Apenas uma brevíssima palavra de retrospectiva sobre as reuniões e as horas que agora ficaram para trás. O assunto específico que o Senhor nos confiou para este tempo, assim cremos, é este: temos visto que, em todo o significado grandioso e multifacetado do Senhor Jesus Cristo, de modo algum é menos importante aquele aspecto de Sua relação vital com uma ordem eterna e celestial.
Ele é o centro e a corporificação, o conteúdo pleno, de uma ordem divina eterna. Ele o era na criação; Ele o é na redenção; e tem demonstrado que o será nas eras vindouras. Quão grandiosa é essa pequena palavra: ordem! E, com isso, queremos dizer organização harmoniosa, não apenas um sistema: um sistema maravilhosamente ordenado.
Dedicamos aquele tempo a mostrar como Ele, sendo a expressão de Deus nesse aspecto, revela Deus como um Deus de ordem.
Depois, avançamos e dedicamos um bom tempo a perceber que todo o universo, tal como o conhecemos agora, tão, tão distante da ideia de ordem, é o resultado de uma interferência nessa ordem — de uma invasão que veio perturbar a ordem de Deus, primeiramente deslocando o Filho de Deus de Sua posição em relação à criação.
Assim, como resultado dessa interferência, temos a ruptura, o deslocamento, a confusão e o caos neste universo. Tudo isso é maligno.
E, como dissemos ontem à noite, é algo de que, por um lado, todos os homens têm consciência e com que se deparam. Por outro lado, todos os seus esforços, de geração em geração, para corrigir isso — por meio de seus conselhos e confederações, instituições e todos os recursos em todas as esferas —, todos os seus esforços fracassam e se mostram sem esperança.
Nunca houve um tempo na história deste mundo em que os homens estivessem mais conscientes desse conflito em todo o sistema das coisas, dessa ruptura e desunião. Talvez nunca tenha havido um tempo em que os homens se empenhassem tanto e utilizassem tantos recursos para tentar superar isso. No entanto, isso os derrota e desafia em cada ocasião e em cada esforço. A confusão só aumenta.
Os homens sempre chegam a um impasse em seus esforços para produzir algo como uma estabilização do mundo, uma ordem que traga descanso a esta terra atribulada. Não, isso não pode acontecer, porque há um príncipe deste mundo. Há todo um sistema maligno determinado a impedir que a ordem de Deus se estabeleça.
O êxito desse sistema maligno em frustrar a ação de Deus, nesse ponto e ao longo de todo o percurso, manifesta-se em confusão e ruptura. Ele não atua apenas objetivamente, como algo externo; penetrou na própria natureza e constituição dos homens e das coisas. Está em nós. Está em tudo. Bem, dedicamos bastante tempo a isso.
Agora, hoje, vamos identificar algumas das principais causas dessa situação, com o propósito de ver qual é o remédio, ou quais são os remédios específicos. Temos visto que o remédio, em termos gerais, é a Cruz do Senhor Jesus. Ali está o ponto central; ali está o centro de união: Cristo crucificado.
Mas isso abrange muitas coisas, e vamos dedicar nosso tempo a apenas algumas delas. É muito necessário, novamente desde o início, que tenhamos em mente, claramente diante de nós como pano de fundo, que a desordem sempre significa fraqueza, perda e frustração, onde quer que se encontre — não apenas na esfera cósmica, mas na vida individual, na Igreja de Deus, nas expressões locais da Igreja de Deus e nos lares.
Em toda esfera onde há desordem, ela representa perda. Representa fraqueza. Representa frustração. Significa progresso interrompido. Simplesmente não se pode seguir adiante onde há caos. Simplesmente não se pode fazer nada onde há confusão. Você fica paralisado, e toda a perspectiva se cobre de desesperança até que as coisas sejam colocadas em ordem.
Foi por aí que Deus começou a lidar com o caos no princípio. Para avançar em direção ao Seu propósito final em Seu Filho, Ele teve de lidar com o caos e estabelecer a ordem. Isso não é apenas um fato histórico; é uma grande verdade espiritual para a Igreja.
