É segunda-feira de manhã, 5 de fevereiro de 1973, em Richmond, Virgínia. Ministração do irmão Stephen Collins.
Bem, vamos fazer uma oração.
Senhor, como nos alegramos por podermos nos reunir junto a Ti. Tu és a alegria do nosso coração. Tu és a nossa força, Tu és a nossa adoração, Tu és o nosso louvor. Como Te louvamos e agradecemos por Te dignares estar conosco e receber os louvores e a adoração do nosso coração.
Que privilégio sermos aceitos por Ti. Tudo se deve à Tua graça, ao Teu precioso sangue, à Tua cruz. Tu nos abriste este novo e vivo caminho.
Oh, como Te louvamos e agradecemos. Tu és tão real, tão vivo, e nada pode nos separar do Teu amor, porque é o Teu amor por nós que nos inspira a Te amar.
E, porque Te amamos, queremos Te conhecer mais. Manifesta-Te a nós, como prometeste. E, por meio da Palavra que nos for ministrada, permite que ouçamos a Tua voz. Senhor, é a Ti, a Ti mesmo, que desejamos, e nada mais.
Que Tu tenhas um lugar maior em nossa vida, o lugar que Te pertence por direito. Senhor, entregamos este tempo em Tuas mãos, confiando que aperfeiçoarás a boa obra que já começaste. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Por favor, abram no livro de Atos.
Vamos ler Atos 9:26-27.
E, quando chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos; mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.
Mas Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos e lhes contou como no caminho ele vira o Senhor, e que Este lhe falara; e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus.
Agora, Atos 11:19-26.
E os que foram dispersos pela tribulação que sobreveio por causa de Estêvão passaram até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus.
Havia, porém, entre eles alguns homens de Chipre e de Cirene, os quais, entrando em Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.
E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor.
E chegou a notícia destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia.
O qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou; e exortava a todos a que, com propósito de coração, permanecessem unidos ao Senhor.
Porque era homem bom e cheio do Espírito Santo e de fé; e muita gente se uniu ao Senhor.
E partiu para Tarso, a buscar Saulo;
E, achando-o, o conduziu a Antioquia. E sucedeu que todo um ano se reuniram com a igreja e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.
E Atos 13:1-2.
E na igreja que estava em Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio de Cirene, e Manaém, irmão de criação de Herodes, o tetrarca, e Saulo.
E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-Me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
É tudo o que vamos ler nesta manhã.
Já mencionamos que aqueles anos de formação deste novo vaso, chamado Corpo de Cristo — a igreja —, são anos muito, muito importantes.
Se este novo vaso, o Corpo de Cristo, será formado segundo o modelo celestial, tornando-se assim um vaso adequado ao uso do Mestre, ou se degenerará em algo diferente do pensamento de Deus, isso depende, em grande medida, daqueles anos de formação.
Como vimos em Atos, nos capítulos 6 a 15, Deus levantou certos homens fundamentais e os usou para ajudar na formação deste Corpo de Cristo. Já mencionamos alguns deles: Estêvão, Filipe, Paulo e Pedro.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de considerar Barnabé, porque ele teve um lugar muito especial no estabelecimento do Corpo de Cristo. Ele serviu como uma espécie de ponte, por assim dizer, entre Pedro e Paulo.
Vocês verão que ele teve um ministério muito especial no estabelecimento do Corpo de Cristo.
Vemos Barnabé pela primeira vez em Atos 4. Naquele tempo, Deus estava aumentando o número dos que criam no Senhor. Todos os que criam estavam juntos. Eram de um só coração e de uma só alma, e amavam uns aos outros.
Eles haviam sido libertos do apego às próprias posses. Estavam dispostos a compartilhar tudo uns com os outros. Eram verdadeiramente um só Corpo.
Foi naquele período que os membros do Corpo perceberam que havia pobres no meio deles, pessoas que passavam necessidade. Eles não podiam ver seus irmãos e irmãs em necessidade e simplesmente dizer: “Que o Senhor supra todas as suas necessidades”.
Eles eram constrangidos pelo Senhor a suprir as necessidades daqueles que passavam necessidade. Assim, alguns começaram a vender suas propriedades, e traziam o dinheiro dessas vendas e o depositavam aos pés dos apóstolos, para que fosse distribuído a todos os que necessitavam.
