Hoje, temos nos dedicado a buscar ver e compreender algo do significado do Senhor Jesus Cristo e de Sua obra em relação a todo o universo criado.
Estamos, de fato, reunidos em torno de uma única realidade: Ele é a chave de tudo, e somente à medida que Ele ocupar o Seu lugar a criação, e tudo o que nela existe, encontrará a explicação e a resposta para a sua existência.
Isso nos levou por várias linhas de reflexão. Vimos que havia uma ordem primordial na criação, da qual Ele era o centro e a esfera, como o Filho eternamente designado herdeiro de todas as coisas — uma ordem que expressava Deus, que é o Deus de ordem.
Vimos que todo progresso, toda frutificação, toda satisfação, tudo aquilo que vale a pena, depende de Jesus Cristo. Mas, no que diz respeito a nós — isto é, aos cristãos e a toda a humanidade —, trata-se de conhecê-Lo. Conhecê-Lo.
Tocamos nessa questão da ordem como algo essencial — essencial ao progresso, essencial à realização do propósito final de Deus. A ordem é uma chave para tudo.
Nesta tarde, prosseguimos e vimos algo da ruptura dessa ordem: a interferência nela, a invasão que sofreu e o resultado — desordem e todas as suas dolorosas consequências. Dor, tanto espiritual quanto física; dor na criação.
O apóstolo colocou a questão assim, em Romanos 8:22:
Toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.
Isso acontece porque as coisas estão fora de ordem.
Traçamos o percurso dessa ruptura, que aparentemente começou em algum lugar fora deste mundo presente, no céu, onde houve a insurreição de um líder acompanhado por um grande número de anjos — aparentemente em revolta contra o lugar e o propósito que Deus havia destinado ao Seu Filho como herdeiro de todas as coisas.
Foi uma tentativa de conquistar essa posição — a igualdade com Deus —, de destituir Aquele que Deus havia designado. Isso provocou uma ruptura naquela esfera. O líder e seus seguidores foram expulsos: anjos que não guardaram o seu estado original.
Vimos o líder deles, sem dúvida acompanhado por seus seguidores, invadindo a terra, irrompendo nela. A Bíblia começa com essa história, e a bela ordem da criação foi transtornada.
Em primeiro lugar, o homem — a ordem no homem, o equilíbrio, a simetria, a bela harmonia em sua própria vida e constituição — foi transtornado e desorganizado.
Imediatamente, ali estavam o culpado, o homem e sua mulher. Assim, bem ali, quase na primeira menção, vocês já podem perceber algo que havia penetrado na comunhão entre eles: um culpando o outro pelo que havia sido feito.
Aquela importante ordenança de Deus, à qual tanta coisa estava vinculada no propósito de Deus — a relação matrimonial, os dois como um —, foi afetada. E depois, naturalmente, a família: a família, na qual isso se desenvolveu até um irmão assassinar o outro.
Jesus voltou diretamente àquele princípio e disse que Satanás era homicida desde o princípio. Da família à raça humana, o livro que registra tudo isso nos conduz à humanidade inteira em confusão, em todos os sentidos.
A ordem universal — nas esferas superiores desta terra, nos céus inferiores, naquilo que entendemos por cosmos, na terra e em seu ambiente — foi inteiramente atravessada por essa ruptura, essa divisão, essa tensão, esse conflito.
Tudo foi despedaçado: o progresso espiritual no propósito de Deus foi interrompido; toda a beleza do Senhor foi desfigurada.
Bem, foi aí que chegamos no fim desta tarde. Nesta noite, chegamos ao significado de Cristo e de Sua cruz em relação a tudo isso.
A cruz do Senhor Jesus está precisamente no centro, no coração de toda essa ruptura cósmica. A cruz é o coração da redenção.
Mas a redenção diz respeito a toda a extensão da interferência satânica na ordem de Deus. Cruz, redenção, salvação — são realidades muito, muito maiores do que simplesmente tratar dos pecados dos homens. Elas tratam da pecaminosidade, que é muito mais do que o pecado.
E a pecaminosidade remonta àquele — àquele que lançou esse ataque contra a designação de Deus, a economia de Deus, a ordem de Deus.
A cruz do Senhor Jesus está, de maneira preeminente, relacionada a toda essa esfera e extensão de ruptura e desordem, do centro à circunferência. É a isso que ela se relaciona.
