O Evangelho segundo Lucas, capítulo 2.
Começamos com Lucas 2:40-51.
E o menino crescia e Se fortalecia, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele.
E Seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da Páscoa.
E, tendo Ele já doze anos, subiram a Jerusalém segundo o costume da festa;
e, terminados aqueles dias, ao regressarem, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e Seus pais não o souberam;
pensando, porém, que Ele estivesse entre os companheiros de viagem, caminharam um dia e procuraram por Ele entre os parentes e conhecidos;
e, como não O encontrassem, voltaram a Jerusalém à Sua procura.
E aconteceu que, depois de três dias, O acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os;
e todos os que O ouviam admiravam a Sua inteligência e as Suas respostas.
E, quando O viram, ficaram maravilhados; e Sua mãe Lhe disse: Filho, por que procedeste assim para conosco? Eis que Teu pai e eu Te procurávamos aflitos.
E Ele lhes disse: Por que Me procuráveis? Não sabíeis que Me cumpria estar na casa de Meu Pai?
E eles não compreenderam a palavra que lhes dizia.
E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito; e Sua mãe guardava no coração todas estas palavras.
Vamos orar.
Querido Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos pelo véu rasgado, que nos permite entrar com ousadia no Santo dos Santos para contemplar a Tua face e ver a Tua glória. Como Te louvamos e agradecemos por esse privilégio.
E confiamos no Teu Espírito Santo para nos capacitar a ver a Tua glória na face de Jesus Cristo. Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.
Creio que todos concordamos que a vontade de Deus é que contemplemos Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
Olhando para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé.
Quanto mais olharmos para o Senhor Jesus, menos nos distrairemos. Quanto mais olharmos para o Senhor Jesus, mais olharemos para o nosso interior. Quanto mais olharmos para o Senhor Jesus, mais seremos semelhantes a Ele. Esse é o segredo da vida cristã.
Na última vez, compartilhamos sobre o nascimento de nosso Senhor Jesus — Seu nascimento, Sua encarnação, a manifestação de Deus na forma humana de Jesus Cristo. É o Verbo, Deus falando, que Se fez carne: Emanuel, Deus conosco.
Irmãos e irmãs, o mistério da encarnação deve despertar nosso coração para a adoração. Na encarnação, vemos o grande amor de Deus. Na encarnação, vemos o esvaziamento do Filho de Deus. E, na encarnação, vemos a grandeza do poder do Espírito Santo.
Ele é Emanuel, Deus com o homem. Ele é o Deus-homem. Nele, a divindade e a humanidade estão unidas em um só. Irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus é o único Deus-homem.
É somente Nele que a divindade e a humanidade se unem. Pela graça de Deus, podemos ser homens e mulheres de Deus — isto é, recebemos a vida divina em nós —, mas isso não nos torna divinos.
Em outras palavras, recebemos a vida divina em nós, e essa vida divina nos liberta da nossa humanidade caída. Essa vida divina nos eleva, mas não nos torna divinos. Somos humanos e seremos humanos para sempre. Nunca seremos divinos, embora a vida divina nos tenha sido dada.
É verdade que Deus quer nos transformar e nos conformar à imagem de Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus. Mas, queridos irmãos e irmãs, lembremo-nos sempre: embora devamos ser conformados à imagem de Cristo, há sempre algo mais Nele que está além de nós. Ele é Deus. Ele é o Deus-homem, e nós somos apenas seres humanos — graças a Deus, com a Sua vida em nós.
Acho esse ponto muito importante, porque encontramos hoje, no cristianismo, heresias que ensinam que, por recebermos a vida divina em nós e por nossa humanidade estar sendo libertada e elevada, nós nos tornamos divinos — nós nos tornamos deuses. De modo nenhum. Somos seres humanos. Graças a Deus, somos seres humanos. E Ele, somente nosso Senhor Jesus, é Deus.
Outro ponto que precisamos mencionar é este: em Sua encarnação, porque somos de carne e sangue, Hebreus 2 diz que Ele participou da carne e do sangue. Em outras palavras, em Sua encarnação, Ele Se identificou com a humanidade.
Mas lembremo-nos: Ele não Se identificou com a carne caída do homem, nem com a vida adâmica. Ele Se identificou com o homem que Deus havia planejado originalmente em Seu coração.
