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    The Baptism of Our Lord Jesus © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Baptism of Our Lord Jesus
    The Baptism of Our Lord Jesus
    Kaung, Stephen

    Os anos ocultos e o batismo do Senhor Jesus

    Leitura das Escrituras

    Lucas 2:52.

    E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça para com Deus e os homens.

    Mateus 3:13-17.

    Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.
    Mas João opunha-se-Lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por Ti, e vens Tu a mim?
    Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele O permitiu.
    E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água: e eis que se Lhe abriram os céus, e Ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele;
    e eis que uma voz dos céus dizia: Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.

    Oração inicial

    Querido Pai celestial, nós Te agradecemos porque agora estamos reunidos em Tua presença, em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Sabemos que Tu estás aqui conosco.

    Pedimos-Te, Senhor, que retires de nós todos os véus, para que possamos, com o rosto descoberto, contemplar a beleza do Senhor. Pedimos-Te, Senhor, que o Teu Espírito vivifique a Tua Palavra em nossos corações, para que a Tua Palavra seja, para nós, a própria vida e o Espírito. E a Ti seja o louvor, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    A vida do Senhor Jesus

    Olhemos somente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé. Esta é a única coisa que devemos fazer continuamente.

    Temos compartilhado em comunhão sobre a vida do nosso Senhor Jesus. Vemos que o Seu nascimento é inteiramente diferente de todos os nascimentos neste mundo, porque o Seu nascimento é a encarnação: Deus Se tornou homem.

    Para nascer como homem, quanto Ele precisou esvaziar-Se de toda a glória, honra, posição e poder! Na verdade, Ele teve de esvaziar-Se de todos aqueles atributos relacionados à divindade, exceto os Seus atributos morais, para Se tornar homem. Que humilhação!

    Em Sua encarnação, Deus revela o Seu grande amor pela humanidade; e, em Sua encarnação, aprendemos a lição do amor e da humildade.

    Mencionamos o Seu bar mitzvá, quando Ele tinha doze anos. Ele foi feito filho da lei. Mas até mesmo o Seu bar mitzvá foi muito diferente de todos os bar mitzvás dos meninos judeus ao longo dos séculos.

    Por quê? Porque, para os meninos judeus, o bar mitzvá os torna filhos da lei. Em outras palavras, torna-os responsáveis perante a lei. Estabelece-se um relacionamento pessoal entre eles e a lei de Deus — um relacionamento legal.

    Mas, com o nosso Senhor Jesus, foi diferente. Quando Ele foi feito Filho da lei, ao mesmo tempo entrou em um relacionamento vivo com Deus, Seu Pai. Não era apenas um relacionamento legal, mas um relacionamento filial — não apenas ser feito Filho da lei, mas ser aquele Filho que deveria ocupar-Se dos negócios de Seu Pai.

    Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre o Seu batismo. Vocês verão que até mesmo o Seu batismo é diferente de todos os outros batismos. Mas, antes de chegarmos ao Seu batismo, precisamos considerar juntos a Sua vida dos doze aos trinta anos.

    Os anos de formação do Senhor Jesus

    Esses dezoito anos foram todos anos de formação. Vocês sabem, uma criança, desde o nascimento até os doze anos, mais ou menos, cresce sob a responsabilidade dos pais. Sua responsabilidade é obedecer aos pais; fora isso, toda a responsabilidade pelo seu crescimento recai sobre os ombros dos pais.

    Mas, quando uma criança chega aos doze anos, o período dos doze aos trinta é o que chamamos de anos de formação. Por quê? Porque ela continuará crescendo, mas, à medida que cresce, vocês percebem que a responsabilidade pelo seu crescimento começa a passar dos pais para ela mesma.

    Em outras palavras, vocês percebem que ela começa a exercer a própria vontade. Torna-se cada vez mais independente. Está tentando encontrar a si mesma, sua própria identidade; está aprendendo a caminhar por conta própria. Isso não quer dizer que os pais deixem de acompanhar e orientar, mas a responsabilidade principal começa a mudar de mãos.

