Nesta manhã, ó nosso Pai, ao pensarmos no que éramos em nós mesmos antes de confiarmos em Teu Filho, vemos que não passávamos de rebeldes, pecadores, longe, muito longe de Ti. E, no entanto, por meio de Teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, Tu nos trouxeste para perto de Ti.
Estamos tão perto de Ti que não poderíamos estar mais perto, porque somos aceitos em Teu Filho amado. Oh, como Te louvamos e agradecemos porque hoje somos filhos de Deus. Somos participantes da Tua natureza divina.
Ó nosso Pai, nosso coração se prostra profundamente diante de Ti em adoração e louvor. Pai, pedimos que, nesta manhã, Tu abras mais uma vez os nossos olhos, para que tenhamos um conhecimento mais profundo de Ti e aprendamos a Te amar e a Te seguir.
Que sejamos livres da incompreensão, da murmuração contra Ti. Oh, que saibamos como fazer isso. Entregamos esta hora em Tuas mãos. Confiamos que Teu Espírito está operando, pois, sem Ele, nada pode ser feito.
Ó Senhor, pedimos que Tu nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação. Que Tu abras os olhos do nosso entendimento, para que O conheçamos como nunca antes. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Gostaria de chamar a atenção de vocês para um versículo que muitas vezes passa despercebido. Não sei se vocês já leram esse versículo na Bíblia. Não é difícil encontrá-lo, mas ele está no Antigo Testamento.
Por favor, abram em Jeremias 48. Jeremias 48:11.
Moabe esteve descansado desde a sua mocidade,
e repousou sobre as suas borras;
não foi trasvasado de vaso para vaso,
nem foi para o cativeiro:
por isso, conservou o seu sabor,
e o seu aroma não se alterou.— Jeremias 48:11
Vocês já leram esse versículo antes? Vamos repeti-lo.
Moabe esteve descansado desde a sua mocidade,
e repousou sobre as suas borras;
não foi trasvasado de vaso para vaso,
nem foi para o cativeiro:
por isso, conservou o seu sabor,
e o seu aroma não se alterou.— Jeremias 48:11
Deus muitas vezes encerra Sua verdade mais profunda na metáfora mais simples, e aqui encontramos uma delas.
Antes de entrarmos nesse versículo, acho que precisamos conhecer um pouco do contexto. Sabemos que o profeta Jeremias foi chamado por Deus quando era muito jovem. Ele profetizou à nação de Judá durante o período final da sua existência.
Ele foi muito fiel ao profetizar, ao transmitir as mensagens de Deus ao seu próprio povo, vez após vez, repetidamente. Sabemos que ele foi um dos que foram para o Egito depois que a nação foi levada ao cativeiro.
Mas, perto do fim de suas profecias, vemos que ele voltou sua atenção de Judá e Israel para as nações que os cercavam. Ele olhou ao redor e procurou compreender: e quanto a essas nações que cercavam o povo?
Sabem, ele estava perplexo. Como profeta de Judá, do povo de Deus, tinha de lhes transmitir mensagens muito severas. Ele lhes disse, advertiu-os de antemão, que, se não se arrependessem, seriam levados ao cativeiro.
E suas profecias se cumpriram. A nação foi levada ao cativeiro, e os que restaram foram para o Egito; sabemos que pereceram ali.
Assim, depois de profetizar à nação de Judá durante tanto tempo e de ver o que havia acontecido ao povo de Deus, quando se voltou para olhar as nações vizinhas, ele ficou profundamente perturbado.
Por que o povo de Deus sofria tanto, enquanto essas nações, que não respeitavam a Deus, pareciam viver em paz? Ele não conseguia entender.
Por isso, vemos que, em sua profecia a respeito das nações vizinhas, sendo Moabe uma delas, ele estava realmente angustiado. Tinha um problema que não conseguia resolver. Estava diante de um fato que não compreendia.