Em outras palavras, quando Cristo assumiu a carne, não havia pecado naquela carne. Ele não Se identificou com os seres humanos caídos. Ele Se identificou com o ser humano que Deus tinha originalmente em Sua mente. Portanto, nosso Senhor Jesus nasceu sem pecado. Ele é sem pecado.
Àquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós; para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus.
Esse ponto é muito importante, porque há mestres heréticos que dizem que nosso Senhor Jesus, por ter participado da nossa carne, também herdou a mesma natureza de Adão. Ora, se fosse assim, Ele não poderia ser nosso substituto.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, vemos que, em Sua encarnação, Ele Se identificou somente com o ser humano segundo o pensamento de Deus, e não com uma raça adâmica caída. E, graças a Deus, por causa disso, Ele pode nos libertar.
Agora, tendo dito isso, gostaríamos de prosseguir com a vida de nosso Senhor Jesus. Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre o Seu bar mitzvah — isto é, quando Ele tinha doze anos.
Sabemos pelas Escrituras que, quando Ele tinha oito dias, foi circuncidado. Ele foi circuncidado segundo a lei e recebeu o nome Jesus, que havia sido dado pelo anjo.
Agora, em Gálatas 4:4-5, somos informados de que, na plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho a este mundo, nascido de mulher, nascido sob a lei, para que nos libertasse da maldição da lei e nos conduzisse à condição de filhos.
Então, aqui vemos nosso Senhor Jesus: Ele nasceu sob a lei. Segundo a lei, Ele devia ser circuncidado ao oitavo dia, e assim aconteceu, para que pudesse nos libertar da maldição da lei.
As Escrituras também nos dizem que, quando se cumpriram os dias da purificação, Ele foi apresentado a Deus no templo.
Em Levítico 12, vemos que uma mulher que desse à luz um menino ficaria impura por quarenta dias. Depois de quarenta dias, ela precisava apresentar um sacrifício. Se fosse pobre, apresentaria uma rolinha ou um pombinho para se purificar da sua impureza.
Também sabemos, por Êxodo 13, que o primeiro filho homem que abre a madre deve ser chamado santo e oferecido a Deus. Assim, depois de quarenta dias — e talvez mais de quarenta dias, porque essa purificação poderia ser realizada posteriormente —, Maria foi ao templo em Jerusalém para cumprir o rito da purificação.
Ao mesmo tempo, ela foi apresentar a Deus o primogênito, nosso Senhor Jesus, porque todos os primogênitos pertencem a Deus.
Vocês se lembram da história. Quando Deus libertou os filhos de Israel do Egito, naquela noite todos os primogênitos do Egito deveriam morrer. Mas Deus preparou um cordeiro para os filhos de Israel. Quando eles colocaram o sangue do cordeiro nos umbrais e na verga da porta, o anjo destruidor passou adiante.
Assim, todos os primogênitos dos filhos de Israel foram salvos, enquanto todos os primogênitos dos filhos do Egito foram mortos. Então Deus disse que, por causa do que havia acontecido no dia da Páscoa, todos os primogênitos pertenciam a Ele. Todos os primogênitos são santos e devem ser apresentados a Deus, com um sacrifício oferecido por eles.
Agora, irmãos e irmãs, sabemos que o primogênito, na verdade, representa toda a família. Portanto, espiritualmente falando, não apenas o primogênito, mas todos os que nascem pertencem a Deus. Todos nós pertencemos a Deus e, porque todos pertencemos a Deus, somos santos.
Aqui vemos nosso Senhor Jesus, ainda bebê, sendo dedicado a Deus por Seus pais terrenos. O significado espiritual disso é que toda criança que nasce é santa aos olhos de Deus.
E nós, pais, precisamos nos lembrar disto: toda criança que nasce em nossa família é santa aos olhos de Deus. Portanto, como pais, devemos criar nossos filhos na disciplina e na admoestação do Senhor. É uma responsabilidade sagrada que nos foi confiada.
Agora, além desses dois acontecimentos, não encontramos Lucas mencionando a infância de nosso Senhor Jesus. Na verdade, Lucas nem sequer mencionou os magos que vieram adorar o menino.
Quando os magos vieram adorar o menino, não foi na ocasião do nascimento de nosso Senhor Jesus. Na ocasião de Seu nascimento, os pastores vieram e O adoraram na manjedoura. Mas, quando os magos chegaram, já havia passado um ou dois anos, porque a viagem do Oriente levou todo esse tempo.
