Mas vos faço conhecer, irmãos, as boas-novas que vos anunciei, as quais também recebestes e nas quais também permaneceis;
pelas quais também sois salvos, se retiverdes a palavra que vos anunciei como boas-novas, a menos que tenhais crido em vão.
Pois vos entreguei, antes de tudo, aquilo que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;
e que foi sepultado; e que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras;
e que apareceu a Cefas; depois, aos doze.
Depois, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria permanece até agora, mas alguns também adormeceram.
Depois, apareceu a Tiago; depois, a todos os apóstolos;
e, por último, como a um abortivo, apareceu também a mim.
Pois eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a assembleia de Deus.
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e Sua graça para comigo não foi vã, mas trabalhei mais abundantemente do que todos eles; contudo, não eu, mas a graça de Deus que estava comigo.
Portanto, quer seja eu, quer sejam eles, assim pregamos, e assim crestes.
Compus o primeiro relato, ó Teófilo, acerca de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar,
até o dia em que, tendo dado, pelo Espírito Santo, instruções aos apóstolos que escolhera, foi elevado;
aos quais também Se apresentou vivo, depois de haver padecido, com muitas provas, sendo visto por eles durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.
E, estando reunido com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas aguardassem a promessa do Pai, a qual, disse Ele, de Mim ouvistes.
Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muitos dias depois destes.
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque és Tu Quem nos tem atraído. És Tu Quem nos abriu um caminho até Ti.
Nós nos aproximamos em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e sabemos que estamos em Tua presença. Este é um lugar santo. Desejamos tirar os nossos sapatos e esperar em Ti, ouvir o que tens a nos dizer. Fala, Senhor; os Teus servos ouvem. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém.
Há algum tempo, temos considerado a vida do nosso Senhor Jesus. Cremos que é a vontade de Deus, o prazer do Pai, que nos concentremos em Seu Filho. Assim, nesta manhã, continuaremos a considerar a vida do nosso Senhor Jesus, tratando de Suas aparições após a ressurreição e antes da ascensão.
O apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 15:1-11, nos diz que anunciou aos irmãos aquilo que havia recebido do Senhor e lhes transmitiu, antes de tudo — isto é, como de primeira importância —, as seguintes coisas:
Em outras palavras, aqui vocês encontram quatro coisas importantes: Sua morte, Seu sepultamento, Sua ressurreição e Suas aparições. Paulo disse que é sobre essas coisas que permanecemos firmes. Este é o evangelho. Estas são as boas-novas sobre as quais permanecemos firmes e pelas quais somos salvos.
Sua morte é essencial à nossa salvação porque Ele levou nossos pecados em Seu próprio corpo. Recebemos o perdão dos nossos pecados pela morte do nosso Senhor Jesus na cruz.
Seu sepultamento é essencial porque, por meio dele, nosso velho homem chegou ao fim e foi sepultado, ficando fora de vista. Sua ressurreição é importante porque, por meio dela, Ele nos dá uma nova vida. E Suas aparições são importantes porque, por meio delas, Ele nos mostra uma nova maneira de viver.
Sua morte foi segundo as Escrituras; Sua ressurreição foi segundo as Escrituras. Seu sepultamento confirma Sua morte, e Suas aparições confirmam Sua ressurreição. Agora, irmãos e irmãs, nessas quatro coisas temos os elementos essenciais do evangelho, o fundamento sobre o qual permanecemos firmes.
Creio que conhecemos mais ou menos Sua morte, Seu sepultamento e Sua ressurreição, embora ainda haja muito mais que precisamos conhecer. Mas é como se negligenciássemos completamente Suas aparições. Não damos muita importância a elas, e, no entanto, Paulo nos diz que essas são as quatro coisas importantes que constituem nossas boas-novas.
Assim, nesta manhã, gostaríamos de concentrar nossa meditação nas aparições do nosso Senhor Jesus.
Nosso Senhor Jesus foi ressuscitado dentre os mortos ao terceiro dia, mas não ascendeu publicamente a Deus de imediato. Entre Sua ressurreição e Sua ascensão pública, houve quarenta dias.
Isso não significa que, durante aqueles quarenta dias, Ele nunca tenha ascendido. É verdade que, quando apareceu pela primeira vez a Maria Madalena, Ele disse:
Não Me toques, porque ainda não subi para Meu Pai.