A cruz não é algo pequeno. É algo imenso. Pois, até onde alcança o que aconteceu no universo, até ali alcança a cruz.
E devemos olhar para a cruz e para a redenção à luz dessa ordem divina que outrora existia, depois de seu transtorno e de sua ruptura, e então de sua recuperação e de seu estabelecimento eterno, sem qualquer temor de que algo assim volte a acontecer.
Até ali alcança a cruz; até ali vai o significado de Cristo crucificado. A obra redentora do Senhor Jesus na cruz acompanha todo o caminho desse mal que observamos. Ela segue exatamente esse percurso.
É importante que vocês e eu reconheçamos a ordem disso, a sua sequência. A primeira esfera em que a cruz tem sua aplicação é a esfera da hierarquia espiritual do mal. Ela não começa aqui; começa ali.
Ao recordarmos a crucificação e a morte de nosso Senhor naquele dia, vemos que os próprios céus foram afetados. Houve trevas sobre a face da terra. Houve um grande terremoto. O véu do templo foi rasgado de alto a baixo.
O céu está envolvido e intervém. Algo tremendo está acontecendo naquela esfera. Lemos o relato dos Evangelhos, é claro, e ali temos apenas os acontecimentos, os eventos associados a eles.
Mas houve um homem a quem foi concedida uma visão de algo mais, que não está nos Evangelhos e que, naquele momento, não poderia ser revelado. Ele nos diz que, em Sua cruz, Cristo despojou os principados e as potestades e os expôs publicamente, triunfando sobre eles em Sua cruz.
Colossenses 2:15:
E, despojando os principados e potestades,
os expôs publicamente
e deles triunfou em Si mesmo.
É aí que a redenção começa: nos próprios céus. Com isso, entendo os céus inferiores, não a presença de Deus. Esses céus foram contaminados por essa revolta e, pela cruz, foram purificados.
As forças — as forças que desorganizam a ordem de Deus — foram confrontadas no mundo espiritual pelo Filho de Deus na cruz. É um assunto profundo e vasto demais para nos determos nele longamente, mas há nisso um valor prático muito real.
Afinal, queridos amigos, não estamos lidando, em primeiro lugar, com circunstâncias. Não estamos lidando, em primeiro lugar, com condições. Não estamos lidando, em primeiro lugar, com efeitos e resultados. Estamos lidando com causas.
Quando essas forças que rompem e desorganizam irrompem em qualquer esfera — na vida de uma pessoa, numa comunidade ou em qualquer lugar —, o procedimento habitual é encontrar um bode expiatório, culpar alguém e começar a olhar uns para os outros; atribuir isso a uma coisa, àquela e a outra.
Ao fazermos isso, perdemos de vista a questão central e o caminho, e nunca resolveremos o problema dessa maneira. Só o tornaremos pior. Precisamos chegar ao que está por trás disso. Há algo por trás — ou, melhor, há alguém por trás de tudo isso.
Não sei como vocês se sentem a respeito disso, mas, apesar de todo o desejo que possamos ter — e é um desejo muito real — de não ficar pensando em demônios, conscientes de demônios ou ocupados com essas coisas, somos cada vez mais forçados a reconhecer que há todo um sistema de iniquidade e de hostilidade às coisas de Deus operando neste universo.
Cada vez mais, parece que essas forças atuam às claras. Elas estão ali, no ar. São como um manto sobre vocês, especialmente quando há algo do Senhor em andamento.
Isso simplesmente se repete como as estações do ano. Quando o Senhor tem algo mais em vista, acontece. Não é coincidência. Não é mero acaso. Não é imaginação. É algo real demais, terrivelmente real, calculado para tirar vocês completamente da luta — de maneira estratégica.
É uma questão muito, muito importante. Poderíamos dizer muito a respeito, mas isso se encontra numa esfera que está acima das coisas, que as abrange. Circunstâncias, acontecimentos, sentimentos e tudo o mais — são secundários. O que importa é aquilo que os envolve e lhes dá origem.
Agora, o Senhor Jesus, em Sua cruz, tem algo a dizer a essa esfera. Vocês e eu nunca conheceremos a vitória sobre as coisas até conhecermos o valor da cruz e do sangue de Jesus nessa esfera que está por trás delas.
A vitória precisa ser conquistada nessa esfera, ou aplicada nessa esfera, antes que as coisas cedam. Ah, levem isso ao coração. Levem isso ao coração. Lembrem-se disso.