O fato era muito simples: o povo de Deus sofria intensamente, enquanto aquelas nações que não conheciam a Deus pareciam desfrutar de prosperidade. Qual era a explicação? Como explicar tal fenômeno?
O Espírito de Deus inspirou o profeta. Deus lhe deu uma parábola, uma figura de linguagem, e, nessa parábola, revelou ao profeta Jeremias a resposta — a resposta à sua pergunta, a solução para o seu problema.
Sabemos que Moabe descendia de Ló. Israel descendia de Abraão, o amigo de Deus. Mas Moabe descendia de Ló, e Moabe nasceu como resultado do pecado.
A própria palavra Moabe significa “de seu pai”. Em outras palavras, Moabe era apenas a reprodução de seu antepassado.
Moabe, como nação, vivia a leste de Israel, do outro lado do Jordão. Contudo, enquanto Israel e Judá atravessavam grandes dificuldades, Moabe — a nação vizinha, uma nação que não respeitava a Deus, uma nação nascida do pecado — parecia viver muito bem.
Mesmo quando Judá e Israel estavam em aflição, Moabe ficava de lado, fazendo piadas e zombando. Parecia que tudo ia bem para eles. Por que era assim?
Então, aqui encontramos a profecia:
Moabe esteve descansado desde a sua mocidade.
A tranquilidade de Moabe é um problema. Ele não desfrutou de tranquilidade apenas por um breve período. A Bíblia diz que ele esteve descansado desde a sua mocidade. Mesmo quando era jovem, vivia bem, e continuou vivendo bem por muito tempo.
Agora, queridos irmãos e irmãs, não é isso que buscamos? Como desejamos levar uma vida tranquila. Como esperamos que, desde os nossos primeiros anos, tenhamos uma vida confortável e fácil.
Algumas pessoas têm uma vida fácil quando são jovens, mas passam por tempos muito difíceis quando envelhecem. Alguns dizem que é melhor passar por dificuldades quando se é jovem e ter uma vida mais fácil na velhice. Acho que há uma razão psicológica para isso.
Mas o que todos buscamos é isto: desde a infância, desde a juventude, até os dias da velhice, quem dera pudéssemos viver bem — ter uma vida fácil. Isso certamente seria considerado uma bênção.
Muitos do povo de Deus ainda pensam hoje que, se crerem no Senhor Jesus, certamente serão abençoados pelo Senhor. E ser abençoado pelo Senhor significa poder viver com tranquilidade e conforto.
Para muitos do povo de Deus, a bênção de Deus ainda é algo físico e material. Se você crê no Senhor Jesus e tudo corre bem, se seus dias são prósperos, todos dirão: “Bem, você é abençoado pelo Senhor”.
Mas suponha que você creia no Senhor Jesus e passe por dias muito difíceis. Parece que sua vida não segue por águas tranquilas. Você enfrenta problema após problema, aflição após aflição. Mesmo que outras pessoas não digam isso, provavelmente você dirá a si mesmo: “Deus deve ter me amaldiçoado. Caso contrário, como essas coisas poderiam acontecer?”
Sabem, em nossa maneira de pensar, sempre consideramos a tranquilidade uma bênção do Senhor. Ter problemas certamente não é ser abençoado. Do ponto de vista humano, isso está correto.
Moabe esteve descansado desde a sua mocidade.
Vocês acham que isso é um bom sinal na vida de alguém? Parece que sim. Até o profeta Jeremias ficou perturbado.
Mas Deus explicou:
Moabe esteve descansado desde a sua mocidade,
e repousou sobre as suas borras.
Deus usou a metáfora da produção do vinho. Sabem, na terra da Palestina, antigamente, o vinho e os cereais eram os dois principais elementos do sustento.
Você tem uvas. Colhe as uvas da videira e coloca todas elas no lagar. Naqueles tempos, o lagar provavelmente era feito de pedra, ou talvez fosse apenas uma cavidade escavada na terra.