No entanto, pouco tempo depois, permitiu que as outras mulheres tocassem Seus pés. Portanto, temos certeza de que Ele deve ter ascendido durante esse breve intervalo, embora Sua ascensão pública só tenha acontecido quarenta dias depois.
Na verdade, na ressurreição não existe limitação de tempo ou espaço. Quando nosso Senhor estava em Seu corpo físico, Ele era limitado pelo tempo e pelo espaço, como todos nós. Se estava em Jerusalém, não estava na Galileia.
Ele nasceu em Nazaré e, quando chegou à maturidade, viajou por vários lugares para pregar o evangelho. Ele estava sujeito às limitações de tempo e espaço. Mas, depois de ressuscitado, assumiu um corpo espiritual. Em outras palavras, agora Ele está no Espírito.
Ele transcendeu o tempo e o espaço. Já não está limitado pelo tempo ou pelo espaço. Ele está em toda parte. Está sempre presente.
Um irmão disse certa vez que, na ressurreição do nosso Senhor Jesus, já não se trata de ir e vir; trata-se simplesmente de aparecer e desaparecer. Em outras palavras, é apenas uma questão de ser visto ou não ser visto.
Ele está sempre aqui. Ele está vivo e vive para todo o sempre. Mas, se você tem fé, você O vê. Se não tem fé, não O vê. Isso, porém, não significa que Ele não esteja aqui, porque Ele está em toda parte. Ele vive eternamente, vive para sempre. Isso é ressurreição.
E, no entanto, durante quarenta dias, Ele apareceu aos Seus discípulos antes de Sua ascensão pública. Nas Escrituras, o número quarenta tem um significado muito especial. Sempre que vocês encontram o número quarenta, sabem que ele simboliza provação. É um período de prova.
A primeira menção a quarenta dias e quarenta noites está em Gênesis 7:12: a chuva caiu durante quarenta dias e quarenta noites no dilúvio. Moisés subiu ao monte para receber os Dez Mandamentos e o modelo do tabernáculo. Permaneceu ali quarenta dias e quarenta noites. Depois, após as duas tábuas terem sido quebradas, subiu novamente por quarenta dias e quarenta noites e recebeu de novo os Dez Mandamentos.
Lembramo-nos dos espias que foram explorar a terra durante quarenta dias. Lembramo-nos de Elias: sustentado pelo alimento celestial, caminhou quarenta dias até o monte Sinai. E lembramo-nos de Jonas, que foi a Nínive e disse:
Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída.
Nosso Senhor Jesus esteve no deserto durante quarenta dias e quarenta noites, sendo tentado e vencendo. Aqui vemos que, depois de ter sido ressuscitado dentre os mortos, Ele apareceu aos Seus discípulos durante aqueles quarenta dias.
Portanto, vemos aqui um período de prova. Ele está provando Seus discípulos. Está conduzindo-os daquilo que é físico para aquilo que é espiritual, daquilo que é terreno para aquilo que é celestial.
Pelo que sabemos da Palavra de Deus, Ele apareceu diversas vezes durante aqueles quarenta dias.
Imediatamente depois de ter sido ressuscitado dentre os mortos, Ele apareceu a Maria Madalena, por causa do intenso amor dela pelo Senhor. Sua mensagem a ela foi:
Não Me toques; ainda não subi para Meu Pai.
Mas vai, dize a Meus irmãos que subo para Meu Pai e vosso Pai, e Meu Deus e vosso Deus.
Logo depois, Ele encontrou as outras mulheres — Maria, mãe de Tiago, Salomé e Joana — e permitiu que tocassem Seus pés. Ele disse:
Não temais. Ide e dizei a Meus irmãos que Me vejam na Galileia, como antes lhes disse.
Vocês se lembram de dois discípulos. Estavam tão decepcionados, tão perplexos, que saíram de Jerusalém a caminho de Emaús. Um deles era Cleopas. Enquanto conversavam sobre o que havia acontecido em Jerusalém, Jesus caminhou com eles, mas eles não O reconheceram.
Como nosso Senhor Jesus lhes abriu o entendimento das Escrituras! Quando nosso Senhor lhes explicou as Escrituras a respeito de Si mesmo, como o coração deles se aqueceu! Depois que chegaram a Emaús, insistiram para que nosso Senhor Jesus ficasse com eles. Durante a ceia, o Senhor partiu o pão, abençoou-o e o deu a eles. Seus olhos foram abertos, e reconheceram o Senhor; mas Ele desapareceu.
