor lhes deu uma promessa extraordinária. O Senhor disse:
Eu vou. Sim, preciso ir. É para o vosso bem que Eu vá. Vou para o Pai, mas pedirei ao Pai, e Ele vos enviará outro Consolador.
Esse outro Consolador é o Espírito da verdade.
Ele estará convosco, e Ele estará em vós. Ele nunca vos deixará, nem vos desamparará.
Assim, vemos aqui que, antes de deixar Seus discípulos, o Senhor prometeu que lhes enviaria outro Consolador.
Agora, a palavra outro aqui corresponde a uma palavra grega diferente daquela usada em “outro evangelho”, na carta aos Gálatas. No grego, há duas palavras diferentes traduzidas para o inglês como another, isto é, outro.
O “outro evangelho” em Gálatas é heteros, que significa outro de uma espécie diferente. Por ser outro de uma espécie diferente, tem uma conotação negativa. Na verdade, esse outro evangelho não é evangelho de modo algum.
Mas o “outro” em João 14 — “Eu vos enviarei outro Consolador” — é allos. É outro da mesma espécie: outro da mesma espécie.
Em outras palavras, o Senhor diz:
Eu era o vosso Consolador quando estava convosco. Mas, quando Eu partir, haverá outro Consolador convosco. Ele é da mesma espécie.
Esse outro Consolador, sabemos, é o Espírito da verdade.
Quando o Senhor estava com eles, estava ao lado deles, mas não podia estar neles. Às vezes, Ele enviava Seus discípulos enquanto ia a outro lugar. Não estavam juntos. Se alguma coisa acontecesse, os discípulos precisavam voltar depressa à presença do Senhor e procurar respostas para suas perguntas.
Mas aqui o Senhor disse:
Eu enviarei outro Consolador, e Ele estará convosco, e Ele estará em vós.
Isso porque Ele é o Espírito.
Quando estava na terra, o Senhor tinha um corpo físico e, nesse corpo físico, estava limitado pelo tempo e pelo espaço. Ele podia estar com os discípulos, mas não neles.
Mas, graças a Deus, depois de morrer e realizar a obra da salvação, depois de ressuscitar e subir às alturas, para o Pai, Ele nos enviou outro Consolador, o Espírito da verdade. Por ser o Espírito, Ele pode viver em nós.
E, porque está em nós, Ele nunca nos deixará, nem nos desamparará. Não importa aonde você vá, Ele vai com você. Você pode entristecê-Lo; pode apagá-Lo; mas não pode expulsá-Lo.
Vocês sabem, nos tempos do Antigo Testamento, Davi orou em Salmos 51:11:
Não retires de mim o Teu Espírito Santo.
Nos tempos do Antigo Testamento, isso era possível. Mas, nos tempos do Novo Testamento, sob a nova aliança, isso é impossível. O Espírito Santo, que habita nos crentes, nunca deixará vocês, nem os desamparará. Ele está sempre presente.
Agora, a palavra Consolador, no grego, é Parakletos. A palavra significa alguém que vem para o seu lado a fim de ajudar.
Infelizmente, o inglês moderno mudou muito. Algumas palavras tiveram seu significado bastante alterado. Quando John Wycliffe traduziu a Bíblia para o inglês, no século XIV, traduziu a palavra grega Parakletos como Comforter, ou seja, Consolador.
Mas hoje, quando pensamos em consolo, que impressão isso nos causa? É quase como alguém que vem para o seu lado, dá um tapinha no seu ombro e diz: “Tudo vai ficar bem. Não se preocupe”.
Essa é quase a impressão que temos de um consolador: o que quer que você faça, está tudo bem; não importa; está tudo certo. Isso é apenas consolo.
Mas a palavra Consolador, no grego original e no inglês antigo, tem um significado muito diferente. Traz mais a ideia de força do que de consolação — mais de conflito do que de conforto.
Como sabemos disso? Consideremos primeiro o inglês. Quando John Wycliffe traduziu o Novo Testamento do grego para o inglês, em Filipenses 4:13, usou a mesma palavra, comfort, que hoje associamos a consolar:
Posso todas as coisas por meio dAquele que me consola.
Mas a palavra comfort não significa alguém que simplesmente dá um tapinha no seu ombro e tenta acalmar você, dizendo: “Está tudo bem”. Não, não é assim.
Nós sabemos qual é o significado:
Posso todas as coisas por meio dAquele que me fortalece.
Ele me dá força. Ele é o poder e está presente para me fortalecer, para que eu possa fazer todas as coisas para a glória de Deus. Assim, vocês percebem imediatamente que, no inglês antigo, trata-se mais de força do que de consolação.