Lucas não mencionou isso. Lucas não mencionou como o menino foi levado ao Egito, como Seus pais fugiram para lá porque Herodes queria matar todas as crianças de menos de dois anos em Belém. Ele não mencionou quanto tempo passaram no Egito, sua volta do Egito, nem por que foram para Nazaré.
Em Lucas 2:39, Lucas simplesmente diz que, depois de terminarem de apresentar o menino a Deus, foram para a Galileia e viveram em Nazaré. Nada foi mencionado sobre a infância de nosso Senhor Jesus, exceto uma frase em Lucas 2:40:
E o menino crescia e Se fortalecia, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele.
Irmãos e irmãs, a infância não tem importância para Deus? Certamente tem. Vocês se lembram da atitude de nosso Senhor Jesus para com as criancinhas.
Em Mateus 19, Ele disse:
Deixai vir a Mim as criancinhas.
Pois delas é o Reino de Deus. Segundo Marcos 10:16, Ele as tomou nos braços e as abençoou.
Depois, em Mateus 18, Ele disse que não devemos fazer uma criança tropeçar, porque os anjos de uma criança contemplam continuamente a face de Seu Pai. Portanto, irmãos e irmãs, uma criança é muito preciosa, muito querida ao coração de Deus.
Então, por que a infância de nosso Senhor Jesus não nos é apresentada em detalhes? Acho que gostaríamos muito de conhecer Sua infância, mas, estranhamente, nada é mencionado. Por quê?
Creio que há uma razão. Deus quer enfatizar que nosso Senhor Jesus, tendo nascido como criança, cresceu normalmente, como qualquer outra criança.
Talvez pensemos que, por Ele ser o Deus-homem, por ser Emanuel, por Deus ter Se tornado homem, Sua infância deve ter sido diferente. Mas, irmãos e irmãs, Ele nasceu como bebê, assim como nós, e cresceu como criança, assim como nós. Ele era uma criança normal. Viveu uma infância normal.
Assim, somos informados de que o menino crescia e Se fortalecia. É claro que, numa criança, a primeira coisa que se percebe é o crescimento físico. Essa é a parte mais perceptível do crescimento de uma criança. Nosso Senhor Jesus crescia e Se fortalecia normalmente. Seu crescimento físico era normal.
Depois, somos informados de que Ele era cheio de sabedoria. À medida que uma criança cresce fisicamente, sua mente começa a se abrir, e seu intelecto também começa a se desenvolver. Mas aqui vemos que nosso Senhor Jesus era cheio de sabedoria. Seu desenvolvimento mental estava acima do normal.
E a graça de Deus estava sobre Ele. Isso é crescimento espiritual. Na infância de nosso Senhor Jesus, Seu crescimento espiritual era sobrenatural, porque a graça de Deus estava sobre Ele. Ele conhecia a graça de Deus. Experimentava a graça de Deus.
Portanto, em certo sentido, Ele era uma criança normal. Mas, em outro sentido, vemos um crescimento espiritual que era sobrenatural.
Às vezes fico pensando em Maria e José. O anjo havia dito a Maria que o menino que ela daria à luz seria o Santo, o Filho de Deus.
Ela viu os pastores chegarem e adorarem o menino. Ela e José viram os magos chegarem e adorarem o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Eles sabiam que aquele menino era diferente. Tinham uma responsabilidade sagrada em suas mãos.
Como devem ter se colocado diante de Deus, pedindo sabedoria para criar aquele menino. Maria guardava na memória o que ouvia e via, e meditava nessas coisas em seu coração. Fico pensando se, às vezes, ela não conseguia se conter e acabava dizendo alguma coisa ao menino. Não sei.
Mas de uma coisa tenho certeza: José e Maria criaram aquele menino normalmente, na disciplina e na admoestação do Senhor. Não foi por terem em suas mãos uma criança santa que O trataram de maneira diferente.
Creio que O trataram como tratavam seus outros filhos. Não Lhe deram tratamento especial. Provavelmente nem sequer disseram claramente ao menino: “Tu és diferente. Tu és Deus tornando-Se homem”. Não creio que tenham Lhe dito isso.
Eles não O mimaram. Criaram o menino como uma criança deve ser criada. Dou graças a Deus por isso.
