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    Discipleship I © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Discipleship I
    Discipleship I
    Kaung, Stephen

    O Chamado ao Discipulado

    Procurem ter comunhão uns com os outros. Procurem compartilhar Cristo uns com os outros. Vocês têm Cristo em vocês; eu tenho Cristo em mim. Vamos ouvi-Lo, porque, quanto mais O ouvimos, mais O conhecemos e mais descobrimos quão rico Ele é entre nós.

    Geralmente, em uma conferência, as pessoas esperam alguns sermões, algumas mensagens. Se Deus quiser, vocês terão um pouco disso, mas essa é a parte menor. A parte principal é que queremos que cada um de vocês compartilhe Cristo com os outros.

    Portanto, vocês não estão aqui apenas para se sentar e ouvir. Estão aqui para trabalhar. E esse tipo de trabalho é fácil, porque basta compartilhar o que Cristo é para vocês.

    Provavelmente vocês perceberão — não sei se estou certo — que os irmãos estão tentando colocar vocês em salas diferentes. Percebi que as pessoas de um mesmo lugar sempre se sentam juntas. Isso é natural, porque ali vocês encontram certa segurança.

    Mas espero que, de agora em diante, vocês não se sentem com aqueles com quem vieram. Sentem-se com uma pessoa diferente a cada vez, para que possam conhecer uns aos outros e, então, compartilhar Cristo uns com os outros.

    Isso vale não apenas para quando chegamos aqui e nos sentamos. Quando formos ao refeitório para comer, ou quando tivermos tempo livre para compartilhar, procurem alguém que vocês não conheçam.

    Naturalmente, talvez alguns sejam um pouco tímidos. Mas vamos tentar. Vamos tentar superar essa barreira e aprender a compartilhar Cristo uns com os outros. Esse é o verdadeiro propósito desta reunião, porque cremos que, ao compartilharem uns com os outros, vocês descobrirão quão rico é o nosso Senhor Jesus.

    Oração Inicial

    Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos por nos reunires aqui. Cremos que não viemos por nós mesmos, simplesmente porque queríamos vir. Cremos que Tu tens um encontro marcado conosco. Estamos aqui porque Tu nos atraíste para estarmos juntos.

    Por isso, Senhor, desde o início, pedimos que abras os nossos olhos, para que possamos ver por que Tu queres que estejamos aqui. Desejamos conhecer-Te de uma maneira como talvez nunca Te tenhamos conhecido antes.

    Ó Senhor, desejamos entregar-nos a Ti. Dize-nos como. Oramos para que o Teu Espírito Santo toque cada coração. Que a Tua Palavra se torne viva e nos desafie.

    Pedimos que possamos ouvir o Teu chamado dirigido a cada um de nós e, com alegria, entregar-nos a Ti. Entregamos este tempo em Tuas mãos. Tu conheces o cansaço da viagem.

    Oramos para que vivifiques os nossos corpos mortais, vivifiques o nosso entendimento e fortaleças o nosso homem interior, para que possamos receber aquilo que está muito além do que somos capazes de pedir. Desejamos dar-Te todo o louvor e toda a glória, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    O Chamado Inicial dos Discípulos

    Provavelmente farei referência a várias passagens das Escrituras, mas, para começar, vou ler uma passagem: Mateus 4:18-22.

    E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, lançando a rede ao mar; porque eram pescadores.
    E disse-lhes: Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.
    Então eles, deixando imediatamente as redes, seguiram-No.
    E, adiantando-Se dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, no barco com Zebedeu, seu pai, consertando as redes; e chamou-os.
    Eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-No.

    Nosso Senhor Jesus estava caminhando junto ao mar da Galileia. Ele não fazia essa caminhada sem um objetivo. Caminhava com um propósito.

    Enquanto caminhava junto ao mar, Ele viu dois irmãos, Pedro e André. Eles estavam lançando uma rede ao mar, porque eram pescadores. O Senhor disse:

    Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.

    A Bíblia diz que eles imediatamente deixaram as redes e seguiram o Senhor.

    Ele avançou um pouco e viu outros dois irmãos, os dois filhos de Zebedeu, Tiago e João. Estavam no barco de seu pai, consertando as redes. O Senhor os chamou: “Venham após Mim. Eu farei de vocês pescadores de homens”. Eles deixaram as redes, o barco e o pai, e imediatamente seguiram o Senhor.

    O Custo de Seguir Cristo

    Se vocês continuarem lendo Mateus, encontrarão, em Mateus 8, uma grande multidão reunida ao redor do Senhor. Mas o Senhor ordenou que partissem para o outro lado do mar.