Se ainda não estão convencidos, leiam os trechos em que a palavra Consolador aparece no Novo Testamento. De João 14 a João 16, a palavra Consolador é usada em quatro passagens: João 14:16, João 14:26, João 15:26 e João 16:7.
Ao lerem essas quatro passagens, vocês não encontrarão uma única ocasião em que o Consolador esteja ligado principalmente ao conforto ou à consolação. Ele está sempre ligado à força.
Ele é o Espírito da verdade.
Ele vos guiará a toda a verdade.
Agora, queridos irmãos e irmãs, quando chegamos à questão da verdade, há conflito. Não pensem que vocês podem entrar na verdade sem conflito.
O mundo inteiro está sob o domínio do maligno. O mundo inteiro é uma grande mentira. É muito confortável viver nas mentiras do mundo, mas, quando vocês querem entrar na verdade, isso envolve um conflito tremendo.
O Espírito Santo é o Espírito da verdade. Ele está aqui para nos conduzir à verdade — isto é, para nos conduzir à realidade.
As pessoas deste mundo vivem num sonho, numa mentira, numa falsidade, numa aparência, numa imitação. Mas, quando o Espírito de Deus vem, Ele nos conduz à realidade. E sabemos que a realidade é Cristo.
Há um conflito tremendo nisso. É por essa razão que, em João 16, Ele diz que, quando o Consolador vier:
Ele convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
Isso é poder.
No mesmo Evangelho, vemos que, quando o Espírito de Deus — isto é, o Consolador — vier, Ele dará testemunho do Senhor Jesus. Isso é poder.
Portanto, toda vez que essa palavra é mencionada, vemos que ela traz o significado de conflito e força. É claro que conforto e consolação estão incluídos, mas isso é secundário, não é o significado principal.
Agora, a mesma palavra é traduzida como Advogado em 1 João 2:1:
Temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo.
A palavra Advogado é a mesma palavra traduzida como Consolador de João 14 a João 16. É a mesma palavra.
Temos um Advogado junto ao Pai. Ele está ali como nosso Advogado, nosso Conselheiro, nosso Defensor, nosso Guardião. Ele está ali pleiteando por nós junto ao Pai.
Assim, aqui vemos dois Advogados. Nosso Senhor Jesus é hoje o Consolador, nosso Advogado, pleiteando por nós junto ao Pai. E o Espírito Santo é hoje o Consolador, o Advogado em nós.
Qual é o trabalho de um advogado, um consolador, um guardião, um patrono, um conselheiro?
Ele representa, pleiteia a causa, defende o nome e administra os bens. Esse é o trabalho de um advogado, de um Parakletos. Ele está ali com você, representando, pleiteando, defendendo e administrando.
A quem o Espírito Santo representa? Quem é o Seu cliente? A causa de Quem o Espírito Santo pleiteia? O nome de Quem Ele defende? Os bens de Quem Ele administra?
Muitas vezes pensamos no Espírito Santo como nosso Consolador, como se Ele estivesse aqui apenas para nos consolar. Ah, apenas para nos consolar.
Sim, temos Alguém junto ao Pai. É isso que nosso Senhor Jesus é. O Senhor Jesus é nosso Advogado junto ao Pai. Ele nos representa junto ao Pai. Ele pleiteia nossa causa junto ao Pai. Ele defende nosso nome, por assim dizer, e administra nossos bens, nossa herança, junto ao Pai.
Ele está ali junto ao Pai e diz: “Meu sangue os redimiu. Sim, eles falharam, mas Meu sangue os purificou de todas essas coisas. Eles são Minha propriedade, e sua herança — Eu lhes dei a Mim mesmo como sua herança —, eles tomarão posse dela”.
Assim, vemos aqui que nosso Senhor Jesus está junto ao Pai, representando-nos. Mas lembrem-se: o Espírito Santo está em vocês, representando Cristo.
O Espírito Santo em você não representa você. Ele representa Cristo. Ele pleiteia a causa de Cristo em você. Ele defende o nome de Cristo em você. E administra a propriedade de Cristo, porque você é propriedade de Cristo.
Vocês sabem, se o Espírito Santo fosse o seu advogado, você descobriria que muitas vezes Ele pleiteia a causa da parte contrária. Isso não seria terrível? Suponha que você esteja num tribunal e contrate um advogado para defendê-lo. Então, quando o caso é apresentado, seu advogado se levanta — embora devesse pleitear sua causa — e, de alguma forma, fala em favor da parte contrária. Não seria terrível?