Paulo nos diz que, por causa daquela perturbação e alteração da ordem divina no princípio, Deus pronunciou algo sobre toda esta criação. Ele pronunciou aquilo que Paulo chamou de vaidade.
Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa dAquele que a sujeitou.
— Romanos 8:20
A vaidade está escrita em letras grandes sobre toda a criação. Vaidade não é aquilo que entendemos por vaidade hoje. Na Bíblia, vaidade significa que todos os esforços, todas as invenções, tudo aquilo que se chama progresso não poderão curar nem remover alguma falta ou deficiência fatal na constituição das coisas.
Vocês conhecem muito bem uma ilustração histórica simples disso. Lembram-se de que uma maldição foi pronunciada sobre Jericó. A maldição operava desta maneira: nada chegava à maturidade. As coisas avançavam até certo ponto, depois paravam e sucumbiam à morte.
Muitos anos depois, nos dias do profeta, os filhos dos profetas vieram de Jericó até ele e disseram: “Há muitas coisas boas aqui, muitas coisas de que dispomos; mas há uma coisa errada, e ela impede tudo. Falta alguma qualidade às águas”.
Assim, eles cavavam, plantavam e cultivavam. Empregavam sua energia e seu tempo na tentativa de produzir fruto. As coisas começavam a crescer, e parecia haver perspectiva e promessa. Mas, justamente quando parecia que poderiam esperar sucesso, tudo caía das árvores. Os frutos nunca amadureciam; todos caíam no chão. Havia uma deficiência fatal nas águas de Jericó.
Lembram-se de como o profeta lidou com isso?
Trazei-me uma salva nova e ponde nela sal.
O sal é o grande elemento de conservação, não é? Ele o lançou nas águas, e as águas foram curadas.
Agora, aí vocês têm, numa parábola muito simples, esta grande verdade. Desde o dia em que Deus sujeitou toda a criação à vaidade, ela só avança até certo ponto. E como isso é verdadeiro, não é? A cada passo adiante — e parece haver passos muito grandes adiante —, cada avanço na história apenas produz novos problemas próprios, e muitas vezes problemas fatais.
Há uma doença ou uma enfermidade, e alguém, por meio de pesquisas, descobre aquilo que se espera ser um remédio. Bem, parece realmente agir sobre aquele problema específico, mas suscita muitos outros. A penicilina não é o remédio para tudo; ela cria seus próprios problemas. Vocês sabem o que quero dizer. Ela não resolve tudo. Algo mais precisa ser enfrentado justamente por causa de seu uso. O que é verdade nesse caso é verdade em tudo.
Provavelmente podemos ver isso nesta era atômica mais do que nunca: progresso, avanço, invenção, desenvolvimento, descoberta — sim, mas quantos problemas, quantos perigos! Os homens prendem a respiração por causa de suas próprias descobertas e invenções. Seus corações estão dominados por um medo terrível por causa daquilo que eles mesmos trouxeram à luz.
É assim. Toda a criação, por mais longe que avance, está presa num terrível círculo vicioso.
Agora, esse é um fato que, naturalmente, se demonstra claramente por todos os lados. O homem está construindo uma torre imponente para alcançar o céu, mas prende a respiração por causa de sua torre, porque, quanto maior a torre, maior a ameaça de desastre. Ele se vê pressionado a reforçar febrilmente sua torre com conferências, programas de defesa e coisas semelhantes.
Não, não estamos nos afastando cada vez mais do medo e do pavor. Toda a criação está sujeita à vaidade.
Bem, essa é a situação. Mas qual é a causa? Não pensamos que, em tão pouco tempo e num grupo como este, vamos resolver os problemas do mundo; mas essas coisas se aproximam de nós continuamente. Elas invadem nossa vida e invadem a Igreja de Deus.
Somos confrontados continuamente, na esfera da vida cristã em seus diversos aspectos — individuais e coletivos —, com essa questão da desordem como meio de frustrar o progresso.