Entre eles, havia um que se destacou. É claro que ele não foi o único a fazer isso, mas foi aquele que o Espírito Santo mencionou particularmente como exemplo.
Havia um homem chamado José, levita, natural de Chipre. Ele vendeu sua propriedade e depositou o dinheiro aos pés dos apóstolos. Os apóstolos lhe deram outro nome: Barnabé, que significa “filho da consolação”, ou “filho do conforto”.
O nome judaico de Barnabé era, antes, José. Sabemos o que esse nome significa: “Ele acrescentará”. Deus acrescentará. Esse era o nome de José, mas então vemos que ele recebeu outro nome: Barnabé, filho da consolação.
Ele era levita, mas nasceu e foi criado em Chipre. Portanto, era um judeu helenista, não um judeu hebreu. Nele, encontramos uma combinação não apenas da cultura judaica, mas também da cultura grega. Nesse sentido, ele era muito parecido com Paulo.
Ele amava o Senhor, não apenas em palavras, mas em ações. Vendeu sua propriedade e depositou o dinheiro aos pés dos apóstolos. Fez tudo isso não de maneira independente, mas em comunhão com a igreja.
Sabem, às vezes podemos praticar boas ações. Às vezes podemos fazer coisas boas. Mas preferimos fazê-las de maneira independente. Contudo, aqui vemos que, nos primeiros dias da igreja, quando eram movidos pelo Espírito de Deus a fazer certas coisas, nunca faziam nada de maneira independente.
Era sempre em comunhão, em relação com a igreja. Tudo procedia da igreja, e tudo estava relacionado à igreja. Até mesmo essa questão de servir aos pobres estava relacionada à igreja. Isso era realmente bom.
Então, depois que Saulo se converteu, quando chegou a Jerusalém, já era famoso ali como o principal perseguidor da igreja. Ele arrastava homens e mulheres para fora de suas casas e os colocava na prisão. Era muito conhecido em Jerusalém.
Depois, foi a Damasco e se converteu. Após sua conversão, foi para a Arábia, provavelmente por cerca de três anos, e ali esteve diante de Deus. Depois de três anos, voltou a Damasco. Ficou com os discípulos por algum tempo e, como seu testemunho era tão eficaz, não pôde permanecer em Damasco.
Vocês sabem como ele escapou em um cesto, sendo descido pela muralha. Então foi a Jerusalém em busca de comunhão.
Mas ninguém acreditava nele. Mesmo depois de três anos, a impressão que havia deixado era profunda demais. Aqueles crentes em Jerusalém tinham medo de Paulo, que naquele tempo era chamado Saulo. Embora tivesse voltado como um homem transformado, ninguém acreditava.
Assim, encontramos Paulo em Jerusalém, rejeitado pelos judeus e não aceito pelos cristãos. Estava completamente sozinho. Deve ter sido uma experiência terrível para Paulo.
Bem, graças a Deus, entre todos os discípulos em Jerusalém havia um homem de coração generoso.
Barnabé era um judeu helenista. Quando a perseguição começou em Jerusalém, ela se concentrou, na verdade, nos judeus helenistas. Estêvão era um judeu helenista e foi apedrejado até a morte. Então começou a grande perseguição, dirigida principalmente contra os judeus helenistas.
Certamente Barnabé também foi um alvo, de modo que deveria se lembrar muito bem disso. Contudo, vemos que Barnabé era um homem de coração tão generoso. Ele foi capaz de perdoar o passado. Foi capaz de enxergar o que Deus havia feito em Saulo e de crer naquilo que Deus havia feito.
Ele tinha fé não apenas em Deus, mas também naquilo que Deus podia fazer em uma pessoa.
Sabem, às vezes é muito difícil mudarmos nossa opinião sobre alguém. Uma vez que chegamos a uma conclusão, está decidido. Muitas vezes as pessoas perguntam aos seus irmãos: “O que você acha deste irmão ou desta irmã, deste homem ou desta mulher? Você acha que há alguma esperança?”.
Uma vez que vocês acham que já entenderam uma pessoa, está decidido. No começo, não sabem exatamente que tipo de pessoa ela é. Depois, têm algum contato e começam a formar uma ideia a respeito dela. Uma vez formada a opinião, está decidido.
Mas vocês creem em Deus? Creem que Deus é capaz de mudar uma pessoa, de transformar uma pessoa? Se creem em Deus, então podem crer nisso. Não que o homem possa mudar por si mesmo, mas Deus pode fazê-lo.