Essas forças malignas estão simplesmente brincando conosco — brincando conosco. Elas nos levam a fazer exatamente o que querem, porque perdemos, ou nunca tivemos, esta chave para a situação: o Calvário alcança a esfera cósmica do mal.
O caminho da redenção começa ali, assim como o problema começou ali.
O próximo ponto nesse caminho, como vocês podem observar, é o homem. Tudo isso, tão amplo em seu alcance e tão terrível em sua natureza, concentra-se no homem. Ele é o próximo alvo do ataque.
O objetivo é desorganizá-lo, dividi-lo, torná-lo incapaz de funcionar em si mesmo, simplesmente porque está dividido. Vocês sabem que isso é verdade: se estiverem divididos interiormente, ou entre si, ficam simplesmente paralisados. Não conseguem fazer nada. Não conseguem chegar a lugar algum.
O diabo sabe disso, mesmo que vocês não saibam. Então, ele vem de fora e traz essa ruptura para o próprio homem, de modo que o homem se torna uma criatura paralisada, simplesmente porque está dividido em si mesmo. Sua natureza está dividida.
A ordem, a bela ordem, o equilíbrio e a simetria de sua própria personalidade são transtornados. O homem foi criado segundo uma ordem. Não estou dizendo que se trata da ordem de espírito, alma e corpo, mas há uma ordem. Essa ordem existe em Cristo.
Vocês têm um homem em paz, um homem em descanso, um homem forte — um homem cuja vida produz algo de valor. Transtornem esse homem interiormente, em sua própria constituição, tirem tudo do eixo e da ordem: aonde ele chegará?
Bem, é isso que a Bíblia quer dizer com vaidade. A criação, diz Paulo, foi sujeita à vaidade. Isto é: você não conseguirá chegar ao fim. Isso lhe foi imposto. Assim, você não consegue chegar a lugar algum — alcançar o seu propósito final.
A redenção pela cruz do Senhor Jesus tem o propósito, queridos amigos, de alcançar cada um de nós individualmente, para recuperar e restaurar a harmonia em nosso interior. Pode ser um processo longo, mas sabemos que há um começo quando ocorre o novo nascimento, quando chegamos à cruz do Senhor Jesus.
Quanto à nossa condição, à nossa necessidade, quanto a nós mesmos, essa cruz se torna eficaz logo no início da vida cristã. O testemunho de todos os que vieram por esse caminho é que um maravilhoso sentimento de paz entra no coração.
Paz é apenas outra palavra para harmonia, sabem? Não se trata apenas de tudo ficar quieto. Ah, não. Trata-se de que agora vocês entraram em alinhamento — no verdadeiro alinhamento — com o propósito para o qual foram criados.
Agora vocês estão no caminho. Estiveram por toda parte, mas agora seus pés estão no caminho. Algo da paz do fim entra no começo. Pode haver muitos conflitos depois, mas o começo é assim.
Isso é verdade até no caso de uma criancinha. Uma criança não entende toda a sua teologia, a doutrina da expiação, da justificação e tudo o mais, mas uma criancinha pode saber o que significa receber Jesus no coração.
Quando isso acontece com uma criancinha, vocês precisam ver. Algo acontece. Não é imaginação. Entra uma alegria. É o começo de uma vida reajustada, novamente harmonizada — o conflito se foi, no que diz respeito à própria pessoa.
Assim, no novo nascimento, temos o começo da nova criação, que, em sua plenitude, será uma bela reprodução de uma ordem harmoniosa que se perdeu. Começa conosco.
A vida cristã, desde esse começo, desde esse ponto de partida, é simplesmente a escola na qual aprendemos o caminho da harmonia, o caminho da vida. O que é isso? É tudo centrado no Senhor Jesus e governado por Ele.
Vejam, temos aqui essas afirmações, com as quais estamos tão familiarizados que quase perderam seu verdadeiro significado para nós. Colossenses 1:17 declara:
Todas as coisas subsistem por Ele.
Ele é o centro integrador deste universo.
Ele reúne as partes quebradas e lhes dá forma. Ele toma as cordas que estão todas desafinadas e as afina novamente, em harmonia. Nele, todas as coisas subsistem.
Quando Jesus ocupa o Seu lugar, as coisas começam a ser assim — uma reconciliação.