    São os anos da adolescência — anos muito importantes. Na verdade, o futuro dessa pessoa depende principalmente desses anos de formação.

    Ora, o nosso Senhor Jesus, sendo um Homem perfeito, nasceu como um bebê. Cresceu como criança e, então, entrou nesses anos de formação. Esses anos são muito importantes.

    Mas, curiosamente, ao lerem as Escrituras, vocês percebem que elas guardam um silêncio quase completo sobre esses anos. Há apenas um versículo que nos diz o que aconteceu durante aqueles dezoito anos, e ele está em Lucas 2:52.

    E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça para com Deus e os homens.

    É só isso. Será que as Escrituras parecem ignorar aqueles anos do nosso Senhor Jesus porque não eram importantes? Ou será porque a história daqueles dezoito anos é tão sagrada que não pode ser registrada?

    O crescimento visível

    Exteriormente, naquilo que era visível, vemos que o Senhor Jesus continuou crescendo — avançou em sabedoria. Naturalmente, sabemos que, na providência de Deus, o nosso Senhor Jesus passou aqueles importantes anos na região montanhosa e afastada de Nazaré.

    Havia um provérbio naquela época:

    Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?

    Nazaré era um lugar tão deserto, tão afastado, que nada de bom poderia vir dali. Mas, na providência de Deus, Ele colocou o nosso Senhor Jesus naquele lugar deserto.

    Ele nunca havia frequentado uma escola — e, por escola, quero dizer uma escola rabínica. Nunca foi instruído por homens. Todo o Seu aprendizado acerca de Deus vinha das santas Escrituras. Em outras palavras, Ele não foi ensinado pelo homem.

    Vocês se lembram de que Paulo mencionou Timóteo: desde a infância, ele conhecia os escritos sagrados, as Escrituras que o tornavam sábio para a salvação. Assim, vemos que o nosso Senhor Jesus avançou em sabedoria, mas essa sabedoria não era deste mundo. Não foi ensinada por este mundo, nem sequer pelo mundo religioso ou pelos rabinos.

    Ele foi ensinado por Deus. Foi ensinado pelos escritos sagrados. É uma sabedoria que vem do alto, que é primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia, como encontramos em Tiago 3:17. Essa é a sabedoria do nosso Senhor Jesus, e Ele cresceu em sabedoria. As pessoas podiam ver aquela sabedoria verdadeiramente humana.

    Mas Ele também cresceu em estatura. Continuou crescendo fisicamente. Creio que o nosso Senhor Jesus tinha um corpo bem desenvolvido. Ele não negligenciava o Seu corpo físico. Não vivia uma vida de luxo, mas creio que Seus pais Lhe proporcionavam alimento suficiente e tudo o que era necessário para o corpo.

    Assim, Ele cresceu em estatura, e as pessoas podiam ver isso. Também cresceu em graça para com Deus e os homens. Ele tinha o favor de Deus porque procurava agradar a Deus, não aos homens. Procurava agradar a Deus em Sua vida diária, e era evidente para as pessoas que Ele tinha o favor de Deus e dos homens.

    Por quê? Porque, durante aqueles anos de formação, Ele desenvolveu o Seu caráter — um caráter piedoso —, e as pessoas não podiam deixar de percebê-lo.

    A vida oculta

    Ora, essas são coisas visíveis. Mas aquilo que não era visível não foi registrado. Na verdade, é o invisível que produz o visível. O segredo está no invisível, não naquilo que é visível.

    Evidentemente, durante aqueles anos de formação, exteriormente Ele foi preparado para ser carpinteiro. Era chamado de filho do carpinteiro e, mais tarde, também foi chamado de carpinteiro — provavelmente, depois que Seu pai terreno faleceu, Ele assumiu o ofício de carpinteiro.

    Podemos imaginar que, quando Ele aprendeu carpintaria, aprendeu de todo o coração. Muito provavelmente, era um mestre carpinteiro. Tudo o que fazia era perfeito.

    Mas, além do Seu trabalho, o que Ele fazia com a Sua vida? Podemos imaginar que, depois de terminar um dia de trabalho, Ele subia aos montes e, ali, tinha comunhão com o Seu Pai celestial.