    Pensem nisso. Uma grande multidão se reuniu, e vocês certamente pensariam que o Senhor ficaria com ela. Quantas vezes tentamos reunir uma multidão! Mas, quando uma grande multidão se reuniu ao redor do Senhor, Ele ordenou que partissem para o outro lado do mar. Ele não queria a multidão.

    Um escriba veio ao Senhor e disse:

    Mestre, seguir-Te-ei para onde quer que fores.

    Um escriba era um estudioso. Entre o povo judeu, havia uma classe chamada escribas, cujo trabalho era copiar a Bíblia. Naquela época, não havia imprensa, de modo que tudo precisava ser copiado.

    Eles não apenas copiavam a Bíblia, mas também a estudavam. Eram verdadeiros estudiosos da Bíblia. Assim, quando o Senhor ordenou que partissem para o outro lado, um escriba veio e disse:

    Mestre, seguir-Te-ei para onde quer que fores.

    Ter um estudioso se oferecendo para seguir o Senhor Jesus — que honra! O Senhor Jesus nunca havia frequentado uma escola de rabinos. Nunca havia recebido formação teológica. No entanto, ali estava um especialista, bem preparado, que veio a Ele e disse: “Quero seguir-Te. Aonde quer que Tu vás, quero seguir-Te. Tu és o meu Mestre”.

    Mas o Senhor Jesus lhe respondeu:

    As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a Sua cabeça.

    “Você Me chama de Mestre. Quer seguir-Me aonde quer que Eu vá. Sabe para onde estou indo? Sabe que tipo de vida Eu vivo? As raposas têm covis, e as aves têm onde pousar, mas Eu não tenho sequer um lugar para reclinar a Minha cabeça. Você quer que Eu lhe ensine, mas consegue viver como Eu vivo? Está pronto para ir aonde quer que Eu vá?”

    Isso assustou o escriba, e ele se afastou. Mas outro de Seus discípulos veio a Ele e disse:

    Senhor, permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai.

    O Senhor Se voltou para um de Seus discípulos e disse: “Venha”. E ele respondeu: “Senhor, estou indo, mas tenho um dever a cumprir. Preciso ir para casa sepultar meu pai”.

    Não era porque seu pai tivesse morrido e estivesse esperando para ser sepultado naquele momento. Na verdade, seu pai ainda não havia morrido. Mas ele estava dizendo: “Tenho um dever familiar a cumprir. Meu pai está velho, por isso preciso cuidar dele até que morra e eu o sepulte. Então virei e Te seguirei”.

    Muito razoável. É claro que o Senhor quer que honremos nosso pai e nossa mãe. Esse é o primeiro mandamento com promessa. Dos Dez Mandamentos, apenas um tem uma promessa:

    Honra teu pai e tua mãe.

    E vocês terão uma vida longa na terra.

    No entanto, o Senhor disse:

    Deixa aos mortos o sepultar os seus mortos.

    “Venha e siga-Me.”

    Como os mortos podem sepultar os mortos? A primeira palavra “mortos” se refere àqueles que estão espiritualmente mortos; a segunda se refere àqueles que estão fisicamente mortos. Deixem que os espiritualmente mortos cuidem dos fisicamente mortos. Você, venha e siga-Me.

    Em outras palavras, há uma urgência nisso. Há uma prioridade. A primeira prioridade é seguir o Senhor.

    Se vocês lerem Lucas 9, encontrarão algo a mais. Outro discípulo, depois de ouvir o que o Senhor disse, respondeu: “Senhor, estou indo. Estou Te seguindo, mas deixa-me ir para casa primeiro e despedir-me da minha família”.

    Bem, isso é razoável. Ele não sabia quando voltaria para casa. Certamente deveria se despedir e depois vir. No entanto, o Senhor lhe disse:

    Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.

    O primeiro discípulo disse que havia um dever a cumprir antes de poder seguir o Senhor, e o Senhor disse: “Qual é a primeira prioridade?” O segundo nem sequer tinha um dever a cumprir. Era simplesmente uma questão sentimental, um apego emocional. No entanto, o Senhor diz que aquele que põe a mão no arado e olha para trás não pode ser Seu discípulo.

    Vocês encontram também o caso de Mateus. O Senhor estava passando e viu um homem, um cobrador de impostos, sentado ali, cobrando impostos. Seu nome era Mateus. O Senhor disse:

    Segue-Me.