Eles voltaram para Jerusalém. Quando chegaram à casa onde os outros apóstolos e os demais estavam reunidos, disseram:
O Senhor apareceu a Simão.
Não sabemos o que aconteceu durante aquela aparição. Foi algo tão particular que não ficou registrado. Mas creio que, naquela aparição, nosso Senhor restaurou Pedro completamente.
Enquanto conversavam, de repente o Senhor apareceu e disse:
Paz seja convosco.
E lhes mostrou Suas mãos e Seus pés. Soprou sobre eles e disse:
Recebei o Espírito Santo.
Tomé não estava ali. Tomé disse: “Se eu não puser meu dedo em Suas feridas, não crerei”. Uma semana depois, à noite, Tomé estava presente, e de repente o Senhor apareceu, embora as portas estivessem fechadas. Seu corpo espiritual não está limitado pelo tempo, pelo espaço ou pelas coisas materiais.
O Senhor apareceu a eles e disse a Tomé:
Aqui estão Minhas mãos. Põe aqui o teu dedo e vê.
E Tomé disse:
Meu Senhor e meu Deus.
Em João 21:1-3, lemos que sete discípulos, apóstolos, estavam na Galileia. Pedro disse: “Vou pescar. Não tenho nada para fazer. Vou pescar”. Os outros disseram: “Vamos com você”.
Foram pescar, mas não apanharam nada durante toda a noite. Pela manhã, nosso Senhor estava na praia e perguntou:
Filhos, tendes alguma coisa para comer?
Responderam: “Não”. O Senhor disse:
Lançai a vossa rede.
Então apanharam todos aqueles peixes.
João disse:
É o Senhor.
A princípio, não conseguiram reconhecê-Lo, mas João compreendeu. Pedro se lançou na água e foi até o Senhor.
Ali vemos que nosso Senhor Jesus perguntou três vezes a Pedro: “Você Me ama mais do que estes? Você Me ama? Você realmente tem afeição por Mim?”. Creio que, durante aquela aparição, o Senhor restaurou Pedro diante de seus companheiros e o comissionou a pastorear Suas ovelhas.
Lemos que, certa vez, nosso Senhor apareceu a mais de quinhentos irmãos. Pessoalmente, creio que deve ter sido no monte da Galileia, onde o Senhor havia dito que os encontraria. Eles foram à Galileia, àquele monte, e o Senhor os encontrou. Foi ali que o Senhor lhes deu a Grande Comissão, como encontramos em Mateus 28:16-20.
Depois disso, o Senhor apareceu a Tiago, Seu irmão segundo a carne. Vocês se lembram de que Seus irmãos segundo a carne não criam Nele antes de Sua morte. Mas, depois de Sua crucificação, Seu sepultamento, Sua ressurreição e Sua aparição a Tiago, toda a família se voltou para o Senhor.
Depois, Ele apareceu aos apóstolos. Creio que isso se refere ao monte das Oliveiras, quando nosso Senhor Jesus ascendeu do meio deles. Cento e vinte crentes O viram ascender e receberam a ordem de voltar para Jerusalém e esperar a promessa do Pai, para que recebessem poder do alto e fossem Suas testemunhas desde Jerusalém até a Judeia, Samaria e os confins da terra.
Essas são as aparições registradas do nosso Senhor Jesus durante aqueles quarenta dias. Naturalmente, Paulo, ao escrever, disse:
Por último, apareceu também a mim.
Paulo era como alguém nascido fora do tempo, pois não era digno de ser apóstolo; e, no entanto, o Senhor apareceu a ele.
Esses são os fatos de Suas aparições. Irmãos e irmãs, o que Ele fez durante esses quarenta dias de aparições? O que ensinou durante esses quarenta dias? Por que esses quarenta dias são importantes para nós hoje?
Em primeiro lugar, creio que Suas aparições tiveram o propósito de revitalizar a fé de Seus discípulos.
Quando nosso Senhor Jesus foi preso, Seus discípulos se dispersaram. Depois que Ele foi crucificado e sepultado, eles estavam de luto e com medo. Trancaram-se dentro de casa. Mesmo quando as mulheres lhes trouxeram a notícia de que o Senhor havia ressuscitado, eles não conseguiram acreditar.