Digo que a vida cristã é a escola em que aprendemos a deixar Jesus ocupar o Seu lugar. E, quando Jesus ocupa o Seu lugar, vocês sabem tão bem quanto eu que, no que diz respeito à nossa vida interior, as coisas ficam muito mais tranquilas, mais seguras e, certamente, mais frutíferas.
É simplesmente isso. Mas isso é algo tremendo, porque dizemos: “Jesus ocupando o Seu lugar”; isso parece tão elementar. No entanto, vejam como é abrangente. Ele é o centro de um universo harmonizado.
Ele ocupa o Seu lugar; Ele começa a harmonizar a vida interior. E quanto mais lugar Ele tem, mais unificados somos, mais paz temos.
Sabemos muito bem como o contrário também é verdadeiro: quando Ele não está recebendo o Seu lugar, ou quando Sua vontade não está prevalecendo, tudo é inquietação. Isso é muito verdadeiro. O Seu lugar — o Seu lugar em cada área de nossa vida.
No indivíduo, Seu significado é a unificação do coração — a unificação do coração. Um só coração. Um só coração. Não um coração dividido, mas um coração unificado.
É uma obra profunda, uma grande obra. Talvez seja uma obra longa, mas essa é a tarefa da vida: a unificação de tudo em Cristo. Isto é, Cristo tornando-Se o único fator que faz de tudo uma unidade. Filipenses 1:21:
Porque para mim o viver é Cristo.
Um único fator, unificando a vida inteira.
Satanás não vai deixar isso em paz. Ele vai atacá-lo por todos os meios possíveis — interferir nisso, se puder.
Mas aqui está a questão, vejam: ele não pode destruir Cristo. Ele foi destruído por Cristo. E a obra da cruz de nosso Senhor Jesus é o fundamento sobre o qual estamos firmados, e sobre o qual devemos permanecer, contra toda essa ação das forças malignas que interfere para nos trazer novamente à confusão e à incerteza interiores.
Elas tentam isso o tempo todo. Permaneçam firmes sobre o fundamento da cruz. Permaneçam firmes sob o sangue quando ele tentar roubar de vocês essa tranquila certeza de que tudo está bem por causa daquilo que Ele fez em Sua cruz.
Da vida pessoal, passamos à vida comunitária. Esse é o percurso das forças malignas, e esse é o percurso da cruz.
Como dizíamos nesta tarde, essa relação tão sagrada, que foi a ordenança de Deus no princípio — marido e mulher —, precisa estar em Cristo.
É necessário que eu diga aos jovens que estão pensando nessa união: certifiquem-se de que ela esteja em Cristo? Certifiquem-se de que esteja em Cristo desde o começo.
Não há garantia, nem sequer esperança, de tudo o que ela significa no propósito de Deus, a menos que esteja em Cristo. E há coisas tremendas vinculadas a essa relação em Cristo.
Mas, se essa união já aconteceu, ela é uma das coisas sagradas que as forças malignas do maligno nunca deixarão de atacar. Talvez vocês não tenham percebido o tremendo estrago que o diabo pode fazer quando consegue separar duas pessoas nessa relação, colocar-se entre elas.
É um ponto central de seu ataque constante: dividir essa união. Essa relação é um verdadeiro campo de batalha ao longo da vida. Há nela tanta coisa para o Senhor.
Se ela sofreu alguma interferência — sei que estou falando apenas a alguns, talvez à maioria —, como vocês vão colocá-la em ordem? Não por meras tentativas humanas. Vocês precisam voltar para Cristo.
Somente voltar ao fundamento de Cristo poderá colocar isso em ordem. Pode ser que o homem esteja puxando numa direção e a mulher em outra — sem uma verdadeira união.
Um pensa de uma maneira, e o outro, de outra; uma vontade de um lado, outra do outro; um interesse de um lado, outro do outro; uma compreensão de um lado, outra do outro. Isso enfraquece. Vocês sabem que é frustrante. Sabem que é desolador.
Somente quando os dois se firmam no fundamento de Cristo crucificado é que essa questão pode ser tratada e colocada em ordem. Cada um precisa abandonar seu fundamento natural e assumir, no que diz respeito a si mesmo, o fundamento de Cristo crucificado.
Mas, queridos amigos, a Palavra de Deus nos deixa perfeitamente claro que, no princípio, aquela ordenança de Deus, aquela relação, era, afinal, a representação de algo muito maior.