    Na verdade, mais tarde, em Seu ministério público, podemos ver que aquilo que Ele ministrava havia aprendido durante aqueles anos ocultos. Aprendeu a ver o cuidado amoroso do Pai nas aves. Aprendeu a ver a beleza de Deus nos lírios.

    Ele estava em constante comunhão com o Seu Pai. Aprendeu a conhecer a vontade do Seu Pai e aprendeu a negar a Si mesmo, até mesmo o Seu santo Eu, durante aqueles anos ocultos. Aprendeu a disciplina do Pai celestial em Sua vida — desconhecida dos homens, mas conhecida de Deus.

    Em outras palavras, durante aqueles anos ocultos, Ele era desconhecido dos homens porque estava escondido em Nazaré. O mundo não O conhecia nem reparava Nele, mas Ele era conhecido pelo Pai celestial. Esses anos ocultos foram os anos que O prepararam para ser aquilo que deveria ser e aquilo que seria em Seus anos posteriores de serviço.

    Eu me lembro — se vocês me permitem dizer isso novamente — de que o querido Watchman Nee nos disse que todas as nossas principais lições espirituais são aprendidas antes dos trinta anos. Em outras palavras, depois dos trinta, não temos mais novas lições para aprender. As lições que aprendemos simplesmente se aprofundam, mas não há novas lições. Todas as novas lições precisam ser aprendidas antes dos trinta. Esses são anos de formação.

    Os anos de formação na vida humana e espiritual

    Agora, irmãos e irmãs, quando olhamos para nós mesmos, do ponto de vista físico, o período dos doze aos trinta anos é um período de formação. Aquilo que nos tornaremos depois depende realmente desses anos.

    Exteriormente, vocês são visíveis. Todos estão crescendo. Começam a afirmar a sua independência. Procuram absorver todo o conhecimento que podem. Estão entre as pessoas, mas, interiormente, estão sozinhos.

    Ninguém realmente conhece vocês. Talvez tenham esse sentimento: nem mesmo seus pais os conhecem mais. Há uma parte secreta da vida de vocês durante esse período.

    Se essa vida secreta, durante esse período de formação, for um relacionamento correto com Deus — se, além do crescimento exterior, de todas as atividades e de tudo o que acontece ao redor, vocês tiverem uma vida oculta com Deus —, então isso será muito importante.

    Exteriormente, vocês podem estar frequentando as reuniões. Exteriormente, podem estar ativos, até mesmo nas chamadas atividades cristãs. Mas as pessoas só podem ver o que está do lado de fora, assim como o nosso Senhor Jesus cresceu em sabedoria, em estatura e em graça para com Deus e os homens. Ninguém pode realmente ver o que está acontecendo dentro de vocês.

    Às vezes, vocês se perguntam se conhecem a si mesmos. Sentem-se solitários. Estão inteiramente sozinhos. Esses são anos importantes — anos perigosos.

    Se vocês tiverem um relacionamento real e vivo com Deus, perceberão que, durante esses anos ocultos, um caráter piedoso será gradualmente formado. Isso definirá o rumo do seu futuro.

    Mas, se não tiverem um relacionamento vivo com Deus, perceberão que serão influenciados e moldados pelo mundo. Tornar-se-ão vítimas das circunstâncias, e isso também determinará o seu futuro.

    Portanto, esses anos de formação são muito, muito importantes para qualquer pessoa.

    Agora, apliquem isso à vida espiritual. Quando nascemos de novo, somos bebês em Cristo. Passamos por um período de infância. Precisamos ser alimentados com leite. Outros irmãos e irmãs precisam cuidar de nós.

    Se eles não fazem o que queremos, choramos, gritamos, esperneamos. Somos vaidosos. Quando somos bebês, essas coisas são permitidas; são toleradas.

    Mas vocês não podem continuar sendo bebês em Cristo. Precisam crescer. À medida que começam a crescer, percebem que precisam assumir a sua responsabilidade espiritual. Não podem depender dos irmãos e das irmãs o tempo todo.