Todos os outros discípulos simplesmente não conseguiam acreditar. Diziam: “Este homem não pode mudar. Provavelmente está apenas preparando outra armadilha. Está tentando descobrir quem são esses cristãos, andando com eles, para depois persegui-los”. Ninguém acreditava em Saulo.
Mas Barnabé era um homem de fé e de coração generoso. Ele viu o que o Senhor havia feito naquela pessoa. Então o tomou consigo e o apresentou aos crentes, aos apóstolos. Foi assim que Paulo conheceu Pedro. Foi por meio da apresentação feita por Barnabé.
Paulo pôde ficar com os discípulos por certo tempo, até que seu testemunho se tornou forte demais novamente, e ele precisou partir. Assim, a igreja o enviou para longe, e Paulo voltou a Tarso. Passou vários anos na Síria e na Cilícia.
Por causa da perseguição, os discípulos foram dispersos. Enquanto seguiam seu caminho, chegaram à Fenícia, a Chipre e a Antioquia. Por onde passavam, anunciavam as boas-novas, mas somente aos judeus.
Porém, havia alguns de Chipre e de Cirene. Essas pessoas começaram a testemunhar aos gregos, e o Senhor começou a acrescentar muitos, muitos desses gregos à igreja.
Por fim, as notícias começaram a chegar a Jerusalém: nessas cidades gentílicas, muitos estavam se convertendo a Cristo — não apenas judeus, mas também muitos gentios.
Então enviaram uma pessoa, e essa pessoa era Barnabé. Barnabé era muito apropriado para esse tipo de trabalho. Foi enviado para visitar todos esses lugares, até Antioquia.
Será que ele saiu como investigador ou inspetor? De modo algum. Sabem, na igreja primitiva não havia a ideia de uma igreja controlar outra igreja. Não existia tal coisa.
Jerusalém não era a igreja-mãe, com todas as outras igrejas como igrejas filhas. Esse conceito surgiu muito mais tarde.
Nos primeiros dias, vemos que, à medida que as igrejas se espalhavam por diferentes lugares, cada igreja mantinha sua independência quanto ao governo. Mas havia comunhão no Espírito entre as igrejas.
Assim, quando ouviram em Jerusalém que Deus havia feito algo nas cidades da Síria e da Cilícia, enviaram Barnabé, não com o propósito de investigar ou inspecionar e depois colocá-las sob seu controle.
Enviaram Barnabé para buscar comunhão, a fim de que estivessem unidos em comunhão e fossem fortalecidos uns pelos outros. A Bíblia nunca apresenta a ideia de igrejas mães e igrejas filhas, mas apresenta a ideia de igrejas irmãs.
Gostariam de conhecer a base bíblica para isso? Abram em 2 João. Nessa pequena carta, encontramos em 2 João 1:13:
Os filhos de tua irmã eleita te saúdam.
O relacionamento entre as igrejas é um relacionamento de irmandade. Uma igreja é irmã de outra igreja. Algumas são irmãs maiores, outras são irmãs menores, mas são irmãs. Não é um relacionamento de pais e filhos.
Se fosse um relacionamento de pais e filhos, os pais controlariam e governariam os filhos, e os filhos deveriam obedecer aos pais. Mas, se são irmãs, vejam, seu relacionamento é de igualdade e comunhão.
Assim, na formação da igreja, do Corpo de Cristo, de maneira muito prática, vemos o Espírito Santo guiando e conduzindo Barnabé.
Ele era o tipo de pessoa que tinha um coração generoso. Era o filho da consolação. Era helenista. Portanto, não saiu com a intenção de estabelecer sua autoridade sobre todas essas igrejas que Deus havia levantado e colocá-las sob a tutela da igreja em Jerusalém.
Esse é o caminho humano, não o caminho divino. O Espírito Santo havia iniciado todas essas igrejas, e então Barnabé foi enviado para uni-las em comunhão e no Espírito, mas não para colocá-las sob o controle da igreja em Jerusalém.
Toda a estrutura da igreja hoje deve ser espiritual. Por um lado, cada assembleia local é independente quanto ao governo, diretamente responsável diante de Deus. Nenhuma igreja está acima de outra igreja.