Em seu testemunho, isso é uma questão que diz respeito à igreja. Ao falar dessa relação, o apóstolo disse, em Efésios 5:32:
Digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.
O verdadeiro princípio é o da vida comunitária em Cristo, em qualquer lugar e de qualquer forma — sejam dois, três, a comunidade local, a comunidade mais ampla, o povo do Senhor. O princípio é um só.
O inimigo não medirá esforços para se colocar entre as pessoas, para dividir. E o único meio, mas o meio seguro, de preservar essa unidade é a cruz do Senhor Jesus operando interiormente em todos nós.
Isso é algo tremendo, mas produzirá esse resultado. Se essa cruz se tornar de fato uma realidade interior em todos os envolvidos, será o fim de todas as divisões. Esse é o caminho.
Isso se estende para além do indivíduo, para além dos dois ou três, para além do pequeno grupo e da comunidade, até a igreja universal. Podemos ver que, por fim, alcançará todo o mundo habitado, quando Cristo ocupar o Seu lugar.
Ah, a grande multidão, proveniente de toda a diversidade de nacionalidades, climas e famílias, estará firmada no fundamento do Cordeiro que foi morto — a cruz do Senhor Jesus —, em perfeita harmonia.
Dissemos nesta manhã: cantando um só cântico em harmonia. As notas agudas, as notas graves e todas as notas entre elas, enquanto clamam, como em Apocalipse 5:12:
Digno é o Cordeiro.
Um coro glorioso.
A redenção segue esse percurso. A cruz do Senhor Jesus se relaciona com essa única realidade: um fim em que tudo está reunido em Cristo.
Nesta manhã, tomamos João 17 como fundamento. Sabem, a grande nota — talvez a mais elevada — desse capítulo está numa pequena oração. João 17:23:
Para que eles sejam perfeitos em unidade.
Aperfeiçoados em unidade — o objetivo de Sua oração, o objetivo de Seu sofrimento, o objetivo de Sua obra redentora.
Então, o grande arquiadversário da ordem divina não poderá fazer mais nada. Sua obra está terminada. Seu poder chega ao fim nesse ponto. A cruz se ergue vitoriosa sobre essa longa história de ruptura.
Não vejo esperança de unidade em lugar algum, a não ser na cruz do Senhor Jesus — Cristo crucificado colocado em Seu lugar. Colocado em Seu lugar.
Embora a batalha continue, o inimigo está sempre tentando exibir ruptura e desordem e transmitir essa impressão. Se a cruz realmente realizou uma obra nesse coração humano, há algo fundamental que triunfará sobre tudo isso.
É algo maravilhoso, glorioso. Sim, toda essa atividade, toda essa ação nas circunstâncias que parece contradizer qualquer unidade, todo esse esforço das forças malignas para causar uma impressão e fazer uma exibição — sim, onde a cruz foi realmente plantada na vida das pessoas, há algo que sobrevive a tudo isso.
Isso emerge do outro lado do maior ataque, do ataque mais desagregador do inimigo. A sobrevivência se deve ao fato de que essa cruz é vitória. Não será: ela é. Ele realizou isso por Sua cruz.
Vejam, não apenas como um fato fundamental no qual descansar, mas como um testemunho progressivo, em que o inimigo tem cada vez menos ocasião, oportunidade e terreno para sua ação.
Cada vez mais, a cruz do Senhor Jesus precisa expressar seu significado em nosso coração e entre nós. Trata-se de a redenção pela cruz ocupar um lugar cada vez maior em nós.
Virá um tempo em que essa redenção será aperfeiçoada. Será completa. A glória do Senhor, seguindo a linha da ordem restaurada, encherá tudo.
Isso é tudo por hoje. É uma grande tarefa — um grande preço. É necessária uma grande cruz para realizar essa obra; todos nós sabemos. Mas Ele é suficiente.
E Ele já nos deu sinais — sinais que conhecemos em nosso próprio coração. Sim, isso é verdade. As evidências estão ao nosso redor e dentro de nós: no que diz respeito a Ele, o Senhor Jesus, o significado principal de Sua pessoa e de Sua obra está relacionado a essa ordem celestial eterna que Deus haverá de estabelecer.
Essa é a questão em torno da qual se trava a batalha de todas as eras, na qual vocês e eu estamos envolvidos. Que o Senhor nos dê graça para permanecermos firmes sobre o fundamento da cruz.