Estavam chorando, de luto, com medo e em incredulidade. Sua fé havia sido abalada; estava vacilante, fraca. Foi necessário que o Senhor aparecesse para revitalizar sua fé.
Hoje, quando falamos de ressurreição, provavelmente não temos o mesmo sentimento que os discípulos daquela época. A ressurreição do nosso Senhor Jesus é o primeiro caso de verdadeira ressurreição. Embora no Antigo Testamento algumas pessoas tenham sido levantadas dentre os mortos, e no Novo Testamento nosso Senhor Jesus tenha levantado pessoas dentre os mortos, aquelas não foram verdadeiras ressurreições.
Aqueles que foram levantados dentre os mortos ainda estavam em seus corpos mortais e morreram novamente depois. Mas, no caso do nosso Senhor Jesus, Sua ressurreição é o primeiro caso de verdadeira ressurreição.
O que é ressurreição? Ressurreição é entrar na morte, vencer a morte, sair da morte e viver para todo o sempre. Isso é ressurreição.
Nosso Senhor Jesus é o Primeiro que foi capaz de entrar na morte, despojar a morte de seu poder, sair da morte e viver para sempre. Nunca antes algo assim havia acontecido.
Portanto, não podemos culpar os discípulos. Eles simplesmente não conseguiam acreditar que nosso Senhor Jesus havia sido ressuscitado dentre os mortos. Foi necessária a aparição do nosso Senhor Jesus para convencê-los de que Sua ressurreição era real.
Embora Ele pudesse atravessar paredes, Sua ressurreição era real. Ele é real. Não é um fantasma, nem um espírito, mas uma Pessoa real. Ele tem carne e ossos, mas não carne e ossos materiais. Ele não tem sangue. Não haverá deterioração. Ele está em um corpo espiritual, mas é real: uma Pessoa real, viva, sem limites, onipotente, onipresente e onisciente. Esse é o nosso Senhor ressuscitado.
Gradualmente, por meio de Suas aparições, os discípulos começaram a compreender isso. Perceberam que Ele realmente havia ressuscitado dentre os mortos. Que coisa gloriosa! Agora Ele é Senhor de tudo. Agora vive para sempre. Agora é todo-poderoso. Ele venceu a morte e todas as coisas.
Isso restaurou a fé deles. Eles mudaram; foram transformados do luto para a alegria, do medo para a coragem. Isso aconteceu porque o Senhor apareceu a eles para lhes mostrar Quem Ele realmente é.
Como Ele testificou de Si mesmo em Apocalipse 1:8, 17-18, Ele é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, o Primeiro e o Último. Ele é Aquele que vive. Entrou na morte, mas está vivo e vive para todo o sempre, e tem as chaves da morte e do Hades.
Irmãos e irmãs, esse é o testemunho de Jesus. Esse é o Cristo vivo. Por meio de Suas aparições, isso foi confirmado e reafirmado aos apóstolos. Não é de admirar que uma transformação tão grande estivesse acontecendo com aqueles discípulos. Creio que essa é a primeira razão de Suas aparições.
Irmãos e irmãs, realmente cremos que nosso Senhor Jesus está vivo? Realmente cremos que Ele está aqui, em toda parte? Você realmente crê que, não importa onde esteja, Ele está ali com você? Ele nunca deixou você. Está sempre ali com você. Já não está limitado pelo tempo e pelo espaço.
Você O tem o tempo todo. Muitas vezes, você não O vê. Muitas vezes, pensa que Ele não está ali. Muitas vezes, pensa que Ele está longe de você. Isso acontece porque você não O vê pela fé.
Se você tem fé, pode vê-Lo o tempo todo, em toda parte, em cada situação da sua vida, porque Ele é Aquele que vive, Aquele que ressuscitou. Ele está ali com você. Está sempre presente. Tudo de que você precisa é vê-Lo pela fé.
Você realmente crê que Ele é Aquele que ressuscitou? Ele é o Todo-Poderoso. Venceu todas as coisas, até mesmo a morte, o maior poder nesta terra. Existe alguma coisa que Ele não possa fazer? Você realmente crê que esse é o Cristo?
Como precisamos ter a certeza de que esse é o Cristo em Quem cremos!
Em segundo lugar, Suas aparições são importantes porque Ele nos demonstra uma nova maneira de viver.
Quando nosso Senhor Jesus estava na carne, Ele estava com os discípulos, ao lado deles, cuidando deles. Quando lhes disse que iria embora, ficaram entristecidos, porque Ele lhes era um consolo.