Queridos amigos, acolham isto e prestem atenção: Deus só pode alcançar plenamente Seu objetivo segundo Sua própria ordem, por meio de Sua própria ordem. Ele tem uma ordem. Ele tem uma ordem para a sua vida e para a minha. Ele tem uma ordem para nossas comunidades locais como expressões de toda a comunidade da Igreja. Ele tem uma ordem para a Igreja, e essa ordem precisa se estabelecer em nossas localidades e em nossas expressões locais da Igreja.
A palavra ordem, e aquilo que ela representa na mente de Deus, governa nosso progresso, governa nossa frutificação e governa a realização do propósito divino. Deus não chegará lá de qualquer maneira, nem nós.
Isso é algo muito importante. Se esta conferência servir a um único propósito, deve servir a este: colocar-nos face a face com essa questão. Se há frustração, se há paralisação, se há desânimo no coração, se há um sentimento de desespero, ou se nos encontramos em fraqueza e impotência, devemos perguntar e investigar: “Será que isso acontece porque, em algum aspecto ou em alguns aspectos, a ordem divina está sendo violada?”
Pode haver pecado de outras formas, eu sei, que produz o mesmo efeito. Mas esta é uma coisa que sempre tem sido uma obra muito eficaz do diabo: desagregar o povo de Deus — seus relacionamentos, sua comunhão e seu caminhar harmonioso em conjunto. Introduzir a nota dissonante e estragar a música.
Devemos, então, examinar essa questão da ordem. Nós, que nos preocupamos com o propósito de Deus, precisamos ter clareza, por um lado, sobre as causas da insegurança e, por outro, sobre os elementos essenciais à força, ao progresso e ao triunfo final.
Em outras palavras, o que foi responsável pela ruptura que existe no universo, com tamanho poder sinistro e frustrante por toda parte? Há várias coisas principais. Nesta manhã, vamos identificar uma delas.
Vamos ler uma ou duas passagens das Escrituras. Primeiramente, uma que abrange o princípio geral, em Provérbios 9:1:
A sabedoria já edificou a sua casa;
Já lavrou as suas sete colunas.
A sabedoria já edificou a sua casa;
Já lavrou as suas sete colunas.
Façamos uma pausa por um minuto antes de continuar a leitura. Observem duas coisas a esse respeito. As colunas são os sustentáculos de qualquer edifício. A segurança e a duração do edifício dependem de suas colunas.
Vamos recordar o fim da vida do juiz Sansão. Quando os filisteus se reuniram e lotaram aquele grande salão, enchendo-o até sua capacidade máxima e subindo ao terraço, queriam alguma diversão para sua festa. Assim, mandaram trazer Sansão, que estava cego, para que pudessem zombar dele.
Trouxeram-no, e ali ele ficou, em sua cegueira, enquanto todos zombavam dele. Ele disse ao rapaz que o havia conduzido: “Apenas me leve às colunas sobre as quais a casa se apoia”. Então orou ao Senhor: “Só desta vez, Senhor, só desta vez, faze-me justiça”.
Ele se agarrou às duas colunas, curvou-se com toda a sua força, e a casa caiu. O número dos mortos no dia de sua morte foi maior do que em toda a sua vida. As colunas de um edifício são uma questão de tremenda importância.
A outra coisa que vocês conhecem tão bem é que, na Bíblia, a sabedoria está sempre ligada à edificação. Salomão era o homem de sabedoria proverbial, e ele construiu o grande templo. Foi por meio daquela sabedoria concedida por Deus que ele edificou algo que causava admiração e assombro a todos os que o viam.
O apóstolo Paulo fala de si mesmo como um sábio construtor, segundo a sabedoria que lhe foi dada, lançando o fundamento. E assim poderíamos continuar: a sabedoria está associada à edificação, e:
A sabedoria já edificou a sua casa;
Já lavrou as suas sete colunas.
Essa casa divina de que Paulo fala — a Igreja de Deus, coluna e firmeza da verdade — tem uma sustentação sétupla. Essa casa de Deus, essa maravilhosa casa de Deus, Sua Igreja, repousa sobre sete colunas. Retirem-nas, e a casa cai.
A criação foi edificada sobre essas colunas. Quando sofreram interferência, a criação desmoronou e se desintegrou. Sete, naturalmente, é um número simbólico: aquilo que é espiritualmente completo. Deixemos esses detalhes de lado. Não penso que poderemos falar das sete esta noite, mas creio que podemos falar de duas ou três delas hoje.