Contudo, isso é equilibrado pela comunhão. Sabem, o Corpo de Cristo é um só universalmente, mas, em sua expressão prática, é necessário haver igrejas locais. Todas essas igrejas locais são expressões locais do Corpo de Cristo, e têm comunhão umas com as outras para demonstrar que são uma só realidade. Isso é belo.
Foi por essa razão que Barnabé foi enviado. Ao passar por esses lugares, ele viu a graça de Deus manifestada nesses crentes gentios e se alegrou.
Sabem, quando saímos para visitar, é muito fácil enxergar todas as falhas, fraquezas e deficiências. É muito fácil. Se vocês têm uma percepção muito aguçada, podem ir a qualquer lugar e, em poucas horas, enxergar as fraquezas e as falhas no povo de Deus.
Vocês podem chegar ali como juízes, não como irmãos. Mas Barnabé era um homem diferente. Quando chegou ao meio daqueles crentes gentios, em vez de enxergar suas fraquezas, sua imaturidade e desprezá-los, ele viu a graça de Deus.
Oh, irmãos e irmãs, como é fácil enxergarmos as coisas de maneira negativa. Não é preciso olhar muito a fundo para enxergar as coisas negativas; elas estão todas ali. Mas é muito difícil enxergarmos aquilo que é positivo, não é? Essa é a nossa natureza caída.
Mas aqui encontramos esse homem cheio do Espírito Santo. Ele estava verdadeiramente sob o controle do Espírito Santo. Assim, quando chegou ao meio dessas pessoas, não tinha nenhuma intenção de dominá-las. Não tinha nenhuma intenção de julgá-las. Apenas veio como um irmão disposto a ajudar.
Ele viu a graça de Deus no meio delas e se alegrou. Podia se alegrar naquilo que Deus havia feito sem ser por intermédio dele.
E sabem o que ele fez? Encorajou-os a servir ao Senhor com um só propósito de coração, a permanecer no Senhor. Em outras palavras, seu ministério era um ministério de firmar os crentes.
Barnabé não era tanto um evangelista. Era mais como um pastor. Ele chegava e os ajudava, fortalecia e firmava no Senhor.
Por causa do seu trabalho entre aquelas pessoas em Antioquia, o Senhor acrescentou mais pessoas à igreja. Era um ministério de firmar os crentes. Como precisamos de um ministério assim.
Enquanto permanecia com eles, começou a perceber o potencial da igreja em Antioquia. Começou a perceber que Deus faria na igreja em Antioquia algo que ele não poderia fazer sozinho.
Era uma obra maior e mais ampla do que Barnabé podia assumir. Então foi a Tarso procurar Paulo. Agora, pensem nisso.
Geralmente, falando de maneira humana, esta é sempre uma tentação para um servo do Senhor: se ele vai a um lugar e o Senhor começa a usá-lo, passa a considerar aquele lugar como seu próprio território.
Aqui e ali encontramos uma pessoa estabelecendo um reino para si mesma, e outra pessoa estabelecendo um reino para si mesma. Você guarda seu reino com muito cuidado. Considera a igreja sua propriedade particular. Essa é a tentação humana.
Isso acontece em toda parte. Quando Deus começa a usar uma pessoa, ela estabelece um reino e não deixa mais ninguém tocar nele. “Este é o meu território.”
O que vocês estão fazendo? Estão edificando seu próprio reino ou estão edificando o Corpo de Cristo?
Como estratégia missionária, diferentes sociedades missionárias tiveram de chegar a um acordo: “Você vai para o leste, eu vou para o oeste, ele vai para o sul, e o outro vai para o norte. Cada um de nós vai delimitar um território e trabalhar nele. Agora, não entre no meu território”.
O que vocês estão fazendo? Estão edificando seu próprio reino ou estão edificando o Corpo? Se é o Corpo de Cristo, ele pertence a Cristo. Se é o Corpo de Cristo, deve poder ser beneficiado por todos os ministérios que Deus deu à igreja.
Barnabé era uma pessoa que não buscava seus próprios interesses. Ele não saiu de Jerusalém simplesmente para ser rei em Antioquia. Aquilo era a igreja, o Corpo de Cristo. Era preciso cuidar dela.
Ele viu um bom potencial naquela igreja e percebeu que era mais do que podia assumir. Graças a Deus por Barnabé. Há algo digno de reconhecimento em um servo do Senhor que consegue perceber seus próprios limites.
Ele pensava apenas no bem da igreja. Não pensava em sua posição e em seu poder. Se tivesse pensado em sua posição, nunca teria ido procurar Paulo.