Mas, à medida que o menino crescia, sem dúvida uma consciência começava a se desenvolver cada vez mais dentro Dele. De algum modo, Ele começou a perceber que havia um relacionamento entre Ele e Deus. Era um relacionamento de Pai e Filho.
Talvez Ele não tenha chegado a essa plena consciência de uma só vez, mas realmente creio que, à medida que o menino crescia, essa percepção — essa consciência de que Ele vinha do Pai — começou a crescer Nele.
Essa consciência cresceu até chegar a um momento decisivo. E esse momento veio no dia de Seu bar mitzvah.
Segundo a lei de Moisés, todo homem dentre os filhos de Israel devia ir a Jerusalém três vezes por ano para adorar a Deus no templo: na Páscoa, no Pentecostes e na Festa dos Tabernáculos.
Vocês encontram isso em Êxodo 23:15-17 e Deuteronômio 16:16. Todo homem adulto dentre os filhos de Israel devia ir a Jerusalém para celebrar as festas três vezes por ano.
As mulheres não eram obrigadas a fazer isso. Mas, posteriormente, a escola de Hillel afirmou que uma mulher piedosa de Israel devia ir a Jerusalém pelo menos uma vez por ano, na ocasião da Páscoa.
As crianças não tinham obrigação legal de observar essas festas até atingirem a idade de doze anos. Então passavam a ter a obrigação legal de observar os estatutos e as cerimônias religiosas, e seriam consideradas responsáveis.
Assim, vemos aqui que, quando nosso Senhor Jesus tinha doze anos, Seus pais foram a Jerusalém para celebrar a Páscoa, como de costume. Tanto Seu pai como Sua mãe eram piedosos, e nosso Senhor Jesus foi com eles.
Não sei se essa foi a primeira vez que Ele foi a Jerusalém. É claro que, quando foi apresentado ainda bebê, esteve em Jerusalém, no templo, mas naquela época não sabia nada a respeito. Provavelmente essa foi a primeira vez.
Pensem nisso: um menino de doze anos, instruído em casa na lei de Deus, e então, aos doze anos, indo a Jerusalém para receber seu bar mitzvah — para se tornar um filho da lei.
Antes, Seus pais eram responsáveis por Sua educação religiosa. Mas agora Ele próprio seria responsável diante de Deus, porque estava se tornando um membro pleno da comunidade de Israel. Teria o direito de responder a perguntas e de fazer perguntas. Espiritualmente, seria responsável diante de Deus.
Pela primeira vez, Ele estava indo a Jerusalém, ao santo templo, para se tornar um filho da lei. Era um momento tremendamente decisivo. Isso já era importante para qualquer menino judeu, mas, para esse menino, Jesus, quanto mais significava!
Evidentemente, era costume naquela época que, embora a Páscoa fosse seguida pelos sete dias da Festa dos Pães sem Fermento, muitos judeus não permanecessem durante toda a festa. Depois dos primeiros dias, partiam e voltavam para casa. Muito provavelmente foi isso que aconteceu com a família deles.
Segundo o costume daqueles dias, quando viajavam, geralmente viajavam em grupos. Os homens ficavam juntos, as mulheres ficavam juntas, e as crianças ficavam juntas. Somente quando chegava a noite e paravam para descansar é que toda a família se reunia para passar a noite.
Assim, naturalmente, quando Maria e José partiram, pensaram que Jesus também havia partido com eles e estava viajando com os outros meninos. Nosso Senhor era uma criança normal — lembrem-se disso, um menino normal. Por isso, não se preocuparam.
Mas, quando chegou a noite, não conseguiram encontrá-Lo entre seus parentes e conhecidos, e ficaram preocupados. Então voltaram a Jerusalém e, depois de três dias, O encontraram no templo.
Ali estava o menino, sentado entre os rabinos e doutores. Ele os ouvia, fazia-lhes perguntas e respondia às perguntas deles.
No bar mitzvah, esperava-se que um menino recitasse de memória certas passagens das Escrituras. Ele era interrogado pelos líderes e doutores a respeito do que havia aprendido, e também podia apresentar perguntas que haviam surgido durante sua formação.
Assim, aqui vemos nosso Senhor Jesus sentado entre esses homens adultos, e Ele estava ouvindo. Graças a Deus, Ele primeiro ouvia, em vez de primeiro perguntar. Acho que os meninos geralmente perguntam primeiro.