Sem dúvida, a primeira dessas colunas é a coluna da verdade. A coluna da verdade.
Agora podemos passar à leitura de uma ou duas outras passagens. Tomemos o Evangelho de João, João 8:44:
Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai.
Ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele.
Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio: porque é mentiroso e pai da mentira.
Na primeira carta de João, 1 João 2:4:
Aquele que diz: Eu O conheço, e não guarda os Seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.
Apocalipse 21:27:
E não entrará nela coisa alguma que contamine, nem quem cometa abominação e mentira.
Apocalipse 22:15:
Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.
Mais cedo ou mais tarde, queridos amigos, tudo permanecerá ou cairá conforme esteja ou não firmado na verdade. Talvez nunca tenha havido algo mais verdadeiro e mais comprovado na história. Tudo o que é falso traz em si mesmo sua própria condenação.
Deus tem dado um lugar muito amplo a essa questão. Ele mesmo é o Deus da verdade. A declaração é:
NEle não há mentira.
A Palavra de Deus é uma poderosa revelação do fato de que Deus zela intensamente pela verdade — com zelo ardente pela verdade.
O salmista clama:
Eis que desejas a verdade no íntimo.
— Salmos 51:6
Ele considera a mentira uma abominação. Temos visto que Ele destina todos os mentirosos ao lago de fogo. Ele exclui da Nova Jerusalém todo aquele que ama e comete a mentira.
Isso expressa o ódio ardente de Deus por aquilo que não é verdadeiro e Seu amor pela verdade. O próprio Jesus Cristo é a verdade:
Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.
— João 14:6
Ele é chamado de a Testemunha fiel e verdadeira. O Espírito Santo é chamado por Ele de o Espírito da verdade:
Quando vier Aquele, o Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade.
— João 16:13
E a Igreja, em toda essa grandeza, é a coluna e firmeza da verdade. Por outro lado, como vimos, Satanás é chamado de mentiroso e pai da mentira.
Toda esta bela criação, toda a sua estrutura, desmoronou quando a mentira entrou. A mentira desintegrou tudo. Essa mentira permeia a constituição da ordem deste mundo tal como ela é.
Ela está no homem. O homem é uma mentira. Ele não é aquilo que Deus pretendia que fosse, nem aquilo para o qual o criou. Ele é uma contradição, uma negação. Isso não é a verdade. Você olha para o homem tal como Deus pretendia, e ainda pretende, que ele seja, e o próprio homem sabe muito bem que há algo em sua constituição que não é verdadeiro.
No próprio mundo, em todo o sistema mundial, há essa mentira. Ela está no comércio. Como é rara a honestidade plena e transparente nos negócios e no comércio! Que problema isso representa para qualquer pessoa que realmente queira ser íntegra e honesta. É difícil prosperar neste mundo se você pretende ser assim.
Na sociedade há muita falsidade — faz de conta, fingimento, representação, exagero, imitação. Todas essas coisas são formas ou expressões de algo falso.
Chamam isso de maquiagem; na verdade, é faz de conta. Não é verdadeiro, não é verdadeiro: fingir ser algo que não corresponde à verdade. A sociedade é assim. O mundo é assim: uma mistura.
Oh, como tudo isso é artificial e falso! Suponho que somente os cristãos realmente percebam isso. Quando estávamos no mundo, tínhamos alguma percepção de como tudo era artificial e irreal — mantendo uma aparência, sustentando um faz de conta, causando uma impressão sem que houvesse substância por trás. Há uma mentira no cerne de todo o sistema mundial.
Ah, sim, mas na religião também pode ser assim: fingimento, faz de conta, exibição, causar uma impressão sem realidade por trás. O Senhor Jesus, a Verdade — Verdade ardente, abrasadora —, olhou para os líderes religiosos de Sua época e disse:
Hipócritas!
Atores, fingindo aquilo que não era verdadeiro.
Sim, é assim por toda parte e em tudo. Essa é a causa da desintegração, da confusão e da ruptura de tudo. Essa é a primeira causa.
