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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Threshing Floor of Ornan © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Threshing Floor of Ornan
    The Threshing Floor of Ornan
    Austin-Sparks, T.

    A eira como lugar de discernimento divino

    Vocês poderiam abrir em algumas passagens da Palavra?

    Primeiramente, no Evangelho de Mateus, em Mateus 3:12:

    Sua pá está em Sua mão, e Ele limpará completamente a Sua eira;
    e recolherá o Seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha com fogo inextinguível.

    Voltando ao Antigo Testamento, ao segundo livro de Samuel, em 2 Samuel 6:6-7:

    E, chegando eles à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus e segurou-a; porque os bois tropeçaram.
    E a ira do Senhor se acendeu contra Uzá; e Deus o feriu ali por seu erro; e ali morreu junto à arca de Deus.

    No primeiro livro de Crônicas, em 1 Crônicas 21:15:

    E Deus enviou um anjo a Jerusalém para a destruir: e, estando ele prestes a destruí-la, o Senhor olhou e arrependeu-Se daquele mal, e disse ao anjo destruidor: Basta; agora retira a tua mão.
    E o anjo do Senhor estava junto à eira de Araúna, o jebuseu.

    Na profecia de Jeremias, em Jeremias 23:28:

    O profeta que tem um sonho, conte o sonho;
    e aquele que tem a Minha palavra, fale a Minha palavra fielmente.
    Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor.

    Momentos decisivos na eira

    É impressionante que tantos momentos decisivos, ou crises, na Bíblia tenham como cenário uma eira. Observamos um ou dois desses casos, e foram momentos decisivos.

    Como vocês sabem, no primeiro caso, Davi estava sendo conduzido ao trono segundo a Palavra do Senhor e a unção. Ele estava subindo para Jerusalém. Saul havia morrido, e Davi levaria a arca do Senhor para Jerusalém.

    Era um momento decisivo, de importância vital, na história do agir de Deus com o Seu povo. No segundo caso, o templo estava prestes a surgir. Aquela grande representação simbólica da casa de Deus estava agora imediatamente em vista.

    E tudo girava em torno dessa eira, pois a eira de Araúna tornou-se o local do templo. Um desenvolvimento muito significativo no agir de Deus.

    No caso da passagem de Jeremias, trata-se de uma crise tremenda, porque é a condenação dos falsos profetas que haviam desviado tanto o povo de Deus que tornaram necessários o seu exílio e o seu cativeiro.

    O Senhor chama a palavra deles de palha e estabelece essa grande distinção por meio desta pergunta:

    Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor.

    É um grande momento decisivo na vida espiritual do povo de Deus. Tudo isso chega à eira.

    O discernimento entre o verdadeiro e o falso

    Conhecemos o propósito geral e o funcionamento da eira ou, como se usa hoje, de uma máquina de debulhar. Sabemos o que isso significa e o que representa.

    Em primeiro lugar, isso fala de discernimento e separação: discernimento entre o verdadeiro e o falso, a ação de separar essas duas coisas.

    Vocês olham para todas essas passagens que mencionamos e veem que é isso que está em vista: fazer essa distinção necessária entre o que é verdadeiro e o que não é verdadeiro; entre aquilo que de fato é e aquilo que não é.

    E, ao fazer essa distinção, colocar as coisas em seu devido lugar, em sua categoria correta: aquilo pertence lá, e isto pertence aqui. Essas duas coisas são inteiramente diferentes; pertencem a duas esferas distintas.

    Essa é a primeira ação e o primeiro significado da debulha. É tratar de toda essa questão da diferença entre aquilo que parece ser, mas não é, e aquilo que realmente é.

    Vocês poderiam escrever sobre a porta de qualquer eira ou lugar de debulha, ou gravar em qualquer instrumento de debulhar, uma única palavra. Deus a gravaria: realidade. Realidade.

    Esse é o efeito: assegurar a realidade, estabelecer a realidade e libertar a realidade de todo fingimento e de toda falsidade; distinguir entre a aparência — aquilo que parece ser, mas não é — e a realidade; entre o que é meramente exterior e o que é realmente interior.