Por quê? Porque sabia, desde o princípio, que Paulo tinha mais dons do que ele. Foi por isso que foi procurar Paulo. Percebeu que aquela era uma obra que não podia assumir sozinho.
Ele conseguiu firmá-los no começo, mas chegou ao seu limite. Não manteria a igreja em Antioquia dentro dos seus próprios limites. Queria que eles fossem aquilo que Deus desejava que fossem.
Graças a Deus por isso. Todos os servos de Deus hoje deveriam aprender essa lição.
E ele saiu para procurar Paulo. Paulo já estava havia vários anos na Síria e na Cilícia. Quando não pôde mais permanecer em Jerusalém, enviaram-no a Tarso, e ele passou vários anos naquela região.
Em Gálatas 1, Paulo disse que estava na Síria e na Cilícia, trabalhando para o Senhor. As pessoas na Judeia ouviam dizer que aquele que antes os perseguia agora pregava a fé que outrora destruía, mas nunca o tinham visto.
Em outras palavras, encontramos Paulo trabalhando naquela região durante vários anos, inteiramente sozinho. Ele estava quase esquecido.
Se isso tivesse continuado, uma de duas coisas poderia ter acontecido. Ou Paulo teria ficado tão desanimado que acabaria desaparecendo, e não haveria mais contato; ou teria ficado tão indignado com o tratamento que recebera que diria: “Se vocês não se importam comigo, eu não me importo com vocês. Vou estabelecer a obra de Deus na minha região, e esse será o meu reino. Não terei nada a ver com a igreja em Jerusalém nem com qualquer outra pessoa”.
Sabem, uma pessoa pode ir para qualquer um desses dois extremos. E Paulo era esse tipo de pessoa. Se não tivesse encontrado alguém que o equilibrasse, poderia ter ido para esse extremo.
Mas, graças a Deus, na sabedoria divina de Deus, Barnabé foi procurar Paulo. Se vocês lerem essa palavra com atenção, perceberão que encontrar Paulo exigiu certo esforço de Barnabé.
Não foi como se ele soubesse onde Paulo estava e simplesmente fosse bater à sua porta. Não, ele nem sequer sabia onde Paulo estava. Precisou procurá-lo. Estava disposto a gastar tempo para encontrar Paulo, e o levou a Antioquia.
Ali, Paulo trabalhou com Barnabé durante um ano inteiro. Por causa do trabalho conjunto deles, os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez em Antioquia.
Por meio do trabalho conjunto desses dois servos do Senhor, aqueles discípulos cresceram muito no Senhor. A igreja manifestou Cristo com tamanha plenitude que as pessoas começaram a olhar para eles e a dizer: “Quem são eles?”.
Certamente, eles não eram o judaísmo. No começo, a maioria dos crentes era composta de judeus, de modo que as pessoas podiam olhar para a igreja e dizer: “Isto é apenas uma seita do judaísmo”. Mas, em Antioquia, a situação era inteiramente diferente.
Como a maioria deles era composta de gentios, não se podia dizer que aquilo era uma seita do judaísmo, uma parte do judaísmo. Era algo inteiramente novo e vivo.
As pessoas olhavam para eles e diziam que eram cristãos — homens de Cristo, aqueles que pertencem a Cristo. Cristo era tão manifestado no meio dessas pessoas que elas receberam essa designação: cristãos.
Eles puderam se tornar assim principalmente por causa do amor, da humildade e do trabalho de Barnabé.
Irmão, isso é exatamente Colossenses 2:19:
E não retendo a Cabeça, da Qual todo o corpo, suprido e unido pelas juntas e ligamentos, cresce com o crescimento de Deus.
Sabem, devemos nos apegar à Cabeça, Cristo. Então todo o Corpo é suprido e unido pelas juntas e pelos ligamentos.
No corpo, precisamos de juntas e precisamos de ligamentos. As juntas são juntas de suprimento. Elas suprem a vida do Corpo. Mas também precisamos de ligamentos, porque os ligamentos mantêm tudo unido.
Assim como no corpo físico, vocês não precisam apenas dos ossos e das juntas; precisam também dos ligamentos. Eles mantêm o corpo unido. Com as juntas de suprimento e os ligamentos de união, o Corpo cresce com o crescimento de Deus.