    Mateus se levantou, deixou sua coletoria e seguiu o Senhor.

    Discípulos em Vez de Multidões

    Em Lucas 14, vocês encontram novamente uma grande multidão se reunindo ao redor do Senhor. Quando o Senhor viu essa grande multidão reunida ao Seu redor, disse-lhes algo muito difícil.

    Se alguém vier a Mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo.
    E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após Mim não pode ser Meu discípulo.
    Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser Meu discípulo.

    Isso não é muito difícil?

    Quando o Senhor estava na terra, chamava as pessoas para serem Seus discípulos. Mas não as enganava de maneira alguma. Ao chamá-las, deixava muito claro que tipo de vida era aquela e o que significava ser um discípulo.

    Ele não estava apenas tentando reunir uma multidão. Ele buscava discípulos.

    O que o Senhor está fazendo hoje? O Senhor agora está no céu, mas, pelo Seu Espírito, ainda realiza Sua obra na terra. Ele é diferente do que era dois mil anos atrás? Quando andava na terra, chamava as pessoas para serem Seus discípulos.

    Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. O Senhor está chamando pessoas para serem Seus discípulos hoje.

    A Grande Comissão e o Discipulado

    Falamos frequentemente sobre a Grande Comissão. Antes de o Senhor subir ao céu, Seus discípulos se reuniram ao Seu redor. Em Mateus 28, o Senhor disse:

    Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.
    Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo:
    Ensinando-os a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

    É claro que vamos ao mundo e pregamos o evangelho de Jesus Cristo para que as pessoas creiam Nele e O recebam como seu Salvador. Isso é verdade. Mas a Grande Comissão vai além disso. A Grande Comissão diz que devemos ir até os confins do mundo para fazer discípulos das nações.

    O Senhor quer discípulos, não apenas crentes. Devemos batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensiná-los a guardar tudo o que Ele ordenou.

    A Grande Comissão dada à Sua igreja é que nós, que somos Seus discípulos, façamos discípulos das nações. O Senhor quer discípulos, não apenas crentes.

    O Crente e o Discípulo

    Qual é a diferença entre um crente e um discípulo? Um crente é alguém que crê no Senhor Jesus, alguém que aceitou o Senhor Jesus como seu Salvador.

    Um crente é alguém que foi feito filho de Deus. A todos quantos O receberam — isto é, creram em Seu nome — Ele deu o direito, a autoridade, o privilégio de se tornarem filhos de Deus.

    Crer no Senhor Jesus é um grande privilégio. Ao crermos no Senhor Jesus, temos nossos pecados perdoados, recebemos a vida eterna, tornamo-nos filhos de Deus e desfrutamos do Senhor Jesus e de todas as Suas bênçãos. É maravilhoso ser um crente.

    Mas o que é ser um discípulo? Um discípulo é alguém que se entrega ao Mestre para ser treinado com um propósito específico.

    Como crente, você recebe o Senhor Jesus como seu Salvador. Desfruta de toda a Sua graça e de Suas bênçãos. Mas quanto o Senhor Jesus recebe de você?

    Ser um discípulo é entregar-se ao Senhor e permitir que Ele tenha você completa e absolutamente. É isso.

    Na verdade — e ouçam com atenção —, ser um crente equivale a ser um discípulo. Não deveria haver nenhuma separação entre um crente e um discípulo.

    Se você crê no Senhor Jesus, é Seu discípulo. Como poderia não ser Seu discípulo? Se você é Seu discípulo, é um crente, porque, se não for um crente, não poderá ser Seu discípulo. Na verdade, um crente e um discípulo são uma só e a mesma coisa. Isso deveria acontecer ao mesmo tempo. Quando você recebe o Senhor Jesus, o Senhor Jesus também deveria receber você.

    Mas, na prática, isso pode não ser verdade. Muitos crentes não são discípulos. Muitos crentes nunca entregaram sua vida ao Senhor, nunca permitiram que o Senhor Jesus os tocasse, formasse, moldasse e lhes desse a forma que Lhe agrada.

    O Mestre e o Aprendiz

    O discipulado na Bíblia é um relacionamento, mas não é o relacionamento moderno entre professor e aluno. No relacionamento moderno entre professor e aluno, a ligação costuma ser muito superficial.

    Você vai à escola, ouve as aulas do professor e procura aprender. Depois de aprender o que ele sabe, você se forma. É um relacionamento mais exterior. Você está ali simplesmente para aprender a habilidade ou o conhecimento dele. Não tem necessariamente um relacionamento íntimo com seu professor. Às vezes, pode haver cem alunos em uma turma, e o professor nem sequer sabe quem eles são.