E vocês têm experimentado o que o Espírito Santo está fazendo em vocês hoje? O Espírito Santo não está pleiteando sua causa. Suponha que você faça algo errado: o Espírito Santo pleiteia sua causa dentro de você? De modo algum. Ele pleiteia a causa de Cristo.
Ele representa Cristo em você, pleiteando a causa de Cristo. Ele está em você, defendendo o nome de Cristo.
Quando fazemos algo impróprio, algo que compromete o nome de Cristo, o Espírito Santo trabalha dentro de nós e começa a defender esse nome. Não é verdade?
E vocês são propriedade dEle, possessão de Deus. Quando vocês se desviam, o Espírito Santo procura trazê-los de volta. Ele está administrando essa propriedade, cuidando para que ela seja bem conservada até aquele dia.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se de que o Espírito Santo, que habita em nós hoje, representa Cristo. Ele está aqui para aperfeiçoar essa possessão de Cristo. Esse é o Seu trabalho.
Penso que isso deve ser suficiente como introdução. Agora, vamos à carta aos Gálatas.
Primeiro, nossa tarefa. Eu me esqueci ontem e, graças a Deus, alguém nos lembrou, mas hoje de manhã eu certamente me lembrei.
Vocês examinaram a carta aos Gálatas. Quantas vezes encontraram a palavra espírito? Dezoito vezes? E você? Encontrou dezessete? Muito bem, alguém encontrou dezesseis? Dezenove? Vamos localizá-las.
Agora, penso que uma dificuldade talvez seja o fato de estarmos usando versões diferentes. Se realmente quisermos contar as ocorrências, precisamos recorrer ao original grego. Portanto, pode haver alguma diferença de opinião, e precisamos admitir isso.
Vamos examinar primeiro essas passagens.
Gálatas 3:2:
Só isto quero saber de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pelo ouvir da fé?
Gálatas 3:3:
Sois assim tão insensatos? Tendo começado pelo Espírito, sois agora aperfeiçoados pela carne?
Gálatas 3:5:
Aquele, pois, que vos supre o Espírito e opera milagres entre vós, o faz pelas obras da lei ou pelo ouvir da fé?
Gálatas 3:14:
Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios em Cristo Jesus; para que, pela fé, recebêssemos a promessa do Espírito.
Gálatas 4:6:
E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba, Pai.
Gálatas 4:29:
Mas, como então aquele que nasceu segundo a carne perseguia aquele que nasceu segundo o Espírito, assim também acontece agora.
Gálatas 5:5:
Porque nós, pelo Espírito, mediante a fé, aguardamos a esperança da justiça.
Gálatas 5:16:
Digo, porém: andai pelo Espírito, e não satisfareis a concupiscência da carne.
Gálatas 5:17:
Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; pois estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.
Gálatas 5:18:
Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.
Gálatas 5:22-23:
Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio; contra tais coisas não há lei.
Gálatas 5:25:
Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.
Gálatas 6:1 inclui tanto “espirituais” quanto “espírito de mansidão”:
Irmãos, mesmo que um homem seja surpreendido em alguma transgressão, vós, que sois espirituais, restaurai tal pessoa com espírito de mansidão; olhando para ti mesmo, para que não sejas também tentado.
Vocês podem contar isso uma ou duas vezes. Se contarem “espirituais”, haverá duas referências; caso contrário, apenas uma.
Gálatas 6:8:
Porque aquele que semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas aquele que semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.
Gálatas 6:18:
A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito, irmãos. Amém.
Quantas ao todo? Dezenove? Muito bem.
Agora, a palavra espírito, no grego, é pneuma. Sua transliteração é P-N-E-U-M-A. Essa palavra significa, principalmente, vento ou sopro e, depois, especialmente, espírito, que, assim como o vento, é invisível, imaterial e poderoso.
É claro que, no Novo Testamento, essa palavra, espírito, é usada de muitas maneiras diferentes. Precisamos ler o contexto para saber exatamente o que significa. Mas penso que, na carta aos Gálatas, a palavra espírito é usada de três maneiras diferentes.
Vamos nos limitar à carta aos Gálatas. Uma coisa que vocês precisam lembrar é que, nos manuscritos originais, a escrita era toda em letras maiúsculas ou toda em letras minúsculas. Não se fazia distinção entre Espírito com inicial maiúscula e espírito com inicial minúscula.
Portanto, quando encontramos a palavra espírito e queremos saber se é o Espírito de Deus, o Espírito divino, ou o espírito do homem, o espírito humano, isso depende da compreensão do contexto. E é muito difícil.
Por quê? Porque, quanto mais vocês progridem espiritualmente no Senhor, menos conseguem distinguir o Espírito Santo do espírito humano.