Ora, Barnabé era um ligamento. Provavelmente Paulo era uma junta de suprimento. Barnabé certamente era um grande ligamento, e, sem ligamentos assim, a igreja não pode crescer.
Irmãos e irmãs, muitas vezes enfatizamos o ministério dos dons, mas, de alguma maneira, deixamos de perceber o ministério dos ligamentos.
Pensamos que, para a edificação do Corpo de Cristo, precisamos de pessoas que sejam como juntas e possam suprir vida. Graças a Deus por todas essas juntas. Mas há pessoas que não parecem suprir muita coisa de maneira visível e, no entanto, há um ministério silencioso acontecendo: ligando as pessoas umas às outras, ligando as pessoas umas às outras, unindo as pessoas, firmando-as juntas.
É um ministério igualmente essencial, embora essas pessoas geralmente não sejam vistas. Geralmente são negligenciadas pelos outros. Mas, sem esses ligamentos, o Corpo não pode crescer com o crescimento de Deus.
Assim, por meio das juntas e dos ligamentos, vemos que a igreja em Antioquia cresceu com o crescimento de Deus. Ali encontramos um testemunho maravilhoso. Eles foram chamados cristãos.
Esses princípios precisam continuar sendo praticados. O Corpo de Cristo é o mesmo em toda parte. Onde quer que a igreja deva ser edificada, onde quer que a expressão do Corpo deva ser manifestada, são necessárias as juntas e são necessários os ligamentos. Precisamos de Paulo e precisamos de Barnabé.
Então, naquele período, Deus levantou cinco profetas e mestres na igreja em Antioquia. Barnabé era o principal, porque vemos seu nome mencionado primeiro. Saulo era o último dos cinco, porque era relativamente jovem no Senhor.
Enquanto os cinco profetas e mestres ministravam ao Senhor com jejum e oração, antes de ministrarem à igreja, antes de ministrarem ao povo de Deus, eles primeiro ministravam ao Senhor. Essa é a ordem correta.
Eles ministravam primeiro ao Senhor e, enquanto ministravam ao Senhor, o Senhor disse:
Separai para Mim Barnabé e Paulo para uma obra especial.
Uma obra apostólica.
Como ministravam tão fielmente na igreja local, Deus ampliou seu ministério e lhes deu um ministério mais abrangente, um ministério apostólico. Deus enviou Barnabé e Paulo para isso.
Assim, irmãos e irmãs, vemos a maneira como Deus prepara Seu povo. Vocês são sempre preparados na igreja local.
Muitas vezes, quando as pessoas pensam em servir a Deus, especialmente os jovens, imediatamente pensam em outro lugar. Isso é natural. Por quê? Porque existe uma atração estranha por isso.
Vocês nunca pensam que vão servir a Deus onde estão. Estão sempre pensando em servir a Deus em outro lugar. E, para servir a Deus em outro lugar, o que fazem para se preparar? Vão para uma escola bíblica.
Agora, não estou criticando as pessoas, porque passei por isso. Quando era jovem e estava cheio de fervor, queria servir a Deus. “Para onde devo ir? Mongólia? Eu vou.” Nada parecia mais difícil do que servir na minha própria terra.
“Como devo ir para a Mongólia?” “Ah, vá para uma escola bíblica.” Aonde chegamos?
Como Deus preparava Seus obreiros? Se Deus coloca em vocês o desejo de servir, sirvam à igreja. Aí está. Esta é a questão: não se trata de uma escola; trata-se da igreja, do Corpo de Cristo.
Não há escola em que vocês possam aprender a conhecer Cristo e a servi-Lo melhor do que na expressão local do Corpo.
Vocês dizem: “Todo mundo conhece você”. Graças a Deus que todo mundo conhece você. É aí que a formação começa.
Se vocês são fiéis no lugar onde Deus os colocou, ministrem ao Senhor. Um dia, o Senhor poderá separá-los e ampliar seu ministério. Mas vemos que isso sempre começa no lugar onde estão.
Se vocês não conseguem ser usados por Deus entre as pessoas que conhecem, podem esperar que, de repente, sejam grandemente usados por Deus entre pessoas que não conhecem?
Muitas pessoas dizem que não conseguem ganhar nenhuma alma aqui, mas que, se forem para a África, estarão ganhando almas. Isso precisa ser comprovado primeiro, e, a partir da fidelidade, Deus ampliará seu ministério.