Ele os ouvia, fazia-lhes perguntas e lhes respondia. Quando Maria viu aquilo, ela e José ficaram admirados. As pessoas que ouviam Suas respostas se admiravam de Sua compreensão.
Então Sua mãe disse:
Filho, por que procedeste assim para conosco? Eis que Teu pai e eu Te procurávamos aflitos.
E o Senhor Jesus disse:
Por que Me procuráveis? Não sabíeis que Me cumpria ocupar-Me dos negócios de Meu Pai?
Por que vocês Me procuram? Se precisam Me procurar, não precisam Me procurar em outro lugar. Podem vir diretamente ao templo; ali Eu estarei. Vocês não sabem que Eu devo estar na casa de Deus?
Por que vocês Me procuraram por toda parte e somente no fim, depois de três dias, vieram ao templo? Vocês não sabem que Eu deveria estar na casa de Meu Pai?
Irmãos e irmãs, pensem num menino vindo pela primeira vez ao templo em Jerusalém. Um menino comum seria atraído pelos ornamentos, pelo ouro, pela beleza e por todas as cerimônias que aconteciam ali. Qualquer menino ficaria impressionado com essas coisas.
Mas, no caso de nosso Senhor Jesus, surgiu Nele uma percepção: “Esta é a casa de Meu Pai”. Tornar-Se um filho da lei significava para Ele mais do que ser introduzido num relacionamento com a lei de Deus.
Para Ele, tornar-Se um filho da lei era, ao mesmo tempo, o despertar de Sua plena consciência de que era o Filho de Deus. Deus era Seu Pai.
Havia um relacionamento interior com Deus, não apenas um relacionamento exterior, não apenas uma relação externa com a lei de Deus. Havia um relacionamento interior com Aquele que dera a lei — Seu Pai.
Não havia apenas o temor do Senhor; havia o amor pelo Senhor. Para Ele, o templo era mais do que ouro e pedras preciosas. O templo era a casa do Pai. Era ali que o Pai habitava.
E, porque era ali que o Pai habitava, era ali que o Filho devia habitar.
Não sabíeis que Me cumpria estar na casa de Meu Pai?
Onde mais Eu deveria estar? Por que vocês vão a outros lugares tentando Me encontrar? Este é o Meu lugar: a casa do Pai.
Na ocasião de Seu bar mitzvah, Ele despertou para a plena consciência de Seu relacionamento com o Pai. Sabia que Deus era Seu Pai. Sabia que havia sido enviado a este mundo para cuidar dos negócios de Seu Pai.
Ali mesmo, naquele momento, Ele decidiu em Seu coração que devia Se ocupar dos negócios de Seu Pai. Outros meninos e outras pessoas podiam ir para suas casas, mas, para Ele, aquela era Sua casa. Outras pessoas podiam se ocupar de muitas outras coisas, mas, para Ele, Sua única ocupação eram os negócios do Pai.
Ele não deveria cuidar de Seus próprios negócios, nem dos negócios de qualquer outra pessoa, mas dos negócios de Seu Pai. Naquele momento, os negócios de Seu Pai consistiam em sentar-Se diante dos rabinos, aprender e conhecer mais da lei e da vontade de Seu Pai.
Mas, depois de dizer isso, Ele voltou para casa com Seus pais e era sujeito a eles.
Irmãos e irmãs, é verdade que, naquele momento, Ele decidiu em Seu coração como seria Sua vida e com o que deveria Se ocupar. Seu coração estava firme. Mas Ele precisava conhecer mais a respeito dos negócios de Seu Pai. Precisava aprender mais lições. Precisava de mais preparação para cumprir os negócios de Seu Pai.
Quando Seus pais O encontraram no templo, naquele momento a vontade do Pai era que Ele conhecesse mais da lei de Deus. Por isso, Ele estava ali. Mas, sendo menor de idade e ainda não plenamente crescido, tinha a responsabilidade e o dever de obedecer a Seus pais.
Essa era a vontade de Deus. Esses eram os negócios do Pai para Ele naquele momento. Era o aprendizado pelo qual precisava passar. Isso fazia parte dos negócios do Pai para Ele.
Assim, embora, por um lado, Ele percebesse que os negócios do Pai consistiam em aprender mais de Sua lei com os rabinos, por outro lado também sabia que os negócios do Pai exigiam que Ele, como menor de idade, fosse sujeito a Seus pais.