As uvas eram colhidas e lançadas no tanque. As pessoas entravam no tanque e pisavam as uvas com os pés. Era assim que se fazia antigamente.
Pisavam as uvas até que fossem esmagadas, e o suco começava a escorrer. O suco escorria para um tanque mais baixo, talvez mais profundo, e todo ele era recolhido ali.
Às vezes, o suco era deixado no tanque para fermentar. Outras vezes, era retirado e colocado em jarros, para fermentar ali. Mas, depois que o suco era recolhido, começava a fermentação.
Naquele clima da Palestina, a fermentação geralmente começava no mesmo dia. Se as uvas fossem esmagadas pela manhã, a fermentação começaria à noite.
No início, via-se apenas um pouco de espuma na superfície do suco. Mas, aos poucos, a fermentação se tornava vigorosa, mais intensa. Em cerca de uma semana, a primeira fermentação estava concluída.
Era necessário colocar esse suco em um recipiente resistente. Por quê? Porque, se o suco em processo de fermentação fosse colocado em um recipiente frágil, ele faria o recipiente se romper.
Mas, depois de cerca de uma semana de fermentação, normalmente despejavam o suco fermentado em outro jarro, em outro vaso. A matéria mais pesada, chamada de borra ou sedimento, ficava para trás.
Então, no segundo jarro, começava a fermentação secundária — outra fermentação. E, depois de quarenta dias, o vinho estava pronto. Obtinha-se o vinho.
Normalmente, mais uma vez, despejavam o vinho em odres para transportá-lo ou em jarros para armazená-lo.
Então, aqui lemos:
Moabe esteve descansado desde a sua mocidade,
e repousou sobre as suas borras.
Agora, o que isso significa?
Significa que, depois de Moabe ter sido esmagado no tanque, em vez de ser despejado em outro jarro para fermentar, foi simplesmente deixado no tanque para fermentar ali.
Em segundo lugar, depois de ter fermentado, em vez de ser transferido para outro jarro a fim de ser coado, continuou no tanque. A primeira e a segunda fermentação ocorreram no mesmo tanque.
Os sedimentos, as borras, nunca foram retirados. Ficaram no fundo do tanque. Na parte de cima, havia o suco puro, o vinho; no fundo, estavam os sedimentos, estavam as borras.
E ele simplesmente foi deixado ali. Nunca foi despejado de vaso para vaso. Foi deixado no tanque original.
E vocês sabem qual seria o resultado. Como as borras ainda estavam ali, aos poucos entrariam em decomposição. É muito fácil o vinho se deteriorar gradualmente e se transformar em vinagre, em vez de permanecer vinho.
Essa era a história. Moabe esteve descansado desde a sua mocidade. Desde o início, Moabe simplesmente permaneceu ali. Vivia bem. Estava em sua posição original. Simplesmente repousou sobre as suas borras.
Quando se olhava para ele, parecia vinho. Mas, no fundo, estavam as borras. As borras e o vinho permaneciam juntos, e havia um processo contínuo de deterioração, degeneração e corrupção.
O resultado foi:
Conservou o seu sabor,
e o seu aroma não se alterou.
Ele permaneceu como era.
O que significa “o seu sabor”? O que significa “o seu aroma não se alterou”? Ele era mais vinagre do que vinho.
Agora, queridos irmãos e irmãs, isso não explica algo dos caminhos de Deus? Não é verdade que, como filhos de Deus, muitas vezes ficamos perplexos diante de uma pergunta: por que aqueles que não creem, as pessoas do mundo, parecem viver tão bem?
Parece que Deus os está fazendo prosperar. Por que nós, os filhos de Deus, tantas vezes parecemos atravessar problemas, dificuldades e aflições? Por que Deus não pode nos dar dias de tranquilidade e conforto?
Posso colocar isso de outra maneira? Vocês acham que nós, como crentes, podemos nos dar ao luxo de viver sem dificuldades? Vocês acham que Deus permitirá que vivamos tranquilos o tempo todo?