É por isso que, no Novo Testamento, às vezes é muito difícil indicar especificamente se uma passagem se refere ao Espírito Santo ou ao espírito humano. O Espírito Santo habita em nosso espírito e cresce nele. Portanto, isso depende do contexto e da compreensão dos tradutores.
Vocês não podem simplesmente depender da letra maiúscula ou da letra minúscula. Precisam aprender a discernir por si mesmos.
Mas a carta aos Gálatas não trata de situações espirituais avançadas. Ela trata de condições espirituais fundamentais, elementares, iniciais entre o povo de Deus. Por isso, vemos que ali o Espírito é bastante distinguível.
Na carta aos Gálatas, a maioria dos usos da palavra Espírito se refere ao Espírito Santo. Por isso, os tradutores usam a inicial maiúscula na maioria dos casos.
Talvez apenas em um ou dois casos haja alguma dúvida. Portanto, em primeiro lugar, a palavra Espírito em Gálatas se refere principalmente ao Espírito Santo.
Em segundo lugar, às vezes ela se refere ao espírito humano. Por exemplo, o último versículo, Gálatas 6:18, diz:
A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito, irmãos. Amém.
Isso se refere ao espírito humano. Sabemos que nosso espírito humano estava morto em pecados e transgressões, mas nasceu de novo pelo Espírito Santo.
O que é nascido do Espírito é espírito.
Nós, os crentes, temos um novo espírito dentro de nós, e o Espírito Santo habita em nosso novo espírito. Esse é o segundo uso da palavra espírito em Gálatas.
Há um terceiro uso, em Gálatas 6:1: “espírito de mansidão”, ou espírito de brandura.
Aqui, um espírito de mansidão fala de determinado estado de nosso espírito. Nosso espírito humano, se estiver normal, deve manifestar uma atitude espiritual de mansidão. Quando nosso espírito está anormal, pode ser orgulhoso e altivo.
Isso fala de determinada condição de nosso espírito. Nosso espírito humano é um órgão; ele pode assumir qualquer coloração.
Se o Espírito Santo governa nosso espírito humano, então nosso espírito humano assume o caráter do Espírito Santo e manifesta um espírito de mansidão, o Espírito de Cristo.
Mas, se permitirmos que nossa vida da alma invada nosso espírito, ele poderá assumir algumas das colorações de nossa vida da alma. Podemos ser orgulhosos, altivos, ciumentos e assim por diante.
Portanto, lembrem-se disto: nosso espírito é um órgão. A vida de nosso espírito deve ser o Espírito Santo. Mas, se permitirmos que a vida da alma invada nosso espírito, ele poderá manifestar uma atitude imprópria.
Vocês se lembram de que, certo dia, nosso Senhor Jesus passou pelas aldeias de Samaria, e os samaritanos não quiseram recebê-Lo porque Ele estava indo para Jerusalém. Eles se opunham ferozmente aos judeus. Se alguém passasse por Samaria a caminho de Jerusalém, não queriam ter nada a ver com essa pessoa.
Vocês se lembram dos dois filhos de Zebedeu, os dois filhos do trovão. Ah, eles começaram a trovejar. Vieram ao Senhor e disseram:
Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir, porque não Te recebem?
O Senhor disse:
Vós não sabeis de que espírito sois.
O Senhor estava indo para Jerusalém com o espírito do Cordeiro. Ele queria oferecer a Si mesmo como sacrifício, em espírito de mansidão e humildade.
No entanto, esses dois discípulos que seguiam o Senhor manifestaram um espírito de ódio, ciúme e orgulho — um espírito oposto. Aquilo era sua vida da alma.
Portanto, nosso espírito pode ser afetado de uma forma ou de outra. Às vezes dizemos: “Se vem do espírito, certamente está certo”. Bem, depende de qual espírito. Se vem do Espírito Santo, sim. Mas, às vezes, pode vir de nosso espírito corrompido, corrompido pelo espírito maligno.
Isso foi apenas uma observação de passagem. Mas esses são os usos que encontramos na carta aos Gálatas.
Agora, uma breve análise desses versículos.
Primeiro: o Espírito nos foi prometido por nosso Senhor Jesus. Isso está de João 14 a João 16. O Senhor prometeu nos dar o Espírito Santo, o Espírito da verdade, como outro Consolador, para estar conosco e em nós.
Recebemos o Espírito pelo ouvir da fé. Não sabíamos que havia o Espírito, mas, depois de ouvirmos a mensagem da fé, recebemos o Espírito.