Quando voltou para casa e Se submeteu a Seus pais, Ele Se submeteu com uma atitude diferente: estava Se submetendo a Seus pais como a Deus.
Filhos, obedeçam a seus pais. Por quê? Vocês obedecem a seus pais como ao Senhor. Sua ocupação é fazer a vontade do Pai. Se a vontade do Pai naquele momento é que vocês sejam sujeitos a seus pais, então, ao obedecerem a seus pais, vocês estão cuidando dos negócios de seu Pai. Caso contrário, não estão.
Isso levou dezoito anos para nosso Senhor. Por um lado, Ele era sujeito a Seus pais. Por outro lado, provavelmente José morreu cedo, porque a Bíblia não o menciona mais. Nosso Senhor Jesus, sendo o primogênito da família, precisou assumir a responsabilidade pela família. Ele Se tornou o carpinteiro.
Ele precisou assumir a responsabilidade pela família, e isso era fazer a vontade do Pai. Fazia parte dos negócios do Pai naquele momento. Fazia parte do treinamento e da preparação. Não era perda de tempo.
Somente aos trinta anos Ele iniciou a obra que constituía os negócios do Pai para Sua vida: salvar os perdidos e edificar a igreja.
Em 1 João 4:17, lemos:
Qual Ele é, somos nós também neste mundo.
Esse é um princípio da vida cristã. Assim como Ele é — assim como Cristo é —, também nós somos neste mundo.
Por quê? Não porque possamos imitá-Lo. Ninguém pode imitar nosso Senhor Jesus. Mas porque Ele nos deu Sua vida.
A própria vida que Ele viveu nesta terra é agora a sua vida e a minha vida. Lembrem-se disto, irmãos e irmãs: quando somos salvos, não apenas nossos pecados são perdoados, mas recebemos Sua vida. Essa vida é a vida de nosso Senhor Jesus.
Essa é uma vida divina. É uma vida humano-divina, uma vida divina que entrou na humanidade. Temos essa mesma vida em nós e, porque essa vida está em nós, também devemos viver neste mundo como Ele viveu.
Qualquer coisa diferente disso, qualquer coisa menor do que isso, não é cristianismo.
Deixem-me repetir: não se trata de nós, em nossa vida natural, tomarmos Jesus como exemplo e tentarmos imitá-Lo. Se vocês tentarem, quanto mais tentarem, mais perceberão que estão longe, muito longe Dele, porque essa é uma tarefa impossível.
Mas, graças a Deus, a vida de nosso Senhor Jesus nos foi dada. Sua vida está em vocês e em mim. Essa vida foi vivida há dois mil anos, e essa mesma vida será vivida hoje em vocês e em mim da mesma maneira. Ela não pode viver de outro modo.
Se outra vida está sendo vivida, não é a vida de Cristo; é a sua vida natural.
Porque temos essa vida de Cristo em nós, irmãos e irmãs, será de admirar que cresça dentro de vocês a consciência de que são diferentes das pessoas do mundo?
Vocês são filhos de Deus. Nasceram do Espírito. Deus é seu Pai. Existe dentro de vocês essa percepção crescente, essa consciência crescente?
Vocês são diferentes. Não podem ser como as outras pessoas. Sim, vocês são normais e, ainda assim, são sobrenaturalmente normais.
Essa consciência de seu relacionamento com Deus como filhos de Deus deve crescer até o ponto em que vocês percebam que não pertencem a si mesmos. Vocês foram comprados por um preço.
Vocês não foram salvos para si mesmos. Foram salvos para Deus. Vocês têm uma missão nesta terra. São diferentes das outras pessoas do mundo. Há um negócio com o qual precisam se ocupar — um negócio diferente de todos os outros.
Outras pessoas podem se ocupar de outras coisas, mas há somente uma coisa com a qual vocês devem se ocupar: os negócios de seu Pai. Esse é o propósito de sua vida.
Um dia, essa consciência chegará a um momento decisivo. Quando esse momento chegar, será hora de vocês apresentarem seu corpo como sacrifício vivo.
Irmãos e irmãs, esse momento já chegou para vocês? Já começaram a perceber que não podem viver a própria vida? Não podem simplesmente fazer as coisas como as outras pessoas fazem. Não podem planejar um futuro só para si, porque pertencem ao Senhor e foram, por assim dizer, enviados a este mundo para cuidar dos negócios de seu Pai.