No entanto, nosso Senhor Jesus disse:
Eu vou, mas vos enviarei outro Consolador, e Ele estará convosco para sempre, porque estará em vós.
Quando nosso Senhor estava na carne, às vezes estava com os discípulos; às vezes os enviava para outros lugares. Às vezes estava sozinho em um monte para orar. Mas eles voltavam, procuravam-No e O tocavam, para saber que Ele estava ali.
Mas aqui nosso Senhor Jesus lhes mostrou que já não seria assim. Ele está com eles o tempo todo. Ele os conduz a receber o Espírito Santo.
Irmãos e irmãs, pessoalmente creio que foi no dia de Sua ressurreição que Ele nos deu o Espírito Santo para habitar em nós, o outro Consolador que havia prometido.
Vocês se lembram do nosso Senhor Jesus em João 14–16, em Sua última conversa com os discípulos. Ele lhes disse:
Eu vou, mas vos enviarei outro Consolador.
Outro da mesma natureza, assim como Ele é. Mas há uma diferença: “Eu sou um Consolador com vocês, mas Ele é um Consolador em vocês”.
O Espírito Santo virá e habitará em vocês. Ele nunca deixará vocês, nem os abandonará. Ele está em vocês para lhes ensinar todas as coisas. Ele glorificará Cristo e lhes revelará tudo o que pertence a Cristo.
Irmãos e irmãs, isso aconteceu durante Sua aparição aos discípulos naquela noite, quando Ele soprou neles o Espírito Santo. Em outras palavras, o Senhor estava lhes mostrando que, dali em diante, a vida deles com Ele estaria em um nível inteiramente diferente.
Já não seria no nível físico, de estar ao lado deles; agora seria no nível espiritual. É Cristo em vocês.
Eles deveriam viver uma vida no Espírito. Já não deveriam viver uma vida na carne. Já não deveriam buscar as coisas segundo a carne, mas agora deveriam viver uma vida no Espírito. Deveriam deixar que o Espírito Santo, que habita neles, os ensinasse, lhes mostrasse Cristo e os capacitasse a aprender de Cristo interiormente.
É uma vida espiritual. Irmãos e irmãs, nossa vida cristã é uma vida espiritual. A vida cristã é uma vida interior; não é uma caminhada exterior. É uma vida interior. Ela se expressa de dentro para fora. Vivemos pelo Espírito Santo que habita em nós. Aprendemos a obedecer ao ensino do Espírito Santo.
Não é por meio de pessoas que nos dizem o que fazer. Não é por meio de regras e regulamentos. Nosso problema no cristianismo hoje é que vivemos exteriormente. Tentamos nos tornar cristãos exteriormente. Recebemos regras e regulamentos e, se os cumprimos, então somos bons cristãos. Estamos debaixo da lei, não debaixo da graça.
Mas, irmãos e irmãs, nas aparições do nosso Senhor Jesus, o Senhor lhes mostrou como Ele vivia no Espírito e queria que Seus discípulos vivessem no Espírito, pelo Espírito que habita neles. Isso é vida espiritual.
Ainda hoje, quando buscamos o Senhor, tentamos buscá-Lo exteriormente, assim como os discípulos. Eles queriam tocá-Lo.
Por que a Igreja Católica tem imagens? Embora digam: “Não, não estamos adorando essas imagens. Elas apenas nos ajudam a despertar em nós uma devoção a Deus”, precisam dessas coisas exteriores para tocar em Deus. Esse já não é o caminho.
Hoje, encontramos esse tipo de ensino sobre visualização. Você tenta visualizar Cristo: “Ah, Cristo vem. Ele toca em você e o abraça”. Ao fazer isso, pensa que está perto de Deus. Irmãos e irmãs, já não é assim.
Nosso Senhor Jesus está nos conduzindo por outro caminho. Ele está nos conduzindo a andar no Espírito, não a tentar visualizar, não pelo tato, pelo paladar, pelas sensações ou até pelo olfato. Ainda hoje há pessoas que dizem sentir o cheiro de Cristo.
Não é por essas coisas. É interiormente, no Espírito, que você toca Nele. Você sabe que Ele está ali. Ele está ensinando você. Está guiando você. Está conduzindo você. Ele nunca deixou você. Nunca abandonou você. Está sempre presente com você. Irmãos e irmãs, essa é uma nova maneira de viver.