Vocês se lembram de um episódio em Atos 19. Paulo chegou a Éfeso e encontrou doze discípulos de João. Percebeu que faltava alguma coisa na vida deles. Então lhes perguntou:
Recebestes o Espírito Santo quando crestes?
Eles disseram:
Não, nem sequer ouvimos que o Espírito Santo havia sido dado.
Eles não haviam ouvido a mensagem da fé.
Paulo pôde lhes falar da obra consumada de Cristo, e foi pelo ouvir da fé que receberam o Espírito.
Segundo: é pelo Espírito Santo que nascemos de novo.
Às vezes, os cristãos não sabem o significado da regeneração, de nascer de novo. Qual é o significado do novo nascimento? Se vocês forem a João 3:6, encontrarão:
O que é nascido do Espírito é espírito.
O primeiro Espírito é o Espírito Santo divino, e o segundo espírito é o espírito humano renascido, novo.
O que é o novo nascimento? O novo nascimento é um renascimento. Não é uma reforma; não é um aprimoramento. É um nascimento do alto. Como? Pelo Espírito Santo.
Nascemos do Espírito, e o Espírito pelo qual nascemos é o Espírito do Filho de Deus. O Espírito de Deus que nos gera é o Espírito do Filho de Deus.
Isso é muito importante. Por quê? Porque Ele é o Espírito do Filho de Deus; por isso, clamamos: “Aba, Pai”.
O Espírito Santo testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus, e clamamos: “Aba, Pai”. Nascemos na família de Deus. Tornamo-nos filhos de Deus.
E não apenas filhos: porque Ele é o Espírito do Filho de Deus, por meio dEle recebemos a filiação. A filiação.
É claro que levaria muito tempo para explicar isso, mas eu gostaria apenas de mencionar que nascemos na família de Deus pelo Espírito. Porque o Espírito é o Espírito do Filho de Deus, por meio dEle recebemos a filiação.
Filiação significa sermos colocados na posição de filhos. Não apenas somos filhos, mas esses filhos crescem até a maturidade e podem ser colocados na posição de filhos herdeiros, como herdeiros e coerdeiros com o Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. É isso que o Espírito Santo está fazendo.
Terceiro: o Espírito Santo, sendo o Espírito do Filho de Deus, trabalha em nós em direção à esperança da justiça. Ele trabalha em nós para nos completar, para que alcancemos a plena filiação.
Os gálatas cometeram um erro tremendo. Começaram pelo Espírito, mas pensaram que poderiam ser completados pela carne.
Era como se o Espírito Santo apenas tivesse dado início à vida deles e depois os deixasse, como uma avestruz que põe um ovo e depois vai embora, deixando os ovos ali. Ah, não, o Espírito Santo não é assim. Ele não começa Sua obra em nós e depois nos abandona, para que cuidemos de tudo sozinhos.
Ele nos conduz à plena filiação. Ele está aqui para nos completar. É por isso que está dentro de nós. Ele é o Consolador. Ele está aqui para nos revelar Cristo e nos conformar à imagem do Filho de Deus, para que recebamos a plena filiação.
Essa é a obra do Espírito Santo, não a obra da carne.
Quarto: tendo nascido do Espírito, precisamos viver pelo Espírito. Devemos andar pelo Espírito. Devemos ser guiados pelo Espírito. Ao fazermos isso, não satisfaremos a concupiscência da carne.
Se andarmos pelo Espírito, veremos que o Espírito Santo sempre nos conduzirá à cruz.
Porque Ele nos conduz à cruz, não podemos satisfazer a concupiscência da carne. O Espírito Santo e a cruz são inseparáveis.
Foi pelo Espírito eterno que nosso Senhor Jesus, o Filho de Deus, ofereceu a Si mesmo como sacrifício. O Espírito Santo conduziu Cristo à cruz e, depois que Cristo morreu e foi glorificado, o Espírito Santo foi dado.
Assim, vemos que o Espírito Santo sempre nos conduz à cruz, e a cruz sempre nos dá o Espírito Santo.
Se o Espírito Santo está trabalhando em sua vida, se você está andando pelo Espírito, como sabemos que vivemos pelo Espírito? Como sabemos que andamos pelo Espírito? Como sabemos que o Espírito Santo está nos guiando?
Lembrem-se: se Ele está nos guiando, sempre nos conduz à cruz. Sempre.
E, na cruz, a concupiscência da carne não pode ser satisfeita, porque está crucificada — crucificada.
Quinto: ao andarmos pelo Espírito, estamos semeando para o Espírito. O que semearmos, colheremos.