    Mas esse não é o discipulado de que a Bíblia fala. Na Bíblia, o relacionamento de um discípulo com o Mestre é aquele antigo relacionamento entre um mestre e seu aprendiz.

    Antigamente, uma família mandava seu filho para longe para aprender um ofício. Feliz ou infelizmente, naqueles dias, não mandavam suas filhas. Era assim naquela época.

    Quando um filho crescia, o pai dizia: “O que devo fazer com meu filho? Quero que ele se torne um homem. Quero que aprenda um ofício”. O pai procurava por perto e tentava encontrar um mestre.

    O mestre podia ser um carpinteiro, um mecânico, um artista, um estudioso ou um filósofo. Depois de encontrar um mestre em quem confiava, o pai negociava com ele, porque o mestre talvez não estivesse disposto a receber um aprendiz.

    Quando o mestre se dispunha a receber um aprendiz, eles marcavam uma data. Naquele dia, o pai levava seu filho à casa do mestre. Não apenas dava uma quantia em dinheiro ou alguma coisa ao mestre; entregava-lhe seu filho e dizia: “Aqui está meu filho. Confio meu filho aos seus cuidados”. Então ia embora.

    Ele deixava o filho na casa do mestre. O aprendiz era alguém entregue ao mestre. Morava com seu mestre e estava sob o completo controle dele.

    Mesmo quando sentia saudade de casa e queria voltar, precisava da permissão do mestre. Já não era uma pessoa livre. Vinte e quatro horas por dia, não apenas algumas horas, ele pertencia ao mestre.

    Estava ali para fazer tudo o que seu mestre lhe pedisse. Geralmente, aprender um ofício podia levar três anos. Mas, durante o primeiro ano, suponhamos que você quisesse ser carpinteiro e fosse aprendiz de um carpinteiro: ele não deixaria você sequer tocar na bancada.

    Você ficaria na casa dele e seria simplesmente um menino de recados. Ele pediria que você fizesse todo tipo de coisa. Você varreria o chão, abriria a porta e, se o mestre tivesse um bebê, às vezes carregaria o bebê.

    Você seria quase como um escravo. Talvez dissesse: “Não, eu vim aprender a ser carpinteiro”. Mas o mestre responderia: “É assim que se aprende”.

    Talvez, depois de um ano, se você ainda estivesse ali, o mestre dissesse: “Bem, parece que você é capaz de aprender. Está bem, vou lhe ensinar um pouquinho”. Aos poucos, ele introduziria você no ofício.

    Depois de três anos, você se forma. O que acontece? Você não apenas aprendeu a habilidade de seu mestre; quando anda, anda como seu mestre. Quando fala, fala como seu mestre. Não apenas assimilou suas expressões, mas até seu jeito é semelhante ao de seu mestre. Isso não é curioso?

    Você se tornou uma cópia de seu mestre, uma reprodução de seu mestre. O relacionamento entre o mestre e o aprendiz se tornou tão próximo que eles se tornaram um. Humanamente, isso é impossível; mas, divinamente, sim. Com o Senhor, sim.

    O Chamado para Seguir Cristo

    Agora, irmãos e irmãs, posso fazer uma pergunta? Suponho que todos nós aqui, ou pelo menos a maioria de vocês, já tenham crido no Senhor Jesus. Vocês O aceitaram como seu Salvador pessoal. Vocês O conhecem.

    Vocês ouviram o chamado? Além disso, talvez já creiam Nele há um ano, talvez há cinco anos. Vocês responderam ao Seu chamado ao discipulado?

    O Senhor nunca fica satisfeito com o fato de você ser apenas um crente Nele. Isso pode satisfazer você, mas nunca O satisfaz. Ele quer fazer de você um discípulo.

    Ele está chamando você para ser um discípulo: “Venha após Mim”. Você já veio a Ele.

    A Bíblia diz:

    Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.

    Literalmente, significa: “Eu lhes darei descanso”. Vocês não têm descanso, mas Ele lhes dará descanso. Vocês vieram a Ele, e Ele lhes deu descanso.

    Mas vocês ainda não foram longe o suficiente. O Senhor diz: “Venha após Mim”, não apenas: “Venha a Mim”. Aonde quer que Ele vá, você vai. Não venha a Ele apenas para receber todas as Suas bênçãos; venha realmente a Ele e siga após Ele.