    É isso que acontece numa eira. Ou, ainda, trata-se da distinção entre aquilo que é simplesmente frágil e não será capaz de resistir a nenhum vento contrário, e aquilo que é sólido e suporta a prova.

    Porque, no Oriente, até os dias de hoje, a debulha é feita de maneira muito simples. A eira fica numa posição em que há uma corrente de ar, onde o vento sopra, ou onde se pode produzir vento — um espaço aberto, exposto às intempéries.

    Então, com essa pá simples, semelhante a um batedor de tapetes com dentes, bate-se em tudo aquilo e lança-se tudo ao ar. A palha vai embora com o vento, e o grão sólido permanece no chão.

    Agora, é claro, os métodos modernos são diferentes, mas o efeito é o mesmo: deixar ir aquilo que não consegue resistir às intempéries e preservar aquilo que é sólido.

    Queridos amigos, que o Senhor faça o Seu vento soprar sobre todos nós.

    A provação necessária da debulha

    A debulha não é algo suave e delicado. Pode ser muito dura, surpreendentemente cruel; mas todos vocês concordam que ela é muito necessária.

    Suponham que aquilo que vocês comem, feito de trigo, nunca tivesse sido separado da palha. Haveria muita reclamação com o comerciante. De fato, vocês reclamariam: “Por que isso não foi debulhado adequadamente? Por que deixaram que isso chegasse assim?”

    Ah, sim, todos nós concordamos que é algo muito necessário. É essencial. Mas é algo duro; é algo doloroso — esse bater para separar, esse expor às intempéries, esse levar embora tanta coisa, esse reduzir tudo à realidade sólida.

    É duro, mas diremos: “É certo. É necessário”. Sabemos, sabemos mesmo, que há muita coisa em nós que não pode ser aceita por Deus, que não pode permanecer. Não queremos que permaneça; queremos que vá embora.

    Mas sabemos que há muita coisa que é mera palha em nossa vida — talvez fingimento, aparência, fragilidade, irrealidade. Não sabemos o quanto isso é verdade até chegarmos à eira divina e começarmos a descobrir quanta realidade existe em nós.

    Às vezes nos perguntamos se vai sobrar alguma coisa. É isso: o Senhor sabe. O Senhor sabe.

    De tempos em tempos, isso é muito necessário para nós individualmente e para nós como uma comunidade do povo do Senhor. É algo recorrente — assim como acontece ano após ano, todos os anos, na natureza. De tempos em tempos, o Senhor leva tudo à eira.

    Ali, por meio de uma provação — uma provação dolorosa —, Ele começa a ir ao cerne dessa questão da realidade.

    Muitas perguntas começam a surgir. Como chegamos à posição em que estamos? Há uma base ou um fundamento sólido para a nossa posição? Quanto daquilo que pensamos ter nós realmente temos?

    Quanto de tudo o que recebemos de ensino, e de outras coisas, é de fato a nossa própria vida e é capaz de nos sustentar nos tempos de adversidade? A adversidade é permitida para revelar isso — para revelar isso.

    Mas, qualquer que seja o efeito, ou por mais numerosos que sejam os efeitos, Deus busca uma coisa, e nós concordaremos com Ele: tudo precisa ser real, cem por cento real.

    Não envolto em alguma casca de mera profissão de fé, fingimento, irrealidade, mera forma, mero ensino pelo ensino — nada disso. Pode ser um grão pequeno, mas é um grão; é real. O Senhor está reduzindo tudo a isso.

    Por isso se diz do Senhor Jesus, em Mateus 3:12:

    Sua pá está em Sua mão, e Ele limpará completamente a Sua eira.

    Nesses casos que citamos, é muito evidente que havia essa confusão e essa mistura de coisas que o Senhor não iria tolerar.

    Assim, mais uma vez, é impressionante que as questões tenham sido resolvidas na eira.

    A arca de Deus e a rejeição dos métodos mundanos

    Vejam essa questão de levar a arca para Jerusalém: levar o testemunho ao lugar divinamente escolhido e designado; levá-lo ao fim de sua jornada e estabelecê-lo. Prestem atenção a tudo isso. O testemunho de Deus onde deveria estar, e ali estabelecido, de modo que pudessem retirar os varais — os símbolos do avanço — e chegar à conclusão dessa questão.