Semear para o Espírito resultará no fruto do Espírito. Esse é um versículo conhecido em Gálatas: o fruto do Espírito é amor, alegria, paz e assim por diante. Todos o conhecem.
Ao sermos guiados pelo Espírito, portanto, vamos nos tornando espirituais, em medida crescente.
O que quero dizer com espiritual? Isso significa simplesmente o grau de governo do Espírito sobre sua vida. Não significa que você conhece mais doutrinas ou ensinamentos do que qualquer outra pessoa. Significa simplesmente que sua vida está mais sob o controle do Espírito Santo.
Então você se torna espiritual e, à medida que se torna espiritual, consegue ajudar os que são fracos.
A espiritualidade não é para seu próprio benefício. Não é para exibição — “Vejam como sou espiritual”. No momento em que você tenta exibi-la, é carnal; não é espiritual.
A espiritualidade tem como propósito o serviço. Então você consegue servir aos que são fracos. Mas, enquanto serve, deve fazê-lo com espírito de mansidão, para que você também não caia.
Em outras palavras, não é porque você é espiritual que sempre continuará sendo espiritual. Você pode ser espiritual, mas, se o orgulho entrar em sua mente, cairá na carnalidade. Não há garantia. Não há garantia.
Finalmente, nosso espírito precisa sempre ser fortalecido com a graça de nosso Senhor Jesus.
Quanto mais formos fortalecidos em nosso espírito pelo Espírito Santo, mais seremos capazes de conhecer a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, de compreender com todos os santos o amor de Deus que excede o conhecimento e de ser cheios de toda a plenitude de Deus. Vocês conhecem essa passagem em Efésios 3.
Portanto, essas são as coisas que encontramos na carta aos Gálatas a respeito do Espírito — o Espírito, o terceiro elemento do evangelho.
Sem o Espírito, não pode haver evangelho. Por quê? Porque a obra consumada de Cristo não pode nos ser comunicada e tornar-se uma experiência viva em nós sem o Espírito Santo.
Portanto, o Espírito Santo faz parte do evangelho de Jesus Cristo. Infelizmente, hoje o Espírito Santo não é pregado como parte do evangelho.
Por causa disso, usamos persuasão humana e métodos humanos e tentamos levar as pessoas à convicção e à conversão. Elas se convertem ao cristianismo, mas talvez não se convertam a Cristo. Somente o Espírito Santo pode realizar essa obra.
Qual é a importância do Espírito Santo no evangelho? Ele está presente do começo ao fim do evangelho. Em outras palavras, Ele não apenas começa; Ele aperfeiçoa. Ao longo de todo o nosso caminho, Ele é o único Agente de todas as coisas espirituais.
Agora, finalmente, chegamos à outra palavra: carne. Quantas vezes a palavra carne é usada na carta aos Gálatas? Dezessete? Dezoito? Dezesseis? Que tal dezenove?
Bem, eu não sei. Quantos dizem que são dezesseis? Quantos dizem que são dezessete? Quantos dizem que são dezoito? Bem, penso que dezoito ganhou. Provavelmente são dezoito ocorrências.
Agora, a palavra carne, no grego, é sarx. Sua transliteração é S-A-R-X.
É claro que a palavra carne é usada na Bíblia de muitas maneiras diferentes. Não vamos entrar em todos os usos. Novamente, vamos nos limitar à maneira como ela é usada na carta aos Gálatas.
Na carta aos Gálatas, a palavra carne é usada, em primeiro lugar, no sentido de humanidade. Paulo disse:
Não consultei carne e sangue.
Isto é: “Não consultei o homem, os homens, carne e sangue”.
Em segundo lugar, ela designa nosso corpo físico.
Paulo diz:
Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim: e a vida que agora vivo na carne, vivo na fé.
Sim, Paulo foi crucificado com Cristo, mas ainda vivia em seu corpo. Ele também disse aos gálatas que, quando foi até eles pela primeira vez, estava ali em fraqueza da carne, mas eles o amaram tanto que não desprezaram o evangelho que pregava por causa da fraqueza de seu corpo.
Dizem-nos que a região por onde Paulo viajou era infestada de malária. Portanto, talvez Paulo tenha contraído malária. Essa pode ser uma das razões pelas quais, em vez de seguir para o oeste, percorreu as cidades da Galácia.
Quando esteve ali, provavelmente estava com malária. Se vocês conhecem a malária — espero que não —, sabem que ela pode fazer a pessoa sentir tanto frio que treme por inteiro. Você pode colocar muitos cobertores sobre si e ainda continuar tremendo. Então, no momento seguinte, pode sentir um calor intenso.