Esse é um novo relacionamento. Ele disse:
Vou para Meu Pai e vosso Pai, e Meu Deus e vosso Deus.
Dizei a Meus irmãos.
Ele nos dá um novo relacionamento.
Quando nosso Senhor Jesus estava na carne, tentou mostrar aos Seus discípulos e aos judeus que o Pai está Nele e Ele está no Pai. Mas eles não conseguiam acreditar. Como o Pai pode estar Nele, e Ele no Pai?
Você não pode estar em mim, e eu não posso estar em você. Podemos ficar lado a lado, mas como um pode estar no outro? É impossível. Eles não conseguiam acreditar. Nem mesmo os discípulos conseguiam acreditar.
O Senhor tentou lhes dizer repetidas vezes: “Se vocês não compreendem, ao menos creiam nas obras que faço. Pelas obras que fiz, vocês sabem que o Pai está em Mim”. Mas, ainda assim, não conseguiam acreditar, porque um relacionamento interior está além da concepção humana.
Mas é verdade. O Pai está em Cristo, e Cristo está no Pai. Eles são um. O Pai e o Filho são um. Há um relacionamento interior, ininterrupto.
O mundo não compreende. Nem mesmo os discípulos compreendiam. Mas o Senhor disse:
Naquele dia, conhecereis: Eu estou em Meu Pai, e vós em Mim, e Eu em vós.
Que dia é esse? Esse dia é o dia de Sua ressurreição.
Depois que Ele ressuscitou, eles souberam que Ele está no Pai, nós estamos Nele, e Ele está em nós. Como sabemos? Porque o Espírito Santo habita em nós.
Em outras palavras, nosso relacionamento com o Senhor é um relacionamento interior. Ele é a Videira; nós somos os ramos. Há ali uma unidade que não pode ser rompida. Por isso, precisamos permanecer Nele e, permanecendo Ele em nós, daremos muito fruto.
Irmãos e irmãs, nosso relacionamento com o Senhor é um relacionamento interior, não exterior. Qualquer relacionamento exterior pode ser rompido, mas um relacionamento interior não pode ser rompido. Nós estamos Nele, e Ele está em nós.
Como O conhecemos? Já não O conhecemos segundo a carne. Vocês se lembram do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 5:16. Ele disse:
Já não O conhecemos segundo a carne.
Se antes conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não O conhecemos assim.
Nós O conhecemos no Espírito.
Irmãos e irmãs, se vocês querem conhecer o Senhor Jesus, precisam conhecê-Lo no Espírito. Ou, dizendo de outra maneira, precisamos conhecê-Lo por meio da revelação que o Espírito faz Dele em nosso espírito. O Espírito Santo revela Cristo ao nosso espírito.
Esse é o único conhecimento espiritual verdadeiro. Fora disso, nosso conhecimento não é verdadeiro, nem mesmo nosso conhecimento intelectual da Palavra de Deus. Sim, é letra, e a letra mata; é o Espírito Quem vivifica.
Naturalmente, precisamos conhecer a letra. Se você não conhece a letra, como pode discernir o espírito? Mas conhecer apenas a letra não é conhecimento verdadeiro. Você não O conhece de fato. Somente quando o Espírito Santo revela Sua Palavra ao nosso espírito é que temos o verdadeiro conhecimento de Deus.
Já não conhecemos uns aos outros segundo a carne. Irmãos e irmãs, no passado nos conhecíamos na carne, pela aparência exterior e pelo nosso contato. Mas agora já não nos conhecemos na carne; conhecemo-nos no Espírito — isto é, em Cristo.
Vemos Cristo uns nos outros. Não procuramos Adão, nem o mal, uns nos outros. Nosso relacionamento tem uma base espiritual. É por isso que não há distinção de raça, posição social, formação acadêmica ou qualquer outra distinção que possa existir. Somos todos um em Cristo Jesus.
Essa é uma nova maneira de viver. Essa nova maneira de viver é demonstrada por nosso Senhor em Suas aparições, e Ele está nos conduzindo a ela. Isso é o que Suas aparições fazem por nós.
Em terceiro lugar, o que nosso Senhor Jesus ensinou durante aqueles quarenta dias? Lemos em Atos 1:3 que Ele foi visto por Seus discípulos depois de Seu sofrimento e lhes provou que está vivo. Ele lhes ensinou sobre o reino de Deus.