    Davi tenta levar a arca para Jerusalém. Mas Davi, como nos foi dito na semana passada, havia passado algum tempo — alguns meses — no território dos filisteus por ter falhado na fé. Falhado na fé.

    Davi disse:

    Um dia perecerei pela mão de Saul.
    É melhor para mim escapar para os filisteus.

    Embora ungido, ele sucumbiu à pressão, foi morar na terra dos filisteus e ali viu como os filisteus faziam as coisas.

    Entre as muitas coisas que os filisteus faziam estava a fabricação de carros, de máquinas. Quando capturaram a arca, depois de tanto sofrer por causa dela, acabaram por devolvê-la. Fizeram um carro novo e colocaram a arca sobre ele.

    Davi conhecia um pouco do aparato dos filisteus — os caminhos do mundo. Ele voltou e, quando quis levar a arca para Jerusalém, fez um carro novo e colocou a arca sobre ele. Consequências desastrosas.

    Sabemos que, por fim, essa distinção atingiu o seu coração quando ele examinou a Palavra de Deus, e finalmente disse:

    Os levitas devem levar a arca de Deus.

    A diferença está entre um mero dispositivo mecânico — aparato mundano, métodos mundanos, organização segundo os padrões comerciais deste mundo — e homens vivos: levitas vivos, cuja própria origem está no sangue.

    Aqui está o sangue. Aqui está o sangue.

    A vida está no sangue.

    Homens cujo próprio serviço se fundamenta no sangue: homens vivos que, pelo sangue, são separados de toda aquela maneira natural de proceder, circuncidados pela cruz de Jesus Cristo.

    Deus é muito rigoroso quanto aos Seus princípios espirituais em todas as épocas. Portanto, quando chegaram à eira de Nacom, não foi de admirar que os bois tropeçassem.

    Tudo entrou em colapso. A procissão foi interrompida. A arca foi desviada do caminho por muitos meses. Permaneceu ali até que a lição fosse aprendida:

    Que tem a palha com o trigo?

    O Senhor não aceitará esse tipo de coisa — uma mistura do mundo na vida do Seu povo, os métodos deste mundo, mero aparato para levar adiante o Seu testemunho. Não. Tudo ficará paralisado até que tenhamos estabelecido esse princípio.

    O testemunho de Deus precisa estar na vida de homens vivos. Homens vivos. Toda pessoa ligada a esse testemunho de Deus precisa estar ligada a ele pessoalmente, de maneira viva.

    Outra coisa, é claro, surge disso: Uzá estendeu a mão e segurou a arca. Amigos, pode ser fatal tornar-se familiar demais com as coisas santas.

    Pode ser desastroso que essas coisas santas e sagradas de Deus se tornem comuns, banais — algo de que vocês e eu possamos assumir o controle e manipular, mantendo esse tipo de familiaridade.

    Bem, Israel aprendeu que não se pode fazer isso. Todo o Israel agora sabia: não se pode fazer isso. Parece duro, não é? Não gostamos de falar dessa maneira, mas, vejam, uma eira é assim. O que é necessário é necessário.

    Mais tarde, a arca está em Jerusalém, sobre bases corretas, por métodos e meios corretos, e agora tudo está estabelecido. Israel desfruta de bênção e prosperidade, crescendo e se expandindo.

    A dependência de Deus e o julgamento do orgulho

    Está escrito que Satanás se levantou contra Israel com o objetivo de destruir Israel, de destruir o testemunho. E como ele fez isso? Incitou Davi a contar o povo.

    O que isso significava? Ah, Davi realizar um censo para dizer: “Que nação maravilhosamente grande nós temos. Eu sou rei de um povo assim. Olhem para isto! Olhem para esta coisa maravilhosa!”

    Vocês quase podem ouvir Nabucodonosor dizendo:

    Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?

    Isso remonta àquele tempo anterior às eras, quando foi dito:

    Exaltarei o meu trono acima das nuvens.

    O orgulho da exaltação de si mesmo, o orgulho da satisfação de si mesmo, a vanglória nas coisas — exatamente o contrário de uma dependência de Deus humilde, mansa e consciente.