    Você veio dessa maneira? Veio a Ele para receber a salvação, mas veio após Ele para ser Seu discípulo?

    O Discipulado como Chamado para Morrer

    Vocês sabem o que significa vir após Ele? Alguém expressou isso de maneira muito clara. Disse: “Ser um discípulo do Senhor Jesus é receber um chamado para morrer”.

    Quando você vem ao Senhor Jesus pela primeira vez, é um chamado para viver. Deus não quer que o ímpio morra. A Bíblia diz:

    Por que morrereis?

    Abandonem a sua maldade e vivam. Deus quer que as pessoas vivam.

    Portanto, quando você vem ao Senhor Jesus pela primeira vez, é chamado para viver, para que não morra. Mas, irmãos e irmãs, o chamado ao discipulado é um chamado para morrer. Você veio a Ele e agora vive. Deve aprender a morrer.

    O Batismo e a Identificação com Cristo

    Vocês foram batizados? Suponho que a maioria tenha sido. Vocês conhecem o significado do batismo?

    Por que alguém que crê no Senhor Jesus precisa ser batizado? Algumas pessoas me perguntaram: “Eu creio no Senhor Jesus, mas preciso ser batizado?” Eu digo: “Sim”. Por quê?

    O Senhor diz: “Vão ao mundo, façam discípulos das nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Fazer discípulos das nações — esse é o objetivo.

    Como se fazem discípulos das nações? Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-lhes todas as coisas que o Senhor ordenou.

    Vocês já viram o batismo sob essa perspectiva? Talvez digam: “Preciso ser batizado para ser salvo?” A água não pode salvar você. É o sangue, o sangue do nosso Senhor Jesus, que traz a remissão dos seus pecados.

    Então, por que o batismo? Você quer ser um discípulo do Senhor? O batismo, se posso dizer assim, é a iniciação no discipulado.

    Por quê? O que é o batismo? Se vocês lerem Romanos 6, verão que somos batizados em Cristo. Somos batizados em Sua morte.

    Somos identificados com Cristo — com Seu sepultamento e Sua ressurreição. O batismo é uma identificação.

    Somos identificados com o Senhor. Somos entregues ao Senhor. Entramos na casa do Mestre. Somos entregues nas mãos do Mestre e nos tornamos um com o Mestre.

    Sua morte é a nossa morte. Seu sepultamento é o nosso sepultamento. Sua ressurreição é a nossa ressurreição. Isso é o batismo.

    Antes de ser batizado, você pertence a si mesmo. Pode ir aonde quiser e fazer o que quiser. Tem seus próprios planos, desejos, vontades, caminhos e modo de viver. Pode amar o mundo, porque pertence a si mesmo.

    Mas, irmãos e irmãs, quando vocês creem no Senhor Jesus, o amor de Cristo os constrange. Vocês sabem que não têm o direito de viver para si mesmos.

    Você precisa entregar-se ao Senhor. Precisa ser um com o Senhor. Precisa ser identificado com Ele. A primeira coisa nessa identificação é identificar-se com Ele na morte.

    Por quê? Ele morreu. Você morre. Sua morte inclui tudo. Ele morreu para o pecado, para o mundo como sistema, para a carne, para a velha criação e para tudo o que não é Deus.

    Ao ser batizado, você é batizado em Sua morte. Sua morte é a sua morte. Você morre para si mesmo, morre para o mundo, morre para sua antiga vida, morre para seus próprios hábitos e morre para sua própria vontade e para tudo mais.

    Então você é sepultado e levantado com Ele em ressurreição. Já não é você, mas Cristo que vive em você. Irmãos e irmãs, isso é o batismo.

    A Totalidade do Chamado ao Discipulado

    É por isso que vocês encontram, em Mateus 28:

    Fazei discípulos de todas as nações, batizando-os.

    O chamado ao discipulado é o chamado para morrer.

    A Bíblia deixa isso muito claro. Esse escriba veio ao Senhor e disse: “Mestre, quero seguir-Te. Quero ser Teu discípulo. Irei aonde quer que Tu vás”. O Senhor disse: “Você não sabe o que está pedindo”.

    Você pensa que vem simplesmente buscar mais conhecimento, como se tivesse se formado na escola de rabinos. O Senhor diz que o nosso relacionamento é diferente.

    Alguns leem o versículo em Lucas 14 e dizem: “Aleluia! Agora posso odiar meu pai”. Você leu sua Bíblia de maneira errada.