    É verdade que os irmãos e as irmãs mais adiantados do que vocês ainda os acompanham e procuram ajudá-los. Mas, gradualmente, vocês percebem que precisam ser responsáveis pela própria vida espiritual.

    Durante esse período, provavelmente também estarão ativos exteriormente. Mas o que importa é isto: vocês têm uma vida oculta com o Senhor?

    Se vocês procuram ser cristãos apenas para estar ativos e ser vistos exteriormente, sem uma vida oculta com o Senhor, mais cedo ou mais tarde isso ficará evidente. Não conseguirão permanecer firmes. Quando as circunstâncias mudarem, vocês mudarão.

    Mas, se, durante esse período de adolescência espiritual, vocês cultivarem uma vida secreta com o Senhor — uma vida com o Senhor que esteja oculta dos homens, que as pessoas não vejam, mas que vocês conheçam —, então, irmãos e irmãs, crescerão até a maturidade espiritual.

    Portanto, esses anos de formação são anos muito, muito importantes. Eles fazem de vocês aquilo que serão mais tarde.

    Aqui vemos que, dos doze aos trinta anos, a vida do nosso Senhor Jesus estava, por assim dizer, completamente oculta do mundo, mas era conhecida pelo Pai celestial. Ali, o nosso Senhor aprendeu todas as lições que precisava aprender antes de iniciar o Seu ministério público.

    Quando o nosso Senhor Jesus estava em Seu ministério público, usou muitas ilustrações, e essas ilustrações eram lições que Ele havia aprendido durante aqueles anos ocultos.

    Em Sua vida pública, vemos que Ele disse:

    Ainda não é chegado o Meu tempo.

    Quando Ele aprendeu a reconhecer o tempo do Senhor? Durante aqueles anos de formação.

    Quando tinha doze anos, Ele já havia decidido ocupar-Se dos negócios de Seu Pai. Ficou no templo para aprender mais da lei de Deus, mas teve de voltar para casa e ser obediente aos Seus pais, porque o tempo de Deus ainda não havia chegado.

    Ele teve de passar dezoito longos anos esperando pelo tempo de Deus. Podemos sentir que o Senhor nos chamou e querer mergulhar imediatamente no chamado ministério, porque fomos chamados. Não conseguimos esperar; nossa carne é impaciente.

    Mas o nosso Senhor aprendeu a reconhecer o tempo do Senhor durante aqueles anos de formação. O Senhor disse:

    Eu não posso de Mim mesmo fazer coisa alguma.

    Quando Ele aprendeu essas lições? Não depois de começar a Sua obra, mas durante aqueles dias de preparação. Aprendeu que nada podia fazer, a não ser aquilo que o Pai fazia.

    Ele disse:

    Nada posso dizer.

    Quando Ele aprendeu essas lições? Certamente não quando começou a falar publicamente. Foi durante aqueles anos que aprendeu a não dizer nada, a não ser aquilo que ouvia o Pai dizer; então, Ele o dizia.

    Portanto, irmãos e irmãs, seja em Sua vida, seja em Seu ministério, vemos que toda essa preparação estava sendo realizada durante aqueles anos ocultos. Os anos ocultos são anos importantes.

    Quero muito gravar isto no coração dos nossos jovens irmãos e irmãs: vocês estão nesses anos de formação. São anos muito importantes. Lembrem-se: cultivem uma vida oculta com o Senhor. Essa é a chave.

    Sem ela, a vida de vocês, por mais bem-sucedida que seja aos olhos do mundo, será um fracasso. Com ela, a vida de vocês será um sucesso aos olhos de Deus.

    O batismo do Senhor Jesus

    Depois de passar dezoito anos ocultos, o nosso Senhor, ao chegar aos trinta anos, iniciou o Seu ministério público.

    Humanamente falando, podemos supor que José, Seu pai terreno, tenha morrido cedo. Sendo o filho mais velho, do ponto de vista humano, Ele teve de assumir a responsabilidade pela família. Não podia entrar no ministério para o qual Deus O havia chamado antes dos trinta anos. Precisou cuidar da família até que os outros meninos e meninas crescessem. Então ficou livre de Sua obrigação familiar.