O que nosso Senhor pregava? O que Ele pregou? Pregou o reino de Deus, mas eles não compreenderam.
Vocês se lembram de Pilatos:
És Tu o Rei dos judeus?
O Senhor disse:
Meu reino não é deste mundo.
Vim a este mundo por esta razão: para dar testemunho da verdade.
Sem esperar uma resposta à sua pergunta, “Que é a verdade?”, Pilatos se retirou.
Os judeus daquela época não O compreendiam quando Ele falava sobre o reino. “Onde está? Onde está o reino? Quando será o momento em que Tu derrubarás o jugo romano, nos libertarás e restaurarás a nação de Israel?” Eles não conseguiam compreender o que Ele pregava.
Nem mesmo Seus discípulos conseguiam compreendê-Lo. Ele lhes pregava, conversava com eles e lhes ensinava sobre o reino de Deus.
Bem-aventurados os pobres de espírito: porque deles é o reino dos céus.
Eles ouviam, mas não compreendiam. Até o fim, vemos os apóstolos disputando entre si sobre quem deveria se sentar à Sua direita e à Sua esquerda. Pensavam que Ele estava indo a Jerusalém para ser coroado. Não compreendiam.
Sua concepção era terrena, materialista. Não conseguiam ir além daquilo que é terreno e material.
Agora, depois de ressuscitado, o Senhor Jesus continuou a pregar e a ensinar Seus discípulos sobre o reino de Deus. Era um ensino novo? Não — era o mesmo ensino de antes, mas em uma nova atmosfera e em um novo ambiente.
O Senhor não estava lhes ensinando na carne. Quando, na carne, Ele lhes ensinava sobre o reino de Deus, que é celestial, eles não conseguiam compreender. Mas agora Ele lhes ensinava no Espírito.
Ele lhes demonstrou o que é o reino de Deus. O reino de Deus não é comida nem bebida. É justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
O que é o reino de Deus? O reino de Deus é onde Deus reina e governa. Ele reina e governa em nosso coração. O reino de Deus não pode ser visto com os olhos. É onde Cristo reina em nosso coração. Ali está o reino de Deus.
Agora, em um novo ambiente, esperamos que os discípulos tenham compreendido um pouco melhor.
Os apóstolos passaram a tratar do reino de Deus em sua pregação. No dia de Pentecostes, Pedro se levantou com os onze, e o que pregou? Sua conclusão foi:
Saiba toda a casa de Israel que a este Jesus, a Quem vós crucificastes, Deus O fez Senhor e Cristo.
Ele é Senhor. Ele é o Rei. Aqueles que se arrependeram foram batizados em nome do Senhor Jesus. Em outras palavras, submeteram-se à Sua autoridade, para que Ele fosse Senhor de sua vida. Isso é o reino de Deus.
Quando chegamos ao fim do livro de Atos, vemos que Paulo, em sua casa alugada em Roma, pregava o reino de Deus e ensinava as coisas concernentes ao Senhor Jesus.
O evangelho do reino deve ser pregado a todas as nações, e então virá o fim.
Irmãos e irmãs, hoje estamos pregando o que nosso Senhor Jesus pregou depois de Sua ressurreição? Estamos pregando o que os apóstolos pregaram no livro de Atos?
Hoje damos ênfase excessiva ao evangelho da graça e pouca ênfase ao evangelho do reino. Dizemos às pessoas que Jesus é nosso Salvador, que morreu por nossos pecados e nos salva. Mas não lhes dizemos que Jesus é Senhor. Ele é o Mestre. Ele é Soberano. Ele é a Majestade. Precisamos entregar nossa vida a Ele.
É por isso que o cristianismo é fraco. É por isso que nossa vida cristã é tão fraca. É por isso que a igreja é fraca, pois a igreja é edificada pelo evangelho do reino de Deus.
Precisamos pregar esse evangelho do reino de Deus. Precisamos dizer às pessoas que Jesus não é apenas Salvador; Ele é Senhor. Precisamos nos preparar para Sua vinda.
Não estamos falando de teologia do domínio nem de teologia da reconstrução. Talvez alguns de vocês já tenham ouvido falar disso. Hoje há pessoas que falam de teologia do domínio e de teologia da reconstrução, dizendo que nós, cristãos, devemos converter o mundo e trazer o mundo aos pés de Cristo.