    Mesmo quando o Senhor foi crucificado, em grande agonia, sofrimento e dor, Ele Se esqueceu de Si mesmo. Viu Sua mãe e pediu ao Seu discípulo que cuidasse dela. Ele não odiava Sua mãe.

    Onde está a contradição? O Senhor está simplesmente dizendo isto: se você não morrer para tudo o que pertence ao passado, para as coisas que lhe são mais preciosas — até mesmo seu pai, sua mãe, seu irmão, sua irmã e sua própria vida —, não poderá estar plenamente entregue ao Senhor.

    O que pode ser mais próximo e mais precioso para você do que seu pai, sua mãe, seu irmão, sua irmã e sua própria vida? Mas, se você não morrer para essas coisas, precisa odiá-las no sentido de que elas impedem você de se entregar plenamente ao Senhor.

    Você não consegue entregar-se sem reservas ao Senhor porque essas coisas puxam você de volta. Há um santo ódio dentro de você: “Estou disposto a morrer para essas coisas, para que eu seja liberto e siga o Senhor”. Então você pode ser Seu discípulo.

    E descobrirá que ama seu pai e sua mãe, seu irmão e sua irmã ainda mais.

    Ser um discípulo é negar a si mesmo. Pedro negou o Senhor, mas negou a pessoa errada.

    Irmãos e irmãs, o Senhor não está em busca de uma multidão. Quando a multidão se reuniu ao Seu redor, Ele a afastou. Multidões não Lhe servem. O Senhor está chamando discípulos — pessoas plenamente entregues a Ele.

    Ele quer pessoas que se submetam ao Senhor, que se rendam. Vocês podem usar o verbo que quiserem. Podem chamar isso de dedicação, consagração, apresentação do corpo, entrega sem reservas ou abandono de tudo. Mas o fato permanece.

    O chamado ao discipulado é um chamado total. O Senhor não permitirá que você retenha coisa alguma se responder a Ele.

    Lembrem-se do que o Senhor Jesus disse ao jovem rico, um homem de posição. Ele veio ao Senhor cheio de anseio. Correu até o Senhor e se ajoelhou diante Dele no meio da multidão. Quem faria isso? Ele disse:

    Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

    O Senhor olhou para aquele jovem e o amou. Então disse:

    Vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres; e vem, segue-Me.

    Aquele jovem foi embora triste.

    O chamado ao discipulado é um chamado total. Vocês estão prontos para isso? Estão prontos para deixar tudo e seguir o Senhor? Se não estiverem prontos para deixar tudo e seguir o Senhor, não poderão ser Seus discípulos.

    É por isso que, em Lucas 14, o Senhor diz que devemos nos sentar e calcular o custo. Ser um crente não custa nada a você. Custou tudo a Ele, mas não custa nada a você. No entanto, responder ao Seu chamado ao discipulado custa tudo a você.

    Vocês estão prontos para isso? Já fizeram isso? Lembrem-se: é isso que o Senhor está buscando hoje — fazer discípulos das nações.

    A Graça que Forma Discípulos

    É possível abandonarmos tudo e seguirmos o Senhor? Humanamente, isso não pode ser feito. O Senhor está nos chamando para fazer algo impossível.

    Não pensem que vocês conseguem fazer isso. Vocês leem as Escrituras e veem o Senhor passando como se fosse casualmente. Ele viu Pedro e André lançando suas redes, chamou-os, e eles deixaram tudo e O seguiram. Depois viu Tiago e João, chamou-os, e eles deixaram tudo e O seguiram. Viu Mateus, e Mateus deixou tudo e O seguiu.

    Vocês acham que conseguem fazer isso? Tentem. Ninguém consegue. Quem está disposto a isso? Quem é capaz de negar a si mesmo, abandonar tudo e simplesmente seguir o Senhor?

    Se você acha que é possível, não conseguirá. Se sabe que é impossível, conseguirá. Por quê? Porque o Senhor Jesus diz:

    Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.

    Aquele jovem rico era um rapaz tão bom. Era moralmente correto, rico e tinha uma posição elevada. Era uma autoridade. O Senhor amou aquele jovem.

    Mas, quando veio o chamado — “Siga-Me, mas abandone tudo e venha após Mim” —, as coisas que ele possuía o prendiam. Não era que o Senhor quisesse sua riqueza. O Senhor queria libertá-lo.

    Ele não estava livre para seguir o Senhor. Não estava livre para se oferecer ao Senhor. Não estava livre para se colocar nas mãos do Senhor.