A malária pode enfraquecer muito uma pessoa. Muito provavelmente afetou os olhos de Paulo, e ele não conseguia enxergar bem. Algumas pessoas dizem que talvez esse fosse seu espinho na carne, mas não sabemos ao certo.
De qualquer maneira, vemos que a carne, nas Escrituras e também em Gálatas, pode se referir ao corpo físico. Isso é a carne — o corpo físico.
Em terceiro lugar: principalmente nesta carta aos Gálatas, a carne se refere ao elemento inferior no cristão — o elemento inferior no cristão.
Vocês sabem, penso que a primeira vez em que a palavra carne é usada na Bíblia é em Gênesis 6. Se eu não estiver certo, podem me corrigir.
Deus disse que o homem havia se tornado carne e que Seu Espírito não contenderia mais com eles.
A carne, nas Escrituras, pode significar o homem, a humanidade; pode significar nosso corpo. Mas, principalmente, carne significa alma e corpo sem o espírito. Isso é a carne — a parte inferior de nossa vida humana.
Em Judas 1:19, lemos a respeito daqueles que:
Se separam, são sensuais, não tendo o Espírito.
É claro que as pessoas deste mundo não têm o Espírito Santo. Até mesmo seu espírito humano está morto. Elas o têm, mas ele está morto, como se não tivessem espírito.
É por isso que, quando eu era menino, um missionário da Virgínia ficou hospedado em nossa casa. Sempre que acontecia alguma coisa, ele exclamava, em inglês: “Ah, minha alma e meu corpo!” Nunca mencionava o espírito.
O mundo não conhece o espírito. O espírito está ali, mas, sem sua atuação, tudo fica tão vazio. Isso é carne. Isso é carne.
Mas, depois que somos salvos, nosso espírito é renovado, e o Espírito Santo habita em nosso espírito. No entanto, se não andarmos pelo Espírito, nossa carne ainda tentará recuperar a posição que perdeu.
Podemos andar segundo a carne, o elemento inferior da vida cristã, em vez de andar pelo elemento superior que está dentro de nós. Devemos andar pelo Espírito, isto é, ser guiados pelo Espírito de Deus. Então colheremos a vida eterna.
Mas, se semearmos para a carne, a parte inferior de nossa vida, constituída de corpo e alma, colheremos destruição.
Portanto, podemos dizer que a carne no cristão é o homem não crucificado. É a experiência diária do velho homem em nós.
O velho homem é nosso passado em termos de posição; diante de Deus, ele já não está ali. Mas a carne é algo que podemos experimentar diariamente.
Segundo: o que é nascido do Espírito é espírito; o que é nascido da carne é carne. Sublinhem a palavra é.
Em outras palavras, vocês nunca podem educar, refinar ou aprimorar a carne e torná-la espiritual. É isso que muitas pessoas estão fazendo, mas não é possível.
O que é nascido da carne é carne. Em outras palavras, a carne nunca mudará. Seja antes de vocês serem salvos, seja depois, não pensem que, por terem sido salvos, sua carne se tornou carne santa. Não existe tal coisa.
Sua carne continua tão natural quanto era antes. Ela nunca muda.
Quarto: a carne para nada aproveita. João 6:63.
Precisamos aprender essa lição difícil. Precisamos ver que a carne para nada aproveita. Será que realmente cremos nisso?
Até mesmo o grande apóstolo Paulo teve dificuldade para aprender essa lição. Lembrem-se: todo o capítulo de Romanos 7 fala da carne — da carne boa.
Paulo tinha muita carne boa em si. Adão não era de todo mau, vocês sabem. Adão tinha muitas coisas boas em si.
Aqui vemos esse homem, Paulo: sua carne boa assumiu o controle de sua vida e disse: “Vou servir a Deus. Vou guardar a lei de Deus. Creio que consigo fazer isso e vou tentar”.
Ali estava ele, tentando com todo o poder de sua carne, e certamente a carne de Paulo era bastante forte.
Mas um dia ele chegou à conclusão. Disse:
Sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum.
Bem algum. Ah, irmãos e irmãs, essa é uma lição muito difícil de aprender.
Antes de crermos no Senhor Jesus, reconhecemos que não podíamos ser justificados pelas obras de nossa carne. Mas, depois de sermos salvos, de alguma forma pensamos que agora nossa carne mudou, de modo que podemos usá-la para servir a Deus.
Antes, usávamos essa carne para servir ao pecado. Agora mudamos de senhor, e a mesma carne começa a servir a Deus. Tentem fazer isso, e descobrirão que não há bem algum em sua carne.
Quando vocês tentam servir a Deus com sua carne boa, sua carne má assume o controle. As obras da carne são manifestas — muito manifestas. Mas é uma lição difícil de aprender.