Assim, aqui encontramos Barnabé e Paulo. Eles foram separados para sair. Barnabé era um homem de coração muito generoso. Estava sempre procurando ajudar. Estava sempre à procura daqueles a quem pudesse ajudar e edificar.
Sem Barnabé, não teríamos Paulo. Embora Deus tivesse Se revelado daquela maneira a Paulo, sem Barnabé, Paulo poderia ter se perdido entre os perdidos.
Foi Barnabé quem o trouxe à comunhão dos santos. Foi Barnabé quem o introduziu na obra. Na verdade, Paulo foi preparado sob a orientação de Barnabé.
Barnabé estava atento a Paulo. Depois de vários anos, ainda se lembrava dele. Lembrava-se de que era um jovem muito promissor e queria ajudá-lo, embora Paulo fosse alguém maior do que ele próprio.
Quando Deus separou Barnabé e Paulo para essa obra apostólica, imediatamente vemos Barnabé pensando em outro jovem: João Marcos.
Não porque João Marcos fosse seu primo. Creio que Barnabé tinha muito mais discernimento do que isso. Não era por causa de um parentesco segundo a carne. Não; na obra de Deus, a carne não pode governar.
Mas vemos o coração generoso de Barnabé. Ele estava sempre procurando jovens a quem pudesse ajudar e edificar, para que fossem vasos para Deus.
Agora, vocês precisam agradecer a Deus por Barnabé. Há jovens que realmente desejam servir a Deus e que realmente querem aprender. Quem os ajudará? Quem se lembrará deles?
Talvez os mais velhos tenham medo dos jovens, receando que um dia os jovens tomem seu lugar. Mas Barnabé não. Quando via a graça de Deus em uma pessoa, queria ajudar e edificar.
Então disse: “Vamos levar João Marcos”. Paulo concordou com ele, de modo que não se tratava apenas de um parentesco segundo a carne. Eles saíram juntos.
Se vocês lerem o livro de Atos com atenção, naquele período verão que, no começo, era Barnabé e Paulo. Quando Deus separou Barnabé e Saulo, eles saíram como um grupo: Barnabé e Saulo, com João Marcos como auxiliar.
Mas então algo aconteceu. De repente, vemos o Espírito Santo começar a dizer: “Paulo e Barnabé”. A ordem agora é Paulo e Barnabé. João Marcos, em vez de se submeter, foi embora.
Aquele jovem ainda era muito carnal. Seu primo era o líder daquele grupo, e agora Paulo assumira a liderança. Ele não conseguia concordar com isso.
Mas olhem para Barnabé. Qual foi sua atitude? “Eu sou o líder. Sou eu quem dirige esta equipe.” Não. Ele se submeteu à determinação do Espírito Santo.
Sabem, não existem posições fixas em Cristo. O Espírito Santo sabe quem deve ir à frente e quem deve seguir. No começo, era Barnabé e Paulo, mas depois Paulo pareceu avançar espiritualmente, e o Espírito Santo disse: “É Paulo e Barnabé”.
Barnabé assumiu de bom grado o segundo lugar. O jovem foi embora, mas Barnabé continuou com Paulo. Paulo ganhou destaque. As pessoas falavam de Paulo, Paulo, Paulo. Barnabé ficou na sombra, é claro.
Mas ele aceitou tudo com graça. Não se sentiu humilhado nem ficou ressentido. Oh, irmãos e irmãs, como desejamos ver algo assim hoje entre os servos de Deus.
Muitas vezes, os servos de Deus disputam posição e destaque uns com os outros, assim como as pessoas disputam autoridade e poder neste mundo.
Se ao menos soubéssemos nos render à Cabeça! O que a Cabeça disser, esse é o lugar em que vocês devem estar, ainda que, humanamente, seja difícil.
Mas aqui vemos que Barnabé não estava atrapalhando Paulo. Não encontramos nenhuma palavra nas Escrituras dizendo que, quando o Espírito Santo mudou a ordem, Barnabé concordou exteriormente, mas ficou ressentido por dentro. Não. Ele era um homem de olhos abertos, um filho da consolação. Esse era o tipo de homem que Barnabé era.
E isso se confirmou. Quando começaram a decidir sair uma segunda vez, Barnabé disse: “Vamos levar João Marcos novamente”.