    Por outro lado, no Antigo Testamento, quando um sacerdote chegava aos trinta anos, tornava-se um sacerdote em pleno exercício. Portanto, provavelmente essa é outra razão pela qual o Senhor entrou em Seu ministério público aos trinta anos.

    Em chinês, temos um provérbio: aos trinta anos, você está estabelecido. Em outras palavras, antes dos trinta, você ainda não está firme; ainda não está estabelecido. Como ainda não está estabelecido, não pode realmente entrar no ministério da sua vida.

    Assim, aos trinta anos, você está estabelecido. Quando o Senhor tinha trinta anos, chegou o tempo de aparecer, de manifestar-Se diante do público. Ele começou a Sua manifestação pública sendo batizado.

    João Batista e o batismo de arrependimento

    João Batista era seis meses mais velho do que o nosso Senhor Jesus. Quando João Batista tinha trinta anos, começou o ministério para o qual Deus o havia chamado. Tornou-se o precursor de Cristo.

    Ele saiu do deserto, uma voz vinda do deserto, clamando:

    Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

    Aquela voz sacudiu toda a nação. As pessoas acorriam ao deserto para ouvi-lo, e muitas receberam o seu batismo — o batismo de arrependimento.

    Na economia de Deus, na administração de Deus, Ele determinou que, naquele momento específico, a nação de Israel deveria arrepender-se.

    Exteriormente, os filhos de Israel haviam voltado. O remanescente havia voltado do cativeiro babilônico. Haviam reconstruído a cidade, reconstruído o templo e restaurado o sacerdócio. Tudo parecia seguir como de costume havia centenas de anos.

    Eles eram considerados um povo religioso. Na verdade, o mundo via o judaísmo como uma das religiões mais puras do mundo. Por isso, alguns gentios se tornaram prosélitos, ou semiprosélitos, porque admiravam a pureza da religião judaica.

    Os judeus, naturalmente, tinham muito orgulho de sua religião: do belo templo que possuíam, das elaboradas cerimônias e dos rituais sacerdotais que praticavam e da Palavra de Deus que estava com eles. Consideravam-se um povo religioso.

    Mas, aos olhos de Deus, eram tão pecadores quanto o restante do mundo. Por isso, antes que o Messias viesse, Ele enviou João como precursor, para fazer o povo voltar para Deus.

    Eles deveriam arrepender-se — não apenas de suas más ações, mas de sua justiça própria; não somente dos pecados que haviam cometido, mas também das omissões, das coisas que não haviam feito.

    Não apenas arrepender-se do que estava errado, mas arrepender-se do que estava faltando. Não apenas arrepender-se dos pecados, mas arrepender-se porque o reino dos céus estava chegando. Em outras palavras, não podiam mais brincar de religião. A realidade estava chegando.

    Precisavam arrepender-se por causa do reino, porque, quando o reino chega, ele é real.

    Até mesmo Nicodemos, o mestre de Israel — aquele homem idoso, inteligente e moralmente correto, um modelo para os judeus —, pensava que estava quase lá. Por isso, foi ao Senhor à noite. Teve humildade suficiente para ir e perguntar: “O que devo fazer? Há mais alguma coisa que preciso fazer para entrar no reino de Deus?”

    O Senhor disse:

    Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer do alto não pode sequer ver, muito menos entrar no reino de Deus.

    Você não está qualificado.

    Ninguém, em toda a nação de Israel, estava apto para o reino de Deus. Precisavam arrepender-se de sua religião, de sua justiça própria e de tudo o mais. Para isso, precisavam receber o batismo de João.

    Por que o batismo? Porque o batismo simboliza morte, sepultamento e ressurreição. Aquele arrependimento precisava ser tão completo que o ser inteiro tinha de ir para a morte. Não havia nada de bom a preservar, nada de bom a que se apegar. Era necessário arrepender-se de tudo — tanto do seu bem quanto do seu mal.

    Todo o seu ser precisava entrar na morte e ser sepultado, fora da vista, para então sair em novidade de vida. É algo tão radical assim. Esse é o batismo de João.