    Mas o jovem tentou por si mesmo. Não ergueu os olhos e disse: “Senhor, não consigo fazer isso. Se Tu realmente queres que eu faça isso, faze Tu. Estou disposto”. Em vez disso, raciocinou: “Será que consigo? É demais. Não consigo”, e foi embora.

    Ele perdeu a oportunidade. No entanto, logo depois disso, no Evangelho de Lucas, vocês encontram outro homem rico — talvez mais rico do que esse jovem. Era chefe dos cobradores de impostos e tinha uma boa coletoria: Zaqueu.

    Era um homem mais velho, mais profundamente envolvido com o mundo, um pecador — um grande pecador —, não uma pessoa moralmente correta. No entanto, ele sabia. Subiu em uma árvore porque era baixo. Queria ver Jesus, apenas vê-Lo.

    Quando o Senhor Jesus passou por aquela árvore, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desça. Hoje vou à sua casa”.

    Todos conheciam Zaqueu. Ele ficava na coletoria e havia enganado e extorquido a todos. Todos começaram a murmurar e a dizer: “Será que o Mestre sabe quem é Zaqueu?”

    O Senhor não disse uma palavra. Zaqueu parecia tão sem jeito. “Tu vens à minha casa? Então preciso pôr minha casa em ordem. Se enganei alguém, devolverei quatro vezes mais. Darei metade dos meus bens aos pobres e devolverei quatro vezes mais às pessoas que extorqui.”

    Por quê? Porque queria que o Senhor fosse à sua casa. Então o Senhor disse:

    Hoje veio a salvação a esta casa.

    O que era impossível se tornou possível.

    Irmãos e irmãs, o Senhor está chamando todos nós para sermos Seus discípulos. Está nos chamando para morrer e para viver. Está nos chamando para nos entregarmos completamente a Ele, sem nenhuma reserva.

    Devemos nos colocar em Suas mãos — Suas mãos traspassadas — e deixá-Lo fazer conosco o que quiser. Como vocês podem fazer isso? Ninguém consegue. Mas lembrem-se: Ele consegue.

    Portanto, o discipulado não pode ser separado da graça de Deus. Não pensem que podem se oferecer voluntariamente para ser Seus discípulos e conseguir por si mesmos. Não conseguirão. Nenhum homem jamais conseguiu por si mesmo.

    Mas, se você olhar para a Sua graça e disser: “Senhor, quem sou eu para que Tu me queiras? Sou Teu. Se Tu me queres, torna-me disposto a querer. Tua graça precisa me capacitar a fazer isso. Dependo de Ti. Não dependo de mim mesmo”, então nada será impossível.

    Lembrem-se de que Paulo disse:

    Pela graça de Deus, sou o que sou.

    Queridos irmãos e irmãs, se virmos o Senhor Jesus, se O virmos em nosso espírito, Ele nos dará graça, fé e amor para nos capacitar a nos entregarmos e nos colocarmos em Suas mãos. Ele fará isso.

    Vocês viram o Senhor? Tudo de que precisamos é pedir ao Senhor que nos dê uma revelação de Si mesmo — de que Mestre Ele é.

    Sua graça nos sustentará. Seu amor nos constrangerá. Ele nos dará fé para nos entregarmos completamente a Ele e dizermos: “Senhor, quero ser Teu discípulo. Não há nada melhor do que isso. Não quero fazer da minha vida uma confusão. Quero que Tu tomes minha vida e faças dela o que Te agradar”.

    A graça fará isso.

    Um Testemunho Pessoal da Graça

    Nesta noite, tenho apenas um encargo no coração. Como nosso tempo juntos é tão curto, precisamos começar imediatamente. Não podemos esperar.

    Desejo colocar isto diante de vocês, queridos irmãos e irmãs: o Senhor está chamando discípulos. Ele quer que você seja Seu discípulo, mas saiba o que isso significa.

    Não é algo para se tratar como brincadeira. É muito sério. Ele quer que você se coloque em Suas mãos. Chama você para morrer para tudo o que não é Dele. Quer formar e moldar você segundo o Seu agrado.

    Você é constrangido pelo Seu amor? Diga: “Senhor, toma-me. Se é isso que Tu queres, mesmo que eu não esteja disposto, torna-me disposto a fazê-lo. Quero ser Teu discípulo. Não há nada melhor do que isso”.

    Quando eu era mais jovem, muitos anos atrás, certo dia estava na minha bicicleta. Pedalava pela rua e, em meu coração, orava.