Vocês querem ser Moabe ou querem ser Israel?
Se você for Moabe, Deus não Se ocupará de você. Ele permitirá que você repouse sobre as suas borras. Não Se importará se você se torna vinagre ou vinho.
Mas, se você for Israel, oh, Ele Se importa demais com você. Ele não pode permitir que você repouse sobre as suas borras. Precisa esvaziar você de vaso para vaso. Precisa mudar seu sabor e seu aroma. Precisa realizar a obra de transformação.
E a obra de transformação se realiza pelo esvaziamento; realiza-se quando somos despejados de vaso para vaso. O que vocês prefeririam?
Vocês escolheriam viver uma vida sem dificuldades? Sabem o que isso significa? Significa que Deus deixa vocês entregues a si mesmos.
Muitas vezes, em nosso desespero e em nossa incompreensão, quantas vezes murmuramos contra Deus e dizemos: “Deixa-me em paz. Não mexas tanto comigo. Não podes simplesmente me deixar em paz?”
Se Deus atender à sua oração, ai de você, porque será Moabe em vez de Israel.
Queridos irmãos e irmãs, há algo na Bíblia chamado a correção do Senhor. Essa correção do Senhor é um mistério e, no entanto, é uma necessidade.
Às vezes, pensamos que viver sem dificuldades é uma necessidade, mas Deus diz que é um luxo, e vocês não podem se dar a esse luxo. Se o fizerem, repousarão sobre as suas borras. Essa é a verdade.
A correção do Senhor, por outro lado, é uma necessidade.
Desde que vocês creram no Senhor Jesus, já experimentaram essa correção do Senhor, sendo despejados de vaso para vaso?
Sabem, quando o vinho é despejado de vaso para vaso, ele é purificado. É purificado das suas borras. Sim, sua quantidade diminui, mas isto é verdade: ele se torna um bom vinho, um vinho que pode satisfazer almas sedentas e famintas.
Vocês sabem por que, depois de crerem no Senhor Jesus, precisam ser tratados? Sabem por que Deus não os deixa em paz? Deus não permite que vocês se acomodem em si mesmos — em sua vida natural, sua energia natural, seu temperamento natural.
Aquilo que procede de vocês mesmos precisa ser derramado e purificado. Vocês entendem por que Deus faz todas essas coisas? Sabem que Ele tem em vista um bom vinho? Oh, se vocês soubessem disso, que diferença faria em sua vida cristã.
Olhem para um cristão. Se ele crê no Senhor Jesus há dez anos e, mesmo assim, parece que o Senhor não o tratou nem uma vez — oh, isso é impossível.
Se ele é filho de Deus, certamente o Pai celestial cuidará para que receba sua porção de correção.
Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes,
então sois bastardos e não filhos.— Hebreus 12:8
Se você é filho, o Pai certamente cuidará de você.
Mas suponha que haja um cristão que é cristão há dez ou vinte anos, e parece que nunca foi despejado, nunca foi corrigido. Isso é possível? O Pai Se esqueceu dele?
De modo algum. O Pai não Se esqueceu dele. Mas, quando a correção do Senhor lhe sobrevém, ele se rebela ou resiste.
Vocês se lembram desses preciosos versículos em Hebreus 12. Provavelmente devemos examiná-los. Hebreus 12, a partir de Hebreus 12:5.
E já vos esquecestes da exortação que vos admoesta como a filhos:
Filho meu, não desprezes a correção do Senhor,
nem desmaies quando por Ele és repreendido;
porque o Senhor corrige ao que ama,
e açoita a todo o que recebe por filho.É para disciplina que perseverais;
Deus vos trata como a filhos;
pois que filho há a quem o pai não corrige?
Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes,
então sois bastardos e não filhos.Além disso, tivemos nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam,
e nós os respeitávamos:
não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?