Nada pode permanecer. Nada que não seja verdadeiro pode permanecer e subsistir. Mais cedo ou mais tarde, será descoberto. Por isso mesmo, desmoronará; se despedaçará. Se não for absolutamente verdadeiro, traz em si as próprias sementes de sua ruptura.
Assim, aqui está este fato revelado: no edifício de Deus, a coluna da verdade é erguida em primeiro lugar.
Eu sou a verdade.
Edificarei a Minha Igreja.
Essas coisas caminham juntas.
Agora, tendo tudo isso como pano de fundo, queridos amigos, essa questão nos toca e precisa ser aplicada à nossa posição. Nossa posição deve ser verdadeira. Nossa posição pessoal deve ser verdadeira.
Nunca, nunca permanecemos firmes; nunca atravessamos as provas, a menos que nossa posição seja verdadeira. Se houver qualquer dúvida, qualquer questionamento, qualquer incerteza, qualquer contradição em nossa posição, não estamos seguros. Não estamos seguros.
O Senhor, em Sua graciosa soberania — que muitas vezes parece tão dura e tão pouco bondosa —, permitiu que coisas como tempestades, nevascas e furacões entrassem na ordem das coisas.
Quando passam, você vê seus efeitos. Há muitas, muitas coisas caídas por terra — árvores ali deitadas, arrancadas pela raiz. Há outras coisas que permaneceram firmes e atravessaram a tempestade, e que enfrentarão a próxima mais fortes por causa disso.
É uma parábola novamente. Você e eu individualmente, coletivamente em nossa comunidade local, e a Igreja como um todo — Deus sabe como isso é verdadeiro hoje — somos levados a atravessar terríveis tempestades que nos abalam, tempestades que ameaçam nossa existência e continuidade.
Quando elas passam, há aqueles que não permaneceram firmes, que foram arrancados pela raiz e levados pela provação, pelo teste, pela tempestade. Você se aproxima de algumas dessas árvores e diz: “Veja, a razão disso é que você era superficial demais. Não havia realidade em sua posição. Sua posição não era verdadeira. É só isso”.
O Senhor trouxe à luz uma posição falsa. Ele faz isso, queridos amigos. Digo que é difícil; é muito difícil. Ninguém gosta desse tipo de experiência. Nenhuma comunidade gosta disso. Mas, em Sua graciosa soberania, é necessário. É necessário. Aquilo que Ele possui precisa ser verdadeiro — verdadeiro.
Algo que comprove a verdade de Deus em seu próprio ser. Deus é inabalável, não pode ser sacudido. Deus permanece para sempre. Algo disso precisa ser produzido em tudo aquilo que é de Deus.
No desfecho final, a comunidade que estará ali ao redor do trono será a comunidade que saiu de grande tribulação, lavou suas vestes e as branqueou no sangue do Cordeiro. Por isso, está diante do trono. Algo da firmeza de Deus foi formado nessas pessoas.
Mas, aqui, acreditem em mim: não permaneceremos firmes a menos que nossa posição seja verdadeira. Precisamos examinar nossa posição de tempos em tempos. De fato, o Senhor nos obriga a isso.
Precisamos dizer: “Agora, minha posição, sendo eu quem sou e estando onde estou, é verdadeira? É correta? É de Deus? Ou há outros elementos nisso?” Examine seu coração a esse respeito. Descubra por que estamos onde estamos, por que cremos naquilo que dizemos crer e o que está por trás disso.
Nossa posição deve ser verdadeira. Nossa vida deve ser uma vida verdadeira — não sustentada pela emoção, por outras pessoas ou pelo sistema e pela ordem ao nosso redor, nem mesmo pela ordem eclesiástica. Permanecemos firmes sobre o fundamento de uma vida própria com Deus, uma vida própria com Deus que não depende de nada externo para manter continuamente sua força. É algo entre nós e Deus. Essa é a única posição verdadeira e segura.
Nosso testemunho deve ser verdadeiro. Não apenas verdadeiro na Bíblia, não verdadeiro por estarmos entre pessoas que creem nele, o sustentam e o ensinam; mas verdadeiro em nós em todos os aspectos.