    Muitos fariseus vieram querendo ser batizados. Por quê? Não porque tivessem realmente se arrependido; queriam demonstrar sua justiça. João Batista disse: “Vocês precisam arrepender-se. Precisam mostrar as obras do arrependimento; caso contrário, isso não lhes servirá de nada”.

    Mas muitos publicanos e muitos pecadores realmente se arrependeram e receberam o batismo de João. Os fariseus e os escribas rejeitaram o seu batismo. Achavam-se bons demais para aquilo.

    A identificação do Senhor Jesus com os pecadores

    Então veio o Senhor Jesus. Ele foi a João Batista para ser batizado. Quando João Batista viu o Senhor Jesus, algo aconteceu.

    Ele disse:

    Eu careço de ser batizado por Ti, e vens Tu a mim?

    Embora, humanamente, fossem primos, não se viam com frequência. João Batista cresceu no deserto, e o nosso Senhor estava longe, na Galileia, na região montanhosa de Nazaré.

    Não sei se eles alguma vez haviam se encontrado. Se haviam se encontrado, provavelmente fora apenas ocasionalmente. Não se conheciam muito bem, embora tivessem ouvido falar um do outro.

    Mas, de alguma forma, quando Jesus veio a João Batista, João percebeu que ali estava um Homem perfeito, que não precisava arrepender-Se. Portanto, Ele não deveria ser batizado.

    Ao contrário, diante daquele Homem, João imediatamente percebeu que ele próprio precisava ser batizado. Irmãos e irmãs, aquele que batizava as pessoas precisava ser batizado. Quando se colocou diante daquele Homem, percebeu que precisava arrepender-se e ser batizado.

    A própria presença do Senhor, aquele caráter santo, tocou imediatamente João Batista. Por quê? Porque João Batista era uma pessoa cheia do Espírito Santo e, por isso, respondia a Deus.

    Contudo, o Senhor Jesus disse:

    Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.

    O cumprimento de toda a justiça

    Agora, irmãos e irmãs, o que significa “cumprir toda a justiça”? Em termos simples, significa estar em uma relação correta com Deus.

    Em diferentes épocas, Deus tem aquilo que as Escrituras chamam de “verdade presente”. Vocês encontram isso em 2 Pedro 1:12. A verdade de Deus é eterna, mas, em determinado período, uma verdade específica é especialmente requerida ou exigida por Deus de todas as pessoas.

    Naquele momento, a verdade que Deus exigia do povo era o arrependimento — o batismo de arrependimento. Isso era exigido por Deus de todo israelita. Se você aceitasse, tornava-se justo; era considerado justo diante de Deus. Se não aceitasse, então era injusto e condenado diante de Deus.

    Assim, João veio na justiça de Deus para realizar o batismo de arrependimento. Aqui vemos que o nosso Senhor Jesus veio e disse: “Preciso ser batizado para cumprir toda a justiça”.

    Ele próprio não precisava arrepender-Se. Ele próprio era sem pecado. É o único que não conheceu pecado. Não precisava ser batizado por Sua própria causa e, mesmo assim, veio para ser batizado. Por quê? Para cumprir toda a justiça.

    Quando veio para ser batizado, Ele ofereceu a Si mesmo como sacrifício pelo pecado do mundo. Em outras palavras, não veio para ser batizado por causa de Si mesmo. Veio para ser batizado porque Se ofereceu como substituto pelo pecado do mundo — não apenas pela nação de Israel, mas pelo mundo inteiro.

    Ele tomou sobre Si todos os pecados do mundo e, ali, arrependeu-Se por nós e foi batizado como se estivesse morto. Irmãos e irmãs, isso é cumprir toda a justiça, porque esta é a coisa certa aos olhos de Deus: João batizá-Lo, e Ele ser batizado por João.

    Por isso, João O batizou. Assim que foi batizado e saiu da água, Ele estava orando. Os céus se abriram, e o Espírito Santo desceu como pomba, vindo sobre Ele e permanecendo Nele. Uma voz veio do céu:

    Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.