Irmãos e irmãs, não fomos enviados para converter o mundo. Fomos enviados para vencê-lo. O mundo não será convertido; ficará pior.
Mas, quando pregamos o reino de Deus, de cada nação, de cada povo, de cada tribo e de cada língua, Deus há de chamar um povo para Si, sob Seu nome e sob Sua autoridade, para que Ele reine e governe soberanamente em nossa vida.
Quando isso estiver concluído, Ele voltará para julgar o mundo e colocar o mundo debaixo de Seus pés. Irmãos e irmãs, é importante compreendermos que precisamos pregar o reino de Deus.
Por fim, foi durante Suas aparições que Ele nos deu a Grande Comissão. Ele deu à igreja a Grande Comissão antes de ascender ao céu.
O que é a Grande Comissão? Em Mateus 28:19-20, o Senhor disse:
Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei:
e eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação do século.
A Grande Comissão dada à igreja é mais do que apenas evangelizar. É verdade que, em Lucas 24:47, o Senhor ordenou aos discípulos que fossem pregar o arrependimento e a remissão dos pecados. Mas é mais do que isso. É fazer discípulos de todas as nações.
Quando vocês pensam em fazer discípulos, isso simplesmente significa colocar as pessoas sob a autoridade de Cristo — não apenas levá-las a Ele, mas levá-las a se submeter a Ele.
Por que, depois de alguém crer no Senhor Jesus, precisa ser batizado? Batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo — por que apenas crer não é suficiente?
Você precisa ser batizado porque, ao ser batizado, é batizado em Seu nome. Em outras palavras, você renuncia a si mesmo. Permite que Ele seja sua Cabeça. Você pertence a Ele. Você O recebe como seu Senhor.
Você se submete a Ele. Torna-se Seu discípulo. Permite que Ele ensine você, transforme você, molde você e forme você segundo Sua imagem. Você passa a participar de tudo o que Ele tem.
Irmãos e irmãs, isso é discipulado. Discipulado é formar discípulos de Cristo, não de homem algum. Formar discípulos de Cristo: aprender Dele, para que você seja como Ele. Como Ele é, assim você será. Essa é a nossa Grande Comissão.
Temos cumprido nossa comissão? Somos fiéis ao que o Senhor nos confiou? Todas essas coisas aconteceram durante aqueles quarenta dias de Suas aparições.
Irmãos e irmãs, talvez vocês não tenham uma aparição pessoal do Senhor em sua vida, mas, ao menos, aquilo que encontram nas Escrituras sobre Suas aparições — Sua história, tudo o que Ele fez e disse durante aqueles quarenta dias de aparições — é tudo para vocês.
É para que você O veja como Aquele que vive, que está sempre presente e é todo-poderoso. Você tem esse Cristo vivo? Você vive porque Ele vive.
É para que você compreenda que Ele lhe deu uma vida — uma vida interior, uma vida espiritual — para viver. Você deve viver essa vida de maneira interior. Seu relacionamento com Ele não é físico; é espiritual. Seu relacionamento com seus irmãos e irmãs é espiritual, não físico.
Devemos viver pela fé, não pela vista. Devemos viver no Espírito, não na carne. Esse é o caminho que Ele nos demonstrou e ao qual nos conduziu. É assim que devemos viver.
Irmãos e irmãs, também precisamos conhecer mais sobre o reino de Deus: compreender que ele é um reino espiritual, celestial. Hoje está oculto entre o Seu próprio povo, e um dia aparecerá publicamente nesta terra.
Mas, antes desse momento, é nossa responsabilidade fazer discípulos das nações, levando as pessoas a se submeter à autoridade de Cristo.
Portanto, irmãos e irmãs, essas são as coisas que precisamos receber, nas quais devemos permanecer firmes e pelas quais somos salvos. Vamos orar?
Ó Senhor Jesus, nós Te louvamos e agradecemos porque Tu não apenas morreste por nós, por nossos pecados, na cruz do Calvário. Tu foste sepultado, para que nós pudéssemos ser postos fora de vista. Tu foste ressuscitado dentre os mortos, para que pudéssemos receber uma nova vida. E Tu nos apareceste, para que saibamos como viver.
Senhor, nós Te pedimos que uses estas palavras tão frágeis para nos conduzir à realidade daquilo que Tuas aparições nos ensinaram. Em Teu santo e precioso nome, amém.