Se o testemunho é o poder de Sua ressurreição, isso precisa ser verdadeiro em nós — em você e em mim. Precisamos expressar o poder de Sua ressurreição em nossa vida dia após dia. Se o testemunho é a unidade dos santos em Cristo, isso precisa estar em nós. Você precisa ser esse testemunho. Nosso testemunho precisa ser assim: verdadeiro, real.
Falo com solenidade, e não gostaria de tratar isso com leviandade, mas li há pouco tempo sobre um bom homem que havia tido uma conversão muito maravilhosa — saído, como dizemos, do nada para algo muito maravilhoso e muito real. Ele mandou imprimir seu testemunho para poder distribuí-lo a todos.
Os anos passaram. Ele tentou manter viva aquela experiência do passado, mas, por fim, ela havia perdido sua realidade, e sua vida já não ardia com aquele testemunho. De fato, havia muitas outras coisas que prejudicavam o testemunho. Ele tentou sustentá-lo, vivendo do passado.
Depois de alguns anos, um cristão foi visitá-lo, entrou na casa e começou a falar sobre o Senhor. Perguntou àquele bom homem, o dono da casa, se ele conhecia o Senhor. “Oh, sim, conheço o Senhor. Mulher, vá lá em cima buscar meu testemunho. Está no sótão.”
Ela foi, e por um bom tempo ouviu-se lá em cima o barulho de coisas sendo reviradas. Então ela desceu devagar e disse: “Papai, os ratos comeram seu testemunho”.
Ele precisa ser real, atual — não algo do passado, não algo preso ao papel, mas aqui mesmo, agora, hoje. Nosso testemunho precisa ser real, firmado na verdade.
Nossa comunhão deve ser verdadeira. Há aquela maravilhosa expressão do apóstolo:
Amor não fingido.
É tão fácil fingirmos nessa questão, sermos sentimentais ou usarmos uma linguagem sentimental uns a respeito dos outros: “Nossa querida irmã”. “Ah, querido irmão”.
É verdadeiro? É verdadeiro? Amor não fingido. A comunhão deve ser verdadeira.
Nossas posições uns em relação aos outros devem ser verdadeiras. Devem se apoiar na verdade, não na força de nossas próprias convicções, que podem ser insensatez, mas na força daquilo que é realmente verdadeiro.
Ponha sua convicção à prova. Podemos ter convicções tremendas, sabem, e estar inteiramente certos de que estamos absolutamente corretos em nosso julgamento, em nossas conclusões e em nossa posição sobre esta ou aquela questão, em relação a esta ou àquela pessoa — tão seguros —, e, ainda assim, tudo pode ser inteiramente falso, inteiramente falso. É perfeitamente possível que seja assim.
Eu poderia dar algumas ilustrações disso, mas talvez não seja necessário, e não ajudaria. Queridos amigos, nossos ouvidos precisam pôr à prova aquilo que ouvem.
Com tanta facilidade ouvimos coisas ditas sobre pessoas, lugares, indivíduos e comunidades, e imediatamente as aceitamos e nos deixamos afetar. Somos colocados numa posição inteiramente falsa diante do Senhor. O Senhor não está conosco nisso. Mais cedo ou mais tarde, a falsidade disso será exposta, e ficaremos envergonhados.
Nossos ouvidos devem pôr à prova aquilo que ouvimos, venha de onde vier. Podemos considerar a fonte extremamente confiável e digna de crédito; ainda assim, pare e diga: “Será que isso é realmente verdade?”
Precisamos ter certeza, porque isso vai nos afetar e influenciar, vai fazer diferença em nossa atitude e em nossa conduta. Tenhamos plena certeza a esse respeito. Oh, que o povo de Deus fizesse isso, que os servos de Deus fizessem isso, que os líderes do povo de Deus fizessem isso — não acolhessem relatos, rumores, críticas e julgamentos de maneira partidária.
Jesus nunca julgou segundo o ouvir de Seus ouvidos.
Nossos olhos devem verificar aquilo que vemos. Podemos ser tão enganados quando tomamos as coisas segundo sua aparência.