Quinto: por que a carne gosta tanto de fazer alguma coisa? Vocês sabem, nossa carne está sempre muito ativa. Ela é ativista, não pacifista. Está sempre querendo fazer alguma coisa. Por quê? Porque quer ter algo de que se gloriar.
Assim, aqui vemos os crentes da Galácia. Começaram pelo Espírito, mas tentaram ser aperfeiçoados pela carne. Que engano!
Sexto: todos nós temos a carne. Mas, graças a Deus, temos o Espírito Santo em nós. O Espírito luta contra a carne, e a carne luta contra o Espírito, de modo que não podemos fazer o que queremos.
Agora, lembrem-se disto. Em Romanos 7, Paulo diz:
Não consigo fazer o que devo fazer, e faço o que não deveria fazer.
Mas, em Gálatas, é exatamente o contrário.
Minha carne quer satisfazer sua concupiscência, mas o Espírito Santo luta contra minha carne e não permite que ela satisfaça sua concupiscência.
Portanto, Romanos 7 e Gálatas 5 falam de dois níveis diferentes. Em Romanos 7, a carne predomina. Por quê? Porque aquele homem não dependia do Espírito; dependia de sua própria vontade.
Assim, ele exerce sua vontade e acaba satisfazendo as concupiscências da carne. Mas, em Gálatas, se vocês descobrirem o Espírito, se descobrirem que o Espírito Santo está dentro de vocês, verão que não conseguem fazer o que a carne quer fazer. Graças a Deus pela vitória.
Não é essa a experiência de nós, os crentes? Você encontra uma guerra civil dentro de si. Encontra dentro de si a carne lutando contra o Espírito e o Espírito lutando contra a carne.
Lembrem-se: não há necessidade de derrota. Por quê? Se vocês conhecem o Espírito, é pelo Espírito que a carne não pode satisfazer sua concupiscência.
Quando a carne começa a se manifestar dentro de você, imediatamente o Espírito Santo o alerta. O Espírito Santo o alerta, dizendo: “Bem, isso é sua carne”.
Se você cooperar, não precisa fazer coisa alguma por sua própria força. Mas, se cooperar e disser: “Sim, fui crucificado com Cristo. Há dois mil anos, essa carne já foi crucificada”, então, pelo Espírito, você faz morrer as obras do corpo.
Em outras palavras, apenas tome posição. Apenas tome posição ao lado do Espírito.
Ao tomar posição ao lado do Espírito, lembre-se do que Gálatas 5:24 diz:
Os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências.
Esse é o caminho da salvação.
Sétimo, finalmente: a carne deve ser crucificada.
A carne não pode entrar no reino de Deus. Não pensem que vocês podem levar sua carne, ou as obras da carne, para o reino de Deus. Ela não tem parte alguma nele.
Se não tem parte alguma, é melhor não agir pela carne, porque tudo será em vão. A carne deve ser crucificada; não deve ser glorificada.
Os crentes da Galácia cometeram um erro grave, porque os judaizantes procuravam estimular a carne dos crentes gálatas para se gloriarem na carne deles.
Mas Paulo disse:
Agora me glorio na cruz.
A carne deve ser crucificada.
Trago em meu corpo as marcas de Jesus.
As feridas de nosso Senhor Jesus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se disto: a carne deve ser crucificada. Nós, que andamos segundo o Espírito, devemos ter as marcas da cruz em nossa vida.
Mas, tendo nossa carne crucificada, nossa alma é purificada e transformada. É isso que as Escrituras chamam de salvação da alma.
Na vinda de Cristo, até mesmo este corpo será transformado em um corpo espiritual. Essa é a salvação plena.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, aqui na carta aos Gálatas encontramos:
Se conhecermos mais da graça, da fé e do Espírito, então teremos a verdade do evangelho.
Vamos orar?
Nosso Pai, como Te louvamos e agradecemos porque Tua graça foi concedida. Como Te louvamos e agradecemos porque a fé é Teu dom para nós. Ao olharmos para Cristo, Tu nos dás fé.
Nós Te louvamos e agradecemos pelo Espírito, que nos comunica a verdade e nos conduz a toda a verdade. Ah, como Te louvamos e agradecemos pelo evangelho de Jesus Cristo.
Oramos para que, por Tua graça, nunca, nunca sejamos desviados para outro evangelho, que não é evangelho. Que nunca misturemos lei com graça. Ah, livra-nos de depender das obras da carne.
Ó Senhor, faze-nos compreender que não há lugar para a carne em Teu reino. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.