    O Cordeiro de Deus

    Irmãos e irmãs, se vocês lerem o Evangelho segundo João, encontrarão João dizendo:

    Eu não O conhecia.

    Havia entre eles Alguém maior do que João, mas João não O conhecia, até que lhe foi dito que, quando visse o Espírito Santo descer sobre uma pessoa e permanecer sobre Ela, aquele seria o Filho de Deus.

    Então ele testemunhou:

    Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

    Quando o nosso Senhor Jesus foi batizado, Ele Se comprometeu com essa obra de redenção como o Cordeiro de Deus. Por isso, o Espírito Santo desceu como pomba.

    Por que como pomba? Vocês se lembram de que, quando alguém pecava no Antigo Testamento, precisava oferecer um sacrifício que morresse em seu lugar, para expiar o seu pecado. Se fosse muito pobre e não pudesse oferecer um novilho, nem mesmo um cordeiro, então poderia oferecer uma rola ou um pombinho.

    Em outras palavras, uma pomba é o sacrifício dos pobres. Ali vemos o Espírito Santo vindo sobre o Senhor como pomba. Por quê? Porque, pelo Espírito eterno, Ele havia oferecido a Si mesmo a Deus como sacrifício pelo pecado do mundo.

    O céu se abriu. O céu que estava fechado para a humanidade foi aberto. Deus ficou tão satisfeito e disse:

    Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.

    Portanto, irmãos e irmãs, esse é o batismo do nosso Senhor Jesus. O Seu batismo iniciou o Seu ministério, e a Sua crucificação concluiu o Seu ministério.

    Desde a fundação do mundo, Ele era o Cordeiro que foi morto. Mas somente quando foi batizado Ele Se ofereceu como Homem a Deus; e, na cruz, morreu como o Cordeiro de Deus.

    O significado do batismo cristão

    Ora, o Seu batismo é diferente do nosso, diferente de todos os outros batismos. Todos os outros batismos recebidos pelo povo judeu naquela época eram o batismo de João. Eles recebiam o batismo de João por causa dos próprios pecados, por sua própria causa.

    Mas o nosso Senhor Jesus recebeu o batismo de João não por Sua própria causa, mas por causa da nação e por causa do mundo inteiro.

    O batismo do nosso Senhor é diferente do nosso batismo. Irmãos e irmãs, o nosso batismo não é o batismo de João. O nosso batismo é o batismo dos que creem. Ele foi ordenado pelo nosso Senhor em Mateus 28:19-20.

    Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
    ensinando-os a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado;
    e eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.

    Portanto, irmãos e irmãs, o batismo que recebemos é o batismo dos que creem, não o batismo de João. Em outras palavras, o nosso batismo não é o batismo de arrependimento. Primeiro nos arrependemos e cremos no Senhor Jesus; depois somos batizados.

    É diferente do que aconteceu com o nosso Senhor. No caso do nosso Senhor, o Seu batismo tinha natureza redentora, porque, quando foi batizado, Ele foi batizado para a nossa morte. Mas o nosso batismo tem natureza testemunhal. É um testemunho.

    Ele testifica que verdadeiramente nos arrependemos, que cremos no Senhor Jesus, que já não pertencemos a nós mesmos e que pertencemos ao Senhor. Por causa dessa fé, somos batizados. Somos batizados em Jesus, declarando que pertencemos a Ele.

    Somos sepultados com Ele, morremos com Ele, somos sepultados com Ele e somos ressuscitados com Ele em novidade de vida. Esse é o nosso testemunho. Essa é a razão pela qual os que creem devem ser batizados.

    O batismo como morte, sepultamento e ressurreição

    Embora o nosso batismo seja diferente do batismo do nosso Senhor Jesus, há um pensamento fundamental que é o mesmo. O que é o batismo? O batismo é morte, sepultamento e ressurreição.

    Quando você entra na água, entra na morte. Quando é coberto pela água, é sepultado, fora da vista. Quando sai da água, é ressuscitado dentre os mortos em novidade de vida. É isso que o batismo representa.