Irmãos e irmãs, todos nós precisamos nos ocupar de alguma coisa. Todos estão ocupados. Se vocês não estiverem ocupados com uma coisa, estarão ocupados com outra.
O que ocupa vocês? O que exige seu tempo, sua energia e sua vida? Com o que vocês estão ocupados hoje?
Irmãos e irmãs, alguma vez vocês tiveram essa percepção, como nosso Senhor Jesus a teve quando tinha doze anos?
Devo ocupar-Me dos negócios de Meu Pai.
Já firmamos esse propósito em nosso coração? Daniel, quando era adolescente, foi levado à corte da Babilônia. Ele seria preparado para se tornar alguém que estaria diante do maior rei do mundo.
Mas decidiu em seu coração não se contaminar, e sim manter-se puro para Deus.
Irmãos e irmãs, será que hoje é o momento de firmarmos um propósito em nosso coração? Porque temos consciência de que somos de Deus e pertencemos ao nosso Pai, decidimos em nosso coração que, de agora em diante, vamos nos ocupar dos negócios de nosso Pai.
Vocês têm esse propósito? Se não têm, irmãos e irmãs, sua vida será desperdiçada. Não importa o que realizem, sua vida será um desperdício.
Quais são os negócios de seu Pai? Antes de entrarmos nisso, vamos ver como os negócios do Pai foram sendo revelados gradualmente.
Eles foram revelados gradualmente ao menino Jesus. Foram revelados a Ele quando tinha doze anos e estava no templo. Foram revelados a Ele quando voltou e foi sujeito a Seus pais. Foram revelados a Ele quando precisou assumir a responsabilidade pela família. E foram revelados a Ele quando tinha trinta anos.
Tudo foi sendo revelado gradualmente. Cada parte não era apenas treinamento e preparação, mas também parte dos negócios do Pai. Nada se perdeu.
Creio que acontece o mesmo conosco. Em 1 Coríntios 7:20, lemos:
Cada um permaneça na vocação em que foi chamado.
Em outras palavras, quando vocês forem chamados, permaneçam nessa condição até que o Senhor revele algo mais.
Se, quando forem chamados, vocês forem estudantes, decidam em seu coração que vão se ocupar dos negócios de seu Pai — mas continuem estudando.
Quando fui chamado, estava no ensino médio. Queria abandonar o ensino médio. Achava que fazer faculdade era perda de tempo. Graças a Deus, Ele interveio.
Muitas vezes, quando um rapaz ou uma moça, um menino ou uma menina, é tocado pelo amor de Deus, queremos deixar tudo. Queremos abandonar os estudos. “De que adianta estudar? Este mundo está passando.”
Queremos ir e nos envolver na obra de Deus. Vocês nem sequer sabem o que é a obra de Deus. Precisam fazer perguntas. Precisam ouvir. Precisam aprender mais sobre o caminho e a vontade de Deus.
Quando vocês forem chamados e forem menores de idade, ainda vivendo com seus pais, decidam em seu coração ocupar-se dos negócios do Pai. Mas quais são os negócios do Pai para vocês naquele momento? Ser sujeitos a seus pais.
Não pensem que, por quererem se ocupar dos negócios do Pai, vocês podem desprezar seus pais terrenos. De modo nenhum.
Seja qual for a situação em que vocês estejam, permaneçam nela até que o Senhor revele gradualmente Sua vontade. Mas, enquanto estiverem nessa situação, façam tudo como ao Senhor.
Se vocês estudam com o propósito de fazer a vontade do Pai, estão cuidando dos negócios do Pai. Caso contrário, estão estudando para seus próprios propósitos.
Se vocês trabalham com o propósito de cuidar dos negócios do Pai, então isso faz parte dos negócios do Pai. Caso contrário, são seus próprios negócios.
Então vocês podem servir ao rei, mas até o rei reconhecerá o Deus a Quem vocês servem. Pode ser que o Senhor esteja preparando vocês para a obra de sua vida nos negócios do Pai, ou pode ser que, por toda a vida, seja isso o que o Pai lhes confia como Seus negócios. Não sabemos.
Mas uma coisa é certa: vocês precisam se ocupar dos negócios do Pai. Em outras palavras, uma prioridade precisa ser estabelecida no coração.
O que ocupa nosso coração? Em Lucas 21, lemos:
Olhai por vós, para que não aconteça que o vosso coração se carregue de glutonaria, de embriaguez e dos cuidados desta vida.