Sabem, João Marcos os havia deixado e voltado para Jerusalém. Mas, de alguma maneira, por meio do ministério ali, João Marcos foi parcialmente restaurado. Barnabé e Paulo o levaram de Jerusalém e o trouxeram novamente para Antioquia.
Barnabé, sendo um homem de coração tão generoso, decidiu que, quando saíssem pela segunda vez, deveriam levar João Marcos. Ele não havia se esquecido completamente de João Marcos. Via que o jovem estava sendo restaurado e, por isso, desejava muito que sua restauração fosse completa.
Mas Paulo entendia que, como João Marcos os havia abandonado anteriormente, precisava ser disciplinado por mais tempo. Eles discordaram.
Então Barnabé levou Marcos e navegou para Chipre, e Paulo escolheu Silas. A igreja recomendou Paulo e Silas ao Senhor, e eles percorreram a Síria e a Cilícia.
Hoje, irmãos e irmãs, muitas vezes fazemos esta pergunta: quem estava certo e quem estava errado?
Ali estavam dois servos de Deus. Haviam trabalhado juntos e sido tão abençoados. Agora vemos um grande conflito, a ponto de não conseguirem chegar a um acordo, e cada um teve de seguir seu próprio caminho. Quem estava certo? Quem estava errado?
A história tem procurado julgar o certo e o errado nesse episódio. Geralmente as pessoas dizem: “É claro que Barnabé estava errado”.
Por quê? Depois disso, Barnabé deixou de ser mencionado com frequência. A história, desse ponto em diante, acompanha o caminho de Paulo. Não sabemos o que aconteceu depois que Barnabé levou João Marcos e navegou para Chipre. O que aconteceu depois? Não nos é dito.
É como se o Espírito Santo dissesse: “Você se desviou do caminho”, enquanto Paulo, com a recomendação da igreja, foi usado em todos os lugares por onde passou. Por isso, algumas pessoas dizem: “Pelo que está registrado aqui, Barnabé deve estar errado”.
Mas, queridos irmãos e irmãs, receio que Deus não veja as coisas dessa maneira.
Barnabé, nessa decisão, talvez estivesse cometendo um erro. Parece que sim. Mas, se Barnabé tinha uma falha, era uma falha de generosidade, porque tinha um coração tão grande. Ele falhou, sim — seu coração era grande demais.
Como isso pôde acontecer? Foi simplesmente a sabedoria soberana de Deus.
É verdade que, por meio da ajuda contínua de Barnabé, embora Barnabé parecesse desaparecer, Marcos foi aperfeiçoado.
Marcos foi aperfeiçoado, e até Paulo disse mais tarde que ele era um bom auxiliar. Marcos pôde até escrever o Evangelho segundo Marcos.
Assim, vemos aqui que, embora pareça que Barnabé tenha desaparecido, Marcos se tornou um homem maduro. Foi um ministério de amor — de amor.
Portanto, poderíamos julgar que ele talvez estivesse errado, mas era uma falha de seu coração generoso. Deus parece ter relevado isso e o usado para aperfeiçoar aquele jovem.
Irmãos e irmãs, é assim que o Corpo de Cristo deve ser edificado. Por meio da morte de uma pessoa, por meio do morrer de uma pessoa, vem a vida de Cristo em outra pessoa.
Quando isso acontece, vocês não podem julgar.
Penso que um dia, quando comparecermos diante do tribunal de Cristo, teremos uma ideia diferente a respeito de Barnabé. Sei que poucas pessoas têm Barnabé em tão alta estima, mas me pergunto se um dia mudaremos nossa opinião a respeito dele.
Ele era um homem de Deus e teve um lugar muito especial na edificação do Corpo de Cristo. Foi uma ponte que desapareceu em favor da igreja.
Bem, então precisamos pedir a Deus que levante mais Barnabés — não apenas mais Paulos, mas também mais Barnabés. Precisamos de todos eles.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos pela diversidade dos servos que Tu dás à Tua igreja, para que a Tua igreja seja edificada segundo o Teu projeto divino.
Nós Te agradecemos por Paulo. Nós Te agradecemos por Barnabé. Oramos para que haja muitas juntas de suprimento e muitos ligamentos de união, a fim de que o Corpo cresça com o crescimento de Deus.
Oh, Senhor, este é o vaso que Tu procuras, e queremos que Tu o tenhas, para que Tu, a Cabeça, possas continuar a realizar a Tua obra. Em nome do nosso Senhor Jesus.