Vou aproveitar algo aqui, e meu irmão ali não se importará se eu ilustrar o que quero dizer, embora eu saiba que outras pessoas talvez se importassem. Estamos em oração. Por acaso, abro os olhos e vejo meu irmão com os olhos abertos, olhando para quem está orando, olhando atentamente — quase, ao que parece, de maneira crítica.
Agora, se eu não soubesse, e vocês não soubessem, poderíamos dizer: “Por que esse irmão não está participando da oração? Por que não está de olhos fechados? Por que está pesando cada palavra assim, aparentemente tão crítico?”
Vejam como vocês poderiam julgar mal um irmão se não soubessem que ele é surdo e que, na verdade, está participando avidamente da oração, acompanhando os próprios movimentos da boca — a única maneira pela qual poderia participar da oração. Vocês percebem a possibilidade de um terrível mal-entendido: julgar segundo a vista dos olhos.
Não, isso não serve. Precisamos verificar aquilo que vemos. “Aquilo realmente significava isso? Essa é a verdade a respeito daquilo, ou apenas parecia assim?” Estamos constantemente julgando mal uns aos outros dessa maneira, atribuindo à conduta de alguém um motivo ou uma razão que nunca esteve presente e que não é verdadeiro.
Como tudo é prejudicado na edificação! Ou ela é desfeita, ou fica paralisada. Precisamos estar firmados na verdade em todos os aspectos.
Nossos lares devem estar sobre uma base verdadeira. Nossos negócios, na medida em que temos algum controle sobre eles, devem ser verdadeiros — negócios íntegros.
Eu tinha um amigo que dirigia uma empresa, e ele colocou sobre sua mesa estas palavras: “Deus em primeiro lugar”. Todos os representantes comerciais entravam em seu escritório, e, repetidas vezes, algum representante fazia uma sugestão sobre como ele poderia conseguir clientes e fazer negócios, mas não era algo inteiramente honesto. Havia naquilo alguma coisa que não era totalmente correta e transparente.
Ele sempre dizia ao representante: “Está vendo aquilo? Se você tem algo a propor que não esteja em harmonia com aquilo, nossos negócios terminam aqui”.
Oh, eu sei, mas o que isso vai fazer com os negócios? Não se pode construir nem mesmo uma empresa que permaneça e tenha a bênção de Deus — o que é importante — sobre um fundamento falso, com algo que não é verdadeiro.
Depois de tudo o que dissemos, queridos amigos, nosso espírito deve ser verdadeiro. Nosso espírito deve ser verdadeiro.
Afinal, trata-se de Seus olhos como chama de fogo, não é? Seus olhos como chama de fogo vieram à igreja. Esses olhos de chama examinam as coisas de parte a parte, recaindo sobre o falso, o que não é verdadeiro, o incoerente, o contraditório, e questionando toda a existência daquela igreja com base na verdade.
A verdade pode ser algo muito belo. É algo belo. Mas a verdade pode ser algo muito terrível.
Nesta casa que Ele está edificando, e na qual você e eu somos cooperadores na construção, não pode haver colunas pintadas, nenhuma imitação de mármore. Tudo precisa ser verdadeiro de parte a parte. Onde quer que você examine, e por mais profundamente que penetre, descobrirá que é a mesma coisa. É a mesma coisa; resiste à prova.
Vejam, a questão é se isso permanecerá pela eternidade, se prosseguirá até o fim, se cumprirá o propósito de Deus em sua existência. Essa é a prova de tudo, não é? Quem desejaria que fosse diferente?
Por maior que seja a glória passageira ou transitória que nos possa vir por meio de concessões, de mistura, de distorção, de fingimento, de exibição, de qualquer coisa que impressione o homem natural, não vale a pena se Deus não colocar sobre isso Seu selo — o selo da vida.
Como é bom, conforme vimos claramente nesta manhã, como é bom ver os irmãos vivendo juntos em união.
Oh! Quão bom e quão suave é
Que os irmãos vivam em união!
Porque ali o Senhor ordena a bênção
E a vida para sempre.
— Salmos 133:1, 3
Algo genuíno. Que o Senhor nos estabeleça na verdade — e a verdade em nós.