Porque aqueles, na verdade, por poucos dias nos corrigiam como bem lhes parecia;
mas Ele, para nosso proveito, para sermos participantes da Sua santidade.Toda disciplina, no momento, não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza;
depois, porém, produz fruto pacífico aos que por ela têm sido exercitados,
a saber, o fruto de justiça.— Hebreus 12:5-11
Quando a correção do Senhor nos sobrevém, muitas vezes assumimos uma atitude errada.
Às vezes, desprezamos a correção do Senhor. O que significa desprezar a correção do Senhor? Significa tratá-la como algo sem importância.
Você a considera apenas um acidente, um incidente. Pensa que não há significado algum naquilo; simplesmente aconteceu. Você não lhe dá atenção. Apenas deixa que venha e vá. Não vai ao Senhor para Lhe pedir que lhe ensine a lição.
Isso é desprezar a correção. Muitas vezes, mesmo nas famílias terrenas, vemos pais corrigindo seus filhos, e alguns filhos simplesmente desprezam a correção. “Você vai me bater? O quê? O quê? Não me importo. Não faz diferença.”
Quando uma criança assume essa atitude, todo o sentido da correção se perde. Você despreza a correção; nunca aprenderá a lição.
Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes, quando Deus começa a nos corrigir — e Ele o faz, sempre o faz; Ele não lhes dará o luxo de viver sem dificuldades —, vocês simplesmente desprezam a correção.
Sabem, ao desprezarem a correção de Deus, vocês desprezam a Deus. Não O levam a sério. E, ao fazerem isso, a correção perde o sentido.
Você pode ser cristão há dez ou vinte anos, e parece que nunca houve correção alguma. Não é porque não tenha havido, mas porque você a desprezou. Foi isso que aconteceu.
E algumas pessoas adotam a atitude oposta: sentem a correção de maneira excessivamente pesada.
Quando Deus começa a corrigir você, você desfalece sob a correção. Oh, você clama: “Deus, Deus, por que és tão duro e severo? Tu realmente me amas? Queres me levar à morte?” Você simplesmente desfalece sob a Sua correção.
Bem, se você faz isso, é claro que Deus não pode continuar a corrigi-lo, porque você torna isso impossível.
Queridos irmãos e irmãs, essas são as únicas duas maneiras de escapar da correção do Senhor, no que diz respeito aos filhos de Deus: uma é desprezá-la, e a outra é desfalecer sob ela.
Se você não é filho de Deus, Deus não Se ocupará de você.
Moabe esteve descansado desde a sua mocidade.
Deus permite que ele repouse sobre as suas borras.
Mas, se você é filho de Deus, Ele precisa cuidar de você. Precisa corrigi-lo. Precisa discipliná-lo. Precisa treiná-lo.
Se você despreza a correção do Senhor, escapa dela porque ela perde o sentido. Ou você desfalece todas as vezes, e isso também impede a correção.
Se vocês conhecem a Deus e a Sua vontade, queridos irmãos e irmãs, podem desprezar a correção? Certamente não desfalecerão sob a Sua correção.
Moabe esteve descansado desde a sua mocidade,
e repousou sobre as suas borras;
não foi trasvasado de vaso para vaso.
Sabem, queridos irmãos e irmãs, como crentes, como filhos de Deus, nossa vida é um esvaziamento contínuo; somos continuamente despejados. Deus nunca permitirá que repousemos sobre as nossas borras.
Há ocasiões em que Deus permite que vocês repousem, mas apenas temporariamente. Vocês repousaram, e as borras se separaram, porque agora é hora de coar. Então, vocês são despejados de vaso para vaso.
Mas vocês sabem como isso é difícil. Quando Deus começa a nos despejar de vaso para vaso, começamos a brigar com os vasos.
Oh, como brigamos com o nosso ambiente. Como brigamos com as pessoas. Como brigamos com os acontecimentos. Como brigamos com as coisas.