Nosso coração pode estar ocupado com o Pai e Seus negócios, ou pode estar ocupado com alguma outra coisa. Com o que está ocupado o seu coração?
O que ocupa sua mente? Em que vocês pensam dia e noite? Nos negócios do Pai ou em seus próprios negócios? O que consome toda a sua energia? O que ocupa todo o seu tempo? Para que vocês estão aqui?
Irmãos e irmãs, precisamos nos ocupar dos negócios do Pai. Quais são os negócios do Pai?
Quando nosso Senhor Jesus estava no templo, aos doze anos, Seus pais voltaram para casa, mas Ele permaneceu no templo. Por quê? Porque Ele disse:
Devo ocupar-Me dos negócios de Meu Pai.
Na Nova Versão Internacional, lemos:
Devo estar na casa de Meu Pai.
Outras versões dizem:
Devo ocupar-Me das coisas de Deus.
A rigor, quais são os negócios do Pai? Se os resumirmos, os negócios do Pai não são outra coisa senão Sua própria casa.
Aquilo que ocupava nosso Pai celestial desde o princípio era o desejo de edificar uma casa para Si mesmo e para a humanidade. Ele queria habitar entre os homens, e essa seria Sua casa. Essa seria Sua obra — Seus negócios.
Infelizmente, Adão pecou. Mas isso não mudou o pensamento do Pai. Deus ainda deseja edificar uma casa, um lar para Si mesmo e para nós — não uma casa física, mas espiritual.
Ali encontramos Jacó em fuga. Jacó fugiu da casa de seu pai; não havia lugar para ele na casa de seu pai. Contudo, enquanto fugia para salvar a vida, Deus foi atrás dele e o encontrou no deserto. Deus prometeu edificar-lhe uma casa, e ele prometeu edificar uma casa para Deus. Deus o transformou em Israel.
Quando Deus libertou os filhos de Israel do Egito, levou-os ao monte Sinai e lhes revelou Seu coração: Ele queria habitar entre eles. “Construam um tabernáculo.” Aquilo era apenas uma figura, uma sombra. Salomão construiu um templo, mas esse também era apenas uma sombra.
Com o que o Pai realmente está ocupado? Com o que o Filho estava ocupado quando esteve na terra?
Edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Abraão aguardava a cidade que tem fundamentos, cujo Arquiteto e Construtor é Deus. Irmãos e irmãs, quais são os negócios do Pai? Os negócios do Pai estão relacionados ao templo; estão relacionados à Sua casa.
Somos a casa de Deus, se conservarmos firme até o fim a nossa confiança e a glória da nossa esperança. Quais são os negócios do Pai? Todos nós devemos estar envolvidos na edificação da casa de Deus.
Vocês fazem parte dessa casa e devem contribuir para a edificação dessa casa.
Já houve um dia em que, ao se reunirem com outros cristãos, vocês perceberam que não estão apenas indo à igreja, mas devem ser edificados juntos como igreja?
Que diferença! Muitas pessoas vão à igreja, mas se trata de um prédio físico. Quando vocês se reúnem para serem edificados juntos em amor como igreja, estão cuidando dos negócios do Pai.
Quer estejam na escola, em casa, no escritório, no campo missionário — onde quer que estejam, o que quer que estejam fazendo —, lembrem-se: é com a casa do Pai que vocês devem se ocupar.
Será que aquilo que estou fazendo contribuirá para a edificação da casa de Deus? Tudo o que eu fizer, tudo o que eu disser, tudo o que eu pensar, seja qual for minha atitude, edificará a casa de Deus ou destruirá a casa de Deus?
Oh, ocupem-se dos negócios do Pai, queridos irmãos e irmãs. Este é o nosso bar mitzvah. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Querido Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque nosso Senhor Jesus não apenas foi adiante de nós, mas está dentro de nós, chamando-nos a ser neste mundo o que Ele é.
Senhor, pedimos que Teu Espírito Santo abra nosso entendimento, para que possamos realmente ter plena consciência de que somos diferentes. Somos Teus. Somos Teus filhos, e nossa ocupação é cuidar dos Teus negócios.
Senhor, que isso seja uma realidade para cada um de nós, para que Tua casa seja edificada e Tu possas descansar entre Teu povo. A Ti seja a glória, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.