    Eu enfrentava uma situação muito difícil. Não sabia o que fazer. Por um lado, queria seguir o Senhor. Por outro, havia muitas coisas das quais não conseguia abrir mão.

    Tentei negociar. Tentei encontrar um equilíbrio. Mas sabia que não conseguiria. Eu cairia. Sabia disso.

    Queria que Ele me tomasse. Queria ser Seu discípulo e segui-Lo. Mas, por outro lado, eu recuava. Era difícil demais. Não sabia se conseguiria. Se fosse possível, queria encontrar um meio-termo.

    Então eu pedalava, orando em meu coração: “Senhor, e então?” Não tinha resposta. Não recebi uma solução naquele dia.

    Mas, enquanto pedalava, clamei do fundo do coração: “Senhor, não me abandones. Quero ser Teu discípulo. Aconteça o que acontecer, quero ser Teu discípulo. Não me deixes ir”. Foi a única oração que fiz.

    E, sabem, Ele fez isso.

    Poucos dias depois, eu estava ouvindo uma mensagem. A mensagem era sobre as palavras do Senhor: “Sente-se e calcule o custo. Veja se consegue”.

    Fui profundamente tocado por aquilo. Depois que a mensagem terminou, almoçamos juntos. Após o almoço, sentei-me sozinho e orei. Disse: “Bem, talvez eu não tenha calculado o custo. Quero a Ti, mas não calculei o custo. É por isso que está tão difícil”.

    Então comecei a calcular. Quanto mais calculava, mais pesado ficava. Tornou-se impossível. Era como uma montanha se erguendo diante de mim. Eu não conseguia ultrapassá-la.

    “Senhor, é demais. Não consigo. Não consigo fazer isso. Eu quero, mas não consigo.”

    Não digo que vi o Senhor fisicamente, mas O vi com muita clareza. Vi o Senhor vindo a mim, estendendo Suas mãos e dizendo: “Derramei Meu sangue por você. Eu morri. O que você fará por Mim?”

    Irmãos e irmãs, enquanto eu estava sentado ali, meus olhos estavam fechados, mas eu vi isso. Ele tocou meu coração. Eu disse: “Senhor, tudo — minha vida, minha vida, tudo é Teu”.

    E Ele tomou tudo. É por isso que digo que é graça. Ninguém consegue fazer isso. Se você tentar por si mesmo, não conseguirá. Mas, se souber que não consegue e ainda assim quiser, Ele poderá fazer isso.

    Não digo que, quando Ele me tomou, todos os problemas de uma vida inteira foram resolvidos. Não. Mas posso dizer que, depois que respondi, constrangido pelo Seu amor, Ele começou a trabalhar em mim.

    Passei — posso dizer? — pelos dias mais dolorosos e mais difíceis da minha vida. Não sabia o que estava comendo. Era literalmente como se eu caminhasse em um labirinto. O Senhor estava tratando comigo.

    Mas Ele pôs tudo em ordem. Ele fez isso.

    Irmãos e irmãs, o que quero que vocês ouçam é simplesmente isto: somente a graça pode fazer de nós discípulos. Somente a graça pode nos manter como discípulos. Tudo é pela graça, do começo ao fim.

    Portanto, irmãos e irmãs, não tenham medo. Olhem para a Sua graça. Ele fará isso.

    Oração Final

    Vamos orar?

    Talvez possamos dedicar alguns minutos a isso. Que cada um se coloque diante do Senhor, pedindo-Lhe que abra seus olhos para ver o que Ele quer de você.

    Pergunte ao Senhor se você entregou sua vida a Ele, se é realmente um discípulo. Se não, peça ao Senhor que lhe dê graça, que o constranja pelo Seu amor, para que você possa dizer a Ele: “Senhor, quero ser Teu discípulo. Faze de mim Teu discípulo”.

    Simplesmente fale com o Senhor sobre isso. Ele fará isso. Você não precisa descobrir como; o que virá depois está em Suas mãos.

    A menos que respondamos a Ele e nos tornemos Seus discípulos, Ele não poderá fazer em nossa vida aquilo que deseja fazer conosco. Isso é, por assim dizer, a iniciação em nosso relacionamento com Ele.

    Então, fiquemos em silêncio por um pouco.

    Senhor, por amor de Ti mesmo, toma para Ti cada pessoa nesta sala. Faze de todos nós discípulos, para que Tu sejas glorificado.

    Senhor, nós não podemos. Tu podes. Estamos prontos. Faze de nós discípulos, para que a glória do Senhor seja manifestada. Hoje Te damos louvor e glória.