Agora, lembrem-se: todos esses são vasos. Não são nada em si mesmos. Deus organiza tudo. Deus organiza o ambiente de vocês. Deus coloca as pessoas ao seu redor. Deus ordena os acontecimentos.
Tudo o que chega até vocês e tudo o que os cerca é apenas um vaso. São instrumentos de Deus. Não são nada em si mesmos. Deus os está usando para purificar vocês.
Mas, quando estamos sendo despejados de um vaso para outro, brigamos com os vasos. Ficamos muito descontentes com o nosso ambiente. Lutamos contra as nossas circunstâncias. Começamos a entrar em conflito com as pessoas.
“Por que você me trata assim? Por que tem uma atitude tão ruim comigo? Por que me diz uma coisa dessas? Por quê, por quê, por quê?” E, ao brigarmos com os vasos Dele, perdemos de vista o verdadeiro sentido de tudo.
Não é o vaso; é o Pai Quem está despejando. O vaso não tem nada a ver com isso.
Lembro-me de que nosso irmão Nee certa vez usou uma ilustração. Se alguém vier e falar contra você, qual será a sua reação?
Suponha que um estranho apareça do meio dos arbustos, sem motivo algum. Ele se aproxima de você e começa a lhe bater ou a repreendê-lo. Qual será a sua reação?
Sua reação natural será revidar. Você sentirá que tudo aquilo é completamente absurdo. Simplesmente não conseguirá aceitar.
Mas suponha que a pessoa que vem repreendê-lo e lhe bater seja seu pai. Se você é filho do Pai, não pode responder a Ele como responderia a um estranho.
“Este é meu pai. Ele está me corrigindo.” Você não pode simplesmente tratá-lo como um estranho. A única coisa que pode fazer é se submeter — submeter-se a Ele.
Queridos irmãos e irmãs, vocês percebem que, em nossa vida cristã, é o Pai celestial Quem dispõe todos os nossos vasos? É o Pai celestial Quem nos despeja de um vaso para outro.
Deus não permite que você permaneça no mesmo ambiente a vida inteira. Deus mudará seu ambiente de tempos em tempos.
Deus nem sequer permite que você tenha sempre as mesmas pessoas por perto. Às vezes, Deus mudará as pessoas ao seu redor. Deus não permitirá que você enfrente sempre os mesmos acontecimentos. Os acontecimentos mudam.
Quando um vaso tiver cumprido sua função, Deus despejará você em outro. Agora, se aquele vaso não tiver cumprido sua função adequadamente, talvez você tenha de permanecer ali por mais tempo, até que ele a cumpra. Então Deus despejará você em outro vaso.
É o Pai celestial Quem despeja de vaso para vaso. Se é assim, você pode brigar com um vaso? Não há motivo para brigar. Tudo o que você pode fazer é se submeter a Deus.
Há uma grande diferença entre correção e punição.
Sabem, muitas vezes pensamos que Deus está nos punindo. Quando você se depara com acontecimentos desagradáveis, quando passa por alguma experiência triste, naturalmente pensa: “Agora Deus está me punindo”.
Essa ideia de punição é muito forte em nós. Sempre pensamos que Deus está nos punindo. Mas a Bíblia não diz isso.
Há uma grande diferença entre punição e correção. A punição apenas pune você por seus pecados e suas faltas. Ela lida com o passado, e nada mais.
Mas a correção lida com o seu passado tendo em vista um futuro promissor. Em outras palavras, a correção tem um propósito. Tem um propósito positivo.
A correção tem valor educativo. A punição não tem valor educativo.
No que diz respeito à lei do país, se um homem comete um crime, ele é punido. É colocado na cadeia, na prisão; é punido. Mas as pessoas começam a perceber que não há valor educativo nisso — ou, se houver algum efeito educativo, talvez apenas o torne pior.
Mas a correção tem valor educativo. A própria palavra correção significa que Deus está treinando você, treinando-o como uma criança para torná-lo um filho — alguém crescido, uma pessoa madura.