    Por maior que algo tenha se tornado, por mais que tenha se expandido, por mais bênçãos que Deus conceda, nunca percam o senso profundo, muito profundo, de absoluta dependência Dele. O orgulho é a personificação da independência em relação a Deus.

    Deus não aceitará isso. Se Ele expulsou Satanás do céu por esse motivo, não permitirá que um homem na terra seja governado por esse espírito.

    E assim aquela praga terrível, terrível, percorreu a terra, ceifando milhares de pessoas, reduzindo tudo aquilo. O momento decisivo ocorreu na eira de Araúna.

    Vejam, é o julgamento da carne — a carne orgulhosa, independente, que se gloria nas coisas. Quando isso é resolvido, então se abre um caminho para a casa de Deus, porque a casa de Deus não pode conter nada disso.

    Ela é o lugar da dependência de Deus, a expressão concreta — a casa — da mansidão de Jesus Cristo. A eira de Araúna resolve essa questão.

    O Senhor de fato nos leva à eira se, em algum momento, corremos o risco de nos vangloriar das coisas e de deixar de depender Dele de modo pleno, absoluto e consciente.

    Nenhum orgulho pode entrar na casa de Deus. Todos nós concordamos com isso. Portanto, a eira precisa tratar de qualquer coisa dessa natureza.

    O propósito positivo da provação divina

    Bem, creio que vocês percebem, por esses casos e ilustrações — e eles poderiam ser aplicados a muitas outras áreas —, que precisamos ver, de tempos em tempos, pela Palavra de Deus, como o Senhor interveio repetidas vezes e disse: “Olhem aqui, estamos ficando um pouco confusos. Estamos misturando as coisas”.

    “As coisas não estão tão claras, transparentes e sem mistura como Eu gostaria que estivessem. Precisamos fazer alguma coisa a respeito.” E então Ele faz os Seus ventos soprarem.

    São ventos muito, muito devastadores — devastadores para tudo o que não é de Deus, mas que contribuem para aquela obra profunda e verdadeira de Deus.

    O Senhor nunca age com um propósito destrutivo ou negativo. Ele sempre visa ao positivo. Vocês estão passando por um tempo difícil; estão na eira, e o Senhor parece estar tratando de muita coisa. Vocês começam a se perguntar se vai sobrar alguma coisa.

    Lembrem-se de que o Senhor não está buscando a destruição de vocês, a sua aniquilação, acabar com tudo. O Senhor está buscando algo sólido: estabelecer vocês, obter de fato aquilo que resistirá até o fim.

    Ah, esse é o ponto de diferença. O Senhor está buscando aquilo que resistirá, que permanecerá; está removendo tudo aquilo que não resistirá nem permanecerá.

    Seja como for, todos nós já passamos por esse caminho. Vocês aprenderam muita coisa, talvez desde o nascimento — nasceram num ambiente cristão, talvez num lar cristão; receberam muito pelo contato com as coisas cristãs. Talvez tenham entrado num ambiente de muito ensino cristão — tudo isso.

    Mas isso não significa que tudo seja realmente verdadeiro e esteja dentro de vocês só por causa disso. O Senhor vai pôr isso à prova de tempos em tempos. É uma obra muito necessária.

    Aqui está: somente aquilo que realmente não tem valor será destruído.

    O trigo Ele recolherá ao Seu celeiro.

    Ele está buscando trigo. É isso que Ele está buscando: ter em vocês e em mim aquilo que permanece.

    Que tenhamos graça. Ele não nos manterá para sempre na eira. Como diz Isaías, em Isaías 28:28:

    O grão de que se faz o pão é triturado;
    ele não o estará debulhando para sempre.

    Quando passamos por tempos assim, eles parecem se prolongar muito, eu sei. Ficamos nos perguntando se algum dia sairemos da eira. Mas, na ordem da natureza, isso é apenas uma parte de todo o ciclo dos anos.

    E, na graça de Deus, isso tem o seu lugar; tem o seu tempo. Se cumprir o seu propósito, passará. Pode voltar mais tarde, quando for necessário, mas a debulha não continuará para sempre.

    Vamos orar?