    O que desce à morte é o seu velho eu. O que é sepultado, fora da vista, é você. O que sai da água é Cristo em você, a esperança da glória. Já não sou eu; é Cristo que vive em mim. Esse é o pensamento fundamental do batismo.

    O ministério fundamentado no batismo

    O nosso Senhor Jesus começou o Seu ministério com o batismo. Em outras palavras, você não pode começar a ministrar a Deus sem passar pela morte, pelo sepultamento e pela ressurreição.

    O ministério começa com morte, sepultamento e ressurreição. Qualquer ministério que não tenha passado pela morte, pelo sepultamento e pela ressurreição não é aceitável.

    Mesmo nos tempos do Antigo Testamento, vemos que isso é verdade. Quando os levitas começaram a murmurar e a dizer: “Não somos santos? Não podemos ministrar ao Senhor como Arão? Por que Arão deve fazer todas essas coisas, e nós não podemos?”, o Senhor disse: “Muito bem, tomem doze varas”.

    As varas são tiradas de uma árvore. Uma árvore está viva, mas uma vara está morta. Então Deus disse: “Tomem doze varas, uma para cada tribo de Israel. Escrevam o nome de cada tribo na sua vara e coloquem as varas diante do véu, diante da arca, durante a noite, na escuridão”.

    No dia seguinte, a vara de Arão havia brotado, florescido e produzido fruto. Essa era a prova de que o ministério de Arão havia sido aceito por Deus; os demais foram rejeitados.

    Assim, vemos ali o princípio: morte, sepultamento e ressurreição. Aquelas varas mortas precisavam passar pela escuridão, sepultadas fora da vista; e aquilo que ressuscitava podia ministrar ao Senhor.

    O nosso Senhor Jesus começou o Seu ministério com o batismo. Ele não ministrou a Deus por Sua própria sabedoria, Sua própria força, Sua própria experiência ou Seu próprio poder. Estava disposto a entrar na morte, abrir mão de tudo e ser sepultado completamente fora da vista. Ministrou no poder da ressurreição de Deus. É por isso que o Seu ministério foi tão eficaz.

    Agora, irmãos e irmãs, o mesmo se aplica a nós. Depois de crermos no Senhor Jesus, precisamos ser batizados. Depois de sermos batizados, precisamos exercer nossa função na casa de Deus.

    Mas vocês se lembram do princípio do batismo? Sabem que morreram? Se ainda tentam servir a Deus com a velha carne, se ainda querem aparecer em vez de ser sepultados fora da vista, se ainda tentam exercer sua função pelo próprio poder, e não na vida de ressurreição de Cristo, irmãos e irmãs, aos olhos de Deus isso é um desserviço, não um serviço.

    Isso apenas corromperá a igreja, em vez de edificá-la.

    Precisamos sempre lembrar que o nosso ministério ao Senhor deve estar fundamentado no nosso batismo. Precisamos permanecer sobre essa base: a base da morte para o eu, a base do sepultamento fora da vista e a base da ressurreição na vida e no poder do Espírito Santo.

    É sobre essa base que podemos servir ao Senhor. Portanto, irmãos e irmãs, esse é o batismo do nosso Senhor Jesus. Que ele nos ensine uma lição muito importante em nosso serviço ao Senhor.

    Oração final

    Querido Pai celestial, nós Te pedimos que o Teu Espírito renove em nossos corações a importância desses anos de formação da nossa vida.

    Pedimos que, por Tua graça, nos capacites a compreender e cultivar uma vida secreta, uma vida oculta Contigo, para que não sejamos apenas pessoas que aparecem diante dos homens, mas um povo que tem uma vida com o Senhor em secreto.

    Pedimos que sejamos transformados e que o Teu caráter seja formado em nós. Senhor, nós Te pedimos que, quando chegar o tempo de realmente ministrarmos a Ti e ao Teu povo, permaneçamos sempre sobre a base do batismo.

    Que nunca estejamos em nosso próprio poder, mas sempre em Cristo, pelo Seu poder. Ó Senhor, nós Te pedimos que a vida do Teu Filho realmente nos inspire, para que possamos seguir os Teus passos. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.