Há um valor positivo na correção, e é isso que está acontecendo.
Vocês percebem, queridos irmãos e irmãs, que o Pai celestial está corrigindo vocês?
Se vocês não estão sob a correção do Senhor, estão em uma posição extremamente perigosa. Por quê? Porque talvez nunca se tornem filhos maduros, crescidos em Deus. Permanecerão apenas crianças.
Mas, se hoje vocês ainda estão sob a mão corretiva do Senhor, são realmente abençoados. Deus acredita em vocês. Deus acredita que ainda pode fazer algo de vocês. Ele acredita que pode transformá-los em algo bom.
Qual deve ser a nossa atitude quando estamos sendo corrigidos, quando somos despejados de vaso para vaso? Nossa atitude deve ser esta: não resistir, não nos rebelar, mas aprender a nos submeter e a nos humilhar.
Quando o vinho é despejado de um vaso para outro, qual é o resultado? O resultado é a transformação.
O sabor original, o aroma original, tudo fica para trás com as borras. E surge um vinho novo, com um novo sabor.
Queridos irmãos e irmãs, é isso que Deus está fazendo conosco hoje. Ele está nos despejando de vaso para vaso. Está nos corrigindo. E, ao fazer isso, Ele nos purifica do nosso sabor e aroma originais e nos transforma, para que tenhamos o sabor de Cristo.
Vocês já imaginaram encontrar um cristão a cada dez anos? Qual é a impressão que ele lhes transmite? A impressão é esta: ele não mudou. Seu sabor continua o mesmo. Seu aroma é exatamente o mesmo.
Às vezes, ouvimos as pessoas dizerem: “Eu não mudei. Continuo sendo o que era”. Você talvez diga: “Bom menino! Um menino ainda melhor!” Mas, oh, muitos cristãos, depois de muitos anos, continuam sendo os mesmos em sua natureza.
Sua aparência exterior pode mudar, sua forma exterior pode mudar, mas seu sabor e seu aroma permanecem. Essas são duas coisas muito difíceis de encobrir.
Você pode mudar a cor. Pode mudar a aparência. Mas o sabor continua ali. Se as pessoas provarem, saberão o que é. Ou, se sentirem o cheiro, ainda será o mesmo aroma.
Você não pode esconder sua vida natural ou sua energia natural. Talvez você seja muito esperto, e sua esperteza permanece. Se é teimoso, continua teimoso. Se tem uma vontade forte, continua tendo uma vontade forte.
Aquilo que você era em si mesmo permanece com você e se torna a impressão que transmite às pessoas, mesmo depois de muitos anos.
Oh, irmãos e irmãs, se isso acontecer, prova que vocês repousaram sobre as suas borras. Não foram despejados de vaso para vaso.
Isso mostra que lhes falta a disciplina do Senhor. Sem a correção do Senhor, vocês continuam sendo o que eram. Têm o mesmo sabor; têm o mesmo cheiro.
Como todas essas coisas podem ser mudadas? Somente pelo processo contínuo de esvaziamento e transformação.
Depois de serem despejados de vaso para vaso, o resultado é que o sabor é Cristo. É isso que a Bíblia quer dizer quando afirma que estamos sendo feitos participantes da natureza divina.
É a isso que a correção nos conduz: à santidade. Isto é, somos separados. É Deus Quem incorpora Cristo em nós.
Queridos irmãos e irmãs, vocês querem ser Moabe? Se conhecem o pensamento de Deus e a vontade de Deus, preferirão ser Israel a ser Moabe.
Preferirão ser aqueles que estão sendo esvaziados de vaso para vaso, porque Cristo será visto e ouvido em vocês.
Aplicamos isso a nós individualmente, e essa aplicação é verdadeira. Como indivíduos, precisamos ser despejados de vaso para vaso para nos tornarmos um bom vinho, um vinho novo.
Mas, sabem, nesse mesmo versículo, isso também se aplica coletivamente, porque Moabe aqui não é um indivíduo. Moabe aqui é uma nação.
Irmãos e irmãs, Deus precisa nos corrigir e nos levar de vaso para vaso para nos tornar vinho novo, não apenas individualmente, mas também coletivamente, na igreja.
Vocês percebem que, na formação da igreja, há esse contínuo passar de vaso para vaso?
Quantas vezes desejamos ter uma igreja tranquila. Oh, se pudéssemos simplesmente nos acomodar, estar contentes, estar felizes com o que Deus já nos deu — se pudéssemos apenas continuar assim, vivendo dias felizes, como seria bom.
Mas, queridos irmãos e irmãs, Deus não pode nos conceder esse luxo. Não pensem que, no que diz respeito à igreja, viver sem dificuldades é algo bom. Não é.
O luxo de viver sem dificuldades não é a nossa porção. Deus precisa conduzir toda a igreja para dentro de Cristo. Deus precisa esvaziar a igreja de vaso para vaso.
Deus precisa permitir que encontremos novas pessoas. Deus precisa permitir que entremos em novos ambientes. Deus precisa permitir que novos acontecimentos venham. Deus precisa permitir que passemos por todas essas coisas. Com que propósito?
Porque Ele receia que nos acomodemos. Se repousarmos sobre as nossas borras, o sabor e o aroma serão nossos, não de Cristo.
A igreja precisa transmitir o sabor de Cristo. A igreja precisa ser o testemunho da vida de Cristo. E a única maneira de essa transformação acontecer no povo de Deus é por meio desse despejar de vaso para vaso.
Às vezes, desprezamos isso. Em outras ocasiões, desfalecemos. Lutamos. Não sabemos nos submeter sob a poderosa mão de Deus e deixar Deus trabalhar.
Cada vaso é necessário. Cada transferência é necessária. Tudo isso é para tornar a igreja um vinho novo que possa não apenas satisfazer almas sedentas, mas também satisfazer o coração de Deus.
Irmãos e irmãs, isso explica um pouco do que Deus tem permitido que Seu povo atravesse?
Às vezes, vocês admiram uma vida tranquila. Admiram aquela vida de igreja pacífica, sossegada. Mas Deus os ama demais para permitir que tenham esse luxo. Ele precisa nos conduzir por esse processo repetidas vezes.
Se não formos retirados daquela situação, se repousarmos sobre as nossas borras, qual será o resultado? A fermentação continuará além do tempo adequado. O resultado final: nós nos tornaremos vinagre, não vinho.
Vocês já beberam vinagre? Já provaram vinagre? Já sentiram o cheiro de vinagre? Ele não é doce; é azedo.
Quantos cristãos hoje, quantas igrejas entre o povo de Deus podem se tornar tão azedos. A razão é que procuram preservar a si mesmos, em vez de permitir que Deus os despeje de vaso para vaso.
Portanto, que o Senhor tenha misericórdia de nós. Que essa metáfora nos sirva de advertência.
Moabe esteve descansado desde a sua mocidade,
e repousou sobre as suas borras;
não foi trasvasado de vaso para vaso,
nem foi para o cativeiro:
por isso, conservou o seu sabor,
e o seu aroma não se alterou.— Jeremias 48:11
Ó Pai celestial, oramos para que Tu nos mostres o Teu caminho. Pedimos que possamos Te adorar em silêncio. Oramos para que possamos compreender o que tens feito conosco desde o princípio e o que estás fazendo conosco agora.
Oramos para que não admiremos aquela vida de tranquilidade e paz a ponto de não permitirmos que Tu trabalhes. Mas oramos para que possamos nos humilhar e acolher a Tua obra em nós.
Oh, estamos sendo esvaziados. Retira de nós o nosso sabor e aroma originais. Torna-nos verdadeiramente vinho novo.
Nós nos